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Agosto 2012

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Nestor Capoeira: Encontros com grandes Mestres – Leopoldina

A figura do Mestre, assim como a denominação “mestre”, é algo seminal.

Nos próximos dois livros (em 2013) desta trilogia falarei dos mestres do passado. Eu tive muita sorte: conheci os grandes mestres que instauraram a “era das academias”. Agora, gostaria apenas de contar como conheci alguns deles.

Meu encontro com mestre Leopoldina

A rigor, mestre Leopoldina não foi um dos que “instauraram a era das academias”; ele só começou a jogar em 1950, no Rio.

Mas foi quem me iniciou na capoeira; foi quem abriu as portas da “cultura popular”, e foi quem me apresentou a “filosofia da malandragem”. E fez isso sem fazer força, sem se preocupar em ser “mestre”.

Além disto, meu encontro com Leopoldina é uma estória que merece ser contada.

Demerval Lopes de Lacerda (1933-2007), o mestre Leopoldina, nasceu no Rio de Janeiro num sábado de carnaval.

Foi criado pela mãe e, depois por tias e outras senhoras que o acolheram. Mas, menino ainda, fugiu de casa para vender balas junto a outros moleques que dominavam as linhas da Estrada de Ferro Central do Brasil, que une o centro da cidade aos subúrbios mais distantes do Rio. Foi na Central do Brasil que ele se “formou” e fez “pós-graduação”.

Adolescente, foi por vontade própria, numa época de vacas muito magras, para o SAM – o temido Serviço de Asssistência ao Menor, atual FUNABEM. Leopoldina não tinha reclamações desta época; ao contrário, jovem malandro criado nas ruas, entrou logo para o time dos “diretores”. Entre outras coisas, aprendeu a nadar, dando regularmente a volta na ilha onde estava situado o reformatório, o que lhe deu uma excelente forma física.

Ao sair do SAM, já com 18 anos em 1951, e velho demais para vender bala e amendoin nos trens, começou a vender jornais e, em breve, montou uma equipe de pivetes. Pela primeira vez, começou a ganhar dinheiro, vestir altas becas e frequentar o mulherio da Zona do Mangue, onde breve fez fama devido ao tamanho de seu pênis – ganhou o apelido de Sultão. Leopoldina frequentava regularmente as prostitutas, não raro mais de uma vez ao dia, sem nunca usar qualquer proteção, como as “camisinhas-de-vênus”, e incrivelmente nunca pegou doença venérea.

Foi nessa época que conheceu Quinzinho, Joaquim Felix de Souza, um jovem e perigoso marginal, chefe de quadrilha, que já havia cumprido pena na Colonia Penal e carregava algumas mortes nas costas. Quinzinho era capoeirista e foi o primeiro mestre de Leopoldina na arte da “tiririca”, a capoeira dos malandros cariocas, sem berimbau, descendente da capoeira das maltas dos 1800s.

Drauzio Varela, o médico da Penitenciaria do Carandiru que escreveu um livro de grande sucesso, e que mais tarde virou filme, menciona Quinzinho em seu Estação Carandiru:

Seu Valdomiro é um mulato de rosto vincado e cantos grisalhos na carapinha…

Os setenta anos e as histórias de cadeia ao lado de bandidos lendários como Meneguetti, Quinzinho, Sete Dedos, Luz Vermelha, e Promessinha, fizeram de seu Valdo um homem de respeito no presídio.

Leopoldina contou (num depoimento a Nestor Capoeira, gravado em DVD, em 2005, Mestre Leopoldina, o último bom malandro), como conheceu seu primeiro mestre, Joaquim Felix, o Quinzinho, por volta de 1950; quando Leopoldina tinha uns 18 anos de idade e Quinzinho tinha, talvez, uns 23 anos de idade.

 

Leopoldina:

” Eu olhava pra ele (Quinzinho), olhava para os caras em volta, e ele berava pra mim:

– Desembandeira!

Quando eu me preparava pra atacar, ele fazia aquelas coisas com o corpo.

Eu pensei: ‘Vou matá-lo!’

Dentro da (estação de trens) Central do Brasil, escondido nos trilhos, eu tinha uma faca de 8 polegadas que eu costumava esconder ali. De madrugada, eu pegava a faca e caia na noite. Então eu deixei o Quinzinho e entrei na Central pra pegar aquela faca.

Neste momento, um jornaleiro que nunca mais vi, acho que já morreu, chamado Rosa Branca, me viu muito agitado e perguntou: ‘que que tá acontecendo?’

 

Eu respondi: ‘Quinzinho roubou o meu chapéu e eu vou dar uma facada conversada nele’. “

Leopoldina explicou o que é a facada conversada:

“A facada conversada é o seguinte: eu teria de esperar pelo momento em que ele estivesse bebendo, aproximar por tras, bater no seu ombro para que ele se virasse.

Quando ele se virasse eu furava ele pela frente… não pelas costas. Porque se eu fosse preso depois, eu teria considerção na cadeia: ‘esse é malandro, deu uma facada conversada no cara’. Mas se eu esfaqueasse pelas costas eles iam dizer: ‘covarde’, e iam descer o pau.”

Para a sorte de Leopoldina, Rosa Branca acalmou-o e ele não procurou Quinzinho. Mas pouco tempo depois, Leopoldina estava num ponto final de onibus, e encontrou Quinzinho mais uma vez.

Leopoldina:

“Desceram do ônibus, Mineiro Bate Pau, um outro cara chamado Peão, Testa de Ferro, e aí, Quinzinho.

Quando eu vi Quinzinho, eu gelei. E pensei: ‘é agora!’

Mas ninguém ali sabia do ocorrido entre nós e começaram a falar comigo. Quinzinho, vendo que eu era respeitado e amigo da malandragem, se aproximou e disse:

‘Eu não quero problema com você, porque você é malandro’.

Ele estava segurando uma cuíca e passou ela pra um dos caras. Ele passou a cuíca e, de repente, me deu uma geral (revistar alguém a procura de armas)!

Imagina só. Ele disse, ‘Eu não quero problema com você porque voce é malandro, etcetera e tal’, e em seguida me deu uma geral!”

As semanas foram passando e Leopoldina, que estva louco para aprender capoeira, foi, aos poucos, se aproximando de Quinzinho.

Leopoldina:

“Eu disse: ‘Quinzinho, quero te pedir um favor’

‘O que?’, ele respondeu (desconfiado).

‘Eu quero que você me ensine capoeira’

‘Então vai no Morro da Favela amanhã’

Puxa, eu não ficaria tão feliz se alguém me desse um milhão de reais.

Aquele primeiro dia, eu voltei pro Morro do São Carlos e fui dormir na esteira. No dia seguinte eu não conseguia levantar. Meu corpo todo estava doendo. E ao mesmo tempo, eu estava preocupado que ele não ia querer mais me ensinar se faltasse à segunda aula.

‘Como é que eu vou?’, e na Favela ainda tinha que subir mais de uns cem degraus.

Então eu fui no dia seguinte e disse pro Quinzinho:

‘Não pude vir porque estava todo doído’

E ele (sem me dar papo):

‘É assim mesmo… é assim mesmo’.

E começou a me ensinar: ‘faz assim…. faz assim’.”

“Aí, um dia o Juvenil apareceu. Ele disse ‘alô’, olhou pra mim e disse: ‘vamos brincar?’

Eu olhei pro Quinzinho e como ele não disse nada, eu respondi: ‘vamos’.

O Juvenil tirou o chapéu, o colete, a gravata, e ficou nú da cintura pra cima. Assim que nós começamos a brincar, ele me deu um chute que me pegou de raspão na cabeça.

O Quinzinho estava sentado com a 7.65 enfiada na cintura. Ele estava de shorts. Naquele tempo (aprox. 1955) se usava short de futebol e não essas sungas de hoje. Todo mundo usava shorts. E ele estava com um lenço no colo, escondendo a pistola.

Quando o Juvenil deu aquele chute, Quinzinho se levantou e enfiou a pistola na cara do Juvenil:

‘Não faça isso! Não faça isso, se não ele fica covarde e não aprende!’ “

Eu (Nestor Capoeira) acho esta estória, contada pelo Leopoldina, incrível.

Vejam bem: o Quinzinho era um jovem e perigoso marginal, chefe de quadrilha que, na verdade, não tinha nem um método de ensino estruturado; como já existia na Bahia, com mestre Bimba, desde 1930; ou como Sinhozinho, no Rio no mesmo período. Leopoldina explicou como Quinzinho ensinava: ia jogando com o aprendiz e dizendo, “faz assim… faz assim”.

No entanto, quando encarnava o “mestre de capoeira”, Quinzinho tinha uma ética impecável – “Não faça isso, se não ele fica covarde e não aprende!”. Mais impecável ainda, pois naquele tempo, Rio dos 1950s, aluno aprendia capoeira levando porrada pra “ficar esperto”.

Eu vejo esta passagem como algo muito emblemático da complexidade do mundo da capoeira, com seus bizarros paradoxos; que, na verdade, não parecem tão estranhos assim para aqueles que tem o corpo e a cabeça feitos pelos fundamentos da malícia.

Alguns anos mais tarde, Quinzinho foi, mais uma vez, preso e, desta vez, assassinado na prisão da Ilha Grande pelo Chefe de Segurança, Chicão.

Leopoldina sumiu da área, com medo de represálias de marginais inimigos. Quando voltou às ruas, conheceu Artur Emídio, que tinha chegado recentemente de Itabuna, e tornou-se aluno de Artur por volta de 1954, conhecendo então a capoeira baiana jogada ao som do berimbau.

Mais tarde, Leopoldina foi trabalhar no Cais do Porto e acabou conseguindo entrar para a Resistência, um dos ramos da estiva. Aposentou-se cedo, antes dos 45 anos de idade devido a um acidente de trabalho que, felizmente, não deixou seqüelas; e, com um salário razoável de aposentado, pode viver mais intensamente a vida de capoeirista e malandro alto-astral.

Eu (Nestor Capoeira) conheci Leopoldina em 1965, aos 18 anos de idade.

Leopoldina tinha 31 de idade, e apesar de estar em grande forma, cheio de energia, o corpo magro e musculoso todo talhado; seu rosto parecia o de um homem muito mais velho. O curioso é que os anos passaram e ele continuou com o mesmo rosto e o mesmo corpo.

Eu cursava o primeiro ano da Escola de Engenharia da UFRJ, na distante (em relação à Copacabana, onde eu morava com meus pais) Ilha do Fundão. Um dia, eu estava no pátio da escola conversando com alguns amigos quando vi, longe na estrada, um cara que se aproximava pedalando a toda velocidade; era o Leopoldina que vinha de bicicleta da Cidade de Deus até a Ilha do Fundão – é longe.

A medida que foi se aproximando comecei a perceber os detalhes da roupa da figura: chapeuzinho de aba curta, desses usados pelos sambistas; um colete vermelho com bolinhas brancas, completamente aberto sobre o peito nú, que balançava no vento feito as asas de um pássaro; calça boca-de-sino listrada de verde-pistache e cinza, e um largo cinto de couro preto com uma enorme fivela na cintura; sapatos de sola plataforma com uns 3 centímetro de altura, todo cravejado de estrelinhas prateadas.

Ele entrou pelo pátio adentro a toda velocidade e então deu um tremendo cavalo-de-pau e, girando, acabou parando ao lado de uma pilastra, onde calmamente encostou a bicicleta depois de saltar.

Aí reparei numa coisa mais estranha ainda: ele levava, preso entre os lábios, uma espécie de graveto pintado de preto, vermelho e branco com uns 30 ou 40 centímetros de comprimento. De repente, o graveto começou a se mexer e se enrolou em volta do pescoço daquela estranha pessoa: Leopoldina criava cobras em casa, e aquela – uma falsa coral – era uma de suas preferidas.

Eu perguntei para um amigo:

“Porra, quem é esse cara?”.

“É o mestre Leopoldina; ensina capoeira na Atlética”, que era a parte desportiva dos diretórios estudantis.

Leopoldina era gentil e amistoso com os alunos. Não permitia que um aluno mais velho batesse num iniciante.

Carregava os mais interessados para o samba, para o candomblé e a umbanda, para os morros, para os desfiles de carnaval na Avenida Presidente Vargas.

Era, sem tentar sê-lo, um Mestre completo, que iniciava aqueles universitários, eu entre eles, na cultura “popular” brasileira; na filosofia da malandragem alto-astral – “o bom negócio é bom pra todo mundo” (em oposição à chamada Lei de Gérson, “levo a melhor em todas”, dos 171 e golpistas); e num enfoque da mulher e do sexo radicalmente revolucionários – “ninguém pertence à ninguém” -, tanto para a moral burguesa como para os enfoques machistas.

Leopoldina achava que só se deve dar aulas de capoeira duas vezes por semana, e aulas de apenas uma hora; o resto seria correr as rodas e jogar.

Seu método de ensino consistia de um breve aquecimento (uma corrida em volta da sala e alguns “polichinelos”), algumas “sequências” de golpes e contragolpes para duplas de alunos (similares às que aprendeu com Artur Emídio, por sua vez baseadas nas sequências de mestre Bimba), ocasionalmente um treino de golpes (os alunos se aproximam em fila de uma cadeira e davam, um a um, o golpe por cima da cadeira) e, no final da aula, uma roda de uns 15 a 20 minutos.

Suas aulas geralmente tinham de 4 a 8 alunos; Leopoldina nunca teve “sucesso” no que se refere ao número de alunos; tampouco deu aulas por mais de 5 anos no mesmo local.

Creio que sou o único aluno de Leopoldina em atividade, mas meu estilo de jogo é bastante diferente do dele: Leo era mais baixo que eu – devia medir 1,70m e pesar uns 65 kg -, tinha um estilo mais rápido, mais leve, mais arisco; sua ginga tinha mais personalidade que a minha, e era extremamente malandra e expressiva; embora seus golpes não se equiparassem aos da rapaziada de ponta de Senzala (onde fiquei de 1968 a 1992 e completei minha formação), Leo tinha muita visão de jogo e objetividade quando queria.

Outro aspecto importante, da vida de Leopoldina, foi seu relacionamento com o samba.

Saiu com a Mangueira, pela primeira vez, no carnaval de 1961, aos 28 anos de idade. A Mangueira foi a primeira escola de samba a colocar a capoeira em seus desfiles, o que deu uma grande visibilidade à capoeira. Leopoldina chegou a organizar um grupo de 60 capoeiristas na ala V.C. Entende, a ala show da Mangueira. E continuou saindo até aproximadamente 1974.

Eu mesmo (Nestor Capoeira) desfilei várias vezes na Mangueira, a convite de Leopoldina, quando ainda era um novato de capoeira, por volta de 1968/1970.

Na verdade, quando o conheci em 1965, embora fosse conhecido e querido no meio da capoeiragem, Leopoldina não era renomado, como foi Artur Emídio ou, mais tarde, o Grupo Senzala. Sua fama cresceu lentamente com o tempo, nas viagens que fazia constantemente à São Paulo (e depois ao resto do Brasil e estrangeiro), e na amizade que conquistou no hegemônico Grupo Senzala carioca.

Mas principalmente por sua personalidade alto-astral e positiva, alguém que só fazia amigos e evitava as inimizades. E mais ainda, por suas músicas de capoeira que, ao mesmo tempo, eram inovadoras na letra e principalmente na harmonia mas agradavam até aos jogadores mais chegados à tradição.

Aos poucos sua figura começou a ser associada, e com razão, aos últimos “bons malandros” e ao próprio Zé Pelintra, uma entidade da Umbanda.

Em 2005, com mais de 70 anos de idade, estava em grande forma física, jogando no seu ritmo rápido com 4 ou mais capoeiras jovens, um jogo seguido ao outro, e era um dos (“velhos”) mestres mais conhecidos de nosso tempo, junto com os mestre João Pequeno e João Grande (antigos alunos de mestre Pastinha, de Salvador).

Seus maiores interesses eram as mulheres, a capoeira, o samba, os carrões (que comprava e equipava com muitos cromados e pinturas), as viagens no Brasil e exterior (onde começou a ir por volta de 1990), as festas, as amizades; enfim, as curtições de quem ama e está de bem com a vida.

Leopoldina morreu em 2007, vitima de câncer, aos 74 anos de idade.

Conferencia Cultural Afro-Brasileira – Espanha 2012

Partecipação especial:

Mestre João Grande (USA)

Mestre Plínio (Brazil)

 

Preço

Forma de pagamento:

Ate o dia 15 de Novembro – 120 € (60 € antecipado / 60 € no dia do evento) por 4 dias.

Depois o dia 15 de Novembro – 150 € por 4 dias.

Depois o dia 15 de Novembro – 50 € por 1 dia.

 

Para pagar o 60 € anticipado utilizar a conta:

 

Daniele Bolletta

IBAN – IT92C0301503200000002615527

Email – daniz@nacao-zumbi.com

 

O preço inclui aulas e hospedagem (levar saco de dormir).

 

Programação

Em breve.

 

Hospedagem

Levar saco de dormir.

 

Translado

Desde do aeroporto de Alicante, sera organizadas caronas no valor de 5 € por pessoa. Para reservar uma vaga, escrever a info@nacao-zumbi.com.

Desde da estação de onibus de Alicante, consultar o site: www.agost.es.

 

Information

Mail – info@nacao-zumbi.com

Alfonso (Espanha) – +34 630 545 531

Daniele (fora da Espanha) – +353 862 652642

 

(EN) Afro Brazilian Culture Conference – Spain 2012

Mestres and Professores

Special partecipation:

Mestre Joao Grande (USA)

Mestre Plinio (Brazil)

 

Payment

Payment method:

 

Until the 15th of November – 120 € (60 € in advance / 60 € the day of the event) for 4 days of event.

After the 15th of November – 150 € for 4 days.

After the 15th of November – 50 € for 1 day.

To pay the 60 €, please use the folowing account:

 

Daniele Bolletta

IBAN – IT92C0301503200000002615527

Email – daniz@nacao-zumbi.com

The price icludes workshop and hospitality (bring sleeping bag).

 

Agenda

Soon.

 

Hospitality

Bring your sleeping bag.

 

Transfer

From Alicante airport, rides will be organized for € 5 per person. To reserve a place, write info@nacao-zumbi.com.

From the bus station in Alicante, visit: www.agost.es.

 

Information

Mail – info@nacao-zumbi.com

Alfonso (Spain) – +34 630 545 531

Daniele (outside Spain) – +353 862 652642

Rio Claro: Abordagem lúdica e pedagógica coloca bebês em contato com capoeira

Arte marcial misturada com dança, a capoeira teve início no Brasil no século XVI, servindo de instrumento da resistência cultural e física dos escravos frente à repressão dos colonizadores e senhores de engenho. Ao som de berimbau, o jogo mescla golpes mais rápidos e, também, lentos e próximos ao solo, cujo gingado e musicalidade são o diferencial desse esporte.

Em Rio Claro, a tradição é mantida com o passar das gerações. Para que a cultura afrodescendente continue sendo valorizada, bebês já estão tendo o primeiro contato com a capoeira. Com o apoio da Secretaria Municipal de Esportes, o Grupo Muzenza de Capoeira desenvolve projeto na Academia do Bairro Mãe Preta para o aprofundamento das padronizações técnicas e difusão do esporte.

De acordo com Luís Roberto de Lima, instrutor Guerreiro, que teve o primeiro contato com a arte aos sete anos de idade, a proposta em atender bebês é para colocá-los em contato com um momento histórico importante para o Brasil, além de incentivá-los para a música, cultura e atividades físicas. Sem riscos aos menores, reforça que as atividades desenvolvidas são lúdicas e pedagógicas. “Quis trabalhar com bebês para que o interesse pelo esporte seja despertado logo cedo, para que não se tornem indivíduos sedentários futuramente. Outro ponto é a possibilidade de lhes apresentar o contexto histórico da capoeira como uma expressão cultural brasileira”, comenta o instrutor.

Bananeiras, cambalhotas, exercícios em forma de gincana, uso de instrumentos musicais e alongamentos são as principais atividades desenvolvidas com os bebês de um e meio a quatro anos de idade. “Não tem perigo algum, ao contrário do que possam imaginar, pois a arte marcial não é aplicada, apenas elementos musicais, culturais e exercícios que trabalham e aperfeiçoam a coordenação motora e a musculatura”, reforça Guerreiro.

As aulas voltadas a essa faixa etária tiveram início há duas semanas, com vagas em aberto. São atendidos, também, grupos de seis a 12 anos e de jovens e adultos. Para o instrutor, a gratificação ao trabalhar com os menores consiste em ser uma opção frente à ociosidade das ruas, cuja arte faz parte da sua vida. “Ainda criança, estava próximo a uma praça, quando uma senhora me chamou para jogar capoeira com seu filho. A partir disso, interessei-me pela capoeira e, hoje, já são 12 anos atuando como instrutor”, conclui.

Mais informações, ligue: (19) 8325-3812 Guerreiro ou (19) 3533-5422/5433 Secretaria Municipal de Esportes. Acesse: www.muzenza.com.br. Local: Avenida 2-MP, esquina com Rua 16-MP, Parque Mãe Preta.

 

Aulas

As aulas acontecem de segunda, quarta e sexta-feira, na Academia do Bairro Mãe Preta, nos seguintes horários: das 18h30 às 19h, para bebês de um e meio a quatro anos; das 19h às 19h40, para alunos de seis a 12 anos; e das 19h40 às 21h, a jovens e adultos.

 

Grupo Muzenza

O Grupo Muzenza de Capoeira foi fundado em 5 de maio de 1972, no Rio de Janeiro, tendo como seu fundador Paulo Sérgio da Silva (Mestre Paulão), oriundo do grupo Capoarte de Obaluaê, do Mestre Mintirinha (Luís Américo da Silva). O Grupo se faz presente em 26 estados brasileiros e 35 países, buscando sempre os fundamentos e as raízes da capoeira. Desde 1975, é presidido por Ms. Burguês.

 

Fonte: http://jornalcidade.uol.com.br

XI Encontro Cultural & Intercâmbio Internacional de Capoeira Mangangá

Encontro cultural marca 11 anos da Associação de Capoeira Mangangá do Mestre Tonho Matéria

O Forte de Santo Antônio Além do Carmo (Forte da Capoeira), equipamento da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, administrado pelo Centro de Culturas populares e Identitárias, recebe hoje (21), às 19 horas, participantes do XI Encontro Cultural & Intercâmbio Internacional de Capoeira Mangangá, promovido pela Associação Sociocultural e de Capoeira Mangangá do Mestre Tonho Matéria.Contando com a presença de renomados capoeiristas do cenário nacional, internacional e profissionais de diversos segmentos, o evento receberá em torno de 1.500 participantes.

Capoeiristas e interessados oriundos de países como Itália, Alemanha, Moçambique, EUA, Austrália, Grécia, México e Argentina vêm se reunindo no período de 10 a 26 de agosto de 2012, em cidades como Cachoeira, São Felipe (com o Contramestre Zé Carlos e Mestre Boa Gente), Jacobina (com o Grupo Jacobina Arte / Mestre Pit Bull), Simões Filho (Prof. Del) e Salvador, em comunidades como Pau Miúdo, Vale das Pedrinhas, Caixa D’água, Castelo Branco, Canabrava, Sete de Abril, Bom Juá, Dique do Tororó, Nova Brasília, Pelourinho (ABCA), Terreiro de Jesus e Forte da Capoeira.

Além de Campeonato Internacional de Capoeira em dupla (FECABA), Aulão para Mestres de Capoeira com o Mestre Medicina, Aulão com o Contramestre João do Morro e Mestres: Didi, Atabaque, Carlinhos Canabrava, Tchello, Marcelo Grauçar (capoeira de rua), Angola, Djalma, Já Morreu e Cabo Jai, os convidados participam de palestras, videoconferência, mesa redonda, circuito histórico-cultural e social, aulas públicas de capoeira, rodas abertas de capoeira para adultos e crianças, batizado e troca de cordas.

 

Serviço:

O que: Palestra sobre Capoeira e Roda de Capoeira Aberta ao Público.

Quando: 21 de agosto de 2012, 19 horas.

Onde: Forte de Santo Antônio Além do Carmo (Forte da Capoeira).

Evento reúne mestres de capoeira em Groaíras

Participantes de todo o País estão em Groaíras para enaltecer uma dança presente no Brasil desde a época colonial

Groaíras Neste fim de semana, o Grupo Cordão de Ouro de Capoeira de Groaíras comemora 14 anos com o 3º Mandinga na Ribeira, que traz mestres de todo o País. O evento está ocorrendo no Galpão dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais até amanhã e é aberto ao público. O projeto conta com apoio do Governo Federal e Coelce.

Dentre os presentes, estarão os mestres Suassana, de São Paulo, e Cobra Mansa, de Salvador, dentre outros nomes de destaque da Capoeira Nacional. Iniciado em abril, o evento está tendo se encerramento, tendo um público de mais de quatro mil pessoas nesta edição, de acordo com a organização do evento.

O coordenador do projeto, José Jones Rufino Cruz, mais conhecido como Pretinho Jones, explica que foi um dos fundadores do Grupo Cordão de Ouro de Groaíras, em 1998, e que hoje já conta com mais de 50 praticantes somente na sede do Município. “Os praticantes vão desde crianças de 6 anos até idosos”.

Ele diz que esse grupo da terceira idade é um grupo especial, com atividades desenvolvidas especialmente para esse objetivo. “É uma terapia ocupacional com idosos, com atividades bem mais leves e voltadas para eles”.

Segundo Jones, o sucesso da capoeira se dá devido à peculiaridade do jogo, que mistura dança e luta. “Essa é a sedução inicial da modalidade. Quem joga capoeira às vezes dança, às vezes luta. A ocasião faz a definição. Além disso, está presente no País desde a época do Brasil Colonial, contando a história”.

Durante os meses de evento, a organização afirma que a receptividade foi intensa, principalmente por parte das famílias de crianças e adolescentes. Jones diz que os benefícios são reconhecidos por todos. “Não é preciso muito preparo físico e a prática beneficia a autoestima, senso de respeito e ao lidar com os instrumentos musicais facilita-se a coordenação motora fina, trazendo benefícios na escrita, leitura e percepção”, enumera.

O estudante Marcos Alves esteve em umas das rodas de capoeira que ocorreu dentro do evento. Segundo ele, apenas para observar. “É interessante, principalmente, para a manutenção da cultura local. Eles têm uma filosofia que trabalha valores como o respeito tanto a si mesmo quanto ao próximo”, disse.

 

Além desses pontos, Jones destaca também que não há aumento na agressividade. “Muito pelo contrário, todos os praticantes acabam aprendendo mais sobre controle e humildade, pois a primeira ´rasteira´ que ele deve dar é em si mesmo”.

O comerciante Isaac Bento endossa a afirmação, dizendo que sua vida era diferente na época da capoeira. “Quando era mais novo, pratiquei muito, era uma pessoa mais calma e saudável, devido aos benefícios que o exercício traz consigo. Hoje sinto falta, mas não tenho mais tempo. Sempre procuro ver os meninos jogando capoeira em Sobral e fico contente em saber que há um incentivo desses tão perto daqui”, finaliza.

Conforme a coordenação, as outras edições do evento, em 2008 e 2010, contaram com um total de participantes de 500 pessoas e público estimado de mais de 10 mil. Dentre as atividades, oficinas de capoeira e danças folclóricas, palestras e seminários e apresentações culturais em espaços públicos da cidade.

O projeto também buscou abrir espaços para questionamentos de cunho social, como a preservação do meio ambiente e manutenção de culturas afro-indígenas da região.

 

Mais informações

 

Grupo de Capoeira Cordão de Ouro de Groairas

Rua Fco. Ximenes Melo, 85

Bairro José Cassiano, Groaíras

(88) 8814.9756

O Sabor do Saber Ancestral

Uma semana de degustação dos fundamentos profundos da cultura afro-brasileira. É o que propõe o evento “O Sabor do Saber Ancestral”, realizado pela ACANNE de 19 a 24 de Novembro de 2012. O encontro conta com oficinas de capoeira angola, dança afro e percussão, samba de roda, palestras e vivências. Dentre as atividades da semana, há lançamentos de livro e de filme, participação na Caminhada da Liberdade (com o Ilê Aiyê) e uma feijoada religiosa de obrigação a Ogum.

Este ano, o evento conta com a participação de três mestres: Renê Bitencourt (ACANNE), Cláudio Costa (Angoleiros do Sertão) e Lua Rasta (Bando Anunciador da Capoeira Angola de Rua), além de oficina de dança afro com Vânia Oliveira e performances poéticas com Jocelia Fonseca.

Os participantes podem ficar hospedados na sede do grupo, que fica no Largo Dois de Julho, a cinco minutos do Pelourinho, no coração do Centro Histórico de Salvador.

Venha provar desse axé!!!


Publicada por Blogger em ACANNE – Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro

FCP promove a exposição “Arte e Cultura Africana”

Com abertura agendada para a próxima segunda-feira (27), às 17h30, a exposição Arte e Cultura Africana traz 130 peças, entre artefatos, quadros, móveis e esculturas do acervo de 19 embaixadas do Continente Africano no Brasil. A mostra, que também marca o 24º aniversário da FCP, é um dos eventos da instituição na preparação da Década dos Povos Afrodescendentes, que terá início em dezembro deste ano, conforme Resolução Organização das Nações Unidas (ONU). Até o dia 6 de setembro, as obras podem ser vistas no Salão Negro do Ministério da Justiça.

Para o presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, a mostra consegue reunir o encanto e a criatividade da cultura africana. “A exposição fará com que a distância física imposta pelo Atlântico seja superada, aproximando assim as identidades que valorizam as culturas brasileira e africana”, afirma, “Com certeza, os visitantes vão ficar maravilhados”, garante.

O curador da exposição, Carlos Eduardo Trindade, explica que a exposição levará o público a um passeio panorâmico sobre as bases constitutivas da vida comunitária, do trabalho, do lazer, das relações familiares, da religiosidade e do cotidiano dos vários povos que formam a África. “A heterogeneidade das práticas culturais existentes em solo africano é marcante e, talvez, a principal contribuição ofertada pelos seus habitantes à humanidade”, conta.

A exposição Arte e Cultura Africana foi desenvolvida pelo Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra da Fundação Palmares e contará com peças que retratam a cultura de África do Sul, Angola, Argélia, Benin, Burkina Faso, Botsuana, Cabo Verde, Cameroun, Etiópia, Gana, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Mauritânia, Marrocos, Moçambique, Nigéria, Sudão, Zâmbia e Zimbábue.

Arte africana – A arte africana reproduz os usos e costumes dos povos africanos. Nas pinturas, como nas esculturas, a caracterização da figura humana mostra uma preocupação com os valores morais e religiosos. A escultura, forma de arte muito usada pelos artistas africanos, utiliza-se de ouro, bronze e marfim como matérias primas. As máscaras são as mais conhecidas da plástica africana e constituem uma síntese dos vários elementos simbólicos. São confeccionadas em barro, marfim, metais, mas o material mais utilizado é a madeira.

 

Serviço

Exposição Arte e Cultura Africana

Onde: Salão Negro do Ministério da Justiça – Esplanada dos Ministérios, Bloco T, Edifício Sede

Quando: De 27 de agosto a 6 de setembro de 2012

Visitação: Segunda à sexta-feira, das 9h às 18h – Entrada franca

 

Fonte: http://www.palmares.gov.br

Inteligências Múltiplas e a capoeira

Resumo

Este trabalho teve como objetivo discutir a capoeira e as inteligências múltiplas. Pode-se concluir através deste trabalho que as inteligências múltiplas são contempladas por completo através da prática da capoeira. Deste modo a capoeira ganha espaço cada vez mais para o desenvolvimento do ser humano. Este iniciou relatando sobre a capoeira, relacionou-a com cada inteligência múltipla, e assim apresentou-se a importância da inserção da capoeira na educação física escolar, tanto para o desenvolvimento do aluno como um todo, mas também para possibilitar o resgate desta luta que outrora foi chamada de luta de libertação hoje é patrimônio histórico cultural do Brasil.

Unitermos: Capoeira. Inteligências Múltiplas. Educação Física Escolar.

 

Introdução:

 

A educação física tem várias ramificações, sendo elas esportes coletivos, individuais, jogos desportivos, exercícios para o corpo como um todo, lutas e muito mais (IÓRIO; DARIDO, 2005). Desta forma podemos nos utilizar da Educação física e sua relação com a capoeira para abordarmos sua importância enquanto esporte e/ou luta, na fase escolar. A Educação Física sofreu diversas mudanças de acordo com as épocas por esta percorrida, assim como a Capoeira, e por isso houve mudanças e passagens por diferentes pensamentos político-ideologicos de cada época, desta forma com cada pensamento vigente na época de acordo com a política aplicada e objetivos diferentes a educação física e a capoeira foram mudando e se adequando a tais necessidades (IÓRIO; DARIDO, 2005).

Encontramos na capoeira muitas transformações e ressignificações de acordo com o pensamento político empregado em uma época, por exemplo: a capoeira escrava, a marginalização, a liberação da capoeira, a criação da capoeira regional, capoeira-esporte, e a criação da confederação, ou seja, podemos contextualizar o inter-relacionamento da educação física da educação física escolar ao trajeto histórico social da capoeira, de tal forma que com o inicio do século XX e a chegada do pensamento ginástico/eugenista, aparece às primeiras propostas de transformar a capoeira em ginástica nacional (IÓRIO & DARIDO, 2005).

Inicia-se assim a tentativa de aproximar a capoeira da educação física até mesmo com proposta, como cita Innezil Penna Marinho (1956) que propõe um método de ginástica totalmente brasileira: a capoeira, com o objetivo de valorizar o patriotismo de seus praticantes. Sendo assim, segundo Marinho (1956) a capoeira pode contribuir também com a educação física escolar, contribuindo com a formação cívica dos alunos. Após este pensamento ideológico de política chega o pensamento higienista preocupado com a saúde física de seus praticantes e o aperfeiçoamento das habilidades físicas para a mão de obra. Foi nesta época que a capoeira foi liberada pelo então presidente Getúlio Vargas como forma de manifestação popular (IÓRIO & DARIDO, 2005).

Desta forma fora criada então a primeira academia de capoeira regional. Iório e Darido (2005) afirmam que: “Naquele mesmo ano a capoeira é oficializada como instrumento da educação física […]”, mas notamos que mesmo a capoeira, a educação física e a educação física escolar não conseguem se adequar aos ideais higienistas e eugenistas da época. Nas próximas décadas a educação física volta-se para a melhoria das capacidades fisiológicas, psíquicas, social e moral, e a capoeira foi perdendo sua característica de manifestação popular por sua adequação às academias, seguindo neste período desvinculado da educação física escolar. Com a estruturação da capoeira enquanto esporte-competição perdeu-se ainda mais suas características como manifestação e expressão do indivíduo. Foi este o período que acabava de adentrar a sociedade o Técnico/Esportivo. A partir deste pensamento vemos que não poderia ser excluída a verdadeira essência da capoeira, e na verdade era o que o governo vigente se empenhava para fazer, mas na capoeira não há exclusão, nem por habilidades, gêneros ou qualquer deficiência (IÓRIO & DARIDO, 2005).

A partir de vinte de Dezembro de 1996 com a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Base (LDB) da educação, gerou-se grande autonomia da Educação Física, sendo assim esta autonomia proporcionada pela LDB para que novos conteúdos sejam incluídos na proposta pedagógica, verificou-se a necessidade da estruturação da capoeira como conteúdo da educação física escolar, a capoeira é um conteúdo que pode ser contemplado na escola pelos seus muitos enfoques, inteligências, possibilitando a luta o folclore a dança o jogo, o canto o bater das palmas o esporte, lazer e a educação, ensinando-se globalizadamente deixando e proporcionando que o aluno escolha o que lhe mais agradar neste variado conteúdo que é a capoeira (BALBINO & PAES 2007). O desenvolvimento da mesma possibilita o desenvolvimento de todos os conceitos e procedimentos da educação física, onde o professor tem diversas rotas para aprendizagem do mesmo, não se remetendo apenas aos aspectos técnicos (SOUZA & OLIVEIRA, 2001).

A sua historicidade é um dos pontos de fundamentação da mesma para a educação física escolar, tratando-se de uma luta de libertação, diferente das diversas modalidades que foram contextualizadas na história da educação física escolar que vem de escolas européias e norte-americanas. A capoeira se trata de um esporte-luta criado e desenvolvido no Brasil.

Os PCN’s em relação à educação física escolar citam e afirmam que a concepção de conteúdo corporal amplia a contribuição da educação física escolar para o pleno exercício de cidadania, assim como na roda de capoeira esta autonomia é dada ao aluno no próprio jogo, sendo que o jogador pode ter a liberdade de se expressar com movimentos livres, mostrando que a criatividade também é trabalhada. A roda e jogo fazem com que o jogador crie movimentos de acordo com sua necessidade naquele presente momento se tratando de um esporte-luta de perguntas e respostas. O jogo mostra a importância da individualidade, desde as pessoas que fazem com que a mesma aconteça, ou seja, a bateria, o canto, as palmas, até mesmo o segundo aluno que se encontra no jogo, pode desenvolver movimentos os quais fazem com que o jogo se desenvolva criando assim necessidades especificas de movimentações, formando assim a imprevisibilidade no jogo da capoeira.

Sua base é enraizada na raça negra, se trata de um esporte-luta que foi criado longe das classes dominantes, então não há preconceitos na roda de capoeira. É portanto um lugar onde os opostos se atraem, o doutor e o analfabeto o negro e o branco, mulheres e crianças, os habilidosos e os menos habilidosos, ou seja, um vasto patrimônio cultural que deve ser desfrutado pela Educação Física escolar, se tratando ainda de um esporte-luta, multidisciplinar. Desta forma, temos uma infinidade de conteúdos que podem ser aplicados de diferentes formas utilizando-se a capoeira como base (SOUZA & OLIVEIRA, 2001).

O fator motivacional para uma prática de atividade física é muito importante, pois segundo Paim e Pereira (2004, p.159-166):

Conhecer quais os motivos que levam os alunos à prática de atividades motoras na escola pode melhorar as atividades escolares e contribuir no processo de ensino aprendizagem, já que a aprendizagem e a motivação são processos interdependentes no homem.

Sendo assim, a partir do momento em que sabemos o que motiva nossos alunos, podese utilizar vários métodos para aplicação de determinada modalidade ou esporte para uma adequação e interação melhor de nossos alunos. Neste caso a capoeira tem como grande valor motivacional a sua própria essência, por ser chamada de luta de liberdade seus praticantes tem várias formas de se tornarem capoeirista, seja no jogo, na luta e na musicalidade (PAIM & PEREIRA, 2004).

Com a inserção da capoeira na educação física escolar temos muitos métodos de aplicação e diversas formas de desenvolvermos as inteligências múltiplas (BALBINO & PAES, 2007), sendo este um dos maiores objetivos deste trabalho que visa mostrar a relação e empregar a capoeira às inteligências múltiplas: lógico-matematica, lingüística, musical, espacial, corporal sinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista.

“A inteligência está relacionada com a resolução de problemas em um determinado contexto”, “[…], e é exatamente o que ocorre na capoeira onde as inteligências devem ser aplicadas e aprimoradas ao longo da imprevisibilidade do jogo em si da capoeira assim como os jogos desportivos coletivos tem uma grande semelhança com o a capoeira por se tratar de jogo, e principalmente pela imprevisibilidade por ele criada, então temos que o estudo de Gardner nos remete a afirmação da capoeira como sendo a luta mais completa até hoje sugerida pois desenvolve como um todo as capacidades do indivíduo no caso nossos alunos que a praticam, dando assim sustentabilidade ao objetivo jogo, motivação, pois com esta relação, da capoeira, educação física escolar e as inteligências criamos uma abordagem altamente recomendável de capoeira no âmbito escolar para desenvolvimento das inteligências, multidisciplinaridade, e motivação de nossos alunos como um todo, conseguindo assim transformar não apenas o aluno e sua condição física e saúde mas também seus conceitos cívicos e morais (GALATTI & PAES, 2007).

Mas de que forma ensinar, de que forma desenvolveremos métodos para que nossos alunos aprendam. Nista-Piccolo (1999) nos mostra que a pedagogia do esporte tem como objetivo a arte de ensinar a praticar uma modalidade esportiva, por meio dela é possível capacitar ou não um aluno para executar determinadas habilidades exigidas nesta prática, tendo uma pedagogia eficaz conseguimos estimular os alunos ao gostar de executar determinado exercício ou modalidade física auxiliando-o a ter conhecimento de suas próprias capacidades, onde um bom professor se utiliza de diferentes formas para que o aluno consiga aprender o movimento, mas porque (ZYLBERBEG & NISTA-PICCOLO, 2008), ”São inquietações que pulsam veementemente em nossa prática cotidiana, ao nos depararmos com situações inadequadas de aprendizagem.”, ”[…], então nos resta buscar maneiras diferentes de aplicação e entendimento de determinados movimentos e modalidades para não cairmos ao senso comum de maus professores.

Mas temos de nos precaver, de poucas diversificações de aprendizagem pois através destas, corremos riscos de acharmos que estamos com algumas inteligências impossibilitadas e na verdade se trata da falta da diversificação e exploração de caminhos diferentes a serem seguidos e explorados. Por este motivo devemos procurar diferentes formas de ensino pois temos diferentes formas de nos adequarmos e entendermos diferentes aspectos e ensinos (ZYLBERBEG & NISTA-PICCOLO, 2008).

Inteligências Múltiplas e a capoeira

 

A teoria das Inteligências Múltiplas toma forma com a abordagem das diversas habilidades, capacidades, pensamentos, talentos e competências do homem, que transparecem em seu cotidiano. A partir disto Gardner (2000) busca novas formas e aplicações de Inteligência, que possam satisfazer o homem no mundo moderno, então este conceito de pluralidade da mente começa a se formar, através de diversas pesquisas e estudos em diferentes temas e abordagens. Com estas observações e de muitas outras no campo da neuropsicologia, Gardner (2000) chega à conclusão de que as pessoas tem um leque de capacidades, tendo algumas pessoas capacidades mais desenvolvidas para uma certa área e outras pessoas para outras áreas. Através deste processo rompe-se a idéia de mais inteligente e de menos inteligente e começa a se estabelecer que as inteligências atuam de forma independente (BALBINO & PAES, 2007).

Desta forma o sujeito, pode vir ou não a desenvolver suas habilidades como um todo dependendo da necessidade ou contexto, cultural ou não, ao qual está inserido. “Desta forma, observamos que a inteligência está relacionada com a resolução de problemas em um determinado contexto” (GALATTI & PAES, 2007, p.31-44).

Gardner dimensionou em sua teoria, a existência das inteligências múltiplas que tratariam dos domínios de resoluções dos possíveis problemas referentes às pessoas inseridas dentro dos critérios pré-estabelecidos (ZYLBERBEG & NISTA-PICCOLO, 2008, p.59):

Gardner reafirmou que o número de inteligências é menos importante do que a premissa de que há uma multiplicidade delas e que cada ser humano tem um mix único, ou perfil único de pontos fortes e pontos fracos nas inteligências.

Com estas informações vemos o quanto à capoeira contempla as inteligências, pois a mesma engloba as inteligências de modo a dispor ao seu praticante, total desenvolvimento da mesma, sendo assim, a roda de capoeira propicia esta contemplação devido a sua riqueza cultural com múltiplos aspectos facilitando a formação integral do indivíduo. (BALBINO & PAES, 2007)

 

  • A inteligência corporal cinestésica desenvolve o potencial de usar o corpo, ou parte dele, para resolver problemas ou na fabricação de produtos, sendo assim, a capacidade de trabalhar com objetos de forma hábil, tanto os que envolvem os movimentos finos quanto os grosseiros do corpo. Na capoeira vemos aparente o trabalho desta inteligência na confecção e manuseio dos instrumentos musicais, e na expressão corporal que é imposta pelo capoeirista tanto na evolução e estética de seus movimentos quanto na sua tática, para ludibriar seu adversário.

  • A inteligência verbal lingüística envolve a sensibilidade para a língua falada e a escrita, sendo aprimorada a habilidade para aprender línguas bem como a capacidade de se utilizar a linguagem para atingir objetivos como inteligência e competência intelectual, utilizando-se de metáforas, cruciais para lançar e explicar um novo desenvolvimento científico. Dentro da capoeira esta inteligência é muito desenvolvida pelo cantador que deve estudar e pesquisar as palavras que irá utilizar em seu canto, para a condução do jogo e comando da roda, onde o mesmo pode definir um jogo em sentido de apresentação, ou até mesmo um jogo competitivo entre os capoeiristas. Também se torna visível esta inteligência nas composições da musicalidade da capoeira, onde o capoeirista busca termos e verbos condizentes tanto com a realidade atual da capoeira e sua lingüística quanto a que era utilizada antigamente.

  • A inteligência Logico-Matematica é a capacidade de analisar problemas com lógica, de realizar operações matemáticas e resolver questões cientificamente, esta inteligência é desenvolvida principalmente por matemáticos, lógicos e os cientistas, chamada de “a inteligência pura”. Em seu domínio o processo de solução de problemas é significativamente rápido, pois o indivíduo lida com muitas variáveis ao mesmo tempo, tendo como base o cálculo matemático, o raciocínio lógico, a resolução de problemas, raciocínio dedutivo e indutivo, discernimento de padrões e relacionamentos. O capoeirista encontra estes diferentes aspectos e problemas na roda de capoeira, sendo esta um jogo de pergunta e resposta onde a velocidade da resposta pode definir o jogo, tendo o capoeira de estar atento ao espaço da roda, tanto quanto ao espaço que o mesmo dispõ a utilizar sendo que não está sozinho na roda e seu adversário, tratará de diminuir cada vez mais as suas saídas.

  • A inteligência Musical com estrutura similar a da inteligência lingüística, desenvolve a habilidade na atuação, na composição e na apreciação de padrões musicais. A música é uma faculdade universal, sendo acessível e emergente capacidade que surge mais cedo do que outros talentos em outras áreas da inteligência humana, e é uma das mais antigas formas de arte, que utiliza a voz humana e o corpo como instrumentos naturais e meios de auto-expressão, sendo que o corpo humano por si somente, segue ritmos e sons desde o sistema cardíaco quanto metabólico.

A música pode ajudar a criar um ambiente positivo que desencadeie a aprendizagem, e isso é a alma da capoeira, pois sem a musicalidade não existe a capoeira, tanto o jogo quanto os participantes se movem de acordo com a musicalidade que está a envolver a roda, a bateria , o coro, o cantador, e o próprio jogador, que está a receber esta “energia” oriunda do ritmo e musicalidade que está sendo empregado determinando seus passos e estratégias. Dentro deste ambiente musical temos variados tipos de formações de bateria, conforme a tradição e fundamento do grupo e dependendo do estilo de jogo a que este pertence. Cada instrumento tem sua importância dentro da roda da capoeira, como os berimbaus que são divididos em três, o viola que tem a função de repicar o quanto quiser durante a roda dando um contraste ao toque e ritmo, o médio que faz a marcação e interlocução entre o gunga e o viola amenizando e separando os toques, o gunga chamado também de “o mestre da roda” pois é ele quem comanda o jogo e dá o sinal para o início e para o final de uma roda de capoeira. Seu som é um som mais grave que os outros berimbaus demonstrando seu poder sua cabaça também é maior que a dos outros berimbaus, temos também os instrumentos de percussão como o pandeiro e o atabaque que tem a função de marcar e acompanhar os berimbaus temos também o agogô que é de um som mais agudo e o reco-reco um instrumento que faz a marcação também tendo um som diferenciado na roda, tais instrumentos são confeccionados pelos próprios capoeiras, os berimbaus são envergados e preparados a cada roda, sendo composto por cabaça, verga, arame, baqueta e caxixi. Este deve ter um som diferenciado não podendo estar transmitindo um som de metal, e este som varia conforme sua envergadura, arame, e sizal utilizado na cabaça, determinando de tal forma o jogo que será apresentado.

 

  • A inteligência Espacial tem o potencial de reconhecer e manipular os padrões do espaço, bem como os padrões de áreas mais confinadas. As muitas maneiras como a inteligência espacial é desenvolvida em diferentes culturas mostram claramente como um potencial biopsicologico pode ser aproveitado por campos que evoluíram para vários propósitos.

Com a capoeira esta inteligência se torna aparente a partir do momento em que o capoeirista estuda o jogo de seu adversário e sai para o jogo onde o mesmo pode encurtar a roda se abrindo alongando seu corpo e ao mesmo tempo diminuindo-se para melhor aproveitar os espaços possíveis dentro da roda, sendo esta grande ou pequena pois dependendo do toque e o que o berimbau quer, a roda pode diminuir ou aumentar o tamanho.

  • A inteligência Interpessoal desenvolve a capacidade de entender as intenções, as motivações e os desejos do próximo, e sendo assim, de trabalhar de modo eficiente com terceiros, esta inteligência se baseia na capacidade de perceber distinções entre os outros, em especial contraste em seu estado de espírito ou de ânimo, seu temperamento, seus sentimentos.

Na capoeira vemos esta inteligência aparente tanto nos professores que ministram as aulas quanto no próprio jogador que tem de fazer a leitura de seu adversário a todo instante, pois o mesmo pode estar com intenções boas no jogo ou até mesmo montando uma estratégia para lutar. Daí vem a “malandragem” do capoeira onde o mesmo se utiliza do tombo em seu adversário para deixá-lo com raiva e assim perder a estratégia dentro do jogo, onde o jogador poderia dar a volta ao mundo (volta na própria roda), e aguardar até acalmar os ânimos e sair novamente ao jogo.

  • A inteligência intrapessoal envolve a capacidade de a pessoa se conhecer, de ter um modelo individual de trabalho, incluindo seus próprios desejos, medos e capacidades e de usar estas informações com eficiência para regular a própria vida.

Na capoeira dentro da roda o jogador está sozinho tendo de se defender e atacar ao mesmo tempo, onde o jogador deve conhecer suas habilidades, ter autoconfiança e explorar ao máximo suas habilidades sendo em floreios, movimentos, golpes e saltos. O capoeirista se preocupa com o jogo, sua estratégia, golpes com força e bem aplicados, expressão corporal e a plástica de seus movimentos, tudo isto irá determinar não tão somente esta inteligência mas o grau de desenvolvimento que tem este jogador, pois dentro da roda o capoeirista não é “sua corda” até porque os capoeiristas não seguem uma confederação onde todas as cores de cordas determinam uma hierarquia, então através do jogo vemos o quão graduado é o capoeira.

  • A inteligência Naturalista trata do conhecimento do mundo vivo, incluindo a classificação de diversas espécies utilizando-se do meio ambiente para sua vida, observando diferentes formas de vida e objetos conseguindo assim trazer para seu cotidiano estas experiências.

Com a capoeira é muito aparente esta inteligência pois os movimentos e golpes vem, em sua origem, de movimentos dos animais; sua instrumentação vem da natureza; os nomes dentro da capoeira e até mesmo a maioria dos apelidos (nome dado ao jogador iniciando-se na capoeira) vem da natureza, sendo assim, a raiz da capoeira vem do mundo vivo, vem da natureza, da observação do redor onde os escravos tinham apenas a natureza para poder colher o que viria a ser sua libertação do cativeiro (BALBINO & PAES, 2007)

Considerações finais

 

A capoeira hoje é tombada como patrimônio cultural do Brasil, mas vemos que a mesma não tem grande valor entre os próprios brasileiros. Deste modo através das inteligências, concluímos o quão é abrangente é esta luta, que desenvolve o ser humano como um todo, trazendo desde a parte física quanto mental sendo trabalhadas a todo instante sendo dentro do jogo, quanto na roda da capoeira. Desta forma a capoeira tem toda a capacidade e merece ser explorada e desenvolvida como é vista fora do Brasil como uma luta tão valorizada como as outras, pois traz um mix não somente de todas as inteligências mas também de todas as lutas hoje existentes.

A capoeira está em um processo evolutivo trazendo sempre algo novo, seja na musicalidade ou até mesmo em golpes e movimentos. Tendo em vista estes conceitos, este trabalho procurou mostrar o quanto pode ser produtivo o desenvolvimento da capoeira nas escolas, para um melhor aprendizado não somente das outras matérias através da capoeira, mas também do conhecimento de si mesmo e da cidadania que a capoeira traz em sua raiz, mostrando assim o quanto é grandiosa esta arte, que hoje está em todos os países e é a maior divulgadora da língua portuguesa no mundo, pois as músicas de capoeira são em português e independente de onde estiver acontecendo à roda de capoeira a música deve ser ministrada em português.

Os estudos sobre a capoeira e as inteligências múltiplas ainda são pouco discutidos na literatura científica. Temos alguns relatos e estudos iniciais. Portanto espera-se com esse trabalho despertar os estudiosos da Capoeira a estudar mais minuciosamente essa relação e os estudiosos das inteligências múltiplas a conhecer melhor a Capoeira e a escrever sobre o desenvolvimento das inteligências através desta Arte Brasileira.

Bibliografia

 

  • BALBINO, H.F.; PAES, R.R. Jogos Desportivos Coletivos e as Inteligências Multiplas: Bases para uma proposta em pedagogia do esporte. Hortolândia. 2007.

  • GALATTI, L.R ; PAES, R.R. Pedagogia do Esporte e a Aplicação das Teorias Acerca dos Jogos Esportivos Coletivos em Escolas de Esportes: O Caso de Um Clube Privado de Campinas – Sp. Conexões, Revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, Campinas, v. 5, n. 2, p. 31-44, jul./dez. 2007.

  • IÓRIO, l. S.; DARIDO, S.C. Educação Física, Capoeira e Educação Física Escolar: Possíveis Relações. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, vol 4, n°4, p. 137-143, 2005.

  • PAIM, M. C. C.; PEREIRA, E. F. Fatores Motivacionais dos Adolescentes para a Prática da Capoeira na Escola. Motriz, Rio Claro, v.10, n.3, p.159-166, set./dez. 2004.

  • SOUZA, S.A.R.; OLIVEIRA, A.A.B. Estruturação da Capoeira Como Conteúdo da Educação Física no Ensino Fundamental e Médio, Revista da Educação Física/UEM Maringá, v. 12, n. 2, p. 43-50, 2, sem. 2001.

ZYLBERBEG, T.A.; NISTA-PICCOLO, V.L. As contribuições dos estudos sobre inteligência humana para a pedagogia do esporte. Pensar a Prática. Vol. 11, n.1, p. 59-68, jan./jul. 2008.

 

* Autores:

*Graduado em Educação Física – Faculdade Adventista de Hortolândia – **Professora Titular – Faculdade Adventista de Hortolândia (Brasil)

  • Jefferson dos Santos Fonseca*
  • Helena Brandão Viana**
  • Larissa Rafaela Galatti**
  • Nilda Batista Cavalcante Rangel**

hbviana2@gmail.com

 

Fonte: EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 17, Nº 171, Agosto de 2012. http://www.efdeportes.com

ENAFEC 2012

PARA CONHECIMENTO DE TODOS:

“A capoeira é uma manifestação cultural brasileira que reúne características muito distintas: trata-se de uma mistura de arte-luta praticada ao som de instrumentos musicais como o berimbau, o pandeiro e o atabaque. Para incentivar a prática entre as mulheres, será promovido o 4º Encontro Alagoano Feminino de Capoeira (4º ENAFEC).

A iniciativa está previsto nos dias 25 e 26/08/2012, (sábado e domingo, das 07h00 as 18h00), atendendo um público alvo de jovens e adultos de ambos os sexos que praticam ou que tenham interesse em praticar esta arte. A prática da capoeira ainda é pouco difundida no Estado entre as mulheres e encontramos resistência em praticá-la, desconhecendo que a atividade pode ser uma alternativa eficaz na melhoria das condições gerais do indivíduo.

A capoeira é uma pratica que pode, ainda, contribuir para a auto-estima e formação do caráter e da personalidade de quem a realiza. A capoeira traz benefícios na área da saúde, já que ela representa uma forte aliada no controle social quanto à recuperação de usuários de drogas, alcoolismo e portadores de transtornos mentais.

Diante destes benefícios, podemos afirmar que a sua prática realmente se constitui em uma política de saúde pública, pois somente por meio de uma prática cultural e física, é possível sanar vários problemas, podendo ser empregada para resgatar àqueles que já estão doentes, evitando que jovens e crianças enveredem pelo caminho das drogas”

Mauricio Alves Pastor

XIII Clínica de Capoeira e II Congresso Brasileiro de Capoeira Escolar

XIII Clínica de Capoeira e II Congresso Brasileiro de Capoeira Escolar: Grande evento que também comemora os 70 anos do Mestre Gladson, os 40 anos de Capoeira no CEPEUSP e os 25 anos das Clínicas de Capoeira do CEPEUSP.

 

A organização deste evento é do Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo – CEPEUSP.

 

A coordenação é dos Professores Gladson de Oliveira Silva e Vinicius Heine!