Capoeira contra a violência na UPP Calabar
04 Jul 2011

Capoeira contra a violência na UPP Calabar

Quando conheci o Mestre Malvina, as crianças do projeto de Capoeira estavam participando do evento de inauguração da Unidade de Polícia Pacificadora

04 Jul 2011

Quando conheci o Mestre Malvina, as crianças do projeto de Capoeira estavam participando do evento de inauguração da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do bairro Calabar, em Salvador. E não fizeram feio, jogaram ao vivo, para alegria do governador baiano Jacques Wagner. Confesso que esperava ver essa cena. Já tinha ido a Salvador e também ouvia falar muito sobre a paixão do povo da Bahia pela capoeira. Mas a alegria daqueles meninos e meninas me chamou a atenção. Foi quando decidir saber um pouco mais sobre eles.

Tive que esperar toda a cerimônia de inauguração para conversar com calma com o mestre. As crianças estavam muito animadas e não deixavam o professor em paz. A entrevista aconteceu na salinha reservada para o pessoal da capoeira, que fica dentro do prédio da unidade pacificadora. Malvina me explicou que as aulas acontecem dentro da escola da comunidade e na associação de moradores, sempre de segunda a sexta-feira.

Mas qual a importância da capoeira para essas crianças? Foi o que eu tentei entender conversando com o professor. Muito animado e com esperança de dias ainda melhores, ele me disse que o esporte é importante porque ajuda na educação das crianças. E revelou ainda que a maior vitória para um mestre é quando seus alunos conseguem seguir uma carreira, trabalhar e ganhar o próprio dinheiro.

– O trabalho que a gente faz ajuda a tirar as crianças das ruas. A gente tenta ocupar a mente desses meninos e meninas. Todos os professores usam na camisa o slogan: não seja bobo, não use drogas. A capoeira ajuda na escola, na educação – contou Malvina, brincando com a faixa etária da turma:

– As aulas são para crianças de 3 até 100 anos. Capoeira não tem idade. Vários jovens que passaram pelas nossas mãos mudaram de vida e acho isso ótimo. É gratificante ver os nossos alunos trabalhando em grande empresas – finalizou.

Quando conversamos, a comunidade do Calabar ainda estava se acostumando com o modelo de policiamento comunitário. O próprio Malvina evitou falar sobre as expectativas que tinha, mas pediu ajuda.

– Acho que o novo policiamento deveria apoiar as aulas de capoeira, espero que eles tenham chegado para somar. Temos que acreditar neles, acho que vai dar tudo certo para a comunidade – encerrou.

Malvina foi um dos caras legais que conheci na minha passagem por Salvador. Aos poucos vou contando um pouco da história de cada um aqui no blog. Não deixe de acompanhar…

 

Fonte: http://www.blogdapacificacao.com.br/

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