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Agosto 2007

Vendo Artigos de: Agosto , 2007

Costa do Sauípe: I Encontro Mundial de Capoeira

A Costa do Sauípe, um dos destinos turísticos mais visitados do país, realiza nos dias 7 e 8 de setembro o 1º Sauípe Capoeira e Cultura, encontro mundial de capoeira. O empreendimento, localizado a 76 quilômetros do Aeroporto Internacional de Salvador, receberá atletas de diferentes regiões do Brasil e de outros países como Canadá, EUA, Austrália, México e Argentina. O evento contará, ainda, com show de encerramento da Banda Olodum.

Com o objetivo de promover a cultura e as belezas naturais do litoral norte da Bahia, a ação terá oficinas de berimbau, instrumento musical de percussão usado para marcar o ritmo da luta, além de aulas de capoeira, artesanato e axé, gênero musical muito difundido na região. As atrações acontecerão na Praia da Oca, espaço já utilizado pelos hóspedes para a prática de esportes como futebol e vôlei de praia, atividades aquáticas, caminhadas na areia, entre outros. No local, os visitantes assistirão ao Capoeira Show, apresentação com os principais mestres da luta.

Já a Vila Nova da Praia, centro de entretenimento e lazer que reproduz o clima de uma vila do interior da Bahia, traz intensa programação cultural aos visitantes da Costa do Sauípe. No local, ocorrerão rodas de capoeira, oficinas de berimbau e palestras sobre a história da luta que teve origem com os escravos africanos.

Além disso, a programação da Costa do Sauípe reserva noites temáticas com shows e atrações musicais. Um dos destaques será a apresentação do Olodum, no dia 8, a partir das 21h, no Mercado do Dendê. À frente da banda, o vocalista Tonho Matéria, também mestre de capoeira, terá participação especial junto aos demais capoeiristas.

Durante a semana do evento, os hóspedes terão a oportunidade de conhecer os costumes do povo nordestino e da cultura brasileira através de shows de samba, axé e outros ritmos regionais. Além disso, uma Noite de Oferendas reserva momentos especiais e de muita introspecção aos turistas na Vila Nova da Praia. Os visitantes serão apresentados aos orixás, às baianas, aos filhos de Gandhy, tradicional bloco de carnaval baiano formado exclusivamente por homens, além dos capoeiristas e demais personagens da cultura regional.

 
Fonte: Final Sports – http://www.finalsports.com.br

Bahia: Mandinga dos Capoeiras é tema de pesquisa

O curso “Conversando com sua História” contou na tarde de terça-feira (07/08/07) com a presença de Adriana Albert Dias, debatendo o tema “A Malandragem da Mandinga – o cotidiano dos capoeiras em Salvador na República Velha”. Fruto de seu recente livro “Mandinga, Manha e Malícia: uma história sobre os capoeiras na capital da Bahia (1910-1925), 2006.
 
A pesquisadora retratou o cotidiano dos capoeiras na cidade de Salvador, no período que o jogo da capoeira sofria repressão por parte da elite baiana e dos policiais. “Os capoeiristas nesta época eram chamados de vadios e vagabundos, a repressão policial que sofriam era tão grande, que por muitas vezes eles acabavam sendo presos por jogarem capoeira”, afirmou Adriana Albert.
 
Analisando o contexto histórico da época, a pesquisadora mostrou como a “desordem”, característica dos capoeiras e a “ordem” dos policias, passava como uma controvérsia para a repressão policial sofrida pelos capoeiristas. “Como a maioria dos capoeiras eram pobres e negros, exerciam ocupações como pedreiro, estivador, alguns chegavam a ser policiais”, completou a pesquisadora.
 
“A mandinga, a arte da malevolência aparecia constantemente nas rodas de capoeira devido a ser uma alternativa de sobrevivência dos capoeiras, até hoje é possível encontrar ‘mandingueiros’ nas rodas de capoeira de Salvador, pois são testemunhos das rodas de antigamente”, concluiu.
 
A próxima palestra será no dia 14 (terça-feira) às 17h, com o doutor em História Rinaldo César Nascimento Leite, com o tema “A Rainha Destronada: grandezas e infortúnios da Bahia nas primeiras décadas republicanas”. A palestra é aberta ao público.
 
Mais informações:
ASCOM Fundação Pedro Calmon: (71) 3116-6918 / 6676
Centro de Memória: (71) 31166930
http://www.fpc.ba.gov.br
ascom@fpc.ba.gov.br

CAPOEIRAS e CAPOEIRISTAS

Como meio de comunicação especializado, o Portal Capoeira tem publicado diversas notícias, artigos e matérias com uma dinâmica bastante interessamte. São em média mais de 10/12 artigos publicados semanalmente.
 
Todo este enorme leque de informações tem como pano de fundo a "nossa capoeiragem", seus personagens, causos, histórias e estórias, enfim um complexo emaranhado de temas e assuntos.
 
Foi com enorme prazer que recebemos uma carta de Marieta Borges Lins e Silva, Coordenadora do "Programa de Resgate Documental sobre Fernando de Noronha", na qual busca fazer um esclarecimento sobre a informação publicada na matéria "Fernando de Noronha: festa, Batizado & Trabalho Social", publicada no dia 28/08/07 e ainda de "quebra" nos brindou com a publicação de um trabalho sobre o assunto publicado no no Jornal da Capoeira (Miltinho Astronauta) e na Revista da Academia de Artes e Letras de Pernambuco.
 

Em anexo segue a carta e o trabalho de Marieta Borges Lins e Silva

Luciano Milani

Prezados senhores,

A respeito da matéria "Fernando de Noronha: festa, Batizado & Trabalho Social", publicado nesse Portal em 28/08/07, que registra o "SEGUNDO BATIZADO DE CAPOEIRA – FERNANDO DE NORONHA", ocorrido em 17/08/07, há uma afirmativa que: "a capoeira já existe a muitos anos no meio da comunidade, muitos dos capoeiras do Brasil da década dos anos 40 foram aqui aprisionado, a exemplo de Manduca da Praia, um dos capoeiristas mais temido da época", eu gostoria de informar que o envio de todos os capoeiristas do Brasil para o Arquipélago ocorreu em 1890, como 1º Ato da recém-instalada República no Brasil e, sobre o assunto, já publiquei artigos no Boletim de Capoeira, aos cuidados de Miltinho Astronauta, resgatando a verdade dos fatos.

Minha luta em favor do resgate da verdade dos fatos ocorridos em Fernando de Noronha tem três décadas de existência. Nesse tempo, procurei e identifiquei todos aqueles ligados à Capoeira, a partir do prof. Sérgio Luiz, de Guaruilhos/SP e de todos os que se dedicam ao tema, como André Lacé (RJ) e Leopoldo Vaz (MA).

Gostaria que a informação correta fosse divulgada. Ou seja, aquela que situa no final do século XIX a presença, na ilha, de todos os capoeiristas do Brasil, como medida disciplinar do governo republicano, que nomeou o Sr. Campaio Ferraz para "caçar" os capoeiristas todos e os embarcou em navios, rumo à prisão insular.

Para esclarecer o fato (que tenho divulgado sempre na ilha, junto aos três grupos de Capoeira hoje existentes, como fiz com todos os grupos que já existiram ali) envio, em anexo, o trabalho que fiz publicar no Boletim da Capoeira e na Revista da Academia de Artes e Letras de Pernambuco, em duas versões: o texto integral e o mesmo resumido.

Grata pela correção que venha a ser feita.

MARIETA BORGES LINS E SILVA
Coordenadora do "Programa de Resgate Documental sobre Fernando de Noronha"

 

 
 
CAPOEIRAS e CAPOEIRISTAS.
Marieta Borges Lins e Silva

Sempre se falou muito sobre a Capoeiras e Capoeiristas. Em diferentes tempos e por razões diversas aplicaram-se penas aos praticantes dessa modalidade de desempenho físico, olhando-a como luta, como contravenção, como origem de danças populares – o frevo, por exemplo – como arte e, finalmente, como prática desportiva.
Estudiosos debruçaram-se em jornais e livros, de muitos tempos, à cata de razões que explicassem o fascínio que a Capoeira exercia sobre os homens, sobretudo os jovens, levando-as a aprendê-la e exercitá-la mesmo quando isso ocorria na marginalidade.

 
Artigos, reportagens, charges, estudos acadêmicos registraram esse saber que ia sendo identificado, construindo a história dessa forma de destreza corporal, tanto nos seus aspectos lúdicos ou conflitantes, como na grande repressão que gerou, estimulando debates em muitos níveis, tendo o tema como centro das atenções.
 
O que se sabe sobre essa prática? Como essa forma de luta atravessou os tempos, resistindo, mesmo perseguida?
No tempo da Monarquia, quando a Capoeira era praticada principalmente entre escravos, o castigo para quem assim procedesse era de 300 chibatadas (em 1820) e prisão em calabouço e cem açoites (em 1825). Já se dizia então que “os capoeiras infernavam as ruas da cidade de um modo escandaloso”. Os incidentes se multiplicavam em cada década. Os castigos, também. Os jornais destacavam a participação de homens brancos livres (não cativos) dentre os “magotes de capoeiras” que promoviam arruaças pela cidade… A capoeiragem era comum para muitas pessoas, livres ou escravas e era praticada em festas tradicionais, com correrias e insultos que abalavam a tranqüilidade das ruas.

No século XIX, a prática continuava a parecer ser maior entre a população preta e pobre. Esses eram dois condicionantes importantes, para atribuir ao povo mais carente o gosto pela Capoeira e, nele, considerar que somente os de cor negra eram praticantes. A realidade não era bem essa… Muitos filhos de família abastada, brancos na cor, também se deixavam envolver pela magia da Capoeira e tornavam-se membros de grupos, muitas vezes no anonimato.

 
Nos primeiros tempos de República instalou-se no Brasil o mais organizado processo de perseguição policial à Capoeira, por considerarem que sua prática seria uma “arma” nas mãos das classes “perigosas”, Na época, as cidades passavam por uma “limpeza urbana” e, de forma ostensiva, olhavam com desconfiança para aqueles que “formavam rodas e, com berimbaus, pandeiros e reco-recos, vadiavam freneticamente no jogo da capoeira”. A meta do poder era “exterminar totalmente os vadios e turbulentos capoeiras”. Eles nem precisavam ser autuados em flagrantes…Em decorrência dessa odiosa perseguição o Código Penal de 1890, deu à Capoeiragem um tratamento específico no seu artigo 402, preconizando: “Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidos pela denominação capoeiragem será o autuado punido com dois a seis meses de prisão”. No rastro desse primeiro instrumento jurídico outros foram surgindo, com Decretos de efeitos complementares, que buscavam as maltas de capoeiras e lhes davam voz de prisão.
 
A República recém-proclamada foi contaminada pela má vontade em relação aos capoeiras. Em reuniões oficiais, o assunto foi incluído para discussão e adoção de medidas coercitivas. E em janeiro de 1890, menos de dois meses depois do 15 de novembro de 1889, e motivado pelas acirradas discussões dos que integravam o Conselho de Ministros do Governo Provisório Republicano, o Chefe de Polícia Sampaio Ferraz, com apoio do Ministro da Justiça, Campos Salles, foi designado para executar a missão de exterminar os capoeiras de todo o Brasil. E ele – temendo as lutas que precisaria enfrentar para executar tal ordem, diante do envolvimento de gente graúda na prática da Capoeira – conseguiu sossegar Deodoro da Fonseca, recebendo dele a promessa de que teria “carta branca para agir como quisesse, desde que limpasse o país daquela gente”. Estava selado o destino desses “subvertores da ordem”: ficou combinado que “todos os capoeiras, sem distinção de classe e de posição, seriam encarcerados no xadrez comum da Detenção, tratados ali severamente e, pouco a pouco, deportados para o presídio de Fernando de Noronha, onde ficariam certo tempo, empregados em serviços forçados,”
 
As maiores perseguições ocorreram em 1890, 1891 e 1904. Muitos desses “subversivos” foram deportados para lugares distantes, como o Acre e a Ilha das Cobras, A maioria foi mesmo para Fernando de Noronha, onde funcionava uma Colônia Correcional para presos comuns de Pernambuco, desde a sua definitiva ocupação em 1737 e, naquela época, estava temporariamente subordinada ao Ministério da Justiça (entre 1877 / 1891).
 
Todos os envolvidos na trama para exterminar os capoeiras reconheciam que “a prática era uma arte, uma verdadeira instituição mas, radicada nos costumes, resistindo a todas as medidas policiais – as mais enérgicas e mais bem combinadas – esse flagelo dava eternamente uma nota de terror às próprias festas mais solenes e ruidosas, de caráter popular.” Em nota, no trabalho “Actas e Actos do Governo Provisório”, organizado por João Dunshee de Abranches Moura, publicado em 1907, fica evidente o medo que cercava a realização de quaisquer festividades, patrióticas ou religiosas, nos conturbados tempos pós-República, sobretudo à noite – quando a multidão de apinhava pelas ruas e praças – de que não ocorressem cenas sangrentas e aviltantes de confronto entre policiais e capoeiristas… Isso viria a culminar com a deportação daqueles considerados “indesejáveis” de todo o Brasil para o arquipélago distante, como medida saneadora de distúrbios públicos. E como, na arte da capoeiragem, desde os tempos da Monarquia, não somente os das “classes baixas” estavam envolvidos, mas também personagens ilustres e até políticos, achou-se por bem atingir logo esses homens no nascedouro da República, livrando o povo daqueles indivíduos que atentavam contra a ordem estabelecida.
 
A polícia, na época, conhecia bem quem eram os praticantes da capoeira. Facilmente organizou-se uma “lista” dos “facínoras que infestavam as cidades”, não atendendo a nenhum dos pedidos de condescendência e considerações para com nenhum deles… E muitos problemas advieram da rigidez na execução dessa tarefa.. A imprensa acirrou os posicionamentos. Os Ministros se dividiram em opiniões contra ou a favor das medidas que estavam sendo tomadas. Deodoro da Fonseca não recuou dos seus propósitos. E poucos meses depois começava a remessa, de homens de muitas classes e com muitos “padrinhos”, para o distante arquipélago, onde viveriam sua vida reclusa e submetida a trabalhos forçados.
 
Quem era o CAPOEIRA, naquele final do século XIX e começo do século XX?. Qual o seu padrão racial, onde vivia, que nível de escolaridade tinha, qual o seu ofício e faixa etária? Surpreendentemente, era no Rio de Janeiro que estava a grande maioria dos homens perseguidos. E muitos também havia na Bahia e em Pernambuco.
 
Marcos Breda e Mello Moraes, estudiosos da Capoeira, trouxeram luz sobre o assunto, relacionando os homens assim denominados como 1) oriundos – na sua maioria – das classes populares; 2) quase todos com trabalhos fixos (temendo prisão por vagabundagem); 3) a maioria negra ou mestiça, embora brancos fossem presos também; 4) o principal palco de conflito era o Rio de Janeiro – capital da República, embora até imigrantes fizessem parte desse “elenco marginal”; 5) as roupas eram facilmente identificadas nos pequenos detalhes.
 
É incrível reconhecer-se hoje – em tempos de liberdade – que essa prática tenha sobrevivido, impondo sua marca cultural nos séculos seguintes, como se uma “transição cultural subterrânea“ permitisse essa continuidade até os nossos dias e o reconhecimento até como Arte.
 
Olhada como uma forma de “luta corporal”, a Capoeira tem seus heróis em todos os tempos. Alguns nomes são mencionados com respeito, mesmo que tenham eles sofrido a dureza dos porões penitenciários e o exílio obrigatório. Manduca da Praia, Juca Reis. Ciríaco Francisco da Silva Thomas, Chico Carne Seca, Aleixo Açougueiro, Capitão Nabuco, são alguns deles.
 
Holloway, professor da Universidade Cornell, de Nova York, publicou nos “Cadernos Cândido Mendes” – estudos Afro-asiáticos, em 1989, um artigo que avalia a ação dos capoeiristas ao longo do século XIX e começo do século XX, com informações importantes para a compreensão desse esporte / luta / arte (seja como for hoje considerada), fazendo um importante “passeio” pelas ruas do Rio de Janeiro, identificando acontecimentos que levaram a Capoeira a ser extremamente perseguida.
 
Para Fernando de Noronha essa foi uma página da história que parece ter sido propositalmente ocultada, fazendo com que a presença, na ilha, de todos os capoeiristas brasileiros e estrangeiros, passasse desapercebida dos relatos que se sucederam, ainda que saibamos hoje que, até 1930, continuaram a ser enviados para lá esses homens marginalizados, por serem praticantes de uma forma de condicionamento físico. E, no entanto, nenhum lugar do Brasil tem um diferencial tão precioso e tão importante do que o arquipélago “perdido em meio a lindos tons de azul”. E por isso, em nenhum outro lugar do Brasil a Capoeira merece ser escrita com o brilho dos feitos do passado, mesmo que tenham sido dolorosos.
 
Bibliografia
 
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___. Sobre a matéria “Segredo não é pra qualquer um”, Juca Reis & Fernando de Noronha. In: Jornal do Capoeira, nº 63, mar.2006. www.capoeira.jex.com.br
 
* Marieta Borges Lins e Silva é pesquisadora, coordenadora do “Programa de Resgate Documental sobre Fernando de Noronha”

Limoeiro do Norte: III Encontro Mestres do Mundo

O III Encontro Mestres do Mundo tem início hoje até 2 de setembro, em Limoeiro do Norte
 
As artes do Sagrado, corpo, oralidade, mãos e sons terão ressonância a partir de hoje, quando diferentes culturas e saberes se reunirão mais uma vez para entender, discutir, e – porque não? -revisar conceitos como sobre o que seja “cultura popular”. É quando pede passagem o III Encontro Internacional Mestres do Mundo, de hoje a 2 de setembro, com debates e espetáculos culturais em diversos espaços públicos de Limoeiro do Norte. Mestres da Cultura Popular, intelectuais acadêmicos e populares num mesmo liquidificador. O coquetel de saberes tempera-se, a cada ano, como um dos maiores eventos culturais do Estado.
 
Polêmicas sobre mestres da cultura à parte, o fato é que em toda edição do Encontro todo candidato a mestre da cultura quer estar. Primeiro porque, se for, é sinal de que foi já escolhido mestre, ou, no mínimo, estará em evidência, não só midiática como aos olheiros despretensiosos da comissão que elege os mestres todos os anos. Mas a importância do evento vai além, segue à risca o significado etimológico/antropológico da palavra “encontro”. A exceção fica para o ano passado, quando o “racha” do evento entre Limoeiro do Norte e Russas, dada por membros da produção como “interferência política”, amornou o caldeirão de cultura popular e resultou num verdadeiro “desencontro” dos mestres.
 
Um ano depois, tudo volta a acontecer somente em Limoeiro do Norte. A cidade está pronta, estandes estilizados de taipa receberão as louças de barro da Mestre Lúcia Pequeno, as sandálias de couro de Expedito Seleiro (finalmente com a patente de Mestre), e até os remédios naturais de dona Odete, de Canindé. Os palcos, tablados e mesas redondas estão armados, prontos para quem quer beber cultura sem qualquer moderação. Para dar o tempero “internacional” do evento, a ‘pluri-instrumentalidade’ musical da Tuna Universitária de Madri, Espanha, e a cantora Isa Pereira, de Cabo Verde, que já é figura carimbada de outros eventos patrocinados pelo Ministério da Cultura no País. Entre o Palco Mestre e Palco dos Brincantes, uma apresentação logo após a outra.
 
E a melhor roda já inventada pelo homem – a roda do conhecimento – traz temas como identidades indígena e negra, ciganas, a luta dos movimentos sociais e o futuro das políticas públicas do País – em tempo. Nos debates, tem do antropólogo e estudioso do índio Max Maranhão ao “ser índio” por si próprio, de Luís Caboclo, pajé da Etnia Tremembé. Nas apresentações, grupos culturais de diversas regiões do Estado e representações além-Nordeste, como o “da senzala aos palcos” – famoso Jongo da Serrinha, do Rio de Janeiro -, e o Boi-Bumbá de Belém, Pará. E dá até para imaginar o tamanho da ciranda de roda do meio da praça José Osterne quando o cantor Messias Holanda entoar suas inconfundíveis perólas, como “eu quero me trepar no pé de coco…”. A primeira-dama do samba, a carioca Ivone Lara, também marcará presença.
 
Badalar do sino
 
A programação desta terça começa à noite com o tradicional cortejo dos mestres concentrados na Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos até o largo da igreja Matriz, esta que chamará a comunidade para a festa da forma mais original – bater dos sinos pelo mestre Getúlio Colares, sineiro de Canindé. No palco principal, a irreverência musical do grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado, comemorando dez anos de estrada. O último dia, domingo, será fechado com ninguém menos que Antônio Nóbrega. Pelas bandas de Limoeiro, os recantos e praças deverão estar abarrotados de gente. Se igual aos eventos anteriores, com tranqüilidade e muita alegria.
 
Serviço:
III Encontro Mestres do Mundo, de hoje até 2 de setembro, em Limoeiro do Norte. Informações: (88) 3423-3120 e (85)3246-9176.
 

Capoeira na Escola, uma ferramenta no auxílio do aprendizado

Nada mais importante do que a "Educação".
 
Dentro deste contexto alternativo a Escola Municipal Primeiro de Maio, no Bairro de Massaranduba, Bahia, utiliza diversas ferramentas para melhorar o padrão do ensino e a frequência escolar, entre elas a CAPOEIRA.
 
Para nós capoeiristas é uma honra e uma felicidade saber que a "nossa arte" está sendo utilizada com MESTRIA, seguindo o bom caminho e possibilitando aos alunos a "VERDADEIRA ESCOLA DE CIDADANIA"
 
Luciano Milani

 

 

Professores reduzem a taxa de repetência
Fernanda Santa Rosa – A Tarde On Line – Salvador

Com metodologia de ensino alternativa e comprometimento da comunidade escolar, a Escola Municipal Primeiro de Maio, no bairro de Massaranduba, está conseguindo driblar os padrões negativos da educação brasileira. Tanto que, a partir do dia 10 de setembro, a pequena unidade escolar vai ser apresentada nacionalmente em uma campanha televisiva do Ministério da Educação (MEC), como modelo de gestão.
 
O colégio foi escolhido depois que, no final do ano passado, se destacou no estudo Aprova Brasil, realizado pelo MEC em parceria com o Unicef. A pesquisa selecionou os 33 melhores resultados em aprendizagem num universo de 40 mil escolas públicas do País. Em apenas dois anos, a Primeiro de Maio conseguiu reduzir a taxa de repetência, de 32,1% para 6,8%, e o índice de evasão, de 12,2% para 4,7%, graças a projetos de valorização da identidade dos alunos e da comunidade.
 
No ano passado, o destaque foi o projeto Histórias e memórias de Itapagipe, que motivou os alunos, com pesquisas, palestras, maquetes e visitação aos locais históricos. “Como o assunto tem a ver com a realidade das crianças, elas despertam o interesse, e os pais ficam mais participativos”, explica a diretora Simone Barbosa.
 
Ela conta que, este ano, a iniciativa tem continuidade com o programa Amar, cuidar e viver Itapagipe. As aulas são voltadas para o meio ambiente. “A maioria dos pais são catadores de material reciclável, e tem muito menino que se sente humilhado. Explicamos a importância deste trabalho”, diz a diretora.
 
Mudanças – O resultado se percebe em garotos como Jutahy Neves, 10 anos, aluno da 3ª série do ensino fundamental. Antes agressivo e disperso, o menino tem, hoje, notas acima da média e bom comportamento. “Antes, eu só tirava 2, era ruim mesmo nos estudos. Agora, tiro 7 e até 9”, diz o estudante, com orgulho. O mesmo acontece com Alysson Santos, 11 anos, na 4ª série. “Já não faltava às aulas, mas agora está mais interessante, por causa da capoeira”, garante.
 
Outro ponto que indica o caminho para o sucesso é o envolvimento da população local, com professores voluntários de artes, música e capoeira. A professora Lindalva Lima, embora seja contratada, faz questão de se unir a este time da boa vontade e extrapolar as suas funções convencionais. Conhecida moradora da comunidade, ela vai à casa de cada aluno da escola com mais de três faltas para saber os motivos da ausência. “Além de ensinar, sou secretária e também ajudo na limpeza, porque acho que é um trabalho com amor. Meus filhos se criaram aqui”, diz.
 
Apesar de bons resultados, a escola passa por dificuldades para se manter. A unidade tem instalações muito reduzidas para os 291 alunos da educação infantil à 4 série. Os recursos da Secretaria Municipal de Educação (Smec) não são suficientes para garantir a expansão dos projetos.
 
“Fizeram uma reforma em janeiro, trocando as divisórias da sala, o que melhorou problemas, como o barulho. Mas falta muita coisa, como lugar para os eventos e atividades às quais a gente se propõe”, diz a diretora. Para a visitação do bairro, no ano passado, ela lembra que, por falta de um veículo, só teve uma solução: “Fomos somente a alguns lugares e a pé”.
 

Fernando de Noronha: Festa, Batizado & Trabalho Social

SEGUNDO BATIZADO DE CAPOEIRA – FERNANDO DE NORONHA
 
Foi realizado o segundo Batizado de Capoeira do Arquipélago de Fernando de Noronha, no dia 17 de agosto no Centro Cultural Clube das Mães.
 

O grupo MEIA LUA INTEIRA que já existe a seis anos desenvolvendo um trabalho social na ilha pelo professor Rogério (Cueca).

Na festa do Batizado foram formados novos capoeirista Principalmente crianças,que receberam do Mestre do Grupo Birilo e Contra Mestre Mula a Primeira graduação na capoeira.

 
Foram formados alunos mais antigos e houve troca de cordas.
 

O evento teve vários momentos emocionantes um deles foi a formatura do professor do grupo Fernando (Cabeção).

A comunidade compareceu em massa para ver a festa do Batizado,a capoeira já existe a muitos anos no meio da comunidade, muitos dos capoeiras do Brasil da década dos anos 40 foram aqui aprisionado, a exemplo de Manduca da Praia, um dos capoeiristas mais temido da época. Não só a comunidade mas também os turistas que na ilha estavam puderam ver de perto uma expressão corporal tão forte e bonita que é a CAPOEIRA,muitos se emocionaram com lagrimas e sorrisos.

 

grupo MEIA LUA INTEIRAA festa teve como intuito resgatar as raízes da capoeira que aqui já existia.
Foram Batizados,36 crianças e 6 adultos.
Com o feito a História da capoeira foi mais uma vez fortalecida no Arquipélago.

Por Cosme Johnny (Assessor de impressa do grupo) e Professor Cueca.

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Espetáculo teatral conta a história da capoeira no Brasil

ÁGUA DE BEBER
Centro de Referência do Teatro Infantil / Teatro do Jóckey

De 8 de Setembro a 01 de Novembro
Setembro – Sábados e domingos às 18h

Outubro – Quartas e Quintas às 21 h.

Estréia dia 8 de setembro, no Teatro do Jóquei, ÁGUA DE BEBER, o primeiro espetáculo teatral que conta a história da capoeira no Brasil, país que se tornou o maior divulgador e exportador de profissionais desta arte no mundo.

A criação é do diretor, acrobata e capoeirista Cláudio Baltar, que há anos faz minuciosa pesquisa sobre a capoeira. Para realizar Água de Beber, Baltar teve como ponto de partida o livro "Santugri", do jornalista e sociólogo baiano Muniz Sodré, pesquisou jornais brasileiros do final do século XIX e fez entrevistas com mestres e estudiosos da capoeira como Mestre Camisa, o antropólogo Bernardo Conde, a neurologista Dra. Rosali Correia e Mestre Nestor Capoeira.

Depois de escolher o elenco (formado por seis capoeiristas) através de exigente teste de habilidades, o espetáculo foi construído a partir de uma associação entre a música, o corpo em movimento, o pensamento e a reflexão sobre a capoeira em todos os seus aspectos. Os capoeiristas são Rodrigo dos Santos, Davi Mico Preto , Fábio Leão Pequeno, Sérgio Cebolla, Charles Rosa e Fábio Negret.

A proposta cenográfica do espetáculo inclui projeção de imagens, escolhidas pela artista plástica Brígida Baltar.

A música ao vivo é fundamental no espetáculo, criando climas e pontuando situações, alem de remeter a outras influências artísticas na capoeira.

– A história da capoeira no Brasil e sua divulgação no exterior
(Textos extraídos dos sites Wikipédia e Portal Capoeira /A capoeira é do Brasil? A capoeira no contexto da globalização, por José Luiz Cirqueira Falcão)

O Brasil foi o maior receptor da migração de escravos enviados por Portugal, que trouxeram consigo as suas tradições culturais e religião. A capoeira foi desenvolvida pelos escravos do Brasil como forma de resistir aos seus opressores, praticar em segredo a sua arte, transmitir a sua cultura e melhorar a sua moral.

Há registros da prática da capoeira nos séculos XVIII e XIX nas cidades do Rio de Janeiro, Recife e Salvador, porém como durante anos a capoeira foi considerada subversiva, sua prática era proibida e duramente reprimida. Devido a essa repressão, a capoeira praticamente se extinguiu no Rio de Janeiro, onde os grupos de capoeiristas eram conhecidos como maltas.

Em 1932, Mestre Bimba fundou a primeira academia de capoeira do Brasil em Salvador. Mestre Bimba acrescentou movimentos de artes marciais e desenvolveu um treinamento sistemático para a capoeira, estilo que passou a ser conhecido como Regional. Em contraponto, Mestre Pastinha pregava a tradição da capoeira com um jogo matreiro, de disfarce e ludibriação, estilo que passou a ser conhecido como Angola. Da rivalidade desses dois grandes mestres, a capoeira deixou de ser marginalizada, e se espalhou da Bahia para todos os estados brasileiros.

Ao longo dos últimos anos, a capoeira vem se inserindo vertiginosamente nos mais diferentes espaços institucionais das médias e grandes cidades do Brasil e em vários países do exterior, consolidando um avanço histórico controvertido.

Convém destacar que o grande interesse dos estrangeiros pela capoeira se desdobra imediatamente em dois desejos, conhecer o Brasil e falar o português. Falar português nas aulas de capoeira é um requisito que opera como uma espécie de "selo de qualidade" e vem contribuindo para abrir campos de trabalhos antes impensáveis. O Hunter College, uma das mais tradicionais faculdades de Nova York, já oferece cursos regulares de português, em decorrência da demanda provocada pela capoeira.

O primeiro trabalho de ensino sistematizado de capoeira na Europa foi empreendido pelo reconhecido Mestre Nestor Capoeira . Embora alguns capoeiras brasileiros tenham realizado espetáculos pela Europa desde 1951, foi Nestor Capoeira quem iniciou o processo de ensino sistematizado desta manifestação na Europa, na London School of Contemporary Dance, Inglaterra.

A partir do Mestre Nestor Capoeira, milhares de workshops e oficinas pipocaram por toda a Europa.

Mas a capoeira perpetua-se mesmo é através dos ensinamentos e histórias que são passadas de geração em geração, pelos mestres mais velhos aos alunos que, futuramente, serão os novos mestres.

– Capoeiristas históricos

* Zumbi dos Palmares
* Besouro Mangangá
* Mestre Bimba
* Camafeu de Oxossi
* Nascimento Grande
* Manduca da Praia
* Major Miguel Nunes Vidigal
* Manoel dos Reis Machado
* Mestre Pastinha
* Madame Satã

– Curiosidades

3 de agosto – Dia do capoeirista

Brincadeira de negro
Até o século XIX os "batuques" de negros eram estimulados por serem válvulas de escape e acentuarem as diferenças entre as diversas nações africanas. A partir de 1814, começam a ser perseguidos – "brincadeira de negro" torna-se fato social perigoso de acordo com textos legais.

Rabo-de-arraia
O rabo-de-arraia tradicional era um golpe em que, de frente para o adversário, planta-se uma bananeira, ficando-se então de cabeça para baixo e de costas para o oponente, e imediatamente atinge-se a cabeça do inimigo com uma violenta pancada dada com o calcanhar de um ou de ambos os pés.

"Vadiar"
Significa jogar por prazer, por diversão. Na época da escravidão a vadiação era o lazer dos escravos nas horas de descanso.

"Catinguelê"
É o nome dado a meninos que praticam capoeira.

Terno Branco
Antigamente, era de costume os capoeiristas trajarem terno de linho branco. Era considerado um bom jogador aquele que conseguisse sair da roda com o terno impecavelmente limpo.

"Crocodilagem"
É o nome dado a um jogo duro que submete ao capoeira a uma situação de inferioridade ou deslealdade.

Descriminalização da Capoeira
Depois de ver uma exibição de Capoeira no Rio de Janeiro, em 1937, o presidente Getúlio Vargas descriminalizou-a e decretou ser aquele o "esporte autenticamente brasileiro". Até então, os capoeiristas podiam pegar de dois meses a três anos de prisão, com pena de deportação no caso de estrangeiros.

A inserção do berimbau na Capoeira
Antigamente não havia música de fundo na Capoeira. No máximo, quem estava por perto marcava o ritmo com um tambor. Em seu fabuloso levantamento publicado em 1834, "Viagem Pitoresca e histórica ao Brasil", Jean Baptist Debret deixou claro que os tocadores de berimbau tinham a intenção de chamar a atenção dos fregueses para o comércio dos ambulantes.

Segundo o folclorista Édison Carneiro, foi no século XX, e na Bahia, que o instrumento se incorporou ao jogo da Capoeira, para marcar o ritmo dos praticantes. O que define um jogo rápido ou lento é o toque.

O DIRETOR
Cláudio Baltar atua há 15 anos na Intrépida Trupe, atualmente como diretor técnico e um dos diretores artísticos do grupo. Foi o responsável pela direção de "Sonhos de Einstein" e um dos diretores de "Metegol", os dois últimos espetáculos da Companhia.

"Depois de 30 anos praticando, observando e estudando a capoeira, resolvi finalmente amadurecer este projeto, que há muito esperava nos arquivos a oportunidade de se concretizar. Trata-se de uma volta às origens, pois foi através da capoeira que descobri as possibilidades do meu corpo em movimento, da expressão da minha voz e do meu ritmo dentro de um grupo. A capoeira é uma fonte de inspiração inesgotável, à qual eu sempre retorno para matar a sede. Uma arte que se transforma e se molda como a água, de acordo com o contexto que se vive no espaço e no tempo do ritual de uma roda de capoeira. "Água de Beber" é uma reflexão atual sobre a capoeira, trazendo, não uma, mas muitas visões acerca de uma das manifestações mais ricas da nossa cultura popular".

ÁGUA DE BEBER
Centro de Referência do Teatro Infantil / Teatro do Jockey (2540-9853)

Rua Mário Ribeiro, 410 – Lagoa – Estacionamento Gratuíto

Rua Bartolomeu Mitre, 1110 – Gávea – Entrada de pedestres

Lotação 125 lugares.
Setembro – Sábados e domingos às 18h (a partir de 8 de setembro)

Outubro – Quartas e Quintas às 21h
Ingressos – R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia
Censura livre – recomendado para maiores de 4 anos

ELENCO
Rodrigo dos Santos
Davi Santos da Silveira – Davi Mico Preto
Fábio Lima Abreu Ramos – Fábio Leão Pequeno
Sérgio Henrique Sales – Sérgio Cebolla
Charles Estácio Rosa – Charles Rosa
Fábio Rodrigo G. do Nascimento – Fábio Negret

DIREÇÃO, CONCEPÇÃO E ROTEIRO: Cláudio Baltar

CO-DIREÇÃO: Fabianna Mello e Souza
SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO E FIGURINO: Valéria Martins
DIREÇÃO MUSICAL E TRILHA: Rafael Rocha, Fábio Leão Pequeno e Sérgio Cebolla
PROJEÇÃO E PROGRAMAÇÃO VISUAL: Brígida Baltar
ILUMINAÇÃO: Aurélio de Simoni
FOTOS: Andréa Cals e Mico Preto
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Ana Coll
PREPARAÇÃO JOGO DOS BICHOS: Mestre Camisa
PREPARAÇÃO JOGO DE DENTRO: Marron Capoeira
TREINAMENTO DE MÁSCARAS: Fabianna Mello e Souza
VOZES EM OFF: Rodrigo dos Santos, Muniz Sodré, Bernardo Conde
CORDEL: Parafina e Lobisomem
MÚSICA DAS MALTAS E MÚSICA FINAL: Bernardo Palmeira
MÚSICA "ÁGUA PRA VIVER": Lobisomem e Cebolão
CONFECÇÃO DAS MÁSCARAS: Clívia Cohen
CONFECÇÃO DE INSTRUMENTOS: Sérgio Cebolla e Marcos China
ADEREÇOS: Cida de Souza
OBJETOS DE CENA: Marcos China

"ÁGUA DE BEBER" – Inspirado no livro "SANTUGRI" de Muniz Sodré e nas entrevistas feitas por Cláudio Baltar com o próprio Muniz Sodré, Bernardo Conde (antropólogo), Mestre Camisa, Nestor Capoeira e Dra. Rosali Correa (neurologista).

Artigos de jornal sobre escravos do final do século XIX extraídos do livro "Retrato em Branco e Negro" de Lilia Moritz Schwarcz.

Texto sobre as maltas e perseguição aos capoeiras no final do século XIX extraído do livro "Aborgagens Sócio-Antropológicas da Luta/Jogo da Capoeira de Paulo Coelho de Araújo.

Definição de negaça extraída do dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, do dicionário Houaiss e do livro "Capoeira – A Luta Regional Baiana" de Jair Moura.

Texto "QUE SE DIGA" extraído do livro "O Pequeno Manual do Jogador de Capoeira" de Nestor Capoeira.

Texto dos velhos extraído do capítulo marginalidade no Rio de Janeiro entre 1850 e 1900 da tese de Nestor Capoeira no site capoeiracarioca@gbfree.com

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
ACALS COMUNICAÇÃO / Andréa Cals e Alessandra Andrade

21 8203-7372 / 2265-7901/ 9159-6891
cals.andrea@gmail.com

C.B.C: I Convenção Nacional de Capoeira 2007

Convocação:
 
O Vice-Presidente Desportivo e Vice-Presidente Cultural da Confederação Brasileira de Capoeira, no uso de suas atribuições legais e estatutárias, vem por meio desta convocar os presidentes de federações, ligas regionais, municipais e diretores de entidade, a participarem da I CONVENÇÃO NACIONAL DE CAPOEIRA 2007 a se realizar nos dias 31/08/07 A 02/09/07 das 9:00h às 19:00h, Salvador-BA, para debater sobre os seguintes temas:
 
01 – Desafios e Perspectivas Futuras para a Capoeira;
 
02 – Congresso Técnico Desportivo;
 
03 – Projeto Ginga Brasil;
 
04 – Assuntos gerais;
 
Brasília, 20 de julho de 2007.
 
Presidência
C.B.C
 
PROGRAMAÇÃO
 
1. Atividades e Cronograma
 
31/08/07 (sexta-feira)
09:00h Cadastramento e recepção dos convidados e presentes;
17:00h – Internacionalização da Capoeira – “Globalização”;
Amostra de Vídeos
18:00h – Abertura
Apresentação de Autoridade e demais participantes;
 
01/09/07 (sábado)
09:000h – Palestra sobre a Capoeira Angola (Mestre Augusto Januário/ Ms. Santa Rosa);
10:00h – Palestra sobre Ética na Capoeira (Ms. Josevaldo Lima de Jesus);
10:30h – Mesa redonda com os Mestres e Dirigentes;
12:30h – Parada para o almoço;
14:00h – Explanação sobre o Projeto Ginga Brasil;
16:30h – Debates;
18:00h – Encerramento.
 
02/09/07 (domingo)
09:30h – Apresentação Proposta Técnicas de Arbitragem (Dirigentes);
12:00h – Almoço;
14:00h. Continuação;
17:00h – discussões sobre a calendário 2008 (proposta e perspectivas);
18:00h – Encerramento.
 
03/09/07 (segunda-feira)
09:30 – Avaliação da Convenção (Comissão de Avaliação Convenção)
 

A Confederação Brasileira de Capoeira é entidade nacional de administração desportiva. Foi fundada em 23 de outubro de 1992, e é hoje a única a ser reconhecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro – COB. Filia-se à recém-criada Federação Internacional de Capoeira – a FICA.

Bahia: Criança também pode entrar na roda

Professores trocaram de posição durante a oficina de metodologia da capoeira infantil, realizada, terça-feira, por Jorge Luiz de Freitas, o mestre Piriquito. Graduados do Brasil e do exterior foram alunos por um dia durante o curso realizado no anexo do Forte Santo Antônio. O evento faz parte da programação do Festival Internacional da Arte Capoeira na Bahia.
 
Na aula, mais de 60 professores aprenderam métodos de ensino adequados para as crianças. A capoeira é uma atividade vista com certa desconfiança pelos pais, por usar golpes que podem ser violentos, e, por esse motivo, todos os movimentos são adaptados para crianças. Dos 3 aos 6 anos, os alunos recebem instruções especiais e, a partir dessa idade, os exercícios já são os mesmos dos adultos, só mudando a didática.
 
O professor Jorge Luiz lembrou da importância de fazer com que as crianças não apenas reproduzam os movimentos, mas que passem a entender o que estão fazendo. Como exemplo, citou um golpe que nenhum dos professores que participavam do curso sabiam dizer a origem e o motivo do nome. “A criança que brinca por brincar está reproduzindo. Isso qualquer macaquinho faz. Eles fazem e ganham prêmios como bananas. Nós somos diferentes, não reproduzimos, nós construímos. O nosso prêmio é a sabedoria, é saber o que se está fazendo”, considera.
 
Fonte: A Tarde On Line – Salvador, BA – http://www.atarde.com.br

Várzea Grande: Portadores de necessidades especiais jogam capoeira na Olimpíada Inclusiva

Durante a disputa da III Olimpíada Inclusiva, iniciada nesta terça-feira (21.08) em Várzea Grande, o público terá a oportunidade de presenciar que limitação física e mental é superada com muito esforço e dedicação. Inserida no projeto do governo Federal, o ‘Esporte e Lazer da Cidade’, a capoeira vem sendo utilizada como mecanismo de combate ao ócio em portadores de necessidades especiais, principalmente para quem tem síndrome de Down.
 
Na Olimpíada Inclusiva, evento realizado pela secretaria municipal de Educação e Cultura, os alunos da Escola Municipal “Antônio Salústio Areias”, localizada no bairro 15 de Maio, vão competir jogando capoeira. Responsável por esse novo método de inserção social e de atividade física aos deficientes de Várzea Grande, o mestre Masca comemora os resultados surgidos em pouco tempo de aula.
 
“Tem aluno que chegou com muita dificuldade de locomoção, agora, quase dois meses de aula pós-adesão à capoeira, já tem apresentado melhora em seu andar. É algo recompensador e que me motiva ainda mais a trabalhar nesse projeto. Eu vejo a capoeira não só como uma cultura afro-brasileira, mas como instrumento para a saúde física de milhares de pessoas”, ressalta o mestre.
 
O mestre Masca está gostando tanto de dar aula a um público especial que decidiu ampliar as aulas. Agora, além da Escola “Antônio Salústio Areias”, ele desenvolve também aula de capoeira para 37 alunos deficientes físicos no Centro de Habilitação Profissional (CHP) “Professora Célia Rodrigues”, localizado próximo ao cemitério municipal de Várzea Grande.
 
O coordenador do projeto ‘Esporte e Lazer da Cidade’ do núcleo Centro de Várzea Grande, Márcio Roberto, frisa que a procura pelas aulas de capoeiras aos deficientes têm sido grande e bem aceita pelas famílias dos alunos. De acordo com ele, o projeto do governo Federal em parceria com a prefeitura de Várzea Grande foi criado justamente como instrumento de inserção social, por meio de atividades desportivas em municípios e bairros carentes Brasil afora.
 
Fonte: O Documento – Várzea Grande, MT – http://www.odocumento.com.br