Blog

Outubro 2017

Vendo Artigos de: Outubro , 2017

Elizeu Capoeira projeta entrada no ranking dos meio-médios no UFC

Elizeu Capoeira projeta entrada no ranking dos meio-médios no UFC

Paranaense encara Max Griffin neste sábado, em São Paulo

Lutador iniciou nas artes marciais aos nove anos de idade com a CAPOEIRA

 

Comecei aos nove, lutando capoeira. Aos 20 eu fiz minha primeira luta de MMA. Comecei a treinar MMA porque gostei de ter feito aquela luta e a competição me chamou a atenção.

 

Elizeu dos Santos, o Capoeira, encara Max Griffin no UFC Fight Night 119 deste sábado (28), em São Paulo. Aos 30 anos, o lutador tem a chance de atingir quatro vitórias consecutivas na organização e subir na categoria dos meio-médios — uma das mais concorridas do UFC. Em entrevista ao GaúchaZH, o atleta falou sobre a expectativa para o combate e os seus planos na carreira.

Com a promessa de muito apoio das arquibancadas, Elizeu garante que está pronto para conquistar seu terceiro bônus de melhor luta em cinco lutas pelo UFC.

O atleta de 30 anos já levou o bônus de US$ 50 mil duas vezes, nas vitórias sobre o russo Omari Akhmedov, em 2016, e o americano Lyman Good, em julho desse ano. Se derrotar Griffin, Capoeira chegará ao quarto triunfo consecutivo no Ultimate.

Elizeu Capoeira projeta entrada no ranking dos meio-médios no UFC Capoeira Portal Capoeira

“O mais importante, nem pela questão da bonificação, é o reconhecimento de ter feito a melhor luta. Já ganhei duas vezes e isso motiva ainda mais”, argumenta o meio-médio (até 77 kg), que ainda está fora do ranking da categoria.

“O evento dá prioridade aos atletas que fazem lutas de boa qualidade, empolgantes. Se continuar fazendo essa boa campanha, por que não me dariam adversários cada vez melhor e com o mesmo estilo de luta?”, acrescenta.

“Cada luta é um degrau para mim. Penso em ir acumulando vitória até ser impossível não ser notado. Não tenho muito que escolher adversário, mas todos serão bem recebidos na porrada”, finaliza.

 

Fontes: https://gauchazh.clicrbs.com.br e http://www.gazetadopovo.com.br/

A “volta ao mundo” em capoeira

A “volta ao mundo” em capoeira

 

Dentre as diversas facetas do jogo da capoeira, à volta ao mundo talvez seja uma das mais emblemáticas, pois articula a convergência do imaterial com o plano material, ou, para os mais céticos desportistas, simplesmente representa um momento de reoxigenação muscular para quebra da Adenosina Trifosfato (ATP). Assim, de qualquer forma, este momento do ritual poderá ser determinante nos processos estratégicos constitutivos dos pares na disputa em roda.

É importante considerar que a capoeira possui uma matriz eminentemente afrodescendente, desta forma, diversos elementos simbólicos ritualísticos são oriundos de uma determinada matriz de leitura da realidade, portanto, muitos aspectos similares são perceptíveis nas práticas culturais do negro em território brasileiro.

A volta ao mundo em capoeira é perceptível quando em determinado momento do jogo, os capoeiras que hora disputavam a peleja corporalmente, interrompem o processo e circulam em sentido anti-horário pela parte mais extrema da roda. Neste sentido, “capoeiristicamente falando”, isso ocorre por diversos motivos, tais como:

  • Após um ataque perigoso e/ou forte, para acalmar quem atacou;
  • Após um ataque perigoso e/ou forte, para evitar o revide imediato;
  • Para acalmar o jogo;
  • Para pensar estratégias;
  • Para demonstrar conhecimento ritualístico;
  • Para entrar em conexão com o plano espiritual em busca de proteção.

Mesmo constatando uma infinidade de motivações para a volta ao mundo em capoeira, todas possuem um eixo comum, que é o fato das possibilidades se articularem com uma noção subjetiva de reconstrução da realidade, como se houvesse uma alternativa de se voltar no tempo e refazer os fatos já ocorridos.

A perspectiva descrita acima, obviamente, é uma metáfora subjetiva, pois materialmente, apesar dos estudos sobre a relatividade de Albert Einstein, ainda não temos registros oficiais de indivíduos que conseguiram voltar no tempo fisicamente, contudo, na imaterialidade do pensamento afrodescendente, este exercício é realizado constantemente para reavaliarmos atitudes e procedimentos de vida.

Quando estudamos a pratica do candomblé podemos perceber uma forte identidade entre a volta ao mundo da capoeira e o Xirê, que é uma parte do ritual em que o orixá é reverenciado com danças, toques e cantigas, de forma a se criar uma ambiência imaterial que invoque os mesmos a descerem do Orun, palavra que na mitologia Yoruba simboliza o céu ou o mundo espiritual, paralelo ao Aiye, mundo físico. Assim, a ordem mais comum é a passagem do plano material para o espiritual, sendo necessário para inverter esta lógica, no Xirê,, a dança em sentido anti-horário, criando-se a metáfora de `inversão`, fazendo com que o caminho seja feito do plano espiritual para o material.

A vinda do plano espiritual representa um contato com nossa ancestralidade, sendo este capitalizado por um processo ritualístico, mediado por uma circularidade anti-horária, com cantigas e toques percussivos, como em capoeira. Assim, tanto na volta ao mundo como no Xirê, percebemos a metáfora de inversão de lógicas, perdedor – ganhador, Orun – Aiyè, tempo que retrocede, dentre outras. Desta forma, possivelmente não é fruto do acaso tal semelhança, pois a capoeira foi desenvolvida a partir de uma teia cultural eminentemente africana, tendo em sua edificação ritualística diversos entrelaces com o povo negro.

É importante ressaltar que o reconhecimento de elementos comuns com o candomblé não atribui ao capoeira um caráter religioso exclusivo, nem tão pouco vincula sua pratica cotidiana em roda, mas, sem dúvidas, reafirma uma identidade cultural ancestral que precisamos conhecer e reconhecer.

 

Por: Mestre Jean Pangolin

“Capoeira Gospel” cresce e gera tensão entre evangélicos e movimento negro

“Capoeira Gospel” cresce e gera tensão entre evangélicos e movimento negro

 

Estavam presentes o berimbau, o atabaque, a ginga e os saltos mortais. Quase tudo fazia lembrar um jogo de capoeira típico, mas, em vez dos cânticos que enaltecem os orixás ou trazem referências à cultura negra, os versos faziam louvor a Jesus Cristo e a roda era alternada com momentos de pregação e oração.

“Não deixa seu barco virar, não deixa a maré te levar, acredite no Senhor, só ele é quem pode salvar”, cantavam as cerca de 200 pessoas, reunidas na quadra de uma escola para o “1º Encontro Cristão de Capoeira do Gama” (cidade satélite de Brasília), numa tarde de sábado.

Era mais um evento de capoeira evangélica, também chamada de capoeira gospel, vertente que ganha cada vez mais adeptos no Brasil, principalmente por meio da palavra e do gingado de antigos mestres que se converteram à religião.

Se antes a prática enfrentava resistência dentro de igrejas, agora, nessa nova roupagem, é cada vez mais considerada uma eficiente ferramenta de evangelização.

“Hoje é difícil você ir numa roda que não tenha um (capoeirista evangélico), e vários capoeiristas viraram pastores. É um instrumento lindo de evangelização porque é alegre, descontraído, traz saúde, benefícios sociais”, afirma Elto de Brito, seguidor da Igreja Cristã Evangélica do Brasil e um dos palestrantes do evento.

Praticante de capoeira há 40 anos e convertido há 25, Mestre Suíno é líder do movimento “Capoeiristas de Cristo”, que estima reunir cerca de 5 mil pessoas no país. Ele realiza encontros nacionais em Goiânia há 13 anos – a edição de 2018 será pela primeira vez em Brasília.

 

Veja o Video da BBC

O mestre calcula ainda que já existem cerca de 30 “ministérios” de capoeira, ou seja, grupos diretamente ligados a igrejas.

“Há um cuidado para não chocar com as visões da igreja. Cuidado com a roupa, com o linguajar, com as músicas, mas que “não necessariamente tem que ser só música que fala de evangelho, de Deus”, explica.

Críticas

O crescimento da prática, porém, tem gerado incômodo entre capoeiristas tradicionalistas e o movimento negro, que veem na novidade uma forma de apropriação cultural e apagamento da raiz afrobrasiliera da capoeira, prática que surgiu como forma de resistência entre escravos, a partir do século 18.

Eles também reclamam que em algumas dessas rodas haveria discursos de “demonização” contra a capoeira tradicional e as religiões do candomblé e da umbanda.

O Colegiado Setorial de Cultura Afrobrasileira, que faz parte do Conselho Nacional de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, chegou a divulgar em maio a “Carta de repúdio à ‘capoeira gospel’ e à expropriação das expressões culturais afrobrasileiras”.

 

O documento, uma reação ao 3º Encontro Nacional de Capoeira Gospel convocado para junho deste ano, em João Pessoa (PB), reconhece que seguidores de qualquer credo podem praticar capoeira, mas cobra “respeito” a sua tradição.

“Temos lutado contra o racismo em suas diversas e perversas manifestações. A demonização perpetrada por pastores, mestres ou professores de ‘capoeira gospel’, ensinando o ódio e a intolerância contra as raízes da capoeira e contra seus praticantes não evangélicos, é um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana”, diz a carta.

 

 

 

Patrimônio

A capoeira, que no passado chegou a ser proibida, recebeu em 2014 o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco, órgão da ONU para educação. O Iphan, órgão responsável por sua “salvaguarda” no Brasil, reconhece em documento sua “ligação com práticas ancestrais africanas”.

A antropóloga Maria Paula Adinolfi, técnica do Iphan, diz que “não é possível impedir a capoeira gospel”, mas explica que o órgão está focado em “fortalecer ações que vinculam a capoeira à matriz africana” como “uma política de reparação do processo de apagamento da memória afrobrasileira e de genocídio do povo negro”.

 

Organizador do evento na Paraíba, Ricardo Cerqueira, o contramestre Baiano, recebeu, além da carta de repúdio, algumas ligações com críticas e até mesmo ameaças de processo. Seguidor da Igreja Batista, ele diz reverenciar os grandes mestres da capoeira, como os baianos Bimba, Pastinha e Waldemar, já falecidos, mas argumenta que a “capoeira não pertence à cultura africana”.

“O país é laico. Acho que cada um tem liberdade para fazer a sua capoeira da forma que quiser”, defendeu.

“Colocamos o nome gospel sem intenção de descaracterizar a capoeira, até porque nós usamos todos os instrumentos e cantamos também música secular”, disse ainda.

 

Diferenças

Além das músicas e orações, mais alguns detalhes diferenciam a capoeira evangélica da “capoeira do mundo”, explicou à reportagem Gilson Araújo de Souza, pastor evangélico e mestre capoeirista em Manaus.

Em geral, rodas evangélicas não chamam a troca de corda de “batismo” porque o termo deve ser usado apenas no seu sentido religioso, de se converter e receber o Espírito Santo. Além disso, alguns capoeiristas também evitam o uso de apelidos, que, segundo Souza, tem origem na época que a capoeira era perseguida.

“No mundo cristão, Deus nos chama pelo nome. Antes, eu era conhecido como mestre Gil Malhado, hoje sou chamado de mestre pastor Gilson. Não preciso me camuflar”, explica ele, que faz parte da Igreja de Cristo Ministério Apostólico.

 

“Anos atrás, eu enfrentei muita dificuldade para levar a capoeira para a igreja. O pastor batia a porta na minha cara, dizia que era coisa da macumba, que não podia. Hoje eu sou pastor e as portas se abriram”, conta também.

Segundo o mestre Suíno, a adoção do termo “gospel” fez parte desse processo de quebrar resistências. Era uma forma, observa, de convencer os pastores que a capoeira podia ser praticada dentro dos valores cristãos.

Hoje ele próprio repudia esse “rótulo” por causa da polêmica que tem gerado. Suíno afirma que, apesar de haver algumas práticas próprias da capoeira cristã, sua “essência” de capoeira é a mesma.

“Não existe capoeira gospel! Não queremos bagunçar a capoeira. Nós respeitamos os mestres, respeitamos os fundamentos da capoeira, respeitamos as tradições, e vamos defender porque quem não defende a capoeira não tem direito de ser capoeirista”, discursou, empolgado, durante o evento no Gama, cujo lema era “minha cultura não atrapalha a minha fé”.

 

Constante mutação

 

Diante da polêmica, o historiador da capoeira Matthias Röhrig Assunção ressalta que a prática já passou por muitas transformações desde seu surgimento.

Hoje, há três vertentes principais: a angola (mais lenta e gingada, tida como a mais próxima da “original”), a regional (mais acelerada, que incorpora movimentos de lutas marciais) e a contemporânea – uma mistura das duas primeiras que surgiu no Sudeste a partir dos anos 70 e foi o estilo que conquistou o mundo.

“Acho que capoeira tradicional não existe mais, todos (os estilos) são modernizados”, resume Assunção, que é professor do departamento de história da Universidade de Essex, na Inglaterra.

Embora não simpatize com a ideia de uma capoeira evangélica, o professor afirma que não se trata do primeiro processo de “apropriação” da prática.

“A capoeira gospel me parece ser mais uma estratégia desses grupos religiosos de ocuparem espaços e de ganhar adeptos, mas não vejo como parar isso, não tem como proibir”, observou.

“Historicamente, houve muitas apropriações da capoeira. Há uma apropriação nacionalista forte, rodas no exterior com as bandeiras do Brasil, o verde e o amarelo, por exemplo, em que a origem da capoeira, a história de resistência e a ligação com os africanos escravizados muitas vezes não têm destaque algum”, pondera.

 

Fonte: BBC – http://www.bbc.com/

MS: 4º Encontro Estadual de Salvaguarda da Capoeira

MS: 4º Encontro Estadual de Salvaguarda da Capoeira

 

Evento ocorre nos dias 4 e 5 no Campus da UFMS em Aquidauana

Com foco na valorização de um dos mais importantes elementos da identidade brasileira, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e o Governo do Estado, realizam nos dias 4 e 5 de novembro o 4º Encontro Estadual do Plano de Salvaguarda da Capoeira. As atividades acontecem no Campus da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) em Aquidauana.

O evento reunirá capoeiristas, pesquisadores e gestores públicos, que irão dialogar os aspectos culturais e históricos da arte e seu papel como manifestação cultural, comumente marginalizada, mas que ganhou grande destaque após ser registrada como Patrimônio Imaterial do Brasil e da Humanidade pela Unesco.

A Superintendência Estadual do Iphan tem promovido uma série de reuniões voltadas para a mobilização dos Capoeiristas e todos os integrantes de grupos e parceiros da Capoeira em Mato Grosso do Sul com vistas à construção coletiva da política de salvaguarda, valorização e incentivo a este bem cultural patrimônio do Brasil presente no estado.

– No sábado, 04 de novembro de 2017, busca-se como principal meta a composição do Comitê Gestor da Salvaguarda da Capoeira no MS – colegiado que terá por metas implementar o Plano de Salvaguarda.

– No domingo, 05 de novembro de 2017, passados 02 (anos) da existência do Fórum Estadual da Capoeira no MS, rediscutir seus estatutos e formação de coordenações e votar os próximos mandatos.

Outro encontros:

  • 2014 – I Encontro Estadual de Salvaguarda da Capoeira no MS; principal resultado: de articulação e aproximação com diferentes grupos de capoeiristas;
  • 2015 – II Encontro Estadual de Salvaguarda da Capoeira no MS; principal resultado: formação do Fórum Estadual da Capoeira no MS;
  • 2016 – III Encontro Estadual de Salvaguarda da Capoeira no MS; principal resultado: redação do Plano de Salvaguarda da Capoeira no MS.

 

* Foto acervo PC