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Setembro 2015

Vendo Artigos de: Setembro , 2015

Irmãos de Viagem

“Todos DIFERENTES… JUNTOS pelo mesmo… CAPOEIRA” (1)

A caminhada, a vivência, a história de cada capoeira… significa a luta e o esforço traçados durante sua árdua e longa jornada…

Valorizar o indíviduo não obstante de sua origem ou estilo em detrimento a sua escolha… é valorizar nossa arte… é perpetuar o verdadeiro significado da Palavra IRMÃO!!!

Durante esta caminhada tive o previlégio de também ser um IRMÃO…  um MALUNGO (Irmão de Viagem) (2).

Toda e qualquer iniciativa, seja ela qual for, desde que valorize a integração e a disseminação da nossa tão rica e multifacetada arte-luta sem o “vistoso manto das bandeiras” tem de ser vista com respeito e seriedade… tem de ser vistas com os olhos de ver… sob a ímpar e aliciante perspectiva da CIDADANIA (3).

Cada individuo que atua de forma a acrescentar algo neste universo tão complexo, dinâmico e vivo da nossa capoeiragem carrega com ele a responsabilidade de passar uma mensagem… de proferir uma “Vogal”… uma “Sílaba”… alguns destes indíviduos conseguem escrever na nossa audição… conseguem formar “Palavras”… “Frases”… e até densas e rebuscadas “Histórias”… que ficam pra sempre registradas e guardadas neste BAÚ da ORALIDADE que todo capoeirista respeita, acredita e trás consigo como um verdadeiro “tesouro”, repleto de pérolas e significados, guardando cada uma destas “Vogais”… “Sílabas”… “Palavras”… e “Frases”… , para fomentar e criar a sua própria “História”… a sua Jornada…

Algumas destas histórias estão repletas de mitos… de fantasias… de criações fictícias… frutos da “imaginação pré concebida” e até mesmo do incondicional amor por esta imensurável e perplexa CAPOEIRA.

Outras histórias são tão profundas…  embasadas… prolixas… Outras nos surpreendem pela beleza e simplicidade… algumas por devaneios loucos… tecendo uma complexa teia de informações dissonantes e as vezes até improváveis e cruas verdades…

Ainda existem “estórias”… contadas por aqueles que “gingam na roda dos saberes formais”… pesquisam, publicam… fomentam…. convidam para o banquete da constante busca pelo conhecimento…

Cada um destes “Tesouros” devem ser considerados de igual maneira… devem ser filtrados, analisados, digeridos, engasgados, vomitados e até defecados!!!

Cabe a cada um destes IRMÃOS de VIAGEM, cabe a cada MALUNGO construir, manter, organizar e cuidar do seu BAÚ… Valorizando cada pérola cada pedra… cada grão de areia que considerar coerente e importante para a sua História para a sua formação… para a sua Jornada…

 A escolha que fazemos é de nossa inteira responsabilidade e cabe a cada CAPOEIREIRO (4) partilhar esta BAÚ com os seus iguais contribuindo desta forma no emaranhado jogo do conhecimento e sua disseminação, pois segundo Mestre Decanio, a Capoeira é uma Escola de Cidadania.

“…nenhum homem se constrói homem sem a ajuda e interação de outro homem…” (5)

 

 

Referências:

(1) Referência aos Irmãos de Roda, interessante encontro de capoeira, que acontece todos os anos no mes de novembro, na cidade do Porto.

(2) Referência à CCM – Casa de Capoeira Malungos, Irmãos de Viagem, “celeiro de bambas” da capoeiragem Paulista na Decada de 90.

(3) Em Homenagem ao Mentor e Amigo, responsável direto pelo espírito do Portal Capoeira, Mestre Decanio.

(4) Em Homenagem ao Amigo e Parceiro de Capoeiragem Miltinho Astronauta e a sua forma ímpar de ver a nossa capoeira.

(5) Lev Semenovitch Vygotsky: Cientista e Pensador importante em sua área e época, foi pioneiro no conceito de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida. 

“Movimento Novo” o CD

“O Movimento Novo é, mais que tudo, uma proposta filosófica, nascida da necessidade que todo capoeira sente de se conectar com outro.”

O Movimento Novo é uma roda de Capoeira que vem acontecendo uma vez por ano no Rio de Janeiro desde 2008.

Capoeiras se reúnem em uma proposta filosófica pela necessidade de se conectar com o outro, independentemente dos caminhos pessoais de grupo, estilo, linhagem, escola, ou mestre de cada um.

Em busca da roda perfeita, criou-se uma proposta sem hierarquia, sem uniformes, sem graduações, sem símbolos de grupo e sem comando centralizado. Através do registro dessas rodas e a grande popularidade dos vídeos produzidos, essa proposta tem se espalhado pelo mundo, influenciando um espírito de harmonia e uma cultura de paz na Capoeira.

Cenorinha, Dana, Ferradura, Guaxini, Beiramar, Juliana, Lobisomen e Rafael se encontraram em Novembro de 2014 para, além de uma roda, gravarem um CD. Cada um idealizou a sua bateria, seu arranjo e repertório. Juntos gravaram ao vivo durante mais uma roda do Movimento Novo.

Os ensaios, a gravação das músicas, o registro em vídeo dos jogos e entrevistas com os participantes já foram realizados e agora precisamos saber se há o interesse do publico para que esse projeto ganhe vida. Decidimos fazer apenas uma tiragem de CD limitada e realizaremos esse projeto de forma colaborativa.

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Criamos recompensas e queremos que esse CD aconteça. É tudo ou nada. Precisamos de R$22.100,00 para custear toda a produção do CD e produzi-lo ou R$27.670 para além do CD produzir a série de 9 vídeos do registro de todo o processo de gravação, os jogos e depoimentos dos participantes sobre essa proposta inédita em um CD de Capoeira.

 

 


English

Movimento is a roda. It’s been going on every year, since 2008. Different players meet to connect with each other, with a common philosophy that goes beyond individuals paths of style, line, school or mestre.

Searching for a perfect roda, we crated a a roda without hierarchy, uniforms, graduations, group symbols or centralized control. The popularity of the videos made the soul of this project widespread around the world, influencing different people into a spirit of harmony and culture of peace.

Cenorinha, Dana, Ferradura, Guaxini, Beiramar, Juliana, Lobisomen and Rafael met in2014 to record this cd in a live roda. Each one made set the instruments his own way, with his own arrangements and songs.
The songs, games, rehearsals and interviews are now available! We are going to make a limited edition of the CD for all the supporters.It’s all or nothing. We need R$22.100,00 to pay for the whole project and produce the CD or R$27.670,00 to produce the CD and also the webseries with 9 videos about the recording process, with the games and the capoeira players testimony about this unique Capoeira CD.

 

Axé

Bahia: Vandalismo e Desrespeito ao Grande Mestre

Mestre Cabeludo, Porto da Barra, desabafa e alerta para a importância da “imagem em homenagem” ao Grande mestre e criador da Capoeira Regional… Apela aos capoeiristas por uma maior mobilização e crítica o desrespeito e a falta de interesse dos governantes da Bahia…
Iêêê Viva seu Bimba!!! (Ver Video)

 

Obra em homenagem a capoeirista é atacada

O monumento em homenagem a mestre Bimba foi vandalizado no dia 31 de agosto, conforme a Fundação Gregório de Mattos. Da peça foi retirado o medalhão com a efígie do lendário capoeirista. A obra é de M. Kruchewsky e foi instalada em 1982, feita em bronze com a técnica da fundição.

A peça tem a seguinte descrição: “O  monumento é composto de placa de concreto vertical, em forma de berimbau, onde está aplicada efígie circular em bronze.  A base é baixa triangular,  também em concreto, e nela está aplicada placa de bronze, com inscrições alusivas ao homenageado”.

Trajetória

Informa que Mestre  Bimba  (23.11.1900  – 5.2.1974)  começou sua carreira aos 12  anos de idade jogando capoeira Angola, a mesma que ele ensinou por 10 anos. Durante o período em que a  capoeira e qualquer  outra  manifestação da cultura  negra eram proibidas, ele conseguiu, junto com a Secretaria do Estado da Bahia,  manter  aberta a primeira academia reconhecida de capoeira.

Em 1932, mestra Bimba consegue de fato a liberação da prática da capoeira e, com ela, a liberdade de todas as outras formas de manifestação da cultura negra.

Nesse mesmo ano, é fundada a sua primeira academia, a primeira a ser especializada em capoeira e a ter um alvará de funcionamento. No gramado próximo ao monumento é comum capoeiristas se reunirem para ciscar a luta, uma marca da Bahia.

 

Monumento em homenagem a Mestre Bimba

 

Ainda Mais Vandalismo e Desrespeito

O monumento Cetro da Ancestralidade, de mestre Didi, (Deoscóredes Maximiliano dos Santos), implantado num pracinha da rua da Paciência, no bairro do Rio Vermelho, foi alvo de vandalismo. Duas esculturas de pombas em bronze, que ficavam na parte de cima do monumento, sumiram.

A Fundação Gregório de Mattos, responsável pela manutenção de monumentos de rua da cidade, registrou ocorrência na polícia e vai restaurar a obra. Outra escultura de rua também foi atacada por ladrões na orla: a peça que homenageia mestre Bimba, situada numa praça em frente ao Quartel de Amaralina, teve o medalhão de bronze levado.

Milena Tavares, gerente de sítios históricos da Fundação Gregório de Mattos, disse que a prefeitura vai substituir as peças levadas por outras de material não atraente para os ladrões, a fibra e o vidro.

Ela ficou surpresa como as pombas do Cetro da Ancestralidade foram furtadas, pois ficam situadas a cerca de sete metros do solo. “Nós melhoramos a iluminação dos monumentos, cercamos com gradil, mas mesmo assim não se consegue evitar esses roubos” disse. O sumiço das pombas foi notado na quinta-feira, 3, pelo Blog do Rio Vermelho, que buscava explicação para o desaparecimento das peças.

Herança africana

O Cetro da Ancestralidade foi instalado no local em fevereiro de 2001. A escultura é feita em bronze e mede sete metros de altura.

Conforme o site da Fundação Gregório de Mattos, a  escultura “é  um  marco  da  herança africana, uma obra  de arte e um objeto sagrado que  utiliza elementos significativos da sua herança cultural, responsável pelo legado civilizatório que marca  nossa identidade. Foi localizado de forma a ter como fundo a linha do horizonte infinito do oceano, em direção à África”.

Indignado com o vandalismo, o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, lamentou o ataque dos monumentos de Salvador e diz que os ladrões têm “arte do cão” para conseguir retirar as peças da obra de mestre Didi em local tão alto.