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Fevereiro 2009

Vendo Artigos de: Fevereiro , 2009

PROJETO “CINEMA, CAPOEIRA E SAMBA”

TODA ÚLTIMA SEXTA DO MÊS – ACADEMIA DO MESTRE JOÃO PEQUENO

Próxima Sexta (27/02) – às 19 horas na ACADEMIA DO MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA, localizada no Forte da Capoeira – Largo de Santo Antonio Além Carmo:

O filme que será exibido é “BARRAVENTO” (1962) de Glauber Rocha –  um marco do Cinema Novo, com a participação de muitos capoeiristas famosos
Em seguida uma RODA DE SAMBA TRADICIONAL comandada pelo GRUPO BOTEQUIM no bar do Geovani – em frente ao Forte

COMPAREÇAM !!!

Prêmio Brasil de Esporte e Lazer de Inclusão Social

Dia 17/02, no palácio do planalto, ocorreu a premiação referente a 1ª edição do “Prêmio Brasil de Esporte e Lazer de Inclusão Social”, oficializada pela portaria nº 144/2008 nos termos da lei nº 8.666/93 e processo administrativo nº 58701.000773/2008-34, destinado ao reconhecimento de iniciativas científicas, tecnológicas e pedagógicas que apresentem contribuições e subsídios para a qualificação das políticas públicas de esporte e lazer de inclusão.

Tal premiação, promovida pelo Ministério do Esporte através da Secretaria Nacional de Desenvolvimento de Esporte e  de Lazer (SNDEL), contemplou, entre outros(as) premiados(as), uma dissertação de mestrado desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da UFPE, de autoria do Prof. Ms. Henrique Gerson Kohl. A mesma ficou com o 2º lugar da Região Nordeste na categoria de teses/dissertações/pesquisas independentes.

“Na entrega do Prêmio Brasil de Esporte e Lazer de Inclusão Social, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (17), que parcerias para projetos esportivos entre o Ministério do Esporte, governadores, prefeituras e a sociedade, saiam do papel. Muitos municípios, segundo o presidente, já contam com quadras esportivas, mas faltam professores de educação física. “As cidades não estão preparadas para sua própria juventude”, afirmou Lula, ao apresentar como alternativa, uma maquete do programa Praças da Juventude, complexos esportivos que requalificam espaços urbanos e oferecem esporte e lazer à população.

Em concordância com o presidente, o ministro Orlando Silva justificou que “por esse motivo pensamos em construir um equipamento que servisse de referência para a juventude do Brasil”. O ministro explicou que em 2008 o Ministério do Esporte autorizou a construção de 50 praças, graças a uma parceria fundamental com o Pronasci, do Ministério da Justiça, que destinou recursos para construção de parte dessas praças.

“Nosso objetivo é construir 100 Praças da Juventude em 2009 e mais 100 praças em 2010 em parceria com as prefeituras municipais”, anunciou Silva. Cada projeto é orçado em R$ 1,6 milhão e destina-se a criação de ginásio poliesportivo coberto, pista de atletismo com caixa de areia para saltos, uma pista de caminhada e de skate, teatro de arena, centro de convivência da terceira idade e administração, num espaço de 8 mil m².

Os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff e da Educação Fernando Haddad, a primeira dama, Mariza Letícia, a secretária Nacional de Desenvolvimento do Esporte e Lazer (SNDEL), Rejane Penna Rodrigues e o presidente do Colégio de Ciências do Esporte, Fernando Mascarenhas também participaram da solenidade.

Um total de 27 pessoas entre gestores públicos, pesquisadores, professores universitários e representantes de organizações não governamentais (Ong´s) que atuam na área do esporte e do lazer de inclusão em todo o país foram homenageados. Entre os premiados estão o morador do Distrito Federal, Efrain Maciel e Silva, 29, segundo colocado na categoria Novas Mídias.

Marciel e Silva concorreu com o trabalho intitulado Boletim Educação Física. “Trata-se de um boletim digital que virou um site especializado, sem fins lucrativos, que oferece pesquisas, artigos, monografias de graduação, mestrado e doutorado para facilitar o acesso ao conhecimento científico na área de Educação Física”, orgulhou-se.

CarlaBelizária
Ascom – Ministério do Esporte

 

Foram considerados vencedores da Edição de 2008 do PRÊMIO BRASIL DE ESPORTE E LAZER INCLUSÃO SOCIAL:

CATEGORIAS COM PREMIAÇÃO REGIONAL

CATEGORIA 1: DISSERTAÇÕES, TESES E PESQUISAS INDEPENDENTES

Região Nordeste

1º lugar: Campos de visibilidade da capoeira baiana: as festas populares, as escolas, o cinema e arte 1955-1985 – Luís Vitor Castro Júnior – BA
Presidente Lula e prof. Tchê
2º lugar: Gingado na Prática Pedagógica Escolar: expressões lúdicas no Quefazer da Educação Física – Henrique Gerson Kohl – PE

Região Sudeste

1º lugar: Jogos e Cidades: ordenamento territorial urbano em grandes eventos esportivos – Sávio Raeder – RJ

2º lugar: Futebol libertário: um jeito novo de jogar na medida – Fábio Silvestre da Silva – SP

3º lugar: A Imagem Corporal de Adolescentes de Rua de Belo Horizonte e seus reflexos no processo de inclusão e exclusão social – Adenilson Idalino de Sousa- MG

Região Sul

1º lugar: Etno-Desporto indígena: contribuições da antropologia social a partir da experiência entre os Kaing -José Ronaldo Mendonça Fassheber- PR

2º lugar: (Re) Significações do lazer em sua relação com a saúde em comunidade de Irati – PR – Miguel Sidenei Bacheladenski – PR

CATEGORIA 2: MONOGRAFIAS DE GRADUAÇÃO E ESPECIALIZAÇÃO

Região Norte

1º lugar: Educação Física Escolar Indígena: O Programa Segundo Tempo e sua Importância na Revitalização dos Jogos Tradicionais das Crianças de Baré/ Manaus/AM – Jhones Rodrigues Pereira – AM

Região Sudeste

1º lugar: Análise do PELC no Município de Periquito/MG: o ponto de vista de uma comunidade usuária – Cláudio Gualberto – MG

2º lugar: Meninas e Meninos da Serra: as oficinas de esporte/lazer do Programa Agente Jovem de Desenvolvimento – Leonardo Toledo Silva – MG

3º lugar: Como transformar um obstáculo em oportunidade. Projeto social BOMBOM: Bom de Bola, Melhor na Escola! – Neimar Anunciação Gonçalves – MG

Região Sul
 
1º lugar: Mapeamento do Programa Segundo Tempo no Brasil e a gestão deste no município de Estrela/RS – Daiane Wagner do Couto – RS

Região Centro Oeste

1º lugar: O esporte com instrumento de inclusão social: um estudo na Vila Olímpica do Conjunto Ceará – Ana Amélia Neri Oliveira – DF

CATEGORIA 3: RELATOS DE EXPERIÊNCIAS
 

Região Norte

1º lugar: Esporte e Lazer de Inclusão Social para os Idosos do Tocantins – Relato de Experiência – Khellen Cristina Pires Correia Soares – TO

Região Nordeste

1º lugar: Extensão Universitária e Inclusão Social: implicações do programa O Direito na Rua para o Segundo Tempo – Adilson Silva Ferraz; Ana Maria de Barros – PE

Região Sudeste

1º lugar: Mulheres em Movimento – Antonia Efigênia Gomes Bezerra – SP

2º lugar: Futebol libertário: compromisso social na medida – Roberta Freitas Lemos; Francisco Helder da Silva; Marcelo Arruda Piccioni; Fábio Silvestre da Silva – SP

3º lugar: O processo de seleção para animadores culturais do Programa Esporte e Lazer da Cidade: consórcios PELC – Leonardo Toledo Silva – MG

Região Sul

1º lugar: Um diálogo entre Ministério do Esporte, Universidade e Conselho de Direitos dos Idosos – Suzana Hubner Wolff – RS

2º lugar: Procurando Caminho: Esporte Aventura e exercício da cidadania – Mateus Alexandre Hoerlle – SC

3º lugar: O Lazer já tomou conta da cidade de Bagé – Ana Elenara da Silva Pintos – RS

Região Centro Oeste

1º lugar: Pensando o Programa Segundo Tempo no Processo de Inclusão Social – Ivete Figueira da Silva – DF
 

CATEGORIAS COM PREMIAÇÃO NACIONAL

CATEGORIA 4: ENSAIOS

1º lugar: Pensando as políticas públicas para o etno-desporto indígena – José Ronaldo Mendonça Fassheber – PR

2º lugar: Um país olímpico sem educação olímpica? Nelson Schneider Todt – RS

CATEGORIA 5: NOVAS MÍDIAS

1º lugar: PAPPEL social – Programa de Avaliação de Políticas Públicas de Esporte e Lazer – Carlos Magno Xavier Correa; Julio César Rezende; Rômulo Vieira Ferreira; Rafael Pires de Freitas – MG

2º lugar: Boletim Educação Física – Efrain Maciel e Silva – DF

3º lugar: Praça Pública – Edison Luis Gastaldo – RS

Desde já agradeço vossa leitura e reafirmo consideração.

Cordialmente,

Prof. Ms. Henrique Gerson Kohl

Fone: 9949-4101

Capoeira de Saia 2009

Capoeira de Saia 2009 (2a edição), acontecera nos dias 01, 02 e 03 de maio deste ano, em Salvador- Bahia, com vagas limitadas e programaçao a ser divulgada em data próxima.
 
Levanta a saia la vem a maré … la vem a maré … la vem a maré …

O Programa “Capoeira de Saia” – Capacitação da Capoeira Feminina, que será um evento executado em três edições 2008, 2009 e 2010, em ambiência baiana, nacional e mundial respectivamente, e aglutinara mulheres praticantes da capoeira e áreas afins, provenientes de todo os continentes, no mês de maio em Salvador-Bahia, promovendo palestras, festivais, cursos e vivências ministradas pelos maiores mestres desta arte no Brasil.

A primeira edição já foi realizada no dia 17/05/2008, na Fortaleza de Santo Antônio Além do Carmo _ Forte da Capoeira, das 08 as 20 h, reuniu 300 praticantes e inumeros convidados (Mestre Joao Pequeno de Pastinha foi um deles, alem de tantos outros) .

Este programa nasce com o compromisso principal de promover o fortalecimento da participação da mulher na capoeira, possibilitando um maior intercâmbio entre as instituições culturais, enfocando o processo de ensino-aprendizagem da capoeira para este público, as discussões de gênero, bem como a importância, relação e contribuição no desenvolvimento histórico e social da capoeira, possibilitando desta maneira, a ampliação do nível de informação das profissionais e praticantes da capoeira e ainda o aprimoramento técnico-teórico das mesmas.

Axé camaradas,

Comissão Organizadora

Dr. Bimba…

Jorge Calmom, Jornalista, escreveu para o Jornal “A Tarde” uma crônica (artigo) sobre Mestre Bimba, onde cita Mestre Pastinha, a Capoeira Angola, outros Mestres de grande renome como por exemplo Aberê, Cobrinha Verde, Traíra, etc… e a “Homenagem” póstuma feita a Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, pela Universidade Federal da Bahia com o título de “Doutor Honoris Causa” e faz uma reflexão sobre a homenagem em causa…

Leiam na íntegra o artigo de Jorge Calmom, clicando sobre a imagem abaixo:
 
 
Agradecimento especial a Teimosia, por ter nos enviado este recorte do Jornal.

Capoeira Legends: um marco na produção brasileira de games

Treze anos de obstinação. Seis anos de desenvolvimento. Um mergulho profundo na cultura brasileira. Estes são os ingredientes de uma saga que entra em uma nova etapa no momento da publicação deste post, quando acontece o lançamento oficial de Capoeira Legends – Path to Freedom, o primeiro game brasileiro para PC sobre o universo da arte marcial centenária. Eu tive o imenso prazer de visitar a Donsoft Entertainment há algumas semanas (confira o vídeo no final do post) para conhecer de perto os preparativos para o lançamento do jogo, um momento que acredito ser épico na produção brasileira de games.

Capoeira Legends não é um game qualquer: segundo André Cariús, CEO da produtora carioca responsável pela criação, o jogo, além de entreter, conta um pouco da história do Brasil e resgata o rico universo da capoeira brasileira. E para reproduzir as aventuras de personagens como Gunga Za e Mestre Vuê pelos arredores da cidade do Rio de Janeiro do século XIX, exaustivas pesquisas foram feitas ao longo de quatro anos. Toda a vegetação mostrada no game é uma cópia fiel da flora da mata atlântica da região. Os golpes de capoeira como a Queixada, a Armada e o Martelo foram desenvolvidos com uma riqueza de detalhes só encontrada em games de grandes produtoras internacionais. E tiveram de ser aprovados pelo Mestre Vuê, fundador da Escola de Capoeira Água de Beber, que deu consultoria ao projeto. A trilha sonora é toda original, gravada em sessões de capoeira e incrementada com sons da região da Serra da Estrela, incluindo cachoeiras e samples de canto de pássaros. Neste game Energia vira Axé e Magia é chamada de Mandinga.

Capoeira Legends é, na verdade, um universo de jogos em que Path to Freedom, o primeiro título, é dividido em 3 capítulos. O capítulo 1 acaba de ser lançado e neste game o jogador luta como Gunga Za, um jovem guerreiro cuja missão é defender o Mocambo da Estrela de fazendeiros e militares que buscam o poder a qualquer custo.
Os capítulos 2 e 3 também serão lançados ainda em 2009. O mais legal é que a Donsoft é uma empresa 100% brasileira e 100% independente, desde a criação até a distribuição. O jogo sai simultâneamente em versões para o mercado brasileiro (em português) e internacional (em inglês).

A ideia original do game surgiu em 1996, quando André ainda era adolescente. Fã de sagas como “Guerra nas Estrelas”, ele queria fazer um game sobre o universo cultural brasileiro. Após anos de tentativas sem sucesso, ele investiu não somente na parte técnica, que já dominava, mas também em gestão de negócios. Finalmente um time coeso foi formado em 2001, quando a Donsoft iniciou oficialmente suas atividades. Em 2003 o foco em jogos culturais foi decidido e o projeto de Capoeira Legends iniciado. Segundo Guilherme Xavier, sócio e diretor de artes e design, a Donsoft escolheu um modelo societário diferenciado que valorizou, com o mesmo peso, trabalho e capital investidos pelos sócios, para que a empresa pudesse manter seu corpo de sócios e colaboradores não-sócios. O clima é contagiante e eu acho que o jogo tem tudo para emplacar e tornar-se um case histórico na produção brasileira de games. Reitero aqui a sugestão que fiz ao pessoal da Donsoft de lançarem versões para o Wii ou Wii Fit assim que for viável, seria muito bacana praticar os golpes de capoeira, fazer exercícios físicos e jogar ao mesmo tempo. Detalhe: atualmente todos os membros do projeto dedicam-se à prática da capoeira. São eles:

Presidente e Fundador: André Cariús
Diretor de Artes e Design: Guilherme Xavier
Diretor de Tecnologia: Alexandre Bandeira
Diretor Cultural e Científico: Jorge Ricardo Domingos Valardan
Designers: Alberto Renzo, Mário Azevedo, Marcus Feital, Leonardo Pereira e Gabriel di Stasio
Programadores: Vinícius Leite e Wellington de Oliveira
Lead Tester : Rômulo Silva
Consultoria de Capoeira: Mestre Vuê e Hugo Freitas

Desejo toda a sorte a esta equipe bacana e obstinada!

Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/largma…st=160635&a=46

Site oficial: http://www.capoeiralegends.com/

Uma sugestão pra quem quiser comprar: http://produto.mercadolivre.com.br/M…er-1-ingls-_JM

Requisitos mínimos (segundo o anúncio do ML):

Sistema Operacional : Windows XP ou Windows Vista (32 Bits).
Processador (CPU): Pentium IV 2.4Ghz ou Atlhon XP 3000+ ou superior.
Placa gráfica (GPU): nVidia GeForce 6600GT ou ATI Radeon X1650XT ou superior
Memória RAM: Pelo menos 1GB.
Espaço no HD: Pelo menos 800MB livres no HD.
Softwares Adicionais: Microsoft .NET Framework 2.0 (incluso no CD-ROM) e Driver AGEIA PhysX 2.7.3 (incluso no CD-ROM).

Semana Decanio: Uma Homenagem ao Mestre

Angelo Augusto Decanio Filho, nascido numa segunda feira, 12/02/1923, completa este ano 86 voltas ao mundo…

O Portal Capoeira, seus colaboradores, parceiros e amigos iniciam uma singela homenagem a este discípulo de Mestre Bimba, a este grande cidadão da Bahia e do Mundo e um dos principais mentores deste Projeto.

Mais do que um aluno do grande Mestre, Decanio, foi sem duvida um dos companheiros mais chegados de Manuel dos Reis Machado…

Foi médico, amigo, conselheiro, filho, irmão e um dos principais responsáveis pela criação e documentação da “Luta Regional Baiana”.

Durante a SEMANA DECANIO, publicaremos textos de sua autoria, selecionados pelos amigos e camaradas de Mestre Decanio, juntamente com homenagens, fotos e pequenos fragmentos de média.

Uma importante dica é a visita obrigatória ao site CAPOEIRA DA BAHIA, organizado pelo dinâmico e incansável Mestre Decanio

Mestre Decanio, a quem considero um grande amigo, um exemplo… e acima de tudo o Pai do Portal Capoeira!!!

 

Leia todos os artigos relacionados:

Semana Decanio, uma homenagem ao Mestre.
11/02/2009 até 19/02/2008 no Portal Capoeira.

Luciano Milani

 

O “Iê”: mais que um cumprimento, uma oportunidade para o aprendizado

A capoeira nos oferece inúmeras possibilidades para o trabalho. E na qualidade de educadores devemos estar conscientes para identificá-las e utilizá-las no momento oportuno. Para tanto, é extremamente importante o estado de vigia. Assim como no jogo, todos os sentidos devem estar despertos pois muitas delas podem passar despercebidas, por descuido ou mesmo por estarmos tão acostumados que não alcaçamos o seu potencial.   

Um desses momentos é o nosso “Iê”, que sempre foi para mim a melhor maneira de saudar meus camaradas e também a forma com a qual peço licença ou proteção para iniciar o jogo. Uma pessoa muito querida que reforça isso é o mestre Mendonça (RJ), relator da regulamentação da capoeira nos idos de 1932; um dos baluartes da nossa arte com a qual tenho o privilégio de tomar lição sempre que o encontro ou telefono para ele. Ser humano espiritualizado que sempre reforçou a importância dessa saudação entre os capoeiristas.

No entanto, apesar de buscar valorizar sempre esta atitude, ainda não tinha me dado conta de que ela oferece uma oportunidade ímpar para o trabalho. Mais que uma saudação o “Iê” encerra valores como o respeito e atua fortemente no sentimento de pertencimento.

Certo disso, tornamos a saudação uma de nossas regras. O aluno ao chegar, após arrumar as suas coisas sauda a todos que estão na roda. E todos devem saudar a sua chegada. Claro, no início eles não compreendiam muito bem, mas hoje eles já fazem questão de utilizá-lo. E quando um ou outro esquece, todos os outros camam a sua atenção para que retorne à entrada e faça o cumprimento.

Outra forma em que o “Iê” está produzindo resultados maravilhos é para chamar a atenção. Neste quesito (já em clima de carnaval) ele merece o Estandarte de Ouro. É impressisonante como as crianças atendem quando o “invoco”, seja para por fim a uma discussão, seja para chamar a atenção, seja para nos despedir… E o que mais me alegra é estar na rua e ouvir, entre uma mar de pessoas, uma voz a me saudar: Iê! Isto, verdadeiramente não tem dinheiro neste mundo ou em qualquer outro que pague.

 
Iêeeeee!

http://flaviosaudade.wordpress.com/

RESISTIR OU AVANÇAR?

A capoeira, desde o seu início no Brasil,  sempre representou um ponto de referência de um povo que trazia imensa bagagem cultural de sua terra natal. As circunstâncias adversas fizeram-no desenvolver estratégias para amenizar este contexto e garantir a sobrevivência, tendo em vista a situação de opressão em que viveu durante o jugo escravocrata.

Entendemos que a capoeira fez parte de um processo de resistência dos negros escravizados no Brasil e que esta dinâmica também se estendeu a diversas outras áreas da vida social, como na arte, na religião, nos folguedos na culinária, etc. Em outras palavras, era imperativo aos negros não apenas lutarem pela sua liberdade e preservarem suas vidas; era preciso também cultivar diversas faces de sua cultura ancestral para se contraporem à diáspora, à opressão e ao cativeiro em terras brasileiras. 

A capoeira vista como arte, luta, musicalidade ou lazer é parte da dinâmica cotidiana das manifestações afro-brasileira, pois ela surge de um conjunto de características pré-existentes nas culturas das comunidades africanas, como as danças, rituais, música, jogos, além de ser uma forma de fazer frente às injustiças e a violência social e física e, a partir da sua prática, criar novas formas de existência. 

Ela, juntamente com as demais manifestações afro-brasileiras, ajudou na construção de uma identidade para um povo que a todo o momento tinha muitas de suas expressões culturais reprimidas e depreciadas. O mesmo acontecia com seus preceitos religiosos, vistos por muitos, ainda hoje, como feitiçaria, bruxaria ou culto satânico. Assim, a prática da capoeira se confunde com a história da resistência dos negros escravizados no Brasil.

Resistência, porém, é uma palavra muito abrangente cujo sentido depende objetivamente do ponto de vista de quem a usa. Em referência à escravidão, os historiadores utilizaram o termo para denominar as atitudes dos escravos que tiveram o objetivo de fazer frente ao sistema opressor, que os transformava em vil mercadoria. 

De uma maneira geral, resistência quer dizer oposição, obstáculo ou disposição para suportar com firmeza e determinação o que lhe é imposto. A resistência se dá por um indivíduo ou grupo que visa sobreviver, não ceder, agüentar da melhor forma possível o sofrimento, as dificuldades, as imposições e tudo aquilo que não privilegia a autonomia da independência do ser humano. O termo, que adquire muitas conotações, também pode significar negação aos valores ou comportamentos impostos e preservar a vida em condições adversas de existência. 

Porém, o atributo fundamental do homem que resiste é a possibilidade de criar diversos caminhos e alternativas para desenvolver relações humanas que priorizem a busca da sua felicidade e a diminuição do sofrimento, através da união solidária com os demais membros do grupo. Neste sentido, a capoeira, o candomblé, a culinária e a musicalidade, historicamente, cumpriram o papel de preservar a identidade e manter uma unidade étnica frente a uma sociedade cujo sistema econômico oprimia todo um povo. 

Com base nestas colocações, aqui cabe um questionamento sobre a adequação do uso do termo resistência em relação à capoeira, nos dias de hoje. A capoeira é um símbolo brasileiro que está presente e aceito em todas as partes do mundo, que atinge todas as camadas sociais, todas as faixas etárias e gêneros, que é livre para acontecer nas ruas, praças, escolas, hotéis, universidades e academias. Logo, pergunto, quem se opõe a ela? A capoeira resiste a que? 

Afirmo, então, que a capoeira teve um passado de resistência e tem um presente que representa a vanguarda na conquista de espaços sociais. Penso que a sua prática está muito mais avançada do que o discurso que se faz em seu nome, sobre suas necessidades e desafios. Este discurso, anacrônico em sua essência, ainda fala em resistência, enquanto a prática da capoeira, muito mais além, já está alcançando o seu lugar ao sol em todo o mundo. Ao pensar assim, elaboro alguns questionamentos:

  • Até quando existirá a retórica de resistir e não, progredir, avançar, marcar presença, ampliar seu raio de ação?
  • Para que serve à capoeira falar em resistência?
  • Em que isto melhora a prática desta arte?
  • A quem interessa este discurso, vazio em significados, sem sintonia com a prática e com a realidade? Certamente não à capoeira.

Embora falando de coisas diferentes, quero estabelecer uma comparação entre a capoeira e o esporte. Sou professor de Educação Física e durante toda a minha vida ouvi falar que o esporte afasta o jovem das drogas, que o esporte educa, que o esporte é bom… Porém, eu digo que a atividade esportiva não é boa nem é má; o esporte é o esporte. Quem faz o diferencial é o professor. Ele sim é que pode ser um mau ou um bom professor, afastar os jovens das drogas, educar, dar uma nova perspectiva de vida usando o esporte como instrumento de mudança e educação.

Acredito que com a capoeira aconteça assim também: a capoeira é a capoeira, não é boa nem má. Quem faz o diferencial, quem educa, quem dá novas chances e oportunidades de vida são os mestres e professores desta arte. A capoeira é um instrumento valioso, de grande potencial nas mãos destes homens e mulheres porque carrega dentro de si diversas possibilidades de arte, música, canto, lazer, e luta, dentre outras. A prática é o meio para a assimilação de idéias, de conceitos e discursos, daí a importância do comprometimento de quem ensina.

Quero ver a capoeira sempre ampliando seus horizontes. Como professor, gostaria de ver a capoeira oferecida nas escolas públicas e particulares, a partir do ensino fundamental e ensinada por quem sabe, por quem carrega a herança ancestral, pelos detentores legítimos do conhecimento que falam em vadiação, amizade, respeito. Acredito na capoeira lúdica, não na perspectiva do espetáculo, da capoeira luta, mas não agressiva, da capoeira companheira, não da falta de respeito ao próximo que lhe empresta seu corpo na roda para que com ele possa aprender, como infelizmente ainda acontece.

Quem faz a diferença na vida de uma pessoa, orienta, educa, afasta das drogas e da violência, são pessoas como o Mestre Curió e tantos outros nomes da velha guarda e da nova geração independente estilos e de gênero.

Quero concluir esta fala deixando um questionamento para reflexão: Resistir ou avançar?

Barack Obama e o Brasil

Para além de todo proselitismo que cercou a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, constata-se, de fato, um enorme avanço na percepção da sociedade americana em relação ao combate ao racismo. Para um país que até recentemente praticava a discriminação racial de forma legal, eleger Barack Obama Presidente da República constituiu-se numa significativa revolução política e social.

Mas é preciso olhar esse fato histórico de maneira um pouco mais acurada. Por um lado, o forte simbolismo que representa essa eleição. Maior potência do mundo, os Estados Unidos, além da força militar e econômica, são também influente no campo das idéias. Por isso, essa eleição representa recolocar na agenda política internacional, não apenas o sonho da igualdade racial, mas também o sonho e a esperança a serviço de um mundo multilateral, em que a autonomia e as diferenças entre os povos sejam respeitadas, onde o diálogo e o convencimento sejam as principais ferramentas de negociação entre as nações e não os mísseis, as invasões, as torturas e as guerras. Um mundo em que a Convenção da Proteção da Diversidade e das Expressões Culturais, aprovada pela Unesco, seja um instrumento real do reconhecimento das múltiplas formas de manifestações culturais, de tradições e de saberes dos povos, sem que tenham obrigatoriamente transformar-se em produtos ou mercadorias, como advogou os representantes norte-americanos quando da sua aprovação.

Por outro lado, faz-se necessário destacar que este fato histórico representa o apogeu de uma luta que se iniciou há muito. País com tradição racial segregacionista recheada de intolerâncias e tragédias, os Estados Unidos foram palco de inúmeras lutas e experiências que influenciaram boa parte do mundo no trato da questão racial. Desde a coragem de Rosa Parks, aquela costureira negra, que, no dia 1º de dezembro de 1955, se recusou a ceder o seu lugar no ônibus a um branco, até a eleição de Barack Obama presidente, muita água rolou por baixo desta ponte. Ora de maneira trágica com os linchamentos, assassinatos e agressões perpetradas pela Ku Klux Kan e seus seguidores, ora com a reação de líderes como Martin Luther King e Malcom X e organizações como os Panteras Negras que mobilizaram milhões de pessoas nos Estados Unidos e no mundo contra esta iniqüidade que é o racismo. No meio de todos esses episódios tivemos casos hilariantes, como a decisão da Suprema Corte norte-americana que julgou pela inconstitucionalidade, de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional norte-americano que considerava livres os escravos que fossem desbravar o oeste daquele país, alegando que o Congresso não tinha poderes para banir a escravidão, mesmo em território federal, e que os negros não poderiam ser considerados cidadãos, pois não faziam parte do povo americano.

Esse breve apanhado histórico serve para balizar a discussão decorrente da eleição do primeiro presidente negro da maior potência do mundo e suas conseqüências mais diretas para o Brasil. Serve também para entendermos melhor e cobrarmos mais ainda da elite brasileira, as razões pelas quais a enorme euforia demonstrada com a eleição de Obama, não se manifesta minimamente no apoio à luta dos afro-brasileiros por um tratamento igualitário em nossa sociedade.

O Brasil precisa saber que a eleição de Barack Obama não foi fruto de nenhum milagre, nem muito menos da decisão dos homens de bem que comandam os Estados Unidos, mas sim de um poderoso movimento que ao longo de cinqüenta anos conseguiu sustentar a implementação de ações afirmativas que viabilizaram o acesso de milhões de afro-americanos ao ensino superior, assim como a ocupação de vários postos importantes de direção daquele país, tanto no setor público como no setor privado, a exemplo de Jesse Jackson, Colin Power, Condolezza Rice e tantos outros, independente de suas posições político-ideológicas.

Infelizmente a superação plena das desigualdades raciais no Brasil, país líder da América Latina, ainda é um sonho a ser conquistado e uma das razões do adiamento deste sonho é a resistência recalcitrante de parte da nossa elite econômica, política e intelectual sobre a necessidade do Brasil adotar medidas efetivas de promoção da igualdade no campo racial. Mesmo com metade da população sendo afro-descendente, eleger um presidente negro no Brasil parece um sonho ainda muito distante. Pesquisa recente do jornal Folha de S. Paulo revela isso. Embora apenas 3% dos entrevistados tenham declarado abertamente seu preconceito, para 91%, os brancos têm preconceito de cor em relação ao negro. Apenas por esse dado constata-se o quanto de trabalho temos pela frente para vencer o racismo inercial existente no Brasil. Nem mesmo Deus sendo brasileiro, como muitos afirmam, conseguimos apagar as conseqüências dos 400 anos de escravidão que vivemos. Por isto mesmo, investir nas políticas de ações afirmativas para a promoção da igualdade em nosso país, não é uma opção, é uma obrigação. Mais ainda, não pode resumir-se exclusivamente em cotas para negros na universidade, embora a educação seja um fator fundamental para alterarmos nossa realidade excludente. E, para quem, ainda insiste em considerar privilégio essas ações, vale citar aqui a declaração lapidar do ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa de que as ações afirmativas é “favorável àqueles que historicamente foram marginalizados, de sorte a colocá-los em um nível de competição similar ao daqueles que historicamente se beneficiaram da sua exclusão”. Simples, como água.

Esperamos, pois, que a eleição de Barack Obama possa massagear os pontos sensíveis da sociedade brasileira e nos ajudar a revelar um outro Brasil. Um Brasil ungido pelo sentimento de fraternidade e igualdade a fim de produzir uma outra página na nossa história, com liberdade e democracia, e apagar de vez essa estrutura excludente e discriminatória com base na cor da pele, como querem alguns. Quem sabe assim, em breve, produziremos o nosso Obama?

 

Zulu Araújo
Presidente da Fundação Cultural Palmares / Ministério da Cultura