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Novembro 2007

Vendo Artigos de: Novembro , 2007

Cultura: Florianópolis e Biguaçu celebram a herança africana na região, durante a semana

A Semana Municipal da Cultura Negra – Akomabu, que acontece de 16 a 24 de novembro, promove atividades diversas com o propósito de preservar e difundir as contribuições da população negra dentro dos aspectos políticos, econômicos e cultural de nossa história.

A programação iniciou no sábado (17), às 9h30, com a concentração dos grupos culturais no vão do mercado público, Centro da Capital.

O evento presta um tributo à figura de Zumbi, morto em 20 de novembro de 1695 ao lutar pela liberdade do seu povo.

Os objetivos são dar visibilidade à agenda do movimento negro e a entidades que atuam no combate ao racismo; difundir todas as formas de manifestações culturais afro-brasileiras; e buscar conscientizar que a consciência negra não está restrita a somente uma semana de comemorações.

Pretende-se chamar a atenção para a importância de se ter uma visão que leve realmente em consideração a participação de negros e negras em nossa sociedade.

Segundo o IBGE, 12% da população catarinense é negra – cerca de 600 mil pessoas.

Em Biguaçu, a 4ª Semana Afro-Biguaçuense, iniciada na sexta-feira (16), será realizada até o dia 20, com o intuito de fomentar o debate e a reflexão sobre a situação atual das populações afro-descendentes.

O evento apóia a implementação da Lei 10.639, que trata da inclusão da temática africana nos currículos escolares.

A programação inicia às 9h, com roda de capoeira na praça Nereu Ramos, no centro de Biguaçu.

Às 16h, haverá batismo e troca de graduação, no Ginásio de Esportes Nagib Calum, localizado no centro do município.

Às 20h, acontece a abertura da Semana Afro-Biguaçuense, com samba, acarajé, apresentações culturais, entre outros, no G.E.M.

Célia Lisboa dos Santos, no Morro da Boa, Centro de Biguaçu.

A programação prevê também exposição da cultura afro-descendente, oficinas, apresentações de Capoeira, puxada de rede e maculelê, exibição de filmes aos estudantes das escolas e debates sobre ações afirmativas e políticas contra o preconceito.

Segundo o Secretário Municipal da Cultura, Esporte, Turismo e Lazer, Afonso José dos Santos Filhos, ‘as atividades não são somente uma celebração do ícone brasileiro Zumbi dos Palmares, mas também um estímulo a debates sobre a situação atual do negro na sociedade’.

Fonte: Redação Notícias do Dia – http://www.redesc.com

rodrigo@jornalnoticiasdodia.com.br

Taquarussu: Projeto Berimbau & Encontro Interestadual de Capoeira

Projeto Berimbau graduou 40 alunos em solenidade realizada no Ginásio Municipal Flávio Derzi
     
TAQUARUSSU – No intuito de incentivar cada vez mais o desenvolvimento do Projeto Berimbau (grupo de capoeira para crianças carentes) foi realizado no último dia 10 de novembro, o 1° Encontro Interestadual de Capoeira em Taquarussu, a cerimônia aconteceu no Ginásio Municipal de Esportes Flavio Derzi .

Idealizado pelo diretor do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) Erivaldo de Andrade e pelo coordenador do Programa Rogério Francisco dos Santos, o evento contou com a participação de grandes profissionais da capoeira em especial do Grupo Memória cujo presidente é o Mestre Aranha de Ilha Solteira.

O objetivo do encontro foi graduar 40 participantes do Projeto Berimbau, que é comandado pelo instrutor Paulo Robson Júnior, que receberam das mãos de mestres, professores e instrutores de capoeira de diversas localidades do país, as respectivas graduações, corda crua, verde crua, verde.

O Projeto Berimbau que hoje conta com a participação de aproximadamente 70 crianças é originado do Centro de Referencia da Assistência Social (Cras) e apoiado pela Secretaria de Promoção e Assistência Social e pela Prefeitura Municipal.
Além da presença do mestre Aranha, estiveram no evento os mestres João Montanha de Pereira Barreto, Animal de Clementina e Ciclone de Guaraçaí (SP) além de professores e instrutores dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Segundo o prefeito Genivaldo Medeiros "o incentivo ao esporte é um meio fundamental de transformar crianças em cidadãos do futuro, e sem dúvida estaremos a disposição para buscar o necessário para bem de nosso povo".

O evento foi prestigiado por um grande público, dentre o qual se destacam os secretários do município Daniel Berto (Educação), Laurindo São Pedro (Administração e Finanças) e Célia Patussi (Assistência Social), além dos diretores Cícero Medeiros (Transportes) e Dirce dos Santos (Escola Municipal) e ainda a Primeira-Dama Terezinha Silva Santos e vereadores Lucinda Rodrigues, Joaquim Xisto e Gilso Francisco.

Os alunos graduados foram: Fabiana Dias Evangelista, Ailton Carlos Vieira Silva, Ana Carolina Silva, Carina Ferreira dos Santos, Danieli de Souza, Diego Granjeira, Ferandno Mendonça, Igos da Silva Souza, João Vitor Silva, Jose Aparecido de Meneses, Joicy de Souza, Justieli Pereira Martins, Luan Felipe Santos, Mateus Alves de Lima, Rafael Teixeira Neiva, Romário Manuel Ferreira, Tayná Teixeira Estevo, Tiago Alves de Souza, Vando Mendonça dos Santos, Vanessa da Silva Dantas, Welinton da Silva Souza, Yara Maria de Oliveira, Mateus Lima dos Santos, Elito Costa Martins, Eric Jhones Barbosa, Gabriel Martins dos Santos, Gilmara dos Santos Figueiredo, João Paulo Peralta, Juliana dos Santos Figueiredo, Junior César Figueiredo dos Santos, Junior Costa Martins, Keli Cristina Paulino, Leandro dos Santos, Leomar Barbosa Nogueira, Lucas dos Santos Loterio, Marcio Peralta, Mateus de Oliviera Silva, Oseias Andrade dos Santos, Renan dos Santos Ramos, Ricardo dos Santos Ferreira, Tamires de Oliveira Santos, Taynara Alves da Cruz, Timoteo da Silva Guedes, Uatila Silva Santos, Welington dos Santos Figueiredo e Willian da Silva Souza.

O Progresso – Dourados – http://www.progresso.com.br

Parque Memorial Quilombo dos Palmares é inaugurado em Alagoas

Mês da Consciência Negra – 2007
"CELEBRAÇÃO DO 20 DE NOVEMBRO EM ALAGOAS"

Parque Memorial Quilombo dos Palmares é inaugurado em Alagoas
O primeiro projeto arquitetônico de inspiração africana do Brasil, construído no Platô da Serra da Barriga, terá solenidade de instalação no dia 19 de novembro

 

O Parque Memorial Quilombo dos Palmares é o primeiro complexo arquitetônico de inspiração africana no Brasil e o único projeto afro-cultural em todas as Américas. A solenidade oficial de inauguração será realizada no dia 19 de novembro a partir das 11h, no platô da Serra da Barriga localizada no município de União dos Palmares (AL), há 92km da capital alagoana, com 5km de subida e 500m acima do nível do mar.

Idealizado pelo Instituto Magna Mater (IMM) o projeto homenageia guerreiros e guerreiras que lutaram por um ideal de liberdade e exalta o maior e mais importante de todos os quilombos. Foi viabilizado com recursos do Ministério do Turismo e patrocínio da Petrobrás, e entregue à Fundação Cultural Palmares no dia 24 de maio deste ano.
Na solenidade estarão presentes o Ministro da Cultura, Gilberto Gil; Zulu Araújo, Presidente da Fundação Cultural Palmares; Teotônio Vilela, Governador de Alagoas; autoridades locais; 250 quilombolas e representantes de grupos ligados ao movimento negro local.

Segundo Patrícia Mourão, Secretária Executiva do Instituto Magna Mater, "o Parque Memorial Quilombo dos Palmares é a materialização de um sonho de 20 anos do movimento negro brasileiro e de todos aqueles que acreditam na liberdade, na igualdade racial e social, cujo símbolo maior na história do Brasil foi a saga do Quilombo dos Palmares", declarou.

Inauguração
Para facilitar o acesso dos visitantes até o Parque, o II Batalhão da Polícia Militar e a Equipe da Guarda Florestal estarão orientando os locais apropriados para o estacionamento e repassando as informações necessárias. No dia da inauguração, meios de transportes alternativos como vans e micro-ônibus serão disponibilizados para o translado, preferencialmente de idosos, crianças, gestantes e portadores de necessidades especiais.

A solenidade terá início com a execução do hino nacional e arranjo de abertura ao som do berimbau, seguido pelos pronunciamentos das autoridades e aposição da placa inaugural do Parque. Para finalizar o grande dia, acontecerá uma roda de capoeira especial entre renomados mestres e contra-mestres do Estado.

Parque
Construído na Serra da Barriga no então Planalto da Borborema, o local que foi a sede do Quilombo dos Palmares é considerado o templo da resistência negra, além de ser enquadrado como Patrimônio Nacional, Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.

O Parque possui 11 mil metros quadrados e ocupa 280 hectares, encontra-se em área tombada por meio do Decreto 95.855 de 21 de março de 1988, sob a responsabilidade e zeladoria do Ministério da Cultura, por meio da Fundação Cultural Palmares.
Foram dois anos de intenso trabalho (idealização, pesquisa, sensibilização e construção) executado por uma equipe constituída por aproximadamente 250 pessoas, dentre: pesquisadores, consultores, historiadores, turismólogos, produtores, artistas, artesãos, engenheiros, arquitetos, arqueólogos e moradores da Serra.

Infra-estrutura
Turistas de qualquer parte do mundo poderão aprofundar o conhecimento sobre a saga do povo palmarino que resistiu por quase cem anos aos ataques portugueses e holandeses in loco e pelo site www.quilombodospalmares.org.br. O Parque encontra-se aberto ao público das 8h às 17hs, horário já estabelecido para o acesso a Serra da Barriga.

A infra-estrutura é composta pelo Restaurante Kúuku-Wáana (banquete familiar), Onjó de Farinha (casa de farinha), Casa de Apoio aos Religiosos Onjó Cruzambê (Casa do Campo Santo), Terreiro das Ervas (Oxile das Ervas), Ocas Indígenas, Espaço Batucajé (dança ao som de tambores) com espaço para roda de capoeira, loja de artesanato e posto de informações turísticas, ocas indígenas e o Muxima de Palmares (coração de Palmares), todos em formato de pau-a-pique, cobertura vegetal e madeira de eucalipto alto clavado.

Para favorecer a contemplação, existem placas de sinalização que facilitam o deslocamento dos visitantes, além de textos interpretados em quatro idiomas (português, inglês, espanhol e italiano) instalados em pontos estratégicos com um sistema inédito de áudio. Dentre os artistas nacionais consagrados que emprestaram suas vozes para a locução estão: Carlinhos Brow no Espaço Zumbi: "Palmares é resistência e luta pela liberdade"; Chica Xavier no "Espaço Acotirene: uma saudação aos orixás"; Djavan no "Espaço Caá-puêra: dançando, comendo e bebendo"; Leci Brandão no "Espaço Quilombo: a saga de palmares"; Tony Tornado no "Espaço Ganga-Zumba: Palmares é uma nação"; e no "Espaço Aqualtune: reflexão, meditação e oferendas" com música interpretada por Leila Pinheiro e arranjos do maestro Almir Medeiros.

* Jornalista (1102 – MTE/AL) e Assessora de Imprensa
Contatos: (82) 8831-3231 / helciane.angelica@gmail.com

Veja a programação completa da " Celebração do 20 de novembro em Alagoas" e outras informações no site: http://www.quilombodospalmares.org.br

A Capoeira e o Estado Novo – 70 anos de (re)encontros

A historiografia da Capoeira acaba de reencontrar novos documentos para pesquisas e análises: Há exatos 70 anos (1937) foi publicado no Rio de Janeiro a obra intitulada Defesa Pessoal – Método Eclético – Contendo todos os regulamentos dos diversos esportes de ´´ring“.

De autoria do 1º Tenente Waldemar de Lima e Silva, com a colaboração do Sargento Ajudante Alberto Latorre da Faria, ambos membros da E. E. F. E. – Escola de Educação Física do Exército, esta obra contém diversas FOTOS e textos explicativos de golpes extraídos das várias modalidade de lutas existentes no período, bem como apresenta regulamentos desses ´´esportes“ (o da Capoeira é o criado por Annibal Burlamaqui – Zuma – obra citada na bibliografia).

No que tange a nossa Capoeira, ou Capoeiragem (como às vezes aparece no texto), esta não foi posto de lado, ao contrário. Apesar do número resumindo de golpes e de não apresentar uma preocupação com outros aspectos (cultura, história, etc.), a obra de caráter exclusivamente didático, voltado à defesa pessoal, se faz importante por apresentar subsídios para compreendermos a importância da Capoeira na época e a sua utilização pela Doutrina Nacionalista da Era Vargas. Esta influência já podia ser vista desde a revolução de 1930 que deu fim à Primeira República.

O curioso é que mesmo não sendo, das artes, a mais contemplada com golpes (fotos), foi exatamente a Capoeira utilizada para ilustrar a apresentação da capa (no nosso modo de entender o famoso vôo do morcego). Tirem as suas conclusões.

Após a aquisição do livro e de posse das informações nele contidas nossas pesquisas nos levaram a descoberta de novos documentos (artigos) apresentados na Revista de Educação Física, publicação de divulgação científica do Exército Brasileiro, que conforme descrito no seu site é o periódico nacional mais antigo da área de Educação Física, com a sua primeira edição datando de 1932. Verificamos que diversos artigos desta Revista, foram utilizados na confecção do livro, existindo até uma matéria anunciando sua publicação. (Defesa Pessoal -1937 agosto).

Quanto a Revista de Educação Física vale ressaltar os artigos escritos tendo a Capoeira como objeto (anos de 48 e 64) e outros onde a mesma é citada (Vale Tudo 1955).

Podemos observar claramente que dependendo de quem fala, da época e dos interesses a Capoeira assume os mais variados aspectos: de esporte nacional a condição de difícil e imprópria, e de fugir completamente às nossas tendências naturais.

A Capoeira e o Estado Novo

Ao pesquisar sobre os autores encontramos a citação de outra obra, que ao que tudo parece seja uma reedição do livro de 37, publicado pela Briguiet em 1951. Seria interessante comparar estas as duas edições para visualizarmos possíveis diferenças (inclusão e/ou exclusão) de golpes, fotos etc.

Para ver os artigos sobre o livro e sobre a Capoeira entrar no site da Revista de Educação Física: http://www.revistadeeducacaofisica.com.br, ir ao índice e procurar por assuntos/lutas.

 

Texto e Fotos Acervo: Joel Alves Bezerra – Grupo Atitude de Capoeira – Fortaleza – Ceará

jab@fortalnet.com.br

Crônica: A capoeira em roda de besouro

Há pouco mais de um mês estive na casa de João das Neves e da cantora Titane em Lagoa Santa, Minas Gerais. Naquela agradável noite a conversa só não foi mais esticada porque ele estava de saída para fazer um trabalho no Vale do Jequitinhonha. Ele me contou da satisfação de estar fazendo a direção do musical Besouro Cordão de Ouro, de Paulo César Pinheiro, com um grande elenco e coordenação de capoeira dos mestres Casquinha e Camisa. Adiantou-me que talvez viesse ao Ceará com o espetáculo. Fiquei na expectativa de que tudo desse certo. Afinal, tratava-se da história de um lendário capoeira levada para o teatro por dois admiráveis artistas brasileiros.

De Confins a Fortaleza uma música não me saia da cabeça. Era ´Pesadelo´, de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós. Há anos que não há escuto, mas durante uma boa fase da minha vida essa composição foi uma grande companheira das minhas reflexões. Ainda hoje guardo o álbum duplo ´O Banquete dos Mendigos´ feito pelo compositor Jards Macalé e o disco ´Passarinho Urbano´, da cantora Joyce, ambos lançados na década de 1970 e que têm em seus repertórios essa bela canção de Paulo César Pinheiro a falar de muros que separam e pontes que unem, em pleno ocaso da ditadura militar.

O trecho da canção que insistia na minha lembrança dizia assim: ´Você nem me agarra / alguém vem me solta / Você vai na marra / Ela um dia volta / E se a força é tua / Ela um dia é nossa´. Uma canção que nem faz parte da peça, pois, tirando ´Lapinha´ todas as músicas do espetáculo foram preparadas especialmente para esse musical de sublimação da capoeira. O que aquela canção talvez estivesse me dizendo era como faz bem olhar as movimentações da vida no jogo do tempo. Besouro Cordão de Ouro, ou Besouro Mangangá, era em seu tempo um marginal e, hoje, uma curiosa figura da nossa galeria cultural.

Quando dei por mim o musical estava no Centro Dragão do Mar, dentro da programação do Circuito Cultural Banco do Brasil. Foram duas apresentações, feitas no sábado e no domingo passados. João das Neves montou uma inusitada instalação na área de baixo do planetário, com lonas e caixotes de madeira e um túnel com teto de pequenos cataventos ligando o palco ao saguão improvisado como entrada, por onde o público passava sugestivamente pelo velório do Besouro Mangangá. A configuração se completava com grandes painéis de citações musicais contornando o espaço da roda de capoeira.

O caixão do defunto, revestido com imagens de santos e fundo de espelho, mostrava a cara de Besouro que há em cada um de nós. O itinerário ritualizava a acolhida, reconstituindo referenciais sem dar o tom de coisa do passado. A história ia sendo contada naturalmente pelo excelente elenco de atores, dançarinos, músicos e cantores, enquanto vivenciávamos o acontecido. Todos éramos atores e platéia, sentados em círculo nas almofadas soltas, dentro de cestos e em cadeiras cobertas de preto. O teatro de João das Neves permite que o palco seja de todos.

Estávamos na mesma cumbuca, na mesma roda, no mesmo jogo animado com berimbau, pandeiro, tambores, cavaquinho e violão. Alanzinho, Anna Paula, Cridemar, Gilberto (Labório), Iléa, Letícia, Raphael, Sérgio Pererê, Victor (Lobisomem), William e Wilson contaram e cantaram os feitos de Besouro. Na apresentação de Fortaleza Maurício Tizumba, do grupo Tambo-le-lê, foi substituído pelo próprio João das Neves. A dinâmica desse teatro facilita a alternância de contadores, embora João, na simplicidade dos grandes, tenha comentado para mim logo depois: ´Você precisava ter visto essa parte feita pelo Tizumba´.

João das Neves vem do teatro de rua do Centro Popular de Cultura da UNE e do teatro de protesto praticado nos anos 1960 pelo Grupo Opinião, do qual foi um dos fundadores. É um diretor que cruza décadas sem arredar pé do compromisso de dar dignidade à arte brasileira. Com o espetáculo Besouro Cordão de Ouro ele contribui para pôr a capoeira na roda, seguindo a sina de produzir reflexões sobre as contradições da sociedade brasileira. A capoeira é uma expressão original de interpenetração cultural da porção de brasilidade que veio das gentes africanas.

A palavra capoeira significa espaço da mata que foi queimado para cultivo da terra. Foi em descampados assim que negros, caboclos, cafuzos e mulatos desenvolveram os golpes de defesa disfarçados de dança que, genialmente simplificados, conseguiram ser transmitidos por gerações e, mesmo ainda muito aquém do seu potencial, já fazem parte da paisagem mental brasileira. Reconhecida por ser uma manifestação marcial com ginga diretamente associada à pegada rítmica do berimbau e por ser um sofisticado diálogo de corpos, a capoeira é uma arte de convivência, na qual os participantes se revezam no jogo, com respeito e senso de reciprocidade.

Trabalhos como esse de Paulo César Pinheiro e João das Neves dão maior importância à capoeira por contribuírem para reforçar sua inscrição no que somos e temos de valores comuns. O musical Besouro Cordão de Ouro põe na roda a oportunidade de usufruirmos da capoeira como usufruímos da feijoada. Não se trata de uma expressão que representa outra, nem de representação do que passou, mas da expressão em si e sua confirmação como dimensão poética, ritual, coreográfica e marcial do cotidiano, na interlocução com a memória e a história do Brasil.

Besouro Mangangá nasceu em Santo Amaro, na Bahia das últimas décadas do século XIX, e morreu nas primeiras décadas do século XX, quando a capoeira ainda era proibida. Suas façanhas estão citadas na literatura, na música e, sobretudo, na cultura oral. Chegou ao mundo poucos anos antes da abolição da escravidão e viveu exatamente no período em que a elite colonial resistia à integração dos escravos à sociedade. O apelido de besouro foi uma atribuição do imaginário popular ao fato de Manoel Henrique Pereira ter o dom de desaparecer, de sair voando, quando a encrenca ameaçava seu corpo fechado para facas e balas. Mas não era um besouro qualquer, era Besouro Mangangá, o temido marimbondo de picada venenosa e dolorida.

Muitas histórias são atribuídas a Besouro, especialmente aquelas que exaltam a importância da capoeira como uma manifestação que veio da sobrevivência. A peça conta que ele era um grande escuneiro, conhecedor dos ventos e das marés. Foi assassinado covardemente pelas costas num ataque de faca da palmeira Ticum. Ele teria chegado a colocar as tripas para dentro do bucho e navegar até um pronto-socorro, mas acabou morrendo. Parece que só tinha 24 anos, ninguém sabe ao certo. Tomava partido dos fracos contra os donos de engenhos e batia nos policiais que prendiam seus amigos.

As tiradas de sambas e chulas de Mangangá misturaram-se ao cancioneiro nacional. Sucessos carnavalescos como Fita Amarela, de Noel Rosa (1910 – 1980) teriam sido inspirados em um tema de batucada sugerido por Almirante (1908 – 1980) e que dizia mais ou menos assim: ´Quando eu morrer / não quero choro nem nada / só quero ouvir o samba / rompendo a madrugada´. Esses versos, atribuídos a Besouro, também serviram de base para a composição de Lapinha, música de Paulo César Pinheiro e Baden Powell que dá o tom da peça dirigida por João das Neves.

Besouro Cordão de Ouro é uma obra com muitas teses. Por alguns instantes, durante o espetáculo, cheguei a recordar da música que me acompanhara no avião: ´O muro caiu olha a ponte da liberdade guardiã´. Se ela veio à minha memória sem ser chamada, com a intenção de me ajudar a sentir o musical, acho que fez muito bem.

www.flaviopaiva.com.br
flaviopaiva@fortalnet.com.br

Sistema Verdes Mares – http://verdesmares.globo.com

Aracaju e São Luis recebem oficina do Prêmio Capoeira Viva 2007 nos dias 19 e 20

A Representação Regional Nordeste do Ministério da Cultura (RR/NE MinC) está realizando oficinas gratuitas de capacitação e estímulo à participação no Prêmio Capoeira Viva 2007 nas capitais do Nordeste. Na próxima segunda (19), a oficina de capacitação para participar do Prêmio Capoeira Viva acontece em Aracaju (SE), e no dia seguinte (20), em São Luis (MA). A capacitação é destinada a capoeiristas, mestres, contra-mestres, pesquisadores, gestores públicos, produtores culturais organizações não-governamentais, pontos de cultura, instituições culturais sem fins lucrativos e demais interessados no edital.
 

Em Aracaju (SE), a oficina será ministrada por Mauro Lira (RR/NE MinC). A atividade acontece das 14h às 17h, no Centro de Criatividade Gov. João Alves – Rua Saturnino de Brito, s/n, Bairro Getúlio Vargas. Em São Luís (MA), a oficina será ministrada por Vinicius Pacheco, assessor do Secretário Executivo do MinC, Juca Ferreira. A atividade acontece das 14h às 17h, na Casa da Festa no Auditório Rosa Mochel – Rua Giz, 221, Centro.

 

Já foram realizadas capacitações sobre o edital no Recife (PE), João Pessoa (PB), Teresina (PI), Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Natal (RN). A caravana termina no próximo dia 26, em Maceió (AL).

 

O edital Capoeira Viva, que está na segunda edição, foi idealizado pelo Ministério da Cultura (MinC), e está sendo promovido pela Fundação Gregório de Mattos (BA) com patrocínio da Petrobrás. O objetivo do edital é fomentar políticas públicas para a valorização e promoção da capoeira como bem constituinte do patrimônio cultural brasileiro. O valor total da premiação será de até R$ 1, 2 milhão, a ser distribuído de acordo com os critérios estabelecidos pela comissão de avaliação. As inscrições vão até 17 de dezembro.

 

Podem concorrer as premiações indivíduos e organizações e instituições sem fins lucrativos com propostas de projetos sócio-educativos; centros de referência; estudos, pesquisas, inventários e documentação; e produção, difusão e registro por meio de mídias e suportes digitais, eletrônicos e audiovisuais, incluindo filmes, vídeos, exposições, instalações, sítios, portais e jogos eletrônicos, software livre e produtos correlatos. O edital está disponível na página www.capoeiraviva.org.br.

 

Outras informações podem ser obtidas na RR/NE MinC pelo telefone (81) 3224-5562. Contatos locais: Aracaju: (79) 3179-1930 | 8811-4957 e São Luis: (98) 3218-9910 (ramal 243) | 8843-0200

 

Ascom RR/NE MinC

Às vezes lhe chamam de negro, mas sempre lhe chamam de Mestre

No meio da roda o berimbau. Num lado do palco os mestres Sergipe e Zulu, de quem recebeu as primeiras lições na capoeira. No outro extremo, Jorge e Danilo, mestres que formou. Ao centro, Luiz Renato Vieira comemora o seu Jubileu de Pérola na Capoeira. Três gerações de capoeira se encontram num momento ímpar de solidariedade, regido pelo toque litúrgico do gunga. Os mestres Cláudio Danadinho, Skysito, Falcão, e Onça, Léo, Abdias e tantos outros estão lá estão lá para dar o abraço cordial. É festa no Anfiteatro 9 da Universidade de Brasília.

É não é para menos. Na presença de amigos, mestres, alunos, camaradas, Renato comemora os seus 30 anos de capoeira e recebe o título de Mestre Dignificador. A corda vermelha dá lugar à branca, a distinção máxima do grupo Beribazu, que ele ajudou a construir ao lado do Mestre Zulu, hoje dirigente do Centro Ideário Capoeira.

No intervalo da bela cerimônia, a delegação de Joinvile mostra o seu balé de capoeira, reproduzindo o “diálogo de corpos” ao qual se referiu Pastinha. Os artistas saem do chão como se fossem personagens das telas do Carybé ou da prosa de Dias Gomes: o incrível bailado da capoeira. Enquanto assiste a bela coreografia, Renato viaja no tempo e se lembra das primeiras lições, nas rodas de capoeira de Curitiba, comandadas por Mestre Sergipe. E das aulas do Zulu, na antiga academia Beribazu da Asa Norte, em de Brasíliaem Sobradinho, no campus da UnB.

O olhar se dirige a platéia e lá ele vê os inúmeros alunos e amigos com os quais convive há três décadas. O que, para Renato, é o único patrimônio que a capoeira lhe proporcionou. E ele comemora. “Quis muito que esse ciclo de trinta anos fosse marcado com um encontro com amigos. Desejei que a biografia, que o relato do que foi feito, jogado, escrito, cantado, aprendido ou ensinado, aparecesse apenas como elemento coadjuvante de uma história que nada seria sem as amizades que foram construídas.”, afirma o autor de “O jogo da capoeira” e de tantas outras teses que enriquecem a fértil produção acadêmica sobre capoeira.

E para quem aprendeu a dar rasteira no preconceito e na adversidade, a vida segue fluindo como no ritmo nostálgico de uma ladainha: às vezes lhe chamam de negro, mas sempre lhe chamam de mestre.


Luiz Renato Vieira

Mestre Luiz Renato é Sociólogo, Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, Mestre em Sociologia e Doutor em Sociologia da Cultura pela Universidade de Brasília/Universidade de Paris I – Sorbonne. Um dos pioneiros nos estudos acadêmicos sobre a capoeira, defendeu tese, em 1989, intitulada: “Da Vadiação à Capoeira Regional: uma interpretação da modernização cultural no Brasi”l, em que aborda as relações entre a capoeira e o Estado na Era Vargas. Como professor universitário de sociologia e ciência política, atuou em diversas instituições. Foi docente do Curso de Especialização em Capoeira na Escola da Faculdade de Educação Física da UnB. Ministra aulas de capoeira desde 1981. Ensinou a luta brasileira na França e em outros países da Europa, em aulas regulares e workshops. É Consultor Legislativo do Senado Federal, admitido por concurso público, na área de assistência social e minorias. Autor do livro: “O Jogo da Capoeira: corpo e cultura popular no Brasil”, (Ed. Sprint, Rio de Janeiro, 1996), possui diversos trabalhos sobre capoeira publicados em livros, revistas científicas nas áreas de ciências humanas e educação física e também em periódicos voltados para o público praticante da luta. Mestre Luiz Renato é autor de cantigas de capoeira gravadas em diversos discos de vinil e CD’s. Desde 1990, atua no Centro de Capoeira, um projeto comunitário da UnB dedicado ao ensino prático e à pesquisa da arte-luta brasileira. Desse Centro, formaram-se outros núcleos atualmente instalados em Brasília, em outras localidades do nosso país e no exterior. Além das aulas que ministra regularmente no Centro de Capoeira, Luiz Renato dedica-se, atualmente, ao estudo das políticas públicas relacionadas à capoeira e é membro do Conselho de Mestres do projeto Capoeira Viva, criado pelo Ministério da Cultura.

(*) o autor é aluno de Luiz Renato Vieira no Centro de Capoeira da UnB.

II Mosaico Integrado de Capoeira em Florianópolis

Evento inicia quinta-feira, 15 de novembro e vai até domingo, 18.

A partir do dia 15 de novembro, quinta-feira, Florianópolis recebe o II Mosaico Integrado de Capoeira, o II MIC. Serão realizadas oficinas, rodas, espetáculos e outros eventos ligados à capoeira. O evento acontece durante quatro dias, até domingo, 18 de novembro, e conta com atividades em diversos locais da cidade. O Teatro da UFSC (ao lado da Igrejinha) recebe, no dia 17, sábado, um Show Cultural, com apresentações de capoeira, maculelê etc, além da graduação e formatura integrada. As atividades são gratuitas e abertas ao público. Veja a programação completa mais abaixo.

Segundo um dos coordenadores do evento, professor Luiz Falcão, do Centro de Desportos da UFSC, a realização do II MIC, em Florianópolis, consolida o processo de integração que vem sendo implementado por diversos grupos de capoeira da cidade. O evento mobiliza um expressivo número de praticantes de capoeira e contribui para democratização das relações entre grupos, abrindo possibilidades para novas formas de integração cultural.

O II MIC busca promover a integração e o intercâmbio entre praticantes de capoeira de diversos grupos, no sentido de contribuir com o processo de democratização e socialização do conhecimento produzido em relação a esta manifestação da cultura afro-brasileira. O potencial educacional do evento pode ser verificado a partir de ações de organização coletiva, colaboração, tolerância e solidariedade, tão necessárias para a realização de atividades com essas características

Participam da coordenação dos trabalhos o Projeto de Extensão Capoeira Beribazu da UFSC e integrantes dos Grupos Gunganagô e Cordão de Ouro.

O Grupo de Capoeira Beribazu

O Grupo de Capoeira Beribazu foi fundado em 11 de agosto de 1972, no Distrito Federal pelo Mestre Zulu. Atualmente possui núcleos espalhados pelo país e em diversas regiões do mundo. A estimativa é de que o Grupo Beribazu tenha hoje cerca de 2.000 integrantes. Em Florianópolis, o mestre do grupo é o professor Dr. Luiz Falcão, do Centro de Desportos da UFSC.

O Grupo Beribazu tem como lema o binômio "Arte-Luta" e procura elaborar uma síntese que busca a superação da divisão: Capoeira Angola e a Capoeira Regional, procurando difundir a capoeira da forma mais abrangente possível, através da análise crítica dos seus valores histórico-culturais.

O Grupo Cordão de Ouro

O Grupo Cordão de Ouro foi fundado em 1967 por Mestre Suassuna, em São Paulo. É um dos grupos de capoeira mais antigos do mundo. Esse ano completa 40 anos de existência. Tem núcleos em vários países do mundo e em Florianópolis é coordenado pelo Contramestre Habibis.

O Grupo Gunganagô

O Grupo Gunganagô foi criado em 2006 pelo Mestre Kadu, que reside em Florianópolis desde 1994. Tem trabalhos desenvolvidos em diversos bairros da cidade. Desenvolve uma significativa experiência de capoeira com cegos.

No ano passado, a primeira edição do MIC atraiu um grande público e contou com diversos grupos de Florianópolis, como o Maculelê, Puxada de Rede, Roda de Capoeira, Samba de Roda, Batucada e Orquestra de Berimbau. Durante as apresentações dos grupos locais, cerca de 30 mestres e professores de capoeira de várias regiões do Brasil, convidados para o evento participaram das apresentações.

Este ano, o II Mosaico Integrado de Capoeira será realizado em vários espaços da cidade de Florianópolis, na tentativa de ampliar a integração Universidade/Comunidade. O evento é de natureza intercultural e conta com as seguintes atividades:

– Oficinas – a serem ministradas por mestres e professores convidados de reconhecida competência;
– Rodas de confraternização envolvendo os diferentes grupos de capoeira;

– Espetáculo Cultural

– Cerimônia integrada de batismo, graduação e formatura dos integrantes dos diversos grupos.

SERVIÇO

O QUE: II Mosaico Integrado de Capoeira, com atividades interculturais.

QUANDO: A partir do dia 15 de novembro, quinta-feira, até domingo, dia 18. Os horários da programação estão listados a seguir.

ONDE: Em diversas localidades de Florianópolis. Mais detalhes na programação.
QUANTO: Gratuito e aberto ao público.
CONTATO: Coordenação Geral do evento:
Fones (48) 3234-7558, 9102-7360 (Mestre Falcão), 9101-0144 (Mestre Kadu) e 9111-0994 (Contramestre Habibis). E-mails: falcaox@cds.ufsc.br / mestrekadu@superig.com.br / habibis@uol.com.br

Fonte: Lucas Sarmanho – Bolsista Acadêmico de Jornalismo – Assessoria de Imprensa do DAC-PRCE-UFSC, com informações da organização do evento.

PROGRAMAÇÃO DO II MIC

Dia 15/11 (Quinta-Feira) – feriado

14h00 às 18h00: Batismo Integrado de Capoeira, com a participação dos
capoeiristas da APAE
Local: LAGOA IATE CLUBE – LIC

Dia 16/11 (Sexta-Feira)

15h00 às 17h30: Oficina com mestres e professores convidados
Local: LAGOA IATE CLUBE – LIC

19h00 – Palestra com mestre convidado
Local: Teatro da Igrejinha da UFSC

Dia 17/11 (Sábado)

18h00: Show cultural, Graduação e Formatura Integrada
22h00: Festa de Celebração
Local: Teatro da Igrejinha da UFSC

Dia 18/11 (Domingo)

10h00: IV Festival Cultural Beribazu
Local: Clube Catalina – Campeche

Cerimônia de lançamento do livro Capoeira: jogo atlético brasileiro

C o n v i t e:

Cerimônia de lançamento do livro Capoeira: jogo atlético brasileiro

Capoeira: jogo atlético brasileiro, um livro de corajosa investida na multiplicidade de opiniões sobre a epistemologia da capoeira, o jogo de capoeira e a capoeiragem; embasado no conhecimento de especialistas dos diferentes, porém tautócronos e complementares saberes populares e acadêmicos; apartado da mitificação de ídolos e da mistificação do imaginário popular quanto às origens geográficas, culturais e sociais, trazendo em si uma exposição simples e fidedigna da tradição musical, escrita, gestual e mais alguns relatos por seus ícones maiores.

Capoeira: jogo atlético brasileiro, um livro divulgador, embora pequeno, de algumas das diversas capoeiras que o Brasil e o mundo apresentam.

Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ

Átrio – das 18:30h às 21:30h
Av. Pasteur, 250 – Praia Vermelha – Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Ao lado do Instituto Philippe Pinel. Em frente ao Iate Clube do Brasil.
Próximo aos Shoppings Rio Sul e Rio Plaza e Casa de Shows Canecão.
Entrar pela Av Venceslau Brás 71 (UFRJ)

Capoeira: jogo atlético brasileiro – Professor Joel Pires Marques

www.capoeirajogoatletico.com

Notícias “vermelhas” invadem o universo da capoeiragem…

Logo pela manhã ao ler os e-mails me deparo com uma notícia que me chocou: "Mestre de capoeira é morto no Jacintinho. Azul recebeu três tiros" – minha primeira reação foi de susto… e rapidamente fui a fonte para ler a notícia na íntegra… Infelizmente o crime aconteceu e teve como vitima fatal um jovem capoeirista de 22 anos!!!

Vamos refletir sobre o tamanho do sensacionalismo da notícia… que apesar de triste e muita dura para os familiares e amigos, deve ser vista também pelo prisma da capoeiragem e da ética dentro da ginga da informação… e desta forma a informação passada através do artigo publicado no jornal Alagoano: Alagoas 24 horas, fere a ética e a camaradagem da capoeira… (não existem mestres com 22 anos de idade e não devemos ter o conceito de rivais na capoeira e sim parceiros)

O Jornal se faz valer do testemunho do irmão e de um amigo da vitima, ambos fragilizados, para gerar um clima sensacionalista e infundado!!!

É preciso tratar a nossa cultura e a nossa arte-luta com seriedade e respeito!

Desejamos aos amigos e familiares os mais sinceros sentimentos…

Segue matéria para vossa apreciação e reflexão:

Mestre de capoeira é morto no Jacintinho. Azul recebeu três tiros
Alagoas24horas

Mestre de capoeira foi morto em pleno parque de diversão

O mestre de capoeira Leilton Santos Oliveira 22 anos, mais conhecido como “azul”, foi morto agora há pouco no Conjunto José da Silva Peixoto no Jacintinho. Em meio a uma grande movimentação em função das atividades um parque de diversão, dois homens se aproximaram de Leilton e dispararam três tiros, o capoeirista do grupo Candeia, teve morte imediata.

A prima Simone Santos Duarte Oliveira 22 anos, que estava com ele no momento do assassinato não falou sobre o assunto, mas o irmão, Alexsandro Oliveira Marcelino, 29 anos, disse que o irmão era usuário de craque, e que tinha recebido conselhos para que deixasse o mundo das drogas, “Ele disse uma vez, que estava sendo ameaçado por uma pessoa chamada Thiago”, declarou.

Outra versão para o caso, está relacionada a atividade de Leilton, segundo Rossine Carvalho Dantas, 22 anos, amigo de Leilton, o crime pode ter relação com a capoeira, “O azul era um cara muito tranqüilo, mas ele viajava muito para outros Estados com a capoeira, os outros integrantes do grupo Muzenza, ficavam com ciúmes”, disse. Muzenza, é outro grupo de capoeira, que segundo informações, é rival do Candeia.

Integrantes do Muzenza, foram procurados pela nossa repotagem para falar sobre o assunto, mas não foram encontrados, o Sargento Ribeiro da RP, esteve no local, para os primeiros levantamentos.

Fonte: http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/index.asp?vEditoria=&vCod=37582