Berimbau
23 Fev 2005

Berimbau

O berimbau é um instrumento de percussão trazido da África (mbirimbau). Ele só entrou na história da capoeira no século XX. Antes,

23 Fev 2005
O berimbau é um instrumento de percussão trazido da África (mbirimbau). Ele só entrou na história da capoeira no século XX. Antes, o instrumento era usado pelos vendedores ambulantes para atrair os clientes. O arco vem do caule de um arbusto chamado biriba, comum no Nordeste, que é fácil de envergar. A cabaça, feita com o fruto da árvore cabaceira, funciona como caixa de ressonância. Usa-se uma baqueta (vara de madeira de 40 centímetros) e o dobrão (peça de cobre, parecendo uma moeda, com 5 centímetros de diâmetro).
A palavra capoeira não é de origem africana. Ela vem do tupi (kapu’era) e tem dois significados. Pode ser mato ralo ou uma espécie de cesto para carregar animais e mantimentos.
 
Debret (Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. São Paulo, 1940, I), descreve o berimbau: "Este instrumento se compõe da metade de uma cabaça aderente a um arco formado por uma varinha curva, com um fio de latão, sobre o qual se bate ligeiramente. Pode-se ao mesmo tempo estudar o instinto musical do tocador, que apoia a mão sobre a frente descoberta da cabaça, a fim de obter pela vibração um som mais grave e harmonioso. Este efeito, quando feliz, só pode ser comparado ao som de uma corda de tímpano, pois é obtido batendo-se ligeiramente sobre a corda com uma pequena vareta, que se segura entre o indicador e o dedo médio da mão direita "…
 
O berimbau que hoje se conhece e se toca em todo o mundo é um arco feito de madeira específica (nem toda madeira serve; a mais usada é a biriba), tendo as pontas ligadas por meio de um fio de aço (geralmente, retirado das bordas de um pneu). Numa das extremidades, amarra-se uma cabaça (Cucurbita lagenaria, Linneu), e esta, quanto mais seca estiver, melhor. Faz-se na cabaça uma abertura na parte que se liga com o caule e, na parte inferior, dois furinhos por onde passará o cordão que vai ligá-la ao arco de madeira e ao fio de aço. Para tocá-lo, toma-se um dobrão (moeda antiga) ou um seixo arredondado e chato, uma baqueta (ou vaqueta, pequena vareta de madeira ou de bambu) e um caxixi. Nos primeiros tempos da colonização, havia no Brasil outro tipo de berimbau, bem menor, tocado com a boca, conhecido na América Latina como berimbau de Paris.
 
Entre os etimólogos, há verdadeiro desencontro a respeito da origem do nome berimbau.
A Real Academia Española registrou o verbete na 12a. edição de seu dicionário, em 1884, que até hoje ainda sugere proposição onomatopaica para a sua origem: "voz imitativa del sonido de este instrumento". Há proposições para origem africana, de Leite de Vasconcelos, em artigo publicado na Revue Hispanique, onde apresenta o mandinga bilimbano. Renato Mendonça propõe o quimbundo mbirimbau, com a simplificação do grupo consonantal mb. Desconhece-se precisamente a verdadeira origem do próprio instrumento e por que vias chegou ao Brasil. Registra-se sua existência em várias partes do mundo, inclusive na África, nos territórios de Iaca e Benguela. Possui muitas denominações e vem sendo motivo de estudo, até mesmo em cadeiras de departamentos universitários a ele dedicadas. É considerado o mais completo instrumento de percussão. No Brasil, é conhecido por: berimbau, urucungo, orucungo, oricungo, uricungo, rucungo, berimbau de barriga, gobo, marimbau, bucumbumba, gunga, macungo, matungo, rucumbo. Em Cuba, país da América Latina onde ele é tão conhecido como no Brasil, é chamado de sambi, pandiguro, gorokikamo e também burumbumba, que deve ser uma variação de bucumbumba no Brasil. Há indicações de seu uso nas práticas religiosas afro-cubanas, coisa de que não se tem notícia de se fazer no Brasil. Burumbumba (buro = falar, conversar; mbumba = habitáculo do morto ou espírito familiar) é o instrumento que "fala com os mortos".
 
O fim do regime escravocrata não significou a aceitação imediata da comonidade negra na vida social. Ao contrário, vários aspectos da cultura afro-brasileira sofreram violenta repressão, como a Capoeira no Rio de Janeiro e o candomblé em todo Brasil e principalmente do nordeste. Talvez o caso da Capoeira seja o mais evidente: essa forma de rebeldia, que já havia sido utilizada como arma de luta em inúmeras fugas durante a escravidão, tornou-se um símbolo de resistência do negro à dominação. Assim, o Governo Republicano, instaraudo em 1889, deu continuidade a essa política e associou diretamente a Capoeira à criminalidade, como consta do Decreto 847 de 11 de outubro de 1890 com o título " Dos Vadios e Capoeiras". A Capoeira foi reconhecida como prática desportiva pela primeira vez como "LUTA BRASILEIRA (CAPOEIRAGEM)," pela Lei Federal 3.199 de 14/04/41, onde foi criado o Departamento Nacional de Capoeira junto à Confederação Brasileira de Pugilismo.
 
Oficialmente, até uma data muito recente à Capoeira esteve vinculada à Confederação Brasileira de Pugilismo que, através de seu Departamento Especial de Capoeira, elaborou o " Regulamento Técnico da Capoeira" publicado em 26 de dezembro de 1972, e que passsou a vigorar à partir de 1º de janeiro de 1973. Esta iniciativa visava "institucionalizar" o ensino e a Aprendizagem da Capoeira. Este regulamento define a Capoeira como uma "modalidade esportiva do ramo pugilístico", uma " prática desportiva de luta que consiste num sistema de ataque de defesa, de caráter individual e orgiem folclórica genuinamente brasileira", que tem como características o movimento ritimado, ma movientação constante, agilidade e a grande velocidade dos movimentos. O regulamento estabelecia sistema de graduação, unforme, categorias e regras de competição.
 
Mestre Mendonça, autor do anteprojeto do Regulamento da Capoeira, o qual passou a vigorar como Regulamento Nacional da Capoeira a partir de 1º de janeiro de 1973, é inventor do berimbau de bambu. Recebeu da Câmara Municipal do Rio de Janeiro o título de Cidadão Honorário do município do Rio de Janeiro e Medalha de Mérito Pedro Ernesto e, recebeu, também, o título de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro e a Medalha Tiradentes da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.
 
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