Capoeira, Dinâmica e Informação
28 Mar 2005

Capoeira, Dinâmica e Informação

Crônica sobre a dinâmica da Capoeira e das informações nos veículos de comunicações virtuais     Mestre Edson Carneiro, respeitável folclorista e

28 Mar 2005
Crônica sobre a dinâmica da Capoeira e das informações nos veículos de comunicações virtuais
 
 
Mestre Edson Carneiro, respeitável folclorista e estudioso da cultura do Negro-Banto, e especialmente de Capoeira Angola, deixou diversas lições para todo bom Capoeira-Pesquisador.
 
O próprio título de um de seus livros – Dinâmica do Folclore – já é uma lição, onde o autor demonstra que não adianta tentar congelar as manifestações culturais como se fossem estáticas, e pior ainda, como se fossem Regionais.
 
Edson Carneiro tratou de descrever a Capoeira de sua época, mas dando a deixa de que a mesma poderia – e está – se modificando ou se adequando com o passar dos tempos. E é bem o temos visto ultimamente. Até mesmo como reflexo deste processo quase que inevitável da globalização.
 
Um bom exemplo disto é a apaixonante Capoeira Angola, que outrora estava por desaparecer, quando os Mestres Moraes e Cobrinha Mansa, ainda no Rio de Janeiro, entraram em campo – ou deveria dizer na Roda – e viraram o jogo. Coisas da angola… Para certificarem-se do que estou falando, basta ler o livro "Capoeira: pequeno manual do jogador", de autoria de Nestor Capoeira, edição de 1998.
 
Hoje, felizmente, podemos ter acesso a um número infinito de informações, seja em livros especializados sobre o tema Capoeira ou teses doutorais, também sobre o assunto. Algumas negando a Capoeira como Patrimônio Cultural Brasileiro. Outras, por outro lado, valorizando exatamente esta face de nossa arte. Alguns trabalhos vêem o componente Negritude como um dos pilares da Capoeira, outros, ao contrário, passam por cima disto e correm para uma Academia de Ginástica.
 
Além dos livros, teses e revistas, basta entrar em alguma ferramenta de busca na internet e digitarmos combinações de palavras-chave com os assuntos correlatos à Capoeira, e Chazan… aparece centenas e milhares de endereços para pesquisa. O problema, geralmente, é a qualidade das informações, ou seja, a maioria das páginas tem conteúdo repetitivo, buscando sempre fortalecer uma versão comercial unificada do que vem a ser, realmente, Capoeira. É claro, é jogada de marketing de uns e outros. Mas quem paga o preço, que aliás tem sito cada vez mais caro – vejam os preços dos workshops pelo mundo afora – é o próprio Capoeirista.
 

Capoeira e Sites Dinâmicos
 
A internet é um mar sem fim. Mas alguns se afogam antes de encontrar boas praias informativas. Mas existem algumas "Bibliotecas Virtuais" que merecem especial destaque, dado ao riquíssimo volume de "arquivos" alí depositados. Para ficar em três bons exemplos cito o do Dr. Decânio, do Capoeira do Brasil e do Capoeira Mogadouro (Portugal). Este último, aliás, com tecnologia de ponta e considerável dinamismo de informação.
 
Acredito que esta é a grande dificuldade que passa a grande maioria dessas Bibliotecas Virtuais: falta de dinamismo, falta de informações com prismas inovadores e falta de atualizações periódicas. É uma pena que alguns destes sítios-virtuais, são bem elaborados, bem organizados quando a "layout", com boa apresentação, mas não saem do status "em construção…".
 
Capoeira Mogadouro: o bom exemplo
 
Luciano Milani, um jovem Mestre da Informação, professor de Capoeira, região de Mogadouro, Portugal, é um exemplo que fora as regras apresentadas anteriormente.
 
Ele é responsável por um dos únicos sites que considero manter uma dinâmica considerável de informações, o que tem feito um bom número de leitores clicarem, diariamente, sua Cyber-page. Milani não só "coleta" informações disponíveis e acomodadas nas incontáveis páginas, como também está dando início a um projeto interessante que, certamente, será (positivamente) copiado por toda a Europa.
 
Com textos simples e informativos, Milani tem contribuído com a divulgação do conhecimento acerca da Capoeira em Portugal, no Brasil e no Mundo. Passando pelo século XIX (Rio), Início do século XX (Bahia e Rio), chegando à Capoeira de hoje.
 
Segundo uma auto-biografia, a Capoeira entrou em sua vida a pouco mais de vinte anos (1984), e desde então "casou-se" com esta nega mandingueira. Aliás, Mestre Leopoldina, um excelente Capoeira – nem angola nem regional, simplesmente Capoeira – do Rio de Janeiro, um dia me disse: "Miltinho, a Capoeira é a única "amada" que nunca nos deixa". Leopoldina, com seu meio século de experiência, sabia o que estava dizendo.
 
 
Jornal do CAPOEIRA – outro exemplo
 
Nosso jornal virtual também foi elaborado com o objetivo de manter uma dinâmica de informações e assuntos pertinentes aos temas atuais e regressos (alguns discutidos muito superficialmente) sobre nossa Capoeiragem.
 
O Jornal do CAPOEIRA é democrático e tenta manter um bom nível de discussões. Temos investido na formação de uma boa equipe de colaboradores, com o intuito de se ter textos que sejam críticos e inovadores, em alguns pontos, e de cunho historiográfico, em outros.
 
Ainda que de forma tímida, temos recebido bom retorno de nossos Leitores, que encontram-se espalhados por toda parte do mundo. Nosso compromisso não é com a capoeira A ou B, nem com os mestres e mega-grupos que defendam opiniões comerciais e engessadas do que vem a ser a Capoeira.
 
Na verdade, o bom mesmo é dizer que nosso jornal é como todo capoeira deveria ser: Livre Como o Vento!
 * * *
 Na Foto temos os Mestres Leopoldina e Paulo Castro (Paulinho do Cavaco) – Sambodromo Marques de Sapucai – Rio de Janeiro. Leopoldina dispensa, para o mundo da Capoeira, qualquer apresentação. Paulo Castro, tem músicas gravadas por Nelsom Sargento, e foi um dos melhores alunos de Capoeira do Mestre André Lacé, chegando a ter academia própria em Botafogo.
 

Miltinho Astronauta
 
São José dos Campos
mar/2005
 

  • Agradecimento Público:
 
Obrigado Grande Camarada Miltinho, e saiba que esta matéria contribui ainda mais e me enche de força para continuar em frente…
Considero este grande "antropólogo" da capoeira uma das figuras mais atuantes e coerentes… gingando e vadiando pelo universo da capoeira com muita  malícia e mandinga…
 
Muito Axé!
 
Luciano Milani
 
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