Crônica: Que seria de nós?
09 Mar 2007

Crônica: Que seria de nós?

Marcio Lourenço Araújo, mais conhecido no universo da capoeiragem como Contra-Mestre Pernalonga, vem ao longo de sua história construindo fortes amizades e

09 Mar 2007
Marcio Lourenço Araújo, mais conhecido no universo da capoeiragem como Contra-Mestre Pernalonga, vem ao longo de sua história construindo fortes amizades e valorizando a cultura brasileira. Depois de ter se aventurado pelas bandas da Alemanha tem construido dia após dia com muito trabalho, carinho e dedicação uma casa forte, cercada de amigos dando estes todo o alicerce que a família Cazuá precisa para prosperar.
 
Este ano o Cazuá irá completar 3 anos de existência, tive o imenso prazer de estar presente em seu primeiro aniversário e irei fazer de tudo para estar presente em seu terceiro ano de luta e resistência.
 
Pernalonga me confessou em mensagem enviada diretamente do Brasil, onde passa férias, que acaba de concretizar mais um de seus sonhos: "acabo de realizar mais uma parte dos meus sonhos ,pois mandei dua alunas minhas, pecadinho  e malvadeza, duas treineis que estão comigo a muito tempo e isso e uma vitória pras mulhres da periferia e pra mim que  consegui realizar este sonho. Enquanto eu estou aqui elas ja dão aula no cazau.
Irmao este ano elas já vão estar dando oficina  no aniversario do cazua huhuhuh!!!"
 
Daqui fica a grande torcida para que todos os envolvidos com o fantástico trabalho de Marcio e seu Cazuá continuem dando bons frutos assim como fica a nossa torcida para que outros grupos e trabalhos se destaquem dentro e fora do Brasil, estando o canal aberto dentro do Portal Capoeira para publicarmos e incentivarmos estas experiências.
Luciano Milani
Que seria de nós?
 
Que seria de nós?
Sem ela… a mulher…
Que seria da Capoeira Angola sem a sua beleza e formosura, sem a sutileza dos seus gestos e o brilho dos seus olhares.
Que seria da perfeição?
Sem elas pra se espelhar…
que seria do homem?
Sem elas pra se encantar
 
Um giro numa roda… é volta do mundo…
Um giro na periferia… e lá está…
Com toda a sua força, contrastando com o seu charme… a mulher
Que na humildade da sua sabedoria cria os filhos, os irmãos, cuida da casa, sustenta a família, trabalha fora, faz a comida e ainda tem muito… muito amor pra dar.
 
De Angola, daqui… d’aculá… não importa ela é número pra somar.
 
 
 
O Contra Mestre Perna Longa tem feito um trabalho todo especial juntamente com o Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros no incentivo e resgate da participação da mulher na Capoeira, o que tem dado incríveis resultados, seja para a beleza das suas vadiações, seja para a harmonia das suas rodas, mas principalmente pela força de sua natureza.
 
Nessa corrida vários trabalhos de percussão, canto, rodas e artesanato foram feitos explorando o que há de melhor nessas jóias raras, e tem dado muito resultado, que hoje é reconhecido internacionalmente, através dos intercâmbios entre o Cazuá (Bremen) e a Senzalinha (Brasil), aonde acontecem rodas, encontros e vadiações;
 
O curioso é que o que para a mulher brasileira “vadiação” tinha a conotação de um marido vagabundo na porta de um boteco bebendo e sambando com outras mulheres, hoje é trabalhando de uma forma mais lúdica, aonde elas vadiam com maestria, com beleza e graciosidade.
O Cazuá desenvolve um papel todo especial em Bremen, pois em um país aonde culturalmente as pessoas são menos emotivas e menos sensíveis, a Capoeira Angola através do seu encanto que se mostra através dos seus gestos e da sua harmonia, tem conseguido grande avanço no que se refere à sensibilidade nos seus movimentos suaves e sublimes, e já têm exportado verdadeiras pedras lapidadas no dia-a-dia das rodas, dos treinos, da convivência com outras meninas brasileiras que nesse intercâmbio trocam experiências, vivências, cultura e claro cabeçadas, rasteiras e muitas gargalhadas.
 
Esse trabalho se deve a vários fatores, o principal deles é que o trabalho dos Mestres Baixinho e Marrom que são pai e filho, por causa desta união e demonstração pratica de cumplicidade e amizade o trabalho é difundido nesses termos, aonde a ligação mais forte é o afeto, respeitando as diversidades e explorando as diferenças, para que possam chegar sempre ao melhor para o grupo em si, e como faz parte da mulher esse lado família, do cuidado, do carinho, da convivência, torna mais fácil o trabalho, que com muito empenho e força de vontade vem dando tantos frutos desde o tempo em que foi plantado… ou seja… sempre!
 
Corvo Poeta
08-03-07
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