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Fevereiro 2006

Vendo Artigos de: Fevereiro , 2006

OIA Capoeira participa de Ação Social

Dia 12 último a OIA Capoeira e parte de seus alunos apresentaram-se na Ação Social, promovida pela ONG Parceiros Voluntários. O evento contou com várias atividades educativas, recreativas e voltadas para a saúde, a exemplo de várias oficinas para adultos e crianças, medição de pressão arterial e distribuição de lanches confeccionados pelas voluntárias, entre elas a gourmet Adeir Coutinho. A coordenadora da Parceiros Voluntários, Amalis Marques, programou juntamente com vários voluntários, inúmeras atividades voltadas para a comunidade que reside próxima ao Camping Minicipal do Cassino. "Várias famílias foram cadastradas entretanto um número bem pequeno de pessoas teve a sensibilidade para perceber que o evento havia sido organizado com muito carinho e trabalho, para oferecer o melhor aquela comunidade. Esperamos que as próximas comunidades a serem comtempladas com a Ação Social saibam aproveitar tudo de bom que lhes será oferecido", avaliou a titular da OIA, Annelise Enke.. 


Academia de Capoeira

 
A partir desta semana , a Academia de Capoeira Annelise Enke estará oferecendo aulas de dança com o professor Marquinhos, do Swing Black Moleke, com os mais variados ritmos. Estas aulas se estenderão por todo ano. Já as aulas de boxe com o pugilista Clainton Trassante, permanecem com turmas masculinas e femininas.  No domingo, em comemoração ao aniversário da cidade, aconteceram a Rústica, Maratoninha e Supermaratona Cidade de Rio Grande. A OIA Capoeira mais uma vez esteve junto apoiando o evento. No mês de março a OIA Capoeira estará recebendo de seus novos patrocinadores, FONINI Estética Canina e Difference Israel Cabelereiros, mais duzentas camisetas que serão vendidas e doadas a parte dos alunos da OIA. 

 
http://www.jornalagora.com.br/2402esporte3.html

Pingo de Ouro

Pingo de Ouro, um capoeirista especial, aluno de Mestre Nenel, demonstrando que o apoio exatamente sob o Centro de Gravidade do parceiro permite executar a Cintura Desprezada com perfeição, apesar das limitações decorrentes da paraplegia.

"Pingo de Ouro" apesar da paraplegia (seqüela de paralisia infantil) não lhe permitir ficar em pé sem o apoio de muletas, consegue jogar capoeira e realizar o au com perfeição, comprovando que em estado modificado de consciência (transe capoeirano)  os capoeiristas realizam movimentos que em estado normal de consciência não executam.
 
A foto deixa perceber nitidamente a atrofia dos membros inferiores e o contraste com o desenvolvimento do tronco e dos membros superiores.

Guarujá- SP: Prof. Montanha e o 3º CD do Grupo Canto e Magia

Em seu mais recente trabalho musical , "Músicas de Capoeira Vol. 3", o Professor Montanha conta com as participações especiais de M. Ricardo (SP), Presidente de Fundador do Grupo Canto e Magia de Capoeira e M. Pinatti (SP) Grupo São Bento Pequeno.
 
Entre músicas inéditas e tradicionais na Capoeira, podemos encontrar também
um House Remix (Angola), tocada em um encontro de DJ’s Latinos (Ibiza -Espanha – 2005)
 
Destaque para a valorização de um dos grandes ícones da Capoeira Paulista, Djamir Pinatti,  a qualidade musical do CD e a boa voz do Professor Montanha.

Fica ai a dica para a sua coleção. Para comprar o CD, clique aqui.
 
Músicas

1 – Depoimento e Ladainha – M. Pinatti
2 – Aidê – M. Pinatti
3 – Angola me chama – Profº Montanha
4 – Flor da Bahia – Prof º Montanha -:- {mmp3}Flor_da_Bahia.mp3{/mmp3}
5 – Bahia manda seu axé – Prof º Montanha
6 – Canarinho da Alemanha – Prof º Montanha
7 – Vem jogar mais eu – Prof º Montanha
8 – Senhor São Bento – Prof º Montanha
9 – Lembra do barro vermelho – Prof º Montanha
10 – Santo Antônio protetor – Prof º Montanha
11 – Bem miudinho – Prof º Montanha
12 – Se arrasta no chão – Prof º Montanha
13 – Lailê – M. Ricardo
14 – Quando o Gunga me chama -M. Ricardo
15 – Nego Nagô – Prof º Montanha
16 – Capoeira Canto e Magia – Prof º Montanha
17 – Dor do Capoeira – Prof º Montanha
18 – Batida do Gunga – Prof º Montanha
19 – Menina mandingueira – Prof º Montanha (Montanha)
20 –
Capoeira na beira do mar – Prof º Montanha
21 – Auê Pinatti – M. Pinatti – (C.M. Arraia – RJ)
22 – Depoimento M. Ricardo
23 –
Faixa Extra – Flor da Bahia – Prof º Montanha
       Versão: REMIX HOUSE – By Dj Allyson Roberth

 
Estamos disponibilizando duas (2) faixas do CD para voce ouvir e conhecer o trabalho deste grande camarada:

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Capoeira, terapia e diversão para crianças portadoras de deficiência

SUGESTÃO DE PAUTA CAPOEIRA É TERAPIA E DIVERSÃO PARA CRIANÇAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA
 
O setor de Reabilitação Desportiva da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) iniciou um programa inédito com crianças portadoras de deficiência física: a capoeira. Hoje, mais de um ano depois de implantado, o projeto demonstra resultados satisfatórios do ponto de vista médico e terapêutico, além de ser uma grande brincadeira para meninos e meninas portadores de deficiência física. Para o instrutor de capoeira voluntário Alex Souza Santos o trabalho com crianças portadoras de deficiência física era novidade. Junto com o setor de Reabilitação Desportiva da AACD ele aceitou o desafio e hoje colhe os resultados. "Após este período conseguimos notar benefícios como melhor equilíbrio, desenvolvimento mental, disciplina e sociabilização", diz Edna Garcez, coordenadora do setor. "Hoje, os alunos estão mais participativos, demonstrando ginga e alongamento." Essa aquisição de habilidades é observada não só durante os treinos, mas também nas atividades diárias das crianças. Edna levou a capoeira para a AACD com o apoio dos médicos. "Qualquer paciente, independente da idade ou da patologia, pode participar, inclusive pacientes em cadeiras de roda, que também dão sua contribuição." Liliam Brito Assessora de Imprensa AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente)
 
Tel: 11 5576-0609 celular: 11 9409-1489 e-mails: mkt-liliam@aacd.org.br / liliambrito@bol.com.br
Ricardo Viveiros – Oficina de Comunicação www.viveiros.com.br

Nova coluna: Capoeira sem fronteiras…

Estamos inaugurando uma nova coluna no Portal Capoeira: Capoeira sem fronteiras: A Capoeira para Portadores de Deficiência.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pessoas portadoras de necessidades especiais (PPNEs) já são + de 23 milhões de brasileiros (as).
 
O número de capoeiristas envolvidos com este belo processo tem aumentado a cada dia… o trabalho tem se especializado… passando da esfera das experiências… para algo comprovado… É a nossa capoeira como arma de INCLUSÃO, como uma magia… como algo sem fronteiras e barreiras… é o ser humano… é a prática da cidadania!!!

Belém: “Capoeira” batiza 30 idosos que são exemplos de vida

Lá do Belém nos chega esta agradável e saborosa notícia!!! É a capoeira fazendo a sua parte… a capoeira como ferramenta de inclusão como arma de cidadania. A capoeira sem barreiras… vindo de encontro com a nossa nova coluna a estrear ainda esta semana que terá como foco a CAPOEIRA SEM FRONTEIRAS: CAPOEIRA PARA PORTADORES DE DEFICIÊNCIA.
Precisamos entender e perceber que quando se fala da capoeira como poderosa ferramenta de inclusão, não estamos apenas falando de uma faceta social… de crianças carentes ou da reabilitação de jovens… a inclusão que a capoeira é capaz de fomentar é muito maior e abrange um infinito potencial… Tudo depende das pessoas envolvidas, de sua entrega e amor por sua causa.
Nesta matéria a capoeira toca a 3ª Idade, em nossa nova coluna a capoeira irá tratar os Portadores de Deficiência, e cabe a cada um de nós… fazer a nossa parte… para que a soma de cada esforço englobe um todo… e gere a Inclusão… a verdadeira CAPOEIRA.
Luciano Milani


"Capoeira" batiza 30 idosos que são exemplos de vida
 
CASTANHAL
  
Trinta integrantes da Associação da Terceira Idade de Castanhal receberam, na manhã de ontem, o batismo em capoeira e se tornaram exemplos de vitalidade. Eles fazem parte de um grupo de pessoas que tem idade a partir dos 50 anos, que participa das atividades desenvolvidas em parceria pela associação e o campus da Universidade Federal do Pará de Castanhal. Além das aulas de capoeira, que é um dos itens das atividades físicas do grupo, os idosos também têm acesso a aulas de alfabetização, natação, hidroginástica, basquete, danças e atividades culturais, como pintura, bordado e crochê. Dos 30 que foram batizados apenas um é homem. E entre as mulheres está a aposentada Esmeralda, de 83 anos de idade, que ainda esbanja vitalidade.
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Capoeira sem fronteiras…

Em uma destas voltas ao mundo na Rod@ Digital, encontrei um video sugerido por  um amigo cujo título por sí só já fala tudo… (Capoeira, vivendo sem barreiras) porém é preciso assistir ao video para sentir a verdadeira força e a emoção da superação, da alegria de viver… da CAPOEIRA…
 
Dentro deste espírito fica a sugestão do video: Capoeira, vivendo sem barreiras e para uma maior compreensão deste tema temos uma seção totalmente dedicada a Capoeira sem Fronteiras, a Capoeira para Portadores de Necessidades Especiais.
 
Abaixo a matéria que deu ínicio a esta seção em Fevereiro de 2006.
 
Meus agradecimentos a todos que lutam e trabalham com estas fantasticas pessoas…

 

Aqueles que conhecem a capoeira, sabem do que ela é capaz. A capoeira é jogo, luta, dança, brincadeira e filosofia.
Como diz Mestre Paulo, “… capoeira é o único esporte que tem a sua própria música. É a única luta em que o homem luta com a mulher e o velho com a criança”. Além disso, como diz Mestre Mão Branca, “… os opostos se atraem, o rico e o pobre, o preto e o branco”.
 
Não só eu, mas muitos outros capoeiristas acreditam que a capoeira é mágica, e a sua maior magia esta na brincadeira de forma lúdica e principalmente pelo seu processo de inclusão.
 
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SP: Mestre Careca lança livro…

Emílio Lopes dos Santos, o Mestre Careca (Butantã, capital paulista) publicou seu primeiro livro em dezembro de 2005, cujo título sugestivo é "Em todos os sentidos da vida".
Apesar do título não incluir o termo capoeira, podemos garantir que o mesmo é imerso em uma trama capoeirística vivida pelo autor, sendo que em alguns momentos, os personagens se entrelaçam entre os limites reais e imaginários. Nomes conhecidos da capoeira paulistana como o dos Mestres Joel, Cavaco, Ananias, Biné, Kenura, Miguel, Jogo de Dentro, Plínio, Letícia Vidor, Paulão e tantos outros são entremeados no cerne do livro.
       
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Carnaval na Bahia: “A mão que afaga e a mesma que apedreja…”

“A MÃO QUE AFAGA E A MESMA QUE APEDREJA…”
Ou a ascensão e decadência do trio elétrico no carnaval da Cidade da Bahia
  
       Fim do século XIX, a Bahia testemunha uma mudança de costumes na sua maior festa popular. Estou me referindo ao nascimento do carnaval e à morte do entrudo. Se o preconceito e a segregação social além da violência física eram as notas destoantes desta manifestação de origem portuguesa, o carnaval recebe este dote como herança e até intensifica o seu caráter hierarquizado concebendo, porém, novos paradigmas lúdicos, estéticos  e capitalistas.
 
       No entrudo, negros “brincavam” ao lado de brancos, e estes podiam atingi-los com as famosas laranjinhas, farinhas, água fétida e toda a sorte de armas podres, enquanto aqueles só poderiam fazê-lo entre si. Já no carnaval do início do século XX, a ”inconveniente”  presença dos afrodescendentes e pobres foi alijada do nobre circuito do corso, (onde o préstito trazia a “nata” da sociedade baiana em suntuosos desfiles), e nem sequer imaginada nos seletivos bailes dos salões do Theatro São João, Teatro Politeama, Cruz Vermelha e Fantoches da Euterpe.
 
       Formaram-se (a exemplo de hoje) dois circuitos distintos no carnaval de Salvador. Na Rua do Palácio (hoje Chile) acontecia bem comportado o eurocêntrico dos citados clubes e na Baixa de Sapateiros a farra de entidades negras como Guerreiros d´África, Embaixada Africana, Pândegos d´África, evocando e reverenciando suas origens.
 
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FUNDAMENTOS DA CAPOEIRA

Os fundamentos da capoeira ou, como usam, incorretamente, alguns descuidados da nossa língua, suas “fundamentações“, vêm sendo discutidos com certa freqüência a partir do uso infeliz desta palavra pelo Mestre Noronha, que se disse conhecedor único dos seus mesmos, sem os enunciar nos seus obscuros “escritos”…
Em trabalho algum encontrei, nem ouvi, conceito, nem definição, do emprego deste vocábulo pelos autores, o que vem aumentando a confusão entre os mestres e capoeiristas dum modo geral. É que nos meios populares baianos, especialmente nos terreiros de candomblé e nas rodas boêmias, o termo adquire uma conotação bem diversa daquela encontrada nos clássicos e dicionários de nossa língua. Uma vez que nestes grupamentos sociais, esta palavra é usado em referência à parte mais secreta e profunda do culto ou prática, somente acessível as camadas mais elevadas da comunidade, adquirindo então um atributo de secreto, sagrado, inacessível aos não-iniciados, ensinamento esotérico, hermético, misterioso, mágico

 

 

“Hoje vejo reduzido, os capoeirista, perdeiram suas
forças de vontade, não procuram o fundamento,
só querem a prender a propria violencia.

 

O trecho acima, manuscrito pelo Mestre Pastinha, ilustra o emprego do termo “fundamento” pelos antigos capoeiristas no sentido de essência de conhecimentos sobre a capoeira, seus princípios morais, seu ritual, sua prática e seus efeitos sobre o comportamento de cada capoeirista, a razão de ser do seu ritual e do comportamento do jogador, bem como a sua origem, a influência relativa de cada um dos seus componentes, sua música, seu ritmo, seus cânticos, etc.

 

Concordando com Esdras “Damião” na estranheza do uso de Fundamento e Fundamentação no linguajar dos capoeiristas antigos e modernos (dialeto capoeirano?) vivo procurando porque tanto ênfase neste conceito.

 

Do longo convívio nos meios de capoeira, nos centros de candomblé e durante a prática médica nas classes menos favorecidas pela Deusa da Fortuna, posso extrair vários sentidos encontrados.
Inicialmente impõe-se o sentido de conhecimento teórico ou prático sobre assuntos de qualquer natureza, independente de estudos formais.
Quando se fala em idéia ou comportamento sem fundamento indica-se a falta de razão subjacente ou de base para tal.

 

Há uma nuança de mistério, de sacralização, quando empregada em referência a conhecimento reservado a certos grupos sociais como dos feitos do candomblé. Como no caso dos antigos mestres que se proclamavam detentores dos fundamentos da capoeira… somente eles o possuíam…
Ser conhecedor dos fundamentos da seita ou de qualquer outro ramo de atividade humana, social, científica ou artística é altamente valorizado nestes ambientes culturais baianos; motivo de orgulho e jactância, algo muito especial e envaidecedor.

 

É com admiração que se diz: “Fulano conhece muito bem os fundamento de samba!”, enquanto outros estufam o peito e se gabam de serem os únicos conhecedores disto ou daquilo… especialmente entre os menos favorecidos de inteligência, cultura e sobretudo, modéstia… apesar de bem providos de auto-estima e vaidade.
É freqüente e natural, o entitulado “de conhecedor dos fundamentos” desdenhosamente se recusar a transmitir aos não-iniciados aqueles mistérios sagrados, dotados de poder mágico.

 

A atrapalhação provocada pelo emprego descuidado desta palavra por alguns estudiosos pouco habituados ao linguajar popular baiano, especialmente do seu uso nas rodas boêmias e nos terreiros de candomblé, aumentou pelo aparecimento de divagações literárias em torno de assunto, cuja definição e conceito os autores sequer conheciam, sem se aperceberem da leviandade, nem da gravidade da falha da científica cometida… palavras bem entoadas, frases bem torneadas, porém vazias… diríamos “sem fundamento” num barzinho da rua do Julião!

 

A propósito de “FUNDAMENTO” o “Novo Dicionário Aurélio”arrola os seguintes significados:

 

  1. Base, alicerce.
  2. Razões ou argumentos em que se funda uma tese, concepção, ponto de vista, etc.; base, apoio.
  3. Razão, justificativa, motivo.
  4. Aquilo sobre o que se apoia quer um dado domínio do ser (e então o fundamento é garantia ou razão do ser), quer uma ordem ou conjunto de conhecimentos (e então o fundamento é o conjunto de proposições ou de idéias mais gerais ou mais simples de onde esses conhecimentos se deduzem).
Do acima transcrito entendo que devemos a aceitar por definição como “fundamentos da capoeira” a sua razão de ser e as justificativas de sua maneira de ser, isto é os elementos que a identificam como “SER” em nosso mundo conceptual.
A primeira indagação que surge em nossa mente ao analisar o assunto é:

 

QUE É O JOGO DE CAPOEIRA?

 

A resposta técnica é:
“A capoeira baiana é um processo dinâmico, coreográfico, desenvolvido por 2 (dois) parceiros, caracterizado pela associação de movimentos rituais, executados em sintonia com ritmo ijexá, regido pelo toque do berimbau, simulando intenções de ataque, defesa e esquiva, ao tempo em que exibe habilidade, força e autoconfiança, em colaboração com o parceiro do jogo, pretendendo cada qual demonstrar habilidade superior à do companheiro.
O complexo coreográfico se desenvolve a partir dum movimento básico denominado de gingado, do qual surgem os demais num desenrolar aparentemente espontâneo e natural, porém com um objetivo dissimulado de obrigar o seu parceiro a admitir a própria inferioridade.
Dentre as características mais importantes da capoeira destacamos a liberdade de criação, a estrita obediência aos rituais, a preservação das tradições, o culto dos antepassados e o respeito aos mais velhos como repositório da sabedoria comunitária.”
Ou poeticamente:

 

“A capoeira é uma luta…
ensinada e praticada como dança!

 

… pode ser usada como defesa…
e como ataque…
numa hora de “percisão”!
nas palavras dos Mestres
Bimba e Pastinha!

 

A capoeira é uma arte…
a arte de bem viver…
DISPUTADA COMO LUTA…
“mata até sem querer!”
… dizia Mestres Bimba…
“e o bom da vida é não morrer!”
… completava Mestre Pastinha!

 

OS FUNDAMENTOS DA CAPOEIRA

 

A prática da capoeira se desenvolve obedecendo aos seguintes parâmetros:

 

  1. movimentos rituais ritmodependentes
  2. ritmo ijexá regido pelo berimbau
  3. disciplina e respeito à tradição, aos mais velhos e aos companheiros
  4. parceria
  5. movimentos em esquiva, circulares e descendentes
  6. dissimulação de intenção
  7. alerta, calma, relaxamento e autoconfiança permanentes
  8. estado de consciência modificado (transe capoeirano), que analisaremos a seguir.
MOVIMENTOS RITUAIS RITMODEPENDENTES

 

O conjunto dos movimentos dos participantes para ser reconhecido como jogo de capoeira deve ser ajustado ao ritmo/melodia do toque da orquestra e obedecer às regras tradicionais de cada estilo, especialmente àquelas que garantem a segurança da sua prática, i.e., a não-violência.
A capoeira baiana é, por definição e princípio, uma luta dissimulada sob forma de dança ou uma dança guerreira, ou ainda como declarou José Roberto“Pingo” (18 anos), aluno e filho pela capoeira de Mestre Canelão (Natal, RN):

 

“A capoeira não é violência, é um esporte, uma brincadeira sadia… a luta fica escondida.”

 

Além do enquadramento dos movimentos ao ritmo e à melodia, é indispensável a estrita adesão ao seu ritual, isto é, às regras tradicionais que regem sua prática e garantem a segurança dos participantes. Um acordo de cavaleiros, um código de honra, transmitido pela tradição oral entre as gerações, desde suas origens, como disse o Venerável Mestre Pastinha:

 

 

1.4.21 – …”aprender municiosamente ás regras da capoeira”…
“… todos aqueles que queira se dedicar a esse esporte, que como capoeirísta; quer como juiz? Deve procurar minuciosamente ás regras da capoeira de angola”; para que possa falar ou dicidir com autoridade. Infelizmente grande parte de nossos capoeiristas tem conhecimento muito incompleto das regras da capoeira, pois é o controle do jogo que protege aqueles que o praticam para que não discambe exesso do vale tudo,”…

 

(8a, 15-23; 8a, 20-23; 8b, 1-2)

 

Assim o Venerável Mestre Pastinha sabiamente reitera…
… é indispensável o código honra…
… a ser obedecido pelos capoeiristas, pois ..
… “é o controle do jogo”…
… pelo juiz… pelas regras… regulamentos…
… e pelo ritmo da orquestra…
… “que evita a violência e os acidentes”…
… vale a repetição!

 

RITMO IJEXÁ

 

Por ser uma manifestação coreográfica do ritmo africano ijexá o enquadramento dos movimentos da capoeira ao mesmo é fundamental à sua prática, conservando a continuidade da sua dinâmica, sem que se quebre a seqüência dos mesmos.
O andamento do toque ijexá leva uma estado transicional de consciência calmo, pacifico, prazeroso, possibilitando um jogo sem violência e bem cadenciado, permitindo aos parceiros estudo, análise, reflexão e criação de gestos rituais capazes de enriquecer o cabedal de reflexos de defesa, de esquiva e contra-ataques, que compõem o perfil do comportamento do verdadeiro capoeirista.
A aceleração excessiva do andamento provoca um estado de excitação incompatível com a calma indispensável à prática da capoeira, além de impossibilitar o gingado, transformando uma atividade lúdica em agressiva e potencialmente lesiva ou letal.
A observação dos movimentos rituais gerados pelos diferentes toques de atabaques, especialmente entre o ijexá dum lado e aqueles de alujá e adarrum, esclarecerá nitidamente a importância da cadência do toque da orquestra no desempenho dos parceiros do jogo de capoeira, do seu comportamento e estado mental.

 

DISCIPLINA E RESPEITO À TRADIÇÃO,
AOS MAIS VELHOS E AOS COMPANHEIROS

 

Nas sociedades de cultura oral, como as africanas, o liame entre as gerações é indispensável à sobrevivência do grupamento e dos indivíduos, valorizando os mais velhos como depositários confiáveis da sabedoria e da experiência, imprescindíveis à educação dos mais jovens e menos experientes.
Manifestação cultural pela sua própria natureza, a capoeira depende da aproximação das gerações, o que integra a sociedade transformando-a num monólito, capaz de resistir às influências externas e perdurar no tempo.
A postura de respeito aos mais velhos certamente conduz àquela de respeito, estima e consideração aos companheiros de geração, os seus parceiros, unindo o grupo social, transformando-o numa família, num clã, num agrupamento tribal, numa unidade fundamental indissolúvel (com “sprit de corps”, diria o Gal. Liauty) à qual todos se orgulham de pertencer, como todos fazemos com nossa roda de capoeira.

 

PARCERIA

 

Do respeito às tradições e aos mais velhos facilmente alcançamos a noção de parceria, indispensável ao aprendizado, ao ensino e à prática da capoeira.
A capoeira, atividade fundamentalmente guerreira, intrinsecamente belicosa, potencialmente lesiva e mortal, não pode ser praticada sem confiança recíproca, sem um compromisso de não-agressividade, de não-violência, de respeito mútuo, como são as suas tradicionais regras do jogo, o seu ritual.
A este elo de camaradagem e respeito mútuo chamamos de “parceria”, sem ele, morreriam todos os alunos no início do aprendizado ou desistiriam, tal a gravidade das suas lesões!
Sem a parceria, cada “volta do mundo” seria uma batalha, com morte do vencido e sem vencedor.
A Capoeira seria então o próprio Apocalipse e cada Mestre o seu Cavaleiro!

 

MOVIMENTOS EM ESQUIVA,
DESCENDÊNCIA E CIRCULARIDADE

 

Dizem os orientais que a esfera é a forma da perfeição e o círculo sua expressão mais autêntica.
Na dança ritual do candomblé os movimentos são circulares, manifestando em cada segmento e no conjunto o acoplamento ao toque (ritmo e andamento) de cada orixá.
Os movimentos circulares são os únicos que propiciam a esquiva, o escape da linha direta do ataque sem o afastamento para traz, que dificultaria ou impossibilitaria o contra-ataque.
Na capoeira, os movimentos, principalmente os deslocamentos, devem ser circulares ou melhor esféricos, girando em torno do centro de gravidade do parceiro, escapando ao seu ataque e contornando o seu flanco à procura dum ponto fraco ou abertura na guarda.
As esquivas descendentes, geram movimentos melhor apoiados no solo, portanto mais seguros, permitindo também a procura dos pontos mais baixos do corpo, habitualmente os mais vulneráveis, do adversário simulado.
Com a vantagem de que o jogador pode usar nesta postura os quatro membros e a cabeça como pontos de apoio no solo, além de dispor de maior amplitude de deslocamento, que pode aumentar a velocidade e força viva dos ataques e contra-ataques.
Sem falar que a rasteira, antigamente tão usada no jogo de capoeira e hoje tão raramente presenciada, é mais facilmente executada em posição mais agachada.
A atitude de esquiva é fundamental na capoeira, protegendo o praticante dos ataques, enquanto permite aproveitar a quebra da guarda, que sempre ocorre durante o movimento de ataque, para um contra-ataque oportuno.

 

DISSIMULAÇÃO DE INTENÇÃO

 

Decorrência da definição e conceito da capoeira baiana como uma dissimulação de luta sob forma de dança, adquire a simulação de intenção e a dissimulação de propósito ou de objetivos, um papel preponderante nesta vadiação dos mestiços do recôncavo baiano.
Joga melhor o mais inteligente, o mais manhoso, o mais malicioso, o mais enganador; o que conseguir convencer o companheiro de algo que jamais fará e se aproveitar do gesto em falso do parceiro para desferir o seu golpe verdadeiro.
É preciso “pegar” o parceiro desprevenido, depois de atraí-lo para o laço, para a armadilha em que o mesmo se enredará sem violência e sem maior esforço de parte do atacante.
O floreio, especialmente aqueles executados com os membros superiores, por não afetarem a postura e equilíbrio, nem exigir deslocamento espacial, é o instrumento mais adequado para simulação de ataques e/ou dissimulação de intenção ou objetivo. O floreio mais eficiente é aquele que traz no seu bojo potencial de ataque a ser desencadeado instantaneamente no momento propício.

 

ALERTA, CALMA, RELAXAMENTO
E AUTOCONFIANÇA PERMANENTES

 

O capoeirista necessita manter contínua sintonia com a mente do parceiro para detectar suas reais intenções e assim poder antecipar-se aos seus gestos e movimentos, seja de floreio, seja de ataque ou de esquiva.
Desta postura mental brota naturalmente o permanente acoplamento do indivíduo ao ambiente vizinha. Uma eterna vigilância. Um nexo inconsciente entre o indivíduo e o meio, que empresta ao capoeirista um ajustamento instantâneo às variáveis exteriores, sejam físicas ou espirituais, que o conduz à premunição dos perigos e às reações, defensivas ou de esquiva, adequadas.
Muitas vezes o contra-ataque surge, surpreendente como relâmpago em dia de sol, como bote de jararaca aparentemente adormecida.
Na minha opinião, esta é a razão maior da influência comportamental nos deficientes, da melhoria do rendimento intelectual concomitante e das suas condições psicológicas.
Somente a calma absoluta permite o relaxamento indispensável ao desencadeamento dos reflexos de defesa, ataque e contra-ataque com tempo mínimo de latência.
Apenas em perfeita tranqüilidade conseguimos manter o estado de alerta em relaxamento, capaz de liberar todas as vias neuroniais, aferentes e aferentes, para o trânsito dos estímulos periféricos e reações motoras reflexas, inconscientes e instantâneas, de esquiva, defesa, ataque e contra-ataque características do capoeirista durante o jogo ou em momento de perigo.
Podemos assim valorizar a advertência do Venerável Mestre Pastinha ao declamar:”Quanto mais calmo o capoeirista… melhor para o capoeirista…”
Com o passar do tempo, a repetição interminável de situações de perigo aparente ou real. O eterno suceder de imprevistos que desencadeiam reações instantâneas, algumas surpreendentes, porém sempre adequadas, gera uma atitude inconsciente de autoconfiança. A qual facilita mais ainda o desenvolvimento deste processo de preservação da integridade do SER, a jóia mais preciosa que a capoeira pode oferecer ao seu aficionado.
É a tranqüilidade dos fortes” ou, como prefere Esdras “Damião”, “a calma é a virtude dos fortes!

 

ESTADO DE CONSCIÊNCIA MODIFICADO
(TRANSE CAPOEIRANO)

 

Sob a influência do campo energético desenvolvido pelo ritmo-melodia ijexá e pelo ritual da capoeira, o seu praticante alcança um estado modificado de consciência em que o SER se comporta como parte integrante do conjunto harmonioso em se encontra inserido naquele momento.
O capoerista deixando de perceber a si mesmo como individualidade consciente, fusionando-se ao ambiente em que se desenvolve o jogo de capoeira. Passando a agir como parte integrante do quadro ambiental em desenvolvimento. Procedendo como se conhecesse ou apercebesse simultaneamente passado, presente e futuro (tudo que ocorreu, ocorre e ocorrerá a seguir) e se ajustando natural, insensível e instantaneamente ao processo atual.