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Maio 2008

Vendo Artigos de: Maio , 2008

Mestre André Lacé cutucando a razão e o brio das lideranças fluminenses.

Agenor Moreira Sampaio – Sinhozinho – Capoeira Utilitária.

Cutucando a razão e o brio das lideranças fluminenses ("fluminense", aliás, que não amarelou, ontem, para o habilidoso e milongueiro Boca Junior) – de repente – a eles "realizam" a importância da Capoeiragem do Rio Antigo (e do moderno também).
O fato é que – por enquanto – os capoeiras estão muito além da Capoeira.

Especialmente os daqui do Rio de Janeiro que, antes, eram exemplo modelar para o resto do Brasil (ODC, Plácido, Manduca, Maltas e Turma da Lyra, Zuma, Inezil, Sinhozinho, Hermanny etc, sem precisar a criativa capoeira que era praticada no subúrbio do Rio e na Baixada Fluminense).

Anualmente os governos – municipais, estaduais e federal – gastam milhões com a capoeira.

Agora mesmo, recebo e-mail de Cuba dizendo que tem um grupo de capoeira por lá, patrocinado por verbas públicas brasileiras. Quem seleciona tais grupos?

E quanto as verbas milionárias que acabam de ser liberadas pelo governo federal?

O projeto do professor-doutor Luiz Sergio Dias, carioca da gema, escritor premiado, não foi aprovado. Mas caberá a uma instituição baiana escrever um livro sobre a Capoeira do Rio de Janeiro. Quem seleciona, afinal, tais projetos, sobre quais critérios?

As lideranças fluminenses, seguindo obediente o rebanho, devem estar aplaudindo.

Repito, se Sinhozinho (e outros) fosse baiano, já teria uns cinco diplomas da Câmara dos Vereadores, da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, e de Brasília.

Os baianos não estão errados, o Rio é que poderia voltar a ser o que era.

Imagine uma cerimônia de mudança de placa na Rua Agenor Sampaio, uma outra em função de una guaribada (necessária) no jazigo da família de Sinhozinho, uma outra comemoração no Quilombo Leblon, que também foi imitado, imagine, finalmente (mas sem esgotar o assunto) a publicação de um livro sobre todos esses motes, com algumas apresentações a cargo de um Luiz Sergio, Lamartine e alguns outros.
No outro dia filmei Rudolf Hermanny jogando com um de seus alunos, também veterano. Eu mesmo fiz questão de fazer uma "sombra" com o Rudolf: que noção de espaço e da dinâmica de qualquer luta, que festival de recursos inteligentes e eficazes. A idéia é mandar o filme (ficou muito amador, espero fazer coisa melhor) para a Itália, onde Mestre Coruja vai realizar cursos para as Forças Armadas, com base na capoeira utilitária de Sinhozinho.

Aliás, da Itália, recebo a gravação de uma canção italiana com um excelente berimbau de fundo (para médico-professor baiano algum colocar defeito).

Vou, agora, jogar algum colesterol ao mar e, em seguida, voltar a trabalhar nas memórias da capoeiragem do Rio Antigo.

Parabéns pelo seu trabalho.

André Luiz Lacé

Fonte: http://capoeira-redentor.blogspot.com

Aconteceu: 14 anos de Associação Brasileira de Capoeira Nação Dom Bosco

Dia 26 de abril de 2008, ocorreu o aniversário de 14 anos de Associação Brasileira de Capoeira Nação, no Colégio Dom Bosco em Porto Alegre.

O evento foi organizado pelo Mestrando Paulo Grande, e estiveram presentes seus alunos do colégio Dom Bosco, Maria Auxiliadora, Migrantes, dos projetos sociais Escola Aberta, na Vila Dique e o pessoal do Educandário São Luís, Além de pais e outros convidados. Como Padre Lino da Congregação Salesiana, que prestigiou o evento e ressaltou a importância do trabalho da capoeira na formação e trajetória no desenvolvimento dos alunos no colégio.

Também comemorando 14 anos de capoeira, estiveram presentes os Graduados Cabeleira e Coelho, que começaram com Mestrando Paulo Grande no mês de Abril de 1994 no próprio Dom Bosco.

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A festa foi muito bonita e a empolgante os recém chegados trouxeram alegria e grandes promessas a Capoeira Nação.

Depois de uma roda muito descontraída, a comemoração foi na sala onde são feitos os treinos de capoeira com direito a bolo de aniversário, refrigerantes e muitos sorrisos!

Parabéns ao mestrando Paulo Grande pelo bonito trabalho no colégio Dom Bosco, aos Graduados Cabeleira e Coelho e as crianças que se divertiram e vivenciaram a capoeira!

Axé Nação…

Mestres: moda socialmente responsável

A marca de roupas de capoeira e moda streetwear Mestres tem, desde sua criação, a Responsabilidade Social como ingrediente principal da sua receita de sucesso.

Depois de pesquisar diversos trabalhos sociais ligados à confecção visando encontrar seriedade e comprometimento, a Mestres formou uma forte parceria com a ONG Clube de Mães do Brasil, em São Paulo. O Clube de Mães luta ha muitos anos pela educação infantil e pela formação profissional de jovens e adultos, tendo oferecido capacitação profissional para mais de 70 mil pessoas, incluindo ex-moradores de rua e pessoas em processo de reabilitação. A Mestres encontrou no Clube de Mães projetos que vão de encontro com dois de seus maiores valores; a educação e oportunidade de desenvolvimento profissional.

Desde então, os produtos da Mestres são confeccionados através do projeto ‘Transformando Mãos que Pedem em Mãos que Fazem’ onde moradores de rua podem ser capacitados para trabalhar com corte e costura e muitas vezes chegam a ser contratados pela própria ONG para trabalhar na oficina. Alem de o projeto dar importância ao desenvolvimento humano, ele ainda tem a responsabilidade de gerar dinheiro para manter um segundo projeto: o ‘Educando para a Liberdade’, que oferece à crianças de 3 a 14 anos o acesso diário à educação e alimentação. O objetivo do Projeto é garantir um desenvolvimento saudável para as crianças, oferecendo-lhes aulas de cidadania, teatro, artes, atividades esportivas e recreativas inclusive a Capoeira, dada em parceria com o Mestre Brasília.

Por conta deste envolvimento social, a Mestres foi por três vezes a primeira colocada em importantes concursos na Europa que avaliaram centenas de projetos. O Ekilibre 2006 elegeu a Mestres como a empresa que melhor atua no Comercio Justo e o Petit Poucet 2006 e o Envie D’Agir 2006 que a nomearam a melhor entre novos projetos de negocio. Dentro do meio da moda, a Mestres foi convidada a participar no Paris Fashion Week 2007 e no Rio Fashion Week 2007, dois dos mais importantes eventos do circuito mundial.

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O conceito de responsabilidade social praticado pela Mestres ainda é mais valorizado no exterior, onde a marca tem forte atuação, mas certamente será incorporado em breve por marcas e consumidores no Brasil.Serviço:

Aproveite e conheça mais sobre a marca e os projetos sociais que são beneficiados a cada peça vendida em: www.mestres.com.br

Aconteceu: 2º Festival de Capoeira – Associaçao Sportiva Axé Capoeira Firenze

A Associaçao Sportiva Axé Capoeira Firenze realizou o 2º Festival de Capoeira aqui na Italia nos dias 23, 24, e 25 maio que contou com a presença de nomes da capoeira baiana como: Mestre Orelha , Mestre Raimundo Dias, Mestre Braga e Mestre Del bruto, contou também com a presença de vários professores de toda Italia, o evento foi organizado pelo Mestre Boca Nua, com o apoio da prefeitura da cidade de Firenze. ( Essa Associaçao existe desde 1995 registrada aqui na Italia ).

Até breve e muito Axé,

Mestre Boca Nua

mestrebocanua@gmail.com

Do quilombo ao Leblon

Na semana em que comemoramos os 120 anos da Lei Áurea, a coluna “Histórias do Rio” visitou um lugar na Zona Sul da cidade que guarda a marca dos abolicionistas. O repórter Márcio Gomes foi até o Alto Leblon, onde no fim do século 19 foi criado um movimento de resistência à escravidão. ( Para ver o vídeo da matéria, clique aqui )

O som que invade as ruas estreitas e íngremes do Alto Leblon ecoa pelo tempo. O instrutor de capoeira Leonardo Dib Boiadeiro sabe que, mais do que ensinar a ginga, está mantendo uma tradição que começou aqui no século 19.

A história do Quilombo do Leblon veio à tona quando o escritor Eduardo Silva lançou o seu livro “As Camélias do Leblon e a abolição da escravatura – uma investigação de história cultural”. Na ocasião o instrutor de capoeira Leonardo Dib conhecido como Boiadeiro, estava desenvolvendo um trabalho de capoeira e valorização da cultura afro brasileira nas dependências do Clube Campestre da Guanabara. Ao tomar conhecimento do livro percebeu que o espaço onde estava atuando estava intimamente ligado as suas propostas de trabalho. Assim começou o projeto Camélias do Leblon. Em sua primeira edição que foi realizada no dia 13 de maio de 2006 o capoeirista realizou o plantio de uma Cameleira para marcar o retorno das “Camélias da Liberdade”. O evento foi seguido de apresentações de Jongo, Capoeira, Samba de Roda, Maculêlê e uma feijoada, desde então sempre no dia 13 de maio é realizado o “Camélias do Leblon” que este ano homenageou em sua 3ª edição o grande poeta negro, Solano Trindade, que faria 100 anos.

Solano Trindade era poeta, pintor, teatrólogo, ator e folclorista. Nasceu no dia 24 de julho de 1908, no bairro de São José, no Recife, capital de Pernambuco. Era filho de Manuel Abílio, mestiço, sapateiro, e da quituteira Merença (Emerenciana). Estudou até completar um ano de desenho no Liceu de Artes e Ofício. A partir de então, começa a escrever.

Solano Trindade foi o poeta da resistência negra por excelência.

História:

Quilombo na Zona Sul produzia as camélias, símbolo do movimento abolicionista

Existia no Alto Leblon, no século XIX, um "sítio encantador, de cujo plateau se descortinava um dos mais belos e dos mais empolgantes panoramas (…), em cujo meio vicejavam camélias brancas, aparecidas nas festividades promovidas com escopos liberatórios", na época do movimento da Abolição da escravatura no Brasil. Era na verdade, segundo o depoimento do jornalista Brício Filho, "a afamada chácara – batizada sob o nome de Quilombo do Leblon – benéfico esconderijo dos perseguidos pela ferocidade dos escravocatas". A história desse pequeno, mas fundamental quilombo – criado numa época em que havia centenas de outros no país, formados por escravos que naqueles anos fugiam em massa de seus senhores – é contada pelo historiador Eduardo Silva em As camélias do Leblon e a abolição da escravatura – Uma investigação de história cultural (Companhia das Letras), que será lançado na Bienal do Livro (entre 15 a 25 de maio).

Pela primeira vez, os segredos da camélia, o símbolo do movimento abolicionista, são desvendados. Quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, ganhou de presente dois buquês de camélias: um de flores artificiais, da Confederação Abolicionista, e outro de flores naturais, cultivadas pelos negros do Quilombo do Leblon. Quem a presenteou foi o dono da chácara subversiva, o comerciante de malas José de Seixas Magalhães, um português que mantinha uma loja na elegante Gonçalves Dias. Na sua pesquisa, Silva, historiador da Casa de Rui Barbosa, logo viu que o mistério das camélias nunca seria desvelado se ele não destrinchasse as atividades clandestinas do quilombo que Seixas protegia, na então bucólica Zona Sul do Rio.

– Foi um quilombo fundamental para a assinatura da Lei Áurea – afirma o historiador, que começou a se interessar pelo assunto quando reparou, certo dia, com olhar de suspeita, os três pés de camélias do jardim da casa de Rui Barbosa, até hoje no mesmo lugar onde floresciam, com sua beleza desafiadora, quando o eminente intelectual lá vivia: dois na frente, avistados por quem passa pela São Clemente, e outro embaixo da janela do quarto dele.

Assim como eram uma senha para os abolicionistas se identificarem, exibidas na lapela, as camélias foram a porta que o historiador abriu para se lançar na pesquisa sobre o quilombo, que teve, como conta o livro, uma ligação secreta com a influente Confederação Abolicionista. O jornal A Gazeta da Tarde, chefiado por José do Patrocínio, era o órgão oficial da Confederação, que "por detrás dos panos ajudava a organizar e a manter o Quilombo do Leblon".

– É importante fazer essa ligação entre a elite, que defendeu a Abolição no Parlamento e nos jornais, com a luta dos negros, nos quilombos. A Abolição foi uma conquista, não uma benesse da princesa. Foi a elite e o povão negro que fizeram a Abolição – diz Eduardo Silva.

Sendo flores delicadas e "cheias de melindres com o sol dos trópicos", segundo o historiador, as camélias exigiam técnicas modernas e cuidados especiais: para o seu cultivo, "somente um trabalhador livre de todas as amarras".

– Ninguém tinha levado tão a sério o simbolismo das camélias, a ponto de estudá-lo. Mas, por trás do simbolismo, está o Quilombo do Leblon. Para pesquisar algo tão secreto, só mesmo encontrando uma porta, como foram as camélias da casa de Rui Barbosa no meu caso. É um livro bem pequeno (140 páginas, boa parte de apêndices), mas deu muito trabalho. Para mim, foi também uma revelação – conta Silva.

O quilombo das camélias é mencionado en passant em cartas, como na correspondência entre Seixas e Rui Barbosa, citado em charges de Ângelo Agostini – muitas das quais ilustram o livro -, descrito em depoimentos orais que tiveram alguma forma de registro. Até a literatura ajudou Silva. Em A conquista, Coelho Neto, que trabalhou na Gazeta da Tarde, escreve que "para os lados da Gávea, em frente ao mar, havia um quilombo mantido pela Confederação Abolicionista e, no escritório da Gazeta da Tarde, (…) negros e negras sentados melancolicamente fumavam esperando que lhes dessem destino".

Diferentemente da maior parte dos quilombos, que Silva chama de "quilombos-rompimento", lugares para onde os escravos fugiam para se esconder e morar, o Quilombo do Leblon seria do tipo abolicionista, que contava com a proteção de pessoas influentes. Rui Barbosa, que lançou em 1869 a tese de que a escravidão era ilegal, foi uma dessas pessoas, segundo os indícios levantados por Silva. O livro mostra que a tese de Barbosa fez a Abolição, no Brasil, ser decretada sem indenização aos proprietários de escravos. Outro quilombo-abolicionista seria o de Jabaquara, em Santos, organizado em terras cedidas por um abolicionista, abrigo para milhares de negros.

Nova história do negro muda Brasil pela raiz: Ação de José do Patrocínio e de André Rebouças e o destemor dos escravos foram decisivos para a Abolição

Resgatar a história dos quilombos, segundo Eduardo Silva, é uma maneira de modificar o Brasil pela raiz.

– É humilhante para os negros, na sua condição atual, dizer que eles não tiveram papel na Abolição. Porque eles tiveram um papel preponderante. O lado subversivo do abolicionismo, esse lado secreto, tem de ser destacado. O fim da escravidão foi conquistado. E a elite negra, liderada por José do Patrocínio e André Rebouças (engenheiro que foi tesoureiro da Confederação Abolicionista), desempenhou papel muito importante. Eles influenciaram a princesa Isabel e ela adotou, corajosamente, a causa abolicionista – diz o historiador.

Com o respaldo dos abolicionistas, aumentou o destemor dos negros.

– Os escravos fugiam em massa. As fazendas amanheciam vazias – destaca Silva.

Curiosidade sobre os quilombos cresceu em 1988
A curiosidade sobre os quilombos, no Brasil, tem crescido desde a Constituição de 1988, que reconheceu, no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o direito à posse da terra de remanescentes de quilombos. Em alguns casos, há comunidades negras que vivem há 300 anos em seus lotes. Eram pessoas que permaneciam invisíveis para a sociedade e que passaram a se reconhecer e a se identificar, orgulhosamente, como quilombolas. Sua história, que também estava invisível, começa a ser contada. Nas biografias de Patrocínio, por exemplo, não há referência ao Quilombo do Leblon.

– É uma história invisível, até porque eles não queriam ser descobertos. Mas isso mudou de forma perceptível. É por isso que cada geração precisa reescrever a História. O movimento negro avançou muito, e isso é um sinal da transformação da sociedade brasileira – destaca Silva, que em As camélias do Leblon sugere muitas outras pesquisas a serem feitas sobre quilombos e mocambos.

No momento em que os quilombolas travam batalhas judiciais pela posse de terras, o livro de Eduardo Silva ganha um contorno social.

– Eu tenho esse compromisso. É preciso fazer a política de ação afirmativa no sentido simbólico, porque os negros não entraram na nossa História – destaca o historiador, autor de Dom Obá II d’África, o príncipe do povo, no qual conta a história do príncipe africano que foi um personagem pitoresco do Rio, no fim do Império, muito ativo na conquista da sua liberdade. – O que tento fazer, e isso também no livro sobre dom Obá, é contar a nova história do negro, porque ele foi um agente ativo na História. É impossível, hoje, continuar a se ter a interpretação tradicional. É preciso rever o racismo entronizado na nossa História.

E como sinal de que a releitura do passado pode mudar a cultura popular, a história de dom Obá, embora tenha sido tema de uma tese de doutorado, inspirou o samba da Mangueira de 2000. Se Zumbi é símbolo de luta pela liberdade, não pode ser considerado um símbolo do movimento abolicionista. Já a nova história dos quilombos pode ajudar a compreender o papel dos negros naquele momento crucial da História do Brasil.

Fonte: http://rjtv.globo.com/

Mestre Bimba no 10° Festival de Cinema Brasileiro de Paris!

O 10° Festival de Cinema Brasileiro de Paris acontece de 7 a 27 de maio de 2008 na capital francesa. Dentro da programação, temos o orgulho de apresentar o filme "Mestre Bimba, a capoeira iluminada" de Luiz Fernando Goulart.

"Mestre Bimba, a capoeira iluminada" conta, através de depoimentos de antigos alunos e imagens inéditas em cinema, a historia de Mestre Bimba – Manuel dos Reis Machado (1900-1974), que dedicou a vida a dar dignidade e luz à capoeira. Um homem de origem humilde, grande jogador de capoeira e, principalmente, um extraordinario educador. Seu nome é a primeira referência do aluno de capoeira em qualquer pais que esteja. A ele são dedicadas milhares de musicas cantadas nas rodas de capoeira dos cinco continentes.

O filme sera exibido no cinema Le Latina (20 rue du Temple – 75 004 Paris), nos dias seguintes:

– Sexta-feira 23 de maio às 14h
– Sábado 25 de maio às 22h
– Segunda-feira 26 de maio às 14h

para mais informações sobre o festival (programação, horarios, etc.) : www.jangada.org

 

para mais informações sobre o filme Mestre Bimba, a capoeira iluminada : http://www.mestrebimbaofilme.com.br/

Pesquisa: Mulheres podem praticar lutas?

 

Marco Antônio de Carvalho Ferretti, Bacharel em Esporte e Mestrando em Educação Física pela USP, na sua graduação desenvolveu a seguinte pesquisa: Mulheres podem praticar lutas? Um estudo sobre as representações sociais de lutadoras universitárias.

Sob a supervisão do Prof. e Dr. Jorge Dorfman Knijnik, Marco Antônio, ex-lutador de muay thai e boxe, em 2006 realizou esse trabalho com boxeadoras, caratecas e capoeiristas.
Numa tarde fria, véspera de um feriado prolongado, me encontrei com ele na USP, logo depois que nosso papo começou, fomos alcançados pelo som de um berimbau: por uma coincidência inesperada, estava começando uma aula de capoeira do outro lado da enorme quadra do Clube.

 

De onde surgiu a idéia de desenvolver essa pesquisa?

Eu estava em casa assistindo a uma luta de boxe feminino, quando minha namorada me perguntou o que eu assistia.
Ao ouvir minha resposta ela me questionou pelo fato que o boxe não é um esporte propriamente feminino.
Realmente foi constatado que tem um certo preconceito da sociedade em geral em relação as mulheres lutadoras, pois a luta, não faz parte do universo feminino mas parece mais afasta-las da própria maneira convencional de ser mulher.

Ainda hoje as lutas são relacionadas mais ao universo masculino que ao universo feminino, por quê?

Existe o conceito de GÊNERO “[…] que seria a construção cultural permanente daquilo que é considerado de homem ou de mulher.”; ou seja, o gênero são os “papéis” destinados pela sociedade para homens e mulheres (masculino / feminino); o conceito BIOLÓGICO: homem / mulher e o conceito de SEXUALIDADE: heterossexual / homossexual / bissexual… porém muitos vêem a construção de gênero como natural, já vem assim da natureza; misturando o biológico com o gênero, como também fazem ligação do gênero com a sexualidade, como se fosse a regra o(a) homossexual representar o gênero oposto do seu biológico, o que não ocorre dessa maneira.
Na nossa sociedade as lutas pertencem ao universo masculino, enquanto outras modalidades entram no universo feminino (vôlei, danças etc.). Pode-se até cair no erro de confundir o gênero com a sexualidade e assim criar o preconceito que as mulheres lutadoras com algumas características masculinas sejam homossexuais e devido a sociedade ser homófoba isso implica em rejeição contra as praticantes de luta.

 

 

Pesquisa: Mulheres podem praticar lutas?Pesquisa: Mulheres podem praticar lutas?
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Qual é a atuação da mulher moderna dentro das lutas? Quanta atenção é dada pela mídia?
 

A maioria das mulheres se aproxima a uma modalidade de luta atraída pelo bem estar que esta lhe proporciona, ou seja, o esporte está relacionado á saúde.
A atenção da mídia é nula ou mínima, as lutadoras sempre têm mais dificuldades em achar patrocinadores, o valor dos prêmios nas competições femininas são sempre menores que nas competições masculinas. E ainda existe o problema do apelo erótico da mulher no esporte e nas lutas, onde o enfoque pode ser a beleza da atleta ou a roupa justamente pensada pra chamar a atenção do publico heterossexual (ex. luta livre pornô).

Quais são as maiores dificuldades que as mulheres encontram em praticar lutas?

 

Dentro da própria família, uma primeira barreira pode ser a educação recebida desde criança, geralmente os meninos estão mais estimulados à competitividade do que as meninas.
Na puberdade as meninas procuram entrar em “grupos” que tenham padrões de comportamento e de estética feminina.
Quando elas ingressarem no mundo do trabalho pode diminuir o interesse pelo esporte e o tempo pra dedicar aos treinos.
No casamento: a mulher ainda é a maior responsável pelo cuidado da casa e dos filhos “[…] tudo o que afasta a mulher do mundo da casa é algo que merece uma batalha, pois as configurações de gênero ainda colocam como prioridade para a mulher os cuidados com a família e a casa”.
Foi notado que as mulheres atletas em qualquer esporte conseguem dedicar-se á carreira quando podem contar com família e maridos compreensivos, elas estão dispostas a assumir novos papéis na sociedade, porém sua função socialmente imposta de cuidar dos filhos e da casa dificulta dela explorar outros ambientes que não seja o privado.

A mulher atual parece ainda ter uma certa dificuldade a se considerar uma “lutadora profissional”, por quê?

Existe uma motivação histórico-social:
“[…] Em nosso país, entretanto, se algumas competições para as mulheres eram realizadas, como os Jogos de Primavera, poderosas ideologias eram mobilizadas para cercear ou mesmo impedir as mulheres de praticarem esportes. A área medica no Brasil ao final doas anos 1970, ainda estava presa a conceitos que negavam com veemência a participação feminina nos esportes. O famoso fisiologista Mário de Carvalho Pini (1978) alegava que a mulher poderia até participar dos esportes, mas não deveria faze-lo em diversas modalidades (como rúgbi, futebol, lutas entre outras), porque os treinamentos ocasionariam um grande desgaste físico, além das conseqüências traumáticas e/ou estéticas dos contatos violentos proporcionados por diversas destas modalidades.”
A luta pode ainda ser considerada como um esporte agressivo, que não combina
com a feminilidade da mulher: “ […] outros modos que as atletas possuem para que a sua atividade seja aceita por elas mesmas e pelos outros, sem questionamentos quanto a sua feminilidade, é a contrariedade e mesmo a negação da luta enquanto atividade profissional para a mulher. …..são mais mulheres que treinam lutas, treinadoras, como se denominaram, a própria capoeira, como uma luta mais dançada, entra no rol das atividades que não são tão masculinas, e assim liberadas para as mulheres”.

 

 

Aconteceu: Clínica de Movimentos Acrobáticos de Capoeira e Ginástica Olímpica

Aconteceu nos dias 10 e 11 de maio a Clínica de Movimentos Acrobáticos de Capoeira e Ginástica Olímpica. Realizado pelo CEPEUSP (Centro de Práticas esportivas da Universidade de São Paulo) em parceria com a Projete Liberdade Capoeira, sob a coordenação do Mestre Gladson e dos Professores Vinicius Heine e Leandro Romualdo. O evento contou com a participação de 80 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, todos capoeiristas, provenientes de diferentes grupos de São Paulo.

O Mestre Geraldinho e o professor Andrezinho, do Grupo Cordão de Ouro – Associação Santa Maria, estiveram presentes com um grupo de alunos.

Mestre Nelson do Grupo Ginga Paulista também marcou presença com seus alunos.

O curso aconteceu em clima de descontração e amizade. Foram trabalhadas diversas técnicas acrobáticas da Capoeira, tais como Parada de mãos, a Parada de cabeça, Flic, flac, Salto Mortal de frente e de costas, Reversões, Quipes de cabeça e de nuca, entre muitos outros.

Clínica de Movimentos Acrobáticos de Capoeira e Ginástica OlímpicaClínica de Movimentos Acrobáticos de Capoeira e Ginástica Olímpica
Na Fotos da esquerda para a direita: Professores Ivan, Renato, Mestre Nelson, Mestre Gladson,
Professores Vinicius Heine e Roberto MacFadeen da Projete Liberdade Capoeira.
Professor Leandro Romualdo demonstrando a importância do alongamento.

 

Além da parte técnica, aconteceram duas palestras que engrandeceram a programação do curso. Uma sobre Aspectos Nutricionais aplicados ao Treinamento da Capoeira, proferida pela nutricionista Patrícia Peres e outra sobre Aspectos Psicológicos do Treinamento da Capoeira, proferida pelo professor e psicólogo Roberto MacFadden.

O Curso de Movimentos Acrobáticos acontece uma vez por ano, sempre no mês de maio e está na sua quinta edição. Em geral a aceitação do curso tem sido bastante grande, já que os conteúdos trabalhados possibilitam aos praticantes vivenciarem as técnicas acrobáticas da Capoeira dentro de uma proposta pedagógica e didática. O objetivo é incentivar os alunos a inserirem as acrobacias no jogo de Capoeira de forma equilibrada e responsável, de maneira a não ferir a essência do jogo da Capoeira e, principalmente, não ferir a si mesmos, já que sabemos que a execução dos movimentos acrobáticos apresentam um alto índice de incidência de lesões musculares e articulares. Para que isso não aconteça é preciso treinar gradativamente, adaptando-se ao movimento.

Para os professores e Mestres de Capoeira este curso é uma excelente oportunidade de aumentar o seu conhecimento acerca da didática par o ensino dos movimentos acrobáticos da Capoeira.

Foi reafirmada e idéia de que as acrobacias são uma parte da Capoeira, que tem como movimentos principais os ataques, as defesas, os contra ataques, os movimentos ritualísticos (como as chamadas de Angola) e os movimentos de chão. Os movimentos acrobáticos contribuem com a beleza e a plasticidade do jogo da Capoeira. Quando pensamos em acrobacias não devemos pensar em eficiência do jogo e sim em arte e expressão. O importante é executar as acrobacias em harmonia com os demais movimentos. Um jogo com ataques, defesas e contra-ataques, onde são realizados alguns movimentos acrobáticos torna-se um jogo bonito de admirável.

Agradecemos a todos que participaram do evento e esperamos contar com a presença de outros capoeiristas no próximo ano.

Maiores informações e fotos do evento podem ser acessadas no site www.projeteliberdadecapoeira.com.br ou no blog www.projeteliberdadecapoeira.blogspot.com ou ainda através do e-mail gladson@usp.br com o Mestre Gladson ou vheine@gmail.com com o professor Vinicius Heine.

 

Natal: Capoeira como arte de inclusão social

Ritmos, Origens, Desenvolvimento e Aprendizagem são os eixos de atuação da Roda, ONG potiguar que acaba de completar um ano de atividades no bairro Planalto, Zona Norte de Natal.

Para marcar a data, na semana passada, uma grande roda de capoeira e outras atividades reuniram parceiros, amigos e voluntários em um domingo de comemoração.

O grupo trabalha com a inclusão social de crianças e jovens do bairro por meio da arte da capoeira. Para isso, realiza atividades físicas, teóricas, manuais e musicais relacionadas à capoeira e outras danças afro-brasileiras.

Quatro vezes por semana, as crianças têm treino de capoeira. A noite de segunda-feira é o momento quando todas as turmas e visitantes se encontram, com a tradicional roda de capoeira. Atualmente vinte crianças e vinte jovens participam das atividades, que são gratuitas.

Para participar, as crianças têm que ser acompanhadas dos pais no momento da inscrição. A única exigência é que os alunos devem comprovar que estão freqüentando a escola.

Além da oportunidade de desenvolvimento pessoal para os jovens em situação de risco, a associação também possibilita a inclusão no mercado de trabalho. A primeira turma de capoeira do projeto do professor Zezinho forma hoje o grupo Celeiro de Bamba. A capoeira, antes usada como diversão para os ex-alunos, agora é o instrumento de trabalho deles. Os capoeiristas fazem apresentações para se sustentar.

A Associação Roda surgiu a partir do projeto Crianças Capoeiristas do Planalto, desenvolvido durante dez anos pelo professor José Cândidado, conhecido pelos alunos como professor Zezinho.

Há um ano, em parceria com a sócia-fundadora Maria Guallar e com a voluntária Chiara Lenva, o professor decidiu ampliar o projeto e criou a Associação Ritmos, Origens, Desenvolvimento e Aprendizagem (Roda).

A proposta é ampliar cada vez mais. ‘‘Além da capoeira, a gente está desenvolvendo outras atividades, como palestras e aulas de idiomas. A idéia é que a academia seja um centro, um ponto de referência para o bairro’’, conta a italiana Chiara Lenva, voluntária do grupo. A associação é formada por três diretores, três coordenadores, sócios e voluntários.

BENEFÍCIOS

A Roda aproveita os benefícios da capoeira para facilitar a socialização entre as crianças do bairro. ‘‘As potencialidades são incríveis, principalmente para as crianças que estão em um bairro de muita criminalidade e consumo de drogas’’, explica a voluntária Chiara. ‘‘Todas as crianças que participam do grupo levam uma vida saudável. E a capoeira tem regras. Elas aprendem a respeitar o outro’’.

Segundo a voluntária, as vantagens da capoeira são para toda a vida. ‘‘Em primeiro lugar, é um estilo de vida. E um estilo saudável’’, relata Chiara, que também aproveita as aulas de capoeira. ‘‘E tem o benefício social. Quando você escolhe um grupo, acha uma família. A roda é um momento especial, para ficarmos juntos com os outros’’, completa.

A academia da Roda funciona no bairro do Planalto, próximo à linha do trem. O grupo tem planos de comprar um terreno maior para ampliar as atividades. Para doações em dinheiro ou materiais, patrocínio ou oferta de ajuda voluntária, os colaboradores podem entrar em contato com os diretores pelo e-mail aroda@aroda.org ou acessar informações sobre conta bancária para depósito no site www.aroda.org

Fonte: Diário de Natal – http://diariodenatal.dnonline.com.br

Capoeira Mulheres – Entrevista: Virgínia Passos

Até onde podemos chegar?
Iê vamos simbora…


Virgínia Passos – Instrutora de capoeira e professora de Educação Física

 

Virgínia PassosVirgínia Passos
Virgínia Passos – Clique nas imagens para ampliar…

 

1) Como conheceu a capoeira e porque decidiu treinar?

Vi a capoeira pela primeira vez ainda criança na academia de Artes Marciais do Lutador campinense Ivan Gomes, que se localizava bem próximo da minha casa. Naquela época a capoeira era bastante marginalizada e esse 1º contato foi mínimo, na verdade eu não sabia do que se tratava, mas sentia que um dia iria praticar. Posteriormente, já adolescente conheci a capoeira nas ruas e voltei a sentir a energia positiva que a capoeira tem. A decisão de treinar aquela arte que me fascinava foi instantânea, o que não foi de imediato foi encontrar aonde treinar. Passei anos até encontrar um local onde poderia me matricular para conhecer melhor e aprender a capoeira.

2) Qual é sua relação com a capoeira?

No último mês de agosto fez 11 anos que tive a oportunidade de iniciar-me na capoeira. Desde lá eu vivo dentro dela. Eu respiro capoeira. Como diria o Mestre Pastinha: "Eu Como…", ou ainda, vivo nessa "Maldade", na sabedoria do Mestre Bimba.

Em dezembro de 1997 eu fiz um projeto para a Prefeitura do Município da minha cidade, Campina Grande, para colocar nossa arte como componente curricular, esse projeto era para beneficiar o meu antigo professor de capoeira. A proposta era para ele, mas o projeto era meu. A proposta foi aprovada desde que eu atuasse como monitora, pois eu era a proponente. Comecei então a trabalhar com capoeira. Atuava como auxiliar nas aulas do meu antigo professor e o resultado desta conquista foi que aprendi a dar aulas. Procurei me capacitar ao máximo, daí que senti a necessidade de um curso acadêmico, por isso optei pelo curso de Educação Física, minha Tese de Conclusão foi uma pesquisa sobre a história do Mestre Bimba. Por todos esses anos realizei e participei de alguns eventos: Batizados, Seminários, Festivais e Exibições, e assim, fiz muitos amigos, a cada evento, mais amigos. O que eu gosto mesmo é de aprender, de treinar, de sentar no chão e escutar. Não tenho pressa. Sei que vou devotar minha vida inteira à capoeira. Também não me preocupo com graduações, o capoeira vale pelo que ele é, e não, pelo que carrega na cintura. Além dos amigos a capoeira me dá oportunidade de conhecer outros lugares, outras cidades e costumes, permitindo assim, que eu seja capaz de aproveitar todos os bons momentos que a vida tem a me oferecer. Respeito toda diversidade que vejo, e todos os mestres, grupos, ideologias… Procuro entender cada filosofia, mas tenho a minha própria. Já levei muitas rasteiras, na roda e da vida. Sempre tem alguém tentando me derrubar, imobilizar ou até mesmo me afastar da capoeira. Mas como se canta em domínio público:

"Na vida se caí,
se leva rasteira,
quem nunca caiu,
não é capoeira…"

Levanto, dou à Volta ao Mundo e, nos Pés do Berimbau peço proteção a São Bento e volto para o jogo… A vida imita a capoeira e a capoeira imita a vida!!!
Graduei-me no antigo grupo no que fiz parte, onde passei 08 anos. Em 2002 conheci o Mestre Jelon, que também fazia parte do mesmo grupo e, meus valores melhoraram bastante. Foi sob a supervisão dele que realizei os quatro últimos Batizados. Quando o Mestrão resolveu fundar nossa própria identidade, eu não pensei duas vezes, "Meu Grupo é Meu Mestre…". Desliguei-me do antigo grupo sem nenhuma mágoa e tenho muito orgulho em dizer que já fui de lá.

3) Qual a atividade que você desenvolve com a capoeira?

Desenvolvo com a capoeira uma atividade educacional com crianças e adolescentes em situação de risco social. O universo infantil e infanto-juvenil é demasiadamente complexo, por isso para um apoio real ao desenvolvimento psicomotor, cognitivo e afetivo dos mesmos é preciso ‘saber entrar’ neste universo. Boas vivências nessa fase podem ser a diferença entre o sucesso e o fracasso de um indivíduo na idade adulta. A capoeira, devido a sua ludicidade e toda sua gama de movimentos e musicalidade torna-se uma ferramenta eficaz na busca deste desenvolvimento. Eu acredito que a capoeira bem ministrada é uma atividade ímpar na formação de cidadãos, e esse é o meu maior desafio. Atualmente atuo com um projeto sócio-educacional na cidade de Aroeiras no interior da Paraíba, que fica a 56 km de Campina Grande, a cidade onde resido. Atendo as pessoas ligadas a Rede Municipal do Ensino Local e os assistidos pelo PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), os resultados eu encontro a cada dia, com o desenvolvimento e a capacidade que eles apresentam e, principalmente, nos relatos dos pais, coordenadores e da sociedade local que é gratificante, quanto à melhora no comportamento dos alunos que hoje fazem capoeira.

4) Como sua família lida com uma mulher capoeirista em casa?

Moro com meus filhos e eles são meus melhores amigos. Neles encontro apoio e conforto ao meu estilo de vida, e esse modo de ver deles, é o que me interessa. A opinião dos demais familiares em relação à capoeira é indiferente a minha forma de viver e pensar, é uma opinião oscilante, sem nenhuma base e justificativa. Capoeira é o que eu sou, portanto é meu cotidiano. Ser mãe e trabalhadora faz parte do dia-dia. Capoeira além de ser minha profissão, é também onde eu me realizo como ser humano.

5) Como você vê a importância da mulher na capoeira?

A importância da mulher na capoeira vai muito além de ‘beleza’ que proporcionamos e muitos só conseguem enxergar isso. A mulher conquistou todos os espaços na sociedade moderna e com a capoeira não podia ser diferente. Existem duas formas de atuarmos na capoeira. A primeira é a Mulher Capoeira, aquelas que dedicam sua vida à arte e vivem em harmonia com ela. São mulheres guerreiras e capazes, que provam à sociedade machista que de ‘sexo frágil’ não temos nada. Agimos nas rodas de capoeira e nas ‘Rodas das Idéias’ de igual para igual. Ministramos aulas, cursos, palestras, e, coordenamos trabalhos e grupos. A segunda atuação é nas administrações de grupos, associações e trabalhos onde afirmo que mais da metade da coordenação dos trabalhos com capoeira existentes pelo mundo está sob a administração de uma mulher, que algumas vezes é apenas a namorada, companheira, aluna, mãe ou esposa do ‘líder’ do grupo e ele é quem aparece como coordenador e leva todo o prestígio. Essas mulheres atuam por amor e de corpo e alma á capoeira, e muitas vezes, o amor pelo companheiro estende-se a arte. Deixo aqui os meus sinceros Parabéns a toda Mulher Capoeira, seja esta atuante direta ou uma ‘forte coadjuvante’.

6) Para você o que é ser Mestre de Capoeira, como é sua relação com o mestre e o que ele representa:

Eu tenho minhas concepções sobre ‘mestre’. No meu conceito mestre é aquele que ensina que Dar Lições; é também quem tem um trabalho reconhecido perante a sociedade e o meio capoeirístico e; finalmente, é um título, título de reconhecimento que se adquire com muito trabalho, e dedicação à capoeira acima de tudo. O capoeira que possui um destes itens é ou será um grande Mestre de Capoeira.

7) Quais são seus planos para o futuro?

Tenho como projetos futuros conquistar e conhecer novos espaços e lugares com a capoeira, realizando e participando de eventos. Tenho um projeto para um Campeonato Interno que pretendo realizar no primeiro semestre deste ano. Ampliar e melhorar cada vez mais o meu trabalho no meu Estado é um plano paro o futuro, estendendo-o a outras cidades, sob a orientação do meu Mestre e, por fim, a publicação da minha monografia como um pequeno livreto seria a concretização daquele trabalho.

Gostaria de deixar uma pequena mensagem aos capoeiras. A capoeira tem muitas verdades, e temos que aprender a respeitar as diferença. Além da responsabilidade que carregamos, todos nós temos um papel fundamental na construção da nossa arte e temos a nossa importância. Todo trabalho com a capoeira deve ser respeitável e respeitado. A qualificação também deve ser primordial para quem quer seguir esse caminho, o conhecimento é necessário. Deve ser adquirido através do saber popular dos capoeiras mais experientes, seja com um contato oral, prático ou escrito, paralelo ao conhecimento acadêmico. Essas iniciativas são fundamentais para a qualidade de qualquer trabalho.

Contato: virginiapassos@yahoo.com.br