Mestre Oscar Niemeyer e a Capoeira em geral
26 Mai 2007

Mestre Oscar Niemeyer e a Capoeira em geral

Governo, regional e local, com apoio da sociedade, percebendo a genialidade de Antonio Gaudi, deu carta branca para ele criar em Barcelona.

26 Mai 2007

Governo, regional e local, com apoio da sociedade, percebendo a genialidade de Antonio Gaudi, deu carta branca para ele criar em Barcelona. Pois muito bem, boa parte do charme da cidade e, consequentemente, do seu sempre crescente fluxo turístico, deve-se ao extraordinário talento do arquiteto catalão.
 
Em 1992, Barcelona sediou uma Olimpíada. Planejamento exemplar, execução ainda melhor. A abertura dos jogos ficou e ficará para sempre na história das olimpíadas. E nem será preciso lembrar o espetáculo a parte dado pelo “Dream Team” com seus superastros Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird…
 
Para efeito desse artigo, entretanto, quero lembrar como esses dois momentos – Gaudi e olimpíada – uniram-se para fortalecer, engrandecer e, sobretudo, urbanizar a já extraordinária – pela própria história – cidade de Barcelona.
 
E, em função dessa lembrança, dessa constatação, partindo do princípio que temos também, com cores próprias, brasileiras, o nosso Gaudi, e tendo em vista a escolha da cidade do Rio de Janeiro para sediar o Pan-Americano, por que a cidade – governo e sociedade – não deu carta-branca ao extraordinário arquiteto Oscar Niemeyer para ‘arquitetar’ o grande evento? Arquitetar totalmente, todas, absolutamente todas as construções que estão sendo feitas para esse tão importante e prazeroso evento internacional!?

Contribuição que, a meu ver, deveria começar pela criação do logotipo. Com todo respeito pelo responsável pelo desenho já escolhido, mestre Niemeyer, com base nas femininas e sensuais curvas da topografia do Rio, teria criado um símbolo que viraria febre de consumo entre os atletas e assistentes do Pan. Entraria, com destaque, para a galeria do melhores logotipos de eventos olímpicos. Assim como, entraria para história da arquitetura mundial, a minicidade que Niemeyer criaria para o Pan Rio 2007. O logotipo aprovado não é ruim, mas, convenhamos, não pode ser considerado a ‘cara’ do Rio. Não sendo possível deixar de registrar a semelhança, certamente involuntária, entre o símbolo do Pan Rio e alguns quadros historicamente consagrados. Não apenas o famoso Birds on Blue, de Henri Matisse, mas vários outros, como a coleção de pássaros azuis de Georges Braque.
 

Logotipo Pan RIOLogotipo Pan RIO 

   

E o que tudo isso tem a ver com a Capoeira? Há décadas venho sugerindo aos governos a construção de um Memorial da Capoeiragem no Rio de Janeiro (que incluiria museu, biblioteca, oficinas, exposições, debates etc). Ninguém melhor do que Oscar Niemeyer para fazer esse projeto.
 
Definitivamente, o Carioca está perdendo qualidade, até para gostar de sua própria cidade, por sinal, apesar de tudo, ainda maravilhosa.
 
Em pouco tempo, a famosa piada vai trocar de cidade: “o melhor de Niterói não será mais a vista do Rio de Janeiro”, e sim, o “melhor do Rio será a vista do extraordinário Museu de Arte Contemporânea de Niterói”. Feito por quem?
 
Logotipo Pan RIODe maneira mais pessoal, e pretensiosa também, andei pensando em explorar o talento de Niemeyer. Tudo por ‘culpa’ de dois livros que acabo de terminar: 1. A quarta edição do livreto “Capoeira no Rio de Janeiro, no Brasil e no Mundo”, e 2. O meu primeiro romance – “Marraio Feridô Sô Rei”. Para esse último, pensei em procurar o grande arquiteto e, simplesmente, pedir que fizesse a capa. Prevaleceu o bom senso e preferi me socorrer da Texto & Imagem que, através da capista Sisa Resende, saiu-se admiravelmente bem da missão, Como pode ser comprovado pelas ilustrações aqui inseridas.
 
 

Logotipo Pan RIO

 
Capoeira em Geral
 
Adentremos, pois, mais a fundo e novamente, nesse mundo encantado da Capoeiragem.
 
1. Coisas Nossas # 1

 
De mestre Berg, que está no cordel recém-publicado, recebo convite para assistir, no Teatro Rival, Rio, a peça Coisas Nossas. Com tratamento vip garantido, tratei de convidar toda a família e mais um casal americano de jornalistas. Ao chegar descobri que nossas mesas, especialmente reservadas, estavam ocupadas por uma meninada. São ‘coisas nossas’ pensei, com bom humor, demos meia volta e voltamos para a casa. Nada a falar ou escrever, portanto e infelizmente, do espetáculo em grande parte, suponho, calcado na Capoeiragem. O que não afeta em nada minha admiração pelo trabalho que o doutorando mestre Berg vem realizando, tanto assim que, dia 13 de maio, estaremos em sua casa, em Pilares, participando de grande festa. Até porque Pilares faz parte do meu livro “Marraio Ferido Sô Rei”. Isso se eu sobreviver ao almoço que meu primo Nei promoverá dia 12, marcando seus 65 anos de sucesso no mundo. Afinal, se em Barcelona 92 havia um Dream Team do basquetebol, na festa do Nei, podem apostar, haverá um Dream Team da fina música popular carioca. Que mestre Nei me perdoe essa americanada de Dream Team entrando no pagode.
 
2. Coisas Nossas # 2
 
Na qualidade de mestre em Administração Pública reajo mais fortemente do que seria normal, quando vejo alguma coisa, administrativamente raciocinando, fora do lugar. Como por exemplo, o princípio da publicidade sendo ignorado.
 
Vai daí que, ao receber e-mail sobre um concurso público, na UFDRJ, para o cargo de professor de capoeira, que estaria sendo feito sem o necessário ritual administrativo, respondi com veemência: Está errado, reaja, reclame, faça valer seus direitos (o remetente, estava entendendo eu,  era candidato potencial ao cargo).
 

Logotipo Pan RIOOntem, entretanto, um domingo ainda de sol (29 de abril), encontro casualmente na praia o Professor Augusto José Fascio Lopes (foto), chefe do Departamento de Lutas, da Faculdade de Educação Física, da UFRJ. O professor, mais conhecido como mestre Baiano Anzol, de modo firme e sereno, tratou de passar detalhes fundamentais a respeito do tal concurso: Todo ritual previsto em lei e regulamentos internos da Universidade foi rigorosamente cumprido, tivemos oito candidatos, entre eles os mestre Hulk e Ephrain, saiu vencedora mestre Rufatto, que também tem mestrado em Educação Física.
 

Ainda firme e sereno, e, sobretudo, com muita ética, o Professor lembrou que a quantia de R$ 30 mil, que a Petrobrás depositou na conta particular do então responsável Centro de Memória Artur Emídio estava causando certo mal-estar, até por que sua devolução estaria agora dependendo de inventário. Situação que, somada à reportagem recentemente publicada sobre a aplicação de verbas públicas em programas sócio-esportivos (visando a exclusão social…), vai colocando em cheque a maestria gerencial de alguns mestres de capoeira.
 
Encerro aqui essa discussão deixando claro que não esperava que o e-mail que enviei – e causou o desconforto – tivesse sido colocado na Internet. Como se sabe, fora do contexto em que é colocado originalmente, qualquer frase ou depoimento pode perder sentido ou ficar com sentido demais.
 
Conheço mestre Anzol há muito tempo, salvo engano, em 1971 e poucos, saímos na Capoeira da Mangueira, discutimos muito e sempre. Se há alguma chance de briga será em função da nova apresentação que apresento na quarta edição do meu cordel. Mas, espero que não, que ele mantenha o convite que sempre faz (mas jamais efetiva) de voltar a beber alguns copos da famosa bebida inventada por mestre Bimba – “mulher barbada” – que Anzol sabe fazer como ninguém.
 
Termino parabenizando a mestra vencedora e, ao mesmo tempo, lamentando a vida do professor, inclusive universitário, no Brasil. Ouvi certa vez, não tive oportunidade de comprovar, que no Japão, a única classe profissional dispensada de fazer reverência ao imperador é justamente a classe dos professores. Sabedoria oriental, sem professor não há o amanhã. De repente, parece ser isso mesmo que alguns poderosos querem: falência total da educação.
 

Fonte: http://www.forumvirtual.com.br/capoeira.htm 

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