Bahia: Mestre Curió condena a elitização da capoeira pelas universidades
04 Ago 2012

Bahia: Mestre Curió condena a elitização da capoeira pelas universidades

Considerado a lenda viva da capoeira na Bahia, o Mestre Curió, de batismo Jaime Martins dos Santos, capoeirista angoleiro descendente da linhagem

04 Ago 2012

Considerado a lenda viva da capoeira na Bahia, o Mestre Curió, de batismo Jaime Martins dos Santos, capoeirista angoleiro descendente da linhagem Banto, revelou para uma plenária cheia de capoeiristas, mestres, professores e alunos, que os brancos ainda continuam discriminando e explorando os negros, apontando como prova a criação da lei que impõe sobre os capoeiristas a obrigatoriedade do curso acadêmico de educação física para ensinar capoeira. “Nossa universidade é a vida, respeite-se a capoeira como uma lição de vida da resistência popular, pois ela nasceu da vivência das senzalas e cresceu com as experiências de rua”, retrucou o ícone da capoeira baiana durante o I Encontro Territorial da Capoeira Viva Meu Mestre, realizado em Itaberaba, no sábado e domingo últimos (28 e 29 de julho), pela ONG Fundação Paraguaçu e a Associação de Capoeira Jiboia da Bahia.

Contrariando a propaganda oficial sobre o fim da discriminação racial, Curió surpreendeu ao afirmar que a exploração dos brancos sobre as etnias negras ainda existem e condenou que os  conselhos regionais  e federal de Educação Física –CREF, que exigem o curso de educação física de mestres e professores capoeiristas para ensinar a capoeira. “O Cref não pode e nem têm do direito de fiscalizar a capoeira em lugar nenhum. Essa é mais uma exploração sobre os negros, para enriquecer os poderosos, mas não nos enganam não!”, protestou Curió.

Discriminação cultural

Mestre Curió,que se apresentou acompanhado por sua esposa e Mestra Jararaca, de batismo Valdelice Santos de Jesus, considerou também como “discriminação cultural” a exclusão dos Pontos de Cultura que tenham sofrido falhas na prestação de contas, como ocorreu com o convênio assinado pela Escola de Capoeira Angola Irmãos Gêmeos Mestre Curió, que funciona no Forte de Santo Antônio em Salvador. “O governo deveria colocar orientadores para organizar as contas, porque o projetonão paga o contador nem advogado”, reclamou Curió criticando “como é que o mestre trabalha no projeto e não pode receber por seus esforços de ensinar, por que é presidente da entidade. “Isso é uma forma de discriminação cultural e exploração dos capoeiristas que sempre são pessoas pobres de baixa renda”.

Doutor Honoris Causa

O Mestre Curió e popularmente conhecido por seus trabalhos realizados no Brasil e em diversos outros países, levando através suas palestras, as suas vivências sobre a Capoeira de Angola. O consagrado capoeirista baiano nasceu em 1937, no interior da Bahia e desde os oito anos de idade, pratica a Capoeira de Angola. Recebeu o titulo de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do México; Laureado com o titulo de Mestre dos Saberes (recebe e transmite o conhecimento de forma oral) reconhecido pelo Ministério da Cultura e da Educação (MEC); e recebeu em 2006, o título de Embaixador da Cultura Brasileira, pela ONU.

Inaugurada a Casa do Mestre Orlando

No encerramento do evento, o Mestre Curió acompanhou os capoeiristas e promoveram a inauguração da Casa do Mestre Orlando Corderino dos Santos, pioneiro da capoeira em Itaberaba. A Casa do Mestre foi construída em função do Prêmio Viva Meu Mestre, concedido aos tradicionais mestres da capoeira, através edital do Ministério da Cultura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. Foram premiados 100 mestres em todo o Brasil, com um prêmio de R$15 mil, dentre eles o Mestre Orlando Corderino dos Santos, criador da Academia ACOCO, na década de 60, quando chegou vindo de Salvador, onde aprendeu capoeira com os mais tradicionais mestres baianos. A indicação do mestre ao prêmio foi realizada pelo jornalista editor, Salvador Roger de Souza, através projeto da ONG Fundação que defende a cultura e o meio ambiente.

Com a verba do prêmio foi construída a casa própria do mestre que antes morava numa tapera na periferia da Rua do Rio. Descontado o imposto de renda, entrou na conta do mestre, na Caixa Econômica, apenas R$11.600,00 que foi insuficiente para a execução da obra que custou R$17.597, cuja conclusão contou com ajuda da ONG e do jornal O Paraguaçu que investiram a diferença de R$ 5.997,00. A obra contou com os mutirões dos capoeiristas e amigos do mestre, sob a coordenação do pedreiro e capoeirista Jair Jibóia. A pintura da casa foi realizada pelo apoio do mestre Zé Bunitin Rebouças e a Academia de Karatê Dô de Itaberaba.

Fonte: http://www.oparaguacu.com

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