Capoeira da Paz: projeto realizado por brasileiros em Jerusalém
10 Jan 2009

Capoeira da Paz: projeto realizado por brasileiros em Jerusalém

Capoeira da Paz: projeto realizado por brasileiros em Jerusalém continua mesmo durante a guerra Desde 2003, a atividade tem sido uma forma

10 Jan 2009

Capoeira da Paz: projeto realizado por brasileiros em Jerusalém continua mesmo durante a guerra

Desde 2003, a atividade tem sido uma forma de unir crianças e adolescentes (e seus pais) israelenses e palestinos

Enquanto o mundo assiste a mais um conflito entre israelenses e palestinos na Faixa de Gaza, um projeto de paz consegue sobreviver em Jerusalém. Criado em 2003 pelo antropólogo brasileiro Michel Gherman, num momento de turbulência da cidade por causa de uma rebelião palestina, o Capoeira da Paz queria unir crianças e adolescentes israelenses e palestinos. E tem conseguido, mesmo com os atuais ataques.

Gherman chegou a Jerusalém em 2002 para um mestrado em Antropologia e logo percebeu que existia, tanto do lado judaico como do palestino, um interesse pela capoeira. “Mesmo sendo um momento em que o foco das pessoas era a guerra, com o comprometimento em atacar, propus, por meio da atividade, um encontro entre os povos”, diz.

E não foi fácil, relata. Entre os jovens a resistência não era tão grande. O problema eram os adultos, pais e orientadores das atividades nos centros culturais, que achavam os encontros perigosos demais, principalmente naquela situação. “Eles pensavam que suas identidades se enfraqueceriam com a aproximação. Mas, com a ajuda de intermediários, o conceito de que quanto mais você conhece o outro mais fortalece sua identidade possibilitou o diálogo.”

Os grupos eram formados por crianças e adolescentes de 8 a 15 anos, com turmas separadas por sexo. Os professores eram brasileiros. O português começou a ser estudado, pois era uma forma de eles se entenderem. Durante as aulas, seus nomes eram trocados. “A gente rebatizava as crianças. Um Mohamed, por exemplo, virava ´Pica-pau’. Queríamos usar a cultura brasileira para proporcionar um contato”, explica. Brigas entre as crianças? “No começo, algumas. Mas nada que não fosse resolvido rapidamente.” Em 2 anos, o projeto contava com mais de 800 alunos. “Conseguimos até organizar uma apresentação para os pais. No fim, eles saíram de lá sabendo que o diálogo pode acontecer, mesmo em povos com culturas distintas”, relata. Em pouco tempo, a prefeitura de Jerusalém decidiu apoiar o movimento.

Gherman criou, também, com o mesmo objetivo, um outro projeto chamado Coexistência em colégios palestinos e israelenses. “Primeiro realizávamos um trabalho de debates nas escolas para eles perceberem que há diferenças mesmo dentro de sua cultura. Quando percebíamos que eles tinham entendido isso, aí sim promovíamos um encontro entre os grupos”, diz. Hoje, muitas delas têm em seu currículo essa atividade. O antropólogo voltou para o Brasil em 2008. Mas, com os recentes ataques entre israelenses e palestinos, ficou preocupado com a sobrevivência de Capoeira da Paz. ”Entrei em contato com a equipe do projeto e me disseram que as apresentações estão sendo realizadas no centro de Jerusalém. É uma forma de mostrar que o objetivo de aproximar os povos deve permanecer mesmo quando a paz não existe”, afirma.

Fonte: http://revistacrescer.globo.com

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