Batuque de cearense conquista holanda
12 Jan 2010

Batuque de cearense conquista holanda

Grupo criado em 1995 ajuda a divulgar a cultura e os costumes brasileiros em solo holandês e já tem sede em 10

12 Jan 2010

Grupo criado em 1995 ajuda a divulgar a cultura e os costumes brasileiros em solo holandês e já tem sede em 10 cidades

Que os cearenses estão espalhados pelos “quatro cantos” do planeta, exercendo diferentes atividades, isso não é mais novidade. Tanto que na Holanda um legítimo “cabeça-chata”, Vladimir Frama, conquistou os nativos desse país divulgando a arte da capoeira, considerado um esporte genuinamente brasileiro.

Frama, que criou o Grupo Batuque para legitimar o seu trabalho como capoeirista naquele país, atualmente encontra-se em Fortaleza, juntamente com um grupo de holandeses, para festejar as “bodas de cristal” (15 anos) do grupo que hoje já conta com 300 integrantes.

Origem

Sob o barulho das ondas arremetendo contra os pilares da Ponte Metálica, na Praia de Iracema, um dos cartões postais da nossa Capital, Frama falou da origem do Batuque e da sua vida na Holanda. “O Batuque Capoeira é um grupo que existe há 15 anos na Holanda. E neste mês, como celebração de mais um ano de fundação, estamos trazendo vários alunos para conhecer mais a capoeira e a cultura brasileira”, informou Vladimir. “A gente conseguiu formar na Holanda um dos maiores grupos de capoeira, conseguimos atuar dentro da sociedade local e penetrar em lugares que antes não eram possíveis com a capoeira”, disse o mestre Frama.

Diversificação

Segundo Vladimir, no Batuque “ministramos aulas para crianças, jovens, realizamos trabalhos sociais junto a famílias com crianças carentes – árabes, por exemplo -, trabalhamos em prisões, em hotéis também, então é um leque aberto que é incrível, chega a ser surpreendente essa penetração que nós onseguimos levar para a capoeira em termos de divulgação e respeito, claro”. Frama ressaltou que “a capoeira, sem dúvida, hoje, é o grande cartão postal do Brasil na Europa. O nosso País é muito visto lá fora pela violência nos morros do Rio de Janeiro, tráfico etc, e a capoeira veio para limpar essa imagem. É incrível como ela atrai, seduz, transforma. O europeu começa treinando capoeira, depois quer aprender o português, ouvir música brasileira, ler livros, quer conhecer a história, vir ao Brasil, age como imã”.

Mágica

O fundador do Grupo Batuque salientou que “a capoeira é muito mágica. Ela é um misto de esporte, cultura, dança, luta, é muita coisa envolvendo. O aluno que está fazendo capoeira está ocupado com muitas atividades, o cérebro não para, é uma terapia incrível. Uma gama de vários aspectos, desde chutes na cabeça até acrobacias de pernas para cima, que mudam toda uma perspectiva de mundo”.

Início na capoeira

“A capoeira entrou na minha vida aos 12 anos de idade”, confessou Vladimir Frama. “Morava no Henrique Jorge e treinava no Centro Social Urbano César Cals, com mestre Everaldo, grande personagem do esporte no Ceará. E mesmo com a família dizendo ´pare com isso, não continue que isso é coisa de vagabundo etc eu prossegui. E a capoeira foi e é minha grande escola. Eu hoje sou mestre, fotógrafo profissional, músico também, concluí a Faculdade de Música e cheguei a tocar nas noites de Fortaleza, mas a minha grande escola é a capoeira. Ela me abriu as portas na Europa, no Brasil, sem a capoeira eu seria outra pessoa”, reconheceu o coordenador do Batuque.

Volta por cima

“Tanto minha família quanto a sociedade da época via a capoeira como uma coisa de vagabundo. Não era um esporte de ponta, de elite, bem visto”, admitiu o mestre Frama. “Mas graças à sua força, pois ela é uma coisa muito mágica, a capoeira superou os preconceitos no Brasil e lá fora também. Hoje em dia minha família adora a capoeira”, ressaltou mestre Vladimir.

Hierarquia

Na capoeira há um sistema hierárquico de graduações. “No início temos apenas o aluno, depois esse aluno passa a instrutor, professor, contramestre, até finalizar com o título de mestre”, acrescentou Vladimir. Mas até conseguir se firmar com o Grupo Batuque Capoeira em solo holandês, o mestre cearense “comeu o pão que o diabo amassou”. E ele explicou: “Viajei com a cara e a coragem. Na bagagem pouco dinheiro e o conhecimento do inglês. Morei vários anos como ilegal e por isso estava sempre mudando de local. Mas consegui superar todas as dificuldades, até criar o Grupo Batuque. Porém, valeu a pena todo sacrifício”, concluiu Frama.

Saiba mais

Fundação

Grupo Batuque Capoeira foi fundado em 1995, na Holanda, pelo cearense Vladimir Frama e hoje tem 300 integrantes

Área de atuação

Atualmente, o Batuque, conta com sedes em 10 cidades: Den Haag, Utrecht, Oss, Nijmegen, Arnhen, Breda, Amersfoort, Leiden, Malden e Den Bosch

Integrantes

Frama e o grupo de holandeses do Batuque permanecem em Fortaleza por quatro semanas. O mestre e seus alunos participarão de rodas de capoeira com outros grupos e visitarão Canoa Quebrada

MOACIR FÉLIX
REPÓRTER

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/

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