Blog

Janeiro 2010

Vendo Artigos de: Janeiro , 2010

A mão que afaga é a mesma que apedreja – Ascensão e decadência do trio elétrico

Fim do século XIX, a Bahia testemunha uma mudança de costumes na sua maior festa popular. Estou me referindo ao nascimento do carnaval e à morte do entrudo. Se o preconceito e a segregação social além da violência física eram as notas destoantes desta manifestação de origem portuguesa, o carnaval recebe este dote como herança e até intensifica o seu caráter hierarquizado concebendo, porém, novos paradigmas lúdicos, estéticos e capitalistas. No entrudo, negros “brincavam” ao lado de brancos, e estes podiam atingi-los com as famosas laranjinhas, farinhas, água fétida e toda a sorte de armas podres, enquanto aqueles só poderiam fazê-lo entre si. Já no carnaval do início do século XX, a “inconveniente” presença dos afrodescendentes e pobres foi alijada do nobre circuito do corso, (onde o préstito trazia a “nata” da sociedade baiana em suntuosos desfiles), e nem sequer imaginada nos seletivos bailes dos salões do Teatro São João, Teatro Politeama, Cruz Vermelha e Fantoches da Euterpe. Formaram-se (a exemplo de hoje) dois circuitos distintos no carnaval de Salvador.

Na Rua do Palácio (hoje Chile) acontecia bem comportado o desfile eurocêntrico dos citados clubes e na Baixa de Sapateiros a farra de entidades negras como Guerreiros d´África, Embaixada Africana, Pândegos d´África, evocando e reverenciando suas origens. Dentro deste contexto é que surge em 1950 um elemento que vem promover uma mudança radical na forma de se brincar o carnaval: o trio elétrico. Fruto da musicalidade baiana vindo através da genialidade inventiva da dupla Dodô e Osmar, ele é concebido no início da década de 50. Esta genial criação mais tarde viria a se tornar a marca registrada do carnaval de Salvador, e modificaria por completo e para sempre a estrutura da folia. Sem pedir licença, de forma irreverente e tendo um forte compromisso com a alegria, a dupla Dodô e Osmar à revelia de tudo e todos destrói o “status quo” vigente e decreta a democracia no carnaval através da participação coletiva simultânea onde negros e brancos, ricos e pobres tinham algo em comum: pulavam atrás do trio.

Como bem colocado pelos seus próprios criadores referindo-se à multidão que o acompanha, “pula gente bem, pula pau-de-arara, pula até criança, e velho babaquara” ou mais sinteticamente como Caetano “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”. Este caráter libertário e unificador lhe confere a primazia de efetivamente ter uma atitude conseqüente contra o preconceito e a segregação social e racial no nosso carnaval ainda que não de forma intencional, pois, o único objetivo dos seus criadores era o entretenimento pessoal e a diversão da massa.

A preferência por essa nova forma de se brincar no outrora plural carnaval de Salvador veio se acentuando a partir da década de 50 atropelando tudo e todos que não se rendessem aos seus acordes contagiantes. Entidades carnavalescas como Escolas de Samba, Blocos de Índio, Afoxés, Cordões e Batucadas foram gradativamente se não extintas, quase desaparecidas. Sua atuação quase hegemônica, monopolizando a preferência e atenção popular e divulgando nacionalmente o carnaval de Salvador, veio em fins da década de 70 e início de 80, aprisioná-lo nas cordas dos blocos que já vislumbravam o seu poder como elemento facilitador de apropriação de capital. Estes, em seu favor, abdicaram no tradicional sopro e percussão, iniciando um processo no qual o trio passaria a ser uma propriedade particular, reconduzindo às ruas uma hierarquia social, econômica e racial perdida no tempo, contribuindo sobremaneira para a atual privatização desregrada do espaço público. O trio libertário, servo e promotor do prazer, passou a ser refém da sua própria alegria e reescreveu a história dividindo de novo os foliões que outrora ele juntou num caldeirão de euforia, em associados e pipocas, pobres e ricos, negros e brancos. Virou passarinho cantando na gaiola para quem poder pagar mais.

Dentro desta lógica capitalista, os antigos grilhões por ele arrebentados na década de 50 são, por seu intermédio, recolocados no povo. O trio ocupou o lugar de agente da discriminação, da segregação e do preconceito a serviço das elites econômicas e seus “podres poderes” legalmente constituídos. Perde o significado a assertiva de Moraes Moreira, quando este diz em uma das suas composições em comemoração aos 25 anos do trio, se referindo ao nosso carnaval “É o lugar do mundo inteiro que se brinca sem dinheiro, basta só existir e na vida passar um Trio Elétrico de Dodô e Osmar”. A cor da pele, a posição social, endereço nobre (ou pobre) voltaram a fazer diferença. A alegria do trio agora tem preço (caro) e nome: Eva, Cheiro de Amor, Camaleão… Ele que antes era do povo, para o povo e pelo povo, hoje é classificado como “de bloco” e “independente”. Independente… Porreta essa!!! É de fazer Dodô e Osmar se arrepiarem e revirarem no túmulo.

Início do século XXI, o “agente da alegria”, refém (sem direito a resgate) do poder econômico, massifica uma padronização estética que empobrece e privatiza a festa e sufoca, ou melhor, aniquila a criatividade popular. Esta padronização é responsável pelo que o Profº Joaquim Maurício Cedraz Nery chama de militarização do carnaval, que se caracteriza pela presença do uniforme (abadá), da quase uniformidade do ritmo (axé, pagode), das evoluções coreografadas no percurso, da posição na fila e revezamento do comando (mesmos “cantores” atuando em todos os “regimentos”, digo, blocos). Este novo modelo de carnaval tem no turismo seu mais recente e rentável filão econômico, um promissor caminho para a sua esclerose e autofagia.

Pois é leitores, o paraibano Augusto dos Anjos (chamado o poeta do mau gosto) está coberto de razão quando diz: “O beijo, amigo, é a véspera do escarro, a mão que afaga é a mesma que apedreja”. Está aí o trio elétrico que não lhe deixa mentir… Já se disse que o mundo dá voltas, que a história se repete, é cíclica etc., e nós estamos vivos para testemunhar mais uma vez o povo ser usurpado de mais um patrimônio cultural em favor da elite. Pobre folião de Salvador. Pobre carnaval da Bahia!

* O professor Acúrsio Esteves pertence ao quadro da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Salvador – SECULT, e também leciona na Universidade Católica do Salvador

Mande também o seu texto, foto, áudio ou vídeo sobre o Carnaval da Bahia. Pode ser para expressar sua paixão pela festa, mostrar histórias de outros anos ou indicar problemas da folia. Participe!

Acesse: http://www.atarde.com.br/carnaval/foliaoreporter/index.jsf

Capoeira grávida, pode?

Embora a prática de exercícios durante a gravidez seja estimulada pelos médicos, a capoeira está longe de estar na lista dos esportes recomendados por eles. Um dos motivos é que os médicos logo pensam em uma roda, com pontapés, saltos e rasteiras. Outro motivo é que não é mesmo apropriado para uma mulher que não tem o hábito de praticar esportes, começar pela capoeira logo no período gestacional.

Mas a mulher que já é capoeirista, que já possui um bom condicionamento físico, pode continuar treinando ao engravidar, desde que tenha acompanhamento médico e tome os devidos cuidados.

As vantagens são a redução de sintomas comuns na gravidez, como o cansaço, inchaços, dores lombares, constipação, má circulação do sangue e varizes. Os exercícios também melhoram a oxigenação do bebê e a liberação de nutrientes para ele, ajudam no condicionamento físico da mãe, no controle do peso, atuam no estado psicológico da mulher, reduzindo as chances de depressão, melhorando a qualidade de vida e a autoestima, além de facilitar a recuperação pós-parto.

Entretanto, a capoeirista deve estar consciente de que o período gestacional não é o momento de aprender aquele movimento desejado que exige tanto equilibrio. Saltos, inclusive, são totalmente proibidos. Mesmo que sejam executados com perfeição e a capoeirista termine de pé, o simples impacto podem trazer complicações para a gravidez, como o descolamento da placenta, por exemplo.

Outros cuidados a serem tomados se referem à postura pois, ao se exercitar, é necessário respeitar a ação abdominal e o posicionamento da coluna. Também é importante evitar treinos em dias muito quentes, usar roupas leves, e beber bastante água, para manter a hidratação.

Para entrar na roda, a atenção deve ser redobrada, pois a capoeirista tem que estar ciente que, não é apenas ela que deve conhecer e tomar todos os cuidados exigidos nesse período, mas também o companheiro de jogo. Em caso de dúvida, melhor não jogar. Além disso, é importante ficar atenta ao cansaço e não abusar. O recomendado é que a grávida esteja sempre atenta ao ritmo dos batimentos cardíacos, que não devem ultrapassar 140 por minuto.

Vale reforçar que o acompanhamento médico é fundamental, pois os cuidados a serem tomados variam não só de acordo com o estado de saúde da mulher, mas também com o período gestacional em que ela se encontra. E, ao contrário do que muita gente pensa, os três primeiros meses de gravidez é que são considerados os mais críticos.

Referências:

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Portugal: 4º Campeonato Europeu de Capoeira

O Algarve irá receber de 4 a 7 de Março, a Capoeira ao mais alto nível Europeu, com a realização, em Albufeira do 4º Campeonato Europeu de Capoeira, prova que irá receber as melhores equipas do grupo Muzenza de Capoeira, oriundas de toda a Europa.

O Grupo Muzenza tem tradição na organização de campeonatos. No ano 2000 surge a ideia de organizar campeonatos Mundiais, que estão na 5ª edição e no ano de 2007, motivado pelo acelerado desenvolvimento da Capoeira na Europa, decide-se realizar o Campeonato Europeu de Capoeira, em Lisboa – Portugal. O 2º Campeonato Europeu realizou-se em Maio de 2008 em Paris – França, o 3ª Campeonato em Valladolid – Espanha e para a 4ª edição deste evento foi eleita a cidade de Albufeira – Portugal, onde esperamos ter muitos participantes não só pela grande quantidade de professores e praticantes que existem em Portugal, como também por oferecer um fácil acesso aos outros países participantes. Podendo também os atletas, professores e Mestres, desfrutar das belas paisagens de Albufeira, apreciar o mar envolvendo-se com a areia, numa fusão que privilegia a natureza e o bem-estar.

Com este Campeonato pretendemos mostrar a Capoeira como modalidade desportiva, divulgar, preservar e potencializar essa arte que faz parte da história do Brasil e que tem um grande poder como instrumento para a promoção da saúde, do ócio, da cultura e da educação; promover o intercâmbio entre os vários segmentos da comunidade capoeirística e aperfeiçoamento técnico-táctico e estético-ritual da prática da Capoeira e dos interessados nesta modalidade.

 

 

A Direção

Associação Capoeiragem Malta do Sul / Grupo Muzenza Capoeira (Algarve-Portugal)

Nota de Falecimento: Mestrando Léo Bombeiro

A Capoeira perde uma grande personalidade, Mestrando Léo Bombeiro, Pai, Mestre, Herói, Bombeiro e Capoeirista. O fato ocorreu ontem em uma emboscada com 3 tiros em Brasília (ver matéria publicada na imprensa de Brasília). Os nossos mais sinceros sentimentos à esposa (contramestre Ítria) força, muita força a Capoeira não vai te abandonar...

Wellington Fernandes

 

Bombeiro assassinado com 3 tiros na DF-457

A vítima seguia com a esposa quando um veículo Golf bateu em seu carro

A Polícia Civil investiga o assassinato do soldado do Corpo de Bombeiros, Leonardo da Cunha Alves, 33 anos, ocorrido à meia-noite e meia, na DF-457, em frente a um posto de gasolina, na QS 414, Conjunto 9, em Samambaia. Ele foi alvejado por três tiros, dois no peito e um na perna, morrendo no local. A polícia tem um suspeito.

Segundo a delegada de Samambaia, testemunhas contaram que após a suposta batida, Leonardo Alves desceu do carro e foi alvejadoFoto: BritoSegundo a delegada de Samambaia, testemunhas contaram que após a suposta batida, Leonardo Alves desceu do carro e foi alvejado
A vítima estava saindo do Hospital Regional de Samambaia onde tinha ido levar a esposa para a emergência porque ela estava com fortes dores de cabeça. Segundo os familiares de Leonardo, na volta para casa, um Golf de cor escura teria seguido o veículo do bombeiro e simulado uma batida na traseira do carro do soldado. Ele desceu do carro, uma das pessoas que estava no Golf também desceu e disparou os tiros. “A esposa dele disse que depois de matar Leonardo, o autor chegou a tentar dar dois tiros nela, mas que a bala travou e por isso o acusado não conseguiu efetuar os disparos”, comenta Lindalva da Conceição parente da vítima.

A delegada Fabiana Silva e Souza da 26ª (Samambaia) conta que testemunhas viram dois veículos parados no local, resolveram parar e ajudar, achando que era um acidente, e acabaram presenciando o fato. “As pessoas pararam para ajudar e acabaram vendo o autor fugindo no veículo Golf e a vítima no chão. Ninguém chegou a anotar a placa do veículo em que estava o acusado”, comenta Fabiana. A delegada disse que um suspeito foi ouvido na delegacia e que os investigadores acreditam que outra pessoa também tenha participação. “A pessoa foi ouvida, mas não tínhamos provas concretas para ligá-la ao fato tivemos que liberá-la”, completa a delegada. A polícia ainda não sabe a motivação do assassinato. As hipóteses são de latrocínio, briga de trânsito e execução.

A família de Leonardo está abalada com a morte do rapaz e pede justiça. A mãe do bombeiro diz que o filho não tinha nenhum vício, que era da igreja, quase não saía de casa e que não tinha rixa com  ninguém. Ele trabalhava há 13 anos na equipe de salvamento do Corpo de Bombeiros e é lotado no 12º Batalhão. A vítima deixou três filhos, uma menina de 10 anos, um de 8 e outro de 7.  Leonardo tinha como hobby dar aulas de capoeira, além de participar do projeto Esporte à Meia-Noite, cujo objetivo é tirar os jovens das drogas, diz os parentes. O soldado será velado às 20h de hoje.

 

Fonte: http://coletivo.maiscomunidade.com

A Polícia Civil investiga o assassinato do soldado do Corpo de Bombeiros, Leonardo da Cunha Alves, 33 anos, ocorrido à meia-noite e meia, na DF-457, em frente a um posto de gasolina, na QS 414, Conjunto 9, em Samambaia. Ele foi alvejado por três tiros, dois no peito e um na perna, morrendo no local. A polícia tem um suspeito.

 

http://coletivo.maiscomunidade.com/imagem/7a2daa62b9fa3fa3bb9521ec1503878312722275/320/320/PNUImagem.jpgFoto: BritoSegundo a delegada de Samambaia, testemunhas contaram que após a suposta batida, Leonardo Alves desceu do carro e foi alvejado

A vítima estava saindo do Hospital Regional de Samambaia onde tinha ido levar a esposa para a emergência porque ela estava com fortes dores de cabeça. Segundo os familiares de Leonardo, na volta para casa, um Golf de cor escura teria seguido o veículo do bombeiro e simulado uma batida na traseira do carro do soldado. Ele desceu do carro, uma das pessoas que estava no Golf também desceu e disparou os tiros. “A esposa dele disse que depois de matar Leonardo, o autor chegou a tentar dar dois tiros nela, mas que a bala travou e por isso o acusado não conseguiu efetuar os disparos”, comenta Lindalva da Conceição parente da vítima.

A delegada Fabiana Silva e Souza da 26ª (Samambaia) conta que testemunhas viram dois veículos parados no local, resolveram parar e ajudar, achando que era um acidente, e acabaram presenciando o fato. “As pessoas pararam para ajudar e acabaram vendo o autor fugindo no veículo Golf e a vítima no chão. Ninguém chegou a anotar a placa do veículo em que estava o acusado”, comenta Fabiana. A delegada disse que um suspeito foi ouvido na delegacia e que os investigadores acreditam que outra pessoa também tenha participação. “A pessoa foi ouvida, mas não tínhamos provas concretas para ligá-la ao fato tivemos que liberá-la”, completa a delegada. A polícia ainda não sabe a motivação do assassinato. As hipóteses são de latrocínio, briga de trânsito e execução.

A família de Leonardo está abalada com a morte do rapaz e pede justiça. A mãe do bombeiro diz que o filho não tinha nenhum vício, que era da igreja, quase não saía de casa e que não tinha rixa com  ninguém. Ele trabalhava há 13 anos na equipe de salvamento do Corpo de Bombeiros e é lotado no 12º Batalhão. A vítima deixou três filhos, uma menina de 10 anos, um de 8 e outro de 7.  Leonardo tinha como hobby dar aulas de capoeira, além de participar do projeto Esporte à Meia-Noite, cujo objetivo é tirar os jovens das drogas, diz os parentes. O soldado será velado às 20h de hoje.

Escola Aberta Trabalha a Educação Ambiental por meio da Capoeira

Trabalhar em prol do fortalecimento cultural e da preservação e Educação Ambiental. Esta foi a meta da Escola Estadual Professora Hilda Miranda Nascimento, em Serra, em parceira com um grupo de Capoeira, que promoveu no último fim de semana o I Ecoberimbau 2010.

Foram três dias de apresentações, oficinas e atividades, para mais de 50 pessoas que passaram pela escola. O curso de fabricação de berimbau ecológico foi o que mais chamou a atenção.

Além do incentivo à prática esportiva da capoeira nas comunidades, os oficineiros ensinaram aos participantes como é a confecção de berimbaus e a preservação da biriba, matéria-prima do instrumento.

“O objetivo principal do nosso encontro foi conscientizar as pessoas sobre a correta utilização desta madeira, para que não venhamos prejudicar o meio ambiente”, explicou o supervisor estadual do programa nas escolas localizadas no município de Serra, Amaury Motta da Silva Lamas.

Em meio às atividades, alguns alunos participantes do Escola Aberta e do grupo de capoeira seguiram para uma mata aberta, que fica próximo da escola, para conhecer a biriba e recolher sementes para replantio.

“Trouxemos para a escola muitas sementes e muitos ainda levaram para casa. Nossos objetivos em plantá-las são dois: devolver para a natureza a madeira e fazer nosso próprio estoque para confecção dos berimbaus. Tudo isso para incentivar as pessoas que trabalham com capoeira a serem mais conscientes”, conta o professor de capoeira Haroldo Bonfim Alves Santos.

De acordo com o professor, a expectativa é ampliar o projeto para as disciplinas da escola. “Queremos abranger esta iniciativa. Pretendemos até fazer uma coleta seletiva na mata, já que quando fomos recolher as sementes observamos muito lixo no local, como garrafas plásticas e papel”, finaliza.

 

Fonte: http://www.folhaes.com.br

Haiti em uma palavra? Esperança

Os tremores hoje são como acontecimentos quase que naturais. Agora há pouco foram dois; o primeiro aparentemente forte. Estava em minha mesa imprimindo alguns documentos, e por um momento pensei que fosse a impressora. Mas, ao olhar para a mesa ao lado e ver um monitor balançando, compreendi que não era a impressora e sai rapidamente. Por fim, não sei se a terra realmente está tremendo ou se o meu corpo é que não parou de tremer desde o primeiro.

No momento do tremor, a sensação é de que o cérebro automaticamente acessa as informações do primeiro, as lembranças chegam em uma fração de segundo. E com elas, o medo de que este seja tão forte quanto o primeiro, que alcançou 7.2 graus na escala Richter. E a diferença de força entre um e outro é bem grande; o de 7.2 chega a ser 22 vezes mais forte. Aparentemente, teremos de conviver por algum tempo com os tremores. Espero em Deus que não sejam tão fortes quanto o primeiro, pois isso iria ampliar os problemas para um grau que não podemos prever, como ainda não podemos prever a extensão das consequência do primeiro.

Aos poucos, notamos que algumas pessoas estão deixando a capital, indo para as províncias, para as áreas rurais. O que abre precedente para tornar a ajuda mais rápida. Talvez seja possível, ao invéis de centralizar toda ajuda em Porto-Principe, criar campos de apoio nestas cidades, com toda estrutura possível, e remover as famílas que hoje ocupam as praças. Isso ampliaria também o campo de trabalho para a remoção dos escombros e resgate das vítimas, bem como diminuiria as possibilidades de uma epidemia, um risco grande aqui.

Quanto a nós, seguimos com o trabalho, dentro das nossas limitações. Com o risco eminente, continuamos dormindo no quintal da casa; brasileiros, haitianos, noruegueses. Onde temos uma visão fantástica do céu, das estrelas. O sentimento em mim é de que não estamos sozinhos, nem desprotegidos. E parece que ouço uma voz dizer que tudo ficará bem…

Haiti, 21 de janeiro, 11:30 am

Aos poucos, a situação parece apresentar sinais de melhoria, apesar de muitos escombros estarem ainda por serem removidos. O volume de trabalho é grande, bem maior do que a infra-estrutura disponível no momento. Mas, já podemos ver que a situação é bem diferente de alguns dias atrás. Não tenho dúvida de que as equipes de resgate estão empenhando ao máximo as suas forças para tornar o trabalho mais ágil, e minimizar ao máximo o sofrimento dos que ainda ainda esperam por ajuda sob os escombros.

E ainda que existam aqueles que se valem da necessidade e da fome para promover a violência e o desespero, ferindo ainda mais a sua própria gente.

Ainda que existam aqueles que poderiam ajudar (fazer a diferença), mas que preferem assistir tudo de longe, entre as quatro paredes da sua sala refrigerada, cujo a proximidade maior do problema não vai além do alcance do seu controle remoto ou do cursor do seu computador.

Ainda que existam aqueles cruéis o bastante para de dizer que a raça ou o credo é o causador de tanto sofrimento…

Existem aqueles que movem todos os seus recursos e esforços para garantir o mínimo de segurança e dignidade para aqueles que sobreviveram, para minimizar o sofrimento das pessoas e cuidar de suas feridas.

Existem aqueles que deixaram seu país, o conforto e a segurança do seu lar, o carinho da família para estar ao lado de pessoas que sequer conheciam.

Existem aqueles que são humanizados o suficiente para exergar no próximo o laço incontestável da família terrena.

Existem aqueles “loucos” que acreditam, seguem em frente, e com a sua loucura contagiante arrebanha multidões para o bem.

E é por esses e outros que a confiança aumenta a cada dia, que a nossa força cresce. É através de exemplos como esses que seguimos acreditando que a  vida é ainda mais forte do que qualquer coisa e que a esperança sobrevive às piores provações.

Fonte: http://flaviosaudade.files.wordpress.com

 

Cidadania: Gingando pela Paz no Haiti – Relatos de um capoeirista em terras haitianas

O GINGANDO PELA PAZ nasceu de atividades realizadas ao longo de quatro anos em diversas comunidades do Rio de Janeiro que tinham como foco a mobilização popular para temas de interesse público. A inspiração surgiu com a participação do Contramestre Saudade, à época com 21 anos de idade e professor em capoeira, no Serviço Civil Voluntário, projeto oferecido pelo Viva Rio que objetivava ser uma alternativa ao Serviço Militar obrigatório, e estava direcionado para jovens em situação de risco social que ainda não tinham concluído o ensino fundamental. O contato com disciplinas como Direitos Humanos e Cidadania, a participação em ações voluntárias em comunidades como as Campanhas contra a Dengue e de Paz no Trânsito, somada a experiências internacionais em países como Zimbabwe, África do Sul, Alemanha e Espanha, levou-o a idealizar um projeto que objetivasse fortalecer a atuação da capoeira para o desenvolvimento social.

 

Encontro dos Povos Guarani

O registro audiovisual do Encontro dos Povos Guarani da América do SulAty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa será realizado por uma equipe indígena Kaiowá, formada por Devanildo Ramires e Elivelton Souza , do Ponto de Cultura Teko Arandu que atua na aldeia Te’ýikue, no município de Caarapó, no Mato Grosso do Sul.

Devanildo e Elivelton aprenderam, em 2008, as técnicas de filmagem, incluindo fotografia, edição de vídeo, software livre e photoshop, nas oficinas do Ponto de Cultura Teko Arandu. As oficinas, realizadas numa parceria do Ministério da Cultura com a Universidade Católica Dom Bosco, fazem parte do Núcleo de Estudos e Pesquisas Indígenas (NEPPI) e são coordenadas pelos professores Antônio Brand e Neimar machado de Sousa, formados em História Indígena.

A gestão é dividida entre a comunidade e a escola indígena Nhandejara Pólo, onde funciona o Ponto de Cultura Teko Arandu. No local, são oferecidas também aulas de informática aos alunos indígenas da escola.

Todo o material produzido por eles até agora tem sido veiculado no YouTube e foi gravado em DVD. Dentre os trabalhos mais significativos da dupla Kaiowá estão o filme Viagem de Intercâmbio Guarani gravado em 12 aldeias do Brasil, Paraguai e Argentina.

As filmagens sobre o Encontro dos Povos Guarani da América do Sul (Aty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa), pelas câmeras de Devanildo e Elivelton,  resultarão num documentário que será editado posteriormente.

 

* Evento será filmado por uma equipe Guarani Kaiowá

 

O endereço eletrônico da página do Ponto Teko Arandu é www.tekoarandu.org.

(Heli Espíndola, Comunicação SID/MinC)

Quinta edição do Tambor Falante discute “Censo 2010 e periferia”

Infelizmente, o racismo tem se escondido em discursos “sutis” e encontra-se presente em nosso cotidiano. É comum ouvirmos as pessoas chamarem negros de “moreninhos”, como se fosse mais “aceitável” ou menos “feio” para a pessoa. Além disso, ainda tem as piadinhas “inocentes” que só ajudam a consolidar uma cultura inconsequente e que acredita na “democracia racial”, ou seja, extremamente contrárias as ações que promovam o respeito e a garantia de direitos aos diferentes.


Os afrodescendentes (negros e pardos) são a maioria no país com 50,6% da população, mas tem muita gente espalhada por esse mundão que tem vergonha de suas origens, e o que ainda pior desconhece sua própria história. O Censo 2010 irá avaliar a realidade dos brasileiros, e em cada residência os entrevistados responderão um extenso questionário, inclusive, sobre a cor da pele, etnia, crença religiosa e opção sexual.


O Tambor Falante – ciclo de debates fortalece a reflexão crítica sobre a pesquisa demográfica que acontecerá em toda a América Latina, é uma iniciativa do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô em parceria com a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas (Cojira-AL) e a Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro. Desta vez, abordará o tema “Censo 2010 – Negritude e Periferia”, e o local escolhido para a quinta edição do projeto foi a comunidade que vive ao lado do lixão de Maceió.


A concentração para o evento será às 14h na sede do Ponto de Cultura Guerreiros da Vila/Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu (Ceasb), em seguida, os participantes seguirão em caminhada até o espaço cultural da Vila Emater II localizada no Sítio São Jorge onde serão executadas as trocas de opiniões, propostas e experiências. Mais informações sobre o evento: (82) 9119-5730 / 8893-9495 / 9999-1301.


O objetivo é ampliar a discussão junto com os diversos segmentos afros, além de garantir a conscientização sobre a importância dos dados coletados e contabilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que posteriormente podem servir de subsídio na elaboração de políticas públicas adequadas aos diversos segmentos sociais.


Os moradores das periferias são secularmente vítimas da marginalização, há locais que nem os agentes de endemias conseguem entrar, devido ao forte tráfico de drogas ou por puro preconceito. Será que os recenseadores conseguirão aplicar a pesquisa nesses locais? E as pessoas que moram nas tribos indígenas, comunidades quilombolas e assentamentos da reforma agrária estão esclarecidas sobre o censo e serão realmente ouvidas? E os que irão aplicar os questionários estão preparados?! Continuaremos pensando sobre o assunto e buscando novos avanços. Axé!


Fonte: Coluna Axé / Tribuna Independente – 26.01.10

II Conferência Nacional de Cultura

MinC divulga regras para a realização das Pré-Conferências Setoriais de Cultura

O Ministério da Cultura (MinC) abriu inscrições para os interessados em participar das Pré-Conferências Setoriais de Cultura, etapas da II Conferência Nacional de Cultura.

As Pré-Conferências serão realizadas, até 28 de fevereiro de 2010,  e tem como objetivo principal:

1. debater as propostas setoriais de estratégias para a implantação de políticas públicas a serem encaminhadas para a II CNC;
2. eleger delegados para representar o segmento na II CNC (10 por segmento, sendo dois de cada macrorregião);
3. discutir diretrizes e ações de forma a contribuir com a formulação e/ou avaliação dos Planos Nacionais Setoriais de Cultura.

As Pré-Conferências vão eleger, ainda, os representantes que comporão os Colegiados Setoriais do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), nos seguintes segmentos: Dança, Circo, Teatro, Música, Artes Visuais, Livro/Leitura/Literatura, Culturas Populares e Culturas dos Povos Indígenas; ou elaboração de listas tríplices de indicados para escolha do Ministro, do representante setorial no Plenário do CNPC, dos seguintes segmentos: Audiovisual, Arte Digital, Arquivos, Culturas Afro-brasileiras, Museus, Patrimônio Material, Patrimônio Imaterial, Arquitetura, Moda, Design e Artesanato. Os eleitos e indicados exercerão mandato referente ao biênio 2010/2011. Os segmentos que têm Colegiados Setoriais constituídos elegerão, diretamente, o seu representante, para o Plenário do CNPC, na reunião de posse dos novos membros.

A II CNC reunirá artistas, produtores, gestores, conselheiros, empresários, patrocinadores, pensadores e atores da cultura, além de representantes da sociedade civil, de todo o país, de 11 a 14 de março de 2010, em Brasília. Os participantes discutirão, entre outros assuntos, a cultura brasileira nos seus múltiplos aspectos, tendo como finalidade principal a valorização da diversidade das expressões culturais, o pluralismo de opiniões e a aprovação no Congresso Nacional do Plano Nacional de Cultura. O PNC que tramita, atualmente, em fase conclusiva, no Congresso Nacional é um plano de estratégias e diretrizes para a execução de políticas públicas dedicadas à cultura. O temário da II CNC está dividido nos seguintes eixos:

  • Produção Simbólica e Diversidade Cultural, tendo como foco a produção de arte e de bens simbólicos, promoção de diálogos interculturais, formação no campo da cultura e democratização da informação;
  • Cultura, Cidade e Cidadania, tema voltado às cidades como espaço de produção, intervenção e trocas culturais, garantia de direitos e acesso a bens culturais;
  • Cultura e Desenvolvimento Sustentável, que discutirá a importância estratégica da cultura no processo de desenvolvimento;
  • Cultura e Economia Criativa que trata a economia criativa como estratégia de desenvolvimento; e
  • Gestão e Institucionalidade da Cultura, que visa o fortalecimento da ação do Estado e da participação social no campo da cultura.

A II CNC tratará, também, da participação social na gestão das políticas públicas na cultura e da implantação e acompanhamento dos Sistemas Nacional, Estaduais e Municipais de Cultura.

Pré-Conferências das Culturas Populares e Culturas Indígenas

Os Colegiados Setoriais de Culturas Populares e Culturas Indígenas foram criados em agosto de 2009 pelo Plenário do CNPC. E, assim como os demais, serão compostos por 15 titulares e 15 suplentes representantes da sociedade civil (três de cada macrorregião do país), além de 5 representantes titulares e 5 suplentes indicados pelo Poder Público Federal.

Os dois segmentos possuem representação no Plenário do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC). Paula Simon, da Comissão Nacional do Folclore, pelo Colegiado de Culturas Populares e Romancil Gentil Cretã, da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul, pelo Colegiado de Culturas Indígenas. O mandato destes conselheiros termina agora em dezembro.

Os representantes da sociedade civil dos dois segmentos devem, se possível, realizar assembléias em seus estados para a escolha e indicação dos seus representantes nas Pré-Conferências. Nos estados onde não houver assembléias, o segmento deve se articular para indicar um representante, uma vez que o número de apoios institucionais será um dos critérios para a escolha daqueles que irão para as Pré-Conferências Setoriais.

Em ambos os casos (com ou sem realização de assembléias), os indicados terão que fazer o registro de suas candidaturas em formulário digital disponibilizado no sítio eletrônico do CNPC (www.cultura.gov.br/cnpc) até 31 de janeiro de 2010. Após o registro, o indicado deverá postar, pelo correio, os documentos exigidos para habilitar sua candidatura para o seguinte endereço: Conselho Nacional de Política Cultural – CNPC – Esplanada dos Ministérios, Bloco B, 3º Andar, Brasília-DF, CEP 70068-900.

Poderão ser indicados até três representantes da sociedade civil por estado da federação, sendo duas lideranças tradicionais e uma escolhida dentre os acadêmicos, artistas, produtores culturais ou outros trabalhadores não tradicionais envolvidos com os segmentos. Será indicado ainda mais um representante do Poder Público municipal ou estadual, totalizando quatro indicados titulares e quatro suplentes por estado.

Estas delegações estaduais comporão o Colégio Eleitoral das Pré-Conferências Setoriais juntamente com os cinco representantes do Poder Público Federal e os membros do plenário e dos Colegiados Setoriais do CNPC. Estes terão direito a voz e voto para o cumprimento dos objetivos das Pré-Conferências Setoriais.

Acesse a Portaria nº 4, de 3 de dezembro de 2009, que aprova a Resolução nº 2 do Comitê Executivo da II CNC, regulamentando todo o processo.

Informações sobre as Pré-Conferências Setoriais de Cultura pelo correio eletrônico: marcelo.manzatti@cultura.gov.br

Blog da II CNC

Formulário Eletrônico das Setoriais

(Comunicação/ SID)

 

Marcelo Simon Manzatti

Coordenador-Geral

Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural

Ministério da Cultura

Esplanada dos Ministérios – bloco B – 3o andar

Brasília/DF – CEP 70.068-900

Tel. (61) 2024-2376 ou (61) 2024-2369 (fax)

marcelo.manzatti@cultura.gov.br

Curso capacita multiplicadores de Capoterapia para Programa Vida Saudável

A Associação Ladainha de Capoeira e Capoterapia de Taguatinga oferece curso para multiplicadores da Capoterapia sob supervisão do mestre Gilvan. A capacitação começa na sexta-feira (29) e segue até domingo (31).

A Capoterapia é uma terapia que utiliza o lúdico da capoeira para evitar doenças cardiovasculares, respiratórias e artrite. A técnica tem crescido em todo o Brasil e até no exterior. Candidatos de outros estados estão confirmados no curso para atualizar os métodos, que tem trazido muitos benefícios, principalmente, ao público idoso.

Os alunos destaques serão contratados para o Programa Vida Saudável do Ministério dos Esportes e ainda podem ser franqueados a trabalhar nos Centros de Saúde, em todo do Distrito Federal e entorno.

As inscrições podem ser feitas pelo site www.capoterapia.com.br. Mais informações pelo telefones 3475-2511 e 9962-2511, ou ainda, pelo e-mail capoterapiabrasil@gmail.com.

Fonte: Da redação do http://www.clicabrasilia.com.br