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Janeiro 2018

Vendo Artigos de: Janeiro , 2018

BRINCADEIRA DE CAPOEIRA

BRINCADEIRA DE CAPOEIRA

OLHA AÍ, mestre… merecida homenagem ao seu/nosso PORTAL e ao amigo !
Abs, do NATOAZEVEDO ** BRINCADEIRA DE CAPOEIRA

(mote / glosa)

Séculos de “brincadeira”
sem incomodar ninguém…
mesmo levando “rasteira”
a Capoeira vai bem !

I
CAPOEIRA se reparte…
está em todo lugar,
só não na Estação Lunar
e nem nos confins de Marte.
Hoje não há uma parte
desse Mundo sem fronteiras
que não tenha Capoeira
e o som de um Berimbau.
Vem resistindo, afinal…
séculos de brincadeira !

I I
Mas, segue com pouca ajuda
ou sem sequer um apoio,
tendo um ou outro “joio”
que a mensagem dela muda…
e que é “um Deus nos acuda” !
Embora com tais “porém”
Capoeira nos faz bem,
melhora todo o sistema,
é canto, dança e poema,
sem incomodar ninguém.

I I I
Capoeira é diversão
e bela Filosofia,
tem música e alegria,
é magia e oração !
Nos eleva o coração,
“brincadeira” bem maneira
que nos segue a Vida inteira,
sempre em nosso pensamento.
Sobreviveu aos “tormentos”
mesmo levando “rasteira” !

I V
Hoje está na Internet(e)
e em tod’os cantos da Terra.
Perdeu o seu “tom de guerra”,
quando se “pintava o 7” !
Tem esclarecido escrete
e jovens mestres também
que lhe querem muito bem
e seu Presente engrandecem.
Nossa Arte-Luta só cresce…

“A CAPOEIRA vai bem” !
“NATO” AZEVEDO
(em 26/dez. 2017)

OBS: justa homenagem a Mestre “GUARÁ” levando — na gélida Paris — as tradições de seus (e nossos) ancestrais, com prazer e beleza.

Ao LUCIANO MILANI pela positiva mensagem de seu site “PORTAL CAPOEIRA”, divulgando nosso (ainda) Folclore no Mundo. “Allons-y, camarás”!

Leiteiro  Portal Capoeira

Cena do Filme Cordão de Ouro: Participação de Mestre Leopoldina, Mestre Nestor Capoeira e Leiteiro.

 

“NATO” AZEVEDO (em 26/dez. 2017)

Violência e Capoeira – Parte 2

Na última coluna escrevi sobre violência e a capoeira, e como muitas vezes o discurso sobre a violência, está relacionado ao estilo de capoeira que alguém joga. Um discurso que inclui facetas ligados à historia da nossa arte.

Mas, podemos nos perguntar se tudo é tão simples assim: se a violência é uma coisa relacionada ao estilo, à interpretação do jogo, ou se existem outras dimensões a serem abordadas

Para compreendermos melhor do que estamos falando, quando falamos de violência e a capoeira, é preciso ver a origem e definição da palavra ‘violência’ em si mesma. E como ela é entendida nas várias outras áreas da nossa existência que também encontram (formas de) violência diária.

Então, o que é a violência, no fato?

Na verdade, não há mesmo uma definição ‘geral’, ou comum, de violência, como há por exemplo de amor, felicidade ou ódio. Claro, que há uma definição no dicionário[1], mas parece estar sempre relacionado ao contexto (sentido) e ao objecto (a direcção da violência). Talvez esses são dois aspectos ‘gerais’ aplicados em qualquer tipo de violência.

É o contexto que decide se um ato é violento ou não; porque o mesmo ato pode ser violento num contexto quando não é em outro – a mesma banda dada em um iniciante pode ser muito mais violenta do que em um capoeirista avançado, ou ter uma outra significação numa outra roda.

E a violência é sempre direcionada à algo; seja um objecto, outra pessoa, ou à si mesmo. Quando falamos sobre direcção, prendemos também em conta o efeito e a intenção do ato. Por exemplo, a definição da Organização Mundial de Saúde (WHO) mostra que a violência não é só o ato, mais inclui necessariamente o efeito, e a intenção:

o uso intencional da força física ou poder, ameaçados ou reais, contra si mesmo, contra outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade, que resultem ou tenham grande probabilidade de resultar em ferimento, morte, dano psicológico, mal desenvolvimento ou privação.”[2]

Mas aí já não só falamos sobre atos físicos: falamos também sobre a violência psicológica, ou mental, que muitas pessoas sofrem toda dia e seus efeitos muitas vezes são mais profundos, mais danificadores e duram mais tempo. É uma das razões por exemplo porque a violência sexual é tão desastroso, ainda mais quando é feito contra crianças. E isto não é só limitado ao físico também não; ofensas, ameaças e manipulações também causam sequelas mentais (que depois podem causar outras sequelas físicas).

Não foi o Mahatma Gandhi, grande lutador pelo paz, que falou que toda tentativa de parar com as guerras no mundo será fútil enquanto a gente continuar usar a violência psicológica diária entre nós (as pequenas guerras)? Que todo movimento contra a violência física irá se enfraquecer enquanto a gente não resolver a raiz de todo mal – que é o ganância – e a pobreza, que para ele era a pior forma de violência?[3]

De certa maneira, isto também se relaciona com o que o filósofo e educador Americano John Dewey falou, que a violência é uma força que tomou um rumo errado, ou até uma força destrutiva e danificadora. “Energia se torna violência quando derrota ou frustra propósitos em vez de executar ou realizar isto. Quando a dinamite faz explodir humanos em vez de pedras, quando seu resultado é lixo em vez de produção, destruição em vez de construção, nós não chamamos isto energia ou poder, mas violência.”[4]

Precisamos abrir a nossa concepção do que é a violência, e como isto se relaciona à capoeira. Pior que o ato é o efeito da violência; o mal que faz. Isto pode ser a lesão física, claro, mas também a humilhação, o medo e – o que sempre acompanha o medo – o ódio.

E aí os discursos sobre a violência e estilos e interpretações da capoeira já ficam diferentes: porque o golpe ou a queda já não dói tanto do que a humilhação. Aí começamos a ver quem joga com o medo do parceiro, e quem o cria. E quem leva ate ódio. E começamos a entender as várias dimensões e intensidades da violência, que na verdade tem pouco a ver com um estilo de capoeira.

Essas reflexões também levam às consequências para o ensinamento da capoeira, para as crianças, e para os adultos. O que é aquele ‘tapa educadora’ ? Quando estamos treinando a resistência do aluno, e quando estamos criando medo? Deveríamos tocar -lhe para ensinar a esquivar mesmo? E qual será a intensidade da força usada?

Me lembro a historia que o saudoso mestre Leopoldina várias vezes falou: que quando ele começou a aprender a capoeira, o seu professor da época – Quinzinho – um dia deixou ele treinar com um capoeirista mais antigo no jardim, e quando este capoeirista bateu o novo Leopoldina uma vez, logo meteu um revólver na testa do cara para indicar de não lhe bater, para ele não desenvolver o medo.

Vamos ver o que isto significa para nós nos dias de hoje, na próxima.

Violência e Capoeira - Parte 2 Capoeira Portal Capoeira

 


 

[1] Dicionário do Aurélio: A. A qualidade do que é violento (ex. violência da guerra) e B. Acção o efeito de empregar força física ou intimidação moral contra; ato violento. C. Exercício injusto ou discricionário, gerado ilegal, de força ou de poder. D. Força súbita que se faz sentir com intensidade; fúria, veemência. E. Constrangimento físico ou moral exercido sobre alguém, para obrigá-lo a submeter se à vontade de outrem; coação. F. Cerceamento da justiça e do direito; coação, opressão, tirania

[2] Krug et al. (2002) World Report on Violence and Health, World Health Organisation, Geneva.

[3] Gandhi, M.K. (1942), Non-Violence in Peace and War, Vol. 1. Navajian Publishing House

[4] Dewey, J. (1980) ‚Force, Violence and Law’ and ‚Force and Coercion’, in: J. A. Boydston (ed.), John Dewey, The Middle Works, 1899-1924, Volume 10: 1916-1917. Carbondale, Southern Illinois University Press, pp. 211-15 e pp. 244-51. Tradução para Português é minha.

Revista Acadêmica GUETO

Revista Acadêmica GUETO, registrada no Centro Brasileiro de ISSN sob o nr. 2319-0752 e com periodicidade de publicação semestral, está sob a responsabilidade editorial do Grupo de Pesquisa GUETO, do Centro de Formação de Professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Vale ressaltar, que esta iniciativa foi consubstanciada como produto da parceria entre a Universidade Federal do Reconcavo da Bahia – UFRB e a Uminho, a partir do Programa de doutoramento em Ciências da Educação, na área de especialidades em Desenvolvimento Curricular, no Centro de Investigação em Estudos da Criança, em pesquisa desenvolvida pelo Prof. Jean Adriano Barros da Silva, sob a orientação da Profª Drª Isabel Maria da Torre Carvalho Viana.

O seu principal objetivo é publicar artigos, ensaios, debates, entrevistas e resenhas  inéditos em  qualquer língua sobre temas que contribuam para o desenvolvimento do debate educacional, bem como para a divulgação do conhecimento produzido na área, considerando as perspectivas da Inclusão e Cultura Corporal.

É dirigida  a pesquisadores, profissionais e alunos da Educação. A sua organização nas seções propostas permite a publicação de materiais sob diferentes formatos e naturezas. Os textos em outros idiomas, exceto o Espanhol, poderão ser traduzidos e apresentados na mesma edição.

Revista Acadêmica GUETO Capoeira Portal Capoeira

 

 

Editor Chefe – Prof. Dr. Jean Adriano Barros da Silva – http://lattes.cnpq.br/4808864760751921

Professor assistente e pesquisador do Centro de Formação de Professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, UFRB. Possui graduação em licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal da Bahia (2001), especialista em educação física escolar (2003), mestre de capoeira e mestrado em educação pela Universidade Federal da Bahia (2008). Doutor em Ciências da Educação pela Uminho – PT (2017). Coordenador do Grupo de Pesquisa Gueto/UFRB e coordenador do Projeto de Extensão Balaio de Gato – UFRB. Atualmente é presidente – cargo não remunerado da Associação Cultural Grupo Unido para Educação e Trabalhos de Orientação. Tem experiência na área de educação, com ênfase em educação inclusiva, atuando principalmente nos seguintes temas: capoeira, cultura corporal humana, estagio supervisionado em educação física e deficiência visual.

Profª Dra. Anália de Jesus Moreira – http://lattes.cnpq.br/1045272167785063

Professora assistente do centro de formação de professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, UFRB. Doutora em educação (FACED/UFBA), mestrado em educação (FACED/UFBA). Doutoranda em educação no mesmo ppg na linha de pesquisa educação, cultura corporal e lazer. Licenciatura plena em educação física na universidade católica do salvador (UCSAL). Especialização em metodologia da educação física e esporte escolar (UNEB).

Prof. Dr. Emanoel Luís Roque Soares – http://lattes.cnpq.br/3011122221613108

Professor de Filosofia da Educação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Formação de Professores, Amargosa -BA, doutor em Educação (2008) Universidade Federal do Ceará/FACED. Mestre em Educação (2004) Universidade Federal da Bahia/FACED, Especialista em Estética, Semiótica, Cultura e Educação (2001): Universidade Federal da Bahia/FACED. Bacharel em Filosofia (1999): Universidade Católica do Salvador.

 

Ms. Carolina Gusmão Magalhães – http://lattes.cnpq.br/3303183194939389

Mestrado em Ciencias Sociais Aplicadas | ADM l UFBA, Bacharel em Nutrição pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB (2004), Especialista em Metodologia do Ensino Superior (UNEB/2005) e em metodologia de ensino da Educação Física Escolar (FAVIC/2005). Graduanda em Licenciatura em Educação Física (UFRB), bem como integrante do Grupo de Pesquisa G.U.E.T.O. (UFRB). Possui grande experiência em Nutrição Clínica e em Saúde Coletiva – desde 2004, e em docência – desde 1996, conferencista internacional (COL, ARG, ECU, ESP, FRA, POR, MOZ e JAP) e como nutricionista e gestora social voluntaria da Associação Cultural Grupo Unido para Educação e Trabalhos de Orientação. Tem experiência na área de Nutrição Clínica, Saúde Coletiva, Educação Nutricional, Gestão Social e Cultural, com ênfase no ensino de práticas da cultura popular afro-brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, nutrição clínica, capoeira, gestão social e capacitação.

 

Conselho Científico e Comissões Pareceristas

O Conselho Científico da Revista Acadêmica GUETO é composto por professores doutores ou doutorandos de IES que pesquisem as temáticas preferenciais desta revista: cultura, corpo, educação, artes, linguagens, saúde, inclusão social, capoeira, diversidade, memória, identidade, territorialidades, sociedades e Lutas.

 

Comissão de editoração gráfica e eletrônica

A esta comissão cabe a editoração gráfica e eletrônica da revista, garantindo sua qualidade visual, respeitando o projeto original e as determinações do Conselho Editorial. Funcionará sob a presidência de um docente capacitado para tanto.

Ver mais:

 https://www2.ufrb.edu.br/revistaacademicagueto/conselho-cientifico 

https://www.facebook.com/jean.pangolin

Mestre Waldemar e sua turma através das lentes de Marcel Gautherot

Mestre Waldemar e sua turma através das lentes de Marcel Gautherot

Nos últimos dias, postei diversas fotos em preto e branco do Mestre Waldemar e sua turma. Todas e esta foto foram feitas pelo Francês Marcel Gautherot que leu o livro Jubiabá de Jorge Amado e ficou fascinado pelo povo Brasileiro e viajou pro Brasil aonde trabalhou muito tempo até que veio a falecer no Rio de Janeiro em 1996.

Ele e Pierre Verger tiraram muitas fotos, nas decadas 40, 50, 60… não apenas de arquitectura e panoramas mais do povo e seus costumes no Brasil. Foi este interesse próprio no povo junto com o talento que os destacaram. De Marcel Gautherot existem alguns livros porém estas fotos aqui postadas não foram publicadas em nenhum deles.

Seria muito interessante utilizar as fotos para perguntar a velha guarda de capoeiristas que viveram esta época se reconhecem as pessoas, os locais e os hábitos do tempo para dar mais conteúdo a estas imagens.

Jeroen Verheul Rouxinol Capoeira

 

 

O camarada Rouxinou, capoeirista e pesquisador, nos brindou com esta excelente e inédita compilação de imagens históricas feitas pelo fotografo Francês Marcel Gautherot que após ler Jorge Amado ficou fascinado pela cultura e pelo povo Brasileiro. Marcel viajou para o Brasil aonde trabalhou muito tempo seu carinho e amor pelo nosso país era tanto que Marcel “escolheu como seu porto de repouso” o Rio de Janeiro, onde faleceu em 1996 com oitenta e seis anos de idade.

 

Galeria: Mestre Waldemar e sua turma através das lentes de Marcel Gautherot

 

Sobre Marcel Gautherot:

Filho de pais pobres – a mãe operária e o pai pedreiro – viveu a Paris dos anos 20 e foi muito cedo aprendiz numa escola de arquitetura. Nesses anos flerta com o movimento Bauhaus e com as obras de Le Corbusier, deixando incompleto um curso de arquitetura.

Em 1936 participa do grupo que seria responsável pela instalação do Musée de l”Homme e é encarregado de catalogar as peças do museu, começando aí a se dedicar à fotografia. Influenciado pela leitura do romance moderno de Jorge Amado – Jubiabá – decide conhecer o Brasil. Chega ao Brasil em 1939 onde viveu e trabalhou por 57 anos.

Fixa residência no Rio de Janeiro e passa a freqüentar o círculo de intelectuais ligados ao modernismo, conhece Rodrigo Melo Franco de Andrade, Carlos Drummond, Mário de Andrade, Lúcio Costa, Burle Marx, entre outros. Começa a fazer trabalhos de fotografia para o SPHAN, o Museu do Folclore e trabalha para a revista O Cruzeiro.

Em 1986, juntamente com Pierre Verger, recebe, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, o Prêmio Golfinho de Ouro na categoria Fotografia.

Ilustrou inúmeras revistas de arquitetura e quase todos os textos sobre Burle Marx. Sua coleção é composta de mais de 25 mil negativos e atualmente pertence ao Instituto Moreira Sales no Rio de Janeiro. Percorreu 18 estados brasileiros fotografando, registrando o povo brasileiro, sua arquitetura, suas festas. Sua coleção é um vasto retrato da diversidade cultural do país. Morreu no Rio de Janeiro em 1996 com oitenta e seis anos de idade.

 

 

Sobre Rouxinol: 

http://www.capoeirarotterdam.com

http://www.capoeirabarendrecht.com/

 

+ do Acervo de Rouxinol