A Esportivização da Cultura Capoeirana: Dilemas e Desafios das Políticas Públicas para o Setor
23 Abr 2008

A Esportivização da Cultura Capoeirana: Dilemas e Desafios das Políticas Públicas para o Setor

Introdução Atualmente, há um debate polêmico com contornos indefinidos no meio capoeirano que se remete ao campo em que essa manifestação deve

23 Abr 2008

Introdução

Atualmente, há um debate polêmico com contornos indefinidos no meio capoeirano que se remete ao campo em que essa manifestação deve se situar: no campo do esporte ou no da cultura? O fato é que, paulatinamente, vem acontecendo um processo de esportivização da capoeira no Brasil e sua intensificação deu-se a partir da década de 1970, por ocasião da vinculação dessa manifestação da cultura afro-brasileira à Confederação Brasileira de Pugilismo (CBP). Esse tratamento esportivo a ela dispensado foi, ao longo dos tempos, incrementado por competições, festivais, torneios etc, fomentados por algumas ações institucionais, como, por exemplo, os campeonatos organizados pela CBP, pela Confederação Brasileira de Capoeira (CBC)[1] e pelos Jogos Escolares Brasileiros (JEB’s)[2].

Entre os que debatem o fenômeno da esportivização no interior das práticas corporais em geral podemos encontrar vários autores que fundamentam suas críticas sob o argumento de que as manifestações da “cultura corporal de movimento” , ao serem esportivizadas, passam a ser tratadas de forma unidimensional e fragmentada, à medida que aspectos constitutivos relevantes inerentes às mesmas, como historicidade, determinantes sócio-políticos, subjetividade, exercício do lúdico, são subestimados em detrimentos de outros que caracterizam a lógica esportiva, como competição, racionalização, regramento, rendimento etc. No Brasil, podemos citar, entre outros autores: Bracht (1987, 1992 e 1997), Bruhns (1993), Castellani Filho (1988), Kunz (1991, 1994 e 1996) e Oliveira (1994).

A inclusão da capoeira no rol das práticas esportivas representa uma situação inusitada. Trata-se de uma manifestação oriunda das camadas subalternas, dos negros-escravos, que durante muitos anos foi condenada e proibida pelo poder constituído. Segundo Rego (1968), "o capoeira desde o seu aparecimento foi considerado um marginal, um delinqüente, em que a sociedade deveria vigiá-lo e as leis penais enquadrá-lo e puni-lo" (p. 291).

Ao adentrar o mundo esportivo, a capoeira passa a incorporar códigos e valores diferentes daqueles que a moldavam por ocasião de seu surgimento. Ela pode estar sendo recodificada, regrada e normatizada, negando, possivelmente, alguns dos seus elementos essenciais, como a o exercício do lúdico e espontaneidade.

Este artigo tem por objetivo analisar criticamente o processo histórico[3] de esportivização da capoeira a partir de suas relações com as instituições, os códigos e as legislações que regem o esporte nacional.

As considerações aqui apontadas podem servir como subsídios para a adoção de políticas públicas para o setor. A preocupação aqui não é identificar os indícios embrionários ou explícitos de conservação ou contestação dos valores impregnados no contexto da capoeira, sejam eles advindos da lógica esportiva ou cultural, nem tampouco defender o que é certo ou errado, mas tentar evidenciar a trama que se processa no interior dessa manifestação, a partir de arranjos e rearranjos traçados pelos sujeitos e instituições que com ela se envolvem.

 
Crítica Social ao Fenômeno da Esportivização

Cumpre aqui explicitar que o esporte é um dos mais expressivos fenômenos do mundo contemporâneo. Na esteira do capitalismo, expandiu-se a partir da Europa para todo o mundo e se transformou em expressão hegemônica no campo da cultura corporal de movimento.

Numa visão menos elaborada, esporte significa qualquer forma de exercitação física (jogos, lutas, danças e ginástica) cujo objetivo, para muitos, está associado a uma compensação do desgaste sofrido em decorrência do trabalho; ou então, a uma forma de canalizar o comportamento agressivo, ou ainda, a uma forma de satisfazer a necessidade de pertencimento a um coletivo. No sentido de entender melhor esse fenômeno, convém destacar que o esporte, tal como conhecemos nos dias de hoje, é resultado de um complexo processo de modificação de elementos da cultura corporal de movimento, que teve origem na Inglaterra, no século XVIII, a partir das transformações dos jogos populares pela nobreza inglesa, em decorrência da industrialização e da urbanização, que levaram a novos padrões de vida, com os quais aqueles jogos eram incompatíveis (DUNNING, citado por BRACHT, 1997, p. 10).

As características básicas que caracterizam o que poderíamos chamar de planeta esporte podem ser resumidas em: competição, rendimento físico-técnico, recorde, racionalização e cientifização do treinamento. É importante observar que tais características estão intimamente sintonizadas com os princípios que regem a sociedade capitalista.

Valter Bracht (1997) reconhece que o fenômeno esportivo é multifacetado, no entanto, identifica a supremacia de duas vertentes no seu interior: a) esporte de alto rendimento ou espetáculo e b) esporte como atividade de lazer. O esporte como atividade de lazer deriva do esporte de alto rendimento ou de espetáculo, mas também se apresenta de forma diferenciada em relação ao sentido interno de suas ações.

No bojo desse hegemônico fenômeno da cultura corporal de movimento, algumas críticas são levantadas, principalmente no contexto acadêmico, no que diz respeito aos seus valores humanos e sociais. Os fundamentos dessas críticas foram sistematizados por Bracht (1997) e estão consubstanciados, principalmente, nos pressupostos da teoria marxista ortodoxa, que analisa o esporte como elemento de reprodução da força de trabalho, nos da teoria crítica da Escola de Frankfurt, nos da teoria do “corpo disciplinado” de Michel Foucault e nos da teoria sociológica de Pierre Bourdieu.

É interessante destacar que tais críticas, mesmo que esporádicas e assistemáticas, remontam o início do século XX. Algumas delas estiveram associadas a movimentos sociais bem definidos, como, por exemplo, o movimento ginástico e esportivo organizado a partir de 1913 pelos trabalhadores da Bélgica, da Tchecoeslováquia, da França, da Inglaterra e da Alemanha, a partir de uma “Internacional Esportiva”. Os eventos esportivos e as olimpíadas dos trabalhadores aconteciam sem o uso do cronômetro, de fitas métricas e tabelas de resultados, exploravam exercícios lúdicos, as atividades coletivas e cultuavam gestos simbólicos de solidariedade. Este movimento realizou três grandes olimpíadas de trabalhadores e produziu grande quantidade de documentos que expressavam várias críticas ao chamada esporte “burguês”.

As críticas elaboradas a partir dos pressupostos de orientação frankfurteana (Teoria Crítica) tinham como referência básica o neo-marxismo expresso nas obras de Hebert Marcuse, Theodor Adorno, Max Horkheimer e Jürgen Habermas. Bracht (1997, p. 26 e 27), apoiado em Salamun, sumariza duas teses da Escola de Frankfurt que transpareceram na crítica ao esporte de forma mais pronunciada: a) a tese da coisificação ou alienação, segundo a qual nas sociedades industrializadas e no mundo do trabalho, a sociedade e os homens não são aquilo, que em função de suas possibilidades e sua natureza, poderiam ser. Neste caso, as relações se efetivam a partir de uma razão instrumental ou racionalizada, coisificando-as; b) a tese da repressão e manipulação, na qual a sociedade moderna altamente tecnologizada, industrializada e desenvolvida, representa um sistema de repressão, dominação e manipulação.

A partir dessa leitura, é possível afirmar que o esporte assume a função de estabilizador do sistema social como um todo, e pelo fascínio que exerce, muito bem monitorado pela mídia eletrônica, atua como um desvio da atenção das coisas que realmente garantem uma vida digna e como um atenuador das tensões sociais. Enfim, um elixir compensatório para amenizar as insuportáveis condições materiais em que vive a maior parte da população. “Assim, diluem-se as energias necessárias para uma transformação das condições societárias, que são assim inibidas e não acontecem. Todo gol comemorado no esporte é, na verdade, um gol contra a classe trabalhadora” (BRACHT, 1997, p.28).

Um outro aspecto destacado por Bracht (1997), refere-se à função ideológica do postulado da igualdade de chances no esporte. “A igualdade formal de chances no esporte pressupõe uma correspondente forma de sociedade. Tal idéia nega a fundamental desigualdade de chances inerente à sociedade capitalista e eleva o princípio esportivo da igualdade de chances a um princípio geral da sociedade” (p. 29).

As críticas ao esporte com base nos pressupostos do pensamento de Michel Foucault apontam que o mesmo promove disciplinação e controle do corpo através do treinamento e da manipulação, tornando-o uma peça da sociedade. Enquanto Adorno percebia o controle dos corpos através da manipulação psíquica, via meios de comunicação de massa, Foucault percebia tal integração sendo concretizada através de procedimentos disciplinares de corpos, levados a efeito por instituições como a escola, a fábrica, a prisão etc. Nesse raciocínio, o esporte moderno pode ser interpretado como disciplinador do corpo. Por intermédio do poder que circula e atua em cadeia em todas as instâncias sociais, o corpo é disciplinado não só no sentido “negativo” da repressão, mas também, no sentido “positivo” da manipulação/estimulação. A partir dessa ótica, o corpo já não tem linguagem própria, ele não se exercita, é exercitado, não é senhor de si, mas escravo de várias agências, como os clubes, os esportes, as torcidas, os quartéis etc., que os transforma em algo regulado, condicionado, fechado às experiências sensíveis.

As críticas ao esporte com base nos pressupostos da teoria da educação (socialização) de Bourdieu partem do princípio de que o consumo e prática do esporte contribuem para a reprodução das diferenças de classe. Segundo ele, o esporte traz consigo a marca de suas origens: além da ideologia aristocrática que aparentemente o propaga como atividade desinteressada e gratuita, perpetuada pelos rituais de celebração, “contribui para mascarar a verdade que realmente interessa, tanto nos dias de hoje quanto em sua origem (…)” (BOURDIEU, 1983, p.143).

Essas críticas endereçadas ao esporte em geral e ao de rendimento, de forma mais contundente, parecem não abalar a trajetória desse fenômeno. O esporte tornou-se unanimidade mundial, conquistou poder e é capaz de criar eventos que seduzem a maior parte da população do planeta, como a Copa do Mundo as Olimpíadas, por exemplo. Juntamente com a mídia, divulga padrões de comportamento de alto poder de contágio. Provoca histerias coletivas e, no caso do futebol, no Brasil, é capaz de desencadear comoção nacional e fazer com que todos (ou quase todos) seus habitantes se orgulhem de serem brasileiros, apesar das gritantes diferenças de classes sociais. Mas, por mais contundentes que sejam as críticas, por mais que tantos já tenham desaconselhado a sua prática, Kunz (1994, p. 44) destaca que “ninguém conseguiu abalar ou ameaçar, este tipo de esporte, mais do que ele próprio, nos últimos tempos” . E apresenta dois problemas muito sérios no mundo inteiro que podem levar à sua autodestruição: “o treinamento especializado precoce e o uso do doping” (p. 45).

As Propostas de Esportivização da Capoeira

O autor pioneiro a defender a capoeira como esporte foi Mello Morais (1893/1979) que na década de 1890 já sinalizava com a possibilidade da capoeira se transformar em “esporte nacional”. Como integrante das elites brancas da virada do século XIX, Mello Morais se utiliza de alguns argumentos realçados de positividade: a capoeira era esporte, era mestiça e era nacional. Para justificar seus postulados inverte praticamente todos os elementos dessa manifestação, construindo um “passado glorioso” para a mesma e destituindo o que ela tinha de “mal e bárbaro”. Com isso dá os primeiros passos no lento processo de transformação desse símbolo étnico em esporte.

Em 1928, o escritor Coelho Neto publicou o artigo “Nosso Jogo”, no qual apresenta uma proposta pedagógica de inclusão da capoeira nas escolas civis e militares, chamando a atenção para a excelência da capoeira como ginástica e estratégia de defesa individual. No mesmo ano, Aníbal Burlamaqui publica o livro: Ginástica Nacional (Capoeiragem) Metodizada e Regrada, onde apresenta regras para o jogo esportivo da capoeira (REIS, 1997).

Em 23 de julho de 1953, em Salvador, Mestre Bimba, o criador da Capoeira Regional[4], fez uma exibição com os seus alunos para Getúlio Vargas, no Palácio da Aclamação, ocasião em que ouviu do então Presidente da República: “a capoeira é o único esporte verdadeiramente nacional” (ALMEIDA, 1994, p. 44).

Outros autores apresentaram estudos sugerindo a transformação da capoeira em esporte institucionalizado. Entre eles, destaca-se o professor Inezil Penna Marinho[5]. Atualmente percebe-se que o movimento rumo ao processo de esportivização da capoeira tem adquirido mais vigor. Sob o discurso da necessidade de se organizar melhor para produzir mais, boa parte dos capoeiristas está adotando a lógica do sistema esportivo. Atualmente já são mais de vinte federações estaduais vinculadas a CBC.

Essa forma de organização da capoeira pelo víeis esportivo tem encontrado muitas resistências, tem sido alvo de ácidas críticas e tem servido mais para atender interesses pessoais e/ou corporativos do que para organizá-la efetivamente.

É importante reafirmar que a ação institucional que fomentou a vinculação da capoeira ao contexto esportivo foi o seu reconhecimento como modalidade esportiva pela Confederação Brasileira de Pugilismo (CBP), em 1º de Janeiro de 1973. Tal reconhecimento, e conseqüente regulamentação, não encontrou ressonância por parte de expressivo número de líderes da capoeira nacional. O que pode ser observado é que o vínculo com a CBP pouco contribuiu para o crescimento e organização da capoeira em geral. Com a criação da CBC, em 1992, fica explícita a adoção de uma política esportiva para esta manifestação. A clara intenção de padronização, normatização e unificação de procedimentos dão a tônica do discurso para evitar, segundo seu primeiro presidente, “que curiosos e aventureiros a tornem uma grande confusão internacional e venha a desaparecer por completo” (CONFEDERAÇÃO RESPONDE, 1997, p. 4).

O fato é que isso não ocorreu e a capoeira ganhou o mundo nos últimos anos e esse fenômeno não ocorreu sob a égide do esporte, mas fundamentalmente, como símbolo da cultura brasileira.

A inclusão da capoeira nos Jogos Escolares Brasileiros (JEB’s) a partir de 1985 foi também um dos grandes motivos que contribuiu para o fomento da esportivização da capoeira. A capoeira então se projeta ao fazer parte da mais representativa festa dos esportes estudantis no Brasil.

As tentativas de se organizar e normatizar a capoeira vêm contribuindo para a sua evidência no cenário esportivo brasileiro. Entretanto, muitas dessas tentativas esbarram, na maioria das vezes, em diversos impasses e conflitos de lideranças ávidas em verem seus projetos pessoais serem contemplados pelas políticas públicas de fomento ao esporte.

O que se questiona em relação a essas tentativas de padronização da capoeira dentro dos contornos do esporte de rendimento, é se elas não estariam negando a pluraridade dessa manifestação cultural, bem como os seus valores sócio-históricos e culturais arquivados em seus rituais cantos e gestos. Com uma boa dose de irreverência e fértil imaginação, os capoeiristas que discordam dessas estratégias vem chamando essa capoeira padronizada de “capoeira shopping center”.

Considerações Finais

Á luz do que foi apresentado, procuraremos apontar alguns dilemas que permeiam as políticas públicas para o setor.

O fato é que a capoeira ainda carece de uma consistente política pública que dinamize o seu potencial formador tanto no campo esportivo como no campo cultural. As iniciativas levadas a cabo pelo poder público ainda são rarefeitas e pontuais como, por exemplo, o programa “Ponto de Cultura” , encampado pela Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura (SPPC/MinC), lançado em março de 2005, com aporte de R$ 1 milhão e 850 mil, para a implementação de dez “pontos de cultura” para a capoeira na cidade de Salvador.

No discurso proferido para representantes das Nações Unidas, em Genebra, no dia 19 de Agosto de 2004, o Ministro da Cultura do Brasil proclamou que “não foi fácil para a capoeira colocar o pé no mundo” e transformar-se numa arte planetária. “Muitas foram as adversidades enfrentadas ao longo da história: preconceitos sociais e raciais, perseguições policiais e rejeição das elites”. Na ocasião, anunciou que o governo brasileiro estava disposto a fazer uma reparação histórica em relação a esta manifestação dos africanos escravizados no Brasil e, naquela tribuna européia, diante de diplomatas do mundo inteiro, promoveu o lançamento das bases de um futuro Programa Brasileiro para a Capoeira.

Torna-se necessário, nesse momento, retomar o sentido político original da capoeira, ou seja, os motivos subjacentes e as circunstâncias em que ela foi criada. Produção cultural dos negros à época da escravidão, serviu como estratégia corporal de libertação e pautou-se pela contestação às regras de dominação social.

Assim, ao contrário do esporte, cuja mensagem principal está centrada nos princípios básicos da sobrepujança e das comparações objetivas, que têm como conseqüência imediata o selecionamento, a especialização e a instrumentalização (KUNZ, 1991), a mensagem da capoeira embutida em seus gestos, rituais e cânticos sugere indeterminação, ruptura e ambigüidade, onde a arte e a mandinga, ao refletirem uma interioridade, uma visão própria de mundo, incompatibilizam a padronização e o regramento.

Para Bracht (1997, p. 70) o esporte é:

uma atividade com um conjunto de regras de fácil compreensão, ao contrário por exemplo, das regras do jogo político que são complexas e muitas vezes não transparentes. O resultado de uma competição é anunciado imediatamente após o seu encerramento e não deixa dúvidas (…). A simplicidade de sua linguagem, faz possível que um jogo de futebol seja entendido e apreciado tanto aqui no Brasil, quanto na China, por exemplo.

A visão de que para termos bons capoeiristas teríamos que ter campeões soa como uma hipocrisia. Obviamente, não estamos aqui defendendo a total ausência de rendimento. Isso é impossível, mas sugerindo, como propõe Kunz (1996), um “rendimento como algo necessário mas não obrigatório” (p. 101). Nesse sentido, estamos de acordo com Valter Bracht quando destaca:

A idéia defendida e disseminada (e falsa) é a de que para motivar e termos uma população ativa esportiva e fisicamente precisamos de heróis esportivos que atuariam como exemplos, análoga à idéia de que para construirmos bons carros de passeio precisamos desenvolver carros de formula l.(BRACHT, 1997, p. 83)

A ambigüidade parece ser um componente intrínseco da capoeira, quando vista sob a lógica da cultura popular. Numa análise aligeirada ela pode denotar indeterminação, incerteza, dúvida, mas isso não é uma falha, defeito ou carência de um sentido, como destaca Chaui (1989). Trata-se de uma propriedade que contém ao mesmo tempo várias dimensões simultâneas.

É dentro dessa concepção multifacetada que as políticas públicas para a capoeira devem ser geridas. Ou seja, através de programas interministeriais e intersetoriais que envolvam as diversas interfaces da capoeira. As políticas públicas poderiam contribuir enormemente para o fomento desta que é um dos principais veículos de divulgação da cultura brasileira.

 

Referências

ALMEIDA, Raimundo C. A. de. A saga de Mestre Bimba. Salvador: Ginga Associação de Capoeira, 1994.

BOURDIEU, Pierre. Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983.

BRACHT, Valter. A criança que pratica esporte respeita as regras do jogo …capitalista. In: Vitor Marinho de Oliveira (org.). Fundamentos pedagógicos: Educação Física. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1987.

Educação Física e aprendizagem social. Porto Alegre: Magister, 1992.

Sociologia crítica do esporte: uma introdução. Vitória: UFES/CEFD, 1997.

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BRUHNS, Heloísa Turini. O corpo parceiro e o corpo adversário. Campinas-SP: Papirus, 1993.

CASTELLANI FILHO, Lino. Educação Física no Brasil: a história que não se conta. Campinas: Papirus, 1988.

CHAUI, Marilena. Conformismo e resistência: aspectos da cultura popular no Brasil. 3ª Edição. São Paulo: Brasiliense, 1989.

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COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino da Educação Física, São Paulo: Cortez, 1992.

KUNZ, Elenor. Educação Física: ensino e mudanças. Ijuí: UNIJUÍ Editora, 1991.

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O esporte na perspectiva do rendimento. Diretrizes curriculares para a educação física no ensino fundamental e na educação infantil da rede municipal de Florianópolis-SC. NEPEF/UFSC-SME, 1996.

MARINHO, Inezil Penna. A ginástica brasileira: resumo do projeto geral. 2ª Edição. Brasília: Autor, 1982.

MORAIS FILHO, Melo. Capoeiragem e capoeiras célebres. In: Festas e tradições populares. São Paulo: EUSP/Itatiaia, 1979.

OLIVEIRA, Vitor Marinho de. Consenso e conflito na educação física brasileira. Campinas: Papirus, 1994.

PIRES, Antônio Liberac Cardoso Simões. A capoeira no jogo das cores: criminalidade, cultura e racismo na cidade do Rio de Janeiro (1890-1937). (Dissertação de Mestrado), História, Campinas-SP, Unicamp, 1996.

REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico. Salvador: Itapuã, 1968.

REIS, Letícia Vidor de Souza. O mundo de pernas para o ar: a capoeira no Brasil. São Paulo: Publisher Brasil, 1977.

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SOARES, Carlos Eugênio Líbano. A negregada instituição: os capoeiras no Rio de Janeiro, 1850-1890. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1994.

VIEIRA, Luiz Renato. O jogo de capoeira: cultura popular no Brasil. Rio de Janeiro: Sprint, 1995.

FALCÃO, José Luiz Cirqueira

Dr., Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Mestre de Capoeira

Palavras-chaves: capoeira, esportivização, poder.

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