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Mestre Alexandre Batata: A palavra do Mestre – Graduações

Mestre Alexandre Batata: A palavra do Mestre – Graduações

 

Entrevista de Maíra Gomes retirada do Blog: Capoeira de toda maneira.

 

Uma das grandes discussões dentro da Capoeira é a questão da graduação. Muitas escolas desenvolveram seu próprio sistema, outras adotam o sistema de cordéis criados por Mestre Mendonça, há também o sistema da ABCP – Associação Brasileira dos Professores de Capoeira e não ter uma unificação ainda causa muita confusão. É aluno tirando mestre no jogo de compra, mestres sendo formados sem merecimento/tempo/história, grupos com sete graduações, outros com 20, nomenclaturas diferentes como grão-mestre, mestre mór, mestríssimo, enfim, ter um só padrão hierárquico facilitaria, mas é só isso?

 

Na semana passada enviei para alguns mestres a seguinte pergunta:  O que o senhor pensa sobre os diversos sistemas de graduação existentes da capoeira? A graduação deveria ser padronizada para todos os grupos?

 

A primeira postagem da série é especial, um panorama geral sobre as graduações ao longo da história da Capoeira. Com a palavra, Mestre Alexandre Batata:

 

“Maíra Gomes perguntou:

 

– Mestre, estou fazendo uma pesquisa, o senhor acha que os capoeiristas deviam usar a mesma graduação?

 

Aí… eu respondi:

 

– Queria poder responder a tua pergunta com um simples sim ou não, porém, pelo carinho que tenho por seu lado de investigadora (jornalista), resolvi abordar o tema.
Este assunto vem em bom momento histórico, a morte do Mestre Damianor de Mendonça. Vamos a história!

 

Poderia começar lá nos tempos ancestrais, da proposta no sistema hierárquico tribalista, onde o tempo por si só determinava o respeito: criança, jovem, adulto e velho, mas vou dar um pulo e vamos ao século XIX.

 

As maltas cariocas, aquelas da época descrita como A ERA DOS VALENTÕES por alguns historiadores, tinham um sistema de nomenclatura hierárquico. As crianças, que já tinham algumas funções na malta, eram os CARRAPETAS. Os adultos eram CAXINGUELESCAPOEIRA AMADORCAPOEIRA PROFISSIONAL e CHEFE DE MALTA. Perceba na hierarquia adulta os quatro tempos.

 

Mestre Bimba, aquele famoso baiano que em mais uma estratégia sincretista da capoeira criou a LUTA REGIONAL BAIANA, criou um sistema de graduação com QUATRO LENÇOS.
Durante a ditadura militar, com Presidente da República General Garrastazzu Médici. período mais agudo da Ditadura Militar, em 1968 havia sido publicado o Ato Institucional número 5, que suspendia direitos políticos, institucionalizava a censura e dava amplos poderes ao governo militar. Foi entre os anos de 1968 e 1973 também que o Brasil viveu o chamado Milagre Econômico, período no qual o país cresceu economicamente em níveis altos.

 

Havia um lema: BRASIL, AME-O OU DEIXE-O!

 

A capoeira em mais um sincretismo político entra nos “moldes”. Se filia ao Conselho Nacional de Desporto através Confederação Brasileira de Pugilismo e nos estados passa a ser dirigida pelas Federações de Pugilismo. Se não me engano, Rio, São Paulo e Bahia.

 

No Rio de Janeiro, Mestre Damianor de Mendonça criou o sistema de graduações de cordéis, nove fios trançados em três, cada três representava uma trindade. Não me recordo bem mas uma delas era O PAI,O FILHO E O ESPÍRITO SANTO. A ditadura era católica e para representar a hierarquia usa as cores da bandeira Brasileira, ou seja, do pavilhão nacional: verde, amarela, azul e branco. Olha os 4 de Novo. Tudo na mais perfeita ordem e progresso.

 

 

Uma curiosidade

 

A graduação era verde, verde e amarelo, amarelo, azul e amarelo, azul (Instrutor) verde -amarela-azul.(Contramestre) branco e verde ( 1º Grau de Mestre) , branco e amarelo (2º Grau de Mestre, 10 anos de Mestre), branco e azul (3º Grau de Mestre, 20 anos de Mestre) e o branco (3º e último estágio, 30 anos de Mestre).

 

No Rio de Janeiro foram graduados: Mestre Artur Emídio (CORDEL BRANCO), Mestre Djalma Bandeira cordel (Branco e azul), Mestre Luiz Américo – Mintirinha (CORDEL BRANCO E AMARELO) e a todos os outros Mestres, o CORDEL BRANCO E VERDE.

 

Mas, no começo dos anos 1980, surgem as federações de Capoeira. Aí bagunçou. Eu explico:

 

Com o intuito de formar uma Confederação Brasileira de Capoeira. As federações convidam todos os capoeiras a prestarem exames, criam-se seminários, palestras, cursos e outros blá-blá-blás.

 

Havia uma ameaça que os professores de Educação física tomassem o monopólio, conversa fiada. A capoeira estava engatinhando, já era matéria na Universidade Federal do Rio de janeiro e mais tarde na Gama Filho (particular).

 

Vamos falar do Rio, tá?

 

Na Primeira banca examinadora, mestres já renomados se predispuseram a colaborar. Provas escritas, exames de competência, alguns discordaram, mas a maioria participou. Parecia que ia funcionar.

 

Até então havia uma ética, os mestres sabiam quem era quem.
Como diz o Mestre Bocka: “Não havia código escrito e nem sempre era por telefone, porque muita gente não tinha. A gente se encontrava e perguntava, ‘Aquele seu aluno…….?’ ”

 

Mas surge a 3ª banca examinadora e começa a venda de cordéis.

 

Vamos voltar as graduações, a ideia do cordel era boa, mas o material por si só era complicado.

 

Quem tinha “meia dúzia” de alunos trançava na boa, dava um trabalho danado.

 

A Senzala, grupo que sempre foi referência, explodia na época.

 

Um designer de calça criado pela Quitéria deixa o capoeira com um estilo mais “maneiro”, tendência da moda. Nasce o Capoeira Wear. O silk screem está bombando, surgem camisas e camisetas.

 

Os eventos passam a ser todos com camisas iguais (o cara não tinha aluno bom e os amigos alinhavam em nome da capoeira)

 

Aí em Niterói, ou na Trindade, não sei onde foi a conversa, Rogério Loureiro de Carneiro, O Mestre Moreno (não sei se já era mestre nesta época), 1º Mestre formado da Angonal, saca a onda de pintar nas cordas da senzala as cores do Cordel. A galera tinha muito aluno, haja saco para fazer cordel. Corda dá trabalho, mas cordel dá mais.

 

Concluindo

 

A partir dos anos 80 perdeu-se a ética, que existia sim, vi muito mestre se juntar e fechar academia de aluno incompetente. Mas, quando as federações deram papeis, era lei. Eu vi federação mandar fechar casa de Mestres competentes que não queriam entrar na palhaçada que reinava.

 

O fenômeno no início de 1980 expandiu. A capoeira passa de centenas para milhares.

Aí chega o século XXI

 

Google que pariu!!!!! O êxodo para o exterior. Grupos disputando quem tem mais bandeira de país na camisa. O tráfico de material de capoeira para fora do país, tanto que hoje em dia fica difícil trazer qualquer coisa.

 

Caras com meses assumindo grupos, capoeiristas que vêm, queimam o filme e vão embora. Estrangeiros montando grupos, apoiados pela lei do seu país, e que nem querem ver mestre brasileiro como referência.
A capoeira chega a mais de 150 países. De milhares viram milhões. Milhões de escritores, compositores, inventores, criadores e bilhões de copiadores da média. Mas, dentre milhões, existe quem resista e trabalhe sério. FELIZMENTE A MÉDIA ESTÁ USANDO O TERMO ANCESTRALIDADE.
Para fechar, normalmente quando se faz workshop, oficinas, vivência (convivência), separa-se os grupos em turma de: INICIANTES, INTERMEDIÁRIOS, AVANÇADOS E PROFISSIONAIS.
Olha os quatro, criança, jovem, adulto e velho. 
E você, o que acha desse tema? Na próxima semana eu trago a opinião de outros mestres sobre a unificação das graduações. Não perca a gente de vista, siga o Blog Capoeira de Toda Maneira nas redes sociais.

Campo Grande promove gratuitamente o Curso Brincadeira de Angola do IBCE

Campo Grande promove gratuitamente o Curso Brincadeira de Angola do IBCE

Mestre que é referência nacional em capoeira infantil, ministra curso pedagógico para ensinar capoeira a crianças em MS

“Brincadeira de Angola” será ministrada entre está quinta-feira e domingo, no Instituto Mirim de Campo Grande.

Omri Breda, o mestre Ferradura, uma das principais referências em educação infantil nacional e internacional no ensino a capoeira, ministra nesta semana em Campo Grande um curso de formação pedagógica.

A capacitação é voltada para o ensino da capoeira a crianças, aplicando o método “Brincadeira de Angola”, que foi criado por ele.

O curso é uma iniciativa do grupo Conterrâneo Capoeira,de Campo Grande, liderado pelo mestre Antonio Marcos de Lima, o mestre Liminha, e tem o apoio da secretaria municipal de Cultura e Turismo (Sectur), por meio do Fundo Municipal de Investimentos Culturais (FMIC).

O curso “Brincadeira de Angola” vai ser promovido na sede do Instituto Mirim, na avenida Fábio Zahran, 6.000, em Campo Grande. Começa nesta quinta-feira (8) e vai até domingo (11). Hoje e sexta-feira a programação vai das 19h às 21h30. No sábado, das 14h às 19h e no domingo, das 10 às 12h. É gratuito e tem vagas limitadas.

Segundo o grupo Conterrâneo, foram disponibilizadas 100 vagas para a capacitação, para praticantes e não praticantes, e 30 grupos de capoeira de todo o estado já confirmaram participação, representando os municípios de: Água Clara, Aquidauana, Corumbá, Dourados, Miranda, Nioaque, Ponta Porã e Três Lagoas, entre outros.

 Capoeira Portal Capoeira

Em 2016, Ferradura esteve em Campo Grande ministrando um outro curso, “Vamos Vadiar Angola”, em que os participantes experimentaram um dia de vivência voltada à consciência corporal, jogos dinâmicos, musicalidade e expressão criativa na capoeira Angola.

Serviço

Mais informações sobre o curso pelo telefone: (67) 99233-4249.

Veja Também:

 

Fonte: https://g1.globo.com

Nova novela da Globo, “Segundo Sol”, terá Chay Suede como lutador de capoeira

Chay Suede será lutador de capoeira em “Segundo Sol”

Chay Suede promete surpreender com seu personagem na próxima novela das 21h da Globo, “Segundo Sol”.

Na história de João Emanuel Carneiro, o rapaz interpretará um lutador de capoeira*, filho perdido da mocinha Luzia (Giovanna Antonelli), que acabará se transformando em garoto de programa.

Ele integrará o mesmo núcleo dos atores Danilo Mesquita – o Nicolau de “Rock Story” – e Danilo Ferreira – o Zelito de “A Lei do Amor” -, que também viverão lutadores de capoeira na história.

“Segundo Sol” conta ainda em seu elenco com atores como Odilon Wagner, Cássia Kis, Francisco Cuoco, José de Abreu, Caco Ciocler, Maria Luísa Mendonça, Chay Suede, Armando Babaioff, Nanda Costa, Marcos Caruso, Letícia Colin e Vladimir Brichta.

A estreia da trama está agendada para 14 de maio, em substituição a “O Outro Lado do Paraíso”.

 

Mais Informações:

Roobertchay Domingues da Rocha Filho (Vila Velha, 30 de junho de 1992), mais conhecido pelo nome artístico Chay Suede, é um ator, cantor e compositor brasileiro.

Sua primeira aparição na TV foi na quinta temporada do programa Ídolos (2010), da Rede Record, no qual ficou em quarto lugar. Por sua popularidade entre os jovens, foi escalado para ser um dos protagonistas da versão brasileira da telenovela Rebelde (2011), onde surgiu a banda Rebeldes, na qual Suede fez parte de 2011 a 2013. Após o fim da banda, Suede lançou seu primeiro álbum, auto-intitulado (2013). Posteriormente, assinou contrato com a Rede Globo.

 

*  Nota do Editor:

“Vamos esperar que o ator treine bastante para melhorar suas aptidões na nossa arte-luta e represente dignamente nossa capoeira.”

DISCOS DE OURO DA CAPOEIRA

DISCOS DE OURO DA CAPOEIRA

“Não há dúvida: gostamos de ler porque através da leitura entramos em contato com nossos interesses profundos”.

OSWALDO COIMBRA – in “O que inibe o prazer de ler”, no DIÁRIO DO PARÁ, caderno VOCÊ, de 8/abril 2017

Não podemos “escurecer” a verdade: pelo menos entre os mais pobres ninguém gostava de ler no início dos anos 70, nem mesmo revistas. Se o assunto fosse Capoeira, nem revistas havia, que dirá livros… desde meados dos anos 60 circulava um “pequeno manual” com muitas figuras e quase nenhum texto, publicado pela “Edições de Ouro” cujo autor, Lamartine Pereira da Costa, era desconhecido no meio. O que se conhecia vinha de extensas obras baianas, ambas do mesmo período, 1965/68: breves biografias dos mestres antigos de Salvador, por Jorge Amado, em seu “Bahia de todos os Santos”, com desenhos raros de Carybé e o completíssimo “CAPOEIRA ANGOLA”, de Waldeloir Rego, marco insuperável.

Foi quando uma bela revista de amenidades juvenis chamada “POP” (abordando surf, skate, rock, moda, etc) passou a divulgar fotos de Capoeira com 1 jovem louro, modelo, que treinava com mestre “Camisinha” (depois “Camisa”) “no CÉU” – Casa do Estudante Universitário, no bairro do Flamengo e também no Clube Guanabara, em Botafogo. Timidamente, revistas de karatê e judô — como a “Artes Marciais” e a “CombatSport” — cediam página e meia para a Capoeira, a da Zona Sul carioca, pois da Zona Norte nada se sabia, nada se divulgava. Daí, cresceu o interesse por discos, quase sempre trazidos por alguém vindo lá de Salvador, lojas de discos e “sebos” do Rio nunca tinham.

O LP mais ouvido na época era o de mestre “Caiçara”, um certo “Academia São Jorge dos Irmãos Unidos de mestre Caiçara” (ou coisa parecida), com apito ridículo em algumas faixas. O de mestre Pastinha — com atabaque parecendo “caixa de papelão — poucos possuíam e do mais famoso, o de mestre Bimba, com livreto, só se ouvia falar. Eis que um dia… por um desses milagres do Destino surge o “Cordão de Ouro” vol. 1, de mestre Suassuna, definitivo, caprichado, inovador, surpreendente. Até na capa — uma tristeza nos LPs da época — há um toque de bom-gosto e expressividade, contrastando com os “rabiscos” dos demais LPs de Capoeira daquela década.

À revelia de meu irmão Renato, acrescento o disco de “Camafeu de Oxóssi”, essencialmente folclórico — embora com “meia banda” de Candomblé, tradição no período — à relação dos LPs que animaram casas e treinos dos “capoeiras” que precederam quase todos os atuais. Lá por 1978/80 o mercado estava “abarrotado” de discos e revistas, principalmente paulistas, com o programa “Malhação” da TV Globo dando espaço e atenção ao modelo (e Mestre) “Boneco” e, adiante, com Marcelo Farias. A editora EBAL — sempre na frente — publicaria uma revista inteira, com o Grupo SENZALA no Aterro do Flamengo, salvo engano no volume de estréia da “DÔ – revista de artes marciais”, com poster de todas as lutas.

Ainda dessa época 2 LPs interessantes e instigantes, os dos mestres “Limão e Limãozinho” e, na sequência, (1989?) “Natanael e Limão”. A título de curiosidade, um certo “Guimarães do Berimbau” e um LP de jongo e de Capoeira — com Júlio César Figueiró, o me. “Carioca” — inovaram o canto das ladainhas, abordando temas absolutamente incomuns, por volta de 1972.

E entramos nos anos 80, com os mestres “Acordeon” (e/ou “Jelon”, nos EUA)  e “Lua”, depois “Lua Rasta” (em Berlim, com o disco “Favela”) registrando seu trabalho no Exterior, creio que os primeiros a fazê-lo. Impossível não citar o Grupo ZAMBO, em Salvador — de um certo Onias “Comenda” — eternizando no LP “Eu, Bahia” seu Candomblé quase como “canto gregoriano” e o mordaz Sílvio Acarajé, o “Santo Malandréu”, improvisando em quase (ou mais de) 20 TOQUES ignorados. Relação alguma estará completa se deixar de fora 2 LPs antigos que nem de Capoeira eram: gravados ao vivo no Teatro Castro Alves, os “VIVA BAHIA” 1 e 2 nortearam o canto de “chulas” em meio  Brasil, sem nenhuma dúvida, nos primeiros anos dos 70. Aliás, entre 1967 e 74/75 vários artistas de renome — do cenário musical tupiniquim, nossa MPB  — gravaram “chulas da Capoeira” ou canções que a homenageavam, mesmo sem o uso de berimbau. Até vivendo e atuando no exterior, nossos ídolos não esqueceram dessa “dança-luta”, da força inconteste de seus toques e ladainhas. Está na obra de W. Rego relação imensa que comprova isso !

Martinho da Vila, Jackson do Pandeiro, Geraldo Vandré, o soteropolitano “Batatinha”,  Gil e Caetano — este, exilado em Londres — talvez Clara Nunes, Tom Jobim, Nara Leão, Bezerra da Silva  num disco nordestino por excelência… Elis Regina, Baden Powell , Paulo César Pinheiro e o negro  baiano (em 1972) ainda por ser “descoberto” ZÉ MARIA, gravando pela SOMA (depois, Som Livre) um LP histórico, pela força de sua mensagem e das melodias. Quer mais ?! Percussionistas como Djalma Corrêa e Papete, além de Airto Moreira  e Hermeto Paschoal !

 

DISCOS DE OURO DA CAPOEIRA Capoeira Portal Capoeira

 

Mas, LPs eram caros… as vitrolas e eletrolas mais ainda ! O bom “capoeira” comprava fitas cassette, as “copiava” e repassava para amigos e conhecidos. Os minigravadores eram baratos e práticos, cabiam em qualquer bolsa. Nossos dias assistem a um “boom” espetacular de CDs de Capoeira, alguns Grupos — como a Muzenza e o Abadá — já possuem vários… os velhos mestres vêm sendo registrados ! Me surpreendi com a qualidade do conteúdo — mais do que da forma, coral “sonolento” a lhes acompanhar — dos mestres “Boca Rica” e “Bigodinho”, provas vivas de que êles entendiam (e muito!) de musicalização, de que aprenderam bem com o “cantochão”  das Igrejas ao lado das quais a Roda existia.

A Capoeira ainda é FOLCLORE… resta saber até quando ! O canto em grupo, nesse caso, é A ALMA da “atividade física”  (seja ela dança, jogo, luta, “brinquedo”) e não admite relaxamentos nem pouco interesse. Os Angoleiros, em seus CDs, vêm mantendo essa chama… canta-se com o coração, com emoção, ligado ao sentimento interior que sustenta e movimenta nosso amor pela Capoeira.

Relações de livros, jornais, revistas e de gravações de nossa Arte-Luta são essenciais, pois contam a história desse Folclore-“esporte”, talvez o único no Mundo com tanto material publicado, enquanto atividade de um povo, de uma Nação inteira. Quiz o Destino reunir num só tempo e lugar — isso vai dar o que falar ! — os 2 nomes mais proeminentes, mais DESTACADOS da Capoeira contemporânea… “traduzindo”, de 1978/80 até esse 2018. Contudo, os velhos Mestres baianos, vivos ou não, continuam como REFERÊNCIA… de um tempo que se foi !

José Tadeu Carneiro com os pés — por vezes um ou outro braço — e o “vagabundo confesso da Turma de 71”   Nestor Passos representam o novo tempo dela em boa parte do Brasil e em trechos do Mundo. Juntos num filme que não deu certo, não se sabe por quê, o “Cordão de Ouro” de 1975/76, os mestres “Camisa” e Nestor “Capoeira” recriaram e moldaram — um com o corpo e o outro com a caneta (ou cabeça) — os destinos modernos da Capoeira universal, sem querer tirar os méritos de dezenas/centenas de outros Mestres nacionais, agindo e pensando da mesma forma.

Com seu “Pequeno Manual do JOGADOR de Capoeira” (1977?) nosso “Paulo Coelho do berimbau” — num calhamaço  que de pequeno nada tem — dá o primeiro passo, o mais importante, para desestigmatizá-la, tirar-lhe a pecha de LUTA, “barulho”, confusão. Desnuda-a de suas vestes de “navalhista” ou “faquista”, dá-lhe porte, filosofia — suponho (!?) que dos velhos mestres — novo comportamento, outra direção. Ambos no (e do) Grupo SENZALA inicialmente, com “Camisa” abrindo frentes de expansão jamais imaginadas por outros mestres da época e conquistando espaços no Exterior.

As obras de Nestor “Capoeira” não são de fácil leitura, os praticantes continuam arredios a livros, mas alguém os consulta, pois seus escritos estão em quinta ou sexta edição. Em reportagens de 1987/89 meu irmão Renato “Leiteiro” — em Belém, prof. “Carioca” — reclamava da violência da prática e afirmava que “as regras terminam quando começa o jogo”… esse tempo findou, a Capoeira nacional pode até não estar inteiramente unida, mas o período SUICIDA de disputas e desavenças  ficou no Passado… naquela “Capoeira pra matar / (…) na “dança da Morte” do lugar”, que Jair Rodrigues consagrou.

 

 

Agora é cantar E ENCANTAR em mais de 250 CDs –sambas à parte, que outro Folclore ou esporte tem tantos ?! — e sonhar que o tempo de ler E DE ESCREVER sobre Capoeira, seus Mestres e Grupos recomece. Axé, camaradas !
“NATO” AZEVEDO – em 25/26 fev. 2018

 

OBS: escrito à luz de velas, 180 DIAS “na escuridão… injustamente !


(adendo) DEPOIMENTO — prof. “CARIOCA”

Estranhamente, embora eu tivesse vários discos praticamente não os  ouvia, pois quem deveria conhecer muitas músicas eram os condutores de Rodas. Assim, quando realmente ouvi muitas músicas foi aqui (em Belém) aonde fui conhecido como um dos “cabeças” das Rodas dominicais da Praça da República, além de visitar vários Grupos expressivos.

Aí cheguei a ter 40 fitas, sendo as que mais gostei foram: João Grande, J. Pequeno, Paulo do Anjos, Angoleiros do Sertão, me. “Fanho”, Deraldo, entre outros. Em 2017 tomei um susto… recebi indicações de CDs extremamente bonitos e importantíssimos para a Capoeira como: “Boca Rica e Bigodinho”, Rafael de Lemba, me. Angolinha, CD-álbum do me. Pernalonga, Lua Negra e o importante e envolvente mestre “Marrom”, num CD-álbum que mata a saudade de todos os que gostam das músicas antigas ! (RENATO P. AZEVEDO – prof. “Carioca”)


Aos interessados em pesquisar sugiro consultar: www.overmundo.com.br/download.../pequena-discografia-da-capoeira-texto-de-leiteiro

correntelibertadora.blogspot.com/2012/…/mais-de-100-cds-para-baixar

Escrito por: CINCINATO PALMAS AZEVEDO

Auetu! A Capoeira Angola No Fio Da Navalha

Auetu! A Capoeira Angola No Fio Da Navalha

“o documentário apresenta entrevistas com inúmeros mestres, amigos e camaradas apreciadores da luta que virou arte”.

A Capoeira Angola é uma grande árvore nascida no Brasil, com longas raízes que se alimentam na África, continente que viu seus filhos serem capturados e comercializados pelos brancos do Velho Mundo. Nas voltas que o mundo deu, essa triste história gerou frutos de resistência e alegria até onde a diáspora alcançou. A Capoeira Angola foi a tática que os negros escravizados criaram para lutar pela liberdade no Brasil. Sábios, souberam fazer do corpo, arma; da vivência, filosofia; do pouco, muito, como diz a ladainha.

Auetu! A Capoeira Angola No Fio Da Navalha Capoeira Portal Capoeira 1

“Auetu! A Capoeira Angola No Fio Da Navalha” trata, ao resgatar as origens desta arte até os dias de hoje, na Região da Grande São Paulo.

O pano de fundo é a Casa de Capoeira Angola No Fio Da Navalha, localizada na cidade de Santo André, entretanto, como o próprio grupo afirma, são apenas um pequeno galho dessa majestosa árvore. E como não se pode compreender um galho sem olhar para seu tronco, o documentário conta essa história pelas vozes de grandes Mestres, e também de alunos, discípulos e camaradas.

Auetu! Significa “e quem assim seja” em Kibundu, dialeto Bantu. E é com a intenção de olhar para o presente sem esquecer do passado que o filme procura celebrar esta rica herança deixada pelos nossos antepassados.

 

 

Ficha técnica

  • Direção: André Silvério [ Iso ]
  • Argumento e Ass. de Direção: Alan Oju
  • Produção: Zé Pedro
  • Produção Executiva: André Silvério
  • Fotografia: André Silvério [Isografia]
  • Som direto e mixagem: Raoni Gruber
  • Ilustrações e Capa: Victor Fão
  • Edição, Animação e Finalização: André Silvério

 

Santo André, Brasil, 2014

Só se melhora a capoeira, melhorando o capoeirista

Só se melhora a capoeira, melhorando o capoeirista. (Mestre Camisa)

Porque você começou a praticar capoeira? Se essa pergunta for feita para qualquer capoeirista, rapidamente ficará claro como um processo de REGULAMENTAÇÃO será nocivo ao futuro da capoeira, ele poderá limitar e eliminar diversas passagens que temos em nossas memórias, situações que são frutos da liberdade e diversidade que a capoeira possui em sua essência. Liberdade de se expressar, diversidade de estilos, enfim, uma riqueza infinita que confunde nossa sociedade fazendo com que ela pense que a padronização é o caminho para organização. Organizar o que? As pessoas ou a arte? As pessoas devem se profissionalizar e a arte tem que ser arte em sua essência, manifestando das formas mais improváveis para inspirar, atrair novos seguidores e admiradores.

Foi essa liberdade que me manteve na capoeira, eu sou produto dela, já treinei na rua, clubes, academias, garagem de prédios, garagem da minha casa, praças, ou seja, em todo canto.

As vezes sou abordado com a seguinte pergunta: O que é a capoeira? Na mesma hora me vem na cabeça um dos ensinamentos do Mestre Camisa. Capoeira é o que o momento determinar. Pode ser um jogo, uma luta, uma música, um artesanato, uma profissão, um show, um remédio, uma poesia, depende do momento. Mas pra nós capoeiristas ela sempre será a capoeira. Então, pra você o que é a capoeira? Não tenha dúvida, capoeira é capoeira, o momento em que determina sua compreensão.

Estou fazendo essa pequena introdução para mostrar o quão é importante essa liberdade da capoeira, uma arte adaptável, inclusiva e genuinamente brasileira. Sempre fazendo curvas para sobreviver sem perder a tradição e suas origens, tendo a oralidade como principal caminho do seu entendimento pleno. Acredito que seu desenvolvimento deve ser eterno, sempre respeitando o seu passado e suas origens.

A sociedade atualmente está discutindo sobre A REGULAMENTAÇÃO DA CAPOEIRA COMO PROFISSÃO, uma situação que vem gerando dois cenários. De um lado pessoas que entendem que é necessário esse processo e do outro lado, pessoas que entendem que esse caminho será prejudicial a capoeira.

Venho acompanhando diversas opiniões sobre o tema e percebo que existe um tremendo equívoco na maioria das pessoas que se posicionam a favor, pois a REGULAMENTAÇÃO DA CAPOEIRA COMO PROFISSÃO é muito diferente da PROFISSIONALIZAÇÃO DO CAPOEIRISTA. Reparem no significado de Profissionalização que é um ação ou efeito de profissionalizar ou profissionalizar-se. Processo de treinamento para obter certo nível profissional ou para alcançar maior habilidade num determinado trabalho; capacitação. Agora compare o significado de Regulamentação que é uma ação ou efeito de regulamentar, imposição de regras, regulamentos, conjunto de normas. Ato de fixar por meio de regulamento. Conjunto de medidas legais ou regulamentares que regem um assunto.
Perceberam a diferença?

É nesse ponto, que a meu ver, está acontecendo uma grande confusão. Muita gente que é a favor está entendendo que os benefícios que desejam, só serão conquistados por meio deste processo de REGULAMENTAÇÃO DA CAPOEIRA ENQUANTO PROFISSÃO.

 

Essa confusão de entendimento é muito grave. 

Se você é a favor da REGULAMENTAÇÃO DA CAPOEIRA ENQUANTO PROFISSÃO e defende essa posição porque tem consciência das consequências e resultados que serão gerados, eu respeito e entendo já que é uma questão individual e vivemos em uma democracia.

Agora, defender a REGULAMENTAÇÃO DA CAPOEIRA ENQUANTO PROFISSÃO porque você acha que terá mais reconhecimento, benefícios trabalhistas, organização e outros. Lamento, mas estão escondendo de você as verdadeiras intenções. Já existem diversos dispositivos legais que contemplam muitos dos anseios de quem acha que só vai alcança-los se a capoeira for REGULAMENTADA ENQUANTO PROFISSÃO, as pessoas precisam se informar melhor. Qualquer pessoa pode pagar o INSS para se aposentar, qualquer pessoa pode se inscrever no programa de Micro Empreendedor Individual e emitir nota fiscal como professor ou como artesão, qualquer pessoa pode elaborar um projeto nas leis de incentivo, qualquer pessoa pode organizar um evento de capoeira, basta investir na capacitação e no profissionalismo.

Para o fomento de ações temos as leis de incentivo à cultura e ao esporte nas esferas federal, estaduais e municipais. Sobre a educação temos a lei 11.645/08 que traz em seu artigo 26-A a obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena em todos os estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio público e privado. No tema profissão temos o Art.170 da nossa CONSTITUIÇÃO FEDERAL que diz em seu parágrafo único que é assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.

Para o reconhecimento temos o Estatuto da Igualdade Racial – Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010 que em seu Art. 20 diz que O poder público garantirá o registro e a proteção da capoeira, em todas as suas modalidades, como bem de natureza imaterial e de formação da identidade cultural brasileira, nos termos do art. 216 da Constituição Federal. E no Parágrafo único deste mesmo artigo diz que O poder público buscará garantir, por meio dos atos normativos necessários, a preservação dos elementos formadores tradicionais da capoeira nas suas relações internacionais. Ainda tem o Art. 22 que diz A capoeira é reconhecida como desporto de criação nacional, nos termos do art. 217 da Constituição Federal. § 1o A atividade de capoeirista será reconhecida em todas as modalidades em que a capoeira se manifesta, seja como esporte, luta, dança ou música, sendo livre o exercício em todo o território nacional. § 2o É facultado o ensino da capoeira nas instituições públicas e privadas pelos capoeiristas e mestres tradicionais, pública e formalmente reconhecidos.

E mais, em 2008 a roda de capoeira e o ofício de mestre foram inscritos no Registro dos Saberes pelo Iphan. Depois a roda de capoeira, que é onde se reúne tudo que engloba a capoeira, foi reconhecida pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A escolha foi feita durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, em Paris, em 26 de novembro de 2014.

Nenhum esporte olímpico tem esse reconhecimento, nenhuma luta tem esse reconhecimento, nenhuma religião tem esse reconhecimento, nenhum time de futebol tem esse reconhecimento, nenhuma banda famosa tem esse reconhecimento e a nossa capoeira conquistou isso graças a sua diversidade e liberdade!
Precisamos ser profissionais de fato. No meu entender, a profissionalização está totalmente relacionada a pessoa que exerce a profissão. É uma ação que depende somente do individual. Será que todos os capoeiristas ao longo dos anos preocuparam com sua formação? Será que todos preocuparam em se instruir? Todos preocuparam com a forma de se comportar perante a sociedade?

Bom, se analisarmos dentro do tri pé, valorização, reconhecimento e profissionalização de qualquer profissão e/ou atividade, em uma rápida pesquisa chegaremos à conclusão que houve um marco na história onde esses objetivos começaram a ser alcançados, um ponto de partida, uma movimentação totalmente ligada ao agente que a representa, pois foram suas atitudes, dedicação, doação e profissionalismo que produziram esse resultado.

Se repararmos em outras áreas, conseguiremos ver que em algum momento da história, um agente ou um conjunto de pessoas, foram a mola propulsora para que uma profissão ou arte alcançasse novos ares e viesse a ter seu pleno desenvolvimento e reconhecimento. Pense nos grandes historiadores que deram o devido valor a sua profissão, pense nos grandes pintores, nos grandes jogadores de futebol, nos grandes médicos, nos grandes advogados, eles deram valor a sua profissão. O mérito individual de cada um, dignificou o ofício por eles representado.
No caso da capoeira é fácil identificar os grandes capoeiristas que contribuíram mundialmente e contribuem para que esse processo de evolução cultural esteja sempre em movimento.

Só se melhora a capoeira, melhorando o capoeirista Publicações e Artigos Portal Capoeira 1

E você o que está fazendo pela capoeira?

Entendo que sempre podemos fazer algo diferente para valorizar nossas ações. Se o vendedor de picolé começar a melhorar o seu serviço, com certeza ele vai vender mais e será mais valorizado. Basta ele começar a imprimir mais qualidade, mais seriedade, mais comprometimento, estar atento ao que está acontecendo ao seu redor e no mundo, melhorar seus equipamentos, melhorar o atendimento, ser mais comprometido, melhorar a matéria prima usada para fazer seu picolé, enfim, ficar atento aos detalhes e entre linhas para fazer a diferença.

Será que os capoeiristas que estão defendendo a regulamentação da profissão, achando que isso trará mais resultados e benefícios, estão atentos aos detalhes e as entre linhas para fazerem a diferença?
Quem precisa de reconhecimento é o capoeirista ou a capoeira? O capoeirista está investindo nele para ter esse reconhecimento?

Eu aprendi que a profissão do capoeirista é ser um poli artista, estar preparado para agir e atuar de acordo com que o momento determinar. Como diz meu Mestre, “Nem tudo que é bom para o capoeirista é bom pra capoeira, mas tudo que é bom pra capoeira é bom para todos os capoeiristas.”

Sendo assim, eu não sou a favor da regulamentação pois entendo que esse processo não vai fazer a capoeira ter reconhecimento. Esse processo vai engessar a capoeira e vai criar uma desigualdade política e cultural a nossa arte, prejudicando o grande público que vive da capoeira e precisa dela. É muito claro os desdobramentos gerados por uma regulamentação de profissão. Podemos citar a criação de sindicatos de classe, reserva de mercado, perseguição política, limitação da criatividade e liberdade, direcionamento, manipulações, enfim, todas as conquistas que a capoeira conseguiu ao longo dos anos serão prejudicadas.

Hoje estamos em um novo momento, um momento de encontro de aproximação dos diversos estilos, um momento de estudo e troca de saberes. Sou a favor de muitos congressos, fóruns, simpósios, seminários e outros mecanismos de encontro e discussão de ideias, mas penso que eles devem ser desenvolvidos pelos capoeiristas. Agradeço aos admiradores da capoeira, mas se querem nos ajudar que tragam o caminho das pedras, mas deixem que os capoeiristas andem por eles.
Obrigado e pode ter certeza que estaremos cada vez mais unidos para que as nossas diferenças continuem sempre crescendo em harmonia, com liberdade de escolha e comprometidos com a construção desse painel cultural que se chama capoeira.

Leonardo Dib
Boiadeiro – ABADÁ-CAPOEIRA
leonardoboiadeiro@yahoo.com.br

Capoeira? Não existe. O capoeirista sim.

Capoeira? Não existe. O capoeirista sim.

Professor Me. André Luis de Oliveira, professor de Educação Física pela Unesp – Rio Claro (1989), Especialista em Educação Física pela Unesp – Rio Claro (1990), Mestre em Educação pela PUC/SP (1993), Professor de Culturas Corporais de Lutas da Uninove (SP), Professor de Capoeira da Projete Liberdade Capoeira.

Resumo:

A capoeira normalmente é tratada como algo que tem existência em si, separada de seu sujeito, o capoeirista. Assim, esse trabalho resgata na literatura a origem do nome “capoeira”, seus significados possíveis e sua relação com o jogo-de-luta-dançada capoeira. Por fim, se quer recuperar a importância do professor ou mestre de capoeira: os que dão existência a ela.

Etimologia da palavra capoeira.

A palavra “capoeira”, esta longe de ser precisamente definida na sua origem. Isto porque há dois vocábulos, um de origem portuguesa e outro de origem do tupi, que podem ter originado capoeira para designar luta e como é usado em nosso país. Assim, o termo “capoeira” é registra a primeira vez no ano de 1712 (Bluteau in ARAUJO, 2004), e “usado para designar cesto, gaiolas ou locais determinados para se guardar aves” (ARAUJO, 2004, p.17). Para o vocábulo Tupi, que somente no século XIX aparece referenciado (op.cit. p.17), “capoeira” seria a junção de “ka’a”, mata e “PÛER”, passado, velho, superado, que já foi. Em tupi existe o tempo do substantivo. (NAVARRO, S/D). Assim, capoeira seria lugar que foi mata, mas já não é mais.

Também o termo tem sito usado para designar um tipo de ave: uru ou capoeira (Odontophorus capueira, Spix, 1825 in http://www.taxeus.com.br/especie/odontophorus-capueira).

 

A palavra “capoeira” para designar um indivíduo associado a um modo de conduta onde a luta física é usada, aparece somente em 1789, e esta registrado no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro (ANRJ — Tribunal da Relação — cód. 24, livro 10) e foi apontado por Cavalcanti (2004): O mulato Adão, escravo de Manoel Cardoso Fontes, comprado ainda moleque, tornou-se um tipo robusto, trabalhador e muito obediente ao seu senhor, servindo-lhe nas tarefas da casa. Manoel resolveu explorá-lo alugando-o a terceiros como servente de obras, carregador ou outro qualquer serviço braçal. Tornou-se Adão deste modo uma boa fonte de renda para seu senhor. Com o passar do tempo, o tímido escravo, que antes vivera sempre caseiro, tornou-se mais desenvolto, independente e começou a chegar tarde em casa, muito tempo depois do término do serviço. Manoel questionava-o: o que levava à mudança de conduta? As desculpas eram as mais inconsistentes para o senhor. Até ocorrer o que já o preocupava: Adão não mais voltou para casa. Certamente fugira para algum quilombo do subúrbio da cidade. Para sua surpresa, Manoel foi encontrar Adão por trás das grades da cadeia da Relação. Havia sido preso junto a outros desordeiros que praticavam a capoeira. Naquele dia ocorrera uma briga entre capoeiras e um deles fora morto. Crimes gravíssimos para as leis do reino: a prática da capoeiragem, ainda resultando em morte. No decorrer do processo constatou-se que Adão era inocente quanto ao assassinato, mas foi confirmada sua condição de capoeira, sendo, por isso, condenado a levar 500 “açoites” e a trabalhar “dois anos nas obras públicas”. Seu senhor, após Adão cumprir alguns meses de trabalho e ter sido castigado no pelourinho, solicitou ao rei, em nome da Paixão de Cristo, perdão do resto da pena argumentando ser um homem pobre e, portanto, muito dependente da renda que seu escravo lhe dava. Comprometeu-se a cuidar para que Adão não mais voltasse a conviver com os capoeiras, tornando-se um deles. Teve o pedido homologado pelo Tribunal em 25.04.1789.

 

Esta citação desmitifica alguns mitos em torna da capoeira:

  • A referência mais antiga da luta capoeira é carioca, para decepção dos baianos;
  • Capoeira, nas origens, está associada à contravenção e suas referências históricas mais antigas encontram-se em boletins de ocorrência, e não como prática lúdica entre escravos (jogo);
  • Capoeira aparece em meio urbano, não em fazendas, senzalas ou quilombos;
  • Capoeira é usada como luta de escravo contra escravo, de escravo contra policia quando são reprimidos ou entre maltas de capoeiras, e não como “mandinga de escravos em ânsia de liberdade” (Mestre Pastinha apud Zulu, 1995, p.6);
  • Capoeira como luta só aparece referendada a partir do final do século XVIII (1789) e não com a vinda dos primeiros escravos (1539).

O que, neste momento, me parece mais importante a tudo isto, é a associação da prática ao praticante. “Capoeira”, a partir de um processo associativo entre etimologia da palavra + atitudes e ações dos indivíduos pertencentes a grupos marginalizados + manifestações corporais de caracterizadas por exercícios de agilidade e destreza corporal, segundo Araújo (2004, p. 49) poderemos ter:

  • Muitos dos indivíduos considerados capoeiras eram malfeitores;
  • Alguns dos indivíduos considerados capoeiras eram apenas fugitivos;
  • Alguns dos indivíduos considerados capoeiras, logo malfeitores, eram praticantes da capoeiragem;
  • Alguns dos indivíduos considerados capoeiras, logo fugitivos, eram praticantes da capoeiragem;
  • Alguns dos indivíduos praticantes da capoeiragem, e considerados capoeiras, não eram malfeitores nem fugitivos.

A partir da análise semântica e histórica, Araújo (op.cit. p. 50) conclui que:

“Muitas das expressões (capoeira) que atentavam contra a ordem pública nem sempre foram realizadas por aqueles que praticavam e exerciam a luta/jogo de agilidade e destreza, e que a atribuição de culpa a eles era por demais perniciosa tanto para a manifestação referida como para os seus executores”.

Soares (1999) corrobora com essa associação de sujeito e prática ao falar de outro personagem. O “capoeiro”, escravo carregador dos grandes cestos (capoeira), assim como açougueiro, leiteiro e aguadeiro formariam os ofícios da escravaria urbana. (SOARES, 1999). Para Rios Filho (in SOARES, 1999 p.23) capoeira luta teria nascido das disputas da estiva destes “capoeiros”, nas horas de lazer, nos “simulacros de combate”, que pouco a pouco se tornaram hierarquias de habilidades, onde se duelava pela primazia no grupo. Dessas disputas de perna teria nascido o “jogo da capoeira” ou dança do escravo carregador da capoeira. Ou seja, nem todo capoeira era jogador de capoeira.

Vê-se assim que associar capoeira (luta) ao capoeira (sujeito contraventor) foi sempre uma constante, mesmo quando descabida. O artigo 402 do Decreto Lei número 847, de 11 de outubro de 1890 (capítulo XIII – Dos vadios e capoeiras) também não faz nenhuma distinção entre “exercício de agilidade e destreza corporal conhecida pela denominação Capoeiragem” e malfeitor, contraventor, homicida, assassino, fugitivo, ladrão. Todos eram capoeiras e considerados praticantes da capoeiragem (exercício de agilidade e destreza corporal) e punidos no rigor da lei. Araújo (2004, p.59) corrobora a isto afirmando que:

“Acreditando que as autoridades judiciais, ao identificarem uma prática corporal de caráter lúdico ou mesmo de luta e desconhecendo sua origem e denominação, por certo, vincularam-na diretamente aos indivíduos dos grupos marginais (capoeiras) que as realizavam, depreendendo-se daquela manifestação de agilidade e destreza corporal que se lhes apresentava como sendo uma luta/jogo de capoeiras, evidenciando-se preponderantemente, neste caso, o vocábulo designativo de tais personagens como determinante para a qualificação nominal da coisa.”

Corriqueiramente, associamos práticas e profissões a determinados indivíduos, ou seja, a prática ou ofício vai denominar o praticante ou profissional. Assim temos:

  • Advogado, aquele que advoga, defende (alguém ou alguma causa) em juízo ou fora dele;
  • Artesão, aquele que faz arte e técnica do trabalho manual não industrializado, artesanato,
  • Estivador, trabalhador portuário que, recebendo a carga de um navio, a arruma devidamente no porão ou num compartimento, ou a descarrega de bordo, estiva;
  • Jogador, aquele que tem por profissão jogar ou aquele que joga;
  • Marceneiro, aquele que trabalha com marcenaria, artesão ou operário industrial que trabalha com madeira em tábua;
  • Mecânico, aquele que monta, conserva e conserta máquinas e motores;
  • Professor, aquele que professa uma crença, uma religião ou aquele que ensina, ministra aulas;
  • Torneiro: aquele que trabalha com o torno.

No caso da capoeira (jogo/luta), não é o que ocorre. O sujeito CAPOEIRA vai nomear sua prática de jogo-de-luta-dançada – a capoeira, e não ao contrário. A expressão corporal capoeira foi denominada por indivíduos que receberam a mesma denominação. O Capoeira era um personagem que não tinham um meio de subsistência e domicílio certo, vivia em mocambos nas matas próximas (capoeiras) às vilas e cidades, logo um “capoeiro”, e que através do uso popular e de adaptações vocabulares popularizou-se e afirmou-se como sendo a luta/jogo do (indivíduo) capoeira, ou da capoeira, pois tal prática vinha destes espaços. Com o tempo passou-se a denominar exclusivamente como capoeira (ARAUJO, 2004, p.60).

 

O Capoeira: quem é ele hoje?

Como vimos, capoeira jogo/luta é uma prática típica brasileira associada a um personagem histórico (o Capoeira) visto e perseguido como contraventor, embora não o fosse sempre. Vimos também que o praticante dá nome a pratica e não ao contrário: o modo de vida do capoeira é capoeiragem; a luta criada pelo capoeira é a capoeira. Posto isto, vê-se que a capoeira jogo/luta está estritamente ligada a seu praticante: o capoeira, hoje chamado de capoeirista. Sozinha, ela não existe.
No Brasil, estima-se 6 milhões de praticantes (ATLAS DO ESPORTE NO BRASIL, 2014). Há uma certa unanimidade em gratidão a essa prática. Numa pesquisa simples e rápida, encontram-se dezenas de depoimentos e músicas aludidos a uma gratidão e ajuda da capoeira:

 

  • Agradeço a capoeira do fundo do coração (http://www.realcapoeira.ru/capoeira/song/agradeco-a-capoeira-m-casquinha);
  • Agradeço à capoeira, Por todo que me ensinou Sou de coração marcado, Por essa arte que o negro criou (https://es-la.facebook.com/permalink.php?story_fbid=141225046061135&id=124456147738025 visto em 16/nov/2014);
  • Agradeço a Capoeira, Do fundo do meu coração, Pra vocês todos os presentes, Eu dedico essa canção (http://www.capoeira-music.net/all-capoeira-songs/all-capoeira-corridos-songs-m/mandei-cair-meu-sobrado/ visto em 16/nov/2014);
  • Um dia a capoeira ela lhe ajudou, Tirou você da miséria lhe transformou; Você não sabe o valor que a capoeira, tem, Ela tem valor demais, Ê se segura rapaz; A Capoeira me ajudou. Ela me fez ser na vida. Hoje quem eu sou (http://capoeiralyrics.info/Songs/Details/2104 visto em 16/nov/2014); .
  • Agradeço a Capoeira, Por tudo que me tornei, Hoje estou aqui rimando, Foi nela que me criei (http://www.ondeachocapoeira.com/ondeacho/noti_detal.php?id=585&pag=1&tipocat= visto em 16/nov/2014);
  • Agradeço à capoeira porque ela me resgatou; Acho a capoeira um apoio de vida porque ela me tirou de muita coisa ruim http://www.vitoria.es.gov.br/noticias/noticia-9015 visto em 16/nov/2014);
  • A capoeira me ajudou; A capoeira vai me curar (http://www.capoeira-music.net/all-capoeira-songs/all-capoeira-corridos-songs-m/mas-que-saudade/ visto em 16/nov/2014);
  • Ela é quem me ensinou, É ela quem vive a me ensinar, Ela é quem me ajudou https://www.facebook.com/pages/M%C3%BAsicas-Da-Abad%C3%A1-Capoeira/543758379075509 visto em 16/nov/2014);
  • Ela me ajudou não só no meu físico, mas também na parte de caráter, responsabilidade, disciplina (http://m.tvg.globo.com/novelas/malhacao/2012/por-tras-das-cameras/noticia/2013/04/rodrigo-simas-declara-sua-paixao-pela-capoeira-eu-ginguei-antes-de-andar.html visto em 16/nov/2014);
  • “E foi a capoeira que me ajudou a levantar da cadeira de rodas” a capoeira vem trazendo reflexos na vida escolar e nos planos para o futuro (http://quiririmnews.com.br/seminario-gera-inclusao-social-na-cecap/#.VGk7FPnF9vA, visto em 16/nov/2014)

Será mesmo que se deve agradecer à capoeira? Será que a capoeira jogo/luta tem esse poder de, sozinha, fazer tanto pelas pessoas?

De tal maneira, muito se tem escrito sobre as contribuições da capoeira para a Educação em geral e a Educação Física em particular – FALCÃO, 1996; FREITAS, 1997, 2003, 2005, 2007; MENEZES, 2007; RADICCHI, 2013; REIS, 2001, 2006; REIS, 2011; RIBEIRO, 1992; SILVA, 1993; SILVA e HEINE, 2008. Mas como a capoeira jogo/luta faz isso dissociado de seu produtor, fazedor ou professor/mestre?

No momento em que se produz este texto, discute-se o projeto de lei destinado a reconhecer a prática da capoeira como profissão (PLC 31/2009). A visão predominante é de que regulamentação só será legítima se reconhecer a capoeira como atividade multidimensional – ao mesmo tempo luta, dança e arte – além de fator de socialização, criação de identidade e de transmissão de memória ancestral. Parece-nos tão relevante quanto esta legalização é a definição de quem será este profissional: qual sua formação mínima? Em quanto tempo? Qual sua escolaridade/capacitação? Quais instituições estarão autorizadas a capacitá-lo? Quem serão os capacitores destes profissionais?

Capoeira? Não existe. Capoeirista sim.

 

Referências Bibliográficas

ARAÚJO, Paulo Coêlho de. Capoeira: um nome – uma origem. Juiz de Fora, MG: Irmãos Justiniano, 2004.
CAVALCANTI, Nireu O. Crônicas históricas do Rio colonial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira/FAPERJ, 2004.
FALCÃO, José L.C. A escolarização da capoeira. Brasília: Royal Court, 1996.
FREITAS, Jorge L. Capoeira infantil: a arte de brincar com o próprio corpo. Curitiba: Ed. Gráfica Expoente, 1997.
_______________. Capoeira infantil: jogos e brincadeiras. Curitiba: Torre de Papel, 2003.
_______________. Capoeira pedagógica. Curitiba: O autor, 2005.
_______________.. Capoeira na educação física: como ensinar? Curitiba: Editora Progressiva, 2007.
MENEZES, Lilia B. Capoeira; benefícios psicofisiológicos. Niterói: La Salle, 2007.
NAVARRO, Eduardo. Curso elementar de Tupi antigo. http://tupi.fflch.usp.br/node/16 visto em 12 de novembro de 2014.
RADICCHI, Marcelo R. Capoeira e escola: significados da participação. Várzea Paulista: Fontoura, 2013.
REIS, André L.T. Educação física & capoeira: saúde e qualidade de vida. Brasília: Thesaurus, 2001.
______________. Capoeira: saúde e bem estar social. Brasília: Thesaurus, 2006.
REIS, Ronaldo. Capoeira, educação e educação física: inter-relações e práticas pedagógicas. São Paulo: Livro Pronto, 2011.
RIBEIRO, Antonio L. Capoeira: terapia. Brasília: Secretaria dos Desportos, 1992.
SILVA, Gladson de O. Capoeira: do engenho à universidade. São Paulo: O autor, 1993.
SILVA, Gladson de O. e HEINE, Vinícius. Capoeira: um instrumento psicomotor para a cidadania. São Paulo: Phorte, 2008.
SOARES, Carlos Eugênio Líbano, A negregada instituição: os capoeiras na Corte Imperial, 1850-1890. Rio de Janeiro: Access, 1999.
TÁXEUS, Listas de espécies. http://www.taxeus.com.br/especie/odontophorus-capueira, visto em 13 de novembro de 2014.
ZULU. Idiopráxis de Capoeira. Brasília: Editora do Autor, 1995.

 

Autor:
André Luis de Oliveira
Mestre em Educação – PUC/SP, Projete Liber…

Cidade

Embu das Artes – SP

VI Mostra Itinerante de Capoeira Angola em Porto Alegre

VI Mostra Itinerante de Capoeira Angola em Porto Alegre

De 14 a 17 de março acontecerá a VI Mostra Itinerante de Capoeira Angola em Porto Alegre, uma proposta cultural que tem por objetivo promover a prática e a preservação desta cultura e arte ancestral afro-brasileira, ampliando seu acesso através de palestras, oficinas, exibições de vídeos e muitas rodas abertas de Capoeira Angola em diversos espaços públicos da nossa capital.

Este ano, contaremos com a presença de Mestre Renê (BA), Mestre Kunta (PR), Mestre Dindo (RS) e Contramestre Xandão (SP) para refletirmos sobre o tema: A capoeira angola enquanto instrumento de educação social e transformação pessoal.

O evento é uma iniciativa do Africanamente Escola de Capoeira Angola, organização autônoma e independente que há quase duas décadas atua na preservação e divulgação da filosofia da Capoeira Angola como instrumento de cidadania e educação social.

Africanamente Escola de Capoeira Angola

Bibinha e Gugu Quilombola, conquistam título do Red Bull Paranauê

A Baiana Bibinha e o Paulista Gugu Quilombola, conquistam título do Red Bull Paranauê em Salvador – Bahia.

Em evento no Farol da Barra, Joseph ‘Gugu’ e Jubenice ‘Bibinha’ foram eleitos os mais completos na arte da capoeira

Sob uma ‘lua’ de 37 graus, em frente a um dos monumentos ícones da Bahia, a capoeira confirmou sua universalidade. Quando um paulista radicado na Alemanha e uma baiana do Nordeste de Amaralina mostram que entendem bem do paranauê, está provado que a arte-luta-dança consegue dois feitos: ao mesmo tempo ultrapassa fronteiras e mantém suas origens.

Ao conquistarem o título de campeões do Red Bull Paranauê, Joseph Augusto dos Santos “Gugu”, 32 anos, e Jubenice de Oliveira Santos “Bibinha”, 34, se tornaram os capoeiristas mais completos do mundo. Tanto nas três qualificatórias quanto na final deste sábado, os mais de 300 capoeiristas (de 15 estados e outros cinco países) tiveram que mostrar suas habilidades em três dos principais segmentos da Capoeira – Angola, Regional e Contemporânea.

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Em todos os duelos, os capoeiristas se reuniram no centro do palco e sortearam dois toques para serem jogados: Toque de Banguela (representando a Capoeira Regional); Toque Jogo de Dentro (representando a Capoeira Angola); e Toque São Bento Grande Regional (representando a capoeira Contemporânea). Identificados por braçadeiras de cores diferentes, os 16 finalistas (divididos nas categorias masculina e feminina) foram julgados por três mestres renomados: Mestre Nenel (Regional); Mestre Jogo de Dentro (Angola); e Mestre Paulinho Sabiá (Contemporânea).

“Nasci dentro da capoeira. Jogo capoeira todos os dias da minha vida. É a minha inspiração”, disse Gugu, que, como todo bom capoeirista, gosta de deixar claro de quem herdou a arte. “Iniciei com mestre Miguel, que tinha um discípulo chamado Paulão. Mestre Paulão é meu mestre até hoje. Agradeço muito a ele”, disse Gugu, casado com uma alemã, pai de quatro filhos e mestre de 300 capoeiristas. Nas finais, Gugu e Bibinha superaram quatro competidores cada. Ele, natural de São Paulo, mora na Alemanha há quase três anos, onde coordena um dos núcleos de sua academia, com origem na capital paulista. Na verdade, seu primeiro contato com a capoeira foi com mestre Miguel Machado, do sul da Bahia. Por isso, depois de vencer o baiano Nahuel Mingote “Guaxini do Mar”, Gugu largou em alto e bom som no microfone: “Ê, Bahia!”. Aos 6 anos de idade, menino curioso, ia espiar as rodas da Praça da República. Não parou mais.

No final das contas, o objetivo do evento é justamente, mostrar a universalidade da capoeira e manter sua essência, perpetuando ensinamentos de nomes como Bimba, Pastinha, Waldemar, Cobrinha Verde, João Grande, João Pequeno e tantos outros. “A capoeira está presente em mais de 170 países, mas tudo aqui é baseado em muito estudo, sempre com a preocupação de manter as tradições”, garantiu Jair Oliveira de Faria Junior, o Mestre Sabiá, curador do Red Bull Paranauê.Já Bibinha nasceu em um bairro que se tornou berço da capoeira Regional. Foi no Nordeste de Amaralina que Mestre Bimba desenvolveu a modalidade. Na final, Bibinha venceu outra baiana: Jailane Graziele “Guerreira Lane”, do Subúrbio Ferroviário. Nos últimos dias, dividiu as atenções do treino com trabalho, estudos e as tarefas de mãe da pequena Dandara. “Muita luta, muita dedicação. Devo essa força à capoeira. Agradeço por ter nascido em um bairro que tem uma roda de capoeira em cada esquina. Comecei com mestre Crush”.

 

Assista, à final mundial do Red Bull Paranauê!

 

Gugu Quilombola, integrou recentemente a Equipe de Colaboradores do Portal Capoeira, onde Mantém o seu canal de vídeos.

 

Fonte: http://www.correio24horas.com.br

Fotos: Mauro Akin Nassor/CORREIO

Red Bull Paranauê: Brasileiros e Estrangeiros disputam final

Brasileiros e Estrangeiros disputam final do Red Bull Paranauê em Salvador

Red Bull Paranauê busca o capoeirista mais completo do mundo independentemente do seu estilo/segmento. O objetivo do Red Bull Paranauê é encontrar o capoeirista com maior conhecimento técnico e de performance entre os toques de capoeira, ou seja, mais habilidades em três dos principais segmentos da Capoeira: Angola, Regional e Contemporânea. 

Neste sábado (3), o icônico Farol da Barra, em Salvador (BA), será palco pelo segundo ano consecutivo do Red Bull Paranauê, torneio que busca encontrar o capoeirista mais completo do mundo. O evento contou com seletivas em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, até chegar aos 16 finalistas – divididos igualmente nas categorias masculina e feminina.

A decisão acontecerá a partir das 14h, em frente ao Farol, com entrada aberta ao público.

Tanto nas qualificatórias quanto na grande final, o objetivo é manter a essência da Capoeira e perpetuar os ensinamentos de grandes nomes como Mestre Bimba, Mestre Pastinha, Mestre João Grande e outros. As regras e o conceito continuam os mesmos da primeira edição do Red Bull Paranauê, realizada em 2017: todos os participantes têm que mostrar suas habilidades em três dos principais segmentos da Capoeira – Angola, Regional e Contemporânea.

Os capoeiristas serão julgados por três mestres renomados: Mestre Nenel (representando a Capoeira Regional); Mestre Jogo de Dentro (representando a Capoeira Angola); e Mestre Paulinho Sabiá (representando a Capoeira Contemporânea). Após os duelos, uma mulher e um homem serão coroados campeões do Red Bull Paranauê 2018.

“Ano passado, participei sem grandes perspectivas e fiquei surpresa por ter chegado onde cheguei. Agora, venho para o Red Bull Paranauê mais confiante, acreditando mais em mim”, comentou Débora Santos, a Pérolla, que foi a única mulher a se classificar para o evento do ano passado, quando a categoria ainda era mista. “É muito importante termos uma categoria exclusiva às mulheres. Assim, continuaremos ganhando um espaço que há muito tempo nos foi negado, nos dando mais visibilidade”, acrescentou.

Os 16 finalistas começarão a busca pelo título do Red Bull Paranauê às 14h, no Farol da Barra. Aqueles que não puderem comparecer terão a oportunidade de assistir ao evento ao vivo.

Confira a transmissão ao vivo da final mundial do Red Bull Paranauê, neste sábado 3 de março, a partir das 14 horas, direto de Salvador (BA)

Red Bull Paranauê: Brasileiros e Estrangeiros disputam a final Capoeira Portal Capoeira

Confira a lista completa dos 16 finalistas:

Categoria Masculina

  • Arthur Santos “Fiu” (São Paulo)
  • Lucas Dias Ferreira “Ratto” (Salvador)
  • Joseph Augusto dos Santos “Gugu” (de São Paulo, mas mora na Alemanha)
  • Marcelo Bezerra “Cacique Massaranduba” (de Salvador, mas mora na França)
  • Eliel Ramos dos Santos “Invertebrado” (de Itapeva, mas mora em Sorocaba)
  • Rodrigo da Conceição “Marimbondo” (Rio das Ostras)
  • Nahuel Mingote “Guaxini do Mar” (Itaparica)
  • Marcus Vinícius Santos de Jesus “Anum” (Salvador)

 

Categoria Feminina

  • Débora Santos “Perolla” (Salvador)
  • Aline Longui (Jundiaí)
  • Priscila dos Santos “MC” (Santa Cruz da Serra)
  • Clara Folatelli “Clari” (Buenos Aires)
  • Thaís Federsoni “Pressinha” (de Jundiaí, mas mora na Alemanha)
  • Jubenice de Oliveira Santos “Bibinha” (Salvador)
  • Michelle Pallano “Bailarina” (Fortaleza)
  • Jailane Graziele “Guerreira Lane” (Salvador).

 

Fonte: https://extra.globo.com – https://www.redbull.com