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Cadu e as histórias de Bantu

Cadu e as histórias de Bantu, é fruto de um longo período de pesquisa e escrita e já foi adotado por várias escolas. Esse livro fala sobre nossas raízes afro-brasileiras.

A história começa num vilarejo do Sul da Bahia, onde os ventos atlânticos trazem o cheiro do mar impregnado de lembranças da África…

 

Alexandra Barcellos, autora de oito livros do gênero infanto-juvenil é professora de literatura em Curitiba.

 

E-book – Cadu e as histórias de Bantu

E-book sobre a história de um menino que cresce num vilarejo do Sul da Bahia. Sua família tem uma pequena fábrica de berimbau: atividade que é passada há gerações de pais para filhos e que não é só um negócio, mas uma forma para manter as tradições familiares vivas.

Cadu cresce nesse ambiente, e vive o seu vilarejo como se ele fosse um lugar mágico, até que grandes eventos começam a transformá-lo.

 

Mais:

E-book afro-brasileiro sobre nossas raízes.

Alexandra Barcellos é professora de literatura e autora de diversos livros de temática ambientalista.

alexandra-barcellos@hotmail.com

Nota de Falecimento: Mestre Boinha

Nota de Falecimento: Mestre Boinha

 

Mestre Boinha – Boaventura Batista Sampaio.

 

DISCÍPULO DE MESTRE BIMBA, DEFENSOR DA IDEOLOGIA DA CAPOEIRA REGIONAL E GRANDE CAPOEIRISTA.

 

Sobre Mestre Bimba:

“Mestre Bimba para mim é um pai. É um pai porque ele não foi para mim somente um mestre de capoeira, um educador e um orientador.”

 

[…] quando cheguei lá na Academia no início da década de sessenta para aprender Capoeira, não foi para adestrar o meu corpo, fui aprender pra brigar, meu objetivo na Capoeira era brigar, mas chegando lá em poucos meses, eu vi que era completamente diferente, eu queria aprender algo que não condizia com as normas de Bimba, percebi que estava fora das normas, então o mestre, um dia ao terminar a aula falou. Todo mundo pode ir, Boinha você fica sentado naquele banco. Os colegas saíram intrigados com aquela atitude do mestre. Então o mestre me passou um sabão, me deu um puxão de orelha, dizendo que a Capoeira era para educar e não simplesmente agressão.

 

 

Nossos mais sinceros pêsames a toda a família e a todos os “Filhos de Bimba”.

 

Texto do site Capoeira da Bahia de Mestre Decanio:

Nota de Falecimento: Mestre Boinha Geral Portal Capoeira

O capoeirista ao gingar deve estar relaxado! Para estar relaxado deve estar calmo. Para estar calmo deve estar confiante em si. Para confiar não pode ter medo. Para não ter medo necessita confiar no parceiro e em si mesmo. Para confiar no parceiro deverá obedecer ao ritual e aos preceitos de ética implicitos no jogo da capoeira da Bahia!
As fotos acima exibem a tranqüilidade e o prazer de Boinha, já na terceira idade jogando capoeira com um antigo parceiro.

Observem a foto de conjunto e os detalhes do contexto… tudo é alegria e prazer… o resto é lucro!
A capoeira-jogo pode e deve ser praticada na terceira idade para a manutenção da vitalidade e da alegria de viver!

FOTO-ANÁLISE – GINGADO Decanio e Boinha

Nota de Falecimento: Mestre Boinha Capoeira Notícias - Atualidades Portal Capoeira

Museu Itinerante Balaio da Capoeira

Museu Itinerante Balaio da Capoeira

Velho ônibus escolar roda pelo Brasil divulgando a arte marcial brasileira criada pelos escravos

Pilotado por Mestre 90, o museu itinerante tem até navalha de Cintura Fina

 
Nesta grande roda da capoeiragem… neste mundo de meu Deus… cada qual é como cada qual… assim é Mestre 90 e seu #balaiodacapoeira!!!

 

No começo dos anos 1970, época de sua fabricação, ele fazia a linha Centro-Carrefour Contagem. Na década seguinte, passou a servir ao transporte escolar e circulava pelos bairros da Região Oeste de Belo Horizonte – Grajaú, Gutierrez e Barroca. Por volta de 2003, assumiu função inusitada: virou museu, viajando para vários cantos de Minas Gerais e para fora do estado. Estamos falando de um ônibus Mercedes-Benz de 1972 – apelido “Dino”, alusão aos dinossauros. “Com mais de 40 anos, ele roda que é uma beleza. Tudo é original de fábrica. Precisa ver que maravilha é o motor”, celebra o proprietário do “balaio”, Rudney Ribeiro Carias, de 61 anos, o Mestre 90, um dos ícones da capoeira em Minas Gerais.

Capoeirista desde menino, ao longo dos anos Mestre 90 foi acumulando não só conhecimento, mas milhares de objetos relacionados à arte, que mistura esporte, luta, dança, cultura popular, música e brincadeira. “A maioria de nós só se preocupava em jogar. Eu não. Jogava e guardava qualquer coisa ligada à capoeira, porque sempre fui muito organizado. Daí a ideia de criar um museu. Hoje, tenho cerca de 4 mil itens no meu acervo. O interessante é que fui criando a consciência nas pessoas de guardar coisas ligadas a essa manifestação. Muitos dos meus companheiros fornecem material para o museu”, ressalta.

O acervo conta com livros, revistas, quadros, fotos, discos, berimbaus e outros instrumentos, além de armas usadas nas rodas. Uma delas é a navalha que pertenceu ao travesti Cintura Fina, mito da zona boêmia de Belo Horizonte nos anos 1950. Ficou famoso pelas brigas, era temido pela destreza com que manejava a navalha, sempre amarrada a um cordão. “Ele foi muito valente, mas a gente não tem provas de que foi capoeirista. Porém, o Cintura faz parte da história das rodas e das lutas da cidade”, explica Mestre 90.

Depois de se aposentar como motorista, ele decidiu aproveitar o veículo escolar com o qual ganhava a vida para preservar a história da capoeira. “Já que as pessoas não vão muito a museu, decidi levar o museu até elas. Nunca ganhei nada com a capoeira. Pelo contrário: sempre gastei muito (risos). Mas não me arrependo e daí a ideia de criar esse espaço”, destaca Mestre 90, que conta com a colaboração dos mestres Gaio, Luiz Amarante (Mineiro) e Toninho Cavalieri.

Sempre que é convidado para algum evento, o capoeirista leva o ônibus. Quando o “busão” chega, vira festa. “Ele é uma grande novidade. As pessoas, sobretudo a criançada, ficam fascinadas. O comentário que mais ouço é: nossa, não sabia que a capoeira tinha tanta coisa e tanta história”, repara.

 

 

A divulgação da iniciativa tem apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 2012, a pedido dos mestres, o historiador, documentarista e videomaker Daniel Porto elaborou o projeto Museu Itinerante Balaio da Capoeira, contemplado no Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI). Daniel participa da Rede Catitu Cultural, associação em defesa de artistas e mestres populares voltada para conhecimentos tradicionais e étnicos.

“Recebemos recursos para fazer toda a catalogação e identificação do material, realizamos um documentário e agora aguardamos para reformar o ônibus e inaugurá-lo oficialmente junto ao Iphan. Vai deixar de ser o ônibus do 90 e se transformar num museu de verdade, com sustentabilidade. Vai sair por aí visitando escolas e instituições, cair na estrada mesmo. A expectativa é de que isso ocorra este ano”, afirma Daniel Porto. O Iphan informa que tem interesse em concretizar a iniciativa e aguarda alguns trâmites burocráticos para viabilizá-la. Porém, não há data definida.

Museu Itinerante Balaio da Capoeira Cidadania Curiosidades Portal Capoeira 1

“Mestre 90 fez algo fantástico. Se você não contar a sua própria história e a história do seu grupo, ninguém vai contá-la. Se você não se organizar para resguardar sua memória, ninguém fará isso. Daí a importância de um projeto como este”, conclui Daniel Porto.

MUSEU DA CAPOEIRA
Visitas agendadas e informações: (31) 99997-69473.

 

Carta para um jovem negro e capoeirista assassinado na Amadora

Carta para um jovem negro e capoeirista assassinado na Amadora

Lenine Sanches nasceu em Cabo Verde e veio para Portugal aos nove anos de idade. Tal como muitos jovens oriundos de famílias africanas, a sua vida não era fácil, marcada por intempéries e dificuldades. Foi por volta de 2010 que o conheci num projeto social na freguesia de Caneças, no concelho de Odivelas, onde ele atuava como dinamizador junto ao projeto Távola Redonda, em conjunto com outros jovens de origem africana. O projeto social Távola Redonda foi criado em parceria com instituições locais para desenvolver atividades lúdicas e culturais junto aos jovens do bairro. Lenine fazia parte de um grupo de jovens que já praticava capoeira, mas que na altura não possuía professor. As aulas aconteciam na Casa da Cultura de Caneças e no dia em que o vi pela primeira vez, ele estava na aula que, por falta de professor, era dada por um dos jovens que tinha um pouco mais de experiência. Aceitámos conduzir as classes de capoeira em regime voluntário, realizando uma parceria entre o projeto Távola e a nossa Associação Ginga Brasil capoeira.

Na nossa associação, Lenine atuava junto a um vasto grupo de amigos de origem africana com quem tinha fortes laços de amizade, privava e dividia o dia-a-dia de um entusiasta da capoeira. Para muitos deles, a capoeira era a felicidade das suas vidas, uma saída para a diversão, o lazer de que eram privados como pobres e negros e, porque não dizer mesmo, uma saída profissional. Nos trabalhos da associação alguns já atuavam em breves atividades remuneradas, remuneração que, sendo pouca, poderia significar ter o que comer num dia difícil.

Em 2010 a associação Ginga Brasil organizou o 1.º Encontro Gingando pela Cidadania que constava de um intercâmbio de jovens entre dois países, Portugal e Estónia. Foi possível aos jovens estonianos e africanos participarem numa série de atividades em Portugal e na Estónia que envolviam a música, a dança, a construção de instrumentos e a prática da capoeira. Em 2011 a Associação Lusofonia, Cultura e Cidadania lançou, em parceria com a Associação Ginga Brasil e o projeto Távola Redonda, o projeto Diferentes Origens, Uma Cidadania, no âmbito do programa Juventude em Ação. Lenine, bem como os seus companheiros, eram ativos participantes e envolvidos em todas as atividades e projetos da associação.

Lenine Sanches, “o Laranjinha”, como era carinhosamente chamado por todos, era um dos nossos, do “gangue” da capoeira. Era alegre, divertido, prestativo e cheio de vida. Era pai de uma criança de tenra idade, fruto de uma relação que mantinha com uma jovem do bairro e com quem tinha grande proximidade, como pai, companheiro e provedor das parcas condições financeiras que ajudavam a sustentar a criança.

Na entrevista que conduzi junto ao seu grupo de amigos, todos afirmaram ter tido problemas com as forças policiais e sentiam-se, por vezes, inconformados com as relações sociais desiguais das quais eram vítimas pela sua condição racial e social. No seu depoimento sobre o racismo e a intolerância, “o Laranjinha” utilizou as seguintes palavras para definir o que sentia sobre o assunto:

“Quando nos discriminam, sentimo-nos em baixo, mas temos de mostrar que não somos inferiores a eles. Mas às vezes, ao mostrar que somos iguais, há negros que partem para a violência. Acho errado, por vezes acontecem coisas que não deviam acontecer.”

Ao reler o seu depoimento, dei comigo a pensar que ele não faria ideia de que seria vítima da intolerância que concebia como incorreta.

Há algum tempo, ele tinha sido condenado a trabalhos comunitários por ter sido apanhado sem passe nos transportes públicos de Lisboa. Ficou designado pelo juiz que trabalharia num campo de futebol junto à escola em que foi assassinado e era isso que estava a fazer, quando foi confrontado com a disputa litigiosa entre grupos de indivíduos com quem nada tinha a ver. Não é possível afirmar que a tal contenda era um acerto de contas de gangues, como publicitou a imprensa. O julgamento é precipitado e incorreto até, uma vez que faltam informações que atestem o facto. Consta que Lenine, que estava a trabalhar no momento, sentindo o perigo que o rodeava, correu em direção à escola. Como era negro, tal como os demais, acabou por ser confundido e esfaqueado pelos seus próprios pares de cor.

No dia de sua morte, ao terminar o trabalho comunitário que lhe foi atribuído, ele dormiria na casa de um dos diretores da nossa associação para que, no dia seguinte, tomasse parte numa ação educativa junto a crianças. “O Laranjinha” tinha um dom especial no trato com os alunos e crianças, uma alegria inata, natural e honesta, razão pela qual era sempre chamado a cooperar na lida educativa do quotidiano da Associação Ginga Brasil.

O que me entristece, como capoeirista e imigrante, é saber como a sua condição de negro e imigrante o inseria, à partida, num grupo de alto risco – seja pelos seus algozes, também negros, que lhe retiraram a vida, seja pela polícia ou pela imprensa que o classificou, sem o menor escrúpulo, como membro de um gangue. Para mim, ele é tão vítima quanto os que o mataram, todos em busca de um espaço na urbe lisboeta que os rejeita, como seres humanos e cidadãos negros. Para a imprensa portuguesa, bem como para a maioria dos que viram os telejornais, ele era mais um tipo de cor, revoltado e marginal que talvez até fizesse por merecer o triste fim.

Entretanto, acalenta-me saber e dizer que ele era um de nós, capoeirista, e isso fez grande diferença na sua vida, na sua existência, na sua educação e na sua consciência como negro. Para quem não conhece a capoeira como prática social, cultural e desportiva, isso fará pouco sentido, mas para nós é o que anima as nossas almas, o nosso viver em sociedade.

Dentro de uma semana o nosso “Laranjinha” receberia uma nova graduação, dada no âmbito de um evento anual realizado pela nossa associação. Faremos esse ritual simbólico, para o lembrar e para recordar que a capoeira é também a luta em favor do oprimido. Ele estará nos nossos corações e memórias sempre que o berimbau tocar numa roda de capoeira na velha Lisboa.

 

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba”

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba”

Carlos Carvalho Cavalheiro: ‘Notas para a História da Capoeira em Sorocaba’

O livro foi contemplado pelo Edital PROAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro "Notas para a História da Capoeira em Sorocaba" Eventos - Agenda Portal Capoeira 1

 

O livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba (1850 – 1930)”, de autoria do escritor e historiador Carlos Carvalho Cavalheiro foi lançado no dia 10 de junho (sábado), às 15h, na Biblioteca Infantil de Sorocaba.

 

Resultado de quase 20 anos de pesquisa, a obra trata do desenvolvimento da luta capoeira numa cidade do interior de São Paulo. O ineditismo da pesquisa serviu de base para outros pesquisadores, como Pedro Cunha que publicou sua dissertação de Mestrado, “Capoeiras e valentões”, no ano de 2015.

 

Esse mesmo pesquisador escreveu o prefácio para Cavalheiro, evidenciando que seu livro “consolida um trabalho pioneiro”, iniciado em fins da década de 1990, e que seus estudos “vem inspirando diversos outros pesquisadores como eu a romperem o silêncio da historiografia da capoeira”.

 

Já o apresentador do livro, o escritor e pesquisador André Luiz Lacé Lopes, deixa em evidência que “Mais do que consagrar de vez um espaço para Sorocaba no Mundo da Capoeira, Cavalheiro, talvez até de modo inconsciente, faz com que o seu livro, em princípio concentrado no período de 1850/1930, ajude a entender ainda mais o Brasil de todas as épocas, inclusive o Brasil de hoje”.

 

 Estudo inovador

 

 Ao iniciar as suas pesquisas sobre a capoeira paulista, em 1998, Carlos Carvalho Cavalheiro inaugurou uma linha de pesquisa inovadora, saindo do eixo tradicional do Rio-Bahia-Pernambuco, e concentrando-se não apenas no território da Província e depois Estado de São Paulo, mas, sobretudo, procurando os vestígios dessa arte/luta da capoeira em Sorocaba, cidade interiorana.

 

Com isso, Cavalheiro trouxe aspectos do cotidiano da cidade, cujo contexto explica melhor a existência da capoeira na cidade. As fontes consultadas pelo historiador demonstram uma cidade sulcada pelas relações tensas entre grupos sociais, cujo ápice se dá na emissão de leis (Posturas Municipais) que procuravam coibir as práticas populares, acima de tudo afro-brasileiras, das quais a capoeira é uma das expressões máximas.
“Mais importante que provar a sua existência nos séculos passados é entender o porquê da capoeira ter existido em Sorocaba naqueles idos”, comenta o historiador.

 

O livro de Carlos Carvalho Cavalheiro, “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba” foi contemplado pelo edital do PROAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. O fato de ter sido contemplado por esse importante programa de incentivo à cultura define, de certa forma, a importância da obra para o entendimento da história da capoeira, tanto em Sorocaba como para o Estado de São Paulo. Foram impressos 1000 (mil) exemplares da obra, que deverá ter parte doada para diversas bibliotecas e, ainda, outra parte disponibilizada para venda a interessados no assunto. O projeto foi apresentado ao PROAC pela Editora Crearte, a qual editou o livro. Com 270 páginas, repletas de informações e ilustrações, a obra será comercializada a preço abaixo de mercado, por R$ 20,00. A ideia é tornar o livro mais acessível ao grande público.

 

O autor

 

Carlos Carvalho Cavalheiro nasceu em maio de 1972, em São Paulo. Residente em Sorocaba, o autor é professor de História na cidade de Porto Feliz, trabalhando na EMEF. Coronel Esmédio.
Autor de mais de duas dezenas de livros, Cavalheiro tem publicado obras que tratam da História e da Cultura Popular regionais, mas também obras de ficção. Mestre em Educação pela UFSCar, é ainda graduado em História, em Pedagogia e Bacharel em Teologia.
Possui ainda Especialização em Gestão Ambiental e em Metodologia do Ensino de História. É colunista dos jornais “Tribuna das Monções” e “Jornal ROL”.

 

Fonte: Jornal Rol.

Praça Nelson Mandela tem aula grátis de capoeira para crianças

Praça Nelson Mandela tem aula grátis de capoeira para crianças

Iniciativa é um desdobramento do movimento ‘Ocupa Praça Nelson Mandela’, promovido pela Associação de Moradores e Amigos de Botafogo

RIO — As crianças que forem à Praça Nelson Mandela, em Botafogo, quarta-feira, entre 17h e 17h30m, poderão participar de uma aula gratuita de capoeira. A atividade usará o método “Brincadeira de Angola”, criado pelo Mestre Ferradura, com ênfase na aprendizagem significativa através de brincadeiras.

A iniciativa é um desdobramento do movimento “Ocupa Praça Nelson Mandela”, promovido no início de maio pela Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (Amab) com o objetivo de cobrar reforços na segurança da praça e, ao mesmo tempo, iniciar um processo de revitalização da área.

De acordo com números do Instituto de Segurança Pública (ISP), o número de roubos a transeuntes disparou no intervalo de um ano na área da 10ª DP, que abrange os bairros de Botafogo, Humaitá e Urca. Em março deste ano, foram registradas 88 ocorrências, contra 30 no mesmo período de 2016, o que representa uma alarmante alta de 193%. Em relação a fevereiro de 2017, mês em que foram registrados 40 roubos a transeuntes, o crescimento desse tipo de crime foi de 120%.

 

ver também:

  • CAPOEIRA ANGOLA EM BOTAFOGO – AULAS PARA INICIANTES

 

Fonte: O Globo

Berlin – Integração e muita capoeiragem

Berlin – Integração e muita capoeiragem

Como sempre, esta complexa e multicultural capital Europeia, proporciona experiências únicas… Reencontrar amigos… Sentir os sons, saborear as cores… Digerir o ímpar e prolixo emaranhado sócio cultural… Berlin sempre Berlin!

Terra de muita vadiação… terra das diversas tribos… terra de capoeira, candomblé, afoxé e muito axé!!!

No meio de tanta pluralidade Berlin se destaca pelo vasto leque de opções pela sua ofegante e prolixa disritimia do CAOS… por suas rodas movidas por pernas… e pelas pernas movidas por rodas…

Mestre Saulo, que já reside em Berlin há mais de 30 anos foi o criador de um conceito de evento de capoeira que só poderia vir de dentro deste ser humano ímpar… o NOSSO ENCONTRO, por seu formato único e informal, inspirou até o mestre Umoi a “importar” o formato para Portugal, na cidade de Évora.

Agora quem segura o leme do Encontro em Berlin, é o meu grande amigo e parceiro Mestre Bailarino, que deu nova roupagem e um novo nome: INTEGRAÇÃO BERLIN.

Fica aqui algumas imagens e momentos do encontro…

Bichinho da Roda

Na capoeira temos de ter aquele bichinho… Aquele que tem fome de jogo… Aquele que se alimenta da energia da Vadiação… As vezes temos de ter a ousadia de pedir aqueles que admiramos, por tudo aquilo que já fizeram e ainda irão fazer para e pela capoeiragem, um simples: “Mestre me dá a honra de dar um pulinho”… As vezes é mais do que suficiente para que esse mesmo bichinho seja alimentado da forma intensa e verdadeira… Obrigado Mestre Bocka Bocka, Capoeira Angonal, pela capoeira eu poder jogar…

 

 

Roda de encerramento do evento. Contramestre Milani, Professor Fungui, Professor Dackour, Professor Caranguejo, Chino. #capoeira #capoeiragem #naestrada #berlin #roda #rodaboa

Integração Berlin 2017

Integração Berlin 2017 – Comemoração dos 10 anos do Grupo Internacional Capoeira Raiz – Mestre Bailarino

Convidados Especiais:

Mestre Travassos (Associação de Capoeira Pequenos Mestres, Rio de Janeiro)
Mestre Bocka
(Associação de Capoeira Angonal, Rio de Janeiro)
Presenças Confirmadas:

Mestre Gege (Palma de Mallorca), Mestre André (Hanover), Mestre Marinaldo (Warsaw), Mestre Umoi (Dusseldorf), Mestre Maclau (Oslo), Mestre Bilu Bahia (Berlin), Mestre Bigodinho (Hamburg), Mestre Saulo (Berlin)

Contra Mestre Milani (Porto), Contra Mestre Eletrodo (Hamburg), Contra Mestre Eddy Murphy (Dresden), Contra Mestre Ganso (Berlin), Contra Mestra Mel (Berlin)

Professor Caranguejo (Lubeck), Professora Prequisa (Dusseldorf), Professor Dacor (London), Professor Foguinho (Berlin), Professor Chipreu (Berlin), Professor Cantor (Ostrava), Professor Chaleira (Wroclaw), Professor Fungui (Wroclaw), Professora Alegria (Warsaw), Professor Marinheiro (Lisbon), Professor Pavarotti (Madrid), Professor Puxinho (Lisbon)

Integração Berlin 2017 Eventos - Agenda Portal Capoeira

 


10 Years International Capoeira Raiz
Mestre Bailarino

Join our traditional annual event on 25th – 28th May 2017

 

Integração Berlin 2017

 

Location:
Karlsgartenschule, Karlsgartenstrasse 7, 12049 Berlin, Germany (location map)

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Public transport:
Underground U8-Boddinstraße
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Price: 1 or 2 days – 70 € / 3 or 4 days – 80 €
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Event T-Shirts will be available at the location for a good price!
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Contact and registration: Please use our contact form or write to
*
Accommodation: Bring your own sleeping bag. We have limited number of sleeping places.
To get one, please send us information about your arrival date and number of persons who travel with you.

Everyone is welcome, independent of your group or Capoeira experience!

Organisation: ICR Berlin
Supervision: Mestre Bailarino

Festa de Batizado e Festa da Regional: CCCB – Guimarães, Portugal

FESTA DE BATIZADO & FESTA DA REGIONAL CCCB • GUIMARÃES • PORTUGAL

Acontecerá entre os dias 5 à 7 de maio na cidade de Guimarães, Portugal a “Festa de Batizado & Festa da Regional – CCCB-GMR”, sob a organização do Contramestre Careca.

 

Ao decorrer da festa acontecerão:

  • Oficinas de Capoeira Regional Baiana
  • Oficina de Samba de Roda
  • Oficina de Samba Duro
  • Fabricação da Charanga
  • Avaliação Anual CCCB
  • Festa de Batizado
  • Show Folclórico
  • Rodas de Capoeira Regional

Sejam todos bem vindos a nossa festa! Salve!

 

Festa de Batizado e Festa da Regional: CCCB - Guimarães, Portugal Geral Portal Capoeira

FESTA DE BATIZADO & FESTA DA REGIONAL
CCCB • GUIMARÃES • PORTUGAL

 

O Centro Cultural Capoeira Baiana-CCCB:

Tem como meta a formação do cidadão, assim como a capacitação de docentes qualificados para transmitir os ensinamentos da Capoeira Regional Baiana, buscando transmitir a importância do Mestre, dentro do mundo da capoeiragem. Tem também com o objetivo, de difundir e divulgar a Capoeira Regional Baiana, respeitando seus princípios, preservando suas tradições e aplicando sua metodologia de ensino, assim como o da cultura Baiana e Brasileira através de aulas, cursos, palestras, vivências, eventos, festivais e exibições, preocupando-se em desenvolver um trabalho relacionado a todos os níveis da capoeira, buscando com isso passar as informações necessárias que venham a contribuir na qualificação dos componentes da escola. O CCCB é um Centro Cultural, sem fins lucrativos, que tem na capoeira uma ferramenta educacional, seja através da marcialidade, ludicidade ou musicalidade, com o objetivo de formar cidadãos através dos ensinamentos da capoeiragem.
Contato: Careca – (00351)926551341
www.capoeirabaiana.org

Bora jogar?

Vem jogar mais eu, vem brincar mais eu…

Jogar, brincadeira de Angola, até vadiar:

Nos cantos de capoeira há poucas referencias à luta ou à competição, mesmo que a gente saiba que “também é luta”. Agora, no discurso da capoeira, luta muitas vezes é mais usado no sentido metafórico: a luta contra o opressor, contra o mal, a resistência. E quantas vezes já explicamos para o leigo, o iniciante ou até o camarada de roda: “Sim, capoeira tem dança, tem luta, tem acrobacia, música, e tudo mais. Mas é jogo.”

Mas porque um jogo? Porque a gente gosta de brincar? Porque o nosso professor fala isso? Ou porque a gente lê isso em muitos livros escritos sobre ela?

Para entender porque a capoeira é um jogo, precisamos entender o que é um jogo. O que é um jogo, se a capoeira então é um?

Sim, a gente sabe o que é um jogo em termos de experiência. Também sentimos quando o jogo acabou, e se torna algo mais sério. Será então que o jogo não é serio? Que é um passatempo mesmo?

A palavra jogo é originária do latim: iocus, ou ludus, que significa brinquedo, folguedo, divertimento, passatempo; mas sujeito à regras.

Nas línguas germânicas, como também no anglo-saxão, spel, spiel ou play, vem do plegan, que quer dizer ‘exercitar-se, mover rapidamente’, e associado disto é ‘dançar’. E no anglo-saxão quer dizer ‘um jogo, desporto’, que vem do latino plaga ‘um golpe’. Existe mesmo a idéia de um ‘luta ritualizada ou dançada’ que faz parte de conotação de palavra de ‘jogo’.

Vemos o Webster Dicionário, jogo é: 1. Ação, moção ou atividade, especialmente livre, rápido ou leve. Leve contra o ‘peso’ do trabalho, livre contra o caráter necessário ou obrigatório de trabalho, rápido contra o estilo cuidadoso, refletido de rotina de trabalho. 2. Liberdade ou possibilidades de movimento ou ação. 3. Atividade feito para divertimento ou recreação – de novo, atividades não conectado com necessidade ou obrigação. 4 diversão, brincar – focar no caráter lúdico.[1]

Como vemos, a etimologia da palavra ‘jogo’, dá uma descrição da capoeira! Então, o jogo não é somente uma categoria, a onde a capoeira cabe, mas parece que a relação entre o jogo e a capoeira vai muito além; vendo a etimologia eles parecem até sinônimos!

 

Vendo o lado funcional da palavra jogo na sociedade, podemos entrar no campo sociólogo e educativo. A obra mais referencial em termos de jogo é Homo Ludens, de Huizinga[2]. Huizinga descreve a importância do jogo e da brincadeira como elementos necessários na produção da cultura e para a sociedade. Ele definiu o jogo como algo que: É livre, de fato é liberdade; Não faz parte da vida ‘ordinária’; É distinto da vida ordinária em termos de espaço e tempo; Cria ordem, é ordem, e demanda um ordem absoluta e suprema; Não é conectado com interesse material, não pode dar lucro ou vantagem.[3]

Quer dizer, que o jogo pede certas condições, um ordem, que pode ser traduzida como ‘regras’, mas que muitos mestres gostam de traduzir em ‘tradição’. Nas minhas entrevistas as diferenças entre ‘regra’ e ‘tradição’ são muitas vezes explicadas como a regra sendo algo imposto, até inventado, que diz o que tu podes e não podes fazer. Enquanto a tradição é alguma coisa voluntária, onde você entra porque você quer, que cria uma estrutura. Vendo a explicação da palavra ‘jogo’, podemos então entender melhor o porque se submeter a tradição: porque dá jogo!

 

Depois de Huizinga, várias obras foram escritas sobre o jogo e o aspecto lúdico, que se tornou então algo sério. E na educação e pedagogia já se sabe há muito tempo que a melhor aprendizagem acontece no jogo. Muitos gênios, criadores na sua área, na maioria do tempo ficaram brincando com a sua matéria, e assim descobrem novas maneiras, combinações e etc.

O importante do jogo é que ele proporciona uma aprendizagem significativa. Ele coloca o conteúdo aprendido num contexto a onde ele faz sentido. E assim funciona como uma ferramenta para aumentar o processo de auto-aprendizagem. Aprendemos e absorvemos melhor os conteúdos quando sentimos prazer em aprender.
Agora, há mais um outro ponto importante histórico e social porque a capoeira é um jogo: muitas vezes costumamos contrapor o jogo contra a luta: “Capoeira não é luta, é jogo.” A diferença principal entre os dois parece ser o aspecto lúdico; de fazer brincando. A luta não tem nada de lúdico não.

Num certo sentido, o lúdico nos faz rir das situações sociais, sem necessariamente nos dar um alternativa de comportamento. Ele não diz o que fazer, só nos mostra o ridículo. E isso é muito importante, para dar espaço para uma critica social.

E por isso a capoeira não se pode transformar em luta: a luta, destrói o jogo, (e então o lúdico) e com isso tira a possibilidade da critica social que a capoeira tem.. Quando vira luta, o que resta é a verdade única forçado pelo mais forte. E como o escravo já sabia, isto é o domínio do senhor, do opressor. Que não dá para encarar. Mas com malicia, mostrando humor e elegância, se pode enganar e assim derrotar o adversário. A verdade única tem o perigo de ficar tirânica: ela tem que ser balanceada com humor, com a gargalhada.

 

[1] Webster Dictionary, (1934)

[2] Huizinga, Johan (1938) Homo Ludens, Haarlem, Tjeenk Willink & Zoon N.V.

[3] Idem, p. 13