Blog

Março 2010

Vendo Artigos de: Março , 2010

Mestre Pinatti 80 Voltas ao Mundo

O internacionalmente conhecido Mestre Djamir Pinatti, um dos veteranos da capoeira paulistana, irá comemorar no próximo dia 13 de abril sua 80ª Volta do Mundo.
A roda-festa terá lugar no Terreiro de São Bento Pequeno. Sua roda de aniversário já se tornou tradição na cidade.
A cada ano que passa mestre Pinatti faz questão de jogar com um número maior de convidados. Neste ano, por completar 80 anos de vida, Pinatti irá realizar 80 jogos ininterruptos, sendo alguns na base da malandragem, outros na base do jogo mesmo.

Luciano Milani


Caro amigo Milani, quero lembra-lo que faço em 13/04, terça feira, a noite, com inicio as 19 horas, uma grande roda, para comemorar meus 80 anos, e quando jogarei com 80 convidados, como é já tradicional na minha Academia, sita a rua Vergueiro, 2684, metrô Ana Rosa. Gostaria que voce colocasse no seu famoso PORTAL. Por outro lado aproveito o ensejo para lhe desejar muita saude e muito sucesso nesse seu trabalho incessante pela nossa CAPOEIRA.!!! Pinatti

 

Pinatti, Capoeira Paulista… Sim Senhor!!!

Mestre Pinatti, que no próximo mes irá completar oitenta anos de “estrada” e cerca de meio século de Capoeira.

Pinatti, Nasceu em Orlândia, interior de Sâo Paulo, em 13 de abril de 1930.

Em meados de 1948 foi jogador de futebol semi-profissional jogando como meio campo em várias equipes da zona sul da capital de São Paulo, destacando-se o Estrêla da Saúde.

Entre os anos 50 e 60, foi fisiculturista (halterofilismo) no auge dessa modalidade. Nesta mesma época chegou a faixa prêta de Karatê, estilo Shotokan, integurando a primeira turma de Mestres formados da América Latina.

A partir de de 1962, motivado pela obra de Lamartine Pereira da Costa, em um livro sobre a prática da Capoeira, iniciou-se nessa arte. Fruto da nova paixão esportiva, cultural e marcial, foi um dos criadores da ACADEMIA DE CAPOEIRA REGIONAL DE ELITE DE SÃO PAULO.

Conta ainda em seu histórico o fato de ter fundado e presidido a FEDERAÇÃO PAULISTA DE CAPOEIRA nos anos 70, realizando e participando de diversos campeonatos estaduais e brasileiros. Citado em várias obras sobre capoeira, além de inúmeras revistas do gênero. Por ser um dos nomes mais respeitados da modalidade, é constantemente chamado para homenagens e participações em eventos da capoeira em todo o Brasil e exterior.

Em 1969 fundou a ASSOCIAÇÃO DE CAPOEIRA SÃO BENTO PEQUENO juntamente com Mestre Limão, evidenciando o estilo de jogo CAPOEIRA ANGOLINHA, eclético entre os estilos Regional e Angola.

Até hoje por sua sua academia, Mestre Pinatti já formou mais de 180 alunos, por sete gerações, que encontram-se espalhados pelo Brasil e exterior.

Read More

Pastinha: Filosofia e Poesia

Em homenagem à Vicente Ferreira Pastinha, o Portal Capoeira exalta o Mestre, propondo a toda comunidade capoeirística o “VIVA  PASTINHA”.

Um mês dedicado a Vida e Obra deste Grande Homem e Mestre de Capoeira.
Dia 05 de Abril, Mestre Pastinha iria completar 121 anos, se estivesse “fisicamente vivo”…

Deixo-vos com a excelente crônica do Grande Amigo e Colaborador do Portal, Pedro Abib.

Luciano Milani

PASTINHA: FILOSOFIA E POESIA

A história do Brasil é recheada de fatos e personagens surpreendentes. Alguns desses impressionam pela força de sua personalidade, pela dimensão de seus atos, pela sabedoria de suas palavras e pela importância de seu legado.

Estou falando de Vicente Ferreira Pastinha – o Mestre Pastinha. Mulato franzino, filho de um comerciante espanhol e uma negra vendedora de acarajé, tornou-se um dos símbolos mais importantes não só da capoeira, mas de toda cultura afro-brasileira.

Nascido no dia 5 de abril de 1889 em Salvador, Pastinha conta que aprendeu capoeira ainda menino, com um ex-escravo chamado Benedito, que frequentemente via Pastinha apanhando de um menino mais velho, na rua, em frente à sua casa. O velho escravo então chamou o menino Pastinha e disse que ia lhe ensinar uma coisa, e que ele nunca mais ia apanhar desse menino. Foi assim que Pastinha se iniciou nas artes da capoeiragem.

Aos 12 anos, Pastinha entrou para a Marinha e chegou a ensinar capoeira por lá. Depois disso, mesmo trabalhando em diversas profissões como engraxate, vendedor de jornal e na construção civil, o seu envolvimento com a capoeira não diminuía. Porém, Pastinha ficou sumido por um bom tempo, cerca de 20 anos, e desse período não se tem nenhuma notícia sobre ele. Ele só reaparece já no início dos anos 40, quando então é apresentado ao guarda civil Amorzinho, e assume o Centro Esportivo de Capoeira Angola, que o tornou famoso. Foi lá que ele construiu os alicerces que serviram de base para a constituição da capoeira angola nos moldes que conhecemos nos dias de hoje.

Pastinha assumiu um papel de destaque na capoeira por possuir uma grande capacidade de liderança e, sobretudo, por conseguir elaborar toda uma filosofia em torno dessa manifestação, que foi capaz de elevar a capoeira do lugar de onde se encontrava – a marginalidade e a contravenção – para tornar-se um dos mais importantes símbolos da cultura nacional. Os seus manuscritos, organizados com muito carinho pelo mestre Decânio e posteriormente publicados, são um legado para as futuras gerações e constituem-se como um verdadeiro tratado de filosofia humanista, além do seu caráter profundamente poético.

A capoeira espalhou-se pelos quatro cantos do planeta, e mestre Pastinha é reconhecido no mundo inteiro por ter sido um dos nomes mais importantes na luta pela preservação de uma cultura que foi historicamente perseguida e violentada, mas que hoje goza de um enorme prestígio, onde quer que um berimbau soe seus acordes. Devemos isso a ele. Salve Mestre Pastinha – o Guardião da Capoeira Angola !!!

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.

Street Fighter 4 rejeita capoeirista

Os produtores do Super Street Fighter 4 vetaram a participação de um capoeirista entre os novos personagens do jogo.

A informação divulgada no Brasil pelo Games Terra, tem como fonte o blog Capcom Unity, que é o blog oficial da Capcom Corporation, a produtora japonesa que assina o jogo.

Yagli Gures, a luta praticada por HakanUm representante da nossa capoeira era cotado para novo personagem, mas o escolhido foi o turco Hakan, praticante de Yagli Gures (foto), uma espécie de luta-livre turca, também conhecida como Oil Wres, praticada com lutadores banhados em óleo.

A justificativa dos produtores foi dar prioridade a um estilo inédito, sendo que a capoeira já foi representada em uma edição anterior pela personagem Elena, que apesar de capoeirista, representava o Quênia.

Games Terra – http://games.terra.com.br/

Capcom Unity – http://www.capcom-unity.com/

 

Fonte: http://capoeiradevenus.blogspot.com

Pungada dos Homens & A Capoeiragem no Maranhão

MESTRE BAMBA, do Maranhão

Jornal do Capoeira – 30.Julho.2005

Hoje, 29/07, fui ao Centro Histórico me informar sobre o Tambor-de-Crioula e a Punga, movido pela curiosidade de um artigo do Jornal do Capoeira -Capoeira em Sorocaba -em que é mencionado pelo Autor, Carlos Carvalho Cavalheiro, em que no Maranhão a Capoeira receberia também o nome de “Punga”, ligado àquela dança… achei estranho, pois nunca ouvira falar nisso… dei uma olhada no material que tenho sobre folclore maranhense e achei [em Reis, José Ribamar Sousa dos -Folclore Maranhense, Informes. 3 ed. São Luís : (s.e.), 1999, p. 35 -Tambor-de-Crioula]: “Caracteriza-se pela PUNGA ou UMBIGADA, onde é verdadeiramente observada em sua coreografia  a participação destacada da mulher”. Dançam o Tambor-de-Crioula apenas mulheres, cabendo aos homens, a percussão dos tambores. Nada relacionado com a Capoeira …

Procurei em outros autores alguma relação entre “punga” e “capoeira”, e não achei nada. Então fui ao Centro de Cultura Popular “Domingos Vieira Filho”, procurar alguns pesquisadores que pudesse me dar alguma informação, e também não haviam ouvido falar de que a Capoeira, enquanto manifestação cultural, fosse chamada de “punga”, conforme informa o ilustre pesquisador sorocabano. Conforme já publicado no nosso Jornal do Capoeira, havia o uso de “capoeira” ou “carioca”, o que estamos buscando ainda o que seria a “carioca”.

Voltei disposto a escrever um artigo, questionando essa informação. Então ouvi um toque de berimbau. Vinha de um sobrado, e a placa “Escola de Capoeira Angola “Mandingueiros do Amanhã””. Subi e encontrei Mestre Bamba… aproveitei a oportunidade para entrevistá-lo para uma nova pesquisa que estou realizando,junto com minha filha, sobre a relação “capoeira e renda”, para sua monografia de graduação em Economia. Já tinha o seu perfil, do Livro-Álbum sugerido pelo Mestre André Lace -e que em breve deverá ser publicado pelo Jornal do Capoeira. De nossa conversa -mais de duas horas -perguntei se sabia alguma coisa sobre “uma capoeira” denominada “punga””. “Já ouvi falar …” foi a resposta.

Pronto! Resolvido. Não haveria necessidade de contestar a informação do ilustre mestre paulista. E havia novidade para a história da capoeira … Falou-me Mestre Bamba -Kleber Umbelino Lopes Filho, nascido na Madre Deus, bairro de São Luís, em 12.04.1966, desde os doze na Capoeira, nove ensinando, e um (comemorou ontem) como Contramestre: dá aulas em um “Projeto Ago”, do grupo G-DAM, no município de Itapecurú-Mirim, junto a remanescentes quilombolas; no Povoado de Santa Maria dos Pretos encontrou uma variação do Tambor-de-Crioula em que os homens participam da roda de dança – Pungada dos Homens – em que utilizam movimentos semelhantes ao da capoeira -no entendimento de Mestre Bamba, esses movimentos foram descritos por Mestre Bimba -; os “desafiantes” ficam dentro da roda, um deles agachado, enquanto o outro gira em torno, “provocando”, através de movimentos, como se o “chamando”, e aplica alguns golpes com o joelho -a punga -:

  • Pungada na Coxa -também chamado “bate-coxa”, aplicado na coxa, de lado, para derrubar o adversário; segundo Bamba, achou-o parecido com a “pernada carioca” ou mesmo com o “batuque baiano”;

  • Pungada Mole -o mesmo movimento, aplicado nos testículos, de frente; aquele que recebe, protege “as partes baixas” com as mãos …

  • Pungada Rasteira/Corda -semelhante à “negativa de dedos (sic)”, de Bimba;

  • Queda de Garupa -lembra o Balão Costurado, de Bimba.

Mais, Mestre Bamba informou que há um vídeo, em que registrou todos os movimentos usados na “pungada dos homens”, identificando os golpes… ficou de disponibilizar… há a possibilidade de converter em fotografia…

Na saída, deu-me um jornal -Jornal Pequeno -em que é contada sua história (anexa).

DEU NO JORNAL PEQUENO – www.jornalpequeno.net

Quem passe, num rolé noturno pelo Centro da Cidade, sobretudo numa sexta-feira, subindo ou descendo a João Victal de Matos, rumo ao Largo do Carmo ou à Rua da Estrela (Reviver)… Chegando ao trecho que costura as Ruas da Palma e do Giz, não se poderá furtar à magia dos ritmos que ornamentam e cadenciam a Capoeira de Angola, que ali se manifesta entre solos e refrões, no compasso percussivo dos berimbaus e atabaques, do pandeiro, reco-reco, agogô e caxixi e sob o comando do Mestre Bamba

Eles são os Mandingueiros do Amanhã. Parar para ouvi-los, é encantar-se. E, uma vez encantado, o querer ver pra crer, sentir de perto, envolver-se nessa poesia acústico-cinética que se vai coreografando no gingado feiticeiro, se faz irresistível.

Assim, se você, passando por ali, uma noite dessas, ficar seduzido, tal qual pescador pelo canto da sereia, não tente quebrar esses encantos… Suba! Chegue lá… Sem delongas, sem cuidados: a ancestral, venerável, sábia Capoeira de Angola é fraterna, cordial, acolhedora… E o Bamba, na sua evidente simplicidade, é aquele que possui mesmo o carisma do Mestre -instrutor, orientador, conselheiro-amigo… Ali chegado, você será bem recebido. Não lhe faltará o sorriso alegre, a palavra amena, o convite para entrar e sentar, a água para beber, o clima para entrosar-se… E o companheirismo poderá ir-se formando, naturalmente, com a familiaridade conquistada nos contatos subseqüentes.

Estando lá, no recinto onde essa Capoeira se desenvolve (com muita alegria e animação), e estabelece como arte, artesanato, esporte e lazer, música, canto, dança, brincadeira, teatro… laboratório de expressão corporal, projeto educativo e de assistência social… doutrina, filosofia e escola de vida, você perceberá, numa leitura interativa, que tudo ali é temático e emblemático, no puxar dessas raízes transcendentais arraigadas no Coração da Mãe África: vasos, cortinas, quadros, painéis… conjuntos de berimbaus pendendo nas paredes… Toda a decoração (artesanal), enfim, articulada à natureza, se faz simbólica e evocativa de uma cultura ascendente, que remanesce, perpetuada no presente.

Olha lá! São 19:00h e os mandingueiros começam a chegar, caracterizados nas suas indumentárias (camisetas iconográficas -ou o que se pode inferir, o traje de gala dos capoeiristas: a veste branca, com a qual devem combinar os adereços). Vão entrando… E os mais devotos inclinam-se, tocam o solo e fazem o sinal da cruz. Vale ressaltar que, no contexto dessa ritualística, a sexta-feira é dia especial em que a tradição recomenda o branco. Não cabe, pois, o treinamento físico nem os fundamentos expositivos: sexta-feira é dia de roda. Roda (integrativa) de Capoeira.

E pronto: o espaço está aberto para o jogo. Mestre Bamba, solenemente de branco (da cabeça aos pés), toma posição na ala dos músicos, ensaiando os primeiros acordes, afinando e regendo a orquestra (monocórdia e percussiva), ao mesmo tempo em que vai solando os cantos (responsados em coro nos refrões), num variado repertório de inspiração cotidiana. Ao seu lado, a princesa Valdira, também de branco, ritmando o atabaque. Olhares e sorrisos se vão cruzando, em sintonia e mútua empatia, entre o casal. Os instrumentos já vibrando em harmonia… A onda sonora já contagiando, otimizando o ambiente… Mestre Bamba pondera e cala. Pede silêncio em volta. É preciso um reparo. Ouçamo-lo, que instrui, terna e docemente (retomando lições que já passara aos discípulos):

“Gente, não fiquem assim em duas filas, façam a roda! A Capoeira, nós já sabemos, é uma roda. Vocês lembram o que significa a roda? A roda é a integração, é a nossa união, a igualdade, a fraternidade… Quando ficamos em duas filas, assim de frente uns para os outros, ainda estamos separados e como que nos enfrentando. Em roda é que ficamos unidos e igualados. O mundo deve funcionar como uma roda, que move o carro da vida, com todo mundo de mãos dadas, solidário, um ajudando o outro”.

E assim falou o Mestre -que antes de ser o Bamba da Capoeira de Angola teve uma longa trajetória de trabalho e responsabilidade na luta pela sobrevivência…

Ele se chama Kleber Umbelino Lopes Filho. Sanluisense da Madre Deus (12.04.1966). Até os quatro anos de idade, freqüentou muito a Cohab, quando o pai ainda chefiava a família. “Minha avó paterna me levava muito pra lá, quando eu era menino”, ele diz. Depois é que, definitivamente, só lhe restou a Madre Deus, seu bairro natal, onde ele passou, praticamente, toda a infância, no trânsito da Rua do Norte para o Goiabal.

O pai (mecânico, caminhoneiro e motorista de ônibus, ainda vivo e residente no Tibiri, com outra família) separou-se deles, deixando a mãe, ainda muito jovem, os filhos pequenos, e ele (Kleber), o caçula, com apenas quatro anos, fato que o marcou profundo… “Sofri muito porque era agarrado com meu pai. Ele me levava pra assistir futebol”, ele confirma. E já em outra tonalidade: “Mas, minha mãe supriu tudo isso. Preencheu todos os vazios das minhas carências. Foi pai, mãe, amiga, educadora, foi tudo pra nós” -diz já refeito e altaneiro, orgulhoso dessa mãe admirável que se chamou em vida Marinildes Pinheiro Braga, mulher extraordinária, que “fazia de tudo para sobreviver e criar os filhos” -Kleber, Joarenildes e Itajacy: “lavava pra fora, era manicura, passando depois a cabeleireira, foi cobradora de ônibus, até arranjar um emprego fixo na Prefeitura. E nos fins-de-semana, ainda trabalhava no Clube Berimbau, fazendo a revista das mulheres”.         Essa heroína da família, entretanto, “faleceu em 2000, aos 53 anos, sem ter realizado o sonho da aposentadoria” -diz Kleber contristado.

Após a separação dos pais, a família, já incompleta, vai morar no fim da Rua do Norte, na fronteira com o Goiabal. Marinildes, então com 23 anos, procura o amparo dos pais. “Meu avô possuía, no fim da Rua do Norte, uma casa grande, com vários quartos pra alugar. Nós fomos morar no último”, relembra Kleber.

Iniciado no processo de alfabetização, em casa, estudando com a mãe, sua primeira escola foi a da União de Moradores da Madre Deus, onde ele cursou o primário (até a 4ª. série do Ensino Fundamental) e encontrou a sua “professora do coração”, a tia Zefinha que, nas suas próprias palavras: “foi a minha segunda mãe e uma mãe pra minha mãe”. Reiterando: “Tia Zefinha nos adotou, abaixo de Deus”.

Ainda com a palavra: “Concluído o primário na escola comunitária, o filho da tia Zefinha (Jorge Dias) me colocou pra estudar no Humberto Ferreira, no Canto da Fabril, pagando meus estudos até a 8ª. série. A partir daí, fui para o Coelho Neto, onde fiz todo o 2º. Grau (Ensino Médio). No Coelho Neto, fiz parte do time de futsal e fui campeão quatro vezes, ganhando prestígio na Escola. Fui bom aluno. Nunca dei desgosto pra minha mãe, em reconhecimento à luta dela”.

Para ajudar a mãe, ele começou a trabalhar muito cedo. Aos 14 anos, já “fazia bicos corriqueiros”, como: “carregar carradas de terra, vender água no Cemitério, pintar uma carneira”… Aos 17, vamos encontrá-lo no Sindicato dos Transportes, ajudando o padrinho Osmar Dias. De lá, foi para uma empresa de refrigeração (ar condicionado), a MC Dias, prestadora de serviços para o Banco Itaú, vinculado à qual, passou seis meses como faxineiro, limpando banheiros, etc. Nos intervalos, estudava. Dona Deusa (da Chefia do Banco), que o via sempre apegado aos livros e aos cadernos escolares, ficou sensibilizada e lhe deu uma oportunidade de entrar para o quadro de funcionários da Empresa. Ele começou como contínuo, passando a escriturário, chegando a Caixa. Nesse percurso ascensional, no Itaú, contou ainda com o apoio do gerente da Casa, ao qual rendeu homenagem, colocando no filho o nome de Mikael Kalil (como aquele se chamava). Passando-lhe a palavra: “No banco, pude ter melhores condições de dar conforto a minha mãe, de quem nunca me separei”.

E chegou o dia em que ele teve de sair do Itaú, numa dessas crises de contenção de gastos e de enxugamento do quadro de pessoal, por que passam as empresas financeiras. Na emergência de um novo trabalho, ele “pegaria o que aparecesse, fosse o que fosse” e assim foi. O próximo emprego foi na Gás Butano, “como pião carregador de botijão”. O gerente, então, descobrindo que ele era escolarizado, que já fora bancário, sendo, portanto, dotado de outras competências, digamos mais nobres, ficou constrangido e, não tendo melhor colocação a oferecer, o despediu. Ele foi para a Trevo pneus, ali trabalhando por dois anos, começando como motoboy, elevando-se, em seguida, à categoria de Caixa. Por último, militou na Cotepro -prestadora de serviços para a Caixa Econômica Federal -como digitador, ali ficando até maio de 2004, quando, por sugestão e orientação da princesa Valdira, abandonou tudo para devotar-se, exclusivamente, à Capoeira de Angola, com a qual selou um pacto profissional e missionário…

Seu primeiro contato efetivo (e afetivo) com essa modalidade de Capoeira data de 1978. Ele tinha 12 anos e começou a observar as rodas que professavam essa ginga/mandinga. “Eles não ensinavam crianças” -diz, referindo-se aos grupos que se reuniam e exercitavam ao ar livre, em espaços alternativos, pelas ruas da Madre Deus. Em 1980, conheceu o Mestre Eusamor (maranhense), hoje seu compadre, que o encaminhou na senda. Mas, é o Mestre Patinho, que vem a conhecer nos meados dos anos 90, que considera seu grande Mestre. E, à princesa Valdira (que conheceu também nesse período, quando tinha 27 e ela 17), ele deve esse encontro decisivo. Ei-lo que diz, num reconhecimento à princesa e ao Mestre):

“Valdira, é a pessoa que mais me incentivou e ajudou a me educar na Capoeira. Ela é a minha princesa, minha musa inspiradora, minha estrela-guia. Foi quem me levou pra conhecer o Mestre Patinho, no Laborarte, onde ela já treinava a Capoeira. Mestre Patinho é o meu Mestre, Meu Pai, na Capoeira de Angola. Foi ele quem me educou nessa Arte. Foi ele que me sagrou Mestre”.

Ele que já fora casado (aos 20) com Goreth, também da Madre Deus, mãe do seu primeiro filho Mikael Kalil (que teve de criar sozinho, com a ajuda da mãe Marinildes, pois a esposa os abandonou quando o primogênito tinha quatro anos), casou-se em segundas núpcias com a princesa Valdira (Valdira Barros, hoje advogada, militando no Centro de Defesa Marcos Passerini e Mestranda em Políticas Públicas, já em fase de defesa da tese de conclusão, na UFMA), com quem tem uma princesinha –Olga.

Em setembro próximo, mamãe Marinildes completará cinco anos de transição desta para a outra vida e a memória edificante dessa heroína que nunca desistiu de lutar pelos filhos que teve de criar só, com a ajuda de Deus e da tia Zefinha, ressoa forte na alma do Mestre Bamba, numa grande motivação para continuar essa luta, numa dimensão maior, em prol das crianças e dos jovens da Madre Deus e do Centro Histórico da sua Cidade. “Se não cuidarmos da criança e do jovem, vamos perdê-los para as drogas. É preciso criar oportunidades para que a nossa infância e juventude possa preencher sadiamente o seu tempo, encontrar um objetivo, um sentido na vida, que eleve a auto-estima delas, preparando-as para assumir a liberdade com responsabilidade”… Ei-lo que se expressa no seu idealismo.

E a Capoeira é o seu “abre caminhos”, o “carro-chefe” desses ideais. E nasce a Escola, fundada em 12.04.1996 (um aniversário do Mestre). Ele, que já liderava um grupo de capoeiristas integrado por jovens de 4 a 19 anos, vem a merecer desse povo uma festa surpresa, de aniversário, e então, emocionado, proclamou: “A partir de hoje nós somos uma Escola!” E batizou-a com o nome de “Mandingueiros do Amanhã“. Antes dessa proclamação, o grupo recebia aulas nas praças. Ele comprava sacos de açúcar, vazios, para fazer roupas, que sorteava entre o pessoal. Depois, passaram para a União dos Moradores, depois para a sede do Boi da Madre Deus, para Quintão, para o Quintinho… E o grupo ficou um ano parado, por falta de espaço, voltando a treinar nas praças. Mas, para a Escola, já solenemente consagrada e batizada, urgia um espaço definitivo, onde esta pudesse abrir-se mais para a comunidade. Essa oportunidade acontece com a ida de Abelha para a Holanda, deixando, para o grupo, o seu Cortiço do Abelha, ora transformado em Escola de Capoeira, funcionando nos três turnos, com aulas três vezes por semana: às segundas, quartas e sextas, e às terças, quintas e sextas, num programa que inclui “aula corporal, fundamentos sobre a Capoeira, história do negro, da Capoeira e toda a filosofia da Capoeira e do Mestre”. No momento, a Escola tem dois projetos em execução: o Solta Mandinga e o Orquestra de Berimbaus. O primeiro, empenhado na promoção de cursos gratuitos para crianças e jovens carentes, “conscientizando-os dos valores culturais e morais, imprimindo neles um sentido positivo para a vida”. O segundo, (uma homenagem ao Mestre Patinho), em que, crianças, jovens e adultos, formando uma orquestra, habilitam-se na percussão dos ritmos maranhenses: boi, tambor de crioula, cacuriá, lelê, mangaba, coco, caroço… Instrumentos são confeccionados pelos discípulos e vendidos para o público adepto. A orquestra já se apresenta, com sucesso, em espetáculos culturais, onde quer que seja, sobretudo na temporada junina.

Para o futuro, o sonho do Mestre Bamba é “viabilizar projetos sociais para o Centro Mandingueiros do Amanhã”, que é, na verdade, uma ONG” E tudo deveria, de preferência, funcionar na Madre Deus. “Está tudo na mão de Deus e da Madre de Deus”. E vamos ver o que Deus tem pra fazer…

GALERIA DE ANÔNIMOS ILUSTRES, por CORRÊA, Dinacy. GALERIA DE ANÔNIMOS ILUSTRES (Mestre Bamba). In JORNAL PEQUENO, São Luís, Sábado, 14 de junho de 2005, p.8 (Professora da Uema. Membro da AVL – Academia Arariense-Vitoriense de Letras).

Cordialmente,

 

Prof. Leopoldo Vaz, São Luis do Maranhão

Leopoldo Gil Dulcio Vaz

Professor de Educação Física do CEFET-MA

Mestre em Ciência da Informação

 

Fonte: http://www.capoeira.jex.com.br/

Abril pra Angola

APRESENTAÇÃO  

A Associação Cultural de Capoeira Badauê  apresenta aqui a vontade coletiva de organizar um momento de intensa vivência da capoeira angola e suas raízes: o Abril pra Angola. Em sua terceira edição o Abril pra Angola configura-se num evento que ganha cada vez mais destaque nacional e internacional, aprimorando sua abordagem nesta manifestação cultural afro-brasileira que representa uma vivência em forma de dança, arte, luta, jogo e ritual.

JUSTIFICATIVA

A Capoeira Angola no Estado do Ceará está em processo de construção de sua identidade.  Apesar de ter desenvolvido um campo de ações importante e de já ter obtido projeção internacional, no Estado do Ceará a capoeira angola ainda pode ser considerada nova e pouco representada nos eventos que ocorrem aqui. O Ceará se ressente da oportunidade de um encontro de estudo e fomentação de um público novo a fim de se tornar referência enquanto centro de formação  de CAPOEIRA ANGOLA. Além disso, o evento é motivado pela criação de um momento de intensa vivência da capoeira angola e suas raízes ancestrais. Ora sabemos que a capoeira angola oferece a possibilidade do individuo que a exercita reconhecer as suas raízes e a importância da cultura africana para a formação e construção das práticas cotidianas. Essa afirmação da origem e da cosmovisão africanas faz muita falta no Ceará onde ainda impera a falsa idéia de não haver negros nem raízes africanas relevantes. Assim, um encontro como o nosso permite fortalecer nos praticantes de capoeira angola um senso de ancestralidade e pertencimento étnico de valorização e reconhecimento das africanidades.

OBJETIVO GERAL

– Promover um momento de intenso estudo e vivência da prática de capoeira angola e sua ancestralidade africana.

Acre: Projeto Capoeira Comunitária

Há algum tempo que venho presenciando o belíssimo trabalho educacional da Policia Militar com a juventude Xapuriense, desde a instalação do Proerd nas escolas de ensino fundamental, com o intuito de uma educação ante-drogas, até à ações de educação social com grupos de jovens religiosos, o que merece ser creditado ao Capitão Denílson grande empenho nessas ações, que para quem o conhece é sabedor de seu interesse no trabalho preventivo à ação peculiar do policiamento.
O trabalho com maior visibilidade nesse conceito de Policia da Família, é o Projeto Capoeira Comunitária que é coordenado pelo PM Serismar Vasco, e tem como patrocinadores e colaboradores a Fundação Elias Mansour, Prefeitura Municipal de Xapuri e empresas locais como o Comercial Duarte e o grupo de Capoeira Senzala. Destaca-se nesse projeto o grande alcance social para as crianças envolvidas, já que na sua grande maioria são de áreas de eminente risco social o que vem de forma indubitável consagrar a importância da realização do mesmo.
Nas apresentações em que fui convidado a estar presente pude presenciar o carinho com que as crianças são tratadas por todos os orientadores daquele grupo e em especial ao PM Serismar, que realmente vestiu a camisa do projeto e não somente ele como sua esposa sempre presente nas apresentações a Profª Leila Vasconcelos e o filhote Gabriel. É bom perceber do Coordenador que além de sua atribuição na como Representante da PM na coordenação do grupo o mesmo ama o que faz, o que torna uma combinação perfeita para o sucesso do trabalho.
Read More

Gramado: Grande participação no Projeto Capoeira nas escolas municipais

É com os dois braços esticados, em um sinal que dimensiona a imensidão, que os alunos da pré-escola e do 1º ano da Escola Municipal Maximiliano Hahn respondem à pergunta do diretor de esportes de Gramado, Birinha. Eles dizem “muito”, em uma só voz, quando Birinha pergunta o quanto eles gostam do projeto Capoeira nas Escolas.

O Projeto Capoeira nas Escolas é um sucesso absoluto e os olhos alegres das crianças empolgadas cantando as tradicionais músicas que embalam as rodas de capoeira, deixam isso bem claro. “É uma maneira de ensinar às crianças um pouco da cultura afro descendente e quebrar alguns preconceitos de sociedade”, salienta o diretor de esportes, Birinha.

Mais de 1500 alunos da pré-escola ao 8º ano do ensino fundamental das escolas de Rede Municipal de Ensino participam do projeto que já é um dos mais populares desenvolvidos pela Secretaria de Educação, Esporte e Cultura.

Algumas escolas optaram, em 2010, por integrar a capoeira como atividade extra curricular dentro do período letivo, ou seja, a arte é ensinada aos alunos de pré-escola à 5º ano, durante o horário de aula e não mais em turno inverso. Os alunos de 5º ao 8ª ano ainda mantém o projeto em turno inverso.

“Com a implantação da capoeira em horário de aula, o aumento foi significativo, pois as crianças queriam muito participar, mas alguns pais não tinham como trazer os filhos ao colégio, pois seus horários não eram compatíveis”, informa a diretora da Escola Municipal Maximiliano Hahn, Rosenei Boeira, umas das escolas que realizam o projeto durante o período letivo.

O projeto Capoeira nas escolas atendeu exatamente 1028 alunos em 2009 e em 2010 esse número foi acrescido de mais 500 crianças, o que mostra que a cultura brasileira é motivo de orgulho para os estudantes da Rede Municipal de Ensino.

As escolas municipais que mantém o projeto são: Henrique Bertolucci Sobrinho, Mosés Bezzi, Vicente Casagrande, Dr. Carlos Nelz (CAIC), Senador Salgado Filho, Gentil Bonato, Nossa Senhora de Fátima, Maximiliano Hahn, Pedro Zucolotto e Presidente Vargas. As inscrições devem ser realizadas na secretaria de cada escola.

 

Fonte: http://www.gramado.rs.gov.br/

Senado comemora Dia Internacional da Síndrome de Down com exposições, capoeira e dança

Os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Rosalba Ciarlini (DEM-RN) e Romeu Tuma (PTB-SP) participaram da solenidade em homenagem ao Dia Internacional da Síndrome de Down, no Salão Negro do Senado Federal. Cerca de 40 crianças e jovens atendidos pela Associação de Amigos dos Portadores de Deficiência do Distrito Federal – APAE-DF e pelo Instituto Meta Social estiveram no Salão Negro, para acompanhar a abertura da exposição de fotografias e artes plásticas, além de uma exibição de capoeira pelo Grupo Gingado e de dança pelo grupo EuDanço.

Suplicy, inclusive, chegou a participar da exibição de capoeira do Grupo Gingado. Ele também apresentou às crianças e adolescentes convidados, em discurso, seu projeto de lei que cria uma renda mínima para todos os brasileiros. A senadora Rosalba Ciarlini, presidente da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), disse que é preciso integrar cada vez mais as pessoas que possuem algum tipo de deficiência, porque todos são igualmente importantes e úteis à sociedade.

O senador Romeu Tuma elogiou o esforço do Senado para oferecer condições de trabalho e de circulação para todos, por meio do Programa Senado Inclusivo, coordenado pela chefe do cerimonial da Presidência da Casa, Mônica Freitas, que organizou a solenidade no Salão Negro.Ficam em exibição até amanhã (26), às 18 horas, no Salão Negro, sete quadros a óleo de Melina Pedroso, que é portadora de down, e 12 fotos de Renata Podolski.O Dia Internacional da Síndrome de Down é celebrado em 21 de março, uma referência ao fato de pessoas com a síndrome possuírem, na sequência genética, três genes, em vez de dois, no par 21.

Fonte: http://www.senado.gov.br/

Fundação Palmares inaugura sede em Alagoas

A Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura, inaugura nesta sexta-feira (26) a sede de sua representação em Alagoas. Ela será instalada em União do Palmares e ficará sob a coordenação de Severino Cláudio de Figueiredo Leite, o capoeirista mestre Cláudio. O presidente da Fundação Zulu Araújo participa da solenidade que começará às 19h.

O anúncio da inauguração da sede alagoana foi feito por Zulu Araújo na abertura do Projeto Parabólica, que aconteceu nos dias 18 e 19 em Maceió. “Quero trazer boas notícias”, disse Zulu no momento. “Depois de 21 anos, a Fundação terá um escritório aqui no Estado e escolhemos mestre Cláudio para assumir essa responsabilidade, porque é uma maneira concreta de reconhecer a importância que a capoeira tem para a cultura brasileira e para o mundo”. Para mestre Cláudio esse momento representa um sonho de muitos anos e que foi sonhado junto com muitos capoeiristas, não só em Alagoas, mas no Brasil.

A Fundação – A Fundação Cultural Palmares fará, em agosto de 2010, 22 anos de existência e o Ministério da Cultura, também em 2010, 25 anos. Fruto da demanda do movimento negro, o objetivo da Fundação é promover a preservação, a proteção e a disseminação da cultura negra visando à inclusão e ao desenvolvimento da população negra no Brasil.

A Fundação Cultural Palmares atualmente tem representações no Rio de Janeiro e na Bahia e um decreto de maio de 2009 (Decreto nº 6.853) autorizou a criação de mais cinco representações nos estados de Alagoas, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Rio Grande do Sul.

Coordenação – Mestre Cláudio é servidor da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEE) e foi sedido pelo Governo de Alagoas para coordenar os trabalhos da Fundação no Estado. Trabalha com capoeira há mais de 42 anos, destes, 28 em Alagoas. Frequentador da Serra da Barriga – administrada pela Fundação Palmares – desde 1985, em 2006 iniciou trabalho de capoeira com as crianças da Serra. O projeto Caa-puêra na Terra de Zumbi lhe rendeu um prêmio no Projeto Capoeira Viva, do Ministério da Cultura.

Entre outras coisas, é diretor-técnico da Federação Alagoana de Capoeira, mestre de capoeira terapia do Núcleo de Terapia William Reich e coordena a orquestra de berimbaus dos mestres de capoeiras de Alagoas.

por Agência Alagoas – http://www.alemtemporeal.com.br/

Assédio Sexual, o que fazer?

Há quem defenda que se o assédio sexual acontece em todo lugar, não precisa ser discutido no meio da capoeira. Porém, como mulher, acredito que se o assédio sexual deve ser discutido em todo lugar em que possa estar presente.

Embora não exista uma estatística a respeito, é fato que o assédio sexual é um dos motivos que levam mulheres à troca de grupos e até abandonar a capoeira.

Muito mais do que uma cantada inconveniente, o assédio sexual envolve constrangimentos, chantagens e até ameaças.

Infelizmente, a Lei número 10224, de 15 de maio de 2001 se aplica ao assédio apenas no ambiente de trabalho, portanto em outros ambientes cabe à mulher fazer o possível (e o impossível) para sair deste tipo de situação. Algumas atitudes podem ajudar:

* Procure manter distância do autor do assédio, quando for inevitável se aproximar, peça a um amigo ou amiga que lhe acompanhe;

* Diga ao autor do assédio com clareza que sua conduta a incomoda. Tentar por panos quentes com medo de parecer agressiva só prolonga a situação;

* Se o assédio vem de um colega do grupo, comunique seu mestre ou professor, com certeza ele pode ajudá-la;

* Se o assédio vem do próprio mestre ou professor, lembre-se que existem muitos mestres sérios, de conduta respeitável, portanto não se sinta obrigada a se submeter a este tipo de tratamento.

* Caso sinta que sua segurança está ameaçada, não pense duas vezes, faça uma denúncia na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher pois, embora a Lei 10224 se refira ao assédio no trabalho, os casos mais graves podem se enquadrar em outras questões legais.

 

Fontes:

Ajuda Emocional – http://ajudaemocional.tripod.com/rep/id78.html

Delas – http://delas.ig.com.br/assedio+sexual/n1237491675245.html

Vila Mulher – http://vilamulher.terra.com.br/assedio-sexual-saiba-seus-direitos-5-1-37-29.html

Wikipédia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Ass%C3%A9dio_sexual

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com