Zumbi: Uma vida pela Liberdade!
16 Nov 2006

Zumbi: Uma vida pela Liberdade!

"O MAIS IMPORTANTE PARA ZUMBI NÃO ERA VIVER LIVRE, MAS LIBERTAR TODOS OS NEGROS AINDA ESCRAVOS" Para todos nós, brasileiros afrodescendentes, ZUMBI DOS

16 Nov 2006
"O MAIS IMPORTANTE PARA ZUMBI NÃO ERA VIVER LIVRE, MAS LIBERTAR TODOS OS NEGROS AINDA ESCRAVOS"
 
Para todos nós, brasileiros afrodescendentes, ZUMBI DOS PALMARES é o símbolo da resistência.
Identificar, propagar e manter a importância do maior Líder Negro da América Latina e Herói Nacional na construção da cidadania, por sua persistência, conquistas e pelo elevado exercício da liberdade no único sentido que essa palavra comporta, é proporcionar, de antemão, às gerações atuais e futuras, como foi oferecido as nossos antepassados, modelo de dignidade que alimenta a luta pelo reconhecimento ao trabalho do povo negro na construção desse País, ao mesmo em que lutava contra o escravismo mais cruel de que se tem notícia na história da humanidade.
“Zumbi fincou pé em Palmares e aceitou a guerra de posição para defender a possibilidade de um Brasil livre, liderado pelos africanos”.
 
Este foi o verdadeiro sonho de Zumbi, que fez valer o sacrifício e a experiência como legado histórico para as lutas contemporâneas do povo brasileiro.
O exemplo de Zumbi, hoje, continua vivo, não pelo aspecto guerreiro, mas pela perspectiva política. Afinal, sabemos todos que a guerra é uma dimensão terminal da política. Os milhares de quilombos que se organizaram, nos 200 anos seguintes, resistiram e enfraqueceram a escravidão.
Se a crueldade escravista “parece” estar superada por uma pena de ouro que foi colocada nas mãos de Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta, por imposição da Inglaterra, a realidade que se mostrou no dia seguinte – 14 de maio de 1888 – deixou bem evidente o significado daquela assinatura imperial: liberdade para o trabalho livre onde não há possibilidade de trabalho; liberdade para habitar onde quiser onde não há possibilidade de terra; liberdade para ser o que quiser onde não há possibilidade de educação. O dia seguinte ao 13 de maio significou a negação do regime escravista e fez o que pôde para ser a negação do povo negro. Ainda nos dias de hoje, vivemos sob a dissimulação do dia 14 de maio de 1888!
 
O movimento abolicionista, a partir dos anos 1860, conseguiu mobilizar a mais ampla frente popular contra a escravidão, mas não produziu nenhum projeto político, social e econômico para o pós-escravidão. O que registra a nossa história é um total abandono do negro brasileiro no dia seguinte ao 13 de Maio. “Sem projeto de sociedade, ficou dilacerado entre o projeto do Terceiro Reinado e o projeto da República, foi esmagado pelo imigracionismo e pela exclusão política e social, perdeu todos os aliados da véspera, virou um subcidadão.”
Foi no sentido de propiciar um fato que contribua para a superação dessa dissimulação — considerando o espírito de propostas nacionais e internacionais pela eliminação da discriminação racial, e com o objetivo de contribuir para a educação e a cultura dos brasileiros, em respeito aos afro-descendentes, conforme propugna a Lei 10.639/03 — que o GRÊMIO A MULHERADA (instituição de pessoa jurídica, de direito privado, sem fins lucrativos do movimento negro brasileiro, considerada de Utilidade Pública pela Lei Municipal de nº. 6.369/2003 e Lei Estadual de nº. 14.597/2005) indicou ao Poder Público Municipal de Salvador, o projeto de autoria do Senhor Lázaro Souza Duarte (artista plástico) – que trata da inauguração da estátua deste ilustre guerreiro Bantu na Praça da Sé; local em que anteriormente existia a estátua de Tomé de Souza.
Em 16 de novembro de 2005, o projeto recebeu aprovação da Câmara de Vereadores de Salvador sob o nº 3.064/2005, e parecer técnico favorável de nº005/006, do SPHAN.
 
A favor da colocação da estátua na Praça da Sé manifestaram-se 91 Entidades do Movimento Negro Nacional e 1.500 Entidades Negras e Personalidades Baianas também assim o fizeram.
 
A diáspora negra nos trouxe as riquezas religiosas de diferentes tradições, com a força dos Orixás, nossos Deuses e Deusas, vimos orgulhosamente dar a notícia de que o financiamento do projeto foi aprovado pelo Ministério da Cultura do Brasil através Fundo Nacional de Cultura e que o edital para seleção do artista plástico que irá executar a obra , será publicado ainda este ano.
Como bem diz a canção: “A Felicidade do negro, é uma felicidade Guerreira”
 
Wally Salmão
Mônica Kalile
Diretora A Mulherada
www.amulherada.org.br
 
CREDITOS:
Ubiratan Castro: Presidente da Fundação Palmares
Ana Maria Felipe: Coordenadora do Memoria Lélia Gonzalez
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