29 Nov 2007

Uma homenagem aos noventa anos de vida e setenta e cinco anos de capoeira do “Mestre João Pequeno”

Uma homenagem aos noventa anos de vida e setenta e cinco anos de capoeira do "Grande" Mestre João Pequeno de Pastinha Noventa

29 Nov 2007

Uma homenagem aos noventa anos de vida e setenta e cinco anos de capoeira do "Grande" Mestre João Pequeno de Pastinha

Noventa anos não é brincadeira, é história…

Em 27 de dezembro 1917 nasceu em Araci no interior da Bahia João Pereira do Santos, filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas. Aos quinze anos (em 1933) fugiu da seca a pé, indo até Alagoinhas seguindo depois para Mata de São João onde permaneceu dez anos e trabalhou na plantação de cana de açúcar como chamador de boi, então conheceu Juvêncio na Fazenda são Pedro, que era ferreiro e capoeirista, foi aí que conheceu a capoeira.

Aos 25 anos, mudou-se para Salvador, onde trabalhou como condutor (cobrador) de bondes e na construção civil como servente de pedreiro, pedreiro, chegando a ser mestre de obras. Foi na construção civil que conheceu Cândido que lhe apresentou o mestre Barbosa que era um carregador do largo dois de julho, Barbosa dava os treinos, juntava um grupo de amigos e nos finais de semana ia nas rodas de Cobrinha Verde no Chame-chame.

Inscreveu-se no Centro Esportivo de Capoeira Angola, que era uma congregação de capoeiristas coordenada pelo Mestre Pastinha.

Desde então, João Pereira passou a acompanhar o mestre Pastinha que logo ofereceu-lhe o cargo de treinel, isso foi por media de 1945, algum tempo depois João Pereira tornou-se então João Pequeno.

No final da década de sessenta quando Pastinha não podia mais ensinar passou a capoeira para João pequeno dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer mas morro somente o corpo, e em espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”.

Na academia do Mestre Pastinha, João Pequeno ensinou capoeira a todos os outros grandes capoeiristas que dali se originaram e mais tarde tornaram-se grandes Mestres, entre eles João Grande, que tornou-se seu Grande parceiro de jogo, Morais e Curió.

Foi aconselhado pelo Mestre Pastinha a trabalhar menos e dedicar-se mais a capoeira. Embora pensasse que não passaria dos 50 anos percebeu que viveria bem mais ao completar tal idade.

Tendo que enfrentar a dureza da cidade grande João Pequeno também foi feirante, e carvoeiro chegou a ser conhecido como João do carvão, residiu no Garcia, e num barraco próximo ao Dique do Tororó.

Sua primeira esposa faleceu, mas, um tempo depois conheceu Dona Mãezinha no Pelourinho, nos tempos de ouro da academia de seu Pastinha, constituíram família, e com muito esforço construíram uma casa em fazenda Coutos, Lá no subúrbio, bem longe do Centro onde foram morar e receber visitas de capoeiristas de várias partes do mundo.

Para João Pequeno o capoeirista deve ser uma pessoa educada “uma boa arvore para dar bons frutos”. Para quem a capoeira é muito boa não só para o corpo que se mantém flexível e jovem, mas também para desenvolver a mente e até mesmo servir como terapia, alem de ser usada de várias formas, trabalhada como a terra, pode-se até tirar o alimento dela.

João Pequeno vê a capoeira como um processo de desenvolvimento do indivíduo, uma luta criada pelo fraco para enfrentar o forte, mas também uma dança, cuja qual ninguém deve machucar o par com quem dança, defende a idéia que o bom capoeirista sabe parar o pé para não machucar o adversário.

Algum tempo após a morte do mestre Pastinha, em 1981, o mestre João Pequeno reabre o Centro Esportivo de Capoeira Angola no Forte Santo Antônio Alem do Carmo(1982), onde constitui a nova base de resistência, onde a capoeira angola despontaria-se para o mundo, embora encontrando várias dificuldades para manutenção de sua academia, conseguiu formar alguns mestres e um vasto numero de discípulos.

Na década de noventa houve várias tentativas por parte do governo do estado em desocupar o forte Santo Antônio para fins de reforma e modificação do uso do forte, paradoxalmente em um período também em que foi amplamente homenageado recebendo o titulo de cidadão da cidade de Salvador pela câmara municipal de vereadores, Doutor Honoris Causa pela universidade de Uberlândia, e Comendador de Cultura da República pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mestre João Pequeno ”É uma doce pessoa” é o que afirmam todos que tem a oportunidade de conhecer o Mestre João Pequeno, cuja simplicidade, a espontaneidade e o carisma seduz a todos que vão até o Forte Santo Antonio conferir suas rodas, é um bricalhão, mas que também não deixa de dar uma baquetada nos que se exaltam e esquecem dos fundamentos da brincadeira e da dança.

A festa anual comemorativa de seu aniversário é um verdadeiro evento espontâneo da capoeira, onde se realiza uma grande roda,com a participação de vários mestres e membros da comunidade capoerana.

Alem de ser de impressionar a todos que tem a oportunidade de vê-lo jogar com a sua excelentíssima capoeira e mandigagem, João Pequeno destaca-se como educador na capoeira, uma autoridade maior na capoeiragem de seu tempo, um referencial de luta e de vida em defesa da nobre arte afrodescendente.

Bibliografia:
Santos, João Pereira dos. Mestre João Pequeno, Uma vida de Capoeira.

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SEMINÁRIO:

90 Voltas ao Mundo de Capoeira e Sociedade.

Programação:

Nos finais de semana do mês de dezembro, dias 1, 7, 15, 22 serão promovidas atividades que evidenciem a importância da capoeira na cultura brasileira, e sua expansão por todos os continentes, pontuando a contribuição do Mestre João Pequeno de Pastinha neste fenômeno histórico cultural brasileiro. Culminando com a tradicional roda de capoeira e os parabéns no dia 27 do mesmo mês, em homenagem ao seu aniversário.

1º final de semana, dia 1° de dezembro de 2007.

As mulheres homenageiam João Pequeno, falando de nascimento “O natal de João”:

13:00 – Abertura da exposição Fotográfica em homenagem aos 90 anos de vida e 75 anos de capoeira de João Pequeno de Pastinha. De 1º de dezembro de 2007 a 30 de janeiro de 2008.

13:15 as 14:00 – Banda Didá canta Hino Nacional e outras canções.

14:00 as 14:20 – Recital performático com o grupo Importúnio Poético – Nascimento;

14:20 – Homenagem a Srª. Edelzuita, popularmente Dona Mãezinha, esposa do mestre João Pequeno – Uma heroína ao lado de um herói a mais de quarenta anos.

14:25 as 16:00 – Seminário:

Tema: Gênero e capoeira, a mulher na capoeiragem nos tempos passado e atual.

Compondo a mesa Janja Araujo, Adriana Albert Dias e Christian Zonzon.

Mediadora – -Janja Araújo – Mestra em história

14:25 as 15:00 – expositora –Adriana Albert – Mestra em história.
15:00 as 15:30 – expositora – Christian Zonzon – Mestra em sociologia.
15:30 as 16:00 – aberto a questionamentos e esclarecimentos da platéia.

16:00 as 17:00 Roda de Mulheres – 90 voltas ao mundo de João.

17:15 as 18:00 – Alice de Sanayá – Canções para ninar o Menino João Pequeno;
19:00 Tradicional roda de capoeira – sob o comando do mestre João Pequeno

2º final de semana, dia 7 de dezembro de 2007.

13:00 as 15:00 – Workshop de sons e ritmos da berimbau ( Aranha e Nani).

15:00 as 17:00 – Seminário

Tema: Diversidade Cultural

Composição da mesa: Jorge Conceição, Pedro Abib, Sérgio Guedes.

Mediador: Jorge Conceição
15:00 as 15:40 – expositor – Pedro Abib. – Doutor em História,
15:40 as 16:00 – intervenção da platéia
16:00 as 16:40 – expositor – Sérgio Guedes.
16:40 as 17:00 – intervenção da platéia

17:15 as 18:00 – Apresentação do Grupo de Samba Botequim.

19:00 Tradicional roda de capoeira – sob o comando do mestre João Pequeno.

3º final de semana, dia 15 de dezembro de 2007.

13:00 as 15:00 – Workshop de toque e arranjos com o pandeiro.
Músico Naoya Sawada.

15:00 as 17:00 – Seminário

Tema: Capoeira, economia e turismo étnico
Composição da mesa: Luiz Vitor, Billy Arquimimo, Mestre Moraes.

Mediador: Luiz Vitor Castro:
15:00 as 15:40 – Billy Arquimimo – ( Secretaria de Turismo étnico).

15:40 as 16:00 – Aberto a questionamentos e esclarecimentos.

16:00 as 16:40 – Mestre Moraes (Grupo GCAP- Grupo de Capoeira Angola Pelourinho).

16:40 as 17:00 – Aberto a questionamentos e esclarecimentos.

*Exibição do Filme cultural.
19:00 Tradicional roda de capoeira – sob o comando do mestre João Pequeno.

4º final de semana, dia 22 de dezembro de 2007.

13:00 as 15:00 – Workshop de confecção de caxixi- Com os professores Aranha e Zoinho.

Tema:
Onde está o capoeira e a capoeira:

Composição da mesa: representações da academia e dos núcleos de formados do Mestre João Pequeno:
Academia de AJPP- CECA – Forte Santo Antonio, Núcleo de Pernambués – Mestre Ciro, Núcleo do Rio Vermelho – Mestre Faísca.

14:00 as 14:40 – Nas revoltas e lutas Nacionais, *Enfatizando na Independência da Bahia;- AJPP

14:40 as 15:00 – Questionamentos e esclarecimentos

15:00 as 15:40 – Nas festas e manifestações populares nacionais. – década de 30 a 60. –
Núcleo de Pernambués

15:40 as 16:00 – Questionamentos e esclarecimentos.

16:00 as 17:40 – Na ascensão social do negro (afro descendente).- Núcleo do Rio Vermelho

17:40 as 18:00 – Questionamentos e esclarecimentos

185:00 – Mostra de sons e ritmos do resultado do Workshop.

19:00 Tradicional roda de capoeira – sob o comando do mestre João Pequeno.

27 de dezembro Aniversário do Mestre João Pequeno.

15:00 15:10 – Abertura – Noventa Voltas ao mundo de capoeira e mandinga – Na trilha do Cobra Mansa que rasteja pelo chão, esse mestre João.

Compondo a mesa João Pequeno, Aranha (Isac Damasceno), Zoinho (Everaldo) Cristiane Miranda (Nani).

15:10 as 15:20 – Exposição dos objetos da oficina de reciclagem (todos os educandos envolvidos no processo de formação de todas as oficinas). Responsável: Nildes Sena / Elaboração – toda a equipe pedagógica.

15:20 – 16:00 – Poesia – (crianças, adolescentes e jovens) – Recital performático – Criação coletiva. _ Direção: Lutigarde Oliveira – Célia Alves.

16:00 as 30 Teatro – (adolescentes e jovens) Nasceu pra ser Doutor – Texto e Direção: Nildes Sena/ Coreografia Alexandre Moraes; Figurino: Nildes/Alexandre.

16:30 as 17:00 – Mostra de Sons e ritmos de berimbau: (Adolescentes) – Direção e concepção Isac Damasceno (Aranha) e Cristiane Miranda (Nani)

17:00 as 17:40 – Capoeira angola – roda com as crianças – Educadores Everaldo (Zoinho), Marcos (Grito), Marcos Manoel (Marquinhos) e Benilton.

17:40 as 18:00
Samba de roda (crianças e adolescentes) Responsáveis: Alexandre Moraes e Lucilene Assis. Realização de toda a equipe pedagógica.

18:00 – Tradicional roda de capoeira.
Parabéns para você.- partir o bolo e confraternizar.

Contatos:
Nildes Sena // Zoinho(Everaldo)
71- 33262366 // 71 -99255830.
71 33230708 – AJPP – CECA.

Mestre Ras Ciro Lima (BA)
Tel de Contato : publico 71 34315161.
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