Capoeira, Dança & Teatro: África brasileira
11 Jan 2007

Capoeira, Dança & Teatro: África brasileira

Com coreografia de impacto e a capoeira como pano de fundo, "Quilombo" retrata na dança afro a trajetória dos escravos no Brasil 

11 Jan 2007
Com coreografia de impacto e a capoeira como pano de fundo, "Quilombo" retrata na dança afro a trajetória dos escravos no Brasil
 
Nada mais natural que aliar a capoeira à dança. Movimentos que se misturam, se completam. Dentro desse pensamento, eis que surge, ainda em 2005, o espetáculo Quilombo, montado pela Associação Água de Beber, com coreografia de Wal Queiroz. O estímulo maior veio com o convite da direção do Festival Internacional de Tradições Afro-Americanas da Venezuela. Foi assim que a iniciativa tomou força e os capoeristas profissionais deram vida a dançarinos. Por 40 minutos, eles deixam as rodas e sobem ao palco para mostrar a força de uma cultura.
 
Da captura à libertação. Saudades da África ao Brasil incorporado como sua nova pátria-mãe. Os aspectos que transpassam pelos períodos existentes entre esses dois extremos são sentidos nas danças e representações de “Quilombo”. Com 12 capoeiristas atuando, dançando, tocando e cantando em diferentes quadros, o público acompanha a prisão dos escravos, a viagem no navio negreiro, a comercialização e o contato com a nova cultura. Sofrimento, dor, revolta contida.
 
No mesmo ritmo de movimentos fortes, a apresentação segue contando a formação dos quilombos, o surgimento do líder Zumbi e, finalmente, a descoberta da capoeira. Apesar de ser responsável pela origem do espetáculo, a luta aparece como um personagem secundário, mas presente, mesmo que subjetivamente, nos movimentos dos dançarinos. Nesse sentido, o coordenador da Associação Água de Beber, Robério Queiroz, o Mestre Ratto, destaca: “Essa foi uma oportunidade de diversificar a capoeira, podendo ser vista como arte, cultura, luta e dança”. Além disso, o espetáculo, ao mesmo tempo que resgata uma história, chama um novo público a conhecer, realmente, o que é a capoeira. “É uma nova forma de ver e conhecer a capoeira”, acredita Mestre Ratto.
 
Foi da capoeira que veio também o repertório que rege todos os atos. Os instrumentos que tem como função primeira guiar os capoeiristas em seus “golpes” na tradicional roda, passam agora a fazer parte fundamental do espetáculo. Nada mais original do que berimbaus e tambores marcando o compaço na percussão.
 
A descoberta
Na história de “Quilombo”, a capoeira é um dos últimos elementos a aparecer. Fato que não tira o encanto da descoberta. Ao longo dos atos de dança e teatro, principalmente quando se chega à vivência dos escravos no Brasil, os negros vão despertando para os movimentos que, em seu futuro, irão originar a luta de capoeira. Mais uma vez, entre as diferentes nuances do espetáculo, a expectativa de arrancar emoções mais fortes do público.
 
Toda essa trajetória arraigada de dor e duras conquistas foi pensada durante cerca de um ano. Em 2005, a Água de Beber, que sempre se dedicou a projetos sociais envolvendo o universo afro, através da capoeira, agora se descobre culturalmente. A idéia deu certo. No ano seguinte, em 2006, nova apresentação no Festival de Tradições Afro-Americanas na Venezuela, chegando à Fortaleza, em cartaz no Dragão do Mar e no Teatro São José. Casa cheia, público satisfeito, espetáculo aprovado.
 
Com o bom resultado da primeira empreitada, a Associação está pronta para dar continuidade ao trabalho. O novo espetáculo “Nordestinando”, segue no contexto histórico e resgata as danças folclóricas num passeio pelos ritmos de diferentes regiões. O espetáculo entre em cartaz no dia 19 no Sesc Emiliano Queiroz.
 
Desafio
 
O coreógrafo Wal Queiroz continua com o grupo em “Nordestinando”, mas dessa vez, para ele, o trabalho fluiu mais fácil. A criação da coreografia de “Quilombo”, foi um desafio para Wal. Com todas as danças basearam no jogo da capoeira, o coreógrafo mergulhou no mundo da luta em busca dos movimentos que se adequasse perfeitamente à dança.
 
“Assisti às aulas. A partir da movimentação deles fiz vivências. Peguei o código corporal deles e transformei no que eles queriam para o espetáculo”. No palco, o resultado visto é uma dança extremamente forte, na opinião de Wal Queiroz. Já para Mestre Ratto, as aulas de dança transformaram também as rodas de capoeira que ganharam na estética e no aumento do interesse dos praticantes.
 
CRISTIANE VASCONCELOS
Repórter
 
Mais informações:
"Quilombo"
12 a 14 de janeiro às 20 horas
Sesc Emiliano Queiroz
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) R$ 5,00 (meia)
Toda a renda será revestida a comunidades atendidas pelos projetos sociais da Associação Água de Beber
 
Diário do Nordeste – Fortaleza
http://diariodonordeste.globo.com

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