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Março 2017

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A história da poeta que se tornou a primeira árbitra de boxe do Brasil

A história da poeta que se tornou a primeira árbitra de boxe do Brasil

Marcia Lomardo será homenageada neste sábado

Neste sábado, a partir das 16h, 23 lutas formam a segunda etapa do circuito promovido pela Associação Carioca de Boxe (ACB), na academia Vittoria Club, no Pechincha. O torneio é simples, cumpre os requesitos básicos de segurança e está na base da pirâmide de um esporte que trouxe quatro medalhas olímpicas para o país nas últimas duas edições do megaevento. No card, apenas duas lutas serão entre mulheres. Mas o que chama atenção mesmo o nome do evento: Copa Marcia Lomardo.

Poeta, avô da Maya, nascida em Niterói, criada na Zona Sul carioca, Marcia Lomardo, de 59 anos e 1,54m de altura, não se considera uma pioneira nas artes marciais, mas foi a primeira árbitra de boxe do país. Por isso, a homenagem no Pechincha. Os eventos da ACB costumam levar nomes de pessoas que foram importantes para a evolução do esporte.

A relação de Marcia com a luta, entretanto, não se limita ao boxe. Tudo começou em 1978, quando ela era uma das raras mulheres a lutar capoeira, um esporte que ainda convivia com o rótulo de marginal.

– Lembro que uma vez, eu liguei para um amigo e o pai dele atendeu. Quando disse que eu era a Marcia, da capoeira, o pai dele me censurou. Disse que era um esporte marginalizado e que eu não poderia sair falando por aí que lutava capoeira. Digo lutar porque capoeira é uma luta – diz Marcia, que até hoje pratica o esporte.

Preconceitos e rótulos não preocupam Marcia, que vê a arte marcial como uma forma de expressão corporal. Em 1979, nasceu sua filha Ananda D’Ecanio, que desde cedo já acompanhava a mãe nas rodas de capoeira. Nos anos 1980, ela ingressou no jiu jitsu. Na década seguinte, procurou o boxe inglês e acabou vendo ainda mais de perto a rixa entre academias de jiu jistu e vale tudo, que marcaram os primeiros anos de um esporte que hoje é conhecido como MMA.

– Entrei na academia do Marco Ruas. E lá ela já estava fazendo uma certa revolução no esporte. Antes, existiam desafios entre lutadores para ver qual arte marcial era a mais eficiente. O Ruas foi um dos caras que começou a ver a importância de se treinar mais de uma arte marcial para ser um lutador mais completo – lembra Marcia.

Ruas se recorda bem de sua convivência com Marcia.

– A Marcia foi uma das minha primeiras alunas. Era muito dedicada. E assim como Pedro Rizzo deu continuidade ao esporte, dando aula, formando novos alunos – conta Ruas.

DE TOQUINHO A ‘THE WAILERS’

Na academia de Ruas, Marcia acabou se destacando a ponto de virar professora depois que ele se mudou para os Estados Unidos. Com uma noção mais completa de boxe, em 1997, Marcia viu um anúncio de um curso de arbitragem. Foi quando achou que estava sendo vítima de preconceito por ser mulher pela primeira vez desde que entrou no mundo das lutas.

– Me inscrevi e nada de me chamarem. A única coisa que me vinha na cabeça é que não estavam me chamando por eu ser mulher. Nunca sofri preconceito. Vitimismo também não combina comigo, mas eu não conseguia ver qualquer outro motivo para não me chamarem além do fato de eu ser mulher. Mas aí eu fui chamada e descobri que a demora foi porque a turma demorou a se fechar, não tinha quorum – explica.

Marcia nunca lutou em competições de boxe ou vale tudo. Sua carreira como árbitra de boxe encerrou-se em 2009. Na capoeira, ela fez apresentações importantes, que incluíam até facões. Perdeu a conta de quantas vezes se apresentou em rodas de capoeiras no palco para abrir shows no Circo Voador e Fundição Progresso, em uma lista de apresentações que vai de Toquinho a “The Wailers”, a banda do Bob Marley.

ÔNIBUS 174

Durante todo esse tempo, Marcia nunca deixou de dar aulas de capoeiras. Em determinado momento, ensinou crianças e adolescentes carentes no projeto “Se essa rua fosse minha”, do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Lá, conseguiu dar momentos de alegrias a um personagem marcante da história recente da cidade.

– Tinha um menino que ficava no canto da sala, se chamava Sandro. Ele era um dos mais velhos, tinha 12 anos, mas corpo franzino, mais parecia uma criança de seis anos. Os alunos faziam bullying com ele. Era meio arredio e muito carente. Ele gostava das aulas e sempre me cumprimentava na rua. Não acreditei, quando anos mais tarde, ele sequestrou o ônibus 174 e foi morto pela polícia. Reconheci assim que a televisão mostrou o rosto dele – lembra Marcia.

Marcia e sua filha Ananda, em 2007 – Berg Silva/4-5-2007

Marcia, aos poucos, foi criando um estilo diferenciado de dar aula unindo as artes marciais que domina com meditação e arte. O método ainda não tem nome, mas é conhecido como “aula da Marcinha”. Hoje, as rodas de capoeira foram trocadas por rodas de poesia, paixão que já cultivava desde antes de começar nas lutas – suas redações costumavam ir parar no mural do colégio.

“minhas datas pessoais

nunca coincidiram

com as datas da humanidade

inclusive

nesse momento

dentro de mim é reveillon”, diz uma das poesias desta pioneira do boxe nacional. Esta e outras mais podem ser vistas em seu site: marcialomardo.blogspot.com.br/.

Cronologia de Marcia nas artes marciais:

1978 – Início na capoeira

1982 – Começou a dar aulas de capoeira

1985 – Ministrou a palestra “A Mulher na Capoeira”, Circo Voador

1989 a 1991 – fez jiu jitsi com Carlson Gracie

1992 – Início no Boxe com Marco Ruas

1993 e 1994 – Deu aulas no projeto “Se essa rua fosse minha”

1997 a 2009 – Árbitra pela Confederação Brasileira de Boxe


Fonte: O Globo – http://oglobo.globo.com/esportes

por Victor Costa

A Capoeira na R.D.C

A Capoeira na R.D.C

 

Uma imersão no universo da Capoeira como um instrumento para a promoção da paz em áreas de conflito como em Kivu do Norte, na República Democrática do Congo.

 

A iniciativa é liderada pelo Governo do Brasil e do Canadá, UNICEF e AMADE-Mondiale e aborda a autoconfiança e a autoestima entre as crianças e suas famílias. O objetivo é o de reduzir as desigualdades e ajudar a curar traumas. Em um país devastado pela guerra de origens étnicas e mergulhado em interesses comerciais, é crucial reconstruir os laços comunitários e restaurar uma cultura de paz.

 
Duas vezes por semana, meninas no Hospital Heal Africa, no centro de Goma, aprendem a jogar Capoeira. Meninos no Centro de Trânsito e Orientação (CTO) CAJED também praticam esta arte marcial. O CTO é um espaço que ajuda para a reintegração social de crianças que foram vítimas de violência e recentemente desmobilizados de grupos armados.Tanto o hospital Heal Africa como o CTO CAJED são parceiros da UNICEF.

Com a prática, vem a auto-confiança, o fortalecimento emocional, a construção de laços comunitários, a superação de diferenças de gênero, a redução de desigualdades e a cura de traumas.

RDC

 

R.D. Congo: O maior país na África subsaariana

O conflito terminou oficialmente em 2002, mas este país devastado pela guerra na Região dos Grandes Lagos, na África Central, vive enormes desafios para curar os traumas gerados pelos conflitos armados que se perpetuam até os dias de hoje.

6 milhões de pessoas perderam suas vidas. Mais de 1 milhão foram deslocadas. As terras abundantes, água, biodiversidade e minerais subjugam a R.D.C alimentando tensões de longa data.

Apesar de ser um dos mais ricos países em minerais como diamantes, ouro, cobre, cobalto e zinco, a R.D.C figura na lista dos países menos desenvolvidos. O legado de anos de atrocidades, instabilidade e violência generalizada resultou em mais da metade da população vivendo abaixo da linha da pobreza.

A cada 5 minutos, 4 mulheres são vítimas de estupro. Dados da ONU indicam que mais de 200.000 mulheres e crianças congolesas foram vítimas de violência sexual.

O conflito gerou um êxodo em massa. 1,7 milhões de pessoas foram deslocadas (OCHA, Junho, 2016)

Muitas famílias tiveram que fugir de suas casas para buscar um lugar seguro.

 

Impacto social

 

“A Capoeira ajudou a que eu me erguesse novamente e é importante para que meninas que passam dificuldades, assim como eu, saibam que nem toda esperança está perdida” , disse Nadia, uma adolescente de 17 anos.

 
Este foi um depoimento dado pela jovem e publicado em Ponabana, um blog de jovens escritores congoleses. 

Nadia engravidou após sofrer violência sexual em um bairro em Goma. Ela encontrou na Capoeira um espaço seguro para libertar a sua mente e ganhar força psicológica. Estórias como a de Nadia se proliferam entre meninas e meninos beneficiados pela Capoeira.

 

Proposta de reportagem

 

Uma imersão no universo da Capoeira brasileira na R.D.C.

 
Durante cerca de vinte dias, a dupla formada pela jornalista luso-brasileira Fabíola Ortiz e pelo fotógrafo e videomaker Flavio Forner visitará localidades em Goma onde o projeto “Capoeira pela Paz” é implementado.

Forner e Ortiz são profissionais que se dedicam a cobrir temas sociais e de direitos humanos em ambientes hostis.

Eles pretendem visitar o hospital Heal Africa que cuida de mulheres e meninas vítimas de violência e ainda conhecer o CTO CAJED que abriga meninos recém desmobilizados de grupos rebeldes armados.

FABÍOLA ORTIZ

fabiola.ortizsantos@gmail.com

+1 (301) 919 1594 (Whatsapp EUA)
+45 52 824 116 (celular Dinamarca)
skype: fabiola_ortiz

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FLAVIO FORNER

forner@gmail.com

+55 (11) 959 990 499 (celular Brasil)
skype: flavio_forner

Linkedin

 

 

O que pensamos

 
Um jornalismo em profundidade é crucial para a garantia dos direitos humanos, civis e políticos. É uma ferramenta importante para assegurar o acesso à informação de interesse público.Forner e Ortiz acreditam no papel do jornalismo independente para o debate público, para transformar a realidade e manter na pauta as metas dos desenvolvimentos sustentáveis, pregados pela ONU para 2030.Percebemos que existe a necessidade de abordagens inovadoras e criativas no jornalismo a fim de reportar sobre temas de traumas e conflitos.

Uma informação responsável tem um papel importante para dissolver tensões, reduzir conflitos e contribuir para o processo de cura de situações traumáticas.O jornalismo independente pode atuar como um elemento unificador em uma sociedade polarizada e tem um papel fundamental na prevenção, gestão e resolução de conflitos.

LEIA MAIS:

https://www.facebook.com/capoeirapaix/

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Foto Capa: UN, Abel Kavanagh, Jan 2016. MONUSCO, Província de Katanga.Foto: Stefano Toscano

CAPOEIRA SEM MESTRE

Poucas coisas geram tanta polêmica no mundo da Capoeira como a palavra “Mestre”.

A primeira pergunta que geralmente um capoeirista faz ao outro, curioso em saber quais conexões ambos têm em comum é: “Quem é seu mestre?”, seguida de: “Ele foi formado por quem?” ou “Qual é o seu grupo?”.

Entre os mestres é praticamente unânime o discurso sobre a necessidade de um capoeirista se formar dentro de uma escola ou grupo de Capoeira e a rejeição pelos capoeiristas “free-lancers”, avulsos, mesmo que estes joguem, toquem e cantem muito bem. É natural, portanto, que o próprio título “Capoeira sem Mestre” provoque em muitos um incômodo, pois a noção de pertencimento na Capoeira está muito associada ao fazer parte e ser aceito numa comunidade que compartilha valores comuns.

Não pretendemos entrar no mérito sobre o que dá autoridade para que qualquer um se julgue no direito de dizer se o outro é mais ou menos legítimo por ter ou não mestre. Isso é assunto para outro texto. Neste aqui vamos discorrer simplesmente sobre um fenômeno que existe, um fato real e inexorável: existe Capoeira sem Mestre. Existe há muito tempo e sempre vai existir.

 

CAPOEIRA SEM MESTRE Curiosidades Portal Capoeira 1

 

Existe Capoeira sem Mestre há muito tempo

A história da Capoeira pode ser dividida em dois momentos, como defende Nestor Capoeira:

1. A era dos valentões

Manduca do Praia, Besouro Preto, Nascimento Grande ou outros desordeiros famosos não têm a alcunha de “mestre” no imaginário coletivo da Capoeira e quando os capoeiristas modernos se referem a eles utilizam somente seus nomes.

 2. A era dos educadores 

Já Bimba, Pastinha, Waldemar e a geração que logrou dar visibilidade positiva à Capoeira são respeitosamente chamados de “Mestre”, sendo uma gafe se referir a estes sem o devido título antecedendo seus nomes.

 

Histórico

A transição de uma era à outra se deu na primeira e se acelerou na segunda metade do século 20. Como a era dos educadores é um fenômeno recente que segue em permanente mudança, ainda não se chegou a um modelo fixo de ensino-aprendizagem que contemple todas as variáveis derivadas de seu crescimento e sua difusão pelo mundo. Se hoje em dia é uma quase unanimidade a ideia da necessidade de pertencimento a um grupo com aulas presenciais nos moldes da escola tradicional, historicamente nem sempre foi assim.

 

Ensino à distância na Capoeira

Desde 1907, pelo menos, existem tentativas de se ensinar Capoeira sem a presença de um Mestre, transmitindo saberes por outros meios, como o livro apócrifo cuja assinatura parece se referir à “Ofereço, Dedico e Consagro à Distinta Mocidade”.

Detalhe: este livro foi publicado quando os Mestres Bimba e Pastinha ainda eram crianças!

ODC: 1907

 

Em 1928, quando os Mestres Bimba e Pastinha eram ainda homens jovens, vem o livro de Zuma, cujo detalhamento o transforma em referência nacional em relação à Capoeira.

1928

 

Em 1945, no fim da 2a Guerra Mundial, quando mal a Capoeira havia saído do Código Penal e as escolas de Capoeira dos Mestres Bimba e Pastinha ainda eram fenômeno recente, sai o livro de Inezil Penna Marinho, um ícone da Educação Física Brasileira.

1945

 

Seguindo esta tradição de ensino à distância, em 1961 vem o livro de Lamartine Costa, cujo título foi usado como inspiração deste texto:

1961

 

Na década de 80, Nestor Capoeira publica seu Pequeno Manual do Jogador de Capoeira. Este livro já nasceu escrito em inglês, com o título “The Little Capoeira Book”, voltado ao ensino à distância, desta vez para estrangeiros:

1981

 

As décadas seguintes veem o nascimento dos vídeos tutoriais em VHS, com diversos mestres gravando movimentos e cursos para serem comercializados. Na sequência, o VHS vira DVD e o DVD, mp3. Filmes como “Esporte Sangrento” e videogames como “Tekken” serviram de referencial pedagógico para milhares de jovens no exterior, que não tinham acesso às fontes primárias de conhecimento e aprendiam como podiam, consumindo a informação que chegava pelas TVs.

 

Eddy Gordo – Tekken

Esporte Sangrento

 

Com o advento da internet a velocidade da informação se exponencializa, fazendo verdadeiras comunidades de ensino-aprendizagem por meio das redes sociais, com capoeiristas transmitindo informação 24 horas por dia em todo o planeta.

 

 

Sempre vai existir Capoeira sem Mestre

Existe um motivo simples para acreditarmos que sempre haverá Capoeira sem Mestre: o sucesso da Capoeira! Conforme se espalha pelo mundo e conquista mais e mais adeptos, o número de alunos cresce em progressão geométrica, enquanto o número de mestres formados se mantém sempre em velocidade menor.

Cada vez que a Capoeira chega em uma pequena cidade do interior do Brasil profundo ou num longínquo país asiático, novos alunos são incorporados à segunda coluna. Neste meio tempo, pouquíssimos mestres são formados.

 

Pedagogia do século 21

As novas tecnologias já fazem parte da realidade da geração que iniciou a Capoeira depois de 2005. Facebook, Youtube e até Whatsapp são mecanismos para transmitir informação. Se há 20 anos era raro um capoeirista ter mais de 10 fitas K7 com canções, hoje temos canais de música no Youtube com milhares delas. Se há 10 anos era comum o capoeirista proibir qualquer tipo de registro e filmagem em seus eventos, hoje em dia os próprios mestres levam celulares às rodas e publicam os jogos em transmissões ao vivo.

 

O Instituto Brasileiro de Capoeira-Educação – IBCE

 

Pensando nesta nova realidade foi lançado o Instituto Brasileiro de Capoeira-Educação (IBCE), um órgão difusor de metodologias online, voltadas aos professores de Capoeira no Brasil e no mundo.

 

O 1o Curso de Capacitação Profissional oferecido pelo IBCE será lançado no dia 27/03/2017. Este curso será uma especialização no Método de Capoeira-Educação Brincadeira de Angola, metodologia criada pelo Mestre Ferradura e continuamente aprimorada há mais de 20 anos.

O curso será democrático, terá informações de alta qualidade e o que é melhor, totalmente GRATUITO.

 

Quer saber mais?

Clique neste link e inscreva-se para receber informações em primeira mão sobre o Curso de Capacitação Profissional em Capoeira Infantil, no Método de Capoeira-Educação Brincadeira de Angola.

WWW.CAPOEIRAIBCE.COM.BR

 

A partir desta semana virão muitas informações também pelo Canal Abeiramar.tv e pelo Portal Capoeira. Fique ligado! Axé!

Comente abaixo o que você acha do assunto e compartilhe este texto com seus amigos!

Um abraço!

Mestre Ferradura

 

 

Texto de Mestre Ferradura

Imagens: quase todas encontradas na internet. Agradecimentos especiais a Jerohen Rouxinol pela ajuda com as imagens faltantes.

Juntos Aprendemos

Juntos aprendemos

 

Sou aluno que aprende, sou mestre que dá lição..”; quem não conhece essa frase? E quem não ouviu que na capoeira, nunca se para de aprender, seja mestre ou não? Mas falar é fácil; na prática se nota como é difícil ser – e permanecer – aluno.

Eu falo aqui de ser aluno em termos de atitude, de posição. “Ser aluno” implica para mim de ter uma vontade – uma curiosidade -, de aprender e de conhecer. De ter uma cabeça aberta para receber novas informações e mais importante ainda – aceitar outras informações e visões que colocam suas próprias perspectivas em questão.

Para conseguir isso, precisamos deixar por um momento nossa certeza sobre a nossa própria razão. Largar a idéia que a nossa perspectiva é a certa; em breve, precisamos praticar a humildade.

Na filosofia antiga, a humildade é vista como uma virtude; uma disposição adquirida de fazer o bem, segundo Aristóteles. Algo que se aperfeiçoa com o hábito. Como virtude, a humildade é uma qualidade moral que consiste em conhecer as suas próprias limitações e fraquezas e agir de acordo com essa consciência. De não tentar se projetar sobre as outras pessoas, nem mostrar ser superior a elas.[1]

 

Praticar humildade com alguém que tu admiras ou quem respeitas, é compreensível. Mas como é que fazemos com alguém que não admiramos, não respeitamos e talvez até detestamos? São nestes momentos em que eu realizo que – mesmo pensando em tentar praticar a humildade – realmente ainda não entendi muito bem o que é.

As vezes eu me dou mal com alguém também. Normal, pensava eu. Se queremos ser nós mesmos, é difícil se dar bem com todos e todas. Há gente que segue outros princípios e valores, com quem não podemos concordar sem trair os nossos princípios. Mas aí acho que alguém me ensinou algo importante.

Claro, que aconteceu na capoeira; é onde eu passo muito tempo, e também um lugar aonde a humildade e a vanglória e o orgulho se encontram em várias situações. Porque o capoeirista também não é aquele guerreiro, ou ao menos não deveria ser covarde? Não é na capoeira onde a gente valoriza também a ousadia e o orgulho de ser a nossa própria pessoa? E isto não implica então um pouco de orgulho em si mesmo, e criticar um pouco as outras pessoas? Porque sem me comparar com outros, como vou saber se aquilo que estou fazendo é certo? Acho que entre o respeito para si e para o outro, entre a valorização de si e a humildade com o outro, tem um linha fina para se pisar.

 

Por sorte minha, aquela pessoa não parava de me puxar; de me mostrar que eu nem sempre tenho razão, mesmo quando a oposição é tão clara. E depois um outro pequeno confronto, me falou: “nós aprendemos juntos, um do outro”.

Fora da grandeza do gesto, me incentivou também de pensar sobre a implicação daquilo. E pensei que além de uma posição ética em relação ao outro, a humildade implica em uma posição prática: dar espaço ao outro/a de te falar, mostrar, ensinar algo. Porque juntos a gente realmente aprende coisas diferentes, de que quando aprendemos sozinhos.

Isto a capoeira nos também mostra: há coisas que podemos treinar sozinhos – movimentos, técnicas, músicas – mas há outras que só podemos fazer e aprender com outros, no grupo. A cultura oral, a base da tradição de capoeira, também é baseado no grupo, na dependência do outro com quem a história é partilhada.

 

A medida em que conseguimos praticar a humildade, não só com quem respeitamos mas especialmente com quem nunca iremos concordar, determina o tamanho de nossa aprendizagem. Porque, é aquela pessoa, que vira o nosso mundo de cabeça para baixo, que representa algo que sempre excluímos da nossa percepção. E no momento que conseguimos escutar-lhe e realmente ver o que ela representa para nós, ela nos obriga a mudar nossa sensibilidade, e a nossa percepção. Ela nos mostra uma outra realidade; e assim muda a nossa.[2]

 

Claro que isto pode ser um processo doloroso; não passamos tanto tempo e energia excluindo-o? Então para mim, praticar uma verdadeira humildade não é nada fácil…mas na próxima vez, não esqueço de agradecer ao meu “inimigo”, sendo em ou fora de mim.

 

Continuamos aprendendo juntos.

 

Carybé pe do berimbay

 

[1] Isto não é a mesma coisa que a modéstia, que é o sentimento de velar-se quanto as qualidades intelectuais e morais (oposto de vaidade), a moderação em aparência ou ação, não desejando atrair atenção imprópria para si. Tampouco a humildade é a falsa modéstia: que é vangloriar-se auto-humilhando-se falsamente.

 

[2] É um argumento que é elaborado pelo filosofo francês Jacques Rancière, por exemplo no livro Disagreement: Politics and Philosophy, University of Minnesota Press, Minnesota, 1999.

Taubaté: Capoeira na 3 ª idade – inscrições abertas

Projeto será promovido como uma forma de terapia para os idosos; também haverá atividade para crianças, jovens e adultos

Serão abertas nessa quinta-feira as inscrições para o projeto “Capoeira Angola adaptada para 3ª Idade”.

O programa será desenvolvido no Centro Cultural “Toninho Mendes”.

 

As inscrições podem ser feitas até o dia 13 de março, das 8h às 12h e das 13h às 17h, no próprio Centro Cultural, que fica na Praça Coronel Vitoriano, 1, Centro.

Para as inscrições os interessados devem levar RG, CPF, comprovante de endereço, uma foto 3×4 e atestado médico de aptidão para atividade física.

 

PROJETO/ O objetivo do projeto é adaptar a Capoeira Angola como forma de terapia, utilizando os elementos desta manifestação cultural afro-brasileira para melhorar a qualidade de vida dos idosos.

Serão utilizados exercícios funcionais com movimentos naturais do ser humano, como pular, correr, puxar, agachar, levantar, girar e empurrar. O praticante ganha força, equilíbrio, flexibilidade, condicionamento, resistência e agilidade.

A data de inicio das aulas e horários serão anunciados posteriormente.

 

FAIXA ETÁRIA/ Além do programa para idosos, a Capoeira Angola ainda irá atender crianças (a partir de dois anos), jovens e adultos.

As inscrições também começam nessa quinta e vão até dia 13, no Centro Cultural, das 8h às 12h e das 13h às 17h.

Os documentos exigidos para as inscrições são os mesmos para a 3ª idade.

A data para inicio das aulas e horários também serão anunciados posteriormente.

Mais informações pelo telefone: (12) 3621-6040.

 

Redação / Gazeta de Taubaté
redacao@gazetadetaubate.com.br

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