É preciso ter força, raça, gana e… graça
04 Ago 2007

É preciso ter força, raça, gana e… graça

Quem disse que a capoeira não é feminina? Flexibilidade e perda de peso são os principais benefícios da técnica que atrai cada

04 Ago 2007

Quem disse que a capoeira não é feminina? Flexibilidade e perda de peso são os principais benefícios da técnica que atrai cada vez mais Marias…

DANÇA, LUTA, JOGO, canto: pura arte brasileira – assim é a capoeira. O ritmo contagiante, a ginga e a energia que envolvem a roda vêm conquistando, dia a dia, mais e mais mulheres. A maioria delas começa a jogar por pura curiosidade e acaba se tornando praticante assídua do esporte, que é a cara do Brasil. “O sucesso entre elas se deve principalmente ao fato de ser uma modalidade democrática. Nela, a mulher luta em condições de igualdade com o homem. Muitas são, inclusive, campeãs”, explica o professor Paulo Renato Hermógenes de Oliveira, mais conhecido no grupo N’golo Capoeira como contramestre Paulo Renato. Leia mais sobre essa luta centenária e descubra quais benefícios ela pode trazer para seu corpo e sua mente.

uma arte apaixonante

Para quem assiste pela primeira vez, pode parecer uma simples brincadeira ou uma dança divertida, mas a capoeira é muito mais do que isso. Ela trabalha o corpo todo numa atividade constante, pois há momentos do treino em que se exige bastante força. Em outros, é preciso agilidade e muita, mas muita flexibilidade e equilíbrio. Isso, aliado à variação de ritmo, ora calmo, ora agitado, proporciona um grande gasto calórico, e quem pratica realmente emagrece muito. Em uma aula de 90 minutos uma pessoa pode gastar até 800 calorias! E o melhor: brincando! A capoeirista Juliana Veroneze, 30, do Grupo de Capoeira Filhos de Gandhi, de Mauá, na Grande São Paulo, notou as mudanças em seu corpo logo no primeiro mês: “Pratico há mais de sete anos e desde o início senti que estava com mais disposição e flexibilidade, até para desempenhar as atividades do dia-a-dia. Fiquei mais disposta e animada”, conta.

É, realmente a capoeira é democrática. Tem adeptos de ambos os sexos e das mais variadas idades. Janaína Pereira de Lira, 15, é capoeirista há mais de um ano. Ela começou a treinar porque gostava do ritmo contagiante. “Saio das aulas com a cabeça leve, relaxada, feliz”, explica.

“Durante o treino, há exercícios aeróbios e anaeróbios”, explica Paulo Renato. “A prática melhora o equilíbrio, desenvolve a noção espaço-temporal, estimula a flexibilidade, a força e o tônus muscular, além de melhorar a postura”, acrescenta o professor.

Mas os benefícios não param por aí. Há também a socialização, uma vez que, para jogar, é necessário ter sempre mais de uma pessoa. A própria roda de capoeira permite essa integração, pois possibilita que todos se enxerguem e participem do jogo.

O respeito ao próximo também é uma característica do esporte, já que na maioria das vezes o contato físico não é permitido. Assim, o capoeirista precisa desenvolver a consciência corporal para executar os movimentos com leveza e não encostar no companheiro. Tudo isso estimula a autoconfiança e o autoconhecimento, além de ajudar a superar os próprios limites sem invadir o território do outro.

FOTOS MANOEL MARQUESum pouco da história

Na triste e amarga época da escravidão, os negros eram aprisionados na África para serem trazidos de navio ao Brasil. Mais da metade deles morria durante a viagem por causa de doenças, como a desnutrição, e muitos se suicidavam. Os que chegavam por aqui eram acorrentados e comercializados como animais, leiloados em ruas e praças públicas e vendidos a preços altos para compensar os prejuízos do trajeto. A maioria era comprada para servir de mão-de-obra nos engenhos de cana-de-açúcar e trabalhavam cerca de 16 horas por dia, sem folgas e recebendo toda sorte de castigos imagináveis.

Durante os períodos em que não estavam trabalhando, eles se distraíam relembrando sua terra, cantando, dançando e mantendo os rituais que costumavam praticar. Em algumas aldeias africanas existia a seguinte tradição: quando uma jovem estava pronta para casar, os guerreiros da tribo disputavam a moça numa espécie de luta em que procuravam imitar os golpes de uma zebra. Essa luta chamava-se N’angolo. Nas senzalas, os negros começaram a desenvolver uma prática semelhante para batalhar por sua liberdade. Mas como os feitores e senhores de engenho permitiriam que eles aprendessem uma arte marcial? Para evitar problemas, eles fundiram a luta com danças. Praticavam-na em campos e matos de vegetação rasteira chamados de capoeiras (derivada da palavra tupi “caá-puéra”). Daí o nome do esporte.

O tempo foi passando e constantemente havia rebeliões com fuga de escravos, disputas e mortes, numa luta desesperada pela liberdade. Os negros que conseguiam fugir infiltravam-se na mata e formavam colônias chamadas quilombos; cada um tinha o seu rei ou ganga. O maior e mais conhecido foi o de Palmares, que se formou na área onde hoje está o Estado de Alagoas. Tratava-se de uma colônia imensa, dividida em aldeias chamadas mocambos. Palmares foi fundado por uma mulher, Acotirene, e posteriormente liderado por Camuanga, Zumba e Zumbi. Após um século de existência, resistindo a inúmeras tentativas fracassadas de destruição pela Colônia Portuguesa e expedições organizadas pelos senhores, o bandeirante Domingos Jorge Velho liderou a batalha que poria fim ao Quilombo dos Palmares e mataria Zumbi, capturando e trazendo os negros sobreviventes às senzalas. Acredita-se que a capoeira tenha se difundido entre os milhares de negros de Palmares, pois há testemunhos da época relatando que os quilombolas atacavam os soldados com “golpes de cabeça e de pé”. E quando Palmares foi destruído, a luta foi levada pelos prisioneiros, passando a ser difundida dentro das senzalas.

uma arte marcial diferente

Os movimentos dessa modalidade lembram os de outras práticas, como o caratê e o judô. Mas a capoeira é a única arte marcial que é feita com acompanhamento musical. Isso se deve basicamente à necessidade que os escravos tinham de enganar os senhores de engenho e capitães-do-mato para poderem treinar. No início, esse acompanhamento era feito apenas com palmas e toques de tambores, mas hoje é composto por uma série de instrumentos. A parte musical tem ainda ladainhas, que são cantadas e repetidas em coro por todos os componentes da roda. Dizem que para ser um bom capoeirista é preciso saber tocar e cantar todos os temas da capoeira.

Outra diferença em relação às demais modalidades é que a capoeira tem um número relativamente menor de golpes. No entanto, eles podem atingir uma harmoniosa complexidade por meio de suas variações.

Mas o grande destaque dessa luta é a malícia, a malandragem, a ginga de corpo, que engana o adversário, podendo ser decisiva em uma competição.

FOTOS MANOEL MARQUESa capoeira desenvolve:

no físico
resistência: É preciso manter o pique durante toda a luta.
agilidade: Os movimentos mudam de direção e sentido a toda hora.
flexibilidade: Na capoeira prevalecem os gestos amplos. velocidade: Para surpreender o adversário sempre que for possível.
equilíbrio: É preciso manter o domínio do corpo em algumas posições mais complicadas. coordenação: Para responder aos golpes com os braços, tronco e pernas, tudo ao mesmo tempo.
ritmo: O jogador sempre acompanha a música.

no emocional
relaxamento: Ela ajuda a liberar a agressividade, ainda que o esporte não estimule a violência.
atenção: É preciso estar atento o tempo todo ao que acontece na roda.
persistência: Os golpes só ficam perfeitos depois de muitas tentativas. coragem: Aos poucos, o medo de fazer certos movimentos desaparece.
malícia: A capoeira desenvolve a malandragem, deixa os instintos aguçados e ajuda a compreender melhor as situações e os olhares ao redor.

outros benefícios da capoeira:

– o diálogo corporal, a improvisação, a inteligência do corpo, a necessidade de agir, o equilíbrio, assim como as noções de espaço, tempo, ritmo, música e compreensão da filosofia de jogo, são princípios fundamentais ensinados dentro da capoeira.
– para o corpo é perfeito! Os movimentos mexem com todos os músculos, desenvolvendo uma série de qualidades físicas.
– alívio das tensões, reflexos mais rápidos e mais força muscular.
– com um pouco de persistência, o seu fôlego vai ficar muito melhor, porque a prática constante (pelo menos 3 vezes por semana) estimula o sistema cardiorrespiratório.
– definição dos músculos abdominais, muito solicitados durante o treino.

 

Texto sugerido por: Shion

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