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Abril 2008

Vendo Artigos de: Abril , 2008

Bahia: Outorga Título Doutor Honoris Causa – Mestre João Pequeno

Gostaria de comunicar a todos que ontem (23/04) ocorreu a solenidade de entrega do título de Doutor Honoris Causa ao Mestre João Pequeno de Pastinha, no salão nobre da Reitoria da UFBA, conforme amplamente anunciado.

Foi um momento histórico nessa universidade, que finalmente reconhece pública e oficialmente, os saberes de um homem não letrado, que nunca frequentou a escola e que mal sabe assinar seu nome, mas que tem uma contribuição imensa na preservação da cultura e tradição afro-brasileiras

O auditório estava cheio e pudemos reconhecer entre os participantes, muitos capoeiristas, mestres, contra-mestres, alunos e população em geral.

O estranho foi identificar apenas uma presença ínfima, de poquíssimos colegas professores desta universidade. Foi constragedor para todos perceberem a ausência dos doutores e mestres da UFBA, "legítimos" representantes do saber científico, que ao que parece, não deram tanta importância a esse momento ímpar em nossa universidade. Nem os próprios colegas da Faculdade de Educação, proponente do título, compareceram à solenidade, que além da nossa diretora Celi Taffarel, contou com a presença de somente mais três colegas.

Há algumas semanas atrás, pudemos presenciar no Teatro Castro Alves, a outorga do mesmo título ao nobre Abdias do Nascimento, pela UNEB, com a presença maciça do corpo docente daquela instituição, prestando a justa reverência a esse grande personagem de nossa história.

Será que nossos nobres colegas da UFBA ficaram constrangidos em dividir o "douto" do salão nobre da reitoria com um nonagenário capoeirista analfabeto ???

Parece que temos ainda um percurso muito longo a percorrer no sentido de superar o pensamento retrógrado e preconceituoso reinante na academia, que não reconhece o valor e a dignidade dos saberes populares frente aos saberes científicos, e não faz o mínimo esforço para prestigiar um momento tão importante para sociedade baiana, como foi a solenidade de ontem à noite.

Lamento muito !

Prof. Pedro Abib – FACED/UFBA

São Paulo: VIRADA CULTURAL e 24 Horas de Capoeira

VIRADA CULTURAL

26 e 27 DE ABRIL/2008

Senhores Organizadores:

A Virada Cultural acontecerá no Largo do Paissandu (em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário) nos dias 26 e 27 de abril, com início ás 18horas do sábado.

Ficou determinado que todos os organizadores participarão das 24 horas de capoeira em tempo integral. A Chegada ao Camisa será ás 11hs do sábado. Algumas funções já estão previamente definidas e outras serão passadas na quadra do Camisa.

Os Mestres serão recepcionados ás 12h do sábado na quadra da Escola Camisa Verde e Branco, na Rua Jamis Holland, nº.633. (ao lado do supermercado Wall Mart). Será servido almoço para os Mestres Homenageados e para a organização da Virada Cultural. Para os demais será cobrado convite de R$10,00.

Os mestres serão recepcionados e conduzidos na quadra do Camisa pelos Mestres: Adelmo, Nei e Luana.

Os mestres: Aberre, Paulo e Padinha deverão estar no largo do Paissandu para averiguar as instalações, (palco, som, cadeiras, etc.) e orientar os seguranças para evitar o assédio aos Mestres em sua chegada.

Teremos dois oradores para apresentar os Mestres na Camisa Verde e Branco e no largo do Paissandu: Mestre Mane e Nei.

Mestra Mara e Profa.Renata ficarão responsáveis para orientar os grupos no local.

Na rodas abertas todos os organizadores devem estar obrigatoriamente presentes.

Após o almoço, pontualmente ás 17h, um ônibus conduzirá os Mestres para o Largo Paissandu e aguardará até o final da roda de abertura dos Mestres, para aqueles que quiserem retornar a quadra da escola. Lembrando que no domingo, os Mestres deverão comparecer para o fechamento da Virada Cultural ás 15h30, no mesmo local.

O valor do transporte ainda está sendo definido, mas ficou decidido na última reunião que os organizadores se responsabilizariam pelo valor do custo do ônibus.

Para os grupos que irão se apresentar, deverão entrar em contato o mais rápido possível com o Mestre Baiano e passar o número de pessoas do grupo, a placa e o tipo de carro que irá conduzir o grupo ao centro da cidade. O mesmo deverá deixar o grupo, sair do local e retornar no final da apresentação para pegá-los. (Segue abaixo o horário das apresentações).

A Galeria Olido disponibilizara salas para troca de roupas, etc.

Todos os grupos que irão se apresentar deveram levar seus instrumentos (exceto atabaque, que estará disponível no local) e devem estar no local no máximo 15 minutos antes dos seus respectivos horários e com seus instrumentos afinados.

O acesso ao centro da cidade será restrito e as ruas estarão interditadas, mas o metrô funcionará 24hs.

Aguardamos a todos, para uma bonita festa e qualquer dúvida entrar em contato através de e-mail.

Segue abaixo o horário das apresentações dos grupos:

Horários:

ü 18h – Roda de Abertura “Velha Guarda da Capoeira”

ü 20h – Adelmo

ü 21h – Jibóia

ü 22h – Nanico

ü 23h – Cavaco

ü 24h – Roda Aberta – Organizadores

ü 1h – Mané

ü 2h – Magrão

ü 3h – Zambi

ü 4h – Gugu

ü 5h – Paulão

ü 6h – Pingüim

ü 7h – Baiano

ü 8h – Biné

ü 9h – Maurão

ü 10h – Organizadores

ü 11h – Catitú

ü 12h – Dinho Nascimento

ü 13h – Roda aberta Feminina

ü 14h – Ney

ü 15h – Roda Aberta – Organizadores

ü 16h – Roda de fechamento “Velha Guarda da Capoeira”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A Esportivização da Cultura Capoeirana: Dilemas e Desafios das Políticas Públicas para o Setor

Introdução

Atualmente, há um debate polêmico com contornos indefinidos no meio capoeirano que se remete ao campo em que essa manifestação deve se situar: no campo do esporte ou no da cultura? O fato é que, paulatinamente, vem acontecendo um processo de esportivização da capoeira no Brasil e sua intensificação deu-se a partir da década de 1970, por ocasião da vinculação dessa manifestação da cultura afro-brasileira à Confederação Brasileira de Pugilismo (CBP). Esse tratamento esportivo a ela dispensado foi, ao longo dos tempos, incrementado por competições, festivais, torneios etc, fomentados por algumas ações institucionais, como, por exemplo, os campeonatos organizados pela CBP, pela Confederação Brasileira de Capoeira (CBC)[1] e pelos Jogos Escolares Brasileiros (JEB’s)[2].

Entre os que debatem o fenômeno da esportivização no interior das práticas corporais em geral podemos encontrar vários autores que fundamentam suas críticas sob o argumento de que as manifestações da “cultura corporal de movimento” , ao serem esportivizadas, passam a ser tratadas de forma unidimensional e fragmentada, à medida que aspectos constitutivos relevantes inerentes às mesmas, como historicidade, determinantes sócio-políticos, subjetividade, exercício do lúdico, são subestimados em detrimentos de outros que caracterizam a lógica esportiva, como competição, racionalização, regramento, rendimento etc. No Brasil, podemos citar, entre outros autores: Bracht (1987, 1992 e 1997), Bruhns (1993), Castellani Filho (1988), Kunz (1991, 1994 e 1996) e Oliveira (1994).

A inclusão da capoeira no rol das práticas esportivas representa uma situação inusitada. Trata-se de uma manifestação oriunda das camadas subalternas, dos negros-escravos, que durante muitos anos foi condenada e proibida pelo poder constituído. Segundo Rego (1968), "o capoeira desde o seu aparecimento foi considerado um marginal, um delinqüente, em que a sociedade deveria vigiá-lo e as leis penais enquadrá-lo e puni-lo" (p. 291).

Ao adentrar o mundo esportivo, a capoeira passa a incorporar códigos e valores diferentes daqueles que a moldavam por ocasião de seu surgimento. Ela pode estar sendo recodificada, regrada e normatizada, negando, possivelmente, alguns dos seus elementos essenciais, como a o exercício do lúdico e espontaneidade.

Este artigo tem por objetivo analisar criticamente o processo histórico[3] de esportivização da capoeira a partir de suas relações com as instituições, os códigos e as legislações que regem o esporte nacional.

As considerações aqui apontadas podem servir como subsídios para a adoção de políticas públicas para o setor. A preocupação aqui não é identificar os indícios embrionários ou explícitos de conservação ou contestação dos valores impregnados no contexto da capoeira, sejam eles advindos da lógica esportiva ou cultural, nem tampouco defender o que é certo ou errado, mas tentar evidenciar a trama que se processa no interior dessa manifestação, a partir de arranjos e rearranjos traçados pelos sujeitos e instituições que com ela se envolvem.

 
Crítica Social ao Fenômeno da Esportivização

Cumpre aqui explicitar que o esporte é um dos mais expressivos fenômenos do mundo contemporâneo. Na esteira do capitalismo, expandiu-se a partir da Europa para todo o mundo e se transformou em expressão hegemônica no campo da cultura corporal de movimento.

Numa visão menos elaborada, esporte significa qualquer forma de exercitação física (jogos, lutas, danças e ginástica) cujo objetivo, para muitos, está associado a uma compensação do desgaste sofrido em decorrência do trabalho; ou então, a uma forma de canalizar o comportamento agressivo, ou ainda, a uma forma de satisfazer a necessidade de pertencimento a um coletivo. No sentido de entender melhor esse fenômeno, convém destacar que o esporte, tal como conhecemos nos dias de hoje, é resultado de um complexo processo de modificação de elementos da cultura corporal de movimento, que teve origem na Inglaterra, no século XVIII, a partir das transformações dos jogos populares pela nobreza inglesa, em decorrência da industrialização e da urbanização, que levaram a novos padrões de vida, com os quais aqueles jogos eram incompatíveis (DUNNING, citado por BRACHT, 1997, p. 10).

As características básicas que caracterizam o que poderíamos chamar de planeta esporte podem ser resumidas em: competição, rendimento físico-técnico, recorde, racionalização e cientifização do treinamento. É importante observar que tais características estão intimamente sintonizadas com os princípios que regem a sociedade capitalista.

Valter Bracht (1997) reconhece que o fenômeno esportivo é multifacetado, no entanto, identifica a supremacia de duas vertentes no seu interior: a) esporte de alto rendimento ou espetáculo e b) esporte como atividade de lazer. O esporte como atividade de lazer deriva do esporte de alto rendimento ou de espetáculo, mas também se apresenta de forma diferenciada em relação ao sentido interno de suas ações.

No bojo desse hegemônico fenômeno da cultura corporal de movimento, algumas críticas são levantadas, principalmente no contexto acadêmico, no que diz respeito aos seus valores humanos e sociais. Os fundamentos dessas críticas foram sistematizados por Bracht (1997) e estão consubstanciados, principalmente, nos pressupostos da teoria marxista ortodoxa, que analisa o esporte como elemento de reprodução da força de trabalho, nos da teoria crítica da Escola de Frankfurt, nos da teoria do “corpo disciplinado” de Michel Foucault e nos da teoria sociológica de Pierre Bourdieu.

É interessante destacar que tais críticas, mesmo que esporádicas e assistemáticas, remontam o início do século XX. Algumas delas estiveram associadas a movimentos sociais bem definidos, como, por exemplo, o movimento ginástico e esportivo organizado a partir de 1913 pelos trabalhadores da Bélgica, da Tchecoeslováquia, da França, da Inglaterra e da Alemanha, a partir de uma “Internacional Esportiva”. Os eventos esportivos e as olimpíadas dos trabalhadores aconteciam sem o uso do cronômetro, de fitas métricas e tabelas de resultados, exploravam exercícios lúdicos, as atividades coletivas e cultuavam gestos simbólicos de solidariedade. Este movimento realizou três grandes olimpíadas de trabalhadores e produziu grande quantidade de documentos que expressavam várias críticas ao chamada esporte “burguês”.

As críticas elaboradas a partir dos pressupostos de orientação frankfurteana (Teoria Crítica) tinham como referência básica o neo-marxismo expresso nas obras de Hebert Marcuse, Theodor Adorno, Max Horkheimer e Jürgen Habermas. Bracht (1997, p. 26 e 27), apoiado em Salamun, sumariza duas teses da Escola de Frankfurt que transpareceram na crítica ao esporte de forma mais pronunciada: a) a tese da coisificação ou alienação, segundo a qual nas sociedades industrializadas e no mundo do trabalho, a sociedade e os homens não são aquilo, que em função de suas possibilidades e sua natureza, poderiam ser. Neste caso, as relações se efetivam a partir de uma razão instrumental ou racionalizada, coisificando-as; b) a tese da repressão e manipulação, na qual a sociedade moderna altamente tecnologizada, industrializada e desenvolvida, representa um sistema de repressão, dominação e manipulação.

A partir dessa leitura, é possível afirmar que o esporte assume a função de estabilizador do sistema social como um todo, e pelo fascínio que exerce, muito bem monitorado pela mídia eletrônica, atua como um desvio da atenção das coisas que realmente garantem uma vida digna e como um atenuador das tensões sociais. Enfim, um elixir compensatório para amenizar as insuportáveis condições materiais em que vive a maior parte da população. “Assim, diluem-se as energias necessárias para uma transformação das condições societárias, que são assim inibidas e não acontecem. Todo gol comemorado no esporte é, na verdade, um gol contra a classe trabalhadora” (BRACHT, 1997, p.28).

Um outro aspecto destacado por Bracht (1997), refere-se à função ideológica do postulado da igualdade de chances no esporte. “A igualdade formal de chances no esporte pressupõe uma correspondente forma de sociedade. Tal idéia nega a fundamental desigualdade de chances inerente à sociedade capitalista e eleva o princípio esportivo da igualdade de chances a um princípio geral da sociedade” (p. 29).

As críticas ao esporte com base nos pressupostos do pensamento de Michel Foucault apontam que o mesmo promove disciplinação e controle do corpo através do treinamento e da manipulação, tornando-o uma peça da sociedade. Enquanto Adorno percebia o controle dos corpos através da manipulação psíquica, via meios de comunicação de massa, Foucault percebia tal integração sendo concretizada através de procedimentos disciplinares de corpos, levados a efeito por instituições como a escola, a fábrica, a prisão etc. Nesse raciocínio, o esporte moderno pode ser interpretado como disciplinador do corpo. Por intermédio do poder que circula e atua em cadeia em todas as instâncias sociais, o corpo é disciplinado não só no sentido “negativo” da repressão, mas também, no sentido “positivo” da manipulação/estimulação. A partir dessa ótica, o corpo já não tem linguagem própria, ele não se exercita, é exercitado, não é senhor de si, mas escravo de várias agências, como os clubes, os esportes, as torcidas, os quartéis etc., que os transforma em algo regulado, condicionado, fechado às experiências sensíveis.

As críticas ao esporte com base nos pressupostos da teoria da educação (socialização) de Bourdieu partem do princípio de que o consumo e prática do esporte contribuem para a reprodução das diferenças de classe. Segundo ele, o esporte traz consigo a marca de suas origens: além da ideologia aristocrática que aparentemente o propaga como atividade desinteressada e gratuita, perpetuada pelos rituais de celebração, “contribui para mascarar a verdade que realmente interessa, tanto nos dias de hoje quanto em sua origem (…)” (BOURDIEU, 1983, p.143).

Essas críticas endereçadas ao esporte em geral e ao de rendimento, de forma mais contundente, parecem não abalar a trajetória desse fenômeno. O esporte tornou-se unanimidade mundial, conquistou poder e é capaz de criar eventos que seduzem a maior parte da população do planeta, como a Copa do Mundo as Olimpíadas, por exemplo. Juntamente com a mídia, divulga padrões de comportamento de alto poder de contágio. Provoca histerias coletivas e, no caso do futebol, no Brasil, é capaz de desencadear comoção nacional e fazer com que todos (ou quase todos) seus habitantes se orgulhem de serem brasileiros, apesar das gritantes diferenças de classes sociais. Mas, por mais contundentes que sejam as críticas, por mais que tantos já tenham desaconselhado a sua prática, Kunz (1994, p. 44) destaca que “ninguém conseguiu abalar ou ameaçar, este tipo de esporte, mais do que ele próprio, nos últimos tempos” . E apresenta dois problemas muito sérios no mundo inteiro que podem levar à sua autodestruição: “o treinamento especializado precoce e o uso do doping” (p. 45).

As Propostas de Esportivização da Capoeira

O autor pioneiro a defender a capoeira como esporte foi Mello Morais (1893/1979) que na década de 1890 já sinalizava com a possibilidade da capoeira se transformar em “esporte nacional”. Como integrante das elites brancas da virada do século XIX, Mello Morais se utiliza de alguns argumentos realçados de positividade: a capoeira era esporte, era mestiça e era nacional. Para justificar seus postulados inverte praticamente todos os elementos dessa manifestação, construindo um “passado glorioso” para a mesma e destituindo o que ela tinha de “mal e bárbaro”. Com isso dá os primeiros passos no lento processo de transformação desse símbolo étnico em esporte.

Em 1928, o escritor Coelho Neto publicou o artigo “Nosso Jogo”, no qual apresenta uma proposta pedagógica de inclusão da capoeira nas escolas civis e militares, chamando a atenção para a excelência da capoeira como ginástica e estratégia de defesa individual. No mesmo ano, Aníbal Burlamaqui publica o livro: Ginástica Nacional (Capoeiragem) Metodizada e Regrada, onde apresenta regras para o jogo esportivo da capoeira (REIS, 1997).

Em 23 de julho de 1953, em Salvador, Mestre Bimba, o criador da Capoeira Regional[4], fez uma exibição com os seus alunos para Getúlio Vargas, no Palácio da Aclamação, ocasião em que ouviu do então Presidente da República: “a capoeira é o único esporte verdadeiramente nacional” (ALMEIDA, 1994, p. 44).

Outros autores apresentaram estudos sugerindo a transformação da capoeira em esporte institucionalizado. Entre eles, destaca-se o professor Inezil Penna Marinho[5]. Atualmente percebe-se que o movimento rumo ao processo de esportivização da capoeira tem adquirido mais vigor. Sob o discurso da necessidade de se organizar melhor para produzir mais, boa parte dos capoeiristas está adotando a lógica do sistema esportivo. Atualmente já são mais de vinte federações estaduais vinculadas a CBC.

Essa forma de organização da capoeira pelo víeis esportivo tem encontrado muitas resistências, tem sido alvo de ácidas críticas e tem servido mais para atender interesses pessoais e/ou corporativos do que para organizá-la efetivamente.

É importante reafirmar que a ação institucional que fomentou a vinculação da capoeira ao contexto esportivo foi o seu reconhecimento como modalidade esportiva pela Confederação Brasileira de Pugilismo (CBP), em 1º de Janeiro de 1973. Tal reconhecimento, e conseqüente regulamentação, não encontrou ressonância por parte de expressivo número de líderes da capoeira nacional. O que pode ser observado é que o vínculo com a CBP pouco contribuiu para o crescimento e organização da capoeira em geral. Com a criação da CBC, em 1992, fica explícita a adoção de uma política esportiva para esta manifestação. A clara intenção de padronização, normatização e unificação de procedimentos dão a tônica do discurso para evitar, segundo seu primeiro presidente, “que curiosos e aventureiros a tornem uma grande confusão internacional e venha a desaparecer por completo” (CONFEDERAÇÃO RESPONDE, 1997, p. 4).

O fato é que isso não ocorreu e a capoeira ganhou o mundo nos últimos anos e esse fenômeno não ocorreu sob a égide do esporte, mas fundamentalmente, como símbolo da cultura brasileira.

A inclusão da capoeira nos Jogos Escolares Brasileiros (JEB’s) a partir de 1985 foi também um dos grandes motivos que contribuiu para o fomento da esportivização da capoeira. A capoeira então se projeta ao fazer parte da mais representativa festa dos esportes estudantis no Brasil.

As tentativas de se organizar e normatizar a capoeira vêm contribuindo para a sua evidência no cenário esportivo brasileiro. Entretanto, muitas dessas tentativas esbarram, na maioria das vezes, em diversos impasses e conflitos de lideranças ávidas em verem seus projetos pessoais serem contemplados pelas políticas públicas de fomento ao esporte.

O que se questiona em relação a essas tentativas de padronização da capoeira dentro dos contornos do esporte de rendimento, é se elas não estariam negando a pluraridade dessa manifestação cultural, bem como os seus valores sócio-históricos e culturais arquivados em seus rituais cantos e gestos. Com uma boa dose de irreverência e fértil imaginação, os capoeiristas que discordam dessas estratégias vem chamando essa capoeira padronizada de “capoeira shopping center”.

Considerações Finais

Á luz do que foi apresentado, procuraremos apontar alguns dilemas que permeiam as políticas públicas para o setor.

O fato é que a capoeira ainda carece de uma consistente política pública que dinamize o seu potencial formador tanto no campo esportivo como no campo cultural. As iniciativas levadas a cabo pelo poder público ainda são rarefeitas e pontuais como, por exemplo, o programa “Ponto de Cultura” , encampado pela Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura (SPPC/MinC), lançado em março de 2005, com aporte de R$ 1 milhão e 850 mil, para a implementação de dez “pontos de cultura” para a capoeira na cidade de Salvador.

No discurso proferido para representantes das Nações Unidas, em Genebra, no dia 19 de Agosto de 2004, o Ministro da Cultura do Brasil proclamou que “não foi fácil para a capoeira colocar o pé no mundo” e transformar-se numa arte planetária. “Muitas foram as adversidades enfrentadas ao longo da história: preconceitos sociais e raciais, perseguições policiais e rejeição das elites”. Na ocasião, anunciou que o governo brasileiro estava disposto a fazer uma reparação histórica em relação a esta manifestação dos africanos escravizados no Brasil e, naquela tribuna européia, diante de diplomatas do mundo inteiro, promoveu o lançamento das bases de um futuro Programa Brasileiro para a Capoeira.

Torna-se necessário, nesse momento, retomar o sentido político original da capoeira, ou seja, os motivos subjacentes e as circunstâncias em que ela foi criada. Produção cultural dos negros à época da escravidão, serviu como estratégia corporal de libertação e pautou-se pela contestação às regras de dominação social.

Assim, ao contrário do esporte, cuja mensagem principal está centrada nos princípios básicos da sobrepujança e das comparações objetivas, que têm como conseqüência imediata o selecionamento, a especialização e a instrumentalização (KUNZ, 1991), a mensagem da capoeira embutida em seus gestos, rituais e cânticos sugere indeterminação, ruptura e ambigüidade, onde a arte e a mandinga, ao refletirem uma interioridade, uma visão própria de mundo, incompatibilizam a padronização e o regramento.

Para Bracht (1997, p. 70) o esporte é:

uma atividade com um conjunto de regras de fácil compreensão, ao contrário por exemplo, das regras do jogo político que são complexas e muitas vezes não transparentes. O resultado de uma competição é anunciado imediatamente após o seu encerramento e não deixa dúvidas (…). A simplicidade de sua linguagem, faz possível que um jogo de futebol seja entendido e apreciado tanto aqui no Brasil, quanto na China, por exemplo.

A visão de que para termos bons capoeiristas teríamos que ter campeões soa como uma hipocrisia. Obviamente, não estamos aqui defendendo a total ausência de rendimento. Isso é impossível, mas sugerindo, como propõe Kunz (1996), um “rendimento como algo necessário mas não obrigatório” (p. 101). Nesse sentido, estamos de acordo com Valter Bracht quando destaca:

A idéia defendida e disseminada (e falsa) é a de que para motivar e termos uma população ativa esportiva e fisicamente precisamos de heróis esportivos que atuariam como exemplos, análoga à idéia de que para construirmos bons carros de passeio precisamos desenvolver carros de formula l.(BRACHT, 1997, p. 83)

A ambigüidade parece ser um componente intrínseco da capoeira, quando vista sob a lógica da cultura popular. Numa análise aligeirada ela pode denotar indeterminação, incerteza, dúvida, mas isso não é uma falha, defeito ou carência de um sentido, como destaca Chaui (1989). Trata-se de uma propriedade que contém ao mesmo tempo várias dimensões simultâneas.

É dentro dessa concepção multifacetada que as políticas públicas para a capoeira devem ser geridas. Ou seja, através de programas interministeriais e intersetoriais que envolvam as diversas interfaces da capoeira. As políticas públicas poderiam contribuir enormemente para o fomento desta que é um dos principais veículos de divulgação da cultura brasileira.

 

Referências

ALMEIDA, Raimundo C. A. de. A saga de Mestre Bimba. Salvador: Ginga Associação de Capoeira, 1994.

BOURDIEU, Pierre. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983.

BRACHT, Valter. A criança que pratica esporte respeita as regras do jogo …capitalista. In: Vitor Marinho de Oliveira (org.). Fundamentos pedagógicos: Educação Física. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1987.

Educação Física e aprendizagem social. Porto Alegre: Magister, 1992.

Sociologia crítica do esporte: uma introdução. Vitória: UFES/CEFD, 1997.

BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei n. 85/95 do Sr. José Coimbra. Reconhece a capoeira como um desporto genuinamente brasileiro e dá outras providências, 1995.

BRUHNS, Heloísa Turini. O corpo parceiro e o corpo adversário. Campinas-SP: Papirus, 1993.

CASTELLANI FILHO, Lino. Educação Física no Brasil: a história que não se conta. Campinas: Papirus, 1988.

CHAUI, Marilena. Conformismo e resistência: aspectos da cultura popular no Brasil. 3ª Edição. São Paulo: Brasiliense, 1989.

CONFEDERAÇÃO RESPONDE. Jornal Muzenza: o informativo da capoeira., Ano 3, n. 28, p. 4, 1997.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino da Educação Física, São Paulo: Cortez, 1992.

KUNZ, Elenor. Educação Física: ensino e mudanças. Ijuí: UNIJUÍ Editora, 1991.

Transformação didático-pedagógica do esporte. Ijuí: UNIJUÍ Editora, 1994.

O esporte na perspectiva do rendimento. Diretrizes curriculares para a educação física no ensino fundamental e na educação infantil da rede municipal de Florianópolis-SC. NEPEF/UFSC-SME, 1996.

MARINHO, Inezil Penna. A ginástica brasileira: resumo do projeto geral. 2ª Edição. Brasília: Autor, 1982.

MORAIS FILHO, Melo. Capoeiragem e capoeiras célebres. In: Festas e tradições populares. São Paulo: EUSP/Itatiaia, 1979.

OLIVEIRA, Vitor Marinho de. Consenso e conflito na educação física brasileira. Campinas: Papirus, 1994.

PIRES, Antônio Liberac Cardoso Simões. A capoeira no jogo das cores: criminalidade, cultura e racismo na cidade do Rio de Janeiro (1890-1937). (Dissertação de Mestrado), História, Campinas-SP, Unicamp, 1996.

REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico. Salvador: Itapuã, 1968.

REIS, Letícia Vidor de Souza. O mundo de pernas para o ar: a capoeira no Brasil. São Paulo: Publisher Brasil, 1977.

SALVADORI, M. A. B. Pedaços de uma sonora tradição popular (1890 –1950) (Dissertação de Mestrado) Campinas: Unicamp, Departamento de História. 1990.

SOARES, Carlos Eugênio Líbano. A negregada instituição: os capoeiras no Rio de Janeiro, 1850-1890. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1994.

VIEIRA, Luiz Renato. O jogo de capoeira: cultura popular no Brasil. Rio de Janeiro: Sprint, 1995.

FALCÃO, José Luiz Cirqueira

Dr., Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Mestre de Capoeira

Palavras-chaves: capoeira, esportivização, poder.

Nova Zelândia: “A Capoeira como instrumento de integração social”

O sempre dinâmico camarada Contra-Mestre Eurico, do Instituto Volta Por Cima, agora vivendo na Nova Zelândia está desenvolvendo um trabalho com capoeira e fazendo um mestrado em ciências sociais.
Eurico desenvolveu uma pesquisa, que está ligada aos seus estudos na Lincoln University, com o tema: "A Capoeira como instrumento de integração social".

A pesquisa é direcionada para estrangeiros que praticam ou tem envolvimento com a capoeira e busca ajudar quem ensina fora do Brasil.

 

Dear Capoeirista (Capoeira Practitioner),

You are receiving an e-mail asking you to participate in the following research:

Capoeira and its Social Integration processes in non Brazilian Multicultural Contexts

The aim of this research is to investigate to what extent Capoeira practice is associated heightened awareness of aspects of Brazilian culture, when practiced in non-Brazilian contexts. It is part of a postgraduate course of studies I am undertaking at Lincoln University, in New Zealand.

Participation is completely voluntary. It would consist in answering the attached form and sending it back to the contact address bellow. This questionnaire form will ask you about some of your details (e.g. age, sex, ethnicity). It will also ask about your ‘level of acculturation’ – this relates to how you see yourself in relation to Brazilian culture.

It will take you no more than 20 minutes to complete the questionnaire. This form needs to be filled out only once. After this, you might be contacted again for further research concerning a different research study on a similar topic. At that time you may once again decide if you want to participate.

If you decide to complete the questionnaire, note that you free to refuse to answer any one or more of the questions, and you can withdraw from the study without explanation. To withdraw your information, simply contact the lead researcher, Eurico Vianna, at Lincoln University (see the contact details below) and he will destroy your information at any point up to the time the first research report is submitted for publication.

Any information you provide will be only used for research purposes. The researcher and the course supervisor, Dr. Gary Steel, will be the only ones able to access the answers, and you can be sure that all the information provided by you will remain confidential. Once all the data is analysed, a report of the findings may be submitted for publication. Only group-level results will be reported; it will not be possible to identify any individuals in the report. A summary copy of these results will be sent to all participants. In addition, we would be pleased to fully answer any questions you may have at the end of the study.

Please be aware that if you are under-aged (under 16 years old), you must disregard this e-mail.

By sending back the completed questionnaire, the researcher will understand that you have read and understood the description of the above-named project, and that on this basis you agree to participate as a subject in the project, and that you had consented to the publication of the results of the project with the understanding that anonymity will be preserved. You will also have understood that you may withdraw from the project, including withdrawal of any information you had provided.

If you had decide to participate and you think some of your own contacts and/or students could be interested, as well, please send a list with their names and e-mail addresses together with your reply and the researcher will contact them. You may also publish this e-mail (exactly in the way it was sent to you) on your group’s website. Please do not forward this e-mail directly to your contacts. The researcher must keep track of the response rate as part of the research.

Thanks for your help.

Kind Regards,

Eurico Vianna

Contact details:

e-mail: barretoe@lincoln.ac.nz – eurico.vpc@gmail.com  

Supervisor’s contact details:

Dr. Gary Steel

e-mail: steelg@lincoln.ac.nz

ESD Division
P.O. Box 84
Lincoln University
Canterbury, New Zealand

Volta Por Cima Institute
Capoeira, Education and Culture
Christchurch, NZ
Coordinator – Contra-Mestre Eurico
Direction – Mestre Suassuna (Brazil)
mobile: 64 0210256606

Fortaleza: Capoeira contra a Dengue

Jovens se mobilizam contra a desinformação

Diário do Nordeste – Fortaleza
http://diariodonordeste.globo.com

Capoeiristas da comunidade fazem "Roda de Capoeira" para ajudar no Combate ao Mosquito da Dengue.

Voluntários da Igreja Batista Central de Fortaleza e moradores da Vila Pery realizaram ações de combate à dengue

O quintal de Wilson e Lúcia Peixoto é um dos maiores da Rua do Cruzeiro, em Pedras. Nele, existe até criação de galinhas e horta. Apesar de estar em uma das áreas de maior incidência da dengue, o casal afirma que procura manter o procedimento correto para evitar focos do mosquito Aedes aegypti.

A residência deles foi uma das visitadas por um grupo de voluntários da Igreja Batista Central de Fortaleza (IBC), em mutirão realizado ontem nos bairros do Novo Ancuri, Santa Fé e Pedras. A operação foi batizada de “Eu amo seu quintal” e teve o objetivo de visitar os quintais das casas para conscientizar a comunidade quanto às medidas de controle e combate à dengue.

Antes de entrar em ação, o grupo de 60 jovens recebeu orientação específica sobre os mitos da reprodução do Aedes aegypti do biólogo Ricardo Marques. Além da entrega de dois mil folders educativos e de 500 sacos de lixo, houve orientações sobre a manutenção da limpeza das ruas e uma apresentação de peça teatral com palhaços. A ação contou com o apoio da Secretaria Executiva Regional VI.

Outra igreja que também andou se mobilizando contra a doença foi a de São Raimundo, no bairro Rodolfo Teófilo. Lá, a homilia do padre Raimundo Kavanagh deu lugar a uma palestra sobre o ciclo do mosquito transmissor; ao crescente número de casos no bairro; e às formas de evitar a doença.

Além da ação durante as missas desse fim-de-semana, palestras semelhantes devem ocorrer na próxima quarta-feira, durante as novenas na igreja. Conta o sacerdote que a idéia partiu de um outro padre da paróquia, depois de uma reunião sobre dengue numa unidade de saúde do bairro. “Um padre e um seminarista redentoristas nossos tiveram dengue, o que nos preocupou ainda mais”, lembrou.

A professora Ivanete Gomes, de 43 anos, aprovou de pronto a iniciativa. “O fato de as pessoas ainda impedirem a entrada dos agentes sanitaristas nas casas é um grande empecilho para evitar a reprodução do mosquito. Acho também que levar esse assunto para as igrejas pode ajudar a acabar com isso”, disse. A palestra na igreja foi resultado de uma parceria entre a paróquia, a Regional III e a Guarda Municipal.

Vila Pery

Por avançar cada vez mais na lista dos bairros da Secretaria Executiva Regional IV que registram casos de dengue, a Vila Pery disse não à dengue nesse fim-de-semana. Com letras de combate à doença em forma de marchinhas de Carnaval e forrozinho pé-de-serra, moradores puxados pelo bloco Pery Boneco percorreram ruas do bairro estimulando a adesão de voluntários à causa.

A concentração ocorreu no cruzamento das ruas Estênio Gomes e Dom Henrique, com direito à roda de capoeira do Grupo Legião Brasileira de Capoeira. Enquanto percorriam ruas como Gabriel Fiúza e Costa Freire, os foliões da luta contra a dengue distribuíam 10 mil panfletos com dicas de alerta a alguns sintomas da doença, além de cinco mil adesivos.

Segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado, o bairro já apresenta 54 casos de dengue em 2008, ocupando o sexto lugar na lista dos 19 bairros da Regional VI com casos da doença. “A dengue pode te pegar / A dengue pode te matar / Se deixar água parada / Ela pode te pegar / Não esqueça a caixa d’água / Use roupa adequada / Não vá vacilar”, dizia um dos trechos do forró.

Com apoio da Prefeitura de Fortaleza, a caminhada não pôde contar com o reforço da Guarda Municipal, antes confirmado, porque os guardas ficaram envolvidos na ação de vedação de caixas d’água que tem ocorrido nos fins-de-semana em Messejana, bairro que mais concentra casos da doença na Capital. “Mas isso não nos enfraqueceu. Vamos conseguir mobilizar, pelo menos, 300 pessoas e afastar de vez esse mosquito”, disse o coordenador do bloco, Jaymes Alves.

MUNICÍPIO – 18 postos de saúde vão estar funcionando hoje

Hoje, feriado de Tiradentes, 18 Centros de Saúde da Família da rede municipal estarão abertos para atender à população. Estavam previstos para funcionar 19, mas o Centro de Saúde Paulo Marcelo, no Centro, não funcionará. A abertura dos postos se deve ao grande número de pessoas com suspeita de dengue.

Os Centros vão funcionar em regime de plantão, das 7h às 19h. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, eles contarão com uma equipe composta por médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem. A população deve procurar atendimento nos locais mais próximos de suas residências.

LÊDA GONÇALVES E LUDMILA WANBERGNA
Repórteres

Diário do Nordeste – Fortaleza
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Uberaba – Capoeirista diz ser o verdadeiro autor de projeto premiado

Conforme o Jornal da Manhã noticiou no dia 10, após ser selecionado pelo Ministério da Cultura como um dos grupos vencedores do Prêmio Capoeira Viva 2007, o Muzenza Mirim de Uberaba ganhou do governo federal
R$ 6 mil. No entanto, Wagner Borges Silva, coordenador da equipe, afirma que o dinheiro não chegou ao grupo.

De acordo com ele, o projeto vencedor nem mesmo estava em prática na cidade. "Trata-se de uma parceria que tínhamos com a Prefeitura, em que dávamos aulas de capoeira nas escolas municipais da cidade. Porém, desde 2004 esse projeto está parado", explica.

O coordenador conta, ainda, que o projeto atendeu em torno de 1.880 crianças, em15 escolas, durante os quatro anos em que foi desenvolvido. "Realmente é um bom projeto, pois, para participar, a criança tinha que estar estudando. Então, nossa equipe ia para a escola fora do horário de aula dos alunos e ensinava as técnicas da capoeira", relembra.

Tanto tempo depois do encerramento das atividades, Silva conta que se surpreendeu com a notícia de que o projeto havia sido selecionado. "Nós não o inscrevemos. Ficamos assustados em saber que ele havia sido escolhido. De cara, percebemos que havia algo errado", relata.

No entanto, o coordenador confessa que a surpresa foi ainda maior ao descobrir que o projeto estava inscrito em nome de outra pessoa, segundo ele, uma mulher que não faz parte do grupo. "Nunca ouvi falar no nome dela. É uma farsante utilizando o nosso grupo e, agora, vai pegar esse dinheiro", conta.

Como o projeto era desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, o capoeirista conta que se reuniu, no começo da semana, com representantes do órgão, na tentativa de resgatarem o prêmio e descobrir quem está por trás da farsa. "Após a reunião, marcamos uma reunião com o Ministério da Cultura, que será realizada na semana que vem. Vamos desmascarar essa mulher e processá-la", diz.

Ministério. Na Secretaria de Incentivo e Fomento à Cultura (Sefic), do Ministério da Cultura, foi confirmada a inscrição do projeto em nome de Eleusa das Graças Gomes, que teria apresentado toda a documentação exigida. Seu nome consta, inclusive, no site oficial. No entanto, na Secretaria, não souberam informar se o prêmio já havia sido resgatado. Diante da denúncia, a situação deverá passar por análise.

Jornal da Manhã – Uberaba
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Crônica: Quem é você que vem de lá?

Dizem que cheguei aqui em condições precárias, e sem saber quem eu era. Que passei dias de fome, sede e frio. Não sei se é verdade, mas a verdade que tenho dentro de mim é que sou fruto do encontro de três raças.

Sou mandinga, malícia e jogo, porque sei ganhar e perder.
Sou homo, porque não tenho sexo definido, ou seja, sou homem, menino e mulher.
Sou inodoro, porque não tenho cheiro.

Dizem que tenho minhas origens na pele preta, mas acredito que sou incolor, pois não tenho cor e sou de todos.

Sou fera, porque deixo o meu rastro por onde passo.
Sou fruto daqui desta terra.
Sou sua, e você é meu.

Sou vida porque vivo dentro de você, então você sou eu.
Sou pagã, derradeira e escudeira.
Sou a exclusão de uma sociedade e sou aceita pela mesma.
Sou uma escória. Por que me rotularam assim? Não importa,
sou a história deste povo.

Dizem que me libertaram em 1930, mas acho que sempre fui livre, sou dona de mim, por isso sou assim, ágil, lenta, rasteira, malandra, adulta e infantil, eu sou brasileira.

Sou cúmplice daqueles que me querem.
Tenho a minha própria sina, pois sou gentil e amorosa.
Sou cortês, acho que tenho que ser sempre assim, afinal a "cortesia é contagiosa".
Sou irreverente e equilibrada.
Assim sou eu, altamente minuciosa.

Transpassei o transcurso do meu tempo e acredito que viverei eternamente porque sou passada de boca em boca, de geração à geração.

Assumo que tive meus dias de repressão, mas me fiz vitoriosa, tenho meus fundamentos baseados na minha própria tradição, fiz a minha própria lei.

Sou luta, pois estive na guerra. Guerreei junto com o meu povo.
Sou arte porque sou bela e talvez a mais bela de todas elas.
Sou dança porque me mecho mediante a música e me solto no compasso da minha ginga.
Sou cultura, sou a estrutura de um povo.

Peço a você que me identifique,
Você me dirá como quer me pintar.
Com licença, permita que me apresente.
Meu nome é capoeira.
Sim, sou eu, sou eu camará.

Agora lembre-se sempre que sou daqui desta terra.
Estive na colheita do café, cortei cana nos canaviais.
Estive amordaçada nas senzalas e violada por maus feitores, mas rodei minha baiana e dei a volta por cima.
Me tornei a coqueluche daqueles que diziam ser meus senhores.

Sou eu, sou eu camará.
Eu sou capoeira.

Sou o brilho e o ofuscar das nuvens escuras que sobrevoavam sobre mim naqueles tempos, tempos de tristeza, maldade e desasossêgo. Como? Remordimento? Nunca!

Fui acorrentada, e por mim muitos foram sacrificados.
Reconheço o esforço de todos.
Mas o que passou, passou e esse tempo já é passado.

Hoje sou plena e agradecida, mas para chegar a esse ponto tive que viver na noite, na esbórnia, na boemia e na malandragem. Nesse tempo todo mundo já me conhecia e nele eu dei cabeçadas e rasteiras.

Vaguei pelos becos, tive minha morada no gueto, me transformei em cineasta, hoje deleito de uma vida vasta.

Sou eu, sou eu camará.
Sou eu capoeira.
Sim, sou agradecida e rebelde, pois estive um período à merce da delinquência.

Mas, me informei, me graduei e no meu diploma queriam que contasse que fui vadia por ter me refugiado na alegria das ruas. Sim, é verdade! Queriam também que contasse o perfil de uma das profissões mais antigas do mundo.

Lembre-se, vivi nas ruas, rodei dentro de grandes círculos e centros, dei a volta ao mundo, mas não sou vagabunda.

Meu nome é capoeira
Sou eu, sou eu camará.
Sou a digestão de "tudo o que a boca come".
Sou aquilo que você quiser.

Mas lembre-se, que eu bato com a mão, a cabeça e o pé.

Sou anjo e criatura, porque fui a própria desordem, e hoje eu sou camará, a ordem e progresso do meu povo.

Para concluir deixe-me resumir toda uma vida de persistência e experiência.

"Desde a noite que me envolve, negra como um poço escuro de polo a polo, agradeço aos deuses, quaisquer que sejam, por minha alma indomável. Nas garras dos ferozes das circunstâncias, não me entreguei, nem gritei com voz alta, de baixo dos açoites injustos. Tenho a cabeça ensanguentada, não inclinada. Para mim não importa que a porta seja estreita ou que eu tenha um pergaminho carregado de condenas. Eu sou a dona da minha sorte, eu sou a capitã do barco em que navega o meu espírito". Eu sou capoeira.

 

Texto de:
Wellington de O. Siqueira.
Mestrando CINZENTO.
Tel: 600072978
cinzentocapoeira@hotmail.com
www.aluacapoeira.com

Sesc Senac Iracema: Espetáculo Besouro Cordão-de-ouro

O palco vai se transformar numa grande roda de capoeira com atabaques, berimbaus, pandeiros e caxixis, para ilustrar a vida de Besouro Cordão-de-Ouro, o Exu Kerekekê dos candomblés baianos. O espetáculo teatral Besouro Cordão de Ouro será apresentado nesta terça, 15, dentro da programação do Festival Palco Giratório. Com texto, músicas e letras inéditos de Paulo César Pinheiro, direção geral de João das Neves e direção musical de Luciana Rabello, o espetáculo fala sobre Manoel Henrique Pereira, o Besouro Cordão de Ouro, um lendário capoeirista da região de Santo Amaro, na Bahia.

No musical, diversas histórias envolvendo alguns dos feitos extraordinários atribuídos a ele são contadas por outros capoeirista. O elenco é formado apenas por atores negros, escolhidos em workshops do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro. O grupo contou com a coordenação e preparação corporal dos mestres Casquinha e Camisa.

Besouro, nascido em Santo Amaro da Purificação, deixou seu nome gravado nas rodas de capoeira por esse Brasil inteiro. Homem conhecedor de política, impunha respeito e temor aos poderosos daquele princípio de século XX na velha Bahia. Sua vida virou lenda. Além de capoeirista, também tocava violão e compunha sambas-de-roda e chulas.

SERVIÇO

Espetáculo Besouro Cordão-de-ouro hoje, 15, às 20 horas, no Sesc Senac Iracema (rua Boris, 90C – Praia de Iracema). Ingressos: R$ 6 e R$ 3. Informações: 3452 1242.

20 Anos – Roda de Capoeira no Mercado Público de Florianópolis

RODA DO MERCADO – 20 ANOS – 1988 – 2008

LUGAR DE RESISTÊNCIA

A Roda de Capoeira no Mercado Público de Florianópolis foi criada no ano de 1988, com a iniciativa do Contra-mestre Alemão pelo Grupo Capoeira Angola Palmares. Sempre realizada aos sábados, já teve a presença de importantes mestres e professores de Capoeira da Bahia, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
No dia 05 de julho de 2005 foi lançada a campanha “Mercado em Movimento” que procura transformar este lugar em um espaço permanente de manifestações culturais.

Lutar pelo direito de estar no Mercado produzindo cultura com a Capoeira, é contribuir para a revitalização do Espaço Cultural Luiz Henrique Rosa e pela valorização e preservação do nosso passado, não como algo que envelhece e se decompõe, mas enquanto história permanente que nos educa e conscientiza.

Este ano estaremos no dia 19 de Abril festejando os vinte anos de Roda no Mercado, uma festa que contará com a presença de praticantes e simpatizantes desta arte afro brasileira.

A realização deste evento é do Grupo Capoeira Angola Palmares com o apoio da Central Catarinense de Capoeira Angola.

Serviço:
Quando: 19 de abril de 2008 – 10 hs
Local: Vão Central do Mercado Público – Espaço Cultural Luiz Henrique Rosa
Apresentação de maracatu, maculelê e Roda de Capoeira com a presença de Mestres de Capoeira de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Tempo de duração do evento: 3 horas.
Contatos: Joseane Corrêa – jocapoeira@yahoo.com.br Fone: 84125266
Danuza – dmeneghello@yahoo.com.br Fone: 32381860

 

Berlim: O NOSSO ENCONTRO 2008

"O NOSSO ENCONTRO" é dedicado à todas as pessoas sensatas como você!

 

Mestre Saulo e o Grupo I.U.N.A gostariam de convidar vocês a participar de:

“O NOSSO ENCONTRO“ de capoeira e dança, que se realizará de 01 à 04 de maio 2008 em Berlim.

 

COMO JÁ CHEGAMOS AO DÉCIMO ENCONTRO EU PENSEI EM FAZER ALGO UM POUCO DIFERENTE. A IDÉIA É PERMITIR

A CADA UM DOS PARTICIPANTES DE MOSTRAR O SEU TALENTO SOBRE O PALCO DA NOSSA FESTA. DESSA FORMA NÃO FICARÁ A IMPRESSAO DE QUE O PALCO PERTENCE SOMENTE AOS MESTRES E PROFESSORES. E NÃO IMPORTA, SE QUEIRA DANCAR, CONTAR ALGO, MOSTRAR UMA PECA DE TEATRO. TUDO É VÁLIDO; CONTANTO QUE SEJA INTERESSANTE, ENGRACADO, CULTURAL ETC… ESSA SERÁ “A NOITE DO TALENTO”. VOCÊ JÁ PODE IR PENSANDO DESDE JÁ.

 

Este ano teremos conosco cerca de dez professores brasileiros.

 

Como convidado especial de 2008, nós temos o prazer de vos apresentar, mestre Lua, que divulga excelentes obras de capoeira em Morro do Chapéu na Bahia e também em Munique na Alemanha. clique aqui para mais, sobre Mestre Lua Santana

 

No Programa: aulas diárias de Capoeira Regional e Capoeira Angola e Dança Afrobrasileira.

 

Quinta feira, 01 de maio

10:00 às 13:00 Inscrição, chá e alô…

14:00 às 15:00 rodas só alunos.

15:00 às 15:30 solta a música dj, abraço

15:30 às 17:00 aulas.

17:00 às 18:00 aulas.

18:00 às 18:30 pausa.

18:30 às 19:30 roda.

20:00 às 24:00 espontaneidade: a noite de 1°de maio aqui…

 

Sexta feira, 02 de maio

08:30 às 10:00 café da manha.

11:00 às 11:30 doação de camisetas.

11:30 às 13:00 aulas.

13:00 às 15:00 aulas.

15:00 às 15:30 pausa.

15:30 às 17:00 rodas.

20:00 às Abend des Talents, janta, chá e diversão.

 

Sábado, 03 de maio

08:00 às 10:00 horas – café da manha.

11:00 às 12:30 aulas.

12:30 às 13:30 aulão.

13:30 às 14:00 pausa, sorteio.

14:00 às 15:00 aulas.

15:00 às 16:00 rodas.

16:00 às 17:30 obrigado.

18:00 às saída musical.

19:00 às 03:00 hangão, festa. Caipirinha.

Obs: janta e festa grátis só para os participantes.

 

Domingo, 04 de maio

09:00 às 11:00 cafézão com mestres e professores.

12:00 às 14:00 aulas.

14.00 às 14:30 aulas.

14:30 às 16:00 rodas, rodao.

Pente fino.

Atividades extras: massagem turca, o nosso chá, as rodas após o ginásio, o passeio musical pela cidade, sorteio, etc. ; aqui…

 

Aos participantes de “O NOSSO ENCONTRO” oferecemos café da manha na sexta, no sábado e no domingo; uma janta no sábado e estadia, alem das surpresas.

 

O preço para a participação é de 80 euros para os quatro dias.

 

Inscrição, café, janta e festa naunynstrasse 63 em Kreuzberg. metrô Kottbusser Tor; mapa…

 

O Ginásio: Sportplatz Lohmühleninsel-Flatow-Halle

Endereço: Schlesische Strasse, esquina com a Schleusenufer, em Kreuzberg. veja o mapa…

Soltando no metrô Schlesisches Tor linha 1. (cerca de 5 minutos a pé)

 

(favor trazer instrumentos e saco cama).

 

a noite de 1°de maio: aqui…

 

Aqui, profissionais da Regional e da Angola se encontram todos os anos e trabalham juntos em harmonia, como amigos de infância.

 

Apoio GloboTur "O Seu Canal Brasileiro De Viagens"

Fale com o Vinicius www.globotur.de

 

A nossa associação é responsável pelo grande encontro internacional de capoeira e dança "O NOSSO ENCONTRO", que deu início em 1999. Se realiza em Berlim uma vez ao ano no mes de maio, ligado ao aniversário do organizador mestre Saulo. Mestres e professores que já participaram nos anos anteriores são: mestre Rui, mestre Samara, mestre Umoi, mestre Alexandre Batata, mestre Ulisses, mestre Sorriso, mestre Laércio, mestre Jorge, contra-mestre Urubú, contra-mestre Requeijão, contra-mestre Wil, contra-mestre Perna Longa, prof. Nagô, prof. Joel, prof. Pé de Vento, treinel Leozinho, mestre Bailarino, mestra Maria Pandeiro, mestre Will, instrutor Cunhadinho, instrutora Esmeralda, Nadia, Ailton, Murah (dança afro), Genilda (samba) e outros.