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Dezembro 2013

Vendo Artigos de: Dezembro , 2013

Boas Festas: Mestre Gladson e alunos da Projete Liberdade Capoeira

Queridos amigos Mestres, Contra-Mestres, Professores, alunos e demais entusiastas da nossa CAPOEIRA,

“Desejamos a todos, um findar de ano, onde possamos, de olhos cerrados, olhar para dentro e, fazer um retrospecto de tudo que nos foi oferecido de bom e necessário para o nosso crescimento físico, espiritual e material e, do muito, que pudemos externar aos nossos companheiros desta jornada terrena. Tomara que, na contabilidade divina, não tenhamos débito nos nossos cartões de Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Caridade. E, se assim for, tenhamos em 2014, mais um ano repleto de LUZ DIVINA, onde o DEUS de cada um, nos mostrará sempre, que, não existe pobre tão pobre, que não tenha nada para DOAR e, rico tão rico, que não tenha nada para PEDIR. Portanto, que nos seja dada a possibilidade de olhar ao nosso entorno e, podermos CREDITAR a todos os nossos Irmãos, as benesses iluminadas, que sempre estão ao nosso dispor e, as vezes não conseguimos enxergar. Digo no mais alto brado: Tudo que precisamos enxergar, para a realização do especificado, está no contexto de uma RODA DE CAPOEIRA, onde o ditar do ritmo de nosso Mestre Maior, sempre nos mostram o que é: PAZ, AMOR, CARIDADE, DIGNIDADE, AFETO, RESPEITO, HONESTIDADE, HARMONIA, COMPREENSÃO e, outros quesitos mais, que nos ajudarão a melhorar a Qualidade de Vida do Universo como um todo. ACREDITEMOS.”

Um Feliz Ano Novo, extensivo a todos os seus Familiares,

Grande Abraço e Beijos a todos,

Gladson e alunos da Projete Liberdade Capoeira

 

* Dica do editor:

Visite: http://projeteliberdadecapoeira.com.br/

MS: Professor de Campo Grande ensina a capoeira em projeto comunitário

Professor de Campo Grande ensina a capoeira em projeto comunitário

Por meio da luta, capoeirista superou infância difícil.

Josimar de Araújo começou a dar aulas de capoeira aos 16 anos. A luta o fez superar uma infância difícil e agora, aos 37 anos, tenta devolver à comunidade, por meio de projetos sociais, os benefícios que o esporte trouxe para ele. Além do trabalho comunitário, desenvolveu ainda técnicas para ensinar a modalidade a pessoas com deficiência.

Campanhas, projetos e ações solidárias como essa são tema de uma série que está sendo exibida durante a semana pela TV Morena. Um assunto comum que inspira nessa época de Natal: a generosidade. Exemplos de quem ajuda pedindo nada em troca.

O resultado de anos de trabalho em prol do próximo foi colocado em um livro publicado em mais de 20 países. “Chega em uma quadra como essa, você não vê quem é rico ou quem é pobre, quem tem dinheiro e quem não tem. Vê um monte de gente de abadá, com a corda na cintura e descalço”, fala o professor.

E quem participa das ações desenvolvidas por Josimar sabe bem sobre a importância da capoeira.

Adelaide Negrão, por exemplo, perdeu a visão na infância por conta de um erro médico. Hoje, aos 59 anos, pratica o esporte com o professor há sete anos.”Através da capoeira eu consegui me libertar, tanto para falar, como para agir. Adquiri uma confiança muito grande”, diz.

Fonte: http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul

Angra dos Reis: Abadá Capoeira faz apresentação temática

Grupo Abadá Capoeira faz apresentação temática

Vai chegando o Natal e dezenas de jovens e crianças da unidade local do Grupo Abadá Capoeira, com integrantes convidados de outros municípios, tomam conta da cidade, sempre em uma manhã de sábado, para fazer a tradicional roda de Natal e alegrar os corações de crianças de todas as idades. Dessa vez a concentração aconteceu na sede do grupo, na Rua João Gregório Galindo, às 10horas. De lá saíram  25 adultos vestidos de Noel  e  dezenas de capoeiristas mirins; todos com gorros vermelhos. Foram também integrantes do projeto Escolinha de Capoeira nas Comunidades, que atende a centenas de jovens e crianças.

Eles foram chegando e chamando a atenção, principalmente dos pequeninos, cantando e dançando pelas ruas da cidade. A turma parou nas principais praças do município e fizeram as rodas de capoeira, diferentes e muito bonitas, que atraíram um grande público.

A primeira parada do grupo foi na Praça Zumbi dos Palmares, depois das 10horas. Em seguida, o grupo foi para a Praça da Matriz .

A Capoeira Noel terminou com uma grande festa de confraternização entre os integrantes das escolinhas de diversos bairros, todos juntos, fazendo uma grande roda na Praça Codrato de Vilhena (Papão), com show de maculelê e entrega de brinquedos para as crianças.

O encontro é realizado há vários anos e tem também como um dos objetivos a integraçãodos alunos além demostrar que a solidariedade é fundamental para a prática de qualquer esporte.  As praças foram agraciadas com a festividade durante todo o dia.

“Um encontro para finalizar o ano da nossa capoeira com chave de ouro. É uma alegria poder contar com a participação de tanta gente. Os angrenses abraçam nosso eventoe isso nos enche de orgulho,” comentou emocionado o mestre Arisco.

Fonte: http://www.avozdacidade.com

Foto: Wagner Gusmão

Salvador: 29 Grupo Internacional de Capoeira Topazio

29º Batizado de Capoeira acontece durante Encontro Internacional

A 29ª edição do Batizado do Grupo Internacional Capoeira Topázio acontece no Teatro do Isba, em salvador, no próximo dia 21 de dezembro, em meio ao Encontro Internacional Capoeira Topázio, que este ano, comemora os 25 anos do grupo nascido na capital baiana e que chegou a 25 países com cerca de 15 mil alunos.

Com passagens pelo Grupo Terra Samba; pelo show americano Q’Viva!the Chosen, apresentado por Jennifer Lopez e por Marc Anthony, com direção de Jamie King e pelo Cirque Du Soleil o Grupo Internacional Capoeira Topázio segue com o seu Encontro iniciado hoje, 19, até o próximo dia 22 de dezembro, em diversos pontos de Salvador.

O grupo também é o responsável pela montagem do Show Folclórico Topázio, que já levou o folclore brasileiro para países da Europa, Ásia e Oceania e fica em cartaz, até a Copa do Mundo de 2014, no O Coliseu, localizado o pelourinho, em Salvador.

Fonte: http://www.tribunadabahia.com.br

PUC-Rio: Grupo Igualdade e Projeto “Atleta do Coração”

Vídeo: ‘Atleta do Coração’ ensina a salvar vidas

O SRZD acompanhou um treinamento do projeto “Atleta do Coração” durante uma aula de capoeira do Grupo Igualdade, na PUC-Rio, e presenciou de perto que, com o conhecimento adequado, todo cidadão é capaz de salvar uma vida.

A ação, idealizada pela empresa especializada em treinamento e simulação em saúde Simulatis, foi comandada pelo médico angiologista, Hugo Coelho Neves e compartilhada com os alunos de capoeira do Mestre Camurça.

“O Atleta do Coração é um projeto com linguagem fácil e simples para que qualquer leigo possa entender. Nosso objetivo não é explicar especificamente como um coração funciona, mas sim, levar o conhecimento dos primeiros socorros para atletas amadores e profissionais”, detalhou Dr. Hugo.

Na ocasião, com o auxílio de robôs de simulação, o médico ensinou aos capoeiristas como eles podem identificar uma parada cardiorrespiratória e, em seguida, as medidas que devem ser aplicadas baseadas nas técnicas da reanimação cardiopulmonar.

“Eu já faço capoeira há algum tempo, tive lesões e sei que é muito importante saber essas informações. Eu nunca tinha pensado em fazer um curso, mas agora fiquei interessado. A partir de hoje, me sinto capaz de tentar salvar uma vida”, afirmou Renato Mendonça, estudante de administração e capoeirista há 12 anos, após assistir ao treinamento passado pelo Dr. Hugo.

“Imagina a alegria que você sente ao poder salvar uma vida? Eu acho a ideia excepcional! Quando você tem a informação, você vai tentar fazer alguma coisa ao invés de se desesperar. É importante ter a informação correta” destacou Mestre Camurça, que tem 26 anos de prática na capoeira e 14 como Mestre.

 

Veja a entrevista na íntegra:

{youtube}REH9tWuCS0g{/youtube}

 

momentos do treinamento - Foto SRZD

Matéria sugerida por Nélia Azevedo

Fonte: http://www.sidneyrezende.com/

Bragança Paulista: Projeto Municipal de prática e de Capoeira na rede Municipal de Ensino

Capoerira – Projeto Municipal de prática e de Capoeira na rede Municipal de Ensino termina o ano envolvendo 350 alunos

No último sábado, dia 7, a Prefeitura de Bragança promoveu o encerramento do Projeto Capoeira, desenvolvido em 12 escolas da rede municipal, envolvendo uma média de 350 alunos.

A cerimônia foi realizada no Ginásio Municipal de Esportes Francisco Virgili, na Vila Garcia, e contou com a presença da vice-prefeita e secretária de educação Professora Huguette.

O  evento marcou o batizado, ou seja, a entrega do primeiro cordão aos novatos, além da troca de cordões para os que já foram graduados. Dentro do projeto desenvolvido nas escolas são quatro graduações: cordão verde, amarelo, azul e verde-amarelo.

De acordo com o contra-mestre Mortal, que comanda os trabalhos na rede, este foi o melhor evento desde que começaram as graduações na capoeira, há 4 anos, e enalteceu a presença da vice-prefeita. “É importante salientar e valorizar o apoio que o esporte vem recebendo da atual administração, pois  isto com certeza se reflete no sucesso do projeto e principalmente numa maior participação dos alunos”, reforçou.

As atividades são desenvolvidas no contra-turno das aulas e em sua fala Professora Huguette reafirmou o compromisso com o projeto salientando os benefícios do esporte. ”É uma oportunidade ímpar para que esses alunos entrem em contato com uma parte importante da cultura brasileira, usufruindo dos benefícios da prática de capoeira, que desenvolve a disciplina e o respeito, além de estimular a coordenação motora”, enfatizou a vice.

 

Fonte: http://portalbraganca.com.br

Centro de Capoeira São Salomão & Projeto Caxinguelês

Mais uma bela história de Capoeira…

Ontem dia 12 de dezembro de 2013, por volta das 21:00h, eu, Mestre Mago, minha companheira, Contramestra Bel e nossas filhas, Gabi e Belinha testemunhamos um dos momentos mais importantes dos quase dezessete anos do Centro de Capoeira São Salomão e do Projeto Caxinguelês.
Esse momento se refere ao coroamento de Othon que ingressou no Projeto Caxinguelês aos oito anos e hoje aos 17 anos fecha o ciclo da sua educação escolar e da participação no Caxinguelês com chave de ouro.

São muitos os elementos que precisam se harmonizar para que o desafio da educação/formação de uma criança dê certo. Mas com certeza dois, são pilares fundamentais: a família e a escola. No entanto, para crianças e jovens que vivem em situação de risco social e pessoal provocado pela pobreza e seus efeitos danosos é necessário mais um elemento para formar um tripé e melhorar a base de sustentação dessas crianças e jovens. É aí que entra a Capoeira e o Projeto Caxinguelês.

O Projeto Caxinguelês há quase dezessete anos atende crianças/jovens, dos 6 aos 18 anos de idade, com necessidades diversas de aprendizagem e comportamentais, num sistema de jornada escolar ampliada, em uma parceria com as escolas públicas do bairro. Até novembro deste ano atendíamos a comunidade do Pina, através de suas escolas Novo Pina, Osvaldo Lima Filho e João Cabral.

Othon chegou pra gente, pela sua extrema timidez ou quase prisão interior. Uma criança que desde cedo apresentou grande potencial na escola, com uma família atuante, mas rodeado por uma comunidade violenta, cheia de perigos e armadilhas e que não oferece condições para que as crianças cresçam em segurança. Então foi na Capoeira, no Projeto Caxinguelês, que ele encontrou essa segurança, esse espaço de expressão e crescimento. 
Othon passou por uma transformação radical de sua personalidade dentro do Projeto Caxinguelês, quebrando as grades de sua timidez que o impedia até de reagir fisicamente em momentos que eram necessários para manutenção do seu espaço. Teve uma fase, inclusive, que ele se tornou agressivo, causando assim, preocupação da escola e dos familiares, que nos procuraram achando que a Capoeira e o Projeto poderiam está prejudicando já que ele era tão comportado e agora estava rebelde e agressivo. Então eu disse, calma, isso vai passar, ele está apenas envergando a vara para o outro lado. Isso é necessário para que ela volte ao meio e encontre o ponto de equilíbrio. Ficará tudo bem! Essa agressividade que parece ser ruim nesse caso é positiva, ele precisa desenvolvê-la, confiem; e eles confiaram… E lá se foi Othon crescendo, desenvolvendo-se e como eu previ, equilibrando-se, sem perder o seu talento para a escola. Quando chegou ao Ensino Médio resolvemos estabelecer uma parceria com o Colégio Ideia, que é uma das melhores escolas de Ensino Médio de Recife, que topou a proposta na hora doando uma bolsa de estudos para Othon.
Othon tinha a difícil missão de ter sucesso nessa etapa da sua escolaridade no Colégio Ideia. Ele era o primeiro aluno que indicávamos para sair da escola pública, que apesar de todo esforço dos seus profissionais, é muito deficitária, por problemas estruturais no sistema público de ensino, para uma escola particular de alto nível. No entanto, os desafios dessa mudança não eram apenas intelectuais eram de toda ordem, mas acreditávamos na sua capacidade e sabíamos que ele ia ter êxito nessa missão.

Othon já estava nessa época, com seis anos de Projeto Caxinguelês e se apresentava como um jovem equilibrado e com condições psicológicas para enfrentar tal desafio. Não deu outra, ele chegou lá e logo venceu as primeiras dificuldades, que talvez tenham sido as maiores, pois foi essa transição do mundo da escola pública e da comunidade que a rodeia para o mundo da escola particular de classe média alta. Já adaptado a esse novo universo foi cada vez mais se desenvolvendo e focando nos estudos. Melhorou seu desempenho em todas as áreas e no final dessa jornada de três anos nos brinda com uma tremenda vitória!!!

Othon Vinícios, para nós da Capoeira, Enferrujado, formou-se no ensino médio sendo o homenageado da turma como aluno Laureado, ou seja, alcançou a melhor média geral: 9,1 de toda turma nos três anos de ensino médio. Além disso se apresenta como um jovem bonito, equilibrado, seguro, tranquilo, saudável, muito bem educado e formado, pronto para ingressar no mundo dos adultos e fazer a diferença na sua família e comunidade e porque não dizer no mundo. Quebra-se aqui, mais uma vez, através da Capoeira e do Projeto Caxinguelês o ciclo da pobreza e suas mazelas, que esmaga a maioria do nosso povo, missão cumprida!!!

Não temos como expressar tal alegria… Somente podemos compartilhá-la com quem sempre colaborou e torceu pelo nosso trabalho. Apresentamos por isso, mais uma prova material do que a Capoeira e o Projeto Caxinguelês fizeram, fazem e sempre tentará fazer, a diferença na vida das crianças e jovens que ingressam nessa aventura de se formar como cidadãos plenos, enfrentando as dificuldades e se tornando fortes para construir um mundo melhor de se viver. Parabéns Othon! Parabéns família de Othon! Parabéns aos professores e professoras das escolas que ele passou! Parabéns a nossa equipe do Projeto Caxinguelês! 
Hoje afirmamos em nós que vale a pena lutar pela educação através da nossa arte de fazer gente: a Capoeira!

Dedicamos esse momento e esse texto a Dona Elly, nossa fada Madrinha, que de lá do outro lado do oceano, na Holanda, tem se esforçado sobre humanamente para levantar recursos e financiar nosso Projeto aqui no Brasil. Obrigado!!!! Valeu à pena tudo!!!! 

Mago 
13/12/2013 – 00:30

Leiria: 4º Aniversário Academia Ginga Camará

4º Aniversário Academia Ginga Camará

O Grupo de Capoeira Ginga Camará, sob a responsabilidade do Contramestre Papagaio, comemora, em 2013, o 4º Aniversário da sua Academia.

Inaugurada em 2009, em Gândara – Leiria, este espaço conta com o trabalho de excelentes profissionais de Capoeira, Jiu-Jitsu, Muay-Thai e Ginástica Localizada.

Para comemorar esta data tão importante, contaremos com a presença de convidados de renome, entre eles Mestre Robson Bocão (Centro Cultural Alabê – Hambrugo, Alemanha) e Mestre Perna Longa (Grupo de Capoeira Arte Nossa – Porto, Portugal).

Os workshops realizar-se-ão nos dias 21 e 22 de Dezembro e terão um investimento de 25€, com tudo incluído (ver cartaz em anexo).

Pierre Verger

 

Sua obra fotográfica, baseada nas mais de 64.000 fotografias cadastradas em seu acervo, foi construída a partir das viagens que ele fez aos cincos continentes entre o ano de1932 e o final dos anos 1970. Nos primeiros anos, suas fotos foram publicadas apenas em livros de viagens, jornais e revistas franceses e, a partir do final dos anos 30, suas fotos foram utilizadas também em publicações de países de língua inglesa, espanhola e alemã. Nessas primeiras publicações, ele contribuiu apenas como fotógrafo, não interferindo na concepção e produção dos textos.

 

Biografia:

Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996) foi um fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês que viveu grande parte da sua vida na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, no Brasil. Ele realizou um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e nas culturas populares dos cinco continentes. Além disto, produziu uma obra escrita de referência sobre as culturas afro-baiana e diaspóricas, voltando seu olhar de pesquisador para os aspectos religiosos do candomblé e tornando-os seu principal foco de interesse

Verger nasceu em Paris, no dia quatro de novembro de 1902. Desfrutando de boa situação financeira, ele levou uma vida convencional para as pessoas de sua classe social até a idade de 30 anos, ainda que discordasse dos valores que vigoravam nesse ambiente. O ano de 1932 foi decisivo em sua vida: aprendeu um ofício – a fotografia – e descobriu uma paixão – as viagens. Após aprender as técnicas básicas com o amigo Pierre Boucher, conseguiu a sua primeira câmera fotográfica, uma Rolleiflex. Com o falecimento de sua mãe, sua última parente viva, Verger decidiu se tornar naturalmente um viajante solitário e levar uma vida livre e não conformista. Apesar de esse desejo ter surgido tempos antes, Verger tomou essa decisão apenas após a morte da mãe no intuito de não magoá-la.

De dezembro de 1932 até agosto de 1946, foram quase 14 anos consecutivos de viagens ao redor do mundo, sobrevivendo exclusivamente da fotografia. Verger negociava suas fotos com jornais, agências e centros de pesquisa. Fotografou para empresas e até trocou seus serviços por transporte. Paris, então, tornou-se uma base, um lugar onde revia amigos – os surrealistas ligados a Prévert e os antropólogos do Museu do Trocadero – e fazia contatos para novas viagens. Trabalhou para as melhores publicações da época, mas como nunca almejou a fama, estava sempre de partida: “A sensação de que existia um vasto mundo não me saía da cabeça e o desejo de ir vê-lo me levava em direção a outros horizontes”, afirmou ele.

As coisas começaram a mudar no dia em que Verger desembarcou na Bahia. Em 1946, enquanto a Europa vivia o pós-guerra, em Salvador era tudo tranquilidade. Ele foi logo seduzido pela hospitalidade e riqueza cultural que encontrou na cidade e acabou ficando. Como fazia em todos os lugares onde esteve, preferia a companhia do povo e dos lugares mais simples. Os negros, em imensa maioria na cidade, monopolizavam a sua atenção. Além de personagens das suas fotos, tornaram-se seus amigos, cujas vidas Verger foi buscando conhecer com detalhes. Quando descobriu o candomblé, acreditou ter encontrado a fonte da vitalidade do povo baiano e se tornou um estudioso do culto aos orixás. Esse interesse pela religiosidade de origem africana lhe rendeu uma bolsa para estudar rituais na África, para onde partiu em 1948.

Foi na África que Verger viveu o seu renascimento, recebendo o nome de Fatumbi, “nascido de novo graças ao Ifá”, em 1953. A intimidade com a religião, que tinha começado na Bahia, facilitou o seu contato com sacerdotes e autoridades e ele acabou sendo iniciado como babalaô – um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso às tradições orais dos iorubás. Além da iniciação religiosa, Verger começou nessa mesma época um novo ofício, o de pesquisador. O Instituto Francês da África Negra (IFAN) não se contentou com os dois mil negativos apresentados como resultado da sua pesquisa fotográfica e solicitou que ele escrevesse sobre o que tinha visto. A contragosto, Verger obedeceu. Depois, acabou se encantando com o universo da pesquisa e não parou nunca mais.

Apesar de ter se fixado na Bahia, Verger nunca perdeu seu espírito nômade. A história, os costumes e, principalmente, a religião praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África Ocidental e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de suas pesquisas e sua obra. Ele passou a viver como um mensageiro entre esses dois lugares: transportando informações, mensagens, objetos e presentes. Como colaborador e pesquisador visitante de várias universidades, conseguiu ir transformando suas pesquisas em artigos, comunicações e livros. Em 1960, comprou a casa da Vila América. No final dos anos 70, ele parou de fotografar e fez suas últimas viagens de pesquisa à África.

Em seus últimos anos de vida, a grande preocupação de Verger passou a ser disponibilizar as suas pesquisas a um número maior de pessoas e garantir a sobrevivência do seu acervo. Na década de 1980, a Editora Corrupio cuidou das primeiras publicações no Brasil. Em 1988, Verger criou a Fundação Pierre Verger (FPV), da qual era doador, mantenedor e presidente, assumindo assim a transformação da sua própria casa na sede da Fundação e num centro de pesquisa. Em fevereiro de 1996, Verger faleceu, deixando à Fundação Pierre Verger a tarefa de prosseguir com o seu trabalho.

WIKI:

Pierre Edouard Leopold Verger (Paris, 4 de novembro de 1902 — Salvador, 11 de fevereiro de 1996) foi um fotógrafo e etnólogo autodidata franco-brasileiro. Assumiu o nome religioso Fatumbi.

Era também babalawo (sacerdote Yoruba) que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana – o comércio de escravo, as religiões afro-derivadas do novo mundo, e os fluxos culturais e econômicos resultando de e para a África.

Após a idade de 30 anos, depois de perder a família, Pierre Verger exerceu a carreira de fotógrafo jornalístico. A fotografia em preto e branco era sua especialidade. Usava uma máquina Rolleiflex que hoje se encontra na Fundação Pierre Verger.

Durante os quinze anos seguintes, ele viajou os quatro continentes e documentou muitas civilizações que logo seriam apagadas através do progresso. Seus destinos incluíram:

 

  • Taiti (1933)
  • Estados Unidos, Japão e China (1934 e 1937)
  • Itália, Espanha, Sudão, Mali, Níger, Alto Volta (atual Burkina Faso), Togo e Daomé (atual Benim) 1935)
  • Índia (1936)
  • México (1937, 1939, e 1957)
  • Filipinas e Indochina (atuais Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã, 1938)
  • Guatemala e Equador (1939)
  • Senegal (como correspondente, 1940)
  • Argentina (1941)
  • Peru e Bolívia (1942 e 1946)
  • Brasil (1946).

 

Suas fotografias foram publicadas em revistas como Paris-Soir, Daily Mirror (com o pseudônimo de Mr. Lensman), Life, e Match.

Na cidade de Salvador, apaixonou-se pelo lugar e pelas pessoas, e decidiu por bem ficar. Tendo se interessado pela história e cultura local, ele virou de fotógrafo errante a investigador da diáspora africana nas Américas. Em 1949, em Ouidah, teve acesso a um importante testemunho sobre o tráfico clandestino de escravos para a Bahia: as cartas comerciais de José Francisco do Santos, escritas no século XIX.

As viagens subseqüentes dele são enfocadas nessa meta: a costa ocidental da África e Paramaribo (1948), Haiti (1949), e Cuba (1957). Depois de estudar a cultura Yoruba e suas influências no Brasil, Verger se tornou um iniciado da religião Candomblé, e exerceu seus rituais.

Definição de Verger sobre o Candomblé: “O Candomblé é para mim muito interessante por ser uma religião de exaltação à personalidade das pessoas. Onde se pode ser verdadeiramente como se é, e não o que a sociedade pretende que o cidadão seja. Para pessoas que têm algo a expressar através do inconsciente, o transe é a possibilidade do inconsciente se mostrar”.

Durante uma visita ao Benin, ele estudou Ifá (búzios – concha adivinhação), foi admitido ao grau sacerdotal de babalawo, e foi renomeado Fátúmbí (“ele que é renascido pelo Ifá”).

As contribuições de Verger para etnologia constituem em dúzias de documentos de conferências, artigos de diário e livros, e foi reconhecido pela Universidade de Sorbonne que conferiu a ele um grau doutoral (Docteur 3eme Cycle) em 1966 — um real feito para alguém que saiu da escola secundária aos 17.

Verger continuou estudando e documentando sobre o assunto escolhido até a sua morte em Salvador, com a idade de 94 anos. Durante aquele tempo ele se tornou professor na Universidade Federal da Bahia em 1973, onde ele era responsável pelo estabelecimento do Museu Afro-Brasileiro, em Salvador; e serviu como professor visitante na Universidade de Ifé na Nigéria.

Verger se apaixonou pela Bahia lendo “Jubiabá” e se tornou amigo das maiores personalidades baianas do século XX, como o próprio Jorge Amado, Mãe Menininha do Gantois, Gilberto Gil, Walter Smetak, Mário Cravo, Cid Teixeira, Josaphat Marinho, dentre outros notáveis. Seu trabalho como fotográfo influênciou notadamente nomes consagrados da fotografia contemporânea como Mário Cravo Neto, Sebastião Salgado, Vitória Regia Sampaio, Adenor Gondim e Joahbson Borges, sendo que este foi seu último assistente, apontado pelo próprio Verger como sucessor natural.

Na entidade sem fins lucrativos Fundação Pierre Verger em Salvador, que ele estabeleceu e continuou seu trabalho, guarda mais de 63 mil fotografias e negativos tirados até 1973, como também os documentos dele e correspondência.

No Brasil, foi homenageado como tema de carnaval (Rio de Janeiro, 1998) do GRES União da Ilha do Governador, cuja letra fala da Trajetória de Pierre Verger a Fatumbi.

Jérôme Souty publicou um ensaio muito documentado sobre a obra e a vida de Verger : Pierre Fatumbi Verger. Do olhar livre ao conhecimento iniciático, São Paulo, Terceiro Nome (446 p., 23 fotos, em português) ; Pierre Fatumbi Verger. Du regard détaché à la connaissance initiatique, Paris: Maisonneuve & Larose, 2007 (520p., 144 fotos, em francês).

 

Aprovado o Dia Nacional da Capoeira

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (3) projeto de lei que institui o dia 20 de novembro como Dia Nacional da Capoeira (PL 7536/10). Como já havia sido aprovado pela Comissão de Educação e Cultura e tramita de forma conclusiva, o projeto segue agora para o Senado, a menos que seja apresentado recurso para que haja votação no Plenário.

O relator na CCJ, deputado Luiz de Deus (DEM-BA), defendeu a aprovação da proposta “por tratar-se de esporte de origem histórica de prática nacionalmente conhecida”.

De acordo com o autor da proposta, deputado Márcio Marinho (PRB-BA), “com a intenção e valorizar a capoeira e sendo o dia 20 de novembro o dia da consciência negra, data em que Zumbi dos Palmares, um dos líderes mais importantes da luta pela liberdade e contra o escravismo, perdeu sua vida, cremos ser relevante reafirmar nesta data o seu reconhecimento como patrimônio cultural, instituindo o Dia Nacional da Capoeira”.

 

Fonte: http://www.dm.com.br/