Rio Pardo: Capoeira promove a cultura e a inclusão social na cidade
08 Out 2007

Rio Pardo: Capoeira promove a cultura e a inclusão social na cidade

A Associação Preto Rico de Oxósse realiza no próximo domingo um grande evento em Rio Pardo. Trata-se do batizado – troca de

08 Out 2007
A Associação Preto Rico de Oxósse realiza no próximo domingo um grande evento em Rio Pardo. Trata-se do batizado – troca de cordéis, que vai contemplar cerca de 60 crianças e adolescente que vivem no município. Entre os alunos estão os estudantes atendidos pela Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). O grupo, que existe há 23 anos, vai mostrar o espetáculo, considerado uma das mais belas heranças dos escravos.
 
A troca de cordéis vai contar com a participação de mestres de capoeira como Karcará, de Porto Alegre, um dos responsáveis pela organização do esporte no Estado; Neri Saldanha, professor da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e um dos fundadores do grupo Oxósse em Rio Pardo; e o mestre Genésio da Rosa Batista. O evento, que se inicia às 14 horas, será realizado no ginásio municipal de esportes Guerino Begnis e conta com o apoio da Prefeitura.
 
Mestre Genésio explicou que o Oxósse é o grupo de capoeira mais antigo do interior do Rio Grande do Sul. O trabalho começou há 23 anos e foi ganhando força. Segundo o mestre, pouca gente conhece a realidade do trabalho e, mesmo sem muita divulgação, o grupo está presente hoje em diferentes instituições. “Atualmente desenvolvemos ações na Apae, onde as crianças agora estão aprendendo o Maculelê – dança usada pelos escravos para o aquecimento antes de jogar a capoeira – e no Instituto Medianeira, antiga Casa da Criança”, disse. O projeto também é realizado na Escola Municipal Casimiro de Abreu, no distrito de Albardão.
 
Na Apae, a capoeira é ensinada pelo empresário e professor Maurício Günter, que desenvolve um trabalho voluntário. Capoeirista desde a adolescência, Günter disse que a atividade na Apae foi um chamado. “Há tempos treinava capoeira apenas como esporte, mas em razão do trabalho comecei a me afastar. Aí, numa conversa com o Genésio, senti que precisava fazer alguma coisa diferente. Foi como um chamado, pois nesse bate-papo soube que a Apae tinha o projeto pronto, mas faltava um parceiro para dar as aulas e eu aceitei”, disse.
 
São quatro anos de uma ação que se reflete diretamente no desenvolvimento dos alunos. “Em novembro o grupo vai participar de uma macro-olimpíada e a apresentação artística deles será o Maculelê. A arte é difícil, mas eles estão mostrando que são capazes de realizar. Estamos na segunda aula e eles já demonstram domínio sobre os bastões e a música”, destacou Günter.
 
 
REPOSTA
 
De acordo com a professora de Educação Física, Sandra Eisenhardt, o uso da capoeira nas atividades das crianças portadoras de necessidades especiais aparece claramente. “A realização da capoeira reflete em aspectos como desenvolvimento do ritmo e da coordenação motora a partir da música. Eles desenvolvem a atenção ao ritmo, ganharam flexibilidade, equilíbrio e percepção corporal. Tudo isso reflete no aprendizado de outras atividades. Pois esses aspectos são base para todas as outras ações que eles querem realizar”, destacou.
O trabalho de capoeira com os meninos e meninas da Apae acontece na Academia Vida Ativa. O espaço é cedido gratuitamente à Apae, todas as quartas-feiras. Sandra destacou que este será o terceiro batizado que o grupo de Capoeira Renascer irá participar. “Neste processo, todos eles já mudaram seu graus de corda. Isso, além de valorizar seus esforço, mostra que todos são capazes de desenvolver a atividade”, disse.
 
Fonte: Gazeta do Sul – Santa Cruz do Sul,RS,BR
http://www.gazetadosul.com.br

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