Conversando com:
TATIANA CÂNDIDA SÃO PEDRO TOMÉ
Professora de Educação física e instrutora de capoeira
Como conheceu a capoeira e por que decidiu treinar?
Conheci a capoeira em 1990, através do meu Professor de Educação Física, “Contramestre Jacó”, que também era professor de capoeira, e ele, percebendo o meu interesse, me incentivou a praticá-la, pois sempre apreciei ver as rodas de capoeira quando o seu grupo se apresentava na escola. Iniciei minha prática no ano de 1992, com o Contramestre Jacó do Grupo Candeias. Mais tarde passei a treinar com o Contramestre Guerreiro e hoje fazemos parte do capoeira Luanda.
Qual sua relação com a capoeira?
Sou formada em Educação Física há cinco anos, pela UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS (U.E.G) e desde de 1998, trabalho com a capoeira. A minha relação com a capoeira vai além de uma simples prática, ela é extremamente profissional. Foram anos de trabalho, pesquisa, investimento e dedicação, que hoje me deram e me dão frutos. Atualmente desenvolvo um trabalho no SESC – FAIÇALVILLE como profissional de educação física, porém ministrando aulas de capoeira.
Como você se equilibra com todos os afazeres do seu cotidiano?
É muito complicado conseguir conciliar a vida de mãe, trabalho, estudos e praticar a capoeira; porém não é impossível, a vida nos ensina que tudo o que desejamos com esforço conseguimos, pois é isso que tento fazer, sempre procurando executar tudo da melhor forma possível para que a balança se equilibre.
Hoje a minha dedicação à capoeira toma conta de 90% da minha vida, sou esposa de capoeirista, trabalho seis horas do meu dia com a capoeira e ainda tenho um tempo à noite para me dedicar aos treinos.
Qual atividade você desenvolve e desenvolveu com a capoeira?
Atualmente desenvolvo um trabalho no SESC em Goiânia, onde ministro aulas de capoeira para crianças, adolescentes e adultos. Portanto, tenho um trabalho reconhecido com um projeto que desenvolvi no Centro de Reabilitação São Paulo Apóstolo em Goiânia, com a “capoeira para o Ensino Especial”, foram quatro anos de dedicação com alunos portadores de deficiência mental que resultou em um trabalho monográfico intitulado: “Os Benefícios da capoeira para Portadores de Deficiência Mental”. Foi um trabalho inédito na região, que hoje infelizmente não é desenvolvido por falta de incentivo governamental.
No mês de março de 2008, em comemoração ao Mês das Mulheres, organizei no SESC a 1ª Roda Feminina do capoeira Luanda de Goiânia, onde tivemos a presença de capoeiristas da grande Goiânia, do interior de Goiás e do Distrito Federal; constaram da programação oficina de Dança Afro, com a Professora Josy, e de Samba de Roda, com a Instrutora Ana Luíza e, claro, a tão esperada Roda.
Como sua família lida com uma mulher Capoeirista em casa?
Para minha família é tudo normal, minha mãe sempre me incentivou a correr atrás dos meus sonhos. Conheci meu marido na capoeira, e hoje ele é o meu Contramestre, as minhas filhas (uma de oito anos e a outra de um ano e oito meses) amam a capoeira e estão sempre junto conosco nas rodas, eventos e apresentações. A capoeira faz parte da minha vida e da vida da minha família.
Qual a mensagem que você tem a deixar para as mulheres que praticam e queiram praticar a capoeira:
A capoeira Arte-luta brasileira está no sangue de cada uma de nós, ela nos transforma, ela nos dá vida e nos e nos realiza, é uma forma de expressão vital, é ânsia de liberdade, ela faz com que nós mulheres aprendamos a conquistar o nosso espaço e desfrutar dele. A capoeira, assim como foi usada pelos negros para se libertarem, está sendo usada pelas mulheres para se emanciparem. A mulher hoje na capoeira, comanda , ensina e consegue fazer transformações no cotidiano da vida de cada um que dela se aproxima.
“Assim é a capoeira, uma mulher enfeitada em expressão de arte, que nos educa e educa os nossos filhos para a vida”.
“Ao som do berimbau, na ginga da brincadeira
Oi batam palmas para mulher na capoeira.........
Pois, a mulher na capoeira está deixando o seu recado....”
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