04 Mar 2005

CAPOEIRA EM DISCUSSÃO

Capoeira – escola superior ? esporte ? arte ? dança? luta? terapia? INTRODUÇÃO A Internet é um fonte inesgotável de conhecimentos, amizades,

04 Mar 2005

Capoeira – escola superior ? esporte ? arte ? dança? luta? terapia?

INTRODUÇÃO

A Internet é um fonte inesgotável de conhecimentos, amizades, companheirismo, parceria.
Nesta seção, fruto do provocante texto do nosso genial  Mestre Squisito, que pessoalmente prefiro grafar como "Skisito", por que nele tudo é esquisito, exceto este artigo… estaremos publicando pareceres, opiniões e sugestões sobre conceito. 
Devo relembrar que a capoeira com o a praticamos hoje, aparece na terceira década deste século e ainda está em contínua transformações que venho acompanhando desde o o surgimento da Regional, uma vez que iniciei a sua prática e aprendizado, com Mestre Bimba em 1938 (oito anos após a sua criação…), convivi com seus primeiros alunos, dos quais obtive informações preciosas que venho apresentando, antes sob forma de depoimentos que de pesquisas.
Uma instituição virtual, um simples < www.capoeira.edu.br > poderia ser  o ponto de encontro onde os interessados possam trocar idéias, informações usando < ftp://…. > , com softwares de fácil manuseio como  Frontpage, WSFTP95, ICQ, etc. estimulando o crescimento de cada um sem  o vinculo obrigatório a uma instituição de universitário arcaica, deficiente, corporativista, feudal, cara e de baixo rendimento prático, na qual predominam  teoria e coletânea de títulos como objetivo e instrumento de ascensão em titularidade.
Bimba e Pastinha dispensavam aquecimento e alongamento,.
Consideravam os próprios movimentos do "jogo" de capoeira como auto-suficientes, aquecendo e flexibilizando o corpo, enquanto aperfeiçoam o espírito, aumentam a auto-estima, sociabilizam o cidadão e  conduzem o SER ao campo do divino. 
Parabéns, portanto, a Mestra Maria Pandeiro e ao querido amigo Skiisito pela abertura deste espaço.
Por ser médico, espiritualista e "feito" em candomblé, disponho de vivência pessoal, convivência com os personagens, atores e autores  principais deste maravilhosa manifestação da fusão das culturas africana, ameríndia e européia,  tenho procurado divulgar pela internet, contatos pessoais, palestras, entrevistas, livros,  sem deixar de reconhecer as limitações dos depoimentos, sujeitos às influências de prejuízos e sobretudo, do saudosismo que turva a apreciação do atual e modifica a antevisão do futuro.
 Sugerimos, para ampliar a discussão, visitar nossos trabalhos: />/>

Salvador/BA, 03/210/99 – "Decanio"


Cara Mestra Maria Pandeiro.
Moçada ligada da Net… Axé!

Desculpe a demora na resposta…
Estava envolvido com um monte de compromissos e só agora me liberei para continuarmos o assunto, que tanto nos entusiasma: a capoeira como instrumento de educação formal!
Achei muito interessante suas reflexões, particularmente quanto à preocupação com a capoeira restrita dentro de uma educação física exclusivamente corporal, com o que concordo plenamente: a capoeira é muito mais do que uma pratica desportiva, tem alcance muito maior do que um simples esporte…

No entanto, minha prezada Mestra, esse assunto é realmente muito denso, muito complexo, muito amplo e estamos apenas iniciando nosso debate em torno dele…
Por exemplo, se para introduzirmos a capoeira como prática educativa dentro de educação física, e isso vem ocorrendo a muito tempo, já temos diversas dificuldades, particularmente uma atitude defensiva, de um lado dos profissionais de educação física – que se sentem naturalmente ameaçados pelos professores e mestres de capoeira e, do lado da capoeira, os nossos Mestres e Professores que, sabedores que as regras dentro da Escola e da Universidade são ditadas pelos títulos acadêmicos, também se sentem despreparados para competir com os professores de educação física e, como isso, estabelece-se uma atitude mutuamente insegura e de distanciamento… 
Acho que todos conhecem esse tipo de problema.
Bem, superado esse primeiro impasse – na verdade uma barreira da insegurança da perda de espaço e de poder mutuo, logo que a razão assume o devido lugar da análise das coisas, vê-se que ambas as partes tem a ganhar, pois, do lado da educação física, particularmente para o nosso povo brasileiro, encontramos uma pratica extremamente pobre e alienante, onde exercícios calistênicos e extremamente desestimulantes, fazem com que exista um grande vazio na prática desportiva, hoje sendo considerada uma disciplina ligada antes à SAÚDE no plano mais geral do que uma atividade FÍSICA puramente, dentro dos próprios anseios dos profissionais de vanguarda da Educação Física. Assim, a Educação física, se encontra carente de elementos capazes de promove-la ao status de uma disciplina holística o suficiente para ser responsável pela saúde das pessoas, resgatando-a de uma condição histórica de disciplina de segunda categoria, preocupada com a coisa menos importante: o corpo!
Cabe esclarecer, Mestra Maria Pandeiro e camaradas dessa grande roda, que não sou profissional de educação física, e tão somente tive o privilégio de participar do primeiro Curso de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade de Brasília – UnB, com Especialização em Capoeira na Escola.
Um curso que esperamos continue a acontecer a partir do próximo ano aqui em Brasília, sendo minha praia a capoeira a cerca de 25 anos, onde meu contato com essa questão aconteceu justamente durante esse curso de pós-graduação…
Por isso agora me sinto na obrigação de da minha contribuição ao assunto, que já me interessava a muito tempo.
Pois bem, dizia, a Capoeira pode se tornar – pelo menos para a nossa população brasileira, particularmente nossas crianças, adolescentes e jovens, um instrumento capaz de criar uma alternativa absolutamente brasileira para pratica desportiva, para a qual nada impede ?? pelo contrário isso pode melhorar a própria qualidade da pratica desportiva, que ela possa ser incrementada de todas as potencialidades de capoeira, tais como você mencionou, de dança, de aprendizado musical, de aprendizado ritual, de aprendizado de nossa História, de nossas raízes, de nossa cultura popular (nesse caso não folclorizada e estigmatizada como um estudo de cultura morta como tantas outras artes populares que já vimos se tornar restrita a pequenos grupos de resistência), como também aspectos terapêuticos e de franco apoio ao desenvolvimento motor e psíquico de nossas gerações emergentes, fazendo nascer neles um verdadeiro brasileiro, orgulhoso de suas raízes e de suas origens…
Sim, e qual a diferença que isso faria em relação ao que você chamou de uma uma Escola Superior de Cultura Afro-Brasileira e Capoeira?
Talvez nenhuma, a não ser pelo fato de que a questão burocrática da universidade – em qualquer lugar do mundo – é extremamente grande e de difícil superação e, se para sermos parte integrante e interessante a uma instituição existente e estruturada como a educação física, quanto maior ainda seria termos que criar uma nova estrutura capaz de sustentar a existência de uma nova Escola, autônoma e única, como essa?
Estrategicamente falando, você não concorda que seria uma maneira razoável de começarmos se pudermos alçar tornarmo-nos parceiros da Escola de Educação Física e, na medida em que ganharmos suficiente fôlego e espaço possamos pensar e buscar o refinamento de nossas vocação dentro da capoeira, admitindo-se com isso que aqueles que se especializam na capoeira como esporte de rendimento tivessem um aperfeiçoamento técnico disciplinar da capoeira olímpica…
Outros como você ou eu poderíamos ter espaço para nossa afinidade com a capoeira enquanto Arte e cultura popular lato senso, com respaldo para trabalharmos essa vocação com liberdade e com os insumos que as diversas universidades e cabeças envolvidas pudessem estar produzindo?
Da mesma forma, para a capoeira, poderíamos ter trazido da educação física, como da educação em geral, alguns aspectos que permitissem que tivéssemos mais consistência em nossos conhecimentos, mais consciência em nossas praticas, mais ética em nosso meio, mais profissionalismos em nossas lideranças, e outras coisas que possamos extrair da educação física e da Escola formal sem perder nossa identidade ou autonomia?
É isso aí…
Imagine que essa discussão está apenas começando e vamos s’imbora!!

Yêh, volta do mundo!!!!!! Camará!!!!
Squisito 


Camaradas,
Sou iniciante na Capoeira, mas já me sinto preparada para afirmar que não se  pode reduzir a Capoeira a uma "atividade física" ou "Arte". É MUITO MAIS.

Me emociono numa roda, entro em transe mesmo, por isso defendo que a capoeira é muito mais ritual, uma luta que nos remete as nossa origens. Não as africanas, estou falando das sociedades primitivas, de muitos anos A.C.  …  É muito mais complexo.
É um registro que existe ou não na alma.

Aluna Coruja.


Salve Caro Mestre Squisito e todos/as que participaram deste diálogo!

Muito obrigado pela oportunidade de dar meu parecer sobre este assunto de tanta importância para nosso futuro. Estive pensando e refletindo sobre o mesmo e também venho lutando aqui na Alemanha para o reconhecimento da Capoeira como "Arte". Talvez o processo de minha luta possa ser uma sugestão para a discussão do Fórum a ser realizado.
Na minha opinião a Capoeira não se enquadra, nem deveria ser de responsabilidade da disciplina "Educação Física", por limitá-la à atividade corporal, diminuindo os fatores artísticos e culturais da mesma.
Levando-se em conta que a Capoeira possui aspectos esportivos, deveríamos abaliza-la, porém em seu todo como uma manifestação artística popular.
Do ponto de vista etnológico a Capoeira pertence a "Arte e Cultura Popular".
O que é "Arte Popular"?
Arte popular se refere a uma quantidade de fenômenos culturais que originariamente não fazem parte de uma elite cultural clássica. Os fundadores, produtores da Arte popular não são classificados como artistas autônomos da "alta cultura" ou seja, como intelectuais.
Arte popular foi e está ligada, ainda hoje, com a prática da vida.
Gênios artistas, autônomos, os quais têm sua arte como uma criação única e completamente individual, são raramente encontrados na Arte Popular.
O que domina na Arte Popular é a tradição que é passada de geração para geração, de um grupo para outro em coletividade, na vivência e na prática da comunidade.
Na maioria dos casos os autores da Arte Popular fazem parte de uma classe social mais carente com nível educacional baixo e grande índice de analfabetismo…
Arte e cultura popular chegam a ser "culture of poerty" que significa arte marginalizada, como arte de pobres e oprimidos, que atinge naturalmente diversas classes sociais -como por exemplo a cultura do marginalizado Nordeste do Brasil.
No entanto, não podemos deixar de reconhecer estes criadores, autores e divulgadores como "artistas", principalmente quando um membro de uma comunidade destaca-se pelo seu desempenho a divulgando, a apresentando e a representando profissionalmente palcos, eventos culturais e festas públicas fora da comunidade a qual a devida "arte" se origina.
Vendo através deste prisma, teremos uma Capoeira mais rica e completa do que um simples esporte.
Para tanto é necessário muito mais conteúdo em um curso de nível superior, que profissionalize a Capoeira, que o que nos oferece a Escola de Educação Física. São necessárias outras disciplinas que complementem o Estudo além da parte física, esportiva, didática, recreativa e competitiva.
Há de se convir que não existe nenhuma Escola Superior que abrigue a Capoeira no seu todo.
A Escola Superior de Música seria incompleta pela falta dos elementos corporais, na Escola Superior de Dança nos faltariam os elementos musicais, históricos, etnológicos…
A Escola de Pedagogia, Sociologia e História teriam somente a parte teórica. Sendo assim é quase impossível encaixar a Capoeira em alguma Escola Superior de Educação que a abrigue sem que ela perca sua complexidade como Arte e Cultura Popular Brasileira.Minha sugestão é que se crie uma Escola Superior de Cultura Afro-Brasileira e Capoeira, com o objetivo de formar profissionais que sejam aptos a representar a Arte Afro-brasileira em todo seus aspectos, incluindo-se os elementos folclóricos: Maculelê, Samba de Roda, Puxada de Rede, conhecimentos gerais das religiões afro-brasileiras, seus ritmos, suas danças, suas raízes e toda a parte histórica, teórica, Capoeira Angola, Regional e suas inovações, fabricação de instrumentos, estudos sobre a origem dos mesmos, etc…
As atuais leis criadas nos últimos anos, que restringe os profissionais de Capoeira à professores de Educação Física ou supervisão dos mesmos nos limita, não só no campo de trabalho, mas também na representação da mesma, colocando Mestres antigos e sem formação acadêmica em situação desvantajosa e submissa. Tais Mestres e profissionais, com a criação de uma Escola Superior de Capoeira, terão direito à "Causa Honoris". Os praticantes de Capoeira poderão ser selecionados para tais escolas através de audições (como é feito nas escolas de Dança), onde o conhecimento básico, prático e teórico de Capoeira seria avaliado.
Assim todo/a candidato/a teria que ter uma formação prévia de no mínimo cinco anos.
As disciplinas não deveriam somente estar restritas à "Arte da >Capoeira", mas também ao corpo humano e seu funcionamento ? atualização de métodos corporais para Aquecimentos e Alongamentos e Primeiro Socorros (que deveriam ser atualizados à cada ano)-, Didática, Pedagogia moderna e infantil, alfabetização de adultos através das músicas de Capoeira (Paulo Freire), História do Brasil, da África e Geral, Geografia, Administração, música e canto (teórico e prático), Dança afroe afro-brasileira, Percussão afro-brasileira e africana, Sociologia – Formação de Projetos Sociais, Política, Psicologia, enfim tudo o que um bom profissional necessita para lidar com a sociedade e representar a Capoeira como uma Arte e não como um mero Esporte.
Acredito na Capoeira como Arte, pois ela abrange muitos aspectos, englobando o ser humano em um todo, enquanto a Capoeira esporte o restringe ao corpo, o levando ao espírito competitivo que não cabe nos fundamentos da Capoeira.
E mesmo que insistam a pratica-la como um esporte competitivo a elevando à nível olímpico, deveríamos nos preocupar com a parte educativa da mesma.

Abraços.
Mestra Maria Pandeiro


Caro Mestre Squisito,

concordo que estrategicamente colocar a Capoeira em parceria com a Educação Física para ganharmos fôlego e tempo ou seja o que for é no momento é razoável. Porém me preocupo com as conseqüências desta estratégia.
Infelizmente na sociedade brasileira a Capoeira não é aceita por si própria. Sempre tem que vir acompanhada de mãos dadas a algo mais. Quando será que a nossa arte vai poder andar sozinha?
Quando será que a sociedade brasileira vai encarar a Capoeira como cultura afro-brasileira que por si se completa, educa, ensina, conscientiza, forma e profissionaliza?
Sempre teremos de andar apoiados numa Escola de Educação Física?
É a Capoeira somente reconhecida pelo fato de estar indo para as Olimpíadas?
Por quê nossas famílias, amigos, esposas ou maridos, filhos, não podem se orgulhar de nós por sermos capoeiristas, sem precisarmos de estratégias para lecionar e para sermos reconhecidos profissionalmente?
Será que a Capoeira por si própria não é capaz de criar à população brasileira, em especial à juventude, uma consciência cívica e uma cidadania sem ter de passar pelo "exército" ou pela Educação Física.
Não estaríamos elitizando e embranquecendo a Capoeira ao restringi-la à Escola de Educação Física? E os velhos Mestres que não tem acesso à pós-graduações e estão se confrontando com as leis criadas pelas Federações?
Com certeza acrescentaremos muito à Educação física, mas sem dúvida a qualquer outra profissão se somaria muito a junção da Capoeira… 
Mas temos realmente esta necessidade, ou não é apenas o contrário.
Para mim é bem claro que a partir do momento que se entrega a Capoeira á terceiros ela está arriscada a perder sua identidade e autonomia. 
Mestre Sombra um dia me falou:
Se a Capoeira fosse uma fonte de água fresca, muitas pessoas matariam sua sede nela.
Se um dia uma rainha bebesse desta água esta fonte passaria a ser famosa, mesmo que o povo continuasse bebendo dela. Mas será que só porque uma rainha bebeu desta água, a água mudou?
Na verdade a água continua a mesma e sempre será água!
Me pergunto tudo isto e gostaria muito de estar presente no seu Simpósio para esclarecer e debater sobre este tema.

Muito obrigado.
Mestra Maria Pandeiro


Cara Mestra Maria Pandeiro.

Obrigado pela sua atenção e interesse!
Estive viajando uns dias por isso demorei para te responder…
Interessantes suas considerações, com certeza!
Acho que todas essas questões precisam ser pensadas e repensadas….
Mas tem uma série de ponderações que precisamos fazer, com calma, com reflexão sobre os pós e contras de cada opção a adotar…
Tem um aspecto em particular que você tocou na sua mensagem, quando levanta a questão da elitização da capoeira, que tenho visto sempre vir a tona quando falamos em escola, em universidade, em educação… Ora, amiga, será que para nós se a capoeira de ontem foi gerada e criada e sustentada por pessoas simples, analfabetas ou semi-analfabetas, sábios do povo que emergiram à revelia da classe dominante e a mantiveram dentro de seus coração, a capoeira de hoje ainda cultua essas pessoas, e as de amanhã certamente continuarão cultivando – pelo menos aquelas que estejam sendo educadas dentro do espírito de respeito à hierarquia da sabedoria que sempre sustentou as relações entre os capoeiristas de sangue-bom…
Isso é sem dúvida maravilhoso! saber e reconhecer que a capoeira é um produto do Mestre emergente do nosso povo brasileiro!!!!!
Agora vale a pena perguntar: até quando a idéia de ser povo será imediatamente associada ao fato de se ser analfabeto?? Se estamos pensando em uma forma de ganharmos o status de respeito acadêmico isso se dá porque qualquer pessoa tem direito a educação, inclusive, claro, os capoeiristas!!!!!
Qualquer projeto que discuta a capoeira como um horizonte de crescimento que a torne uma disciplina educacional – dentro da escola!!!! – está diretamente associada a um mercado de trabalho, tão digno quanto dar aula em academias, embora essas  – as academias – são, elas sim, elitistas!!!  alguém discorda?
Então, se a capoeira vai – e isso deve acontecer mesmo – se tornar uma disciplina dentro da arte – ja tem sido produzidos diversos estudos nas escolas de artes, seja dança, música, etc., tendo a capoeira como tema; da mesma forma outros tantos estudos tem sido desenvolvidos nas áreas de antropologia e sociologia – vide o trabalho de Júlio César, que se tornou uma referencia dentro do estudo sociológico  com a capoeira, na educação que seja, pois – acreditem, ela sempre esteve convivendo com essa disciplina e da qual hoje é indiscutível uma série de artefatos que tem sido empregados dentro da capoeira – inclusive com alguns equívocos perigosos – como uma massa muscular sem mandinga, ou uma acrobacia olímpica estéril, enfim, qualquer que seja o terreno acadêmico/educacional que a capoeira ocupar isso será um mercado de trabalho novo – pois hoje essa coisa tem sido mantida a sete chaves por grupos que insistem em tornar as escolas – principalmente escolas públicas – espaço de ocupação por grupos, o que é no mínimo questionável, não acha??
Enfim, não podemos continuar pensando em nós capoeiristas como incapazes de estarmos dentro da ciência ou de qualquer outro espaço organizado do mundo…
Só que, infelizmente ou felizmente, a ciência tem exigência que precisamos aprender, pois na capoeira cada mestre pode dizer o que quiser para seus alunos, até mesmo as piores asneiras, que isso é a verdade! na escola isso não será possível. Na escola os alunos tem direito de questionar quanto a agressões e outras formas de opressão que tem abundado nas escolas de capoeira, a titulo dos alunos ficarem durões …!! naturalizando a violência, pois quem não entra no clima é mole, etc…
A capoeira, apesar do discurso bastante vivo na boca de quase todos nós capoeiristas, precisa aprender a democracia, de verdade, e o respeito a Lei, pois a Lei não existe para ser transgredida e se isso acontece em nosso País ainda hoje é porque a impunidade e aceita com naturalidade. A EDUCAÇ&ÃO DE NOSSO POVO PODE MELHORAR ISSO.
A capoeira pode e deve ser tornar uma instrumento de crescimento de nossa população. Ser exportada como uma cultura brasileira capaz de fazer frente a globalização que só tem uma bandeira dominante… todos sabem qual é!
Temos que ter um mecanismo de resistir na mente de nosso povo – esse mesmo povo que inventou a capoeira mas não consegue viver dignamente dela, a nossa consciência nacional – orgulho disso inclusive, a nossa história verdadeira, e a sermos saudáveis e felizes, como qualquer branco, ruivo ou amarelo do primeiro mundo!!!! e a capoeira pode nos ensinar isso tudo…
Mas dentro de uma academia?? Não, Mestre Maria Pandeiro, você sabe que dentro de uma academia podemos ensinar o culto do narcisismo, ou do ego, de movimentos e técnicas, até de alguns rituais – normalmente caricaturados, como normalmente vemos quando a classe média tenta, por exemplo, fazer um jogo de angola…… Mas ensinar cidadania, ensinar nossa História, ensinar nossa memória aos Mestres – aqueles pobres infelizmente que na maioria morreram na miséria e ter nisso uma consciência critica do valor que é dado as nossas raízes e aos nossos heróis comunitários??
Não. É claro que isso precisa ir além de uma academia para se tornar verdade…
E, o que acho mais importante, isso tem que acontecer logo, pois senão nossa memória se perde nas regras das federações e confederações, nossos valores – já sem grande valor real no mercado do mundo, serão estraçalhados pela concorrência do mercado de alunos, substituídos por tipos rambóides que estão sendo produzidos e difundidos como sendo os capoeiristas modernos!
Enfim, minha amiga e meus camaradas dessa grande roda do mundo, seja qual for o caminho, ele tem que começar a ser traçado JÁ!!
Acho preferível errar fazendo algo, do que me omitir por minhas dúvidas: a capoeira é uma conquista do povo brasileiro, extraída do sangue jorrado de nossos ancestrais, que tem direito aos espaços das escolas, das universidades, da política, do diabo a quatro! Temos o direito de ser respeitados!
Somos iguais ou até mesmo melhores do que qualquer burguês nojento que monopoliza nossas universidades publicas, que deveria estar sendo ocupadas pelos nossos cidadãos, os quais não devem mais aceitar como um fato inevitável que não tem acesso a essa universidade.
Se hoje, Mestra, não temos nós mesmos esses espaços, façamos com que nossos alunos amanhã os tenham, incentivemos eles a concorrem com esses postos. Eu concordo que a capoeira é dos capoeiristas, mas os capoeiristas tem que ser competentes para ocuparem os espaços que estão em poder dos poderosos!
Nós somos também poderosos e podemos e devemos tomar esses espaços… ou nós, ou nossos alunos, ou os alunos de nossos alunos…. TEmos que ser estratégicos. Mas devemos começar AGORA!!!!!!
Mas, afinal, estamos apenas começando a questionar essas coisas!!
Ainda espero aprender muito com todos!

Um forte abraço!
Espero vocês no SIMPÓSIO.
Axé!!!!!!
Squisito
P.S. -desculpem a pressa das idéias, mas não tive nem tempo de revisar…!!/> o mesmo

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