27 Abr 2005

Capoeira Paulista se Reune para discutir Jogos Regionais

O Governo do Estado de São Paulo convoca entidades representativas da Capoeira Paulista com o intuito de estabelecer critérios para os Jogos

27 Abr 2005
O Governo do Estado de São Paulo convoca entidades representativas da Capoeira Paulista com o intuito de estabelecer critérios para os Jogos Regionais
São Paulo reúne ENTIDADES DE REPRESENTAÇÃO ESTADUAL DA CAPOEIRA
 
De parabéns São Paulo, pela iniciativa e, sobretudo, pelos bons resultados.
Iniciativa da Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer, bons resultados obtidos graças à coordenação hábil do Sr. Antonio Carlos Pereira,  Divisão de Esporte da Coordenadoria de Esporte e Lazer da mencionada  Secretaria.
Ainda não foi desta vez, entretanto, que a Capoeira começou a ser discutida em seus aspectos mais transcendentais.  Mas, temos certeza, que este momento não tardará.
Entendemos até, é importante que fique claro,  que a estratégia do Governo está muito certa:  pautar apenas um assunto,  no caso a presença da Capoeiragem nos Jogos Regionais.
À medida que as lideranças da capoeira forem aprimorando suas propostas e  a capacidade de bem discutir em assembléia, aí sim, o Governo do Estado poderá até coordenar reuniões mais abrangentes, onde todos os ricos aspectos desta fascinante e multifacetada Arte Afro-Brasileira da Capoeiragem serão discutidos.
Vários excelentes subprodutos, tenho certeza, surgirão nesta segunda fase, inclusive, a elaboração e lançamento itinerante, pelo Estado a fora, de um  "Álbum dos Mestres e Capoeira em São Paulo". "Álbum" que, na realidade, será um grande Diagnóstico da Capoeira em São Paulo, sem um diagnóstico desse, vale sempre lembrar,  todo e qualquer projeto de capoeira, por definição, será sempre casuístico, capenga e efêmero.
 
Voltemos à reunião.
Além do Professor Antonio Pereira, Coordenador de Esporte e Lazer, dois assessores da Secretaria de Estado da Juventude Esporte e Lazer, as seguintes entidades capoeirísticas se fizeram representar: 1. Federação Internacional de Capoeira,  FICA (Doutor-Mestre Sergio Vieira, presidente);  2. Federação de Capoeira do Estado de São Paulo,  FECAESP (Mestre Tim); 3. Federação Paulista de Capoeira, FPC (Mestre Valdenor);    4. Liga Nacional de Capoeira (Mestre Marcial);  5. Órgão Supremo Administrativo da Capoeira,  OSACABRAC (Mestre Marquinhos);   6. Sindicato do Capoeira  (Mestre Da Bahia); 7. Associação Brasileira da Capoeira, ABRACAP (Mestre Helinho); 8. Ricardo Urbano Saliba (Grupo Candeias) e o Jornal do Capoeira (Editor: Miltinho Astronauta).
 
A situação, todos reconheceram, é no mínimo curiosa, um órgão Internacional  ("FICA")
realizando funções que seriam mais adequadamente alocadas a um órgão estadual ou, no máximo, a um órgão federal. Por acaso a sede deste órgão internacional fica em São Paulo, mas, apenas para demonstrar o absurdo, institucional e gerencial desta "ingerência",  bastará o leitor imaginar a FICA coordenando diretamente um evento em Viterbo, na Itália. Ora, se Viterbo tem, como tem, várias academias de capoeiras, se a Itália tem, como tem,  uma Federação Italiana de Capoeira, não caberá jamais a um órgão internacional se intrometer em tais eventos. Cabe sim, a FICA exercitar uma intensa interação com as entidades a ela filiadas, quais sejam, as federações nacionais.  A menos que se queira violentar um dos mais consagrados princípios da Administração " o alcance de controle. Por oportuno, colocamos este Jornal a disposição da FICA para que ela publique o que, até hoje ninguém sabe com muita precisão:  os nomes, os endereços e a diretoria de todas as federações nacionais formalmente filiadas a FICA, com o registro público de cada uma dessas federações.
A principal consenso, tanto por parte do Governo Estadual, quando por parte das entidades ali representadas, é que é necessário a realização de um Congresso Técnico para elaborar um novo Regulamento que contemple a visão de todos os representantes. De modos que o regulamento não seja exclusivamente "com a cara" da FICA/CBC. E, é claro, que para que este novo regulamento seja proposto, não haja necessidade de filiação por parte das demais entidades à FICA e Confederação Brasileira de Capoeira.
A despeito desta situação inusitada, a reunião admitiu que, ainda este ano, a FICA estará à frente dos Jogos Regionais, especialmente no que tange a treinamento de árbitros. O que, seguramente, levantará uma questão muito razoável: e a Confederação Brasileira de Capoeira,  não "apitará" nada?
Não que haja um consenso sobre ela (a Confederação Brasileira de Capoeira), mas, nos demais esportes,  se me permitem uma linguagem de esquina, "é assim que a banda toca".
Enfim, todos os caminhos e, sobretudo, todos os problemas, apontam na direção da necessidade de se fazer um grande Diagnóstico da Capoeiragem em São Paulo e no Brasil.
Relevem a repetição. De parabéns está o Governo Estadual por abrir este canal de diálogo entre as diversas entidades de representação da Capoeira no Estado de São Paulo.
 
Miltinho Astronauta
 
Jornal do Capoeira, abril – 2005  – www.capoeira.jex.com.br

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