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Capoeira e seus Cantadores

CAPOEIRA E SEUS CANTADORES

A musicalidade traz em si um elemento fundamental para o desenvolvimento da capoeira, pois ela será responsável pelo encadeamento ritualístico, pela oralidade na construção do conhecimento, pelo “balanço” do jogo e pela construção simbólica da “atmosfera” da “vadiação”.

A musicalidade nunca será uma simples conseqüência fisiológica da articulação bem sucedida entre cordas vocais, músculos da face e diafragma, pois em capoeira a complementaridade entre os diferentes, articulados em propósito comum para o coletivo, supera qualquer perspectiva ou habilidade individual, transformando o bom cantador naquele que mais motiva o coletivo a cantar junto, muitas vezes ofuscando a própria voz de quem puxa o canto, ou seja, cantador de “verdade” na capoeira não é o que mais aparece, mas o que projeta o conjunto da roda em ritual.

O bom cantador nem sempre é aquele com a voz mais bonita e empostada, nem sempre é o que tem a melhor pronuncia e português correto, nem sempre é o que grita mais alto…..O bom cantador é o que cantando encanta, aquele que consegue captar a magia do momento do jogo, fazendo com que sua cantiga seja o “catalisador” de uma química que eleva os capoeiras a um “transe” coletivo, que de tão especial nos faz sonhar acordado.

Não existe bom jogo sem boa musicalidade, pois a organicidade da roda é um complexo sistema multifacetado, lembrando o corpo humano, em que cada órgão cumpre uma função distinta a favor do funcionamento de todo o sistema para que a vida aconteça. Assim, tão importante quanto o “movimento”, aquilo que o impulsiona, harmoniza e qualifica, também deve ser considerado e exercitado, a cantiga.

È impressionante como Mestre Boca Rica, cantando quase sussurrando, com um único berimbau, se espalhou pelo planeta como um vírus positivo da boa capoeiragem……Impressionante como décadas mais tarde, as gravações de Bimba, Pastinha, Waldemar, Canjiquinha, Camafeu de Oxossi e outros, ainda encantam, mesmo sem todos os recursos tecnológicos atuais.

O maior desafio de um grande cantador em capoeira será sempre conseguir captar o “cheiro do dendê“ em uma roda, sendo simples, singelo e traduzindo na poesia de seu canto os mistérios da arte capoeira. Neste sentido, se você deseja qualificar seu canto, te recomendo que antes de cantar tente ouvir mais, e não ouça qualquer coisa, ouça os sons mais elementares produzidos pela mãe natureza, o ronco do mar, a suavidade das ondas, o fluir da cachoeira, o vento nas arvores, trovões e ate mesmo o pingo da chuva caindo no chão, percebendo que cada som deste esta articulado a um contexto especifico e complexo, sendo seu maior sentido a conexão com o todo.

Por fim, aprenda que a cantiga é também uma forma de doação à arte capoeira, portanto, ser um bom cantador será, acima de tudo, a capacidade de brindar os outros com aquilo que temos de melhor, pois o lamento da ladainha emociona e arrepia o outro, também na medida em que o cantador já chorou e se arrepiou antes, incorporando o sentimento expresso em seu cantar. Desta forma, entenda que viver o momento é mais importante do que o resultado final, portanto, não fique preocupado com o impacto de sua voz na roda, mas tente viver junto com seus pares magia do contexto no milésimo de segundo em que sua cantiga toca a fibra mais tênue do coração de quem te escuta, transformando o momento em único e especial para todos.

Vamos cantar mais com a alma!!!!!!!

Mestre Jean Pangolin Portal Capoeira

Projeto conta a história da capoeira no bairro Dois de Julho em Salvador

Projeto conta a história da capoeira no bairro Dois de Julho em Salvador

O projeto Vadiando começou as suas atividades no bairro do Dois de Julho, Centro de Salvador, no dia 05 de dezembro. O Centro de Estudos Afro Orientais (CEAO), pertencente à Universidade Federal da Bahia, recebeu o evento gratuito, que trouxe como mote, o imaginário simbólico da capoeira no bairro, os mestres que ali viveram e vivem, as rodas de capoeira e as curiosidades em torno dessa cultura popular. E, seguindo a definição do termo “vadiar”, dentro da capoeira, que significa jogar por lazer, descontrair, interagir com os camaradas, o projeto contará a história do bairro do Dois de Julho, através do contexto simbólico da capoeira, lembrando os mestres que ali viveram, as rodas e curiosidades sobre esta temática.

No evento inaugural, em dezembro, aconteceram palestras sobre “A capoeira como instrumento de desenvolvimento local”, ministrada pelo coordenador, Luís Alencar; “Políticas Públicas para a Capoeira”, ministrada por Magnair Barbosa, gerente de Patrimônio Cultural da Fundação Gregório de Mattos (FGM); “Capoeira e Tecnologia”, com o contramestre Veru Filho, criador do aplicativo “Iê Capoeira”; além de intervenções com músicas afro-brasileiras e a leitura de poesias.

Com patrocínio da FGM, apoio do Centro de Estudos Afro Orientais – CEAO/UFBA, e do comércio local, após três meses de projeto, com oficinas regulares às segundas, quartas e sextas, as aulas serão finalizadas no próximo dia 23 de março. O projeto ofereceu oficina de “Capoeira – Educação”, ministrada pelo contramestre Veru Filho, e “Educação Artística”, ministrada pela capoeirista e arte educadora Nildes Sena, que teve a finalidade de contar a história do bairro do Dois de Julho, tendo como mote o imaginário simbólico da capoeira no lugar.

Projeto conta a história da capoeira no bairro Dois de Julho em Salvador Capoeira Portal Capoeira

Com todo o material produzido durante as aulas, o público atendido no projeto – um grupo crianças e jovens da comunidade – irá apresentar o resultado final de toda a aprendizagem. Entre os dias 26 e 28 de março, sempre a partir das 18 horas, na Casa do Benin, acontecerá uma grande mostra artística envolvendo todos esses alunos e a comunidade, fazendo parte, inclusive, da programação cultural do aniversário de Salvador.

Na abertura da mostra artística, haverá evento solene para gestores públicos, mestres de capoeira e pesquisadores da cultura popular, quando será lançada a Cartilha Digital, que contará a história da capoeira no bairro do Dois de Julho. Essa cartilha é resultado de uma pesquisa realizada pelo Contramestre Sem Terra, cientista social e etnógrafo. Além disso, a programação dos demais dias envolverá a exibição de uma projeção audiovisual, mostrando entrevistas com mestres de capoeira que atuam no Dois de Julho e equipe do projeto; e um espetáculo cênico, onde alunos do projeto atuarão.

Sobre a Associação:

A Associação Cultural Arte Baiana Capoeira foi criada no ano de 1989, pelo Mestre Malícia, na cidade de Belmonte, no interior da Bahia, onde até hoje está localizada a sede do grupo. Muitos alunos passaram pela associação, mas no ano de 1992, Veru Filho iniciou seus estudos com o Mestre Malícia, e chegou para levar adiante o nome da instituição. Por conta dos estudos, Veru Filho, veio morar em Salvador, e começou a treinar com o Mestre Alabama. Alguns anos se passaram, e em 2014, Veru inicia em Salvador, um trabalho com a Associação Cultural Arte Baiana Capoeira, na comunidade da Vila Brandão e no Dois de Julho. Com a finalidade de fomentar o empreendedorismo social na capoeira, Veru Filho, que além de contramestre é educador físico, vem buscando aumentar o reconhecimento da capoeira na sociedade, potencializar a geração de recursos para os grupos de capoeira e, por fim, a inclusão produtiva de indivíduos e grupos sociais que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

SERVIÇO:

O QUÊ: Vadiando no Dois de Julho – Lançamento da Cartilha Digital e Mostras

QUANDO: 26 a 28 de março de 2018, a partir das 18 horas

ONDE: Casa do Benin – Baixa dos Sapateiros, 7 – Pelourinho
VALOR: Gratuito

 

Por: Pietro Raña: pietro.rana@pipacomunicacao.com.br

Fundação Cultural ILE: Projeto “Mestras de Capoeira”

Fundação Cultural ILE: Projeto “Mestras de Capoeira”

Salve meus amigos!

Somos a Fundação Cultural ILE,  uma organização sem fins lucrativos com sede em País de Gales no Reino Unido.

Trabalhamos para a preservação e difusão da Capoeira, seus fundamentos e tradições. Fazemos isso através de livros, CDs, documentários, festivais e outros. Nosso carro chefe é o Projeto Tributo ao Mestres, cujo principal objetivo é contribuir com os Mestres que estão em situações de risco sejam elas sociais, financeiras, emocionais, médicas ou afins. Todos os nossos esforços são para angariar fundos ou gerar fundos para esse fim.

Em 2016, lançamos nosso primeiro livro de Ilustrações, o tributo aos Mestres artbook que foi um sucesso.

Hoje temos a grande alegria de convidar todos a participar deste momento histórico na capoeira, onde honraremos as Mestras da nossa arte!

Faremos um livro com 30 ilustrações e com um texto para cada  ilustração contando um pouco sobre cada uma das homenagiadas.

Um momento mágico e histórico e você pode participar de várias formas desta homenagem.

Você pode fazer uma doação para que o projeto aconteça, ou você pode fazer contribuições e receber recompensas por isso.

Você pode inclusive fazer campanha dentro do seu grupo e participar como patrocinador recebendo e compartilhando as recompensas com o grupo todo.

Este é um trabalho histórico o primeiro em seu formato e o primeiro em homenagem as Mestras de Capoeira!

E a sua participação é fundamental

 

Fundação Cultural ILE: Projeto "Mestras de Capoeira" Notícias - Atualidades Portal Capoeira

CLIQUE NA IMAGEM PARA VISITAR A PÁGINA DO PROJETO

 

Hi Guys!

We are the ILE Cultural Foundation; a registered charity based in Wales.

We work for the preservation and diffusion of Capoeira, its foundations and traditions. We do this through books, CDs, documentaries, festivals and others. Our flagship project is the Tribute to Masters Project, whose main objective is to contribute to the Masters who are in risk situations whether they are social, financial, emotional, medical or otherwise. All our efforts are to raise funds or generate funds for this purpose.

In 2016, we launched our first book of Illustrations, the Tribute to the Masters art book, which was a success.

Today we have the great joy of inviting everyone to participate in this historic moment in capoeira. This is a vibrant, adventurous and compassionate project where we will raise funds to develop and publish a fresh, innovative and empowering illustration book that will, for the first time, show the face of our Mestras.  

It will be 30 illustrations with 30 texts telling a little story about each one.

A magical and historical moment and you can take part of it in different forms, making  a donation or you can make contributions and receive rewards.

You can campaign in your group and participate as a sponsor, sharing the rewards within the whole group.

This will be an historic book, the first in its format, and the first in honour of the Female Masters of Capoeira!

And your participation is fundamental!

 

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A arrogância neoangoleira e a tradição autista

A arrogância neoangoleira e a tradição autista

por: Paulo Mutaokê Magalhães 

Essa semana fiquei abismado com um comentário que li na internet. Um velho mestre de capoeira angola, conhecido pela fluidez com que encara a relação entre a capoeira e outras manifestações culturais populares e pelo especial apreço ao espaço da rua, comemorou seu aniversário com uma grande roda. Após publicar trechos do jogo de compra, um jovem capoeirista o questiona, afirmando que na capoeira angola não existiria compra e que o adeus adeus seria uma música do samba de roda. Além da evidente falta de conhecimento desse capoeirista, o que salta aos olhos é o desplante de se dirigir a um mestre de capoeira com idade de ser seu pai (ou talvez seu avô), acusando-o de corromper fundamentos por dinheiro. Trata-se na verdade de uma inversão dos fundamentos, uma vez que uma característica básica que perpassa toda a cultura de matriz africana é o respeito aos mais velhos. De acordo com esta tendência, que infelizmente vem crescendo nos dias de hoje, alguns detalhes formais da prática da cultura seriam mais importantes que a relação viva que se estabelece entre mestre e discípulo, entre os mais novos e os mais velhos de uma forma geral.

Ora, sabemos que de forma diferente da capoeira regional do Mestre Bimba, a capoeira angola tem uma grande diversidade de linhagens, heranças, famílias. E muito do seu formato é relativamente recente. Grande parte das músicas “tradicionais” da capoeira vêm do candomblé, são sambas de caboco, que se confundem com o samba de roda porque nunca houve essa fronteira rígida. O jogo de compra não vem nem da capoeira angola de academia nem da capoeira regional, uma vez que na academia do Mestre Bimba as duplas saíam do pé do berimbau para jogar. A compra vem da rua, das festas de largo, do samba, desse caldeirão cultural onde os mais velhos aprenderam e preservaram esta cultura para que chegasse até nós. O fato de ser proibido em algumas academias talvez diga mais sobre elas do que sobre a herança da capoeira angola em geral. As heranças são muitas, e cada um busca preservar o que aprendeu.

Este caso me lembrou algo que aconteceu comigo no ano passado. Ao vadiar em uma roda coordenada por um jovem contramestre, alguns anos mais velho que eu, fui repreendido pelo mesmo ao aplicar uma tesoura. Visivelmente nervoso, bradou que tesoura não era de capoeira angola, era coisa de dez anos pra cá, pois não via tesouras acontecendo em determinada roda que ele frequentara. Também neste dia fiquei surpreso pelo absurdo da situação, pois na linhagem de capoeira angola a que ele se filiara, a aplicação de tesouras era algo comum. Para não polemizar em casa alheia, lembrei do Mestre Canjiquinha: “o calado é vencedor para quem juízo tem”. Algumas pessoas costumam ser rígidas com o que aprenderam ao ensinar para seus alunos, é natural. Agora, querer colocar os ensinamentos de uma academia como se fosse a grande verdade da capoeira angola é no mínimo desrespeito aos mais velhos. Pus-me a pensar nos mestres Moraes, Paulo dos Anjos, Nô e tantos outros. Será que todos estariam errados, e esse camarado, que nasceu quando estes antigos mestres já praticavam capoeira, sabe mais do que eles? Aprendi que jogo de compra, tesoura, martelo, gancho, tudo isso faz parte da capoeira angola, são ensinamentos que vieram de velhos mestres do passado. Como uma pessoa jovem pode questionar algum desses elementos, por não ter visto em sua formação, se antes dela nascer os velhos mestres já praticavam?

Pensei também nos manuscritos do Mestre Pastinha, um verdadeiro tesouro para nos aprofundarmos no pensamento desse mestre. Ao criar sua escola, ele estabelece uma série de regras, cria cargos a que nenhum dos seus discípulos deu continuidade (fiscal, juiz, mestre de bateria, etc.) e proibiu uma série de golpes. Se proibiu, será que existiam ou não? Será que as outras academias foram obrigadas deixar de usar os mesmos movimentos ou seguiram dando continuidade ao que aprenderam com seus mestres? Segue um trecho:

“É proibido no jogo e prinsiparmente em baixo, fonsional golpes, ou truque, não por a mão, é fau. Os golpes que não pode ser fonsionado em demonstração; golpes de pescoço, dedo nos olhos, cabeçada solta, cabeçada presa, meia lua baixa, Balão a coitado, rabo de arraia, Tesoura fechada, chibata de clacanhar, chibata de peito de pé, meia lua virada, duas meia lua num lugar só, pulo mortal, virada no corpo com presa de calcanhar, presa de cintura, balão na boca da calça, golpes de joelho e nem truques”.

 

A arrogância neoangoleira e a tradição autista Publicações e Artigos Portal Capoeira

Falta mais humildade para aceitar as diferenças e continuar aprendendo com os mais velhos. Trata-se de uma tradição autista, que não dialoga com as que estão ao seu lado, encerrada em sua verdade única e absoluta que impõe em seu pequeno espaço de poder. As diferenças fazem a riqueza da capoeira angola, e preservar essa diversidade é zelar pelos seus fundamentos. Tempo é rei e nos ensinará mais. Iê dá volta ao mundo!

Imagens: Manuscritos do Mestre Pastinha; Mestre Sapo (aluno dos mestres Pelé da Bomba e Canjiquinha) e seu aluno Mestre Patinho treinando em uma praia do Maranhão. No berimbau, Mestre Tião Carvalho.

 

por: Paulo Mutaokê Magalhães 

PRAÇA MESTRE BIMBA • 100 ANOS DA REGIONAL • RESPEITO!!!

PRAÇA MESTRE BIMBA • 100 ANOS DA REGIONAL • RESPEITO!!!

 

O projeto de revitalização da Praça Mestre Bimba situada no bairro da Amaralina em Salvador, Bahia, Brasil foi concluída com êxito no mês de Julho de 2017.

Após  uma grande batalha por parte da Turma de Bimba, da Família do Mestre Bimba e da comunidade da Capoeira do Brasil, foi conseguido junto aos órgãos públicos a obra que deu a comunidade um espaço apropriado a prática da Capoeiragem, prestando assim uma bela homenagem a um patrono da nossa arte.

Porém, menos de um ano depois passamos pelo mesmo problema, o descaso por parte dos órgãos que seriam os responsáveis pela manutenção do local, nos apresentam um cenário indigno para o tamanho da grandeza da obra do Mestre Bimba .

Uma vez mais a comunidade da Capoeiragem deve dar as mãos e pedir o devido respeito para com o Sr. Dr. Manoel dos Reis Machado criador da Capoeira Regional Baiana que esse ano completa 100 anos.

HÁ CERCA DE UM ANO ATRÁS…

Se o Rio Vermelho já era conhecido por ser o point de Iemanjá e da boemia, agora ele se estende para a valorização da capoeira e da memória militar. Com homenagens à Mestre Bimba e ex-combatentes do Exército Brasileiro, foi entregue pela prefeitura, nesta quinta-feira (27), a terceira e última etapa de requalificação da orla do lugar – que vai desde o Supermercado Bompreço até o Quartel de Amaralina, um perímetro de mais de 600 metros. Com investimento de cerca de R$3,7 milhões, a obra foi realizada em quatro meses numa parceria entre a Secretaria Municipal de Infrestrutura e Obras Públicas (Seinfra) e Fundação Mário Leal Ferreira. A requalificação começou em 2015 e custou, ao todo, R$65,3 milhões.

A obra contemplou a revitalização da Praça Mestre Bimba, ícone da capoeira mundial, incluindo no local um espaço para roda de capoeira com arquibancada para até 25 pessoas e piso intertravado de 250m² ao redor. Foi recuperado também o monumento desenhado pela artista Mercedes Kruchewsky em homenagem ao mestre: um medalhão de bronze acoplado à uma estrutura de 3,69m de altura em formato de berimbau. O capoeirista Manoel dos Reis Machado ficou conhecido por ajudar a descriminalizar a prática da capoeira por meio da obra “A capoeira regional”.

PRAÇA MESTRE BIMBA • 100 ANOS DA REGIONAL • RESPEITO!!! Capoeira Cidadania Portal Capoeira

Na reinauguração, diversos grupos de capoeira se reuniram para saudar a memória e os ensinamentos de Bimba. O grupo de Mestre Itapuã, 70, que começou a ser aluno dele aos 16 anos, era um deles. “Eu fui educado dentro da academia de Bimba. Meu pai tinha morrido nessa época, então a figura forte que eu tinha era ele. Bimba era um exemplo. Ele sempre exigia as coisas certas e que a gente fosse alguém”, lembra.

Contente, Dona Bena, 86, uma das viúvas do capoeirista, falou de como aprendeu a jogar capoeira escondido com o companheiro por causa da repressão. “Naquele tempo, mulher não podia jogar porque não consentiam. Uma vez ele fez uma turma, mas desmanchou porque os maiorais não deixavam. Só era para homem”, relembra ela, que defende hoje a democratização e valorização dessa expressão cultural.

(FONTE: http://www.correio24horas.com.br/)

 

Video da Praça do Mestre Bimba – “REinauguração” – Julho 2017 

ACORDA BAHIA… FESTA… PROMOÇÃO… VIDEO PROMOCIONAL… TUDO MUITO BONITO… PORÉM, MANTER O ESPAÇO, PREZERVAR O PATRÍMONIO, ZELAR PELA NOSSA CAPOEIRAGEM… ISSO JÁ É OUTRA COISA!!!

Respeito!!! É a única coisa que pedimos. Viva Seu Bimba!!!

Vivência com o Mestre Itapuã Beiramar em Belgrado, capital da Sérvia

Vivência com o Mestre Itapuã Beiramar em Belgrado, capital da Sérvia.

Uma parceria da ABP em Movimento e do Centro Brasileiro de Cultura de Belgrado

Mestre Pulmão, Grupo Senzala Capoeira, convida a todos para se juntarem a esta festa da capoeiragem em Belgrado – Sérvia.

Nos dias 4 e 5 maio , para participar basta somente ter a camisa do evento que vai custar apenas 20 euros!!!

Escreva já para o e-mail: pulmao_senzala@hotmail.com Dizendo seu nome , grupo , Mestre e garanta sua vaga.

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De quebra ainda pode assistir o Filme “CAPOEIRA UM PASSO A DOIS” produzido por Jorge Itapuã Beiramar no dia 9 de Maio no festival de cinema de Belgrado.

 

Mais Informações:

Mestre Pulmão e Mestre Itapuã Beiramar

Festival Nacional Arte-Capoeira une tradição e solidariedade em Curitiba e Paranaguá

Festival Nacional Arte-Capoeira une tradição e solidariedade em Curitiba e Paranaguá

Paranaguá e Curitiba recebem, de 16 a 18 de março, a 9.ª edição do Festival Nacional Arte-Capoeira. Com programação gratuita, o evento tem o objetivo de resgatar elementos importantes dessa expressão cultural brasileira, que mistura arte marcial, esporte, cultura popular e música. Importantes nomes da área, como Mestre Camisa e Mestre João Grande, também estão confirmados.

Idealizado pela Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte-Capoeira (Abadá-Capoeira), que há três décadas se dedica à promoção dessa importante manifestação cultural em nível internacional, a ação é também sinônimo de resgate social.  “As crianças se envolvem através da arte, da música, da dança e acabam tomando como referência os professores. Dessa forma, melhoram as notas na escola, fazem amizades novas”, comenta Janaína Luz, uma das organizadoras do festival.

Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, há quase uma década a capoeira muda a rotina de crianças, jovens, adultos e idosos da região do bairro Cajuru, na capital paranaense. Oficinas transformaram a realidade de moradores da Vila Camargo, Trindade, Autódromo, São Domingos e São João Del Rey.

O evento também celebra o resgate social promovido pela capoeira.

As aulas, realizadas na Associação Cultural de Capoeira do Estado do Paraná (ACCEP), provocaram mudanças na vida dos participantes. “Penso que nosso maior resultado é a inserção das crianças nas escolas, o resgate dos adolescentes retomando os estudos e, atualmente, o ingresso deles nas faculdades”, completa Janaína Luz.

O projeto deve atingir, em 2018, 300 alunos e passará a ser realizado em 3 escolas de Paranaguá também. “Já temos prevista a expansão para as cidades de Ponta Grossa e Guarapuava”, reitera Janaína Luz. Atualmente, as oficinas contam com 160 participantes.

Programação

Inúmeras atividades gratuitas fazem parte do Festival Nacional Arte-Capoeira – oficina de jogos, cantoria tradicional da capoeira, batizado e troca de cordas, além de aulão e Campanha Berimbau pela Paz com o Mestre Camisa. “O motivo é conscientizar a sociedade da importância de se viver em harmonia. Estamos passando por um momento político muito difícil e dessa forma nasce a corrupção, conflitos e aumenta a criminalidade,  pois tudo isso se reflete principalmente nas comunidades carentes ou áreas de vulnerabilidade. Então pedimos paz para que a sociedade viva em harmonia e em constante desenvolvimento em busca de um grande crescimento”, fala Janaína Luz.

Em Curitiba, nos dias 17 e 18 de março, a programação da 9.ª edição do Festival Nacional Arte-Capoeira passa pela Praça Osório e pelo Largo da Ordem – Palácio Garibaldi e Ruínas de São Francisco. Já em Paranaguá, no dia 16 de março, as atividades serão realizadas na Praça Mário Roque e no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Festival Nacional Arte-Capoeira une tradição e solidariedade em Curitiba e Paranaguá Capoeira Portal Capoeira

 

Programação da 9.ª edição do Festival Nacional Arte-Capoeira

 

Dia 16 de março – Paranaguá
10h – Oficina de Maculelê
11h – Oficina de Capoeira com Mestra Edna
12h – Intervalo
14h30 – Oficina de Berimbau com Mestre Bode
15h30 – Oficina Sambadeiras de Bimba com Fernanda Machado
17h – Aulão com Mestra Edna
Local: Praça Mário Roque
18h – Abertura oficial do Festival no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Dia 17 de março – Curitiba
9h – Comemoração 12 anos de Roda da Praça Osório
14h – Roda Feminina/Praça Osório
15h30 – Oficina de Jogos com Mestres Camisa, João Grande e Boca Rica
Local: Palácio Garibaldi – Largo da Ordem
20h – Cantoria Tradicional da Capoeira e Show Cultural
Local: Palácio Garibaldi – Largo da Ordem
Dia 18 de março – Curitiba
9h30 – Caminhada pela Paz
10h – Aulão e Campanha Berimbau pela Paz com Mestre Camisa
11h – Batizado e Troca de Cordas
Local: Teatro público – Ruínas de São Francisco (Largo da Ordem)

Capoeira é “gatilho” para o empoderamento feminino

Capoeira é “gatilho” para o empoderamento feminino

 

A cultura popular, a arte e o esporte são ferramentas que permitem resgatar a essência do ser humano, despertando valores que fazem mudar olhares e, consequentemente, geram mais respeito, empatia e compaixão, segundo a educadora física jundiaiense Aline Longui, de 35 anos. Capoeirista há 21, ela usa a expressão cultural para realizar projetos sociais, incluindo um somente com mulheres na cidade, dentro da proposta de empoderamento feminino e fortalecimento de identidade cultural.

“São reflexões acerca do resgate da nossa essência perdida enquanto mulher, mãe e profissional, que muitas vezes segue padrões impostos pela sociedade sem ao menos saber se ela está feliz ou não. A mulher, dentro do contexto histórico de uma sociedade patriarcal, deixou de lado seus sonhos e sua vida. E através da arte ela encontra caminhos e possibilidades”, diz Aline, que acredita que o empoderamento feminino é a consciência coletiva, expressada por ações para fortalecer as mulheres.

A luta para combater o machismo que segue enraizado na sociedade, mesmo em tempos modernos, é diária. Segundo a capoeirista, ainda há muito para percorrer e muita coisa já foi conquistada pela luta de mulheres na história. “Sem a luta do passado não seria possível a continuidade do presente. Muita coisa mudou, mas muito há de se fazer, pois ainda há muita desigualdade, preconceito e exclusão”, acredita. “A capoeira é muito similar. É a resistência de um povo, luta de libertação, igualdade e resiliência. Quilombos são criados a cada momento. Temos uma história, ancestralidade e identidade”.

A esperança é de um futuro melhor. E para isso, a educação é fundamental, com investimento em políticas públicas e formação vinda de casa. “Esporte, lazer e cultura, possibilitam caminhos que trabalham valores, como o respeito. Por isso que o investimento em políticas públicas possibilita oportunidades. Para ensinar valores não existe idade, mas acredito que as crianças são nossa esperança para o futuro”.

Competição na Bahia

A capoeirista participou, no último final de semana, da fase final do Red Bull Paranauê – torneio que busca revelar os capoeiristas mais completos do mundo -, em Salvador, na Bahia. Ela representou o estado de São Paulo na primeira final de uma categoria exclusivamente feminina, ficando entre as oito melhores colocadas.

“Foi uma surpresa para mim e uma vitória, pois não tenho o costume de participar de campeonatos, mas como vi que era uma proposta diferenciada, procurando uma visibilidade histórica para a capoeira, que carrega uma bagagem cultural de resistência à opressão e valores que são construídos através de um povo que foi escravizado, trouxe momentos de reflexões e de aprendizados”, explica Aline.

Ela conta que, além da competição, participou de vivências com mestres renomados no mundo da capoeira, além de aulas sobre fundamentos dos toques, educação infantil na capoeira e afrobetização – empoderamento através de histórias de princesas e rainhas negras. “Foram dias de aprendizados, trocas e muita experiência até o momento da final. Então saímos todos com a sensação de campeões, pois vivemos uma experiência inesquecível”, afirma. “Como o Mestre Sabiá comentou, estamos em constante processo de construção”, completa Aline.

 

Fonte: FELIPE TOREZIM – FTOREZIM@JJ.COM.BR – http://www.jj.com.br/

Mestre Alexandre Batata: A palavra do Mestre – Graduações

Mestre Alexandre Batata: A palavra do Mestre – Graduações

 

Entrevista de Maíra Gomes retirada do Blog: Capoeira de toda maneira.

 

Uma das grandes discussões dentro da Capoeira é a questão da graduação. Muitas escolas desenvolveram seu próprio sistema, outras adotam o sistema de cordéis criados por Mestre Mendonça, há também o sistema da ABCP – Associação Brasileira dos Professores de Capoeira e não ter uma unificação ainda causa muita confusão. É aluno tirando mestre no jogo de compra, mestres sendo formados sem merecimento/tempo/história, grupos com sete graduações, outros com 20, nomenclaturas diferentes como grão-mestre, mestre mór, mestríssimo, enfim, ter um só padrão hierárquico facilitaria, mas é só isso?

 

Na semana passada enviei para alguns mestres a seguinte pergunta:  O que o senhor pensa sobre os diversos sistemas de graduação existentes da capoeira? A graduação deveria ser padronizada para todos os grupos?

 

A primeira postagem da série é especial, um panorama geral sobre as graduações ao longo da história da Capoeira. Com a palavra, Mestre Alexandre Batata:

 

“Maíra Gomes perguntou:

 

– Mestre, estou fazendo uma pesquisa, o senhor acha que os capoeiristas deviam usar a mesma graduação?

 

Aí… eu respondi:

 

– Queria poder responder a tua pergunta com um simples sim ou não, porém, pelo carinho que tenho por seu lado de investigadora (jornalista), resolvi abordar o tema.
Este assunto vem em bom momento histórico, a morte do Mestre Damianor de Mendonça. Vamos a história!

 

Poderia começar lá nos tempos ancestrais, da proposta no sistema hierárquico tribalista, onde o tempo por si só determinava o respeito: criança, jovem, adulto e velho, mas vou dar um pulo e vamos ao século XIX.

 

As maltas cariocas, aquelas da época descrita como A ERA DOS VALENTÕES por alguns historiadores, tinham um sistema de nomenclatura hierárquico. As crianças, que já tinham algumas funções na malta, eram os CARRAPETAS. Os adultos eram CAXINGUELESCAPOEIRA AMADORCAPOEIRA PROFISSIONAL e CHEFE DE MALTA. Perceba na hierarquia adulta os quatro tempos.

 

Mestre Bimba, aquele famoso baiano que em mais uma estratégia sincretista da capoeira criou a LUTA REGIONAL BAIANA, criou um sistema de graduação com QUATRO LENÇOS.
Durante a ditadura militar, com Presidente da República General Garrastazzu Médici. período mais agudo da Ditadura Militar, em 1968 havia sido publicado o Ato Institucional número 5, que suspendia direitos políticos, institucionalizava a censura e dava amplos poderes ao governo militar. Foi entre os anos de 1968 e 1973 também que o Brasil viveu o chamado Milagre Econômico, período no qual o país cresceu economicamente em níveis altos.

 

Havia um lema: BRASIL, AME-O OU DEIXE-O!

 

A capoeira em mais um sincretismo político entra nos “moldes”. Se filia ao Conselho Nacional de Desporto através Confederação Brasileira de Pugilismo e nos estados passa a ser dirigida pelas Federações de Pugilismo. Se não me engano, Rio, São Paulo e Bahia.

 

No Rio de Janeiro, Mestre Damianor de Mendonça criou o sistema de graduações de cordéis, nove fios trançados em três, cada três representava uma trindade. Não me recordo bem mas uma delas era O PAI,O FILHO E O ESPÍRITO SANTO. A ditadura era católica e para representar a hierarquia usa as cores da bandeira Brasileira, ou seja, do pavilhão nacional: verde, amarela, azul e branco. Olha os 4 de Novo. Tudo na mais perfeita ordem e progresso.

 

 

Uma curiosidade

 

A graduação era verde, verde e amarelo, amarelo, azul e amarelo, azul (Instrutor) verde -amarela-azul.(Contramestre) branco e verde ( 1º Grau de Mestre) , branco e amarelo (2º Grau de Mestre, 10 anos de Mestre), branco e azul (3º Grau de Mestre, 20 anos de Mestre) e o branco (3º e último estágio, 30 anos de Mestre).

 

No Rio de Janeiro foram graduados: Mestre Artur Emídio (CORDEL BRANCO), Mestre Djalma Bandeira cordel (Branco e azul), Mestre Luiz Américo – Mintirinha (CORDEL BRANCO E AMARELO) e a todos os outros Mestres, o CORDEL BRANCO E VERDE.

 

Mas, no começo dos anos 1980, surgem as federações de Capoeira. Aí bagunçou. Eu explico:

 

Com o intuito de formar uma Confederação Brasileira de Capoeira. As federações convidam todos os capoeiras a prestarem exames, criam-se seminários, palestras, cursos e outros blá-blá-blás.

 

Havia uma ameaça que os professores de Educação física tomassem o monopólio, conversa fiada. A capoeira estava engatinhando, já era matéria na Universidade Federal do Rio de janeiro e mais tarde na Gama Filho (particular).

 

Vamos falar do Rio, tá?

 

Na Primeira banca examinadora, mestres já renomados se predispuseram a colaborar. Provas escritas, exames de competência, alguns discordaram, mas a maioria participou. Parecia que ia funcionar.

 

Até então havia uma ética, os mestres sabiam quem era quem.
Como diz o Mestre Bocka: “Não havia código escrito e nem sempre era por telefone, porque muita gente não tinha. A gente se encontrava e perguntava, ‘Aquele seu aluno…….?’ ”

 

Mas surge a 3ª banca examinadora e começa a venda de cordéis.

 

Vamos voltar as graduações, a ideia do cordel era boa, mas o material por si só era complicado.

 

Quem tinha “meia dúzia” de alunos trançava na boa, dava um trabalho danado.

 

A Senzala, grupo que sempre foi referência, explodia na época.

 

Um designer de calça criado pela Quitéria deixa o capoeira com um estilo mais “maneiro”, tendência da moda. Nasce o Capoeira Wear. O silk screem está bombando, surgem camisas e camisetas.

 

Os eventos passam a ser todos com camisas iguais (o cara não tinha aluno bom e os amigos alinhavam em nome da capoeira)

 

Aí em Niterói, ou na Trindade, não sei onde foi a conversa, Rogério Loureiro de Carneiro, O Mestre Moreno (não sei se já era mestre nesta época), 1º Mestre formado da Angonal, saca a onda de pintar nas cordas da senzala as cores do Cordel. A galera tinha muito aluno, haja saco para fazer cordel. Corda dá trabalho, mas cordel dá mais.

 

Concluindo

 

A partir dos anos 80 perdeu-se a ética, que existia sim, vi muito mestre se juntar e fechar academia de aluno incompetente. Mas, quando as federações deram papeis, era lei. Eu vi federação mandar fechar casa de Mestres competentes que não queriam entrar na palhaçada que reinava.

 

O fenômeno no início de 1980 expandiu. A capoeira passa de centenas para milhares.

Aí chega o século XXI

 

Google que pariu!!!!! O êxodo para o exterior. Grupos disputando quem tem mais bandeira de país na camisa. O tráfico de material de capoeira para fora do país, tanto que hoje em dia fica difícil trazer qualquer coisa.

 

Caras com meses assumindo grupos, capoeiristas que vêm, queimam o filme e vão embora. Estrangeiros montando grupos, apoiados pela lei do seu país, e que nem querem ver mestre brasileiro como referência.
A capoeira chega a mais de 150 países. De milhares viram milhões. Milhões de escritores, compositores, inventores, criadores e bilhões de copiadores da média. Mas, dentre milhões, existe quem resista e trabalhe sério. FELIZMENTE A MÉDIA ESTÁ USANDO O TERMO ANCESTRALIDADE.
Para fechar, normalmente quando se faz workshop, oficinas, vivência (convivência), separa-se os grupos em turma de: INICIANTES, INTERMEDIÁRIOS, AVANÇADOS E PROFISSIONAIS.
Olha os quatro, criança, jovem, adulto e velho. 
E você, o que acha desse tema? Na próxima semana eu trago a opinião de outros mestres sobre a unificação das graduações. Não perca a gente de vista, siga o Blog Capoeira de Toda Maneira nas redes sociais.