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Dezembro 2007

Vendo Artigos de: Dezembro , 2007

Senador propõe que prática de capoeira, recomendada por médico, seja deduzida do Imposto de Renda

Brasil: Papaléo propõe que prática de exercício físico recomendado por médico seja deduzida do Imposto de Renda
Despesas com aulas de natação, dança, capoeira, ioga e artes marciais poderão ser deduzidas do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) caso sejam recomendadas por médico como tratamento de saúde. Essa é a proposta de projeto de lei (PLS 340/07) de autoria do senador Papaléo Paes (PSDB-AP) que está pronto para ser votado em decisão terminativa na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O relator é o senador Neuto de Conto (PMDB-SC), que já entregou minuta de relatório favorável ao projeto.

A proposta inclui nas deduções do Imposto de Renda os pagamentos efetuados para professores de educação física, academias de atividade físicas, desportivas, ou de natação, escolas de esportes, academias de dança, de capoeira, de ioga ou de artes marciais, mas apenas quando a atividade for indicada em laudo médico, após diagnóstico.

Na justificativa do projeto, Papaléo afirma que tais atividades físicas, ao lado da fisioterapia, vêm sendo usadas como complemento de tratamentos médicos. O senador ressalta que o objeto da proposta é "o exercício físico ministrado sobre orientação profissional por expressa recomendação médica, como terapia integrante de um tratamento claramente definido em laudo".

Atualmente, despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais, exames laboratoriais, serviços radiológicos e próteses e aparelhos ortopédicos e dentários podem ser deduzidas, bem como a maioria das despesas com educação.

Fonte: Augusto Castro / Agência Senado – http://www.senado.gov.br

Rio Grande/RS: Projeto “Jogando Capoeira”

Projeto "Jogando Capoeira" contempla jovens no BGV

Os jovens de 5 a 17 anos do bairro Getúlio Vargas (BGV) estão aprendendo a arte da capoeira levando os estudos a sério. Trata-se do projeto "Jogando Capoeira", que é executado no bairro pelo mestre Saci e o monitor Setenta. O projeto é gratuito e conta com 25 alunos.

O mestre Saci comentou que o projeto dá oportunidade dos jovens se integrarem com a comunidade através do esporte, além do conhecimento de uma nova cultura.

Este é o primeiro ano do projeto no BGV, em anos anteriores, o projeto foi executado em outros bairros da cidade. Para 2008, o projeto deve ser executado no bairro Dom Bosquinho. Atualmente, no bairro Getúlio Vargas, o projeto conta com 25 alunos, devido ao espaço que foi cedido pelo presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Getúlio Vargas, José Assis da Luz.

As aulas acontecem às terças e quintas-feiras e junto com elas são oferecidas oficinas de berimbau e atabaque – instrumentos tocados quando o esporte é praticado. Como forma de incentivo aos estudos, os coordenadores prometeram um berimbau aos jovens que apresentassem nota dez em todas as matérias da escola.

"A capoeira é uma maneira de ajudar as crianças a praticarem um esporte, resgatando-as de algumas coisas negativas que jovens nessa idade podem se envolver", disse o mestre Saci, que tem 21 anos de capoeira e é mestre há dois anos. O mestre completou dizendo que não é cobrado nada para os jovens interessados, mas a presença dos pais é solicitada. "Cobramos apenas a presença dos pais, que é o maior incentivo que esses jovens podem ter", encerrou Saci.

Atualmente, o projeto "Jogando Capoeira" tem suas aulas ministradas na rua Mariano Espíndola (antiga rua 6), 196, no BGV.
Os telefones de contato do projeto são (53) 9959-5091 e 8406-1377.

Fonte: Jornal Agora – José Finkler – http://www.jornalagora.com.br

História Teatral da Capoeira em evento inédito em Taubaté

Imagine os "Montéquio" disputando com os "Capuleto" em uma roda de capoeira… Romeu e Julieta ao som de berimbaus… Rei Lear… ou Hamlet questionando a existência…uma cabaça nas mãos – "Ser ou não ser capoeirista…".

Surgida entre os escravos como um grito de liberdade, a Capoeira serviu durante muito tempo como um instrumento de luta para este povo. O berimbau ditava o ritmo do jogo e anunciava a hora de transformar a luta em dança.

A verdadeira e fascinante história da Capoeira, desde os primórdios até os dias atuais, será contada através do teatro no evento "Ginga Brasil Show", que ocorrerá às 19h desta sexta-feira, dia 21 de dezembro, no Teatro Metrópole em Taubaté.

O evento será promovido em comemoração aos 30 anos da Ginga Brasil em Taubaté. Alunos e instrutores mostrarão através da arte do Teatro, uma verdadeira aula de Capoeira. Os ingressos antecipados podem ser adquiridos com os profissionais na própria academia ou na Academia Corpore Sosa.

A Ginga Brasil fica na rua Professor Cesídio Ambrogi, 121, Independência.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: 3023-2200 ou no site – http://www.agingabrasil.com

Fonte: Diário de Taubaté – http://www.diariotaubate.com.br

Capoeiristas de Araucária se destacam no Brasileiro

Atletas se classificam para o Mundial

A equipe de capoeira da Prefeitura de Araucária, treinada pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, competiu nos dias 14, 15 e 16 de dezembro, o Campeonato Brasileiro de Capoeira em Vitória (ES), que foi uma seletiva para o Campeonato Mundial de Capoeira.

Araucária foi representada por quatro atletas e um técnico. Os quatro atletas: Marcelo Isaias Sampaio (Professor Canarinho), Everton Pereira de Oliveira (Grilo), Ludmila G. Pinheiro e Diego Henrique da Silva (Esquilo), que também compõem a equipe da Federação Paranaense de Capoeira, foram campeões por equipe.

Na categoria de dupla, os atletas Canarinho e Grilo foram vice-campeões. Na categoria individual adulto (peso médio) o capoeirista Grilo foi campeão e na categoria individual adulto (meio pesado) o atleta Canarinho ficou com o vice-campeonato. O torneio reuniu aproximadamente 430 atletas de diversas federações do país. Devido ao excelente resultado na Seletiva, os araucarienses estarão representando não somente o município, mas o país.

De acordo com o técnico da equipe de Araucária, Piero F. Rosa (Pirata), “estamos bem preparados para o mundial, apesar do nível da competição ser muito alto. Esperamos que eles se saiam bem nas disputas dos títulos, pois a qualidade técnica deles é muito boa”, afirma.

O Campeonato Mundial de Capoeira será realizado nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2008, em São Paulo (SP).

 

Fonte: http://www.bemparana.com.br/

Capoeira sitiada: consulado mexicano nega visto a mestres brasileiros

 

A capoeira cruzou o Pacífico, o Atlântico e o Índico. A beleza dessa luta-dança-arte brasileira cruzou os quatro cantos do planeta e hoje é praticada por todos os povos, raças, credos e etnias. Mas talvez alguns circuitos diplomáticos se esqueçam de que ela é afro-brasileira e que a sua internacionalização só foi possível devido ao trabalho perseverante de milhares de capoeiristas que deixaram o Brasil para ensiná-la no exterior. É o que parece estar ocorrendo com o consulado do México em São Paulo.

Convidado pelos instrutores de capoeira mexicanos do grupo que coordeno, programei uma viagem para o México, a fim de participar de evento de intercâmbio em janeiro de 2008. Assim o fiz nos últimos anos, uma vez que temos núcleos no Brasil, México, Estados Unidos e França. No México, em particular, já estive quatro vezes anteriormente. Desta feita, integraria uma comitiva formada pelos camaradas Mestre Plínio (Angoleiro Sim Sinhô), Mestre Cigano (Liberdade dos Palmares, EUA), Contramestre Monise (Capoeira Berim Brasil) e Professor Busca Longe (Muzenza, SP).

No entanto, muitos de nós estamos impedidos de entrar no território mexicano, pois não dispomos de cartão de crédito internacional com limite alto e imóvel registrado em nome próprio, como exigem as autoridades de imigração daquela nação latino-americana. Somos arte-educadores de Capoeira, que no Brasil ainda não tem, infelizmente, o reconhecimento devido. Por isso, a maioria de nossos mestres, proletarizados, não têm propriedades em Cancun, onde possam gozar as férias, tampouco reservas cambiais para entrarem em outros países como cobiçados turistas.

Embora sejamos profissionais com ampla experiência internacional, isso não foi suficiente para obtermos o visto de entrada neste país, mesmo que na condição de convidados de cidadãos mexicanos. Episódio estranho esse, pois a capoeira foi tão bem acolhida por “nuestros hermanos”. Embora respeitemos o soberano direito das nações controlarem a imigração ilegal, lamentamos a inflexibilidade destes procedimentos de obtenção de visto que ora nos impede de exercer o tão saudável e importante intercâmbio cultural entre duas nações que nutrem relações políticas, comerciais e culturais de larga envergadura.

Resta, a nós, evocar a sensibilidade das autoridades mexicanas em nosso país para rever procedimento tão ortodoxo. E ao Itamaraty para que convença seus pares no mundo diplomático, de que a Volta do Mundo da Capoeira é irreversível.

Saludos cordiales!

 

 

 

Wellington Nelson Fernandes

Cidadão Brasileiro, nascido em 1969, mestre de Capoeira e arte-educador
Presidente do grupo de capoeira Berim Brasil Internacional

Rondônia: Capoeiristas realizam encontro beneficiente

PORTO VELHO – Mais de 150 capoeiristas participaram do 1º Encontro de Capoeira de Rondônia. O objetivo foi arrecadar alimentos para ajudar crianças carentes em Rolim de Moura. Ao som do berimbau os participantes se revezavam na roda. No final da apresentação todos lutaram entre si.

O grupo memória capoeira chegou há pouco tempo em Rolim de Moura, e vem conquistando adeptos. Alguns alunos já passaram pela troca de cordão, uma espécie de ‘graduação’ que reconhece o progresso de cada aluno. A atividade independe de idade e sexo.

Herança africana

A capoeira é uma mistura de esporte, luta, dança, cultura popular e música, caracterizada por movimentos ágeis que exigem habilidade. Foi desenvolvida por escravos africanos trazidos ao Brasil, e se caracteriza por movimentos ágeis e complicados, feitos com frequência junto ao chão ou de cabeça para baixo, tendo por vezes uma forte componente ginástico-acrobático.

http://portalamazonia.globo.com/

     
Fonte: ESPORTE/RO – RC 

Edison Carneiro: BERIMBAU

Tão pouco se sabia do berimbau, fora da cidade do Salvador, que, no meu livro Religiões negras, 1936, achei conveniente dar uma descrição dele, em que o relacionava ao humbo e ao rucumbo de Angola, com a fotografia de um grupo de instrumentistas em ação numa roda de capoeira. Anotei, na ocasião, os sinônimos gunga e berimbau-de-barriga. Não preciso reproduzir agoraas palavras de há trinta anos. Quem, neste país, a esta altura do século, ainda não viu um berimbau?

O vocábulo era conhecido, mas prestava-se a confusões, pois designa, em geral, um instrumento aerofone, presente em todos os continentes, trazido para o Brasil pelos portugueses. Mário de Andrade se ocupou largamente dele. Os dicionários o registravam, e registram, nesta acepção. Por exemplo, o Pequeno dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, reimpressão de 1968, ensina: "Pequeno instrumento sonoro de ferro, que se toca segurando-o nos dentes e acionando a lingueta com o dedo indicador." Trata-se do berimbau-de-boca, variedade portuguesa, o mesmo com que, segundo Fernão Cardim, o irmão Barnabé alegrou o Natal dos jesuítas em fins do século XVI. Esse berimbau vivia, e vive, numa quadra jocosa:

Sua mãe é uma coruja
Que mora no oco do pau
Seu pai é um nego véio
Tocador de berimbau

e numa réplica popular da Bahia — Está pensando que berimbau é gaita? É difícil dizer exatamente como, quando e por que o apelativo de um instrumento aerofone acabou designando também um instrumento cordofone, tão diverso na sua estrutura e na sua função.

Chamando-o berimbau-de-barriga, os capoeiras o diferençavam e distinguiam do outro, de boca, e o descreviam melhor. Entretanto, a alternativa preferida parecia ser gunga, forma assumida no Brasil pela palavra angolana hungu, em que o h aspirado, como no exemplo clássico Dahomé / Dagomé, se transformou em g. É como gunga que ao berimbau se referem, como já acontecia na ocasião, muitas chulas de capoeira.

Eram escassas, antes de 1936, as menções ao berimbau.

1 – Em A Bahia de outrora, 1916, Manuel Querino o descreveu como "instrumento composto de um arco de madeira flexível, preso às extremidades por uma corda de arame fino", a que estaria ligada "uma cabacinha" ou uma moeda de cobre; o tocador o segurava com a mão esquerda e tinha, na direita, "pequena cesta contendo calhaus", chamada gongo, e um cipó fino, com que "feria a corda, produzindo o som". É possível que gongo, em vez de aplicar-se à cesta que agora chamamos caxxi e outrora era mucaxixi, fosse na verdade uma alternativa de berimbau.
2 – Leonardo Mota (Cantadores, 1921) viu, no morro do Moinho, Fortaleza, um negro octogenário, natural de Itapipoca, fazendo música com o seu berimbau-de-barriga.

3 – Luís da Câmara Cascudo, no ano seguinte, contou, num jornalzinho natalense, haver encontrado na feira do Alecrim "um negro gordo, papudo, velho", tocando um berimbau-de-barriga, descreveu o instrumento e intuiu a sua procedência africana.

4 – Não parece que Nina Rodrigues o tenha visto na Bahia, pelo que se depreende deste trecho de Os africanos no Brasil, publicação póstuma de 1932:

"No Maranhão ouvi em criança dar este nome [marimba] ao rucumbo, instrumentos dos negros angola, consistindo num arco de madeira flexível curvado por um fio grosso que fazem vibrar com os dedos ou com uma vareta. Na parte inferior do arco prendem uma cuia ou cuité que funciona como aparelho de ressonância e, aplicada contra o ventre nu, permite graduar a intensidade das vibrações."
Também Artur Ramos fizera mençãoao berimbau (O folclore negro do Brasil, 1935), mas de modo extremamente confuso. Como Nina Rodrigues, ainda não tivera oportunidade de vê-lo. Terminando a parte referente a instrumentos, escreveu (p.156):

"Restou-me falar no urucungo, também chamado gobo, bucumbumba e berimbau-de-barriga, que é o mesmo rucumbo (…) Hoje está quase desaparecido no Brasil…"

Há, no livro, uma longa citação de Luciano Gallet (Estudos de folclore, 1934) em que se incluem o birimbau (sic), sem qualquer explicação, e com base em Afonso Cláudio, o uricungo (sic), que também teria os nomes de gobo ou bucumbumba, mas este instrumento seria um arco de madeira "retesado por dois ou três fios", com "uma cuia oval" pendurada do centro. Na segunda edição de O negro brasileiro, 1940, Artur Ramos, após citar Religiões negras, reconheceu, novamente, que o berimbau "é o mesmo gobo ou bucumbunga (sic), é o urucungo dos tempos da escravidão, os mesmos rucumbo e humbo…" (p.243, nota). Na mesma página, porém, deixou ficar esta afirmativa da edição anterior, desmentida pelo berimbau:

"Os instrumentos cordofones pertencem a ciclos culturais mais adiantados; por isso os existentes primitivamente no Brasil não parecem ter origem negra, à exceção, talvez, da viola de arame."

Não há como classifcar o berimbau senão como instrumento cordofone. E, se podemos identificá-lo como o humbo e o rucumbo, não há razões válidas para negar sua origem africana.

Falta dizer que a viola de arame (que talvez fosse mesmo, como veremos, o berimbau) foi citada, igualmente sem qualquer explicação, por Luciano Gallet, como instrumento que os negros já usavam no Brasil — ou seja, como instrumento estranho às culturas africanas. Assim, Artur Ramos, não obstante o tenha citado em 1935, não tinha conhecimento direto do berimbau, nem o teve pelo menos até 1940. A área antiga do berimbau (que ainda não tinha este nome) compreendia a Bahia, o Maranhão, Pernambuco e o Rio de Janeiro — cobria exatamente os quatro grandes centros nacionais de distribuição de escravos.

Koster o registrou em Pernambuco, 1816, segundo a tradução de Luís da Câmara Cascudo, como

"um grande arco com uma corda tendo uma meia quenga de coco no meio, ou uma pequena cabaça amarrada. Colocam-na contra o abdômen e tocam a corda com o dedo ou com um pedacinho de pau."

O instrumento, com a cabeça "pendurada" da ponta superior do arco, ainda foi coletado em algum lugar ao norte da Guanabara, em 1937 ou 1938 (Oneida Alvarenga, Música popular brasileira, 1950, fig.1 — urucungo), mas, na forma afinal predominante no Brasil, mantém-se a cabaça amarrada ao arco.

Numa das suas Notas dominicais, datada do Recife, 1817, Tollenare dá, como instrumento musical dos negros, "uma corda de tripa distendida sobre um arco e colocada sobre um cavalete formado por uma cabaça". Não lhe anotou o nome, mas não parece que se chamasse berimbau, pois o parágrafo termina do seguinte modo:
"… não observei se a sua música servia para fazer dançar, e o mesmo digo do berimbau." Este último era o de boca.

Maria Graham (1822) refere, entre os instrumentos que examinou numa fazenda fluminense, do outro lado da baía de Guanabara (Diário de uma viagem ao Brasil, 1824):

"Um é simplesmente composto de um pau torto, uma pequena cabaça vazia e uma só corda de fio de cobre. A boca da cabaça deve ser colocada na pele nua do peito, de modo que as costelas do tocador formam a caixa de ressonância, e a corda é percurtida com um pauzinho."

Designando-o como urucungo, Debret, Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, 1834-1839, fixou-o numa das suas gravuras (prancha 41, negro trovador) com a seguinte explicação:
"Este instrumento se compõe da metade de uma cabaça aderente a um arco formado por uma varinha curva com um fio de latão sobre o qual se bate ligeiramente. Pode-se ao mesmo tempo estudar o instinto musical do tocador que apoia a mão sobre a frente descoberta da cabaça, a fim de obter pela vibração um som mais grave e harmonioso. Este efeito, quando feliz, só pode ser comparado ao som de uma corda de tímpano, pois é obtido batendo-se ligeiramente sobre a corda com uma pequena vareta que se segura entre o indicador e o dedo médio da mão direita."

(Por descuido do tradutor, ligeiramente está por levemente.)

É impossível, por enquanto, estabelecer os motivos pelos quais a área do berimbau se restringiu, finalmente, à Bahia.

Não há a menor dúvida — trata-se de um instrumento originário de Angola. Em outros pontos da África Ocidental, encontram-se instrumentos musicais com a mesma estrutura básica do berimbau — corda, cabaça, arco — mas provém diretamente do humbo e do rucumbo de Angola aquele que agora acompanha o jogo da capoeira.

Sobre o humbo há duas referências do cronista português Ladislau Batalha. Em Angola, Lisboa, 1889, escreveu ele:

"O humbo é o tipo dos instrumentos de corda. Consta geralmente da metade de uma cabaça, oca e bem seca. Furam-na no centro em dois pontos próximos; à parte fazem um arco como de flecha, com a competente corda. Amarram a extremidade do arco, com uma cordinha do mato, à cabaça, por via dos dois orifícios; então, encostando o instrumento à pele do peito, que serve neste caso de caixa sonora, fazem vibrar a corda do arco, por meio de uma palhinha."

Em Costumes angolenses (Lisboa, 1890), há uma menção incidental:

"…um negralhão toca no seu humbo, espécie de guitarra de uma só corda a que o corpo nu do artista serve de caixa sonora."

Os exploradores Capelo e Ivens (De Benguela às terras de Iaca, Lisboa, 1881) fizeram o desenho do berimbau dos bangalas de Angola (I, p.294), enquantoo major Dias de Carvalho (Etnografia e história tradicional dos povos da Lunda, Lisboa, 1890) o desenhou sozinho e com outros instrumentos registrados na sua área de pesquisa (p.370, 379). O major, ao contrário de Capelo e Ivens, que não dizem uma palavra sobre o instrumento, dedicou meia página ao rucumbo, que em nada difere do humbo de Ladislau Batalha, descrevendo a corda como "um fio grosso que [os povos da Lunda] já fazem do seu algodão", de que obtinham sons que "lembram os de uma viola".

Nina Rodrigues, no Maranhão ("um fio grosso"), e Tollenare, em Pernambuco ("uma corda de tripa"), tê-lo-ão visto, portanto, na sua forma orginal.

Segundo informação de Albano de Neves e Souza, de Angola, consultado por Luís da Câmara Cascudo (Folclore do Brasil, 1967), o instrumento, considerado "tipicamente pastoril", continua em uso, com uma área de incidência que atravessa o continente até a costa oriental, recebendo, de acordo com a região, os nomes de hungu e de m’bolumbumba.

E, do Álbum etnográfico de José Redinha (Luanda, sd, p.85), consta, em desenho, "um monocórdio, lucungo, com caixa de ressonância, constituída por um copo de cabaça".

Observe-se que, antes de Manuel Querino, ninguém se referia à moeda de cobre usada pelos capoeiras.

Humbo, rucumbo, hungu e lucungo, nas várias línguas que se falam em Angola, são os étimos de dois sinônimos de berimbau em uso no Brasil — gunga, na Bahia, e urucungo, na região centro-sul. Desde quando o berimbau está associado à capoeira?

Há notícia da capoeira desde a transferência da capital do país da Bahia para o Rio de Janeiro (1763), mas, tratando-se de uma forma de luta pela liberdade, não seria de esperar a presença de instrumento musicais. Estes só apareceriam mais tarde, quando os negros passaram a exercitar-se para embates futuros. Pertence certamente a essa fase a gravura Jogo de capoeira, de Rugendas, Viagem pitoresca através do Brasil, 1835, devendo-se notar, porém, que o único instrumento musical à vista é um tambor, que um negro toca com as mãos, cavalgando-o.

Tudo faz crer que o berimbau, primitivamente, era um instrumento solista — ou, para ser mais exato, uma viola africana, talvez a viola de arame notada por Luciano Gallet. Ladislau Batalha viu nele algo como uma "guitarra" monocórdia, enquanto o major Dias de Carvalho, para quem os sons do berimbau lembravam os de uma viola, escreveu, decisivamente:

"Os luandas chamam-lhe violán. Tocam-no quando passeiam e também quando estão deitados nas cubatas

" Era, então, "muito cômodo e portátil". Debret o pôs nas mãos de um negro cego, que esmolava cantando a sua desdita. Com "um fio grosso" ou "uma corda de tripa", e por vezes dedilhado, que mais poderia ser?

Das fontes citadas, apenas Manuel Querino o dá como acompanhamento musical da capoeira — e não do treinamento, digamos, de profissionais, mas de amadores. Fazia o ritmo para o brinquedo, antecessor da vadiação atual. É de supor que somente neste século, e na Bahia, o berimbau se tenha incorporado ao jogo de Angola, de maneira insubstituível, dominante e caracterizadora.

Foi a partir de então, provavelmente, que o instrumento se fez mais comprido, que o arame substituiu de vez a corda de fio ou de tripa e que o berimbau se enriqueceu com o caxixi e a moeda de cobre, dobrão, 40 réis ou dois vinténs do tempo do império, com que o conhecemos agora

(Carneiro, Edison. Folguedos Tradicionais. 2ª ed. Rio de Janeiro, Funarte, 1982, p.121-125)

Fonte: www.capoeira-infos.org

 

 

Edison Carneiro (1912-1972)

Advogado de formação, folclorista, historiador, jornalista, professor, etnólogo e escritor, Edison Carneiro teve a sua vida pautada pela defesa da cultura negra que à sua época era por demais perseguida pelas autoridades policiais e políticas, e discriminada pela sociedade que exaltava os valores eurocêntricos. Negro e carente de recursos materiais, como os valores que defendia, Carneiro teve muita dificuldade para ter o seu trabalho reconhecido pela sociedade em virtude do preconceito racial de que foi vítima. Criou a Comissão Nacional do Folclore e o Museu do Folclore dentre outras ações que visavam a preservação do nosso patrimônio imaterial (folclore), em particular da Capoeira Angola, que atinge esta condição especial por ser uma manifestação popular muito cara ao povo brasileiro.

Juntamente com intelectuais do quilate de Jorge Amado e Carybé, freqüentadores da academia de Mestre Pastinha e ainda o folclorista Manuel Querino, representou o esteio acadêmico sobre o qual a Angola se sustentou da rasteira social que a Regional de Bimba lhe aplicou, quando, como um rolo compressor, arrebatou a preferência popular em detrimento da arte de Pastinha. Fato este que quase a levou ao desaparecimento ao fim da primeira metade do século XX, tal como aconteceu de novo ao fim da década de 70. Vem deste apoio elitizado a condição de “capoeira mãe”, expressão muito usada ainda hoje que, em tese, lhe empresta uma superioridade cultural em relação à Regional.

Ilha de Itaparica: DE VENTO EM POPA 2008

A Paraguaçu irá realizar entre os dias 3 e 6 de janeiro o De Vento em Popa. Evento que, como à exemplo do último ano, contará com a presença de mestres angoleiros, garantindo muita vadiação e, também a presença de outras tradições culturais locais, como o samba de viola com os mestres Rimum e Manteguinha e o Terno das Rosas conduzido por Nenete. Confira a programação!

Cartaz do Evento, clique para ampliar…

03/01/08

19 HORAS; Abertura do Evento
Palestra: A Ilha De Itaparica e suas Tradições
20h30 – Angola na Roda, com os convidados
22h – Samba de Roda e Coquitel
 
 04/01/08

19h – Palestra sobre o meio ambiente, ministrada pela PROMAR
20h30 – Angola na Roda, com mestres da antiga, incluindo os alunos antigos do mestre Paulo dos Anjos
22h30 – Samba de Roda com senhoras da Conceição, e o Grupo de Samba Paraguaçu
 
 05/01/08

16h – Angola na Roda (Participação das crianças pertencentes ao Programa O Pulo do Gato: Educação através da Cultura)

21h30 – Saída do Terno Das Rosas (Concentração casa de D. Chiquinha)

23h30 –  Entrega do Prêmio Paraguaçu pelo Mérito Cultural; Samba de roda com os mestres, Rimum e Manteiguinha
 
06/01/08 (Dia de Reis)

15h – Angola na Roda
19h30 – Apresentação do Terno das Rosas (Concentração na Associação Cultural Paraguaçu) e encerramento com samba de roda

 

Organização: Associação Cultural Paraguaçu e Grupo Paraguaçu de Capoeira Angola

Coordenação: Mestre Jaime de Mar Grande

Acre: FECAP acontece hoje na Usina de Artes João Donato

Festival é realizado pelo gupo de capoeira Besouro Mangangá

Capoeiristas e acadêmicos do curso de Educação Física da Universidade Federal do Acre (Ufac) reúnem-se hoje, às 16 horas, na Usina de Artes João Donato, para participar do 2º Festival de Capoeira do Acre (Fecap), realizado pela Ufac e pelo grupo de Capoeira Besouro Mangangá.

O Fecap celebra uma parceria que já acontece há dois anos entre o grupo e os acadêmicos e que proporciona a ambos a troca de informações e capacitação para atuar com segurança na modalidade. Há um ano a matéria Capoeira está sendo oferecida para os alunos do quarto período como optativa, porém não forma capoeiristas.

“Essa integração proporciona aos capoeiristas conhecimento específico e didática para ensinar crianças com responsabilidade e aos acadêmicos uma base para trabalhar a capoeira nas escolas”, afirma Carlos Cavalcante, coordenador do projeto.

Dentro da programação estão sendo oferecidas, desde ontem, oficinas específicas para os capoeiristas sobre: primeiros socorros; metodologia do ensino aplicado a capoeira; canto e música; movimentos e floreios; Folguedos da Capoeira (maculelê, puxada de rede, samba de roda e dança guerreira).

Também será realizado um batizado para as mais de 80 crianças que fazem parte do projeto “Capoeira na Ufac” que há dois anos beneficia crianças dos bairros adjacentes a universidade com a prática gratuita do esporte. Serão entregues 50 certificados “O Amigo da Capoeira” para grupos de capoeiras, autoridades locais, lideres religiosos e empresários.

“O certificado é uma forma de agradecermos a todos que apóiam a capoeira no Estado e trabalham na divulgação da cultura Afro-Brasileira”, ressalta Carlos.

 

Fonte: http://www2.uol.com.br/pagina20