Os Africanos e a Capoeira no Século XIX
17 Abr 2015

Os Africanos e a Capoeira no Século XIX

OS AFRICANOS E A CAPOEIRA NO SÉCULO XIX *** SETE PORTAS DA BAHIA*** Manoel Querino (1864- 1923) era um indivíduo que viveu

17 Abr 2015

OS AFRICANOS E A CAPOEIRA NO SÉCULO XIX *** SETE PORTAS DA BAHIA***

Manoel Querino (1864- 1923) era um indivíduo que viveu a sua juventude na segunda metade do século XIX, sendo o seu depoimento o de alguém que, se não participou, presenciou a cultura da capoeira desenvolvida por alguns grupos sociais.

Em seu trabalho Costumes Africanos no Brasil,descreve um encontro entre grupos:

“O domingo de Ramos fora sempre o dia escolhido para as escaramuças dos capoeiras. O bairro mais forte fora o da Sé; o campo de luta era o Terreiro de Jesus. Esse bairro nunca fora atacado de surpresa, porque os seus dirigentes, sempre prevenidos, fecharam as embocaduras, por meio de combatentes, e um tulheiro de pedras e garrafas quebradas, em forma de trincheiras, guarnecia os principais pontos de ataque, como fossem: ladeira de São Francisco, São Miguel, e Portas do Carmo, na embocadura do Terreiro. Levava cada bairro uma bandeira nacional e ao avistarem-se davam vivas à sua parcialidade. Terminada a luta, o vencedor conduzia a bandeira do vencido.”

Manoel Querino registrou a capoeira a partir de confrontos espaciais entre o grupos representativos dos bairros da cidade de Salvador, algo como um grande espetáculo que se consagra nos conflitos de rua e projeta seus símbolos e rituais. O autor afirma que os capoeiras possuíam uma cultura corporal própria, que revelava sua identidade social; e apresentava dois tipos de capoeiras: os profissionais e os amadores. Estes não usavam sinais característicos, mas se exibiam nas contendas entre os grupos.

Manoel Quirino faz menção à existência dos cantos e dos instrumentos musicais, e finaliza sua descrição sobre a capoeira baiana, afirmando que somente no Rio de Janeiro o praticante ” constituía-se como um elemento perigoso.

Manoel Quirino presenciou os capoeiras em Salvador, local em que nasceu, e no Rio de Janeiro, onde se tornou vereador.

 

Por mestre Yrapuru DZ, Historiador da Capoeira; arauto do clã dos Palmares pesquisador de História, e História Geral.

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