Pesquisa para revisão e atualização do livro de Emília Biancardi: “Ôlelê Maculelê”
24 Out 2006

Pesquisa para revisão e atualização do livro de Emília Biancardi: “Ôlelê Maculelê”

O INÍCIO Emília Biancardi Ferreira sempre foi apaixonada pelo folclore. Com ascendência italiana (por parte de mãe) e portuguesa-africana (pai) Emília desde adolescente,

24 Out 2006
O INÍCIO
 
Emília Biancardi Ferreira sempre foi apaixonada pelo folclore. Com ascendência italiana (por parte de mãe) e portuguesa-africana (pai) Emília desde adolescente, em Vitória da Conquista, ficava fascinada com os festejos dos ternos de reis. Mais tarde, quando foi designada professora de música e canto orfeônico no Instituto de Educação Isaías Alves (Iceia) ela criou, em 1962, o primeiro grupo parafolclórico da Bahia: “Viva Bahia”.
 
Era uma época em que a cultura afro-baiana não estava na moda e a capoeira e o candomblé sofriam repressão social, quando não policial. O grupo que mostrava as danças de origem africana se transformaria no “Viva Bahia”, em 1969 que depois se apresentou em toda a América do Sul, Europa, EUA, Oriente Médio e África e onde muitos Mestres começaram suas carreiras no exterior.
 
O “Viva Bahia” sobreviveu até 1983 e é a própria Emilia que conta: “O grupo de danças tradicionais populares, “Viva Bahia”, surgiu em Salvador a partir de uma pesquisa sobre raízes populares. Era um trabalho onde danças e músicas eram reproduzidas e aplicadas em espetáculos teatrais, havendo uma total observância dos postulados inspiradores destes; seja no candomblé, onde a coreografia se inspira diretamente na dança sacralizada dos orixás; seja na capoeira, onde as artes marciais africanas se aculturaram; seja no maculelê, recriação dentro dos valores da cultura negra das regras éticas do duelo; seja no samba de roda, onde este samba, tantas vezes modificado, aparece em sua forma original”.
 
Em seus mais de 40 anos de atividade artística Emília Biancardi (a) publicou os livros: “Cantorias da Bahia”, “Viva Bahia Canta”, “O Lindro Amô”, “Olêlê Maculelê” e “Raízes Musicais da Bahia” sendo estes dois últimos considerados de referência; (b) participou de dois importantes documentários sobre a Bahia – “Bahia de Todos os Sambas” e “Bahia por Exemplo” e (c) criou a “Coleção de Instrumentos Tradicionais Emília Biancardi” com mais de 500 instrumentos indígenas e africanos com várias exposições em Salvador e em outros estados..
 
O LIVRO “ÔLELÊ MACULELÊ”
 
Em 1989, após uma acurada pesquisa de campo, o livro  “Ôlelê Maculelê” foi por ela feito publicar como resultado da busca da trajetória do folguedo Maculelê na vida popular das microrregiões onde existiu e era cultivado observando-se as evoluções, já notadas naquela ocasião, que originou a perda de várias de suas características primitivas e que modificaram seu aspecto de folguedo de raízes africanas.
 
Nos dias de hoje essas modificações vêm sendo drásticas envolvendo  coreografia e indumentária fazendo com que a descaracterização do folguedo seja, ainda, mais profunda chegando ao absurdo de se colocar o Maculelê como “estilo da Capoeira” (???)..
 
Essa interpretação errônea feita, inclusive, num programa popular de televisão originou a inserção de uma “Ordem do Dia“ no Conselho Estadual de Cultura da Bahia que está emitindo uma Moção contra tal situação já que a autora é Conselheira do órgão e, conseqüentemente, este fato acelerou sua intenção de fazer nova Edição do “Ôlelê Maculelê” que deverá estar sendo lançado no próximo mês de dezembro.
Emília Biancardi, hoje se vê diante desta difícil situação do Maculelê que aumenta consideravelmente sua preocupação com a crescente e evidente modificação das suas características o que poderá ocasionar a perda de seu espaço no campo das manifestações tradicionais da cultura popular.
 
Assim, retomando seus estudos e com o resultado das pesquisas – via internet –  resolveu compilar várias dessas opiniões dos antigos Mestres acrescentando-as nesta 2a. edição do “Ôlêlê Maculelê”, editado em 1989, e que tem, até hoje, sua leitura recomendada por muitos Mestres como se pode constatar em inúmeros Sites dedicados à Capoeira e ao próprio Maculelê;
 
Alguns dos  depoimentos – já confirmados – que farão parte desta nova edição:  Prof. Maria Mutti, diretora do Núcleo de Incentivo Cultural de Santo Amaro (Nicsa – Prof. Zilda Paim, historiadora do Recôncavo e Mestres de Capoeira como: Mestre Morais, Mestre  Itapoan e  Mestre Bira Acordeon.
 
Lucy Geão – DRT 1857 – Produtora Cultural
 
A PESQUISA
 
ASPAS
Caros Mestres,
 
Em parceria  com o Portal Capoeira, estou fazendo uma revisão e atualização do livro de pesquisas sobre o Maculelê – “Ôlelê Maculelê”  que foi publicado em 1989.  
 
Tenho conhecimentos de que, como acontece com as manifestações folclóricas de um modo geral o passar do tempo e interpretações pessoais têm influenciado para que a tradição seja modificada e, em alguns casos, descaracterizada.
 
Tenho, também, conhecimento de divulgação de conceitos equivocados como a afirmação feita em um programa popular de TV brasileira em que um Mestre apresentou o Maculelê como “estilo” da Capoeira.
 
A globalização da Capoeira não dá condições de se fazer pesquisas de campo como quando o Maculelê foi estudado em 1989 e, assim,  venho solicitar a sua participação – como Mestre – em atividade para que nos envie sua experiência sobre estas descaracterizações e o resultado desta pesquisa será apresentado na 2a. edição do livro que estará sendo lançada em dezembro deste ano.
 
Para participar desta pesquisa e colaborar com o Livro:
 
“Ôlelê Maculelê”, clique aqui.
 
Lucy Geão – Produtora Cultural por Emília Biancardi
nucleodenegocios@atarde.com.br
FECHA ASPAS
 
Emília Biancardi

{jgibox title:=[História do Maculelê – Clique aqui.] style:=[width:500px;]} Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, cidade marcada pelo verde dos canaviais, é terra rica em manifestações da cultura popular de herança africana. Berço da capoeira baiana, foi também o palco de surgimento do Maculelê, dança de forte expressão dramática, destinada a participantes do sexo masculino, que dançam em grupo, batendo as grimas (bastões) ao ritmo dos atabaques e ao som de cânticos em dialetos africanos ou em linguagem popular. Era o ponto alto dos folguedos populares, nas celebrações profanas locais, comemorativas do dia de Nossa Senhora da Purificação (2 de fevereiro), a santa padroeira da cidade. Dentre todos os folguedos de Santo Amaro, o Maculelê era o mais contagiante, pelo ritmo vibrante e riqueza de cores.
 
Sua origem, porém, como aliás ocorre em relação a todas as manifestações folclóricas de matriz africana, é obscura e desconhecida. Acredita-se que seja um ato popular de origem africana que teria florescido no século XVIII nos canaviais de Santo Amaro, e que passara a integrar as comemorações locais. Há quem sustente, no entanto, que o Maculelê tem também raízes indígenas, sendo então de origem afro-indígena.
 
Conta a lenda que a encenação do Maculelê baseia-se em um episódio épico ocorrido numa aldeia primitiva do reino de Iorubá, em que, certa vez, saíram todos juntos os guerreiros para caçar, permanecendo na aldeia apenas uns poucos homens, na maioria idosos, junto das mulheres e crianças. Disso aproveitou-se uma tribo inimiga para atacar, com maior número de guerreiros. Os homens remanescentes da aldeia, liderados pelo guerreiro de nome Maculelê, teriam então se armado de curtos bastões de pau e enfrentado os invasores, demonstrando tanta coragem que conseguiram pô-los em debandada. Quando retornaram os outros guerreiros, tomaram conhecimento do ocorrido e promoveram grande festa, na qual Maculelê e seus companheiros demonstraram a forma pela qual combateram os invasores. O episódio passou então a ser comemorado freqüentemente pelos membros da tribo, enriquecido com música característica e movimentos corporais peculiares. A dança seria assim uma homenagem à coragem daqueles bravos guerreiros.
 
No início deste século (o XX), com a morte dos grandes mestres do Maculelê de Santo Amaro da Purificação, o folguedo deixou de constar, por muitos anos, das festas da padroeira. Até que, em 1943, apareceu um novo mestre – Paulino Aluísio de Andrade, conhecido como Popó do Maculelê, considerado por muitos como o “pai do Maculelê no Brasil”. Mestre Popó reuniu parentes e amigos, a quem ensinou a dança, baseando-se em suas lembranças, pretendendo incluí-la novamente nas festas religiosas locais. Formou um grupo, o “Conjunto de Maculelê de Santo Amaro”, que ficou muito conhecido.
 
É nos estudos desenvolvidos por Manoel Querino (1851-1923) que se encontram indicações de que o Maculelê seria um fragmento do Cucumbi, dança dramática em que os negros batiam roletes de madeira, acompanhados por cantos. Luís da Câmara Cascudo, em seu “Dicionário do Folclore Brasileiro”, aponta a semelhança do Maculelê com os Congos e Moçambiques. Deve-se citar também o livro de Emília Biancardi, “Olelê Maculelê”, um dos mais completos estudos sobre o assunto.
 
Hoje em dia, o Maculelê se encontra integrado na relação de atividades folclóricas brasileiras e é freqüentemente apresentado nas exibições de grupos de capoeira, grupos folclóricos, colégios e universidades. Contudo, convém registrar as observações feitas por Augusto José Fascio Lopes, o mestre Baiano Anzol, ex-aluno do mestre Bimba e professor de Capoeira na Universidade federal do Rio de Janeiro: “…neste trabalho de disseminação,  o Maculelê vem sofrendo profundas alterações em sua coreografia e indumentária, cujo resultado reverte em uma descaracterização. Exemplo: o que era originalmente apresentado como uma dança coreografada em círculo, com uma dupla de figurantes movimentando-se no seu interior sob o comando do mestre do Maculelê, foi substituído por uma entrada em fila indiana com as duplas dançando isoladamente e não tendo mais o comando do mestre. O gingado quebrado, voltado para o frevo, foi substituído por uma ginga dura, de pouco molejo.
 
“Mais recentemente, faz-se a apresentação sem a entrada em fila. Cada figurante posta-se isoladamente, sem compor os pares, e realiza movimentos em separado, mais nos moldes de uma aula comum de ginástica do que de uma apresentação folclórica requintada.
 
“Deve-se reconhecer que não só o Maculelê mas todas as demais manifestações populares vivas ficam sempre muito expostas a modificações ao longo do tempo e com o passar dos anos. (…) Entendo que todas essas modificações devam ficar registradas, para permitir que os pesquisadores, no futuro, possam estudar as transformações sofridas e também para orientar melhor aqueles que vierem a praticar esse folguedo popular de extrema riqueza plástica, rítmica e musical que é o Maculelê.” 
 
Fonte: Capoeira do Brasil – http://www.capoeiradobrasil.com.br/maculele.htm 

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{jgibox title:=[Depoimento do Mestre Baiano Anzol sobre o Maculelê  – Clique aqui.] style:=[width:500px;]} "Era em Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano, que se dançava o Maculelê, dentro das celebrações profanas locais, comemorativas do dia de Nossa Senhora da Purificação (2/Fev.), a santa padroeira da cidade. No restante do estado da Bahia, desconhecia-se o folguedo.
 
Essa manifestação de forte expressão dramática, ponto alto dos folguedos populares, destinava-se a participantes do sexo masculino que dançavam em grupo, batendo as grimas (bastões) ao ritmo dos atabaques e ao som de cânticos em linguagem popular, ou em dialetos africanos. Dentre todos os folguedos existentes em Santo Amaro, cidade marcada pelo verde dos canaviais, o Maculelê era o mais rico em cores. Seu ritmo vibrante contagiava a todos.
 
São contraditórias e pouco esclarecidas suas origens. Tem-se como um ato popular de origem africana que teria florescido no século XVIII nos canaviais santo-amarense e que se integra, há mais de duzentos anos, nas comemorações daquela cidade. Um dos seus registros mais significativos consta na nota fúnebre publicada pelo jornal "O Popular" (10/Dez/1873), que circulava em Santo Amaro: "Faleceu no dia primeiro de dezembro a africana Raimunda Quitéria, com a idade de 110 anos. Apesar da idade, ainda capinava e varia o adro (terreno em volta) da igreja da Purificação, para as folias do Maculelê.
 
No início deste século, com a morte dos grandes mestres de Maculelê daquela cidade, o folguedo começou a desaparecer, deixando de constar, por muitos anos, das festas da padroeira. Em 1943, outro mestre, Paulino Aluísio de Andrade, conhecido como Popó do Maculelê e considerado como "pai do Maculelê, no Brasil", reuniu parentes e amigos para ensiná-los a dançar, com base nas suas lembranças, pretendendo inclui-lo novamente nos festejos religiosas locais. Seu grupo passou a ser conhecido como "Conjunto de Maculelê de Santo Amaro".
A respeito, a pesquisadora Hildegardes Vianna chama à atenção para uma remota referência quanto à existência de "uma dança esquisita de gente preta da roça, que aparecia nos festejos de N. S. da Conceição e de N. S. da Purificação". Entretanto, é através dos estudos de Monoel Querino (1851-1932) que se encontram indicações de tratar-se o Maculelê de um fragmento do Cucumbi, uma dança dramática em que os negros batiam pedaços roliços de madeira, acompanhados de cantos. Em seu "Dicionário do Folclore Brasileiro", Luís da Câmara Cascudo aponta a semelhança do Maculelê com os Congos e Maçambiques. Emília Biancardi escreveu um livro de título "Olelê Maculelê", considerado como um dos estudos mais completos sobre o assunto.
 
Como a intenção aqui não é arrolar todas as hipóteses levantadas sobre as origens dessa dança folclórica, os exemplos acima citados já servem para demonstrar o grau de incerteza que persiste com relação às possíveis interpretações sobre os primórdios do Maculelê. Vale, como sugestão, para que os jovens pesquisadores se aprofundem na temática.
Mesmo considerando que já não vivem os praticantes primitivos dessa dança, devem por certo existir ainda valiosos documentos inéditos com dados esclarecedores, para subsidiar a elaboração da hipóteses mais consistentes a respeito dessa manifestação, tão pouco estudada nos dias de hoje.
 
Conheci o Maculelê, na década de 60, no bairro do Barbalho, em Salvador, por intermédio do grupo folclórico do Instituto de Educação Isaías Alves, do qual participavam alguns alunos do mestre Bimba. Nessa época, existia também um grupo, chamado "Viva Bahia", que ficou famoso por divulgar várias manifestações do folclore baiano: Maculelê, Candomblé, Puxada de Rede, Samba de Roda e Samba Duro. Fazia apresentações em teatros, colégios e universidades de Salvador, e mais tarde, em outras capitais brasileiras. Em 1966, o Maculelê saiu pela primeira vez da Bahia, para figurar no Carnaval carioca, compondo uma ala da escola de samba "Império Serrano". Do grupo, participava o Saci, um capoeira importante da academia do Mestre Bimba.
 
Minha familiarização com o Maculelê ocorreu no Centro de Cultura Física Regional da Bahia, a academia do Mestre Bimba, onde um grupo de exibição da Capoeira incluía no repertório também apresentações de Cadomblé , Samba de Roda e Samba Duro. Tempos depois, com a divulgação do Maculelê, Mestre Bimba resolveu introduzir essa modalidade folclórica nas apresentações. Quem ensinou o Maculelê ao grupo foi Poponé, um dos integrantes do "Viva Bahia", que já tinha um irmão carnal, Capanga, treinando na academia. Minha preocupação maior na época era aprender a Capoeira mesmo assim me envolvi bastante com o Maculelê.
 
Em 1968, quando cheguei ao Rio de Janeiro, me integrei ao Grupo Senzala, que vivia sua fase de crescimento, tornando-se cada vez mais conhecido. Surgiu então uma oportunidade de o fazer uma temporada na sala Cecília Meireles, no Rio, e ficou decidida a inclusão do Maculelê no repertório. Muitos alunos do Grupo Senzala, hoje mestres, aprenderam a dançar comigo. Aliás, não só o Maculelê, mas também o Samba de Roda, o Samba Duro e a Puxada de Rede. Surgiu depois a oportunidade de realizar um show folclórico, desta feita, no Teatro Opinião, e se repetiu o repertório, acrescido de novas manifestações.
 
Vale destacar que, no início, houve certa resistência ao Maculelê por parte dos integrantes do grupo Senzala que, talvez por desconhecimento, o consideravam uma efeminada. Foi necessário levar um aluno graduado do grupo à Salvador para observar in loco e aprender na terra de origem, para que ele então auxiliasse meu trabalho de ensino da coreografia e do ritmo aos demais componentes do grupo Senzala. A partir daí, outros grupos de Capoeira do Rio de Janeiro também incorporaram o Maculelê em suas apresentações públicas.
Em 1969, a Escola de Ballet da Bahia apresentou o Maculelê em um espetáculo de música erudita com um quadro intitulado "Festa Nordestina", coreografado, sob minha orientação, por Dalal Achcar. Surgiu assim a oportunidade de divulgar o trabalho em todo o Brasil.
Mais tarde, quando estudava e na condição de mestre responsável pelo ensino da Capoeira, na então Universidade do Estado da Guanabara (atual UERJ), colaborei na divulgação do Maculelê junto à disciplina de Folclore. Atualmente, essa dança se encontra perfeitamente integrada na relação de atividades folclóricas brasileiras e é freqüentemente apresentada em exibições de grupos de Capoeira, grupos folclóricos, colégios de diversos níveis e universidade.
 
Cumpre-me registrar entretanto que, nesse trabalho de disseminação, o Maculelê vem sofrendo profundas alterações em sua coreografia e indumentária, cujo resultado reverte em uma descaracterização. Exemplo: o que era originalmente apresentado como uma dança coreografada em círculo, com uma dupla de figurantes movimentando-se no seu interior sob o comando do mestre do Maculelê, foi substituído por uma entrada em fila indiana com as duplas dançando isoladamente e não tendo mais o comando do mestre. O gingado quebrado, voltado para o frevo, foi substituído por uma ginga dura, de pouco molejo.
 
Mais recentemente, faz-se a apresentação sem a entrada em fila. Cada figurante posta-se isoladamente, sem compor os pares, e realiza movimentos em separado, mais nos moldes de uma aula comum de ginástica do que de uma apresentação folclórica requintada.
Deve-se reconhecer que não só o Maculelê mais por todas as demais manifestações populares vivas ficam sempre muito expostas a modificações ao longo do tempo e com o passar dos anos. Assim aconteceu no Rio de Janeiro com o Maculelê original, vindo da Bahia: sofreu alterações. Entendo que todas essas modificações devam ficar registradas, para permitir que os pesquisadores, no futuro, possam estudar as transformações sofridas e também para orientar melhor aqueles que vieram a praticar esse folguedo popular, de extrema riqueza plástica, rítmica e musical, que é o Maculelê".
 
Esse foi o depoimento do Mestre Baiano Anzol sobre o Maculelê. {/jgibox}
{jgibox title:=[Músicas do Maculelê – Clique aqui.] style:=[width:500px;]} A seguir algumas letras das músicas do Maculelê, colhidas do CD “Cordão de Ouro” – vol. IV, de Mestre Suassuna:
1.
(mestre)
Ô Sinhô, dono da casa, nós viemo aqui lhe vê,
Viemo lhe perguntá, como passa vosmicê
(coro)
Ô Sinhô, dono da casa, nós viemo aqui lhe vê,
Viemo lhe perguntá, como passa vosmicê
(BIS) mestre seguido do coro
(mestre) Ê, como é seu nome
(coro) É maculelê
(mestre) Ê, de onde veio
(coro) É maculelê
(mestre) Lá de Santo Amaro
(coro) É maculelê             
(BIS) e repetem desde 1.
2.
(mestre)
Eu sou um menino
Minha mãe soube me educar
Quem anda em terras alheias
Pisa no chão devagar
(coro)
Eu sou um menino
Minha mãe soube me educar
Quem anda em terras alheias
Pisa no chão devagar
(BIS) mestre seguido do coro, desde 2
3.
(mestre)
Eu vim pela mata eu vinha
Eu vim pela mata escura
Eu vi seu Maculelê
No clarear, no clarear da lua
(coro)
Eu vim, pela mata eu vinha
Eu vim pela mata escura
Eu vi seu Maculelê
No clarear, no clarear da lua
(BIS) mestre seguido do coro, desde 3
4.
(mestre)
Êêêê, mas i na ora ê, i na ora á
I na ora ê, sou de Angola
(coro)
i na ora ê, i na ora á
i na ora ê, sou de Angola
(mestre)
i na ora ê, i na ora á
i na ora ê, dá licença pr’ eu passar
(coro)
i na ora ê, i na ora á
i na ora ê, sou de Angola
(BIS) desde 4
5.
(mestre)
Tê, tê, tê, olha tê, tê  á,
Tê, tê, tê, Bom Jesus de Mariá
(coro)
(BIS) desde 5
6.
(mestre)
Eu vi a luta, eu tava lá
Eu vi a luta, eu tava lá
Dois guerreiros se pegando dentro do canavial
(coro)
(BIS)desde 6
7.
(mestre)
Lutava Maculelê na terra do Mangangá
Um gritava para o outro…
Tumba ê caboclo
(coro) Tumba lá e cá
(mestre) Ê tumba ê guerreiro
(coro) tumba lá e cá
(mestre) Ê tumba ê Popó
(coro) tumba lá e cá
(mestre) Ê não me deixe só
(coro) tumba lá e cá
(mestre) Tumba ê caboclo
(coro) tumba lá e cá
(mestre) Ê tumba ê Santo Amaro
(coro) tumba lá e cá
(mestre) Ê tumba ê Popó
(coro) tumba lá e cá
(mestre) Não me deixe só
(coro) tumba lá e cá
8.
(mestre)
Certo dia na cabana um guerreiro
Certo dia na cabana um guerreiro
Foi atacado por u’a tribo pra valê
Pegou dois paus, saiu de salto mortal
E gritou pula menino, que eu sou Maculelê
(coro) repete
(mestre) Ê pula lá que eu pulo cá
(coro) Que eu sou Maculelê
(mestre) Ê pula lá que eu quero vê
(coro) Que eu sou Maculelê
(mestre) Ê pula eu pula você
(coro) Que eu sou Maculelê
(mestre) Ê pula lá que eu quero vê
(coro) Que eu sou Maculelê
(BIS) desde 8
9.
(mestre)
Eu dei um corte de facão na samambaia
Maculelê que é bom também não falha
(coro) repete
(BIS) desde 9
10.
(mestre) Quando eu vou me embora, olé
(coro) Todo mundo chora, olé
(BIS)desde 10 {/jgibox}
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