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Março 2008

Vendo Artigos de: Março , 2008

Lobato: De campo de petróleo a portal do subúrbio

Mestre Gato (José da Silva Cunha) aos 69 anos mantem vivo o sentimento de carinho e camaradagem através da capoeiragem. *

Santa Luzia, Prainha, Jardim Lobato, Boa Vista do Lobato, Alto do Cabrito, Joanes (nome de uma das ilhotas cercadas por manguezais que existiam na região) são algumas das subdivisões do primeiro bairro do subúrbio ferroviário, espalhadas em três administrações regionais. Apesar da vista privilegiada da Enseada dos Tainheiros, na Ribeira, a fama vem do fato de ter sido o local onde foi descoberto o primeiro poço de petróleo no Brasil, em 21 de janeiro de 1939, período da campanha nacionalista do presidente da época, Getúlio Vargas, O Petróleo é nosso.

Os atuais moradores chegaram em casas construídas pelo Estado, após uma enxurrada que destruiu várias casas em áreas próximas, conhecidas como Bananeira (Baixa do Fiscal), Cacau e Santa Luzia. O aposentado José Olimpo da Silva, 75 anos, conhecido como Zé da Mula, fez parte do grupo que formou o bairro. “A gente perdeu tudo, ficou morando um tempo na Estação da Leste e, para construir aqui, carregava o material nas costas”, contou. O apelido vem da época que percorria diversas feiras da cidade.

Todo o sofrimento e trabalho fizeram nascer o amor pelo Lobato. “Vivo aqui há mais de 50 anos. Todos os meus filhos (ele só sabe que tem mais de 10) nasceram e foram criados no Lobato, e não tenho motivo para não gostar daqui. Todos os dias pego meu peixe fresco nas barcas que vêm de Plataforma e sou feliz”. Hoje, ele só quer saber de se debruçar sobre o balcão de sua mercearia, olhando o movimento da rua e conversando com os vizinhos, e lembrar do tempo que paquerava na seresta que acontecia em um antigo bar na entrada da Rua do Amparo.

Com a mesma mentalidade do vizinho, José da Silva Cunha, conhecido como Mestre Gato, aos 69 anos, tem o trabalho voltado a incutir o sentimento de carinho pelo bairro na nova geração. Por meio da capoeira, as lições são dadas no projeto Renascendo Cidadania, onde 56 jovens e adultos entre 5 e 30 anos aprendem “a não ir para o lado esquerdo”, como ele mesmo costuma falar. “Tenho orgulho de ter tirado cerca de 90% dos jovens do tráfico daqui com a capoeira, que vence tudo, maculelê, samba- de-roda e puxada de rede. Eles têm que mudar a imagem que o bairro tem de violência, ser homens de bem”. No meio da conversa, uma das alunas, Marcela Santos Castro Dias, 8 anos, vem orgulhosa mostrar ao mestre que tirou 10 na escola. “Ela que não tire, não. Se não for bom aluno e não obedecer a pai e mãe, não fica”, dá o recado.

Meire Oliveira, do A Tarde
http://www.atarde.com.br
Foto: Elói Corrêa/Agência A Tarde

* Grifo Portal Capoeira

Capoeira uma Cultura de Ação Sócio- Educacional

Este projeto tem como objetivo principal a Criação/Fundação do Centro Cultural Irmão Capoeira, para que não seja algo em beneficio próprio mas para toda uma comunidade. Afinal capoeira é cultura e não só "ginga", Mostrar também a comunidade que através da capoeira nossas crianças, adolescentes e adultos, possam exercer sua cidadania como pessoas de bem, junto com disciplina, educação e acima de tudo motivação. Motivar para que acreditem e tenham metas em suas vidas, que nada em nossas vidas vem do nada e sim de muito esforço e luta e muitas mãos dadas por um único propósito, fazendo através da Capoeira muitos projetos sociais, enfim… dar-lhes um bom exemplo de vida e direcionamento. Afinal CULTURA não se ensina, mas se transmite de um para o outro. Hoje uma das grandes lutas da capoeira é não deixar de lado o RITUAL, o RITMO, a EDUCAÇÃO e o RESPEITO. “O surfe, quando deixou de ser apenas um comportamento cultural nascido dos nativos do Havaí e da Austrália, pelo menos conseguiu preservar alguma coisa do comportamental (que muitas vezes nós mesmos confundimos com cultura). E hoje a cultura surf está implantada até em lugares que jamais viram uma praia”¹ e é exatamente isso que queremos que aconteça com a cultura Capoeira, gingando aprendendo e dando lição para o povo e pelo povo, servindo para evoluir, produzindo, colaborando, esclarecendo e educando com Respeito, Humildade & Sabedoria. Que seja bom, agradável, mas que nos identifique na multidão, que represente um modelo de vida e que nos traga bem-estar. Mostrando que a Capoeira é cultura comportamental, vivencial e Socio-Educacional, sendo nas mãos do mestre e contra-mestre um recurso pedagógico para a contribuição de valores humanos e étnicos, baseados no respeito, na socialização e liberdade, valorizando a cultura brasileira.

Abaixo segue as funções que o Centro Cultural exercerá:

1- Proporcionar a crianças e adolescentes (carentes) a prática da Capoeira mostrando que a capoeira é todo um conjunto de ações e pensamentos culturais e educacionais direcionados ao bem do próximo.

2- Incentivar os estudos: Verificando a avaliação semestral do colégio em cada aluno estuda, estando este sob pena de ficar sem participar das atividades do grupo se não tiver um bom desempenho escolar, podendo voltar somente após a certificação de que este tenha melhorado seu rendimento escolar.

3- Promover eventos de responsabilidade social, envolvendo-se em campanhas coletivas como ações de mobilização sócio-educacional e Campanhas:

 

Centro Cultural Irmão Capoeira
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Irmão Sem Fome: promovendo a arrecadação de alimentos não perecíveis para doar a quem precisar

Agasalhe um irmão: promovendo a arrecadação de roupas, sapatos, cobertor, etc…para doação nas entidades carentes ou a quem necessita;

Você Lembrou de Mim – Onde o Grupo se disponibilizará a ir em um asilo e proporcionar a felicidade daqueles que um dia lutaram muito em sua vida. Fazer uma apresentação de capoeira e levar doações.

Teatro nas Escolas – Onde o grupo apresentará uma peça teatral mostrando através da capoeira a história da vinda dos negros e a escravidão no Brasil, resgatará a nossa cultura popular entre outros.

Faça uma Criança Sorrir – promovendo arrecadação de brinquedos para doar as crianças carentes no dia das crianças;

Mulher na Roda – onde as mulheres terão um dia somente para elas, participando de uma roda de capoeira, aprendendo alguns passos dessa arte. Buscar apoio de profissionais estéticos e o equilíbrio entre corpo e mente.

Mãe Exemplo de Vida – Promovendo no mês das mães concursos culturais para que elas participem, elegendo e premiando as participantes, apresentação de capoeira e homenagem as mães.

Um dia de Leitura – Arrecadando livros para todas as idades, para que se tenha uma biblioteca e livro ao alcance de todos, incentivando e promovendo o gosto pela leitura;

Natal solidário – Promovendo arrecadação de brinquedos para as crianças e cesta básica para as famílias necessitadas, apresentação de capoeira e teatro;

Melhor Idade – promovendo aos idosos um dia de exercícios físicos e relaxamento para um corpo saudável e mais cheio de vida.

Promover a Participação de nossos alunos em eventos culturais, fazendo apresentações de capoeira, levando o nome do Grupo a vários lugares e difundindo cada vez mais essa arte/cultura chamada capoeira.

Promover o Batizado do Grupo Irmão Capoeira como um evento cultural, obtendo-se as trocas de cordas, e integração entre famílias e sociedade em si.

– Promover futuramente aulas de dança, musica, teatro e profissionalização.

-Colaborar com os poderes públicos, dando sugestões, participando de eventos, comissões e auxiliando nos eventos Culturais.

Ainda estamos pedido apoio, e digo, não nos referimos a apoio financeiro (claro que bem vindo quando chega) mas nos referimos principalmente ao apoio moral, de incentivo para que nenhum de nós esmoreça e desista deste objetivo tão lindo, outro tipo de apoio é a aquisição de materiais como berimbau, pandeiro, etc, (algum material mesmo usado que queira doar nossas crianças e adolescentes agradecem). Divulguem este e-mail, nos ajude a continuar de mãos dadas por uma boa causa.

A Capoeira não pode e não deve ser só a ginga, a beleza, a luta; ela tem que ser todo um conjunto de ações e pensamentos culturais e educacionais direcionados ao bem do próximo.

Um forte abraço,

Geovana (Mãe de aluno Capoeira)

¹- Parte extraída de uma conversa entre capoeiristas na roda on line (me corrija se eu estiver errada), não me recordo quem escreveu exatamente.

Geovana Jucelia Jorge – geovanajujorge@yahoo.com.br

Mestres de Capoeira organizam Conselho de Alagoas

Cerca de trinta mestres de capoeira se organizam para criar o Conselho Estadual de Mestres de Capoeira de Alagoas. A organização da Sociedade Civil – OSC, sem fins lucrativos, com finalidade sócio-cultural e educativa, pretende organizar a categoria que pretende divulgar e preservar a cultura afro-brasileira no estado, no país e até no exterior. Alguns dos principais objetivos da iniciativa são criar um interlocutor legitimado pela comunidade capoeirística para discutir a implementação de políticas públicas direcionadas a capoeira em Alagoas.

Além disso, eles desejam promover formação continuada para mestres, participar das discussões em torno da implementação das Leis Federal 10.639/03 e Estadual 6.814/07 que tratam da obrigatoriedade do ensino da história da África e da cultura afro-brasileira nas escolas públicas. A inclusão de forma específica da capoeira em editais estaduais e municipais de cultura, a exemplo dos publicados pelo Ministério da Cultura, vai ser uma das principais reivindicações dos mestres. Eles também pretendem construir mecanismos que possibilitem a inclusão da capoeira enquanto disciplina nos currículos escolares

Os capoeiristas são conhecidos pelos seus apelidos ou nomes artísticos, adquiridos durante a vivência capoeirística, ou colocado por seus mestres por ocasião dos batizados de capoeira e fazem questão de serem conhecidos dessa forma. Por muitas décadas, a capoeira não tinha conseguido uma organização desse porte, tendo no passado seus mestres atuado de forma isolada e informal. Mestre Tunico, que desenvolve um projeto de extensão com capoeira angola através do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros- NEAB, na Universidade Federal de Alagoas – UFAL, ressalta a importâcia histórica da criação do Conselho. ‘ Estava na hora dos mestres assumirem sua liderança, enquanto educadores populares, criando condições para construir uma nova realidade. Sempre trabalhamos pela inclusão social e cultural e agora conseguimos reunir os mestres de vários estilos e grupos de capoeira com um objetivo comum, que é a nossa inclusão no processo educativo formal e participação em editais de fomento a cultura afro-brasileira, especificamente, a capoeira, no estado e no município’.

A proposta do Conselho de transformar o ensino da capoeira numa disciplina formal nas escolas públicas está baseada nas Leis Federal e Estadual, em experiências isoladas, como a de Arapiraca que já aprovou, através da Câmara Municipal, a obrigatoriedade da capoeira nas escolas do município. Mestre Girafa, do Grupo Muzenza, um dos maiores no Brasil e no exterior, garante que em Israel, onde tem dois alunos ensinando capoeira, o ensino formal da mesma nas escolas públicas já é uma realidade.

Mestre Condi, recém graduado em Educação Física na UFAL, garante que é necessário envolver a universidade e as secretarias de Educação e de Cultura do estado e do município nessa construção coletiva. ‘Ser capoeira é ser ousado, é buscar caminhos, não se conformar com o estabelecido, principalmente quando o que está colocado não satisfaz a comunidade capoerística. Por isso, estamos construindo o Conselho de uma forma democrática, plural e inovadora’, ressaltou.

A idéia da criação do Conselho surgiu a partir da organização da primeira roda pública de capoeira angola a ser realizada no primeiro domingo de cada mês, às 16h30, no Posto Sete, no bairro da Jatiúca. Os mestres Condi, Tunico e Claudio coordenam a roda que terá sua estréia no dia 6 de abril, onde o toque e os fundamentos serão de angola, mas todos podem participar. Foi a partir dessas reuniões que surgiu a articulação com vários mestres como Jacaré, Ventania, Novo, Meinha, Jorge Ceará, He Man e Urubu, de Arapiraca, para o nascimento do Conselho. Segundo levantamento realizado pela Comissão de Organização do Conselho, Alagoas possui mais de 30 mestres de capoeira.

A Secretaria de Cultura de Alagoas tem dado apoio logístico para a realização do I Encontro de Mestres do Estado, no dia 3 de abril, às 14h, no Memorial da República, no bairro do Jaraguá. Nesse encontro, serão discutidos o estatuto e regimento do Conselho de Mestres, os critérios para a composição da diretoria, além dos objetivos e estratégias de atuação do mesmo.

Fonte: GAZETAWEB.COM – http://gazetaweb.globo.com

Entrevista Mestre Gato

Mestre Gato em entrevista exclusiva ao Portal Capoeira realizada em Lisboa durante o 10º Festival Internacional de Capoeira do Grupo Alto Astral (Contra-mestre Marco Antonio).

Mestre Gato

Fernando Campelo Cavalcanti de Albuquerque, Mestre Gato, nasceu em 14/06/47, Recife, Pernambuco, Brasil. Em 1952 mudou-se com sua família para o Rio de Janeiro, onde começou a se envolver com capoeira em 1963. Seu aprendizado iniciou-se com Paulo Flores Viana, um jovem baiano que morava no Rio, começara a interessar-se por capoeira, realizara algum treinamento no Rio e havia passado as férias escolares em Salvador, treinando na academia de Mestre Bimba, o criador da capoeira Regional. Paulo e seu irmão Rafael organizavam treinos informais de capoeira com um pequeno grupo de adolescentes, no terraço de seu prédio, em Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro, desde 1963.

Em 1964, representa, junto com Paulo Flores, a academia Santana, dirigida por Valdo Santana, no Berimbau de Prata, no Rio de Janeiro, conseguindo o terceiro lugar. Em 1965 participa de algumas das rodas dominicais da academia do Mestre Artur Emídio, em Bonsucesso. Realiza treinamentos com Mestre Acordeon, aluno formado de Mestre Bimba, quando de suas visitas ao Rio de Janeiro.

Após participar da formação do Grupo Senzala em 1966, Fernando, que havia adquirido o apelido de Gato, representou o Grupo Senzala no torneio Berimbau de Ouro em 1967 e 1968, ajudando o Grupo a conquistar o troféu Berimbau de Ouro em 1969. Juntamente com os demais participantes do grupo Senzala, desenvolve metodologias de treinamento e didática, utilizando o método da Regional, o jogo de chão da Angola, o estilo apresentado pela Capoeira de Sinhô e pela capoeira baiana existente no Rio de Janeiro da década de 60, adaptando sequências de movimentos de capoeira e ginástica baseada nas posições e passos de capoeira. Participa de demonstrações, shows e palestras culturais de Capoeira, em colégios, teatros associações comunitárias e universidades do Rio de Janeiro, ajudando a divulgar o trabalho do Grupo Senzala que vem a se tornar uma referência como qualidade técnica, método de ensino e de organização.

Visita a academia de Mestre Bimba, em Salvador, em 1968, e aulas e rodas dos mestres Eziquiel, Saci e Mestre Popó de Santo Amaro da Purificação. Em 1968, visita em São Paulo, a academia do Mestre Suassuna., estabelecendo relações com os capoeiristas daquela cidade. Em 1969, participou do Seminário de Capoeira em Campos dos Afonsos, Rio de Janeiro, com a presença da velha guarda da Capoeira, como os mestres Bimba, Canjiquinha, Caiçaras, Artur Emídio, Gato Preto, Leopoldina e os então mais jovens, Acordeon, Airton, Suassuna, Joel, Itapoan, Bom Cabrito, Paulo Gomes, além dos principais capoeiristas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Começou a ensinar capoeira em 1967, nas duas principais universidades daquela época, a UFRJ, onde era aluno da Engenharia Civil, e a PUC, tornando-se um dos mestres do Grupo Senzala.

Em 1972, participou das discussões da regulamentação da capoeira. Nos anos de 87 a 89, participou como árbitro de Capoeira e palestrante nos Jogos Estudantis Brasileiros – JEBS, discutindo seu regulamento e o Projeto Capoeira – MEC. Atuou como mediador e relator no Encontro Nacional de Arte Capoeira, Circo Voador, Rio de Janeiro, 1984. Foi palestrante no Encontro Nacional de Capoeira em Ouro Preto, 1988. Em 1991, organiza o festival 25 Anos do Grupo Senzala com participação dos cordas-vermelhas do grupo e capoeiristas de todo o Brasil, no campus da UERJ.
Em 1990, após morar um ano na Inglaterra como estudante de pós-graduação de engenharia de Recursos Hídricos, criou o Group Senzala of Great Britain – GSGB. Participou do festival de artes marciais Budosai, em Durham, Inglaterra, em 1991, ao lado de alguns dos melhores mestres de Karate e Aikido do mundo. Visita anualmente o Reino Unido para realização de seminários práticos e teóricos sobre a capoeira e organização de batizados de capoeira. A partir de 2000, essas viagens tornam-se semestrais, participando de eventos de capoeira na Inglaterra, Escócia, Espanha, Portugal, Holanda, Alemanha França, Dinamarca, Hungria, Itália e Estados Unidos.

Em 2000, seu filho Pedro se muda para Edimburgo, na Escócia, onde passa a ensinar capoeira naquele país e apoiar o trabalho do Grupo Senzala no Reino Unido. Mestre Gato prossegue a coordenação do ensino de capoeira de instrutores e professores formados por ele nas cidades britânicas de Harlow, Cambridge, Norwich, Leicester, Londres, Newcastle upon Tyne, Peterlee, Edimburgo e Glasgow. Promove o intercâmbio de alunos britânicos no Brasil, organizando programas de cursos e atividades de capoeira no Brasil. Em 2005 e 2006 participa dos batizados do Grupo Senzala Seattle, que seu aluno Marcos Risco organiza, após dois anos de ensino naquela cidade. Ensina capoeira regularmente no Rio de Janeiro, organiza anualmente seminários de capoeira nesta cidade e ministra cursos e palestras de capoeira em diversos estados do Brasil, tendo organizado em 1994, o Capoeirando em Ubatuba, juntamente com Mestre Suassuna.

Em 1999 até 2002, também com Mestre Suassuna, organiza o Capoeirando no Sul da Bahia, em Ilhéus, sempre em Janeiro, Esses eventos têm a participação de capoeiristas de todo o Brasil e estrangeiros. A partir de 2004, o Capoeirando de Janeiro passa a ocorrer em Ilhéus e Arraial do Cabo, em semanas subseqüentes e com organizações independentes, o de Arraial do Cabo sob a organização dos mestres Gato e Peixinho. A partir de 2003, organiza, juntamente com os demais cordas-vermelhas do Grupo Senzala, o encontro Vadiação Senzala, onde os mestres do Grupo Senzala coordenam seminários de capoeira para alunos iniciantes, intermediários e avançados/instrutores/professores do Grupo Senzala e de outras associações e grupos de capoeira.

 

Mestre Gato e Pimpa – Lisboa 10º Festival Internacional de Capoeira Grupo Alto Astral

Seu endereço para correspondência é:
Rua Ocidental, 215 Santa Teresa Rio de Janeiro, RJ, 20240-100, Brasil. Tel/Fax 55 21 507 5935

gatosenzala@hotmail.com

Fonte da Biografia: http://www.gruposenzala.com

* Agradecimento especial ao Mestre Gato e sua Esposa (alma gemea) que durante o Festival de Capoeira em Lisboa, nos mostraram a beleza e a harmonia de um verdadeiro Casal de Capoeiras apaixonados.

Obrigado mestre Gato pela disponibilidade, atenção e prontidão.

Luciano Milani

Reflexão: A Capoeira no Estado de Santa Catarina

 

Mestre Kadu, que sempre vem colaborando e participandocom o Portal Capoeira de forma a somar para toda a comunidade capoeiristica, nos envia uma importante reflexão sobre a capoeiragem em Santa Catarina.
Mestre Kadu, em parceria com Mestre Gavião e todo pessoal do Portal Capoeira RS – Região Sul tem sido ao longo destes anos importantes fontes de informação e dissiminação da nosso arte e agora vem se juntar a Equipe de colaboradores do Portal Capoeira. Seja bem vindo meu amigo!

Luciano Milani

 

Reflexão: A Capoeira no Estado de Santa Catarina

Antes de começar, gostaria de deixar muito claro que o que irei contar não existe a intenção de generalizar grupos, pessoas e Capoeiras. Também gostaria de esclarecer que aqui conheci e (re)conheço grandes Capoeiras que me ensinam até hoje sobre esta cultura e sobre a arte de aprender ensinando, portanto em nenhum momento tenho a intenção de diminuir ou menosprezar a Capoeira de Santa Catarina e muito menos dar a entender que minha chegada aqui modificou ou engrandeceu a boa Capoeira que aqui encontrei. O que posso afirmar é que tive e tenho tentado colaborar para que a Capoeira de Santa Catarina seja reconhecida à altura de suas grandes capacidades e pela boa representação nativa que nela vive.

É realmente complexo escrever alguma coisa sobre a Capoeira na Região Sul. Apesar de ser natural de Porto Alegre, um pouco depois de meu nascimento fui para o Rio de Janeiro, onde permaneci até os 08 anos, quando me mudei para Brasília. Morei na Capital Federal até 1994 e daí me fixei em Florianópolis, onde vivo até hoje e com a graça de Deus viverei até o fim dos meus dias. Portanto, é complicado comentar uma história em que não vivenciei todos os fatos desde sua origem. O que posso dizer é que quando cheguei aqui em Florianópolis, em 1994, encontrei uma Capoeira diferente daquela que eu conhecia, não só na sua organização, mas em suas definições, Angola, Regional e Contemporânea.

Sabemos que distante dos grandes centros de difusão da Capoeira, as vertentes sofrem influência não só da cultura local, mas também da visão de cada representante destas vertentes. O que quero dizer é que dentro de uma linhagem, as diferenciações surgem por diversas razões. O aprendizado em escolas diferentes, as informações e influências externas, a falta de orientação e acompanhamento que sustentariam essa filosofia, a adequação ao que possa lhe parecer atual ou inovador, etc. Por estes e outros conceitos pode ocorrer o distanciamento em relação aos fundamentos mais relevantes da Capoeira.

A princípio alguns me viram como um intruso, outros como mais um detentor de informações distorcidas de seus fundamentos e outros mais, como portador de novas informações da Capoeira atualmente jogada e globalizada, pois muitos tinham concepção de que a Capoeira jogada no Sudeste e no Nordeste do Brasil, seria a mais atualizada, globalizada e mais fiel aos fundamentos e as vertentes a que pertenciam, o que, diga-se de passagem, muitas vezes é um enorme engano, pois os problemas que aconteciam por aqui, muitas vezes se reproduziam por lá também.

Aqui conheci alguns grupos que se diziam angoleiros realizando batizados e usando cordas, outros que se diziam regionais jogando os toques de angola e usando aquela formação de bateria como também muitos de seus fundamentos e grupos contemporâneos usando graduações e filosofias sem uma clara e definida fundamentação.

Alguns líderes acreditavam e pregavam aos seus, que pessoas como eu, eram capoeiristas “de fora”, e desta forma intrusos que queriam descaracterizar e corromper a Capoeira “pura” que eles trabalhavam. Certamente eles não se lembravam que Santa Catarina não é a Bahia, o Rio de janeiro e muito menos o Recife e que qualquer Capoeira aqui ensinada vinha de fora e, portanto, o que estava acontecendo era apenas uma conseqüência dos tempos.

Após uns dez anos de trabalho com a Capoeira aqui em Florianópolis e já inserido neste meio, eu e outros líderes de grandes grupos daqui, passamos a sentir a necessidade de contribuir com mudanças no cenário da Capoeira de Santa Catarina, quanto ao respeito entre os pares, suas filosofias e seus trabalhos, a tolerância ao diferente. Decidimos então formar e fortalecer uma comunidade de Capoeira, pois havia em todos os grupos o discurso da inclusão social de seus seguidores, sem ao menos nós mesmos sermos incluídos socialmente e nem formarmos uma representatividade consistente como comunidade ou representantes de uma arte, o que incomodava a esses líderes.

Pela iniciativa do Mestre Pop, pioneiro em Santa Catarina, alguns líderes fomos convidados em 2003 para uma reunião, de onde se seguiram outras mais que deram conseqüência ao 1º Congresso Catarinense de Capoeira, de onde surge a delegação de Santa Catarina que participaria do 1º Congresso Brasileiro de Capoeira, em São Paulo.

Durante o retorno da viagem e pelo sucesso de nossa construção conjunta, surge entre alguns líderes a vontade de se criar uma entidade que pudesse representar e trabalhar pela Capoeira do Estado em todos os segmentos e que defendesse uma única bandeira, a da Capoeira. Nasce então, a Confraria Catarinense de Capoeira (Triplo C), e é dessa experiência agora que passo a contar pra vocês, por acreditar que este foi um marco na história da Capoeira Catarinense.

Logo após a realização do II Congresso Nacional de Capoeira, em 2003, no Rio de Janeiro, os representantes catarinenses presentes naquele evento formalizaram uma comissão que desse prosseguimento às discussões e análises sobre as principais questões que envolvem a Capoeira na atualidade e desencadearam um amplo processo de debates e eventos para todos os capoeiras.

Durante todo o ano de 2004 e 2005 esses capoeiristas de diversos grupos continuaram se organizando e realizando atividades vinculadas à Capoeira. Inicialmente esse coletivo se auto-intitulou como Cooperativa Catarinense de Capoeira.

Em 2006, diante da necessidade de se oficializar essa entidade, para dar maior visibilidade à organização e também facilitar a captação de recursos, a opção de cooperativa foi descartada, pois se mostrava inviável para atender aos objetivos da organização e, então, surgiu no interior do coletivo, a proposta de institucionalização por intermédio de uma confraria.

No dia 13 de maio de 2006 foi realizada a Assembléia de Fundação da Confraria Catarinense de Capoeira e no dia 07 de junho do mesmo ano ela foi registrada oficialmente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ).

Desde a sua concepção, a Confraria Catarinense de Capoeira, também chamada de TRIPLO-C, vem trabalhando organicamente para contribuir com o desenvolvimento da Capoeira no Estado de Santa Catarina e no Brasil. Dele fazem parte diversas lideranças de vários grupos de Capoeira, juntamente com estudiosos e alunos interessados, bem como outros participantes eventuais.

A Confraria Catarinense de Capoeira (TRIPLO-C) tem estatuto que expressa os princípios defendidos pelos seus criadores. Os cargos de direção são eletivos a cada dois anos, podendo ter apenas uma recondução. Os membros da Direção dispõem de uma lista de discussão para a realização de comunicações ágeis, nem sempre possíveis diante das inúmeras demandas.

Os integrantes desta Confraria procuram ampliar o entendimento sobre a Capoeira objetivando o seu pleno e democrático desenvolvimento. Sua metodologia de trabalho utiliza o conceito de rede e tem as seguintes características:

– não possui hierarquia, não tem chefe, mas tem várias lideranças, sendo estas provenientes de diferentes âmbitos;

– não tem centro, ou melhor, cada integrante do mesmo é um centro em potencial;

– se desdobra em múltiplos níveis ou segmentos autônomos capazes de operar independentemente, mas que compartilham assuntos e experiências de interesse comum;

– é dinâmica, fluída e se alicerça pela vontade e dedicação dos seus integrantes;

– se organiza de forma igualitária e democrática, em torno de objetivos comuns;

– é autônoma e mantém sua independência em relação aos grupos, da mesma forma que não interfere na autonomia dos grupos aos quais seus participantes também lideram ou integram.

Esta Confraria está sempre aberta à entrada de novos membros que aceitem as regras de intercomunicação estabelecidas, ainda que as mesmas possam e devam ser revistas de acordo com a demanda ou a circunstância. O auto-desligamento de qualquer de seus membros não constitui problema, pois no âmbito da Confraria é assegurada a plena liberdade de opção de cada um.

A Confraria Catarinense de Capoeira se materializa da seguinte forma:

· Ninguém é obrigado a entrar ou permanecer e ninguém é subordinado de ninguém;

· Os valores, as angústias, as expectativas, as frustrações, as decisões são fraternalmente compartilhados, problematizados e acolhidos;

· É a cooperação entre os seus integrantes que a faz funcionar;

· A informação circula livremente, emitida de pontos diversos e encaminhada de maneira não linear a uma infinidade de outros pontos, que também são emissores de informação. Seus integrantes se reúnem periodicamente em locais previamente agendados e com pauta previamente decidida.

Por fim, a participação, a conectividade, a multiliderança, a descentralização, o dinamismo, os múltiplos níveis de abordagem, o respeito, a tolerância e a camaradagem são princípios defendidos e colocados em prática pela Confraria Catarinense de Capoeira.

Dentre as ações pontuais já desenvolvidas pela Confraria, destacamos:

1. Elaboração da avaliação do I Congresso Nacional de Capoeira, realizado nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 2003, em São Paulo, divulgada pela internet e encaminhada a expressivo número de capoeiras do Estado de Santa Catarina;

2. I Encontro Catarinense de Capoeira com palestras e debates, realizado no dia 04 de outubro de 2003, em Brusque-SC;

3. Oficina de movimentos e golpes de Capoeira que contou com a participação de cerca de 40 (quarenta) professores de Capoeira do Estado de Santa Catarina.

4. II Encontro Catarinense de Capoeira com palestras e debates, realizado no dia 06 de novembro de 2004 na Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis-SC;

5. Participação no II Congresso Brasileiro de Capoeira realizado no Rio de Janeiro em novembro de 2004;

6. ACAMPOEIRAMENTO – realizado no mês de outubro de 2005, em Brusque.

7. FESTIVAL CATARINENSE DE CANTIGAS DE CAPOEIRA – realizado no dia 14 de Outubro de 2005, no Acampoeiramento, em Brusque.

Dentre as ações permanentes da Confraria, temos:

GINGA MENINA: Evento planejado e realizado exclusivamente por mulheres praticantes de Capoeira no Estado de Santa Catarina. O I Ginga-Menina aconteceu em Brusque em 2004.

VENHA VER CATARINA – Evento de periodicidade bienal, planejado e coordenado exclusivamente por mulheres praticantes de Capoeira, mas que permite a participação dos homens nas atividades. O I VENHA VER CATARINA aconteceu em Florianópolis no dia 02 de Novembro de 2006.

ENINCA (Encontro Infantil de Capoeira): Evento de periodicidade anual, destinado exclusivamente ao público infantil e infanto-juvenil, dos 04 aos 15 anos: O I ENINCA aconteceu em maio de 2003, na Universidade Federal de Santa Catarina e o II ENINCA aconteceu no dia 14 de maio de 2005, na Escola Técnica Federal de Santa Catarina (CEFET).

ZUMBALAEKÁ – Festa de celebração e confraternização dos diversos grupos de Capoeira e cultura popular do Estado de Santa Catarina, realizada periodicamente com exibições de artistas populares e expressiva participação de público. Já aconteceram três edições do Zumbalaeká.

PAPOEIRA – Atividade de formação desenvolvida bimestralmente em forma de seminário temático em que integrantes da Confraria, ou convidados, discorrem sobre determinada temática que é discutida pelos presentes em forma de questionamentos e críticas. Já aconteceram cerca de 30 (trinta) papoeiras.

ESCAMBO DE CAPOEIRA – Evento periódico de trocas de experiências e artefatos de Capoeira com um festival pedagógico no encerramento.

MOSAICO INTEGRADO DE CAPOEIRA – (MIC) Evento que promove a integração de diversos grupos de Capoeira da cidade, mobilizando expressivo número de praticantes de Capoeira, contribuindo para a democratização das relações entre grupos e abrindo possibilidades para novas formas de integração cultural e organizacional da Capoeira. São desenvolvidas oficinas, rodas de confraternização, Cerimônia de Formatura de Mestre de Capoeira; Encontro Feminino de Capoeira, Espetáculo Cultural, oficina de Capoeira Especial para professores e alunos de Capoeira, cerimônia integrada de batismo e graduação dos integrantes dos diversos grupos. Foram realizadas duas edições do MIC (2006 e 2007), onde o potencial educacional desse evento foi verificado a partir de ações de organização coletiva, colaboração, tolerância e solidariedade, tão necessárias para a realização de um evento com essas características.

ATIVIDADES EM PARCERIA COM OUTRAS ENTIDADES

PERI-CAPOEIRA – Curso de capacitação profissional para educadores populares de Capoeira do Estado de Santa Catarina, realizado em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Educação Intercultural, MOVER, da Faculdade de Educação da UFSC, com carga horária de 180 (cento e oitenta horas), com o objetivo de formação de rede de educadores populares e canais de comunicação numa perspectiva intercultural. Foram realizadas duas edições do curso Peri-Capoeira (2005 e 2007).

II SENECA – (Seminário Nacional de Estudos da Capoeira) – Realizado no Centro de Cultura e Eventos da UFSC, em Florianópolis-SC, nos dias 12, 13 e 14 de maio de 2006, em parceria com o GECA (Grupo de Estudos da Capoeira).

[1] O termo confraria tem expressiva densidade no campo cultural afro-brasileiro. Também chamadas de irmandandes, as confrarias tiveram grande importância na história do Brasil no que se refere a luta dos negros africanos em busca de libertação e na administração de fundos para compra de cartas de alforria, na luta pela ocupação do espaço social, na continuidade dos valores culturais e na constituição de identidade.

 

 

Marcos Duarte de Oliveira – mestrekadu@superig.com.br

Capoeira, prostitutas e ronaldinhos

Nesta matéria retirada do conceituado Jornal O Estado de São Paulo, Mônica Manir, faz uma dura critica a atual situação de "rispidez" e o "espiríto da xenofobia e intolerância" que reina entre o Brasil e a Espanha. A jornalista ainda faz uma analogia ao estereótipo cultural brasileiro, produto de exporação e coloca a Capoeira junto com a MPB como nossa principal diplomata.

Leiam o texto e reflitam…

Luciano Milani

Para estudiosa da xenofobia, a imagem do País lá fora pode influenciar decisões na alfândega

 

Mônica Manir – O Estado de S.Paulo

 

SÃO PAULO – A professora da Unesp Dalva Aleixo Dias morou na Espanha de dezembro de 1996 a agosto de 1999. Foi fazer doutorado em ciências da informação, cujo foco era "imprensa e imigrantes, a questão da xenofobia e do racismo". Confirmou o que supunha: muitos jornais associavam manchetes negativas ao imigrante, ainda que o imigrante estivesse apenas fazendo uma ingênua festa de aniversário na sua comunidade. Por uma ingenuidade, Dalba, como era oficialmente chamada, quase foi extraditada depois de uma resposta atravessada a um funcionário da estrangería, que desabafou: "Não preciso de documento algum seu, só quero que vocês todos voltem para o seu país".

Conseguiu ficar até o final dos estudos. Conseguiu, inclusive, fazer amigos na Espanha. A lição que aprendeu é que a cultura da xenofobia contamina o institucional, principalmente em tempos de desemprego e de eleição no país de destino. Ainda que se cumpram as regras para passar pela fronteira, sobrevive uma imagem petrificada, que pode contaminar o futuro do imigrante. No caso do Brasil, a prostituição, o mundo do entretenimento e o futebol ainda compõem a moldura do nosso espelho. Que, aparentemente, deu uma trincada. Dalva reclama que só conhece acordos feitos para proteger o país de destino. "Tirando o dos exilados, não sei de um tratado que se preocupe com os imigrantes."

A Espanha barrou a entrada de aproximadamente 950 brasileiros em pouco mais de dois meses, quase um terço do total de deportados ao longo de todo o ano passado. Há uma perseguição espanhola contra os brasileiros?

Existe uma lista de documentos que precisa ser preenchida quando se viaja para um determinado país. Ela deve ser cumprida, daqui para lá e vice-versa. A triagem, aliás, deveria ser feita no próprio consulado. Melhor do que deixá-la na mão de um funcionário da alfândega, que tem poder de polícia e pode barrar um imigrante durante 27 horas até a entrevista ou mesmo chamá-lo de cachorro (filhote) ou perro (cachorro). Muitas vezes esse funcionário não conhece a cultura do estrangeiro e baseia o aval ou a deportação numa visão preconceituosa.

Qual é a imagem dos brasileiros na Espanha?

Não somos vistos como latino-americanos, e sim como uma mescla de indígenas com africanos, junção de homem selvagem com homem irracional. Lembro de um documentário espanhol sobre o Brasil em que se lia a carta de Pero Vaz de Caminha com mulatas de fio dental ao fundo. Esse é o estereótipo. Quando vêem que alguns de nós têm traços que fogem ao padrão, recorrem a nossa ascendência para nos enquadrar como europeus. Vale a lei do sangue. Dizem: "Você não é mulata nem dança samba, então não é brasileira". Mostrar que temos várias identidades, que as mulheres brasileiras podem, por exemplo, fazer faculdade, mestrado, doutorado parece inconcebível.

Contribui para esse estereótipo o fato de as brasileiras serem prostitutas muito requisitadas lá?

Sim, elas são as prostitutas mais bem-sucedidas. Recebem cerca de 20 salários mínimos por mês. Conheci cubanas que se faziam passar por brasileiras para conseguir mais clientes. A maioria já era prostituta no Brasil, algumas delas com filhos e muitas delas migrantes internas. Saem do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste em direção ao Rio e São Paulo atrás de um lugar para ganhar o pão. Quando requisitadas para trabalhar na Europa, vão contratadas legalmente como dançarinas. Trabalham de março a dezembro, das 22h às 5h, na sala de fiestas, onde fazem shows seguidos de programas. Ganham bem, mas à custa de uma vida socialmente clandestina.

Elas não são donas de seus passaportes?

Não. O passaporte é retido pelo proprietário da boate, para quem elas já partem daqui devendo o dinheiro da passagem. Vivem sob vigilância cerrada. Até mesmo o taxista que as leva para o apartamento onde moram é contratado pelo dono da sala. As prostitutas não saem por nada, não convivem com a comunidade, compras de supermercado chegam até elas. Passam o dia assistindo à televisão, onde a imagem que se vê do Brasil é das piores.

Saem enganadas daqui?

O jogo para elas é claro. E as condições ruins nas quais sempre viveram as mantêm, de certa forma, conformadas com a nova situação. Mas acalentam o sonho de comprar uma casa para a família que ficou no Brasil e de casar com um europeu que aceite seu filho.

Há muitos garotos de programa também?

Sim, embora eu saiba de mais garotos de programa em Portugal. São contratados como animadores de festas na Espanha. Vi muitos com 18, 20 anos. As prostitutas têm entre 21 e 32 anos, média de idade dos jogadores de futebol.

As brasileiras que seguem os jogadores na Espanha acentuam esse rótulo de "mulheres fáceis"?

Eu diria que é o contrário: as espanholas é que ficam doidas pelos jogadores brasileiros. O que acontece é que muitos desses jogadores também passam a imagem de escravos. Em geral ganham mais do que ganhavam no Brasil, mas sofrem uma pressão terrível – desde o processo de contratação, quando a imprensa noticia que um clube está oferecendo certa quantia, mas o outro pode cobrir a oferta milionária. Ao chegar, precisam mostrar forma física impecável e corresponder de imediato ao investimento. Como as prostitutas, também ficam isolados, concentrados, longe de sua cultura, de sua comida, da mãe e do pai. A gaiola parece de ouro, mas é uma gaiola.

Como vive o grande número de músicos que migra para a Espanha?

A MPB entrou no circuito do jazz, da elite. O samba é sinônimo de alegria, de liberação. A música é a nossa maior diplomata, ao lado da capoeira. Muita gente aprende o português só para jogar com os capoeiristas. A capoeira se expandiu na modalidade angolana e numa mais rápida, que envolve saltos mortais, lembrando o circo chinês. Os capoeiristas se apresentam em hotéis de luxo com maculelê, tudo bem bonito, mas depois fazem uma performance com danças tribais africanas. Estamos literalmente ligados à África, de novo. Vale lembrar que esses capoeiristas, quando se machucam, não têm apoio nenhum do governo nem de quem os contratou.

A Comissão Européia estuda um pacote de leis para penalizar quem emprega imigrantes ilegais até com a prisão. A senhora acredita que ela levará isso adiante?

A clandestinidade não interessa a ninguém, a não ser àqueles que se beneficiam da mão-de-obra barata. Se estão dispostos a legalizar os imigrantes, parabéns! A Europa precisa de trabalhadores estrangeiros para crescer, seja na agricultura, nos trabalhos ditos domésticos, na pesquisa científica. Há lista de espera de mais de seis meses na Espanha para contratar um pedreiro. Falta mecânico, encanador, empregadas domésticas, babás, até enfermeiras. Se legalizadas, essas pessoas passariam com dignidade pelas fronteiras, diminuiria o preconceito social. Elas poderiam dizer: eu contribuo, no mínimo, com a seguridade social, não sou um peso para seu país.

 

Fonte: Mônica Manir – O Estado de S.Paulo – http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup140915,0.htm

Molinha, a Historia é feita por pessoas comuns!!!

Nossa mais nova colaboradora, Simona Mariotto, aluna do Grande Mestre Jelon, acaba de nos brindar com uma entrevistas muito bacana com a Capoeirista Molinha, a primeira mulher não brasileira a ensinar Capoeira na Itália.

Molinha conheceu a capoeira quando ainda não existia (havia) essa moda dos dias de hoje que parece ter contagiado todos os povos da terra!!

Aluna do Mestre Baixinho (um dos responsáveis por ter levado a capoeira até a Itália) formou-se em 1997 no Brasil, na “Associação de Capoeira Filhos de São Bento Grande”, tornando-se a primeira mulher não brasileira a ensinar Capoeira na Itália.


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A Historia é feita por pessoas comuns!!!

Entrevista: Molinha

1) Como conheceu a capoeira e por que decidiu treinar?

Conheci Mestre Luiz Martins De Oliveira – Mestre Baixinho– através de amigos em 1988, na cidade de Milão (Itália). Na ocasião, convidou-me pra uma aula experimental na academia onde trabalhava com a capoeira. Eu fui sem nada saber dessa arte, e mesmo assim gostei muito, pois senti que nela havia muita energia. Fiz minha inscrição e nunca mais parei!
Resolvi continuar por causa de duas razões: a primeira, é que era muito divertido e despertava minha curiosidade (no começo Mestre Baixinho não sabia falar italiano; portanto não era nada fácil entendê-lo enquanto dava aula!!); além disso, na Itália ninguém sabia o que era a capoeira e para mim essa arte era tão bonita que tinha de ser conhecida e apreciada justamente lá, ,no Pais dos artistas!!!

Assim tomei minha decisão: faria o possível para ajudar meu Mestre na divulgação da capoeira. E assim foi!
Inicialmente, não me dei conta do enorme fardo que iria carregar, mas agora posso afirmar ter cumprido meu compromisso (minha missão), apesar das dificuldades.
Em 1991 Mestre Baixinho, juntamente com Molinha e outros alunos italianos, fundou a “Associazione Italiana di Capoeira Filhos di São Bento Grande”, na cidade de Milão.

2) Qual sua relação com a capoeira?

É muito profunda e tem influenciado todas as minhas escolhas de vida, durante meus 20 anos. As aulas que eu ministro são de segunda a sábado (no domingo descanso,ou realizo apresentações com meus alunos).

Durante os anos encontrei um equilíbrio entre a capoeira e os outros aspectos de minha vida, meu cotidiano… é só uma questão de organização.
Em primeiro lugar, decidi não viver só de capoeira porque é um caminho muito difícil e não quero correr o risco de ficar presa somente ao retorno econômico.
Para mim, o mais importante é a “autenticidade” dessa arte, por isso as pessoas que a praticam precisam entender os outros aspectos culturais, tais como a música, os fundamentos, as tradições, os rituais…

3) Que atividade você desenvolve com a capoeira?

Em 1997 comecei a dar aula para poucos alunos. Em 2000, fundei meu grupo chamado “Capoeira Sou Eu”, que ainda considero um grupo jovem; mas tenho o desejo que cresça, não só em numero de participantes, mas também em qualidade e nível de capoeira.
Desde que comecei a dar aula, sempre mantive contato com meu Mestre ou com seu Mestre (Mestre Brasília). Isso ajudou-me a ter uma direção de trabalho bem definida. Em 2007 recebi minha corda de Monitora.
Nosso grupo organiza varias iniciativas: rodas e apresentações. No ano passado organizamos uma palestra denominada “poesia in una lotta” (poesia numa luta). Tratava-se de uma apresentação cultural sobre a história da capoeira e sobre sua atual presença nas varias formas de arte e comunicação moderna (livros, pinturas, internet, propaganda…).
Aqui na Itália, com meus alunos, participamos de cursos, rodas e batizados.
Toda vez que nos é possível viajamos ao Brasil e, juntos, visitamos academias, participando de cursos e palestras.

4) Quais são os momentos marcantes que você lembra na sua trajetória?

Alguns encontros que eu tive.
Por minha sorte, pude conhecer grandes pessoas que me transmitiram muitos ensinamentos através de sua generosidade e simplicidade.
Primeiramente, o contato que sempre mantive com Mestre Brasília ajudou-me muito: devo a ele muitos conselhos que às vezes, naquele determinado momento eu nem entendia, mas que com o passar dos anos tornaram-se muito úteis.
Em 1991, durante uma viagem ao Brasil, visitei a academia de Mestre Canjiquinha. Lembro-me bem de sua alegria e também da bela rasteira que deu num aluno durante um jogo!!

Em Milão tive a oportunidade de conhecer Mestre Leopoldina, que foi até em minha casa, durante uma temporada na Itália. Quando o vi na roda, o que mais me chamou atenção foi a elegância de seus movimentos e a grande esperteza no jogo.
Enfim, em todos esses anos foram muitos os momentos marcantes e de emoção, mas talvez o mais importante foi minha decisão de continuar a treinar e de me formar na capoeira, apesar de conhecer muito bem as dificuldades que iria enfrentar por ser mulher e por não ser brasileira.

Mais informações: http://www.capoeirasoueu.it

Simona Mariotto – mariotto_simona@hotmail.com

SC: Projeto Capoeira ganha continuidade em Forquilhinha

A Prefeitura de Forquilhinha através da Secretaria Municipal de Educação apresentou na noite desta quarta-feira, dia 19, o Projeto “Capoeira – Aprendizado para a Vida” na EEB Waldemar Casagrande no bairro Ouro Negro.

A capoeira teve início em 2007 e mais de 200 crianças já passaram pelo projeto. As aulas são oferecidas para alunos da rede municipal de ensino e comunidade em geral. Este ano, além da Escola Waldemar Casagrande, o projeto continua no Loteamento Califórnia no bairro Santa Cruz.

Cerca de cem jovens e adolescentes já se inscreveram para as aulas de capoeira, que começam na segunda-feira, dia 24 de março.

Fonte: Rádio Difusora AM910 – http://www.difusora910.com.br

Seminário de Estudos e Pesquisas em Capoeira – Capoeira Viva 2007

 Seminário de Estudos e Pesquisas em Capoeira – Capoeira Viva 2007.
 Esse resultado também será divulgado via internet e imprensa.
 O evento será aberto ao público.

Programação:

9h – Mesa de abertura

10h – Mesa redonda – Capoeira, Educação e Comunicação
Muniz Sodré (Rio de Janeiro)
Luís Felipe Machado (Pernambuco)
Pedro Abib (Bahia)
Anselmo Accurso (Rio Grande do Sul)
Álvaro Malaguti (Distrito Federal)

14h – Mesa redonda – Capoeira, História e Cultura
Flávio Gomes (Rio de Janeiro)
Oswald Barroso (Ceará)
Luiz Augusto Leal (Pará)
Luiz Renato Vieira (Distrito Federal)
Letícia Vidor (São Paulo)

17h30 – Pronunciamento do Secretário Executivo Juca Ferreira

18h – Lançamento do livro: A Política da Capoeiragem, de Luiz Augusto Leal

Local:
Sol Victoria Marina – Salão Ilha de Maré
Av. Sete de Setembro, 2068 – Vitória.
Salvador – BA

UFBA lança livro sobre capoeira no Pará

O livro “A política da capoeiragem: a história social da capoeira e do boi-bumbá no Pará republicano (1888-1906)”, de Luiz Augusto Pinheiro Leal e publicado pela Editora da UFBA (Edufba), será lançado no Hotel Sol Vitória Marina, no dia 19, às 19h.

A obra trata da capoeira no Brasil no início do século XX. O foco é a região do Pará, onde a capoeira tem peculiaridades diferentes da Bahia e do Rio de Janeiro. O livro é dividido em três capítulos e mostra a relação da capoeira com o Boi-bumbá e a capanagem. Revela, também, a participação da capoeiragem na implantação da República no Brasil e as campanhas repressivas à capoeira e à “vagabundagem” na cidade de Belém.

Fonte: Tarde on Line

http://www.atarde.com.br/vestibular/noticia.jsf?id=852674

Fernando Rabelo
Belém-PA