A sonoridade refinada de Mestre Dinho Nascimento em “Ser Hum Mano”
18 Ago 2005

A sonoridade refinada de Mestre Dinho Nascimento em “Ser Hum Mano”

Com dois cds que estimularam o cenário da MPB, Dinho Nascimento prepara "Ser Hum Mano" com surpreendentes diálogos entre seu instrumental primitivo

18 Ago 2005
Com dois cds que estimularam o cenário da MPB, Dinho Nascimento prepara "Ser Hum Mano" com surpreendentes diálogos entre seu instrumental primitivo e exótico e o pandeiro de Marcos Suzano, a clarineta de Ubaldo Versolato, a cuíca de Osvaldinho, a flauta de Toninho Carrasqueira e as vozes de um animado coral infantil do Morro do Querosene. No repertório, sugestões de um "trance" e o atrevimento de um "hino", além da simplicidade de "Pescaria" do cancioneiro Dorival Caymmi..
 
Depois da bem sucedida estréia com o cd Berimbau Blues (Prêmio Sharp Revelação da MPB em 1997) e do polêmico e estimulante Gongolô (em 2000) que ultrapassaram as fronteiras do nosso país, mestre Dinho Nascimento está finalizando mais um inusitado projeto musical: "Ser Hum Mano".
 
O novo cd do percussionista, cantor e compositor baiano, que há 30 anos reside em São Paulo, já está em processo de masterização e deve chegar às lojas até o final do semestre. Virá temperado com novidades e participações muito especiais: o lenda-viva do samba paulistano, Osvaldinho da Cuíca; o consagrado percussionista Marcos Suzano e seu precioso groove de pandeiro; o sopro vital, firme e singelo da flauta de Toninho Carrasqueira; a sutil colocação dos scratchs do DJ Cia; e, o depoimento breve, direto e explícito do rapper Sandrão (RZO). Junto na direção, o jovem Aluá Nascimento vislumbra cada movimento, trabalha os arranjos, aprimora as tomadas de som cuidadosamente preparadas pelo habilidoso e sensível Beto Mendonça que no Estúdio 185, é responsável  por monitorar os equipamentos de gravação, editoração e mixagem.
 
Neste álbum, que está sendo produzido de forma independente pelo selo Genteboa, voz, berimbaus e tambores trazem a essência da música de raiz presente nos ritmos da capoeira, coco, samba-de-roda, maracatu e jongo, e a estes acrescenta os ingredientes da world music (como o funk e o reggae). A faixa Berimbau Trance, por exemplo, parece música eletrônica, uma típica "techno" interpretada exclusivamente com instrumentos acústicos.
 
No repertório, as traquinagens de "Saci Pererê tem Uma Perna Só" de Dinho Nascimento e Lumumba e "Um Mundo nº 1" de Dinho com Guca Domênico, contam com a espontaneidade de um pequeno coral infantil; "Pescaria" de Dorival Caymmi é o momento de louvação à sua terra e ao mar; "Muita Gente é Zumbi" traz figuras da nossa luta pela  liberdade (autoria de Dinho e Valdir da Fonseca). A fantástica surpresa fica com o instrumental "Hino Nacional Brasileiro", duo de berimbau e cuíca.
Para ouvir duas faixas do novo CD acesse: http://www.myspace.com/dinhonascimento
 
Breve Histórico do Artista:
 
Nascido em 1951 em Salvador/Ba, muito cedo teve iniciação musical nas festas de rua e outras manifestações populares. Depois passou a freqüentar aulas de piano e teoria musical no Seminário Livre de Música da Universidade Federal da Bahia.
 
Em 1973, com Chico Evangelista, Carlos Lima e Kiko Tupinambá, profissionaliza-se formando o Grupo Arembepe com quem vai para o Rio de Janeiro e se apresenta no Teatro Opinião, fazendo a abertura do show de Gal Costa. Em 1974 vão para São Paulo onde  tocam no circuito universitário, abrem o legendário show dos "Novos Baianos" no Teatro Municipal, apresentam-se para menores da FEBEM, animam casas noturnas e gravam dois compactos (um pela gravadora Odeon, outro pela Crazy). O Arembepe foi depois integrado por TC, Lumumba, Orlandinho Costa, Jean e Lord Bira, permanecendo em função até 1983.
 
Como percussionista, acompanhou e participou de gravações de renomados artistas tais como João Donato, Tom Zé, Pena Branca & Xavantinho, Renato Teixeira, Zé Ketti, Walter Franco, Inezita Barroso, João Bá, Vidal França, Batatinha, Clementina de Jesus, Alcione, Banda de Pífanos de Caruaru, O Terço, Berimbrown, Luís Wagner, Renato Borghetti, Osvaldinho da Cuíca, Marcos Suzano, Lumumba e Tião Carvalho. No cenário da música internacional tocou com Bill Close e Kewin Welch.
 
Musicalizou espetáculos de dança de importantes coreógrafos tais como Maria Duschenes, Ioshi Morimoto, Clive Thompson, Klaus Viana, Júlio Vilan, Célia Gouveia, Sônia Mota, Lia Robato, Denilton Gomes, Solange Arruda, Maria Mommenhson e Pitanga.
 
No cinema, além de servir como trilha sonora para vários documentários apresentados na televisão, sua música também sensibilizou importantes cineastas, como aconteceu com Laís Bodanzky e Luís Bolognesi, Hermano Penna, José Araripe e Renato Rizadinha.
 
Em 2000 dirigiu a Orquestra de Berimbaus do Espetáculo Étnico apresentado na XIX Reunião do Conselho do Mercado Comum do Mercosul, realizado em Florianópolis (SC).
 
Em 2002 realizou oficina e show na Mostra Internacional de Percussão "Ritmos da Terra" realizado em Campinas (SP).
 
Em 2003 exibiu sua performance no Meeting Internacional de Capoeira de Faro, Portugal (mestre Batata) e no 3º Encontro Nacional de Capoeira em Santa Crus de Cabrália, Bahia (mestre Marinaldo).
 
Em 2004 seu show musical, apresentado no SESC-Consolação e aberto por um grupo de percussionistas da Coréia do Sul, integrou as solenidades do Fórum Cultural Mundial realizado em São Paulo. Realizou show e oficina de Ritmos e Manifestações Populares Brasileiras no Festival de Inverno de Bonito, Mato Grosso do Sul
 
E, ainda em 2004, a Câmara Municipal de São Paulo lhe conferiu o Título de Cidadão Paulistano.
 
Dinho Nascimento realiza várias ações de cunho sócio-educacional-cultural junto à Comunidade do Morro do Querosene (orientando o Batuquerô, dirigindo o Batucada de Bambas e coordenando Rodas de Capoeira e Oficinas de Rua).
 
O Berimbum, berimbau de sua criação com sonoridade extra-baixa (obtida com corda de contra-baixo) é mencionada com destaque na enciclopédia "Popular Music of the World" publicada por Richard P. Graham e N. Scott Robinson,. em Ohio, USA. (www.nscottrobinson.com.br).
 
 
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