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Dezembro 2010

Vendo Artigos de: Dezembro , 2010

Aconteceu: Encontro Cultural Capoeira Angola Brasil

O Evento ocorreu  com muita energia muito aprendizado, agradecemos a todos pela participação, mesmo aqueles que não estavam presente Obrigado…

Mestre Felipe 83 anos com muita disposição de fazer capoeira mostrando sua persistencia e resistencia da continuação da Capoeira. Obrigado MESTRE FELIPE.

Mestre Nô com seus 65 anos com  uma grande vivencia na arte da capoeira nos deixou  sua sabedoria das rodas da ” Capoeira na roda e na vida”OBRIGADO MESTRE NÔ

Mestre Braulino com seus 57 anos de idade mostrando sua Capoeira No Jogo, No Ritmo e no Canto demonstrando sua simplicidade de ser CAPOEIRA “Simplesmente   SER Capoeira” OBRIGADO MESTRE BRAULINO

Mestre Heitor com sua personalidade e responsabilidade na Capoeira e na Vida OBRIGADO MESTRE EITOR

Mestre Alfredo mesmo com sua  maneira de ser ausente e acompanhar tudo sem compromisso, tambem contrubuiu deixando o evento com mais vida e deixando os convidados bem a vontade OBRIGADO MESTRE ALFREDO

 

Brasília: Capoeira – luta, dança e jogo da liberdade

Patrimônio cultural brasileiro – ao lado do frevo, do samba e do ofício das baianas do acarajé -, a capoeira recebe o foco da lente de André Cypriano.  O resultado do trabalho do fotógrafo, acrescido dos textos de Rodrigo de Almeida e Letícia Pimenta, compõe a mostra “Capoeira – luta, dança e jogo da liberdade”.  A exposição, montada nas Galerias Piccola I e II da CAIXA Cultural Brasília, tem abertura para imprensa e convidados no dia 08, quarta-feira, às 19h. A visitação vai de 09 de dezembro a 16 de janeiro de 2011.

Com patrocínio da Caixa Econômica Federal, a mostra é composta de 11 fotografias em preto e branco, 29 fotos coloridas e 10 ilustrações (de autoria de Debret e Auguste Earle), além de textos explicativos. Revela uma rica manifestação cultural brasileira, das mais pesquisadas no mundo, reconhecida e praticada em todos os estratos sociais, no território nacional e, também, em vários países.

Cypriano uniu-se aos pesquisadores Rodrigo de Almeida e Letícia Pimenta para lançar, em 2009, o livro homônimo. A publicação resgata a história da capoeira, desde seu surgimento no Brasil Colonial até os dias de hoje, ressaltando aspectos de promoção e valorização da cultura nacional, além de sua função de agregação social.

A expografia recria um ambiente de sala de capoeira e utiliza elementos como um assentamento para o Orixá Exu – a entidade que deve ser cumprimentada antes de qualquer roda iniciar-se -; uma fotografia em louvor ao grande Mestre Pastinha – remontando um pequeno altar existente em diversos centros de ensino e prática da capoeira -; os instrumentos musicais utilizados; tecidos e pinturas em cores fortes, sempre presentes na Capoeira Angola e uma ambientação sonora típica das rodas.

A curadoria da exposição é de Denise Carvalho, produtora cultural e diretora da Aori Produções Culturais, empresa realizadora do projeto.

Serviço:

Quando: De 09/12 a 16/01/2011, de terça a domingo, das 9h às 21h.

Onde: CAIXA Cultural – SBS Quadra 4 lote 3/4 – anexo do Edifício Matriz da CAIXA.

Local: Asa Sul

Preço: Grátis.

Informações: 3206-9448


  • Veja Também: http://www.andrecypriano.com/

 

Fonte: http://cerradomix.maiscomunidade.com

Oferendas e cânticos marcam celebração ao dia de Iemanjá

Grupos se reúnem na Praia de Pajuçara para homenagear a rainha das águas

As batidas dos tambores marcaram o ritmo. Os colares em cores vibrantes adornaram as vestimentas. Os cânticos foram acompanhados com uma leve dança. Em cortejo, as cestas levaram flores bem decoradas, comidas e lembranças. Foram as oferendas a Iemanjá, a rainha das águas, homenageada todo oito de dezembro. Crianças e adolescentes também foram às areias da praia da Pajuçara para reverenciar a mãe de todos os orixás e pedir o fim do preconceito contra as religiões de matriz africana.

Os grupos de candomblé e umbanda, vindos de várias partes de Alagoas, festejaram o orixá dos Egbá na Pajuçara, em Maceió, durante todo o dia. A celebração, que pretendia chamar atenção para o preconceito histórico contra as manifestações afro-brasileiras, aconteceu também para agradecer por tudo o que foi alcançado em 2010.

Mãe Fátima de Oiá saiu de São Miguel dos Campos com seu grupo para homenagear aquela que ela considera ‘a mãe maior de todas as nações’. “Hoje o dia é de festa, felicidade e união de todos os candomblés e nações. Isso representa o renascimento da mãe mais caridosa e dedicada” – contou a mãe de santo, que mantém 38 filhos de santo dançando em seu grupo.

Há 15 anos como mãe de santo, Mãe Fátima explica que as oferendas preparadas para o orixá são levadas para alto mar, onde são, segundo a crença, conduzidas pelas águas até a Terra de Orucaia, conhecida como Terra de Iemanjá. “É um lugar feliz e radiante. A terra dos encantos”, diz ela.

 

Rodas de capoeira

Fazendo parte dos festejos, grupos de percussão e rodas de capoeira animaram o ambiente. “A capoeira tem ligação com o movimento afro-brasileiro, por esse motivo, fomos convidados e aqui estamos para fazer parte da comemoração”, diz o presidente do grupo Muzenza, Marcelo Cardoso, conhecido como Mestre Girafa.

Na praça Multieventos, a roda de capoeira chamava a atenção dos transeuntes, que paravam para apreciar o gingado. Grupos de percussão, de maracatu e orquestras de tambores estendem a programação até o final do dia.

 

Candomblé: tradição passada de geração a geração

Ela tem apenas sete anos de vida, mas já sabe entoar os cânticos que homenageiam Iemanjá, a rainha das águas. No dia em que as religiões de matriz africana reverenciam a mãe de todos os orixás, neste 8 de dezembro, seguidores do candomblé e da umbanda levam os filhos para também participa da festa de louvor.

A pequena Ieda Vitória da Silva, de 7 anos, canta, dança e segue os passos da mãe. Ela praticamente nasceu num terreiro de candomblé e, nos dias em que já movimentação é grande para levar à Iemanjá as oferendas que significam uma espécie de agradecimento por tudo o que ela teria feito pelos seus seguidores.

“Desde quando a Vitória era bebezinha que eu a levo para todas as atividades festivas da nossa religião. Ela sabe todas as músicas e os passos que marcam o ritmo das batidas dos nossos hinos”, disse a mãe Catiana da Conceição.

“Viemos de Rio Largo para prestar as nossas homenagens à mãe das águas”, lembrou a menina, que faz parte do Grupo Santuário de Iemanjá.

 

Tarde ainda com muitas oferendas

E a Pajuçara continua tomada por grupos de candomblé e umbanda. Todos cantam e dançam em dezenas de rodas formadas nas areias da praia. No meio do círculo, as oferendas que serão lançadas no mar: perfumes de alfazema, sabonetes, talcos, flores, champanhe, espelhos, bonecas e adereços.

Além do ritual religioso, a festa de Iemanjá também reúne outras expressões da cultura afro, a exemplo de sambas de roda, grupos de capoeira e blocos afros.

 

A lenda*

Com a lenda conta que Iemanjá, filha de Olokum, casou-se com Olofin-Odudua, em Ifé, na Nigéria, e teve dez filhos, todos orixás. Depois de amamentá-los, ela teria ficado com os seios enormes, o que lhe causara vergonha. Cansada de viver em Ifé, Iemanjá fugiu e, chegando a Abeokutá, casou-se novamente, dessa vez, com Okerê. Mas, Iemanjá impôs uma condição para o casamento: que o marido jamais a ridicularizasse por conta dos seios volumosos. Entretanto, numa briga, Okerê teria ofendido Iemanjá, que, furiosa, fugiu novamente, encontrando num presente do pai o caminho para as águas. Ela nunca mais teria voltado para a terra e se tornou, assim, a rainha do mar. Nas datas em que é homenageada, em 02 de fevereiro e 08 de dezembro (Imaculada Conceição, para o Catolicisco), seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la.

* Com informações do portal da Capoeira – www.portalcapoeira.com

 

Pajuçara vira palco de articulação pela cultura afro-brasileira

E, com o objetivo d pedir o fim do preconceito contra as religiões afro-brasileiras, reuniram-se, durante toda a tarde desta quarta-feira (08), vários grupos culturais na praia da Pajuçara. Cada um, mostrando as suas ações que são desenvolvidas no dia-a-dia, apresentou-se nas areias da orla marítima de Maceió e pediu o fim do preconceito.

“Estamos aqui num em prol da liberdade de crença e em favor do sincretismo religioso. A intolerância religiosa tem que ser combatida em todos os templos e lugares. O mais importante é que tenhamos fé, independentemente da religião a ser seguida”, defendeu Sirlene Gomes, coordenadora do Cepa Quilombo, grupo temático de discussão contra o preconceito.

Além dele, estiveram presentes o Quintal Cultural (grupo de educação, cultura e formação), Coletivo Afro Caetés (maracatu), Centro Espírita Santa Bárbara (Umbanda), Corte de Airá (maracatu) e o Núcleo Cultural da Zona Sul (capoeira e bumba-meu-boi).

O encontro foi denominado de ‘articulação pela cultura popular e afro-alagoana’ e seus organizadores prometem novas ações ao longo do próximo ano. Por enquanto, eles conseguiram abrigo provisório na Secretaria de Estado da Cultura.

 

Conscientização com crianças

O Centro Espírita Santa Bárbara, cuja sede fica no Conjunto Village Campestre, trabalha o tema da umbanda com crianças com idades entre 4 e 8 anos. Os integrantes da entidade alegam que, para poder desmistificar as religiões de matriz africana, a educação religiosa precisa ser ministrada desde os primeiros anos de vida.

E, para as homenagens à Iemanjá na praia, o Centro levou crianças e adolescentes para que eles pudessem entender e presenciar as reverências à rainha das águas.

 

Fonte: http://gazetaweb.globo.com

Gazetaweb – Janaina Ribeiro, Roberta Batista e Daniel Dabasi

Os Velhos Mestres da Vadiação Baiana

VIEIRA, Luiz Renato. Os velhos mestres da vadiação baiana. Revista Capoeira, n. 7, 1999

Neste texto, pretendemos abordar alguns aspectos da capoeiragem baiana do início do século passado — principalmente dos anos 30 aos anos 50 — , a partir de informações obtidas junto aos chamados “velhos mestres”, alguns dos quais já falecidos, como os mestres Caiçara, Canjiquinha, Bobó, Ferreirinha, Paulo dos Anjos e Waldemar da Liberdade, também conhecido como Waldemar do Pero Vaz. Na realidade, para falar da capoeira baiana do início do século passado, seria necessário destacar a participação de figuras como Samuel Querido de Deus, Nagé, Aberrê, Juvenal, Barbosa, Onça-Preta, Amorzinho, Zacarias, Cabelo Bom e outros. Mas não é nossa proposta detalhar a vida e os feitos desses grandes capoeiras, neste momento. Daremos maior ênfase a alguns dos que fizeram a ligação da antiga capoeiragem baiana com a realidade que vivemos, hoje em dia.

Os “velhos mestres” da capoeira da Bahia são considerados os guardiões das tradições da capoeira. É preciso notar que, em outros estados brasileiros, principalmente no Rio de Janeiro, também encontramos velhos mestres, defendendo as tradições da nossa arte-luta, mas aqui nos referiremos somente a alguns dos mestres baianos. Quando falamos de velhos mestres, estamos tratando, na verdade, de pessoas que, ao longo dos anos, acumularam imensa experiência nas rodas de capoeira e na vida, tornando-se importantíssimas referências para os capoeiras das gerações mais novas. Esses personagens da história da capoeira vêm sendo redescobertos e valorizados. Muitos ainda vivem em grandes dificuldades e alguns outros chegaram a morrer na pobreza, como mestre Pastinha. Esperamos que, com o grande crescimento que a capoeira vem apresentando, esses verdadeiros mestres tenham seu lugar reconhecido na história da cultura popular brasileira.

A maioria dos velhos mestres baianos representa a escola da capoeira Angola (embora alguns se recusem a aceitar a dicotomia Angola/Regional) e entre eles podemos citar: Bobó, Caiçara, Canjiquinha, Ferreirinha, Paulo dos Anjos, Waldemar do Pero Vaz, João Pequeno, Gigante, João Grande e Curió. Dessa lista, infelizmente, apenas os quatro últimos ainda estão vivos.

É muito difícil estabelecer, rigorosamente, “linhas de filiação”, quando falamos dos velhos mestres, uma vez que no tempo em que a maior parte desses grandes capoeiras iniciou-se na luta, a prática era informal e, em alguns casos, realizada nas ruas de Salvador, aos domingos ou nas festas de largo. No entanto, mestre Pastinha aparece como a mais importante figura nas tradições da Angola e referem-se a ele como “o mestre que me ensinou”, entre outros, os mestres: Curió, João Pequeno e João Grande. Na realidade, além de ter sido um respeitado mestre, Pastinha se destaca como o principal articulador da capoeira Angola junto aos poderes públicos de sua época, obtendo apoio dos órgãos de turismo e outras instituições estaduais e municipais. Alguns dos velhos mestres ressaltam seu papel como “presidente da capoeira”, principalmente em virtude de sua atuação na fundação do Centro Esportivo de Capoeira Angola, em 1941, com o objetivo de reunir alguns dos melhores capoeiristas da Bahia. Além de mestre Caiçara, contribuíram para a organização do Centro Esportivo de Capoeira Angola, Pastinha, Traíra, Pivô, Waldemar da Liberdade e outros capoeiras da época.

Os mestres Canjiquinha e Caiçara foram discípulos de Aberrê, que Caiçara descreve como “um filho de escravos trazidos da África”. Bobó e Ferreirinha afirmavam ter aprendido capoeira com mestres de Santo Amaro da Purificação, respectivamente Benedito de Santo Amaro e Antônio Asa Branca. Mestre Gigante, também conhecido como Bigodinho, aprendeu a arte com um dos capoeiristas mais famosos de seu tempo, o Cobrinha Verde, tendo depois praticado no Centro Esportivo de mestre Pastinha. Freqüentou por muito tempo, também, a academia de Capoeira Regional de mestre Bimba que, segundo fomos informados, o considerava “o melhor tocador de berimbau da Bahia”. Mestre Paulo dos Anjos, recentemente falecido e um capoeirista mais jovem entre os velhos mestres, foi aluno de mestre Canjiquinha. Mestre Waldemar do Pero Vaz, tendo iniciado a prática da capoeira em 1936, já com 20 anos de idade, foi aluno de capoeiras que figuram como verdadeiros mitos na nossa memória: Canário Pardo, Piripiri, Talavi e Siri-de-Mangue. Mestre Waldemar tem um papel particularmente importante na história da capoeiragem baiana porque, antes de Pastinha se destacar como o principal organizador dos angoleiros, já figurava como liderança que unia os “bambas” da capoeira tradicional, não vinculados à escola de mestre Bimba.

Naquela época, o aprendizado ocorria de maneira vivencial; na maioria dos casos, na própria roda de capoeira. Assim, o iniciante aprendia com os jogadores mais experimentados, informalmente. Embora, já em 1932, tenha sido fundada por mestre Bimba a primeira academia, o aprendizado informal da capoeira, nas ruas de Salvador, predominou até meados da década de 50. De acordo com mestre Gigante, “Naquela época não havia academia. Somente no dia de domingo é que tinha a vadiagem na rua” .

Mestre Waldemar, por exemplo, como já afirmamos, organizou por muitos anos a roda mais famosa de Salvador, no Corta-Braço, na Estrada da Liberdade. Comparando o aprendizado informal de sua época com os treinamentos de capoeira nas academias atuais, observou: “A roda na Liberdade era ao ar livre, perto do arvoredo. Eu fazia o ringue na sombra e botava a rapaziada pra jogar. Depois eu fiz um barracão de palha grande, e vinha tudo quanto era capoeirista da Bahia”.

Assim, o jogo da capoeira aparecia integrado ao cotidiano do povo, como a “pelada”. Embora existissem os “cobras”, não havia uma rigorosa exigência do domínio da técnica do jogo, mas apenas o conhecimento do ritual da roda e o respeito ao mestre e aos mais antigos. Mesmo havendo os pontos tradicionais de reunião dos capoeiras, principalmente nos domingos à tarde, qualquer ocasião em que se encontrassem era propícia à realização de rodas. Portanto, os bares, as praças, os mercados e as feiras, freqüentemente, eram palco de rodas inesperadas. Eram também comuns as rodas realizadas com o objetivo de recolher dinheiro dos assistentes para ser distribuído entre os capoeiristas. Em alguns locais, estes recolhiam com a boca as cédulas lançadas ao chão da roda, executando complexos movimentos de destreza e equilíbrio sobre as mãos ou, simplesmente, “passando o chapéu” entre os assistentes.

Sendo uma prática comum no cotidiano da época, a capoeira não exigia nenhuma indumentária especial: o praticante participava calçado e com a roupa do dia-a-dia. Nas rodas mais tradicionais, aos domingos, alguns dos capoeiristas mais destacados faziam questão de se apresentar, trajando refinados ternos de linho branco, como era comum até meados deste século. Vejamos o que disse mestre Paulo dos Anjos sobre o assunto: “Seu Waldemar ia pra roda de capoeira vestido de linho diagonal, uma fazenda que não era qualquer um que vestia não. Chapéu Rameson 3x e sapato da Clark. Você que fosse jogar com ele e, por desacerto, sem querer, você encostasse seu pé sujo no linho diagonal de Waldemar. Não era nem louco!”.

São muito comuns, na literatura e nos depoimentos, as referências ao traje branco dos capoeiristas do passado, o que se relaciona com a tradição de que capoeira que é bom não cai, nem permite que o outro lhe encoste o pé. No entanto, esse traje não chegou a caracterizar uma vestimenta específica para o jogo. Apenas mais tarde, no final da década de 50, as academias de capoeira passaram a adotar uniformes diferenciados pelas cores das camisetas e das calças, embora mestre Pastinha já adotasse o uniforme amarelo e preto, desde os anos 40.

Os ambientes freqüentados pela maioria dos capoeiristas e o contexto em que aconteciam as rodas, eram fatores que colaboravam para os diversos choques com a polícia, embora o último período de ferrenha perseguição aos capoeiras baianos tenha sido a década de 20, quando foi chefe de polícia, Pedro de Azevedo Gordilho, conhecido como Pedrito. Então, a partir da década de 30, foi deixando de existir uma atitude repressiva, especificamente contra os capoeiristas, mas a polícia continuou criando problemas para muitos. Entre os mestres mais idosos da Bahia, há os que se referem, orgulhosamente, aos conflitos de que participaram, inclusive com a polícia, ilustrando o discurso com suas cicatrizes de facadas e tiros, como mestre Caiçara. Mas Canjiquinha também ressalta a perseguição de que foi vítima: “A gente jogava capoeira nos dias de domingo. Não tinha academia e quando aparecia a polícia a gente tinha que sair correndo”.

Por outro lado, há casos em que a própria polícia ajudava a “manter a ordem” nas rodas, o que nos mostra como sempre foi complexa a relação da capoeira com as instituições e o poder no Brasil. Vejamos, por exemplo, o que afirmou mestre Waldemar, sobre a roda que organizava na década de 40: “Uma vez, eu fui na delegacia da Liberdade pedir ao delegado que mandasse polícia para olhar a roda que eu fazia. Tinha muito capoeirista aparecendo lá e criando confusão. Ele disse que não precisava não: ‘mande seus alunos dar uma cipoada neles e trazer aqui’”.

Os mestres eram figuras altamente respeitadas, destacando-se dos demais pela habilidade no jogo, nos toques do berimbau e nas cantigas. Alguns dos mais famosos que mantinham rodas de capoeira eram mestre Bimba, que fazia roda aos domingos no Alto de Amaralina; mestre Waldemar do Pero Vaz, com sua roda na Estrada da Liberdade; mestre Pastinha, que reunia os capoeiristas no Largo do Pelourinho e mestre Cobrinha Verde, com sua roda no Chame-Chame. Os mestres ocupavam lugar especial nas rodas de capoeira. Era sempre o mestre que iniciava e encerrava a roda, fazia recomendações nos cânticos e podia comprar qualquer jogo que estivesse acontecendo, escolhendo qualquer capoeirista para jogar. Além disso, não se permitia comprar jogo de mestre: apenas outro capoeirista, na mesma condição, poderia fazê-lo. Os mais antigos ressaltam, insistentemente, o fato de que nas rodas, hoje em dia, os mestres não são tratados com a distinção dos outros tempos. Nas palavras de mestre Curió: “Tem alunos que chegam na roda e tomam o berimbau do mestre, tomam o berimbau de minha mão. No meu tempo não tinha isso não. O mestre dava se quisesse. E quando o mestre estava jogando, o aluno não podia entrar”.

É importante ressaltar que, embora questionem algumas atitudes dos capoeiras da atualidade — como, por exemplo, o desrespeito aos rituais tradicionais —, os velhos mestres, em geral, demonstram grande admiração pelo crescimento e reconhecimento que a capoeira vem alcançando. De uma certa forma, podemos dizer que é a concretização de seus sonhos, embora ainda haja muita coisa a fazer e a resgatar do passado.

Temos, realmente, muito a aprender com esses mestres. Entendemos que a história não é a ciência do passado, mas a chave para que possamos, conhecendo o passado, construir um futuro melhor. Há fundamentos essenciais que podemos aprender ouvindo, observando e conhecendo as histórias e estórias desses importantes personagens da nossa história e da nossa cultura.

 

As entrevistas citadas foram realizadas entre 1988 e 1989, e constam do livro:

VIEIRA, Luiz Renato. O jogo da capoeira: corpo e cultura popular no Brasil. 2a ed., Rio de Janeiro: Ed. Sprint, 1998.

 

Mestre Luiz Renato

Mestre de Capoeira do Grupo Beribazu, formado pelo Mestre Zulu. Sociólogo, mestre em sociologia (UnB) e doutor em sociologia da cultura (UnB/Univ. de Paris I – Sorbonne). Especialista em políticas públicas e gestão governamental (ENAP-MPOG). Ensina a capoeira desde 1981. Coordenador do Projeto Capoeira Atividade Comunitária – Centro de Capoeira da UnB desde 1990. Autor de livros e diversos artigos sobre a capoeira e outros temas relacionados à educação e à cultura popular publicados em revistas científicas nas áreas de políticas públicas, ciências sociais e educação física. Professor universitário e Consultor Legislativo do Senado Federal na área de cultura. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2001134054398981

 

Fonte:

Grupo de Estudos de História da Capoeira

Blog do Grupo de Estudos de História da Capoeira, vinculado ao Projeto Comunitário Capoeira – Centro de Capoeira da UnB

http://estudoscapoeira.blogspot.com/

Capoeira REDE SOCIAL e preservação

Não devemos nunca esquecer que a capoeira vem do oprimido, desfavorecido e excluído, é arte que representa a vitória e valorização de uma cultura antes marginalizada, escravizada e violentada. Todos temos por obrigação valorizar essa arte. Viver bem e aproveitar tudo que ela possa nos proporcionar como modo de vida e até mesmo profissão, isso não é ofensa, afinal muitos lutaram no passado para que pessoas como eu por exemplo pudessem viver no exterior, constituir família, ajudar parentes, e poder ter acesso a bens de primeiras necessidades ou até os tidos como fúteis.

Acho que Ofensa é aproveitar tudo o que de bom ela tem para oferecer (Não falo aqui apenas das lideranças de grupos, mas dos seus alunos também) e esquecer sua origem e seu valor ancestral, se cada um compreender isso, pensará que ela deve retornar das faculdades, academias de luxo, escolas e das classes com mais condições educativas, financeiras e sem problemas de alimentação e emprego para estender a mão para a enorme quantidade de pessoas ainda no esquecimento social e violentadas de diversas maneiras pelas concepções e velocidade da sociedade moderna.

Um grupo de capoeira pode muito bem formar ideais de acção social, pode ser interventivo de forma direta nos problemas sociais, essa é uma tarefa difícil para qualquer liderança que queira lançar mão a obra neste aspecto, pois é um exercício que demora e custa muito, e que para entrar nas mentes e principalmente na atitude das pessoas que nos cercam nem sempre é passivo, temos de estar preparados para os avanços e recuos, para as vitórias e decepções, mas quando se acredita nesse tipo de ideal, mais cedo ou mais tarde a coisa acontece.

Claro que existem milhares de maneiras em que um grupo de pessoas pode ajudar, ou melhor ainda, um grupo de capoeira, por exemplo, em toda roda de capoeira pode-se pedir para os nossos praticantes trazerem um quilo de alimento e reverter os mesmos para projetos comunitários, podemos pedir roupa, remédios ou donativos financeiros, podemos dar aulas de graça em comunidades, participar com os alunos no apoio aos sem abrigos, fazer parte das mais diversas campanhas de intervenção Social, para ajudar basta querer.

Devemos também lembrar e procurar valorizar os Mestres mais antigos, os produtores culturais populares e retribuir sem pensar duas vezes, seja de que forma for, sempre que eles precisem, porque se eu assim como muitas lideranças devemos muito do próprio sucesso do trabalho a si mesmos, devemos muito mais a esses velhos Mestres. Vamos ainda, para que nossa arte possa continuar a possuir o valor ancestral, dizer não a cópia de CD´s da cultura que destrói a sobrevivência e produção da nossa arte, diga não ao aproveitamento das limitações financeiras de muitos Mestres para acender a “Mestrias” ou ter acesso ao saber e o aproveitamento deste mesmo saber sem nenhum tipo de escrúpulo, diga não em viver depreciando todos os que não fazem parte dessa onda de estética, cultura do corpo, e a dita “Técnica”, diga não a um único modelo musical da moda que sufoca o improviso o aprendizado oral e a diversidade que sempre existiu na capoeira, diga não a tentação do crescimento fácil na integração desmedida de “professores ou não” para poder ter mais uma bandeira de país anexada ao símbolo, como se tratasse de um vitória mas que na verdade simboliza a diluição da ligação ancestral do aluno com o Mestre e uma total falta de ética para com o outro Mestre, pelo menos ligue para ele antes, diga não a filiação por telefone, Internet, fax, Pombo-correio e sinal de fumo, diga não a falta de ética, falta de frontalidade e de respeito ao próximo, diga sim a uma roda de boa energia e a produção cultural, a ferramenta social e a entre ajuda, a rede da capoeira diversificada e a todos os que lutam por um mundo melhor, mesmo que seja esse pequeno grande mundo chamado capoeira.

Axé!!

C. Mestre Marco Antonio

“A mão que ajuda é mais sagrada que a boca que reza” Magnata

Samba Vivo Botequim homenageia Adoniran Barbosa

Estréia dia 08/12, a opção de começar a noite em alto estilo, em Itapuã, no Espaço Verde, sempre na 2ª quarta feira do mês, a partir das 19h.

O grupo Botequim retorna com o Samba Vivo, prestando uma homenagem aos grandes sambistas do Brasil, tendo como homenageado nessa noite de estréia o saudoso Adoniram Barbosa, em homenagem ao centenário de seu nascimento.

A partir de uma extensa pesquisa sobre a obra dos principais compositores de samba brasileiros, o Grupo Botequim, propõe o show “Samba Vivo” que prevê a realização de um espetáculo musical a cada mês, homenageando um grande sambista brasileiro, através da interpretação de suas músicas e também traçando um perfil do homenageado, contando histórias e fatos sobre sua vida e sua carreira.

Essa idéia nasceu no ano de 2005, idealizado por um dos integrantes do Grupo Botequim – o sambista e compositor Pedrão – e foi apresentado durante dois anos em alguns bares da cidade, onde os shows revisitaram a obra de sambistas como Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Noel Rosa, Adoniram Barbosa, Batatinha, Chico Buarque, Candeia, Geraldo Filme, Ataulpho Alves entre muitos outros

O Grupo Botequim é formado por músicos experientes no universo do samba e tem se destacado na cena cultural da cidade de Salvador, por promover um movimento de rodas de samba que tem tido a participação de um público jovem e crescente, interessado em conhecer um pouco mais sobre os grandes clássicos do nosso samba. Recentemente o Grupo Botequim apresentou alguns shows, vencedores de editais públicos da FUNCEB, homenageando grandes sambistas, como o “Tributo à Batatinha”, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves e na Praça Tereza Batista, e “Cartola no Botequim” no Teatro XVIII no Pelourinho. No Largo do Santo Antonio Além do Carmo, na última sexta feira do mês, tem Botequim, no Forte do Santo Antonio, com um público considerável de mais de 1500 pessoas.

Apareçam e comecem a noite com a festa viva do samba!!!

África por ela mesma

Em parceria com a Unesco, governo brasileiro lança programa de ensino da história do continente baseado na primeira obra de referência escrita por especialistas africanos

A história da África contada pelos próprios africanos. Esse é o ponto de partida dos novos projetos pedagógicos que pretendem mostrar aos estudantes brasileiros como a trajetória de nosso país está ligada à dos povos que habitam a outra margem do Atlântico.

Em parceria com a Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o governo federal está lançando um programa de ensino baseado na História geral da África, coleção em oito volumes lançada pela Unesco em 1981. A obra coletiva foi escrita por mais de 350 especialistas, dois terços deles africanos, e é o mais completo estudo sobre o passado do continente já publicado. 

A série já foi traduzida integralmente para o inglês, o francês, o árabe e o espanhol. Uma versão resumida foi lançada no Brasil entre 1982 e 1985, mas a edição está atualmente esgotada no país. Para suprir essa carência, os oito volumes da coleção estão sendo traduzidos e reeditados no Brasil e não serão vendidos, mas distribuídos para bibliotecas, universidades públicas e outras intituições de ensino. Uma versão digital da obra em breve estará disponível na internet. 

A coleção vai servir de fonte para a formação de educadores responsáveis por difundir o conhecimento sobre o assunto para estudantes brasileiros desde a educação básica até o ensino superior. “A obra é de grande importância e peculiaridade”, diz Marilza Regattieri, oficial de projetos em educação da Unesco. Ela lembra que a Lei 10.639, que tornou o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana obrigatório nas escolas, foi sancionada em 2003.

 

* Heloísa Broggiato é jornalista, tradutora, cientista política e mestre em política internacional e segurança pela Universidade de Bradford, na Inglaterra

Convenção da Diversidade

Brasil é o único país Sul Americano a compor Comitê Executivo da Convenção da Diversidade

A Quarta Sessão Ordinária do Comitê Intergovernamental da Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, no âmbito da Unesco, acontecerá em Paris, França, entre os dias 29 de novembro e 3 de dezembro. O Comitê, que é executivo, é um dos três órgãos da Convenção da Diversidade composto por 24 dos 115 países membros, eleitos a cada quatro anos e o Brasil – único país sul americano – cumpre o segundo mandato no órgão.

A delegação brasileira será composta por membros dos Ministérios da Cultura e das Relações Exteriores e chefiada pelo Secretário da SID, Américo Córdula.

A reunião discutirá as diretrizes operacionais dos artigos da Convenção – implementação e funcionamento; a aprovação de uma logo marca para a Convenção; a viabilidade da nomeação de personalidade pública para ser seu Embaixador e ainda questões ligadas ao Fundo Internacional para a Diversidade, como estratégias para dar visibilidade e formas de captação de recursos e avaliação dos primeiros projetos a serem financiados por ele. Atualmente o Fundo tem cerca de U$ 2,9 milhões oriundos de contribuições voluntárias dos países membros.

Os primeiros projetos a serem financiados com esses recursos foram avaliados por uma equipe de especialistas indicados pelos países membros escolhidos  na última reunião do Comitê, em dezembro do ano passado. O Brasil tem três projetos concorrendo, todos elaborados em cooperação com países africanos e latino americanos.

O Brasil leva para essa reunião uma proposta dos países integrantes do Mercosul Cultural (Brasil, Paraguai, Chile, Peru, Uruguai, Argentina e Bolívia), cuja proposta foi elaborada na última reunião de Ministros do MERCOSUL Cultural, dia 20 de novembro, no Rio de Janeiro.

Conheça a Convenção.

http://www.cultura.gov.br/

Salvador sedia Marcha Nordestina Pela Paz e Não-Violência

Organizações do movimento social, estudantes e grupos culturais participam da Marcha Nordestina Pela Paz e Não-Violência, que acontece no dia 10 dezembro (sexta-feira), com saída às 15h, do Campo Grande em direção a Praça Municipal de Salvador. A Marcha traz à tona com grande ênfase, o clamor e a denuncia pelo fim de todos os tipos de violência, discriminação e violações dos Direitos humanos.

 

A Marcha Nordestina é uma iniciativa do Mundo Sem Guerras, organismo internacional que atua ha 15 anos no campo do pacifismo e da não-violência. Na Bahia foi implantada e coordenada pelo InconPaz –Instituto de Consciência, Formação pela Cultura da Paz e a Não-Violência Mundo sem Guerra.

 

Esse organismo foi o idealizador da 1ª Marcha Mundial Pela Paz e Não-Violência do planeta, que aconteceu do dia 2 de outubro de 2009 a 2 de janeiro de 2010, esse trajeto mundial que iniciou na Nova Zelândia e terminou na Cordilheira dos Andes teve duração de 90 dias, passou por mais de 90 países e 100 cidades nos cinco continentes, cobriu uma distância de 160.000 km por terra. Foi recebida por governantes de todas as esferas e líderes religiosos, e contou com adesões de personalidades do campo acadêmico, político, social, cultural e desportivo.

 

Com sua passagem no Brasil a Marcha Mundial Pela Paz e Não-Violência mobilizou vários estados, em Salvador aconteceu no dia 17 de dezembro de 2009, e teve o apoio da Prefeitura Municipal de Salvador, do Governo do Estado da Bahia e dos movimentos sociais, onde foram realizadas inúmeras ações como forma de chamar atenção para o alto índice de violência e também para gerar uma nova consciência baseada na paz e não-violência.

 

 

PARTICIPE DA MAIOR MOBILIZAÇÃO PELA PAZ DA HISTORIA E LEVE SUA MENSAGEM DE PAZ!

“Para que se escute o clamor de milhões de pessoas que querem a paz, o fim das guerras e de todas as formas de violência”

 

SERVIÇO:
O quê? Marcha Nordestina Pela Paz e Não-Violência
Quando? 10 de dezembro de 2010 (sexta-feira), às 15h. 
Onde? Saída do Campo Grande em direção a Praça Municipal de Salvador

Concentração? 14h, no Campo Grande.

CONTATOS:
Comitê – Salvador/Bahia
E-mail: marchanordestina.ssa.ba@gmail.com
(71)9936.5046/ 9282-3166 / Ademir Santos 
(71) 9911-9165 / Jeã Moreno 

Assessoria de comunicação:

(71) 9151-0631 / Hamilton Oliveira (Dj Branco)– cmahiphop007@gmail.com

Embu das Artes: Capoeiristas abrem Mostra dos Núcleos de Cultura

A inclusão social e cidadã  do governo de Chico Brito é evidente em eventos como a Mostra dos Núcleos de Cultura, aberta em 28/11, com apresentação dos grupos de capoeira de Embu das Artes, com participação de mais de 500 alunos. O projeto dos grupos de capoeira, iniciado com apoio do governo federal, hoje é mantido pelo município. “Os Núcleos de Cultura, criados nesta gestão e instalados em 18 das 20 regiões da cidade, além de capoeira, têm atividades de música, dança, teatro. E a capoeira não é só uma luta, é também cultura, esporte, disciplina”, disse o secretário de Cultura, Paulo Oliveira.

No primeiro evento de encerramento das atividades 2010 dos Núcleos de Cultura, que continua nos dias 11 e 12/12, também no Centro Cultural Valdelice Medeiros Prass (avenida Aimará, s/nº), com teatro, música e dança, ocorreram apresentação de roda, maculelê, samba de roda, puxada de rede, manifestações que compõem a capoeira. Participaram os Núcleos de Cultura do Jardim Silva, coordenado pela professora Pantera; Jardim Júlia, do popular professor Temeterra (Mateus); Jardim Pinheirinho/Paróquia São Judas, contramestre Joca; Valdelice, mestre Edson; Novo Campo Limpo, mestre Azambuja; Santa Tereza, contramestre Joca; Parque Pirajuçara, professor Faísca Scuby; e São Marcos, mestre Oró, que fez uma bonita apresentação com Faísca, Tadeu e Edson.

Na abertura, na quadra do ginásio do Valdelice, Márcia Cristina Rabelo Batista, a professora Pantera, do Centro Cultural de Capoeira Irmãos Unidos, com sede no Centro, destacou que praticar a atividade “é bom para o físico, a disciplina e faz bem para adultos e crianças”.

O pequeno Philipi Freire Araújo, 6 anos, é um exemplo disso. Ele se exibe na quadra durante a apresentação com desenvoltura, enquanto os pais, Elenice Freire e Washington Araújo acompanham orgulhosos. A mãe de Philipi conta que ele pediu para entrar no grupo de capoeira depois de ouvir o som do berimbau e que após se tornar um capoeirista já recebeu medalha e troféu. “Percebo que ele é cada vez mais disciplinado e come melhor. Antes, por exemplo, não comia feijão. Hoje, sempre digo a ele que precisa se alimentar melhor para lutar e ele vai avançando”, revela Elenice.

Nas equipes, nem todas as crianças recebem os cuidados de Philipi, nem mesmo têm os pais na plateia para vê-los fazer a exibição. No ginásio, antes da apresentação, dois pré-adolescentes brigam demonstrando agressividade, até a professora Pantera separá-los destacando a necessidade de formarem uma equipe. É tarde de domingo, os pais dessas crianças não estão nas arquibancadas do ginásio Valdelice, assim como muitos outros que ainda não descobriram como o pequeno gesto de aplaudir e torcer pelo filho pode despertá-lo para a prática esportiva, contribuir para a formação do seu caráter e torná-lo mais saudável e feliz.

Elke Lopes Muniz

 

Fonte: http://www.embu.sp.gov.br/