07 Out 2005

Capoeira cidadã

  Ricardo Mourão, 17 anos, conta que era bagunceiro demais. ?… Eu ficava brigando o dia inteiro na rua… Sempre tinha reclamação

07 Out 2005

 

Ricardo Mourão, 17 anos, conta que era bagunceiro demais. ?… Eu ficava brigando o dia inteiro na rua… Sempre tinha reclamação lá em casa, minha mãe brigava comigo… Eu não tinha nada pra fazer!?

Ao passar pela porta da Associação de Capoeira Ladainha, a ladainha da rua, a vida cheia de erros, tudo fica para trás. Weverton Couto, 11 anos, é um bom exemplo: ?depois de começar a fazer capoeira eu aprendi que não é na porrada que se resolve tudo… É na conversa?, conta o garoto.

Arte, luta ou esporte? A capoeira é tudo isso e mais um pouco. Música, força, ginga… Tudo muito sedutor para quem não tinha um objetivo. De acordo com o mestre Gilvan, a capoeira como instrumento pedagógico é contagiante. ?Cada criança que entra aqui, não tem vontade de sair… Nós colocamos na escola, o comportamento do aluno melhora…?

Em 14 anos, mais de 15 mil alunos já passaram pelas oficinas. Paulo Henrique, 23 anos, começou aos nove. Hoje, participa do projeto como instrutor de capoeira. ?Pra mim, isso aqui é tudo. Coisa melhor não tem?, confessa.

Atualmente, 300 crianças e adolescentes aprendem capoeira de graça. Cada um contribui como pode. O galpão funciona no quintal da casa de mestre Gilvan. Os uniformes foram doados e as aulas são dadas por ex-alunos.

Edílson Lima é um ex-aluno que para se formar precisou dar aulas de graça durante o estágio. Caso contrário, nada de diploma. Ele gostou tanto da experiência que depois de formado, continua ajudando. ?A gente faz um bem à sociedade. Tira a criança de onde ela estava aprontando e, com a capoeira, mostra o outro lado da vida?.

A idéia é ensinar outras crianças, mas falta estrutura. A meta é ambiciosa: passar de 300 para duas mil jovens até o final do ano. O projeto ?Gingando para o Futuro? está à procura de parcerias com empresários. Com 15 reais por mês, dá para adotar um aluno. Quem quiser participar, pode entrar em contato pelo telefone 475-2511.

Imagens: Romildo Gomes

http://dftv.globo.com/

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