Tony Leonardo Dias, 18 anos, já freqüentou aulas de judô e jiu-jítsu, mas foi com a capoeira que ele se identificou e para a qual ele dedica boa parte de seu tempo livre. “Pratico capoeira há cinco anos e até agora só obtive melhorias para minha vida. Hoje sou uma pessoa mais calma, aprendi a trabalhar em grupo e a respeitar o espaço do outro”, revela Tony.
O Raiz de Angola atende moradores das Vilas Magnólia, Maia e Esperança e atualmente é formado por alunos entre cinco e 40 anos que juntamente com o professor José Alex da Silva resgatam uma cultura trazida para o Brasil pelos escravos e que até há pouco tempo era vista com discriminação. “Faz pouco tempo que a capoeira começou a ser reconhecida como esporte. É uma arte que tem uma cultura simples, mas muito rica, capaz de contribuir tanto para a formação física como intelectual dos seus praticantes”, afirma José Alex.
A capoeira existe no país desde a época da colonização e foi desenvolvida pelos escravos como forma de resistir aos seus opressores, praticar em segredo a sua arte, transmitir a sua cultura e melhorar a sua moral, mas por ser considerada uma prática subversiva por muito tempo foi proibida. A primeira academia de capoeira foi fundada no Brasil em 1932 pelo mestre Bimba, que acrescentou movimentos de artes marciais e desenvolveu um treinamento sistemático para a capoeira, a qual ficou conhecida como regional. Em contraponto, o mestre Pastinha criou o estilo Angola caracterizado por envolver movimentos e música mais lentos e é executada mais próximo ao solo. Foi a partir da rivalidade desses dois mestres que a capoeira deixou de ser marginalizada e se espalhou da Bahia para todos os estados brasileiros.
O grupo Raiz de Angola, como o próprio nome indica, segue o estilo da Angola, mas de acordo com José Alex a rivalidade que existe entre os grupos de filosofias diferentes é sadia, e ambas tem o poder de proporcionar a união e o companheirismo entre integrantes do grupo. “A capoeira em si não é um confronto nem tem vencedores ou vencidos. É um diálogo entre dois indivíduos e a partir daí se vê o jogo como um jogo da vida onde as pessoas trocam o seu fluido vital. É uma seqüência de perguntas e respostas o tempo todo”, explica.
Ultimamente tem crescido significativamente o número de pessoas que buscam a prática da capoeira e de acordo com José Alex é pela sua filosofia e caráter esportivo que ela ganha e mantém as pessoas na atividade ao longo dos anos. “A capoeira é uma ritual de ligação com o próprio corpo, ela possibilita o autoconhecimento, a conscientização sobre si e o ser social que é. Além disso, traz o desenvolvimento corporal, flexibilidade, força muscular e resistência física. Depois que a pessoa entra ela não consegue mais sair”, revela o capoeirista que aproveita a oportunidade para agradecer o empenho do município em manter o projeto. “Foi graças à iniciativa e ao incentivo da atual administração que estamos conseguindo manter nosso trabalho e levar cultura, saúde e educação, principalmente para as comunidades mais carentes”, finaliza Alex.
O Projeto Nosso Esporte capoeira é um dos vários de caráter sociais desenvolvidos no município e além do Raiz de Angola é formado também pelo grupo Berimbau de Ouro, que atende aproximadamente 150 crianças de outros três bairros da cidade.
Fonte: http://www.avozdacidade.com
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