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Janeiro 2015

Vendo Artigos de: Janeiro , 2015

Capítulo 4 – Veneno da Madrugada

CAPOEIRISTAS

PULP FICTION TROPICAL

 

Nestor Capoeira

capítulo 4

 

Finalzinho do capítlo 3

E o Encantado nunca perde.  Afinal de contas, quando seu corpo terrestre morre – jovem ou matusalem -, o Encantado volta, feliz e saudável, ao Plano Espiritual onde habita.

Nossa estória tembem é a estória de um destes raros Encantados de Alta Hierarquia que resolveu encarnar e viver uma longa vida terrena.

 

Fim do cap. 3

 

VENENO-DA-MADRUGADA

 

Quiseram me matar

na porta do cabaré;

Eu vivo lá, noite e dia,

só não mata quem não quer.

 

Ê, meu nome é Veneno,

Veneno-da-Madrugada;

de Iansã, eu tenho o raio,

de Ogun, ferro e espada.

 

Eu sou livre como o vento,

venho de uma linhagem nobre;

Só respeito o velho Tempo.

que com o Tempo ninguem pode.

 

Ê, galo cantou.
côro: Ê, galo cantou, camará!

(Nestor Capoeira, 2014; CD A balada de Noivo-da-Vida e Veneno-da-Madrugada)

 

MATUTANDO FILOSOFIAS

Veneno, encostado num balcão de bar na Praça do Lido, em Copacabana, bebendo uma gelada, olhava a festa louca que rolava na rua e matutava com seus botões.

Ele tinha passado em casa.

Guardou o dinheiro roubado num mocó sigiloso.

Meteu uma beca diferente – bermuda de linho azul claro; camiseta regata branca sem mangas, colada no corpo; sapato mocassin italiano importado de couro preto macio combinando com o cinto e, no pescoço, um fino cordão de ouro com um Cinco Salomão pendurado.

Deu dois numa beata vadia. Saiu do kitchinete, desceu de elevador, e ganhou a rua.

E, agora, Veneno matutava suas filosofias.

“Crime perfeito. Aliás, quase perfeito: faltava deschavar o conjunto de moleton bege numa lixeira longe de casa”.

Alguem poderia ter visto Veneno – “… um negro de moleton bege” -, quando escalava o Copacabana Palace

 

O CINCO SALOMÃO

No Brasil, a magia e a feitiçaria são muito populares. Algo veio com os africanos; algo dos índios brasileiros; algo dos europeus, incluindo os judeus.

O Cinco Salomão (signo de Salomão) é a estrela de cinco pontas do rei judeu, Salomão, a respeito do qual lemos na Bíblia.

Na Europa medieval, a estrela de cinco pontas -talvez originalmente da cabala judia – estava ligada a diferentes rituais e simbolismos da “magia branca”. Quando era desenhada de cabeça para baixo, significava “magia negra”.

No Brasil, o Cinco Salomão  é usado como amuleto protetor para “fechar o corpo”.

João do Rio o menciona numa de suas crônicas, de maneira tão familiar que não deixa dúvidas quanto à popularidade do amuleto desde, pelo menos, o início dos 1900s.

Muitas vezes, a estrela é um amuleto feito de metal – ouro, prata, ferro – pendurado no pescoço; outras vezes, é usado juntamente com ervas, infusões, banho de fumaça, rezas mágicas; pode tambem ser usado como ponto riscado, desenhado no chão.

O Cinco Salomão simboliza um homem de braços e pernas abertas.

Leonardo daVinci, que também era alquimista, fez um conhecido desenho da estrela e seu simbolismo. A estrela/homem é circundada por um círculo para proteção contra o mal físico, mental ou espiritual.

No Brasil, o círculo vem, muitas vezes, encimado por uma cruz. É a cruz do Cristo; mas também é a cruz das encruzilhadas, local de tomada de decisões que pertence a Exú – o mensageiro entre deuses e homens que carrega o axé (energia vital) a tiracolo numa cabaça pontuda.

O Cinco Salomão é o signo protetor do capoeirista.

Dizem que fecha o corpo contra faca, navalha, bala de revólver; protege contra emboscada; fortalece o  espírito contra mandinga e olho grande.

Na academia de mestre Bimba, em Salvador (1930 em diante), adotaram um logotipo que chamaram de Cinco Salomão. Mas, na verdade, era a estrela de seis pontas do rei  Davi, outro símbolo muito poderoso entre os antigos alquimistas da Europa.

 Os dois triângulos entrelaçados, um apontando para baixo e outro para cima, tinham diversos significados:

– “o que está acima é como o que está abaixo”;

–  o mundo material (cá em baixo) seria um reflexo dos eventos do mundo espiritual (lá em cima);

– o positivo e o negativo, o bem e o mal, caminham entrelaçados e compõe uma única coisa, etc.

Mestre Decânio, braço direito de Bimba na década de 1940, me contou que a estrela de seis pontas tinha sido escolhida, ao invés do tradicional Cinco Salomão de cinco pontas, porque entre outras coisas, mostrava o entrelaçamento entre o jogo em pé (no alto) e o jogo no chão (em baixo).

 

COLHER-DE-CHÁ

Veneno, no  bar da Praça do Lido, matutava com seus botões.

Tem que correr atrás.

Ficar esperando o mar pegar fogo pra comer peixe frito raramente funciona.

No entanto, vez por outra, a vida sorri – dá uma colher-de-chá. Os chineses aconselham: “agarre as oportunidades pelos cabelos, elas ficam carecas rapidamente”.

Basta o cara estar atento aos sinais; reconhecer o momento de agir; entrar no fluxo; agir sem pestanejar, no tempo, rápido, mas lúcido e com calma.

E depois – e isto era importante -, fechar a parada cuidadosamente com chave de ouro. E Veneno se lembrou que ainda faltava deschavar a roupa de moleton bege longe de casa.

Para um jogador de capoeira experiente a situação – “agarrar as oportunidades” – não era uma novidade: acontecia em todo jogo, acontecia em toda roda.

“Viver é uma arte”, sentenciava mestre Angolinha, “mas nem todos são artistas”.

 

TOME CUIDADO PARA NÃO ME ACORDAR

“O dia tinha começado bem”, pensou Veneno, “e, agora, com a grana já guardada, o Brasil vencendo o jogo, e a festa rolando na rua; o dia ia terminar melhor ainda”.

Veneno tinha acordado cedo: a mina da noite anterior tinha de sair para trabalhar.

Ele levou-a até a porta, enfiou uma grana na mão dela: “pra pegar um taxi”. Ela recusou, estranhando a situação como se dissesse “não sou nenhuma vagabunda”. Veneno beijou-a na boca ternamente e insistiu: “você vai chegar atrasada; pega um taxi”. Ela aceitou e partiu duplamente feliz, embolsando a grana.

Veneno voltou pra cama e sorriu ao se lembrar de uma chula de Nestor Capoeira:

“Amanhã,

quando você for trabalhar, tome cuidado

para não me acordar:

eu durmo tarde,

 a noite é minha companheira”.

 

SINAIS DO DESTINO

Depois que a mina saiu, Veneno se lembrava que tinha apagado e só acordou novamente no comecinho da tarde; sentia-se leve e novo como um bebê.

Botou uma sunga, óculos escuros, pegou uma grana. Tomou um suco de laranja e comeu uma esfirra na lanchonete da esquina, e andou dois quarteirões até a praia de Copacabana.

Deu um corridão de uns 40 minutos na areia dura perto do mar até o Posto 6; enfiou os óculos escuros dentro da sunga, junto com a grana, e voltou nadando.

Encontrou uma rapaziada jogando bola na praia em frente a Praça do Lido; bateu uns 20 minutos de bola. O jogo acabou, deu um mergulho para refrescar a carcaça. Saiu da água se espreguiçando satisfeito.

Veneno estava em forma.

 Aí, a fome apertou.

Passou em casa, tomou uma ducha, meteu um conjunto bege claro – destes de moleton que a rapaziada usa pra correr no calçadão -, apertou e deu dois num baseado, e foi rangar um peixe num boteco da rua Rodolfo Dantas.

 Foi por causa da fome, e da vontade de comer peixe – vejam bem como a vida é curiosa -, que Veneno acabou escalando o Copacabana Palace, e embolsano a grana do gringo gangster.

A rua estava elétrica, breve, no fim da tarde, ia rolar a semifinal da Copa do Mundo e o Brasil tinha chances de vencer e ser finalista.

Veneno pediu a muqueca de peixe à capixaba – aquela que usa, em vez do azeite de dendê, o azeite de oliva temperado com a semente de urucum. O urucum – uma semente vermelha, muito usada pelos índios brasileiros – tem de ser cozinhado, sem ferver, no próprio azeite de oliva. Para temperar o peixe, use tambem pouca pimenta e um quase nada de leite de côco.

Veneno deu um gole numa ótima cachaça mineira, esfriou a garganta com um gole de cerveja super gelada, e provou a muqueca. Estava ótima.

Mas Veneno lembrava que tinha pensado: “está ótima, mas a verdade é que não chega nem aos pés da muqueca do Marcelo Peixinho”.

 

MUQUECA AO URUCUM

Peixinho foi um dos (então) adolescentes que fundaram o Grupo Senzala de Capoeira do Rio de Janeiro, no começo dos 1960s.

A Senzala se tornou hegemônica nos 1970s e 1980s, tanto no estilo de jogo, quanto na nova infra-estrutura de um (então) moderno grupo de capoeira. E, junto com alguns baianos que se radicaram em São Paulo, como Suassuna e Acordeon, foi uma das principais locomotivas de divulgação no Rio, e depois em todo o Brasil – são 25.000 professores no Brasil, hoje em dia -; e também, a partir de 1971, no exterior – a capoeira já esta com 5.000 professores em mais de 150 países.

Nesta virada, que começou por volta de 1960 – de Salvador para o Rio e São Paulo, e daí para o mundo -, a capoeira sofreu mais uma transformaçao.

Uma transformação tão profunda quanto a do final dos 1800s: das violentas maltas cariocas; para a capoeira jogada na roda ao som do berimbau, da cidade de Salvador.

Veneno-da-Madrugada, assim como Peixinho e mais uma dúzia que ainda esta na ativa, viveram e foram os vetores deste upgrade de 1960. 

O Peixinho – melhor diríamos, o mestre Peixinho – era um craque na capoeira, no frescobol na Praia do Diabo, no selim da sua potente motocileta, e na muqueca à capixaba.

Na muqueca era imbatível: mergulhava e fisgava os peixes com arpão; e depois preparava a sua obra de arte usando facas japonesas de aspecto letal, e panelões de barro artesanais. Isso acontecia, para gáudio da rapaziada, num casarão que Peixinho tinha alugado na fronteira do Bairro de Santa Teresa com as favelas do Curvelo e da Coroa que viviam trocando tiro pois eram dominadas por duas facções diferentes do tráfico de drogas – por causa do tiroteio, o aluguel do casarão era uma mixaria.

Esta nova turma – Peixinho e Veneno e outros, da mudança de 1960 – era muito diferente dos capoeiristas da geração mais velha, como João Grande e João Pequeno – discípulos do venerando mestre Pastinha, criador e cultor da capoeira angola. A maioria dos jogadores da geração mais velha eram negros e mulatos de baixa escolaridade, baianos dos estamentos economicamente desfavorecidos.

Nesta geração mais velha tambem haviam brancos da classe média, como Angelo Decânio – que se tornou  médico e professor da Universidade Federal da Bahia – e Jair Perigo Moura – cineasta, jornalista e escritor. Mas devido aos compromissos da vida profissional, esta turma parou de jogar capoeira cedo, com 30 ou 35 de idade; continuando, todavia, a acompanhar o que acontecia no universo da capoeira, escrevendo livros, artigos para jornais, filmando documentários. A maioria era aluno de mestre Bimba, o criador da capoeira regional; o homem que “inventou” a academia de capoeira – inaugurando uma nova era, após o período da escravidão, e o da marginalidade -, e criou o método de ensino que é a base de todos os métodos, de todos os estilos atuais.

Curiosamente, e felizmente para a capoeira, nunca houve ruptura nem estranhamento entre as gerações: João Grande e João Pequeno, Decânio e Jair Perigo, assim como a geração ainda mais antiga – os mestres Bimba e Pastinha -, eram os ídolos dos jovens capoeiristas, do Rio e São Paulo, dos 1960s.

No entanto, isto não impedia a luta pela hegemonia entre os estilos – a geração mais velha (João Grande, João Pequeno, etc.) era de angoleiros, e a turma mais nova (dos 1960s) era de regionais.

Tambem havia a luta pela hegemonia entre cidades – Rio, São Paulo, Salvador e, mais tarde, inúmeras outras metrópoles.

E tambem a luta pela hegemonia “individual”, pessoal, entre os próprios mestres de um mesmo estilo, indiferente às idades, à côr da pele, e às classes sociais.

Era uma tribo onde não havia índios, só caciques.

Todos eles, até mesmo aqueles que originariamente eram otários de quatro costados do proletariado ou da classe média, acabaram formados na mandinga; na arte da esquiva; no suíngue da malandragem alto-astral.

 

SINAIS EXTRASENSORIAIS

Veneno terminou a moqueca – “estava boa, mas a do Peixinho é melhor” -; mandou descer mais uma mineira e uma gelada.

O botequim começou a encher; as ruas ficaram desertas e o jogo de futebol começou.

Uma hora e meia depois, o jogo 2×2, Veneno reparou num carro que tinha parado em frente ao Hotel Copacabana Palace do outro lado da rua deserta e, para sua surpresa, Carlinhos Piu-piu desceu carregando uma maleta de executivo de metal prateado.

“Porra, Carlinhos Piu-piu era Botafoguense doente. Era fanático por futebol. Como é que não estava assistindo o jogo?”

Veneno sentiu, muito lá no fundo, imperceptível talvez para quam não era ligado no lance, um arrepio esquisito.

Sinais.

De repente – assim, vindo de nada – lembrou que, depois que a mina tinha saído de manhã para trabalhar, ele tinha sonhado com uma maleta igualzinha, cheia de dollar – sinais!

Um gringo grandão saiu do Hotel carregando uma maleta, dessas de companhia de aviação. Veneno, mesmo sem querer, ficou ligadão.

O gringo e Piu-piu trocaram de maletas, deram uma olhada cuidadosa no interior – ali mesmo, calmamente, na maior cara-de-pau, em plena Avenida Atlântica.

Apertaram  as mãos.

Piu-piu voltou ao carro e partiu; o gringo grandão voltou para o hotel.

 

OS FILHOS DO SENADOR

Ora, Veneno conhecia Carlinhos Piu-piu desde garoto.

Carlinhos e o irmão, o Delano Bule, eram filhos de um esperto que tinha sido vereador, deputado, vice-prefeito, senador. Moravam num puta apartamento na Avenida Barata Ribeiro.

O Bule tinha se formado advogado e hoje era um respeitado e sofisticado Delegado de Polícia, disputado pelos canais de televisão onde pontificava com elegância e sabedoria sobre os problemas da violência nos grandes centros urbanos; o Piu-piu era talvez o maior tranzeiro da classe média alta de Copacabana e adjacências.

Quando adolescentes, Piu-piu e o irmão iam frequentemente para os USA, inicialmente para Miami, para a Disneylândia – foi lá que, aos 13 e 14 de idade, fumaram o primeiro baseado.

Mais tarde, quando já era surfista nas ondas da praia do Arpoador, Piu-piu descobriu a California, os hippies, e o LSD – que começou a trazer para o Brasil, e vender para os amigos.

Quando a onda hippie declinou, Carlinhos Piu-piu ficou desempregado, mas logo descobriu um novo filão – ecstasy. 

Tudo isso era bancado por eu e por você, caro leitor, gentil leitora; pois era com o dinheiro público que o papai dos dois pilantrinhas patrocinava as viagens para Piu-piu e Delano terem contato com uma “cultura mais evoluida”, inclusive aprendendo a falar inglês.

Piu-piu era um cara inteligente: nunca se meteu no negócio de maconha, e menos ainda no de cocaína; tinha muito cachorro grande disputando a parada e a barra podia derepentemente ficar muito pesada.

Com as costas quentes  – pai deputado e, mais tarde, irmão delegado -, Piu-piu nunca tinha entrado numa fria e, em poucos anos, formou uma rede de vendedores – patricinhas e mauricinhos de grana – que frequentavam as praias e as buates da moda.

É verdade que quando um ramo das Forças Armadas Brasileira – radical de direita, e bastante limitado em matéria de visão e inteligência – deu aquele golpe em 1964; Sua Excelência, o então Nobre Deputado e pai dos dois pivetes, ficou sem saber qual era, perdeu o chão, ficou a ver navios.

Mas quando percebeu que Roberto Marinho – o chefão do jornal e da televisão Globo – tinha se alinhado com os militares linha-dura e, junto com ele, uma corja de canalhas do tipo do banqueiro mineiro Magalhães Pinto, dos latifundiários nordestinos José Sarney e Collor de Melo – pai do futuro presidente Fernando Collor, de triste memória -, do político baiano Antonio Carlos Magalhães, do estelionatário naturalisado paulista Paulo Maluf, e alguns outros; o pai de Piu-piu e Bule não teve mais dúvidas, e tambem se alinhou com a ditadura.

Nos 20 anos seguintes, até a morte do Senador em circunstâncias um tanto misteriosas – murmurava-se: “queima de arquivo” -, Piu-piu e Bule viveram vida de Príncipe.

Coleção com 100 imagens de Lampião lançada em São Paulo

Virgulino Ferreira, o Lampião, Maria Bonita e seus comanheiros, estão presente em diversas manifestações populares… Cantado e Louvado na nossa capoeiragem o “Rei do Cangaço” é sem dúvida um dos heróis populares que conquistaram o multifacetado cancioneiro popular, assim como Besouro, Lampião tem um lugar de destaque na cultura capoeirística…  E na pisada em me criei… 

Luciano Milani

 

Coleção com 100 imagens de Lampião lançada em São Paulo

As histórias do cangaço e dos cangaceiros povoam a memória do brasileiros. Narrados em lendas, canções populares e cordéis, seus feitos passaram a fazer parte de nossa cultura. O fenômeno, que remonta ao século 18, se tornou mais conhecido e comentado no momento em que os meios de comunicação passaram a divulgar os feitos de Lampião, Maria Bonita, Corisco e tantos outros. Mais do que todos, Virgulino Ferreira, o Lampião (1898-1938), fez uso desses meios, em especial da fotografia, para popularizar o movimento – levando-o para as páginas dos jornais -, e também apresentar os seus seguidores.

Na maioria das vezes, as imagens foram realizadas por anônimos, que se encontravam com o bando no meio do sertão, ou por fotógrafos como Pedro Maia e Lauro Cabral de Oliveira, que registraram uma viagem de Lampião a Juazeiro do Norte, em 1927. Mas quem se consagraria como o “fotógrafo oficial” de Lampião seria o mascate libanês Benjamin Abrahão (1890-1938), que acompanhou a saga do rei do cangaço, fotografando e filmando seus feitos. Parte desse acervo, já reunido no livro Iconografia do Cangaço (Editora Terceiro Nome/2012), pertence ao pesquisador Ricardo Albuquerque, diretor do Instituto Cultural Chico Albuquerque, em Fortaleza.

Agora, Ricardo Albuquerque selecionou 100 entre as melhores imagens, feitas por vários profissionais, para lançar a Coleção Cangaceiros, um registro sistematizado sobre o movimento no Brasil que não deixou de fora as volantes, que eram grupos de policiais disfarçados contratados pelo governo para perseguir os cangaceiros.

Com texto de apresentação de Rubens Fernandes Jr., no total, foram criadas 40 caixas destinadas a um público colecionador: “Muitas das imagens não têm grande qualidade técnica, mas possuem um incrível valor histórico. É um álbum fotográfico. São imagens soltas, sem texto ou legenda”, comenta Albuquerque.

A coleção foi lançada na Mira Galeria de Arte, em São Paulo. Além das imagens, acompanha a caixa um audiovisual de 14 minutos que mostra Lampião, filmado pelo próprio Benjamin Abrahão.

Material histórico

A relação de Ricardo Albuquerque com o acervo não é gratuita, visto que ele pertence a uma família que, desde sempre, esteve ligada à fotografia e ao cinema. Seu pai, Chico Albuquerque, foi um dos pioneiros da foto publicitária no Brasil, e seu avô, Adhemar Albuquerque, foi quem ensinou o mascate libanês Benjamin Abrahão a fotografar, na década de 1930: “Meu avô gostava muito de fotografar e fazer documentários”, explica Ricardo. “Em 1934, ele foi filmar o funeral do Padre Cícero e ali conheceu Benjamin Abrahão, que, na época, era o secretário do Padre Cícero.”

Abrahão já conhecia Lampião desde 1926, quando Virgulino foi até Juazeiro do Norte pedir proteção para ele e seu bando. Após a morte do padre, o libanês solicitou permissão ao rei do cangaço para acompanhar suas andanças e registrar seus feitos. Foi aí que ele foi em busca de Adhemar Albuquerque, que, além de lhe ensinar a utilizar a câmera fotográfica e a filmadora, ainda lhe emprestou o equipamento.

A maior parte das imagens é de fotografias posadas, retratos e, muitas vezes, até encenações de batalhas. Um material historicamente importante, um inventário que desvenda o cotidiano desse movimento tão perseguido pelo governo de Getúlio Vargas. A maioria dos registros foi entre 1936 e 1937, captando os últimos dois anos do bando. Cenas do dia a dia que apresentam seus costumes, como viviam suas mulheres, a alimentação, as danças, os esconderijos, até a clássica imagem das cabeças cortadas dos sete líderes do cangaço, após a dissolução do movimento pelas forças governamentais.

Um registro histórico que foi sendo enriquecido com o tempo e acabou por tornar visível e perpétuo o que a clandestinidade deveria esconder.

A Mira Galeria de Arte fica na rua Joaquim Antunes, 187. As fotografias do livro estão expostas e podem ser vistas até o dia 13 de fevereiro. Amanhã a abertura é para convidados, quando ocorre o lançamento da Coleção Cangaceiros.

Fonte: http://www.onordeste.com/

Carnaval – Nova Rainha do Ilê Aiyê: A capoeira me aproximou da dança afro

Eleição da Deusa de Ébano foi realizada na Senzala do Barro Preto. Vencedora é casada, tem uma filha e é professora de Educação Física.

As aulas de capoeira e o universo ao redor da luta africana, que possui características de dança, foram o que levou a professora de Educação Física Alexandra Amorim, 33 anos, eleita no último domingo (25) a Rainha do Ilê Aiyê 2015, a gostar de dança afro.

Ao todo 15 candidatas concorreram ao posto de Deusa do Ébano, no tradicional concurso que é realizado há 36 anos, na Senzala do Barro Preto, sede do Ilê Aiyê, localizada no bairro do Curuzú, em Salvador.

Em entrevista ao G1, Alexandra conta que quando era criança, queria fazer balé, mas acabou na capoeira por causa de problemas financeiros da família. “Eu tinha 11 anos e queria muito fazer balé, mas minha mãe e minha avó disseram que a capoeira era mais barato. Então fui, e quando cheguei na capoeira conheci o maculelé e a história afro. Foi a capoeira que me aproximou da dança afro”, relata.

Depois de iniciada nas manifestações culturais afro, Alexandra contou com o incentivo determinante do pai, que desfilava no Ilê durante o carnaval de Salvador.

 

“Quando ele saía no Ilê, dizia: ‘Quero que minha filha seja rainha’. Esse foi um dos grandes motivos que me fez participar da seleção”, disse.

A nova rainha do Ilê conta que já disputou o concurso quatro vezes, e até já foi rainha do Malê de Balê em 2008, outro bloco afro do carnaval de Salvador.

Para ser rainha do Ilê este ano, Alexandra disse que dedicou o ano de 2014 inteiro ao concurso.

“Dessa vez não contei a ninguém que ia participar, só falei quando fui selecionada como finalista. Eu me dediquei à dança afro e fortaleci a consciência crítica de ser mulher negra”, diz. “Acho que conquistei pelo sorriso também e pela maneira que dancei para o público. Acredito que tudo isso contribuiu para a minha vitória”, acrescenta.

 

“A capoeira me aproximou da dança afro’, diz nova Rainha do Ilê Aiyê”

 

Alexandra é casada e tem uma filha de três anos. Ela conta que recebeu bastante apoio do marido, que também é professor de Educação Física. “Ele me deu uma grande ajuda para tudo. Foi um personal para mim. Eu tive uma alimentação diferenciada e equilibrada, fazia treino de resistência pela manhã, pela tarde treinava técnicas da dança e à noite assistia vídeos de outras candidatas, lia as histórias do bloco, conhecia as músicas”, conta.

A nova rainha do Ilê disse que mesmo com a dedicação ao concurso e com a rotina pesada de trabalho como professora, a filha não reclamou da ausência dela.

 

“Ela não me sentiu minha falta porque viajo toda semana para dar aula no interior. Sou professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) em Jacobina e professora da educação infantil”, explica.

O Concurso

A banda Aiyê abriu o evento de premiação do concurso, realizado no último domingo.

Além de Alexandra, o segundo lugar ficou com a manicure Larissa Oliveira, 21 anos, e o terceiro com a universitária Milena Sampaio, 30 anos. Elas receberam o título de princesas que, neste ano, pela primeira vez, irão desfilar no bloco durante o Carnaval.

O presidente da instituição, Vovô do Ilê, lembrou que a eleição da Deusa do Ébano é uma das principais ações afirmativas do o grupo. “Vivemos em uma terra muito racista, então fazer uma festa com essa estrutura é uma grande conquista’, ressaltou.

Além da premiação, a cerimônia também prestou tributo a mulheres negras que fizeram história. As homenageadas foram a atriz Zezé Motta, que protagonizou o filme Xica da Silva (1976); Mãe Hilda Jitolú, que foi dirigente espiritual do Ilê por muitos anos; e Dona Ivone Lara, matriarca do samba e uma das primeiras intérpretes do gênero.

Fonte: http://g1.globo.com/

Jornal britânico faz matéria sobre a capoeira na Bahia

Jornal britânico ‘The Telegraph’ faz matéria sobre a capoeira na Bahia

O jornalista Simon Parker, correspondente do  The Telegraph, um dos mais representativos jornais da Inglaterra, está em Salvador para fazer uma matéria e um vídeo sobre a capoeira. A iniciativa do jornal se deve ao reconhecimento da capoeira, pela UNESCO, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

A Bahiatursa intermediou o acesso do jornalista ao evento Pérolas Mistas , realizado no Museu du Ritmo, na última terça-feira, ocasião em que ele  entrevistou o músico Carlinhos Brown sobre a música afro que, assim como a capoeira, faz parte das manifestações culturais do estado.

Simon Parker, que fica em Salvador até sábado (24.01), é recepcionado pela Tatur Turismo, empresa de receptivo responsável pela elaboração do roteiro realizado pelo jornalista durante a sua presença na capital baiana,  fornecendo-lhe todo o suporte necessário para o projeto.

 

http://www.tribunadabahia.com.br/

Portugal: Coimbra organiza “workshops” gratuitos de capoeira

 
O Dolce Vita Coimbra vai deixar-se agitar pelos ritmos da capoeira já no próximo dia 17 de Janeiro, dia em que o centro comercial recebe dois “workshops” gratuitos de Capoeira, um deles para adultos e outro para os mais novos.
 
As iniciativas vão contar com a sabedoria do professor António Sales, da “A” – Associação Oficina de Ideias e do Grupo Muzenza de Capoeira e todos estão convidados para uma “tarde de musicalidade e movimento bem animada”.
 
Pelas 16.30h do dia 17, o “Workshop de Capoeira Infantil” levará aos mais novos a ginga brasileira. Pouco depois, por volta das 17.15h, será a vez de os adultos entrarem em ação, com o “Workshop de Capoeira para Adultos”, onde vão ser explicados os passos básicos da capoeira e a essência da sua cultura.
 
Por fim, às 18.00h,  será formada a Roda da Capoeira, onde pequenos e graúdos podeão “mostrar e assistir aos movimentos fantásticos da capoeira e também apresentar os seus dotes de capoeiristas”. 
 
A Capoeira é uma expressão cultural brasileira que mistura arte marcial, desporto e música e que se carateriza por golpes e movimentos com base na agilidade.

Capítulo 3 – Toninho Ventania

CAPOEIRISTAS

PULP FICTION TROPICAL

 

Nestor Capoeira

capítulo 3

 

 finalzinho do capítulo 2

… Um grupo de quatro ou cinco colegiais passa do outro lado da rua e, ao verem Noivo com a garrafa, apressam o passo, cochicham entre si, dão risadinhas, e desviam o olhar.

“Qual é? Vão cuidar de suas vidas! É isso aí! Vão correndo pra não chegar atrasadinhos na bosta do colégio!”.

Noivo aremessa com raiva a garrafa que se espatifa numa árvore, levanta-se, atravessa a praça e se embrenha numa rua onde algumas lojas ainda estão abrindo as portas.

FIM do cap. 2

 

capítulo 3

 

TONINHO VENTANIA

 

O meu nome é Toninho,

o apelido é Ventania.

Gosto do cheiro de mato,

de mulher e maresia.

(Nestor Capoeira, 2014; CD A balada de Noivo-da-Vida e Veneno-da-Madrugada)

 

DISNEYLÂNDIA

Ipanema.

Rio de Janeiro.

Brasil.

Eu adentrei as Dunas do Barato.

Era um lindo dia ensolarado de verão, o sol brilhava glorioso no alto do céu. A praia estava atapetada de mocinhas bronzeadas de bundinha arrebitada, e garotões que jogavam frescobal ou “futebol altinho” na beira do mar.

Tirei meu baseado de dentro da sunga e, entre um “alô” aqui e um “tudo bem?” acolá, acendi o charutão enquanto caminhava sem pressa na direção da água.

Eu era um “local” da área.

Mais do que isso: era um daqueles caras que tinha livre acesso às diferentes turminhas e tribos que frequentavam as areias daquele pedaço de Ipanema, quase chegando no Arpoador – o Pier, com suas Dunas do Barato -: doidões da classe média alta e da burguesia, jovens artistas de teatro e televisão, uma nova geração de músicos de rock brasileiro que em breve iam estourar com grande sucesso na mídia.

O mais curioso era que estávamos em plena ditadura militar 1964-1984 e, no entanto, aquele pedaço de praia parecia Amsterdam ou San Francisco, capitais mundiais do movimento hippie.

Eu ia passando e fingia que não ouvia as pessoas murmurando:

– Esse aí é o Toninho Ventania, um bamba da capoeira. Passou uns anos rodando pela Europa e Estados Unidos, fazendo show, dando aula, comendo as gringas. É o maior cabeção.

No começo dos 1970s as passagens de avião para o estrangeiro eram caríssimas; era coisa para quem tinha muita grana. Ou então, uma meia dúzia de caras da Bossa Nova – Tom Jobin e aquela turma de feras – que tinham feito sucesso no Carnegie Hall alguns anos antes, e agora viajavam ocasionalmente para fazerem shows no exterior.

A capoeira ainda estava se firmando no Rio e em São Paulo; um capoeirista, jovem, mulato, que tinha passado “uns anos rodando pela Europa e Estados Unidos”, era algo totalmente inusitado; causava surpresa e admiração.

Aquela rapaziada, quando muito, tinha passado uma semana na Disneylândia, quando garotos, bancados pelo papai ou pela vovó cheia da grana.

 

CHÁ DE SUMIÇO

Depois daquela encenação, alguns anos atrás, da morte de Noivo e Veneno – que eu narrei no A Balada de Noivo-da-Vida e Veneno-da-Madrugada -; Noivo se mandou para o Planalto Central atrás de Ingrid; Veneno retornou a Nova Yorque; e eu tomei um chá de sumiço.

Afinal de contas,  o Dr. Turibio era o diretor do Projeto Javali e fazia parte da gangue de políticos, homens de dinheiro, e militares que mandava e desmandava no Brasil entre 1964 e 1984.

 

BELÔ

Dei um rolê até Belo Horizonte onde o Cavaliere, o Jacaré, e uma meia dúzia de garotões armavam um incipiente movimento de capoeira com uma roda, aos sábados, na feira hippie da Praça da Liberdade.

Belo Horizonte era dominada por uma elite altamente careta naquela época da ditadura. Basta dizer que o logo da cidade era: “Família, Tradição, e Propriedade”.

Mas já haviam vários núcleos, em diferentes camadas sociais, de uma juventude que já estava noutra; a cidade fervilhava com uma multitude de butecos e barzinhos.  A cachaça mineira, diferente do que acontecia nos bares da classe mérdia e burguesia em outros estados onde imperava o whisky e a vodka, reinava absoluta.

E o mais importante: Belô é uma das cidades brasileiras que tem mais mulher. Não é cascata, não. Basta ler os números do Censo Nacional do IBGE – será que é IBGE? Ou é IBOPE?

Não interessa.

Tem mulher pra caralho.

 

A MULHER MINEIRA

A mulher mineira, de Belo Horizonte, tem um lance muito meigo, muito carinhoso; e são lindas. Na cama, são incendiárias, piromaníacas da melhor espécie.

Deve ser por causa daquelas montanhas todas: tem um anel de montanhas recheadas de minério de ferro rodeando a cidade. Dizem que todo aquele ferro, atravessado pelo campo magnético da Terra, acaba criando um lance como um imã gigantesco; é por isso que Belô tem um dos mais altos índices de tempestade de raios do mundo.

Incendiárias, vai por mim.

Com aquela rodinha de capoeira todo sábado na Feira Hippie, chovia mulher.

A feira ainda era uma novidade na década de 1970 e ficava lotada de mocinhas de cabelos longos, sorrisos simpáticos, e calças jeans atochadas no rabo e nas coxas.

Sem falar das balzaquianas gostosérrimas, de 30 e 40 anos de idade que desfilavam, em grupos de 3 ou 4, de vestidos justos de seda estampada revelando as generosas curvas do corpo.

Mulheres “modernas”, “independentes” – apesar de algumas morarem com o pai e a mãe -, com trabalho certo e bom ordenado.

Mulheres que não tinham arranjado marido. Ou tinham se casado e logo separado do mané, muitas vezes pelo fato do cara encher a cara, chegar em casa doidão de birita, e descer a porrada na esposa. Devido à repressão geral, à moral castradora da classe média e da burguesia mineira, tinha muito este tipo de cara; problemático, de cuca fundida, mas fazendo aquele teatrinho que estava tudo bem e mantendo a fachada.

 

FAZENDO A CABEÇA EM BELÔ

Fiquei uma temporada em Belô.

Foi onda.

Eu ia treinar diariamente com os 10 ou 15 jovens apaixonados por capoeira. Treinos puxados, de 3 horas ou mais; e nos sábados e domingos, as rodinhas na Praça da Liberdade. Eu fiquei afiado, em grande forma.

Era muito bom ver que, coisas do Jogo que para mim eram primárias, pare eles eram revelações divinas.

E, aí, aquilo me forçava a olhar com mais cuidado, com o ponto-de-vista de um outsider, para aquilo que eu considerava uma coisa “normal”, um clichê. Mais de uma vez, isto me levou a profundos e curiosos insights:  eu cheguei a entender o núcleo, a razão de ser – e até mesmo o desenvolvimento através do tempo e das gerações -, de um movimento, de um golpe, de uma queda, ou de uma determinada posição de corpo.

Muito legal.

E, é claro, como eu já tinha dito: as mulheres.

Sempre tinha um plantel de jovencitas lindinhas. Mas aquilo dava um trabalho danado. Muito brilho mas pouca substância. Aí, eu dispensava.

Ficava todo mundo de bobeira, sem entender qual era a minha. Porque muitas daquelas minas eram das famílias mais ricas, e o golpe do baú é um clássico na high society mineira: o garotão bonitinho de boa família, mas de pouca grana, que namora uma mina feinha e ricaça – lembrem-se que a cidade tem pouco homem e muita mulher, e arranjar um maridinho bonitão de boa família era uma conquista. 

O cara se casava e ia trabalhar na firma do pai da mina.

Ou, então, fazia uns netinhos e vivia numa boa, com a grana que a esposa constantemente recebia do papai e da mamãe; frequentando o Iate Club – é isso aí, Belô não tem mar mas tem Iate Club -; e só tendo de aturar os comentários do sogrão com os amigos nos lautos almoços de domingo – “… quando é que esse merdinha vai tomar vergonha e começar a trabalhar?”

 

 A MALANDRAGEM ALTO-ASTRAL

Mas eu não estava numa de alpinista, e menos ainda de ascensorista social.

Eu sempre estive noutra.

Sempre estive num lance que, mais tarde, descobri  ser  um vago, longíncquuo, intuitivo, e primitivo esboço da filosofia da malandragem.

Iluminado por Leopoldina – meu primeiro mestre -, e tambem outros malandros clássicos alto astral que fui conhecendo, aos poucos uma maneira diferente de pensar e viver foi se revelando, igual a uma flor que desabrochasse em frente aos meus fascinados olhos.

 

O SEGREDO DE TUDO

Então, sem fazer isto conscientemente, me dediquei especificamente às mulheres mais maduras de 38, 45 anos de idade. Nada de casamento, nada de golpe do baú; só sexo e muita curtição.

E, logo, estava com um time de 4 balzacas de primeiríssima qualidade.

Eu curti muito aquelas minas, que eram consideradas pejorativamente como “solteironas” por aquela sociedade de imbecis auto-reprimidos e repressores.

E, hoje, olhando aquele período retrospectivamente, posso ver que naqueles seis meses eu amadureci na sensualidade e no sexo. Em consequência, amadureci como ser humano. E finalmente me formei como um elegante e jovem malandro na linhagem que passa por Sinhô, Noel Rosa e Geraldo Pereira, Wilson Batista, Zé Keti, João Nogueira, Mestre Leopoldina, e nos chega nas figuras de Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho.

Entendi que, se por acaso existir um “segredo” que rege as ações dos indivíduoa da raça humana, este segredo é o sexo e a sensualidade.

O resto – poder, status, dinheiro, sucesso, realizações profissionais, família, bens materiais, amizade, fé religiosa, ideologia, arte -, é tudo sucedâneo; é tudo secundário. São coisas que, evidentemente tem seu valor; mas, na real, são super valorisadas. Na verdade, vem apenas substituir o sexo e a sensualidade quando estes não são praticados e vividos em profundidade e com apaixonada constância.

Curiosamente, mas de uma maneira fácil de entender, estas coisas secundárias acabam se tornando lances de primeira importância no Universo dos Otários.

 

 O MÃO DE FACA

 

A VAIDADE HUMANA

Muitos daqueles humanos que tem um Encantado “encostado”, são tão vaidosos e vulgarers que imaginam que a extraordinária vida que vivem é unicamente consequência de seu valor pessoal.

No entanto, outros seres humanos que tambem foram “visitados” por um Encantado, realmente nasceram com uma compreensão e visão das coisas e do mundo, com um Axé, com uma força, ou um talento  extraordinários.

São pessoas que excedem a nossa vã filosofia: Sidarta o Buda, Alexandre o Magno, Jesus Cristo, Genghis Khan, DaVinci, MichelAngelo, Ghandi, Noel Rosa, Einstein, Pixinguinha, Jorginho Guinle, Mestre Bimba, Mestre Pastinha, Charlie “Bird” Parker, Mané Garrincha, Zeca Pagodinho, são alguns destes que, alem de terem muito talento, alem de terem um dom pessoal, viveram – imgino eu – suas vidas e fantasias reforçadas pelo poder de um Encantado.

No caso de Zeca Pagodinho – músico brasileiro -, ele próprio afirma: “fiz tudo errado mas no final deu tudo certo”.

 

ENCARNANDO NO PEDAÇO

Em ocasiões excepcionalmente excepcionais, um destes Encantados decide, não apenas, se “encostar” num humano para curtir os lances da vida no planeta; mas, sim, tambem se materializar totalmente na forma de um homem, ou mulher – as Encantadas -, aqui na Terra.

 

Um Encantado, de hierarquia mediana, encarnado na Terra, geralmente tem vida breve, 20 ou 30 anos, e seu corpo morre jovem – reparem no montão de artistas de grande sucesso que embarcam com seus 30 e poucos de idade.

No entanto, algums vezes, ninguem sabe porque, pode chegar até mesmo aos 100 com a saudavel aparência de um atleta de 40 anos de idade.

Mas se por acaso, algo mais raro ainda, o Encantado ocupa uma alta posição na hierarquia cósmica, então sua trajetória como homem terrestre será extraordinariamente muito mais longa.

 

ALTAS HIERARQUIAS

O Encantado da Alta Hierarquia escolhe, a dedo, o próprio pai e mãe –  pessoas humanas extraordinárias em um ou vários aspectos (fôrça, inteligência, beleza, talento, sorte).

Escolhe tambem o momento e o local de nascimento; êle deseja curtir um determinado período num local  específico da História da Humanidade.

Na verdade, este Encantado, antes de “nascer” na Terra, pode influenciar, até certo ponto, a vida de seus futuros pais para melhor atender seus propósitos.

Mas nem sempre isto é bom para os inocentes progenitores que, por exemplo, morrem pouco depois do nascimento daquele carismático bebê: os pais tinham sido convenientes para fornecer o DNA, a forma do corpo, a fôrça vital, a inteligência, o talento, a sorte, a beleza, a visão abrangente do mundo; mas iriam tolher e querer orientar a vida do Encantado enquanto êle fosse criança. E esta outra função – criar o Encantado criança – poderia ser feita por alguém mais conveniente.

 

COISA DE CRIANÇA

Com seis meses e, mais definitivamente, com um ano, a criança-Encantado-de-alto-nível já tem uma vaga consciência de que é um Encantado que resolveu baixar e viver uma vida na Terra. Aos três anos de idade, êle já poderia saber quem é.

Mas nem sempre isto acontece:

– a parte humana se recusa a acreditar numa hipótese tão inacreditável;

– ou então, a parte humana inconscientemente recusa a viver uma vida que certamente será “complicada”, uma “vida que não é a sua” (mas, esta recusa não adianta nada);

– alem disto, aquele Encantado/criança tem de manobrar a situação no sapatinho, fingindo que é um humano “normal”,  pois seu corpo e sua posição na sociedade ainda são muito fracos e vulneráveis; e esta estratégia inicial de sobrevivência pode se enraizar na maneira de ser do humano que cresce ignorando a existência do Encantado.

Apesar do Encantado dar uma força e uma dimensão excepcionais ao seu corpo humano – no nível físico de um atleta Campeão Olímpico, no nível artístico e intelectual de um grande artista ou cientista, no nível de beleza de um grande astro de cinema, no nivel de sorte de um vencedor da loteria -; ele não é immortal e está sujeito a todo tipo de ferimento e doença que aflige os humanos.

O Encantado curte esta “fragilidade” como se fosse parte de um jogo: apesar de poder viver  bem mais de cem anos, e de manter o corpo num processo de envelhecimento muito lento, isto só acontecerá se ele for hábil e tiver sorte.

E o Encantado nunca perde.  Afinal de contas, quando seu corpo terrestre morre – jovem ou matusalem -, o Encantado volta, feliz e saudável, ao Plano Espiritual onde habita.

Nossa estória tembem é a estória de um destes raros Encantados de Alto Nível que resolveu encarnar e viver uma longa vida terrena.

Fim do capítulo 3

Aconteceu: Exposição fotográfica celebra mestres da capoeira de Pernambuco

 

“Menino quem foi seu mestre?” reúne fotos feitas por Roberta Guimarães, com curadoria de Joana D’Arc Lima

A capoeira sob o olhar dos seus mestres. Hoje, às 18h, no Centro de Capoeira São Salomão, no bairro da Várzea, é inaugurada a exposição fotográfica Menino quem foi seu mestre? – Histórias e imagens de mestres da Capoeira de Pernambuco, com trabalho da fotógrafa Roberta Guimarães e curadoria de Joana D’Arc Lima. A exposição documenta o encontro de oito professores da arte/luta afro-brasileira com 80 alunos do projeto Caxinguelês Jovem.

“A ideia era colocar os mestres em contato com a criançada. A cada sábado, os meninos viam um mestre diferente”, explica Roberta. No encontros, durante um ano, os alunos puderam aprender sobre a história e a ginga da capoeira com os mestres Pirajá, Mulatinho, Lospra, Meia-Noite, Nen Cangalha, Sapo, Mago e Renato, nomes de referência no Estado. 

Segundo Roberta Guimarães, seu olhar ficou focado justamente nos detalhes desta relação de troca no aprendizado. “Fui puxando cada característica dos mestres. Seus diferenciais”, pontua a fotógrafa, que conta ainda com textos de Izabel Cordeiro, responsável por “costurar” a narrativa de imagens.

A exposição é composta por oito retratos dos mestres, mais fotos das aulas e imagens dos pés e mãos dos professores – estas últimas impressas em tecido. “A exposição calhou de vir a acontecer exatamente após a capoeira ser reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco”, lembra Roberta. 

Além da exposição Menino quem foi seu mestre?, que acontece hoje, amanhã às 19h será formada a roda de confraternização que reunirá os mestres perfilados. Em seguida, o público também assiste à Sambada do Lampião, em parceria com o grupo de côco Bate o Ganzá. No domingo, a partir das 16h, acontece a festa de encerramento do Projeto Caxinguelês Jovem, com ritual de batizado dos aprendizes.

Criado há 17 anos, o Centro de Capoeira São Salomão é uma referência na formação em Pernambuco. No projeto Caxinguelê Jovem são atendidas pessoas de 14 a 25 anos. Ricardo Dias, o mestre Mago, organizador da exposição e responsável pelo projeto, lembra que são inúmeras as histórias de jovens que tiveram suas vidas transformadas, graças à capoeira. Na mostra fotográfica, afirma Mago, “ideia é valorizar os atores sociais responsáveis por essas transformações: que são os mestre. E colocá-los em contato com a nova geração”, diz. 

Fonte: http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/artes-plasticas/noticia/2014/12/18/exposicao-fotografica-celebra-mestres-da-capoeira-de-pernambuco-160965.php

Arte da capoeira une brasileiros e alemães em Colônia

Nos últimos anos a capoeira vem se espalhando pelo mundo. Na Alemanha, um dos pólos dessa arte é a cidade de Colônia. Conheça histórias de brasileiros e alemães que têm em comum a paixão pela luta afrobrasileira.

Esse é um dos mais recentes encontros entre dois patrimônios da humanidade, um material, outro imaterial. A Catedral de Colônia, uma igreja gótica de quase 800 anos foi declarada Patrimônio Mundial da Humanidade em 1996. E a roda de capoeira, tradição afrobrasileira, foi tombada pela Unesco como Patrimônio Imaterial da Humanidade em 2014. De fato, a expressão cultural brasileira vem conquistando o mundo, 71 países têm rodas de capoeira registradas oficialmente.

Desde o século 16, escravos de origem africana foram forçados a atravessar o oceano em direção ao Brasil. Da resistência à escravidão surgiram diversas manifestações culturais, entre elas, as rodas de capoeira, que por séculos foram perseguidas e condenadas.

 

Colônia tem pelo menos 10 grupos ativos de capoeira

Agora, essa arte atravessa espontâneamente o atlântico no sentido inverso e conquista adeptos no velho continente. Nos últimos anos, a prática tem ganhado cada vez mais espaço na Alemanha, sobretudo em Colônia, cidade com uma das maiores comunidades de brasileiros do país.

Entre brasileiros e alemães

A capoeira é ao mesmo tempo dança, luta, esporte e música, e pode ser considerada também uma filosofia de vida. Tanto que há pessoas que simplesmente não conseguem ficar afastadas dela. Para Priscila Pimenta, de Belo Horizonte, a prática da capoeira pertence ao dia-a-dia, é como um ritual.

Priscila e o alemão Hariko se conheceram numa roda de capoeira, quando ele visitava o Brasil. A paixão comum pela capoeira se transformou também em romance. O amor levou Priscila pela primeira vez à Alemanha para visitá-lo.

Nas duas semanas em que ficou no país, Priscila gingou quase todos os dias em um parque da cidade de Colônia. Durante idas e vindas entre Alemanha e Brasil, a constante é a prática da luta afrobrasileira.

A capoeira une diferentes países e atua como um embaixador da cultura brasileira. Na maioria dos centros de capoeira, as cantigas que acompanham a roda e os nomes dos golpes são em português, o que leva muitos alemães a entrar em contato com o idioma.

Na Alemanha, existem 27 grupos de capoeira registrados na Embaixada Brasileira em Berlim. Mas o número real é provavelmente bem maior, já que nenhum dos quatro grupos de Colônia, com os quais a reportagem da Deutsche Welle conversou, tinham esse registro.

Desconhecimento

Apesar da popularização, o professor e contra-mestre de Capoeira Cabana chama a atenção para a falta de organização entre as diversas escolas de capoeira da cidade. Cabana acredita que os grupos deveriam deixar de lado a concorrência e realizar mais eventos em conjunto.

O mestre Sorriso trabalha como professor de capoeira em Colônia há 14 anos e está se articulando para mudar essa situação. Ele acredita que esse “desconhecimento” entre os grupos é ruim pra todos. Por isso ele fundou junto com outros nove professores de capoeira o projeto “Capoeira em Colônia” que pretende, a partir de 2015 realizar apresentações públicas mensais de capoeira.

“Estamos abrindo um pouco mais a cabeça, pois percebemos que quanto mais nos apresentamos e divulgamos, a capoeira e os capoeiristas ganham automaticamente, sempre”, observa Sorriso.

 

Fonte: http://www.dw.de/arte-da-capoeira-une-brasileiros-e-alem%C3%A3es-em-col%C3%B4nia/a-18142433