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Março 2006

Vendo Artigos de: Março , 2006

INTERCÂMBIO DE CAPOEIRA ITÁLIA-BRASIL.

 INTERCÂMBIO DE CAPOEIRA ITÁLIA-BRASIL.

Rio de Janeiro de 9 (Domingo) a 15 (Domingo) de abril de 2006

 

Mesa Redonda sobre o tema: O DESENVOLVIMENTO DA CAPOEIRA NA ITÁLIA COMO FENÔMENO DE DIVULGAÇÃO NA EUROPA.

        Projeto “Centro Ítalo-Brasileiro de Capoeiragem   ”

     Projeto “Atlas da Capoeiragem no Rio de Janeiro e na Itália”

PROGRAMAÇÃO

 

  • Dia 9 (Domingo) à Chegada da Delegação Italiana – Recepção e Confraternização – CONI – Brasile => 16 horas,00 

 

  • Dia 10 (Segunda feira) à 14 horas – Gravação de CD Comemorativo Italo Brasileiro – Estúdio de gravação da Fundação Capoeira – Est. João Evangelista de Carvalho, 1368 – em Nilópolis.

                                         

  • Dia 11 (Terça Feira)

           à 12 horas – Visita a Associação de Capoeira Igualdade – Ginásio da PUC

               Rua Marques de São Vicente, 225 – Gávea

           à19 às 22 horas – Roda de Capoeira no Quilombo de Mestre Arerê – Circo Voador

              Rua dos Arcos s/nº na Lapa, com Roda de Jongo 

  • Dia 12 (Quarta feira) à Mesa Redonda – CONI (Comitê Olímpico Nacional Italiano) Rua Presidente Antônio Carlos, 40, 3º andar –  Centro – às 18 horas

    Composição da Mesa: Prof  Alfredo Apicella ; Pres . da Federação de Capoeira Italiana o Dr. Edgardo Santaniello (Mestre Coruja); Grão Mestre Djamir Pinatti; Moderador da Mesa –  Srº Milton de Cezar Ribeiro(Jornal Virtual da Capoeira);; Grão Mestre Mendonça; Federação Paulista de Capoeira Mestre Valdenor de Santos; UFRJ – Mestre Gilberto Oscaranha;  Gingando pela Paz/Viva Rio Flávio Soares(Contra Mestre Saudade); Sidnei Alves Freire(Mestre Hulk); FCERJ Profª Me. Fátima Colombiano (Mestra Cigana); Vice Presidente Cultural Grão Mestre Artur Emídio de Oliveira; Prof. Renato D’Almeida Cunha Bastos (Mestre Renato Baiano); Diretor Cultural Rosemberg da Silva (Mestre Berg); Diretor Pedagógico Prof. Me. Ricardo Porto Lussac (Mestre Teço) Pres. do Conselho de Mestres Raimundo Silva Filho (Mestre Raimundo); Leninaldo Severino da Silva (Mestre Camurça).  

    Organização Básica da Mesa 

    1º – Saudação ao Prof. Alfredo Apicella;

    2º – Saudação do mestre Coruja;

    3º-Palestra Inaugural com Grão Mestre Djamir Pinatti – Tema Principal à Desenvolvimento da Capoeira na Itália como fenômeno da divulgação na Europa; (20 a 30 min).

    4º-Exposição para cada Mestre da mesa falar sobre sua experiência na Capoeira; (10 min para cada Mestre);

    5º-Apresentação em linhas gerais de dois projetos chave: Moderador Milton Cezar Ribeiro;

    6º- Debate aberto aos conferencistas (todos os dois projetos em pauta) virtuais (40 minutos) 

    Produto Final: 

    Resumo impresso sobre a reunião com ênfase de dois tópicos:

    1º- Como exercitar com eficiência e rapidamente os dois projetos propostos;

    2º- Agendamento para a realização do 2º Intercâmbio Itália-Brasil – Sugestão: São Paulo 

  • Dia 13 (Quinta feira) à Projeção de filmes no Consulado – Rua Presidente Antônio Carlos, 40, 3º andar – Centro – às 17 horas.

 

  • Dia 14 (Sexta feira)

            9 horas à Visita ao Centro Histórico do Rio Antigo Visita ao Mercado Popular da

           Uruguaiana  no Stand ENCONTRO DOS CAPOERA SONIA MATAGATTO

           18 às 19 horas  – Visita a Comunidade Parque da Cidade – Instituição

           Nossa Senhora de Lourdes –- Estrada Santa Marina, 514

          Gávea – Rio de Janeiro 

  • Dia 15 (Sábado) à Grande Roda de Confraternização nas Pedras do Arpoador – Ipanema

    
 

EQUIPE DE COORDENAÇÃO: 

CONI-BRASILE

FCERJ

UFRJ

ONG GINGANDO PELA PAZ/VIVA RIO 


 

 
* Vale lembrar a utilização de tecnologia de VOIP na no congresso, o que irá dar a oportunidade de outros capoeiristas participarem via video conferencia…. tá ai uma boa forma de democratizar a participação de todos!
Parabéns aos organizadores e todos participantes…
Eu já tenho minha participação confirmada, mesmo estando na Bahia… é a tecnologia aproximando e gingando junto!
Luciano Milani


Mestra Cigana: Ladainha em Homenagem a Dona Ivone

Muitas vezes nesta vida
Muitas vezes nesta vida
Só se enxerga o que se quer
mais por traz de grande mestre
tem sempre grande mulher
vou falar de uma delas
voces vão saber quem é
ela é seu braço direito
em tudo que ele fizer
na saude ou na doença
está do lado esta mulher
chorando quando ele chora
sorrindo se ele quizer
desde os tempos de menina
ela lhe jurou amor
hoje depois de alguns anos
parece que começou
namorar o grande mestre
todo o tempo não passou, ah! ah!
Iê! Viva o amor
Iê! desta mulher
Iê! vou falar seu nome
Ela é DONA IVONE
Ele é CANJIQUINHA
Paraná, paraná
Paraná, paô
Canjiquinha sofreu, dona Ivone "segurou"
Paraná Paraná, Paraná Paô
Mas quando ele sorriu ela já participou…
 
Iê!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
 
 
Fatima Colombiano – Mestra Cigana

Abril: Férias no Brasil e “Jornada Capoeirística”

 Enfim o merecido descanso…. será ???
 
Como já havia dito algumas semanas atrás, eu e minha família estamos saindo de férias, com destino ao Brasil.
 
Irei ficar em São Paulo na maior parte do tempo, mais também tenho viagens marcadas para Salvador, Litoral Paulista e Interior de São Paulo.
Esta viagem, que carinhosamente já estou apelidando de "Jornada Capoeirística" tem como principal objetivo recolher o maior numero de informações possíveis dentro do universo da capoeiragem… O Tempo será escasso e os compromissos serão muitos… é claro preciso gerir o tempo para poder "papoeirar" e "vadiar"… afinal ninguém é de ferro…
 
Minha meta é estar em contato direto com os principais Mestres de Capoeira, visitar o maior número de academias e grupos de capoeira, mantendo é claro uma dose de bom senso para evitar  o abuso e desta forma a falta de qualidade… Em cada uma das visitas iremos buscar recolher informações importantes como por exemplo entrevistas com os grandes Mestres… material fotográfico, matérias e publicações… e em alguns casos gravações de imagens… Tudo isso pra garimpar e poder oferecer aos leitores e visitantes do Portal Capoeira um material de primeira !!!
 
Estou viajando munido e armado até os dentes…. Maquina fotográfica, gravador digital, filmadora, muita vontade e respeito pela arte e cultura e não esqueçendo o principal, papel e lápis… (segundo meu grande camarada e companheiro nesta jornada: Miltinho Astronauta)
Bom vamos a esta volta ao mundo… a esta volta à casa… após 3 anos em Portugal.

  

Compromissos já confirmados:
 
São Paulo:
 
Mestre Cavaco – Grupo Negaça – 01//04
Mestre Jaime de Mar Grande – 01/04
Mestre Wellington – Berim Brasil – 03/04
Professor Montanha – Canto e magia – 06/04
Mestre Chumbinho – data a confirmar 1ª Semana
Irmãos Guerreiros – data a confirmar
Capuraginga – data a confirmar
Mestre Pernalonga – GNGA – data a confirmar
Caco Véio e Sargento – AAC – 20/04
Mestre Pinatti – 21/04
Miltinho Astronauta – 22/04 e 23/04
Mestra Janja – N`Zinga – data a confirmar
 
Pendentes de confirmação ou dependendo de acompanhamento ou agenda:
 
Mestre Brasilia
Mestre Esdras
Mestre Ananias
Mestre Suassuna
Mestre Flavinho Tucano – CDO
Mestre Careca
Mestre Baiano – Malungos
Peixe Crú
Mestre Dinho Nascimento
Mestre Zambi
Angoleiro Sim Sinhô
 
Bahia:
 
Professor Acúrsio Esteves – 10/04
Mestre Jean Pangolin
Mestre Decanio
Mestre Itapoan
Mestre Gajé
Mestre Bola Sete
 
Pendentes de confirmação ou dependendo de acompanhamento ou agenda:
 
Mestre Joâo Pequeno
Mestre Curió
Mestre Lua Rasta
Mestre Boa Gente
FUMEB
* Roda de despedida, organizada pelo grande amigo e parceiro Wellingtom Fernandes
   Data a confirmar: 27/04 ou 28/04 na sede da Berim Brasil – Mooca – SP

Forte Santo Antônio Além do Carmo fecha para reforma

O Forte Santo Antônio Além do Carmo, que hoje abriga duas escolas de capoeira de angola e a ONG Forte da Capoeira, vai passar por uma reforma e será reaberto daqui a nove meses como Centro de Referência, Pesquisa e Memória da Capoeira da Bahia.
 
O Estado vai investir R$ 2,3 milhões na reforma, através de recursos provenientes do Prodetur II. A recuperação será acompanhada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac). Reforma traz novidades A edificação do século XVII vai ser totalmente restaurada e voltará a apresentar os mesmos traços arquitetônicos que tinha antes de ser transformada em Casa de Detenção, em 1950.
 
O Forte da Capoeira terá seis salas de atividades, além de um grande palco ao ar livre e uma infra-estrutura completa, com vestiários, centro de documentação, sala de leitura, biblioteca, videoteca, sala de vídeo, oficina de instrumentos, lanchonete, memorial, auditório, recepção, depósito, área para a exposição, loja e guarda-volumes.

A Ditadura na (DE)FORMAÇÃO do Capoeira

Discutir ensino / aprendizagem em qualquer área já se constitui numa tarefa difícil e arriscada pela gama de informações que o mundo moderno dispõe e por interlocuções com teorias pedagógicas contraditórias e às vezes até confusas. Agora imaginemos esse diálogo tomando como base uma arte com pouco mais de 400 anos, que a mais ou menos 100 anos atrás estava prevista no código penal da república como crime e hoje desponta no mundo inteiro como fenômeno de formação humana para cidadania…  Complicado! Mas esse será o nosso desafio nesse momento, discutir o processo de formação de capoeiristas a partir de interlocuções com algumas teorias pedagógicas de formação humana.
 
            Para problematizar o tema, tomaremos como referencia o processo de formação dos capoeiristas na atualidade nos grupos e associações de capoeira, pois acreditamos que desta forma poderemos dar conta de compreender alguns mecanismos de ingerência do modo de produção na capoeira e ainda garantir uma analise mais fiel das relações de ensino/aprendizagem nessa área.
 
Títulos, graduações e poder
 
             A partir da observação dos grupos de capoeira podemos perceber que muitos funcionam estruturados numa forte cadeia hierárquica, que atribui direitos e deveres aos praticantes, mediante seu estagio (graduação em capoeira), levando-se em conta sua experiência na arte, seu tempo de pratica e principalmente sua capacidade docente. Os membros desses grupos são preparados desde o começo para se tornarem mestres de capoeira, cantando, tocando, jogando e etc…  Seguindo essa lógica, existe um sistema de graduação que serve para mensurar o nível do capoeira a partir dos requisitos já citados, portanto ser capoeirista hoje significa prioritariamente estar a serviço desse modelo de formação que vive da farsa ou ingênua consciência da tradição de respeito ao mais antigo, que fortalece o poder do mais velho diante do mais novo, como forma de subjugá-lo, sendo assim, cria-se o imaginário de que quanto mais velho for, mais pessoas terá para mandar e mais inquestionável ficará. 
 
              Fica fácil compreender o mundo da capoeira na atualidade se pensarmos num quartel militar em que os mais novos sofrem com as ordens dos mais antigos e de maior patente, sonhando em se tornar mais velhos, pelo simples fato de poder retribuir tudo que passaram negativamente, despejando todo autoritarismo possível na relação com os mais novos que chegam. Paulo Freire já nos advertia em sua obra sobre o fato de que todo oprimido traz dentro de si, sendo gestado o opressor, e que a nossa luta pela liberdade é justamente sair das sombras e marcas de nossos opressores.
 
A formação docente
 
            Os níveis de graduação hoje estão divididos, na maioria dos grupos de capoeira, em fase de aluno, Formado, Professor, Contramestre e Mestre, sendo requisito básico para as trocas de estágios mais altos, a capacidade docente, ou seja, o nível do “trabalho” de capoeira, que para os adeptos dessa arte significa a quantidade de alunos que possuem ligados a ele, e o tempo que estes permanecem “ligados” a capoeira, toques, cantos e jogos…  Portanto se alguém quiser seguir praticando sem ter alunos, logo será “taxado” de mau capoeirista por seu grupo e pela comunidade.  A desculpa que alguns mestres usam e que só se aprende capoeira ensinando, hora, se compreendermos a relação de ensino/aprendizagem como um via de mão dupla, facilmente perceberemos o equívoco dos mestres, pois mesmo sem ministrar aulas, um capoeira aprende na própria relação com os outros, sendo o ato de estar como professor, apenas mais uma forma de aprender.
 
             Um outro ponto relevante nessa discussão e o fato de que a maioria dos Mestres vive financeiramente também da renda gerada por seus alunos que estão dando aulas, ou seja, cada novo professor funcionará como mais um “empregado” da engrenagem de lucro dos grupos, servindo de fonte de lucro para o Mestre, que cobra percentuais de participação na receita de seus alunos/professores para que possam permanecer ligados a este ser “iluminado” de sabedoria, o Mestre.
 
              Lamentavelmente, esta e só uma pequena mostra de ingerência do modo de produção capitalista no mundo da capoeira, pois inúmeras são as outras maneiras de mercadorização da capoeiragem na atualidade, estruturada por grupos e instituições afins que trabalham na lógica de macdonaldização da capoeira, com franquias, marcas, métodos enlatados e principalmente com toda uma sistematização sub-serviente ao lucro. Nessa lógica pouco importa o aprender fazendo, a herança “conflitiva” e “libertadora” da capoeira, a alegria do jogo, o berimbau bem tocado ou as lágrimas de um capoeira ao cantar uma ladainha, contudo a importância desses aspectos poderá ampliar rapidamente, basta engaiolar tudo num DVD, CD ou em alguma outra forma encaixotada para ser vendida nos mercados e bancas de revista da esquina.
 
            Às vezes fico me perguntando: como seria a capoeira sem os livros de Frederico Abreu? Sem os filmes de Jair Moura? Sem a sabedoria de Mestre Decanio? E tantos outros que escolheram continuar na capoeira sem seguir a lógica de ter grupo, formar “trabalhos”…   Com certeza a nossa capoeira perderia muito, pois deixaríamos de aprender com as alternativas pedagógicas deste exército de “professores informais” que fizeram a opção de ensinar ao “grupo da humanidade” que capoeira se aprende capoeirando e que ninguém escapa a educação, pois ela está tanto nas academias de capoeira, como nas rodas de rua, nos livros, nos filmes ou numa simples conversa de fim de tarde com Decanio na praia de Tubarão.
 
           Quero deixa claro que este trabalho não tem intuito de resolver o problema nem de firmar-se como verdade absoluta, mas propor uma reflexão objetiva sobre a formação de capoeiras, afirmando que não temos nenhuma pretensão profética apocalíptica das instituições de capoeira. Queremos e dialogar com alternativas de participação no mundo da capoeiragem que possam contribuir de diferentes formas para o crescimento da mesma com critica, autonomia e criatividade.
 
           Precisamos reavaliar os currículos de formação, os métodos de ensino e principalmente um sistema de graduação atual, que este pautado na hierarquização burocrática da capoeira voltada para o lucro.
 
           Por fim finalizo dizendo que esses pensamentos partiram de um individuo que faz parte de um grupo, segue um sistema de graduação, que vivenciou alguns dos equívocos de formação já citados e que esta inconformado e com pouca tolerância para continuar de maneira passiva e submissa fortalecendo um sistema que esta destruindo a capoeira na sua “matriz”, esterilizando-a e transformando seus representantes em reprodutores dos ditames do capital.
 

Mestre Alcides – USP: CEACA

Aos poucos nossa Capoeiragem vai sendo remapeada.
Temos que concordar com alguns sábios mestres-administradores:
"Não há como definir uma política – pública ou privada – para a Capoeira se não fizermos, antes, um diagnóstico do estado da arte da capoeira e dos capoeiras.
 
Este artigo, escrito por Miltinho Astronauta, segundo suas próprias palavras, faz parte "ATLAS DA CAPOEIRA EM SÃO PAULO".
 
Nós, do Portal Capoeira, não apenas apoiamos a iniciativa, como fazemos parte dela.
 
Esta coluna "Jovens Mestres", será um espaço para disponibilizarmos alguns "perfis de mestres" e histórias da capoeira paulista e paulistana, como de qualquer outro lugar do país ou do mundo… o que precisamos é de material humano, didático e muita vontade…
 
Mas a obra completa, ou seja, o ATLAS de São Paulo, será construido coletivamente, e todos os segumentos da capoeira serão contemplados.
Digamos que estamos numa "corrida saudável", no qual a questão é: qual Estado será o primeiro a lançar seu ATLAS? Soube que no Maranhão a "coisa" está bem adiantada, e na Paraíba, terra de "Mestre Lendro Barros" – que nos emprestou seus cordéis para adaptarmos como ladainhas de angola – já estão também fazendo o dever de casa. Por lá, na Paraíba, Bené é a figura em ação.
 
Vamos, então, a um resumo da Capoeira de Mestre Alcides, Capoeira na USP, da qual já apreciei quanto estava em São Paulo… bons tempos…
 
Luciano Milani

Capoeira no Instituto Oceanográfico, USP, São Paulo
 
O Centro de Estudos da Capoeira – CEACA – oferece aulas de capoeira para alunos e funcionários da USP, no Butantã
 
 Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br
Edição 66 – de 26/Mar a 01/Abr de 2006
 
Historicamente, desde pelo menos o final dos anos 60, a Capoeira está na Universidade. Senão como disciplina, está pelo menos como atividade cultura e desportiva. Na USP (Universidade de São Paulo), Capital, Butantã, salvo engano os mestres Eli Pimenta e Gladson são os precursores. O primeiro por dar aulas aos alunos e funcionários, com atividade de lazer (1969), e o segundo por ter inserido a capoeira no currículo escolar da Usp (1970/71).
 
Mestre Gladson continuou seu trabalho no CEPEUSP – Centro de Praticas Esportivas da USP – onde ensina até hoje. Mestre Eli Pimenta, que iniciou Capoeira com Mestre Suassuna, depois passou pelo Cativeiro (de Mestre Miguel Machado), deu aulas na USP entre os anos de 1969 à 1982 (não sei precisar se houveram interrupções nos treinos de capoeira). Uma das fases de Mestre Eli na USP foi no antigo "Barracão", posteriormente demolido. O Grupo era o Grupo de Capoeira Senzala. Já em 1969 integra-se ao grupo de capoeiras o jovem Alcides de Lima, hoje Mestre Alcides. Pouco depois (1971) chega também o Dorival dos Santos – Mestre Dorival. No ano de 1988 mestre Alcides funda o Centro de Estudos e Aplicação da Capoeira – CEACA. Ambos formam-se mestres em 1992, pelas mãos de Mestre Eli Pimenta. Na foto ao lado estão os Mestres Alcides, Eli Pimenta e Dorival, durante Cerimônia de Formatura, USP, 1999.
CEACA
 
Academia de Capoeira Senzala, USP, 1978: Batizado que contou com a presença dos seguintes mestres:
Eli, Miguel Machado, Caio, Rodolfo, Cidão, Alcides, Alemão, Saruezinho e outros.
 
CEACANa foto ao lado está o Mestre Alcides, jogando capoeira com a Edith, enquanto Elci, hoje Ouvidor Geral do Município de São Paulo observa.
 
Mestres Alcides e Dorival formaram os seguintes capoeiras: a) Turma 1 (1998): Paulinho Baraúna, Querido de Deus (Fabrício L. Silva), Jacaré (Denilson Almeida) e Luis Carlos Batista; b) Turma 2 (2002): Flexa (Ronaldo Amaral).
 
O CEACA ministrou aulas de Capoeira na Colorado State University, em Fort Collins, EUA, no ano de 1995. Fruto daquele primeiro trabalho, o CEACA mantém até hoje uma filial sob sua coordenação naquela cidade. O CEACA mantém ainda outras filiais: San Juan, em Porto Ricoç Bowie, Maryland (EUA) e Bordeaux, França.
 
Em São Paulo, Mestre Alcides desenvolve atualmente diversos trabalhos, sendo um deles no Lions Club (Av. Corifeu – Butantã) e o outro no Instituto Oceanográfico da USP (I.O.), na parte baixa da Rua do Matão, próximo ao Restaurante dos Professores.
 
Foi com grande satisfação que recebi de Mestre Alcides a informação que um projeto sob sua coordenação foi selecionado pelo programa Ponto de Cultura, do Ministério da Cultura. Este projeto vai ser desenvolvido na Escola Amorim Lima, no Butantã. Além do CEACA, de São Paulo, somente um outro grupo do Paraná foi contemplado com o incentivo do MinC.
Capoeira no I.O.
 
 As aulas de capoeira do Instituto Oceanográfico acontecem no Grêmio do I.O. as segundas e quartas-feiras, à partir das 18h00 e até as 19h15. Informações podem ser obtidas com o professor Lagarto (11) 9825-6298, ou com o Instrutor Rodrigo Pança (11) 9482-7985, ou com o Mestre Alcides no local.
CEACA
 
Sobre a Capoeira na USP
 
Para finalizar este artigo, gostaria de esclarecer que tão breve possa levantar mais informações sobre a história da capoeira na USP, e vice-versa, voltaremos e este editorial. Temos conhecimento dos trabalhos ali desenvolvido por diversos mestres, contramestres e professores como Gladson de Oliveira Silva, Pingüim (Luis Antônio Nascimento Cardoso), Vinícius Heine, João Sarará (João Luis Uchoa Passos), Thiaguinho (Thiago Uchoa Passos), Nego Folha (Márcio Custódio de Oliveira), o grupo Nzinga (M.Janja); o pessoal do Abada e da Malungos. Em breve retornaremos à esta Roda de Informações sobre a Capoeira.

 

Jornal do Capoeira – www.capoeira.jex.com.br
 

Universidade Aberta – Florianópolis: Inscrições para curso de capoeira começam nesta segunda

Inscrições para curso de capoeira começam nesta segunda
 
A partir de segunda-feira, estão abertas as inscrições para o Curso de Capoeira, que é oferecido pelo Departamento de Cultura e Eventos, através do Projeto Vitrine Cultural. As aulas serão teóricas e práticas e vão abordar a trajetória histórica da capoeira, as características e normas, os fundamentos técnicos, a instrumentação e os cânticos. Além disso, outras manifestações afro-brasileiras fazem parte do conteúdo programático das aulas.
O professor José Luiz Falcão, do Centro de Desportos da UFSC (CDS), juntamente com um monitor, vai ministrar as aulas. Para ele, a importância do curso é dar mais visibilidade à capoeira e inserir a universidade em uma parte da comunidade, geralmente a carente.
As aulas serão realizadas sempre aos domingos, das 10h30 às 12h, na sala Petúnia do Centro de Cultura e Eventos, e são gratuitas. Pode se escrever qualquer pessoa da comunidade com, no mínimo, 12 anos. O curso está previsto para começar no primeiro domingo de abril, dia 2, e possui 40 vagas. As inscrições vão até o dia 31 deste mês e devem ser feitas no Departamento de Cultura e Eventos.
A capoeira é uma manifestação cultural afro-brasileira, expressada pela combinação de jogo, luta e dança ao som de diversos instrumentos, como o berimbau e o atabaque. O Projeto Vitrine Cultural começou no ano passado e já ofereceu aulas de dança de salão, capoeira e jazz gratuitamente.
 
Taise Bertoldi
 

XI Congresso Nacional de Capoeira

Comunico a todos os associados e visitantes do Portal Capoeira, que estará acontecendo nos dias 12,13 e 14 de Maio o XI Congresso Nacional de Capoeira, promovido pela Associação Candeias, na cidade de Palmas/TO.rnEnfatizo, ainda a presença de grandes Mestres, Contramestres e Professores de Capoeira de todo o Brasil. Como: Mestre Suíno/Goiânia, Mestre Gilvan/Brasília, Contramestre Babuíno de Pernambuco dentre tantos outros nomes muito importantes no mundo da capoeira. rnDestaco também, que nesse evento ocorrerão vários cursos, apresentações e rodas com muito axé.rnSerá uma grande oportunidade de crescimento no âmbito cultural, físico e histórico para todos os que se fizerem presentes!!!

Coquetel de Lançamento da Revista Toques D´Angola

COQUETEL DE LANÇAMENTO
DA REVISTA TOQUES D´ANGOLA
 
O Coquetel de lançamento da Revista Toques D´Angola será realizado no Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), no Largo Dois de Julho, no próximo dia 31 de março (sexta-feira), às 18:00 horas.
 
A Revista "Toques D´Angola" é um canal de expressão do Instituto Nzinga de Estudos da Capoeira Angola e de Tradições Educativas Banto no Brasil – INCAB – uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP), sem fins lucrativos e de caráter sócio cultural, formado por três núcleos que abrangem mais de 150 participantes permanentes em São Paulo (SP), Salvador (BA) e Brasília (DF).
 
Em sua quinta edição impressa, a revista veio para suprir uma lacuna no mercado editorial brasileiro, carente de publicações que apresentem o povo negro e afro-descendentes como protagonistas de suas próprias histórias e culturas, bem como caracterizem os saberes milenares africanos como legado cultural da humanidade.
 
A Lei Federal 10.639/2003 determinou que a História e a Cultura Africanas e Afro-brasileiras constassem nos currículos do ensino fundamental e médio, o que coloca a Revista Toques D´Angola como uma importante ferramenta auxiliar para a capacitação e formação dos professores.
Estes são alguns dos objetivos desta publicação:
 
  • Fomentar a memória relacionada com a diversidade cultural brasileira, a promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico;
  • Produzir e divulgar estudos e pesquisas, informações e conhecimentos sobre a Capoeira Angola e demais tradições educativas de matriz africana banto a ela vinculadas;
  • Enfatizar os princípios da ética, da paz, da cidadania e dos direitos humanos; 
     
Por tratar de expressões artísticas, políticas, culturais e sociais das culturas africanas e das africanidades brasileiras, a Revista Toques D´Angola pretende e pode efetivamente auxiliar na integração e no conhecimento mútuo entre Brasil e os povos e países da África, particularmente os de língua portuguesa.
 
Nesta edição, dedicada aos 10 anos do Grupo Nzinga de Capoeira Angola, os artigos têm os seguintes títulos:
 
  • Pequena história do Grupo Nzinga;
  • Capoeira Angola, luta de mulheres;
  • Homenagem Nzinga à mulher brasileira;
  • Bases filosóficas da "Escola Pastiniana";
  • Gingo, logo existo;
  • O princípio sem método;
  • Capoeira e Cultura negra: entre o apelo do global e o apego ao local;
  • Capoeira Angola e Candomblé;
  • Toques de berimbau;
  • O universo musical na Capoeira Angola;
  • A Capoeira Angola e a Arte;
  • El baile del Maní;
  • O lugar de Lélia Gonzales;
  • Luana;
  • Politicas Públicas de Reparações em Salvador;
  • História de África nos livros didáticos brasileiros;
  • Brincadeira de criança; 
     


    O Grupo Nzinga de Capoeira Angola é coordenado, em Salvador, pelos Contra-Mestres Poloca e Paulinha, funcionando na Rua Alto da Sereia, n° 02, onde realiza um trabalho com 25 crianças da comunidade localizada entre os bairros de Ondina e Rio Vermelho.
    As aulas acontecem todas as segundas e quartas-feiras, das 17:30 às 19:00 horas (crianças) e das 19:00 às 21:00 horas (adultos). As rodas de capoeira acontecem nas sextas-feiras das 19:00 às 21:00 horas.
     
    CONTATOS:
    33465215 / 99738970
    www.nzinga.org.br; nzingasalvador@hotmail.com (e-mail do grupo em Salvador) polocagb@uol.com.br

EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS

Neste artigo o Professor Acúrsio Esteves, nos relata a evidente influência e o papel relevante das ferramentas de informação em nossas vidas…  Muitos devem estar perguntando… o que é que isso tem em comum com a capoeira? Pra que isso me interessa???
 
O Portal Capoeira sugere a leitura desta matéria e aproveita para fazer uma analogia entre o sistema de educação formal e o sistema de educação representado pela "CAPOEIRA".
 
Hoje existem diversos sitios e um vasto leque de material disponível na internet para todo e qualquer capoeirista interessado na busca incessante pelo conhecimento poder fazer valer este diretio inenarrável do ser humano: "O apreender". Cabe a cada um de nós capoeiristas de coração fazer uso deste enorme potencial, Vale lembrar que a cerca de dez a quinze anos atrás era quase que uma missão impossível conseguir matérias sobre a capoeira… Era como garimpar em busca de ouro… Mesmo no campo das produções literárias a oferta era pequena…
 
Hoje com a evolução das tecnologias, com a massificação da comunicação… nós capoeiristas ou não, temos acesso a um menu dos mais vastos e variados… Temos documentos históricos disponíveis, temos manuscritos de grandes Mestres de Capoeira, temos teses de mestrado… temos o Jornal do Capoeira, Temos vários colaboradores que escrevem com paixão pelo simples fato de somar e colaborar… Temos ferramentas de divulgação… onde os grupos ou Mestres podem apresentar seu trabalho, aumentando o seu potencial… Temos o Portal Capoeira… Enfim temos a informação democratizada!!!
 
Portanto cabe a cada um de nós buscar um lugar neste jogo… as cartas estão na mesa… ou melhor no monitor… As possibilidades são quase que infinitas…

 

"Capoeira é uma fonte infinita de saber….
Mata a minha e a sua sede….
E a de quem quiser beber…"
Luciano Milani

É consenso que um consistente domínio da tecnologia e da comunicação tornou-se fundamental para que o indivíduo garanta  uma boa posição no trabalho, um pleno desenvolvimento pessoal e o exercício de cidadania. È evidente então ser função da escola nos dias atuais, garantir aos seus alunos um sólido aporte tecnológoco.
 
As tecnologias da informação, cujo papel é por demais evidente nos setores da produção dos serviços e dos meios de comunicação social, não constituem um simples fenômeno passageiro, pelo contrário, vieram para ficar e a escola não tem possibilidade de fugir à sua influência. O grande problema é saber qual deverá ser a sua função e qual a melhor estratégia para a sua integração nas atividades educativas.
 
Num momento em que à escola se colocam desafios cada vez mais fortes, decorrentes do dinamismo da própria sociedade em mudança, é necessário estarmos atentos as potencialidades das tecnologias de informação na educação, para que delas possamos usufruir na sua plenitude.  Faz-se necessário encará-las como um imprescindível instrumento educativo, de grande relevância para todos os níveis de ensino, a partir das séries iniciais.
 
A idéia das novas tecnologias, considerando aí de forma privilegiada o computador em rede, como ferramenta nas mãos do aluno, conduz de forma natural à valorização de atividades de  forte cunho interdisciplinar.
 
Pela possibilidade de realização destas  atividades  tanto na sala de aula quanto em espaços alternativos de aprendizagem ou em casa, descortina-se a possibilidade do favorecimento do intercâmbio de conteúdos entre diferentes áreas do conhecimento como preconizado pelas mais atuais concepções de educação.
 
As novas tecnologias a serviço de diversas perspectivas pedagógicas devem ter o papel precípuo de auxiliar professores e alunos favorecendo a pesquisa, gestão e tratamento da informação, suscitar a curiosidade estimulando a descoberta, evidenciar e auxiliar na resolução de problemas e desafios.
 
Seu uso deve ser preconizado como uma  ferramenta,  que deverá estar disponível para permanente utilização ao lado de outros recursos didáticos. A associação dos meios informáticos ao sistema educacional  deve ser capaz  de enriquecer as estratégias do processo ensino aprendizagem e estimular o surgimento de novas metodologias que primem por incentivar a participação individual e coletiva, a iniciativa e a criatividade. Desta forma, ela se torna um aporte  de novas estratégias dentro da escola numa perspectiva inter e multidisciplinar, favorecendo sempre a ligação entre o saber elaborado e a realidade social, econômica e política, auxiliando na formação de cidadãos críticos e participativos.
 
Elas não se contrapõe aos métodos tradicionais de ensino, ao contrário, os  complementam. Explico melhor: na educação a máquina nunca substituirá o homem, o computador não pode substituir o livro e o vídeo não  deve substituir o professor.
 
As novas tecnologias, entretanto, vêm exigir do educador novas responsabilidades e tarefas advindas dos novos paradigmas que lhe serão propostos. Estes, ao invés de entrar em conflito consigo,  constituirão sempre novos desafios e evidenciarão ainda mais a importância do docente  dentro do processo educacional.
 
Em contrapartida o professor não poderá descuidar-se da constante atualização na sua formação, visto que as  suas competências e conhecimentos deverão acompanhar de perto a evolução tecnológica que se processa numa velocidade geométrica.
 
Esperamos que esta reflexão  possa ser de interesse para todos aqueles que se preocupam com a problemática da inovação na área educacional, em especial no que diz respeito à integração das novas  tecnologias de informação aos métodos de ensino vigentes nos sistemas educacionais.
 
 


EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS* O professor e pesquisador Acúrsio Esteves, é formado em Educação Física pela UCSal, com mestrado em Gestão de Organizações UNEB/UNIBAHIA e é professor da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Salvador. Leciona também nas Faculdades Jorge Amado e Fundação Visconde de Cairu, respectivamente nos cursos de Educação Física e Turismo, sendo também autor dos livros Pedagogia do Brincar e A “Capoeira” da Indústria do Entretenimento.
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