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Capoeira da Bahia

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ORIGEM E PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA NA CAPOEIRA

 O estilo da capoeira depende principalmente, pela própria natureza deste jogo, do toque do berimbau, dos cânticos, do coro e do acompanhamento de palmas pela assistência, além do estado de espírito dos parceiros na roda.
No estado atual de evolução da regional o ritmo acelerado, o calor das palmas e do coro, obrigam os parceiros a um jogo extremamente rápido que não permite sequer o gingado correto, dificulta o golpe de vista, impede a execução do movimentos com segurança e a visualização do objetivo do ataque, não permitindo sequer as esquivas e defesas seguras.
A preocupação em “soltar os golpes” em detrimento das esquivas, do gingado e da sincronia com toque do berimbau vem deturpando os fundamentos do jogo de capoeira e gerando um estilo violento e potencialmente muito perigoso para os seus praticantes.
Além dos acidentes de maior ou menor gravidade durante a prática da regional, hoje infelizmente tão freqüentes, encontramos algumas falhas de caráter técnico associadas que tentaremos enumerar e discutir.

O afastamento excessivo entre os pés, o movimento de balanceio maciço do tronco e fuga para traz, impedem a distribuição do peso do corpo entre os dois pontos de apoio, impedindo os giros de cintura nas esquivas e descidas defensivas durante o gingado.
A falta dos movimentos de esquiva para baixo, negativa e cocorinha, possibilita o emprego dos movimentos de ataque de contra-ataque de membros superiores (socos. galopantes, asfixiantes, bochechos, telefone, etc.), mais fáceis e mais violentos, porém contrários à natureza e aos princípios éticos da capoeira.
A violência é decorrente da falta do gingado, da disposição mental para o ataque em lugar da predisposição à esquiva, subseqüentes ao ritmo excessivamente rápido dos toque de berimbau e predominância da atitude belicosa, levam a um jogo a extremamente agressivo, impedindo o floreio e as esquivas típicas da capoeira.
Dentre os movimentos de esquiva destacamos a falta da cocorinha, movimento muito apropriado para a prática da rasteira, outro elemento pouco encontradiço nos jogos atuais.

Um defeito que estamos observando na cocorinha é aquele do apoio nas pontas dos pés, em lugar do assentamento das suas plantas no solo, como recomendava Bimba, que além de melhor apoio, produz o alongamento dos músculos das panturrilhas melhorando a flexibilidade dos movimentos e a agilidade.
Outro defeito é a queda para traz durante a cocorinha, em queda de quatro ou movimento de aranha, sempre condenado pelo Mestre, que além de tornar os deslocamentos e esquivas lentos, expõe o peito e ventre indefesos aos ataques mais violentos do parceiro.
A defesa por bloqueio, adquirida do karatê e jiu-jitsu, em lugar da defensiva por esquiva acompanhando a direção do ataque e proteção do alvo pela mão em movimento, enrijece o corpo, diminui a agilidade, quebra o fluxo do jogo e propicia maior impacto ao receber o golpe traumático. O bloqueio reflete a falta de golpe de vista e do reflexo de esquiva característico do capoeirista, traduzindo deficiência do treinamento e antecipando a possibilidade de acidente mais grave.

O afastamento excessivo entre os parceiros do jogo de capoeira permite movimentos violentos, descontrolados, despropositados, inócuos, por não poderem atingir o alvo dada o distanciamento, porém que ao alcançarem acidentalmente pontos vitais do parceiro podem causar lesões graves ou morte.
Perdemos assim o caráter festivo da capoeira antiga e evoluímos (?) para estilo mórbido capaz de gerar a morte de parceiros que deviam estar irmanados por esporte tão belo e pacífico.
A propósito da prevenção dos acidentes e óbitos, devemos lembrar os conselhos encontrados em “A herança de Pastinha” (Decanio Filho, A. A. – Coleção S. Salomão 3) que transcrevemos a seguir:

1.4.21 – … “aprender municiosamente ás regras da capoeira”… 

“… todos aqueles que queira se dedicar a esse esporte, que como capoeirísta; quer como juiz? Deve procurar municiosamente ás regras da capoeira de angola”; para que possa falar ou dicidir com autoridade. Infelizmente grande parte de nossos capoeiristas tem conhecimento muito incompleto das regras da capoeira, pois é o controle do jogo que protege aqueles que o praticam para que não discambe exesso do vale tudo,”… (8a,15-23;8a,20-23;8b,1-2)

Pastinha sabiamente reitera…
… é indispensável o código de honra…
… a ser obedecido pelos capoeiristas…
… “é o controle do jogo”…
… pelo juiz… pelas regras… regulamentos…
… e pelo ritmo da orquestra…
… “que evita a violência e os acidentes”…
… vale a repetição!

1.4.22 – …”a capoeira vem amofinando-se”
… “e a capoeira vem amofinando-se quando no passado ela era violenta, muitos mestres, e outros nos chamavam atensão, quando não estava no ritimo, esplicava com decencia, e dava-nos educação dentro do esporte da capoeira, esta é arazão que todos que vieram do passado tem jogo de corpo e ritimo.”… (9a,1-9)

… continua a insistência na presença dum juiz…

… árbitro ou mestre de cerimônia …

… para acompanhar a evolução do jogo…

  • … advertir ou interromper a prática…
    • … ante manobras proibidas ou perigosas…
    • … desobediência ao ritmo do toque…
    • … ao cansaço do atleta…
  • … garantir a segurança física…
    • … dos praticantes…
    • … da assistência…
  • … assegurar a beleza do espetáculo…

1.4.38 – …”todos os capoeiristass são maus”… ?
…”todos os capoeiristas são maus para seus camaradas? Mais não são todos, sim, no meu Centro tenho, e como conheço muitos que são educado; e não procura irritar ao companheiro: sim, é porque o mestre não interessa a irritação, e o procura o jeito que favoresse a prendizagem, o quer aprender rapido, e não tem enfluensia.” (11b,6-13)

Na capoeira, como em todos os grupos sociais, encontramos os que semeiam a discórdia,
a violência. Alguns por falta de educação, outros por doença mental … ou espiritual?
Coitados!
A maioria da juventude é sempre boa, generosa… … não sofre as “influências” dos maus…
… disse o Mestre!

1.4.39 – …”Não é permitido”…

… “, por mestre nenhum, se ele mestre for conhecedor das regras da capoeira, não consentir jogar em roda, ou grupo sem fiscal, se não tem como pode ter controle, quem ajuda o campo? não pode entra em combate sem chegar sua vez. Todos os capoeiristas tem por dever obder <obedecer> as regras do seu esporte, cooperando para valorizar, porque, somos responsavel pelos erros, no causo de disputa, ou dezafio, procurar as autoridade é um juiz.” (11b,13-23; 12a,1)

A insistência do Velho Mestre, na obediência aos regulamentos e regras, na submissão ao árbitro, durante o desenrolar do jogo. Coibindo os abusos, frutos do entusiasmo, do calor da disputa, de diferenças pessoais, atinge aqui o seu ponto mais alto!

1.4.40 – …”Não deve ser aplicado”…

“Não deve ser aplicado <movimento proibido> e nem forçar o seu companheiro para obter recursos <vantagens> é erros gravissimo, esta sujeito o fiscal suspender o jogo.” (12a,1-4)

O reforço da autoridade do juiz, aqui chamado de fiscal, permite a interrupção do jogo para proteger a integridade física dos participantes.

…”é fau”!
disse o Mestre…

1.4.41 – …”É proibido no jogo”…

…”É proibido no jogo e prinsiparmente em baixo, fonsional <aplicar, usar, empregar> golpes, ou truque, não por, é fau.Os golpes que não pode ser fonsionado em Demonstração; golpes de pescoço”, dedo nos olhos,” cabeçada solta,” cabeçada presa,” meia lua baixa,” Balão a coitado,” rabo de arraia,” Tesoura fechada,” chibata de clacanhar,” chibata de peito de pé,” meia lua virada,” duas meia lua num lugar só,” pulo mortal,” virada no corpo com presa de calcanhar, presa de cintura,” Balão na boca da calça,” golpes de joelho e nem truques.” (12a,4-16)

Aqui está o rol dos golpes proibidos, especialmente em demonstrações ou jogos públicos, pelo risco do entusiasmo dos oponentes ou por tradição…

1.4.42 – …”é falta usar as mãos”…

“Todos os mestres tem por dever fazer ciente que é falta usar as mãos no seu adversario; se não fizer assim, não prova ser mestre, os que tem educação prova a sua decensia jogando com seu camarada e não procura conquista para enporcalhar seu companheiro, já é tempo de compreender, ajudar do seu esporte, é a judar a moralisar; levantar a capoeira, que já estava decrecendo.” (12b,1-10)

Aparece aqui a única diferença, entre os estilos de Bimba e Pastinha. Bimba ao criar um sistema de ensino da capoeira, instrumento de luta, abandonou a tradição de não usar golpes traumáticos de mão. Permissão estendida aos balões e projeções, bem aceitos, estimulados pela difusão das técnica orientaisno meio social em que pontificava.

1.4.31 – …”para valentia”…

“Não queiram a prender a capoeira para valentia, mais sim, para a defeza de sua intregridade fisica, pois um dia, pode ter necessidade de usa-la para sua defeza. Cuja defeza é contra a qualquer agressor, que venha-lhe ao encontro com navalha, faca, foice e outras armas.” (10b,17-23)
A defesa pessoal resulta dos reflexos desenvolvidos ao longo dos treinamentos diários, depende de tempo e persistência… como a sabedoria dos mais velhos, escondida sob o branco dos cabelos, surge não se sabe donde… nem como… e nos surpreende na hora certa!

… não se aprende com violência e descontrole…
… “a pressa é inimiga da perfeição”…

1.5.6 – …”a capoeira está dividida em trez parte”…

… “note bem, amigo… a capoeira está dividida em trez parte, a primeira é a comum, é esta que vêr ao publico, a segunda e a terceira, é rezervada no eu de quem aprendeu, e é rezervada com segredo, e depende de p tempo para aprender. a prova está no conhecimento da capoeira do passado, e do prezente, a do passado era violenta era violenta, para malandragem, e a de hoje, é como todos verem, rezevamos a mizeria, pela Democracia. nos queremos divirtimento. E tudo mas depende da raça, de quem aprende a capoeira; e a minha raça ja envelec.ceu, tambem sou tradicional, vivo na Historia da capoeira; e amo ela,”… (14b,8-23
As três faces da capoeira, aqui referidas são:

  • a manifestação exterior, o jogo.

Aparente, exposta a todos presentes, visível

  • nos treinos (mesmo nos chamados secretos)…
  • nas exibições…
  • nas demonstrações…

… a parte física… corporal… … Yin, diriam os orientais!

… as duas restantes são invisíveis, sutis, subjetivas..

… escondidas “no eu de quem aprendeu”… Yang na linguagem oriental!

… o inconsciente e o subconsciente capoeirano…

“istinto” nas palavras de Bimba…

… as partes secretas, rezervadas” disse Pastinha…

… e assim devem ser preservadas!.

Uma é mais superficial, psicomotora, os reflexos de defesa…… a manha… a malícia

A outra é mais profunda, filosófica, mística…a modificação do modo de viver…

… o Axé da Capoeira!
diria minha Ialorixá Konderenê!
… Taoista!… diria LaoTsé!

2.2.4 – …”destruir os falsos principios”…

“Eu nada aceito, que me venha destruir a teorias arquitetadas, é dever destruir os falsos principios que não constituiram ensinamento: …” (69a,6-10)

Sábia advertência, aos que procuram inovar sem respeitar as tradições, sem conhecer a razão dos rituais, sem conhecer a cultura dos povos que trouxeram os fundamentos musicais e místicos da capoeira. É indispensável estudar a evolução da capoeira, desde as tradições orais africanas preservadas em nossa cultura pelos seus descendentes até nossos dias, para resguardar o seu precioso valor!

2.2.5 – …”procure os bons mestres”…

“Todo ser sabio, procure os bons mestres, e va igualar a esse, porque não é aprendiz dos falso ensino; nào possuem em compensação a vaidade, nem orgulho, porque tudo que ele ensina; não é errado: eles tem experiença, e esta observando.” (69a,13-17)

Procurar bons mestres, para não aprender falsos princípios, nem servir de pasto ao orgulho e à vaidade dos falsos mestres!

Sábias palavras!
Capazes de impedir o retorno à barbaria do circo romano, dando a volta por cima do mundo que Deus quis fosse belo e amoroso, diria nosso Mestre Pastinha.
“Eu tirei a capoeira de baixo da pata do boi e vocês estão jogando fora de novo! Não foi para isso que eu criei a regional e deixei de herança para vocês!” – exclamaria nosso Mestre Bimba, triste e inconformado!

GINGANDO COM PESO

A prática dos movimentos de capoeira carregando halteres auxilia o desenvolvimento muscular, naturalmente com pesos adequados (permitindo os movimentos naturais a partir da cintura), como vemos Decanio procurando recuperar uma lesão dos ombros (atrofia dos músculos do ombro). Devemos lembrar o movimento é realizado no balanço do gingado, a partir da cintura e envolvendo todo a musculatura corpórea.

ENVELHECER…

Lembrar sempre que envelhecer é uma benção divina!
Para envelhecer é indispensável estar vivo.
Estar vivo é ótimo para saúde, diria Mestre Pastinha.
A única exigência para se jogar capoeira (regional naturalmente…) é estar vivo, dizia Mestre Bimba.
Feliz é quem não morre antes da velhice.
O envelhecimento é a trilha da sabedoria.
O amadurecimento do espirito e a clareza da mente acompanham o envelhecimento do corpo sadio.

A CAPOEIRA NA TERCEIRA IDADE

A pratica da capoeira,

  • pela multiplicidade de seus movimentos,
  • pela facilidade de ajustamento às condições pessoais de cada praticante,
  • pelas modificações mentais que acarreta,
  • pela integração entre os vários componentes do Ser,
  • por ser uma atividade fundamentalmente lúdica e portanto prazerosa,
  • por desenvolver uma estado transicional de consciência capaz de escapar aos bloqueios de natureza mental e às limitações físicas do praticante,
  • por se prestar a inúmeros níveis de carga de trabalho,

pode ser usada como método de manutenção da aptidão física, de capacitação ou de recuperação da aptidão física, correção de desgastes pela idade ou seqüela de complicações decorrentes de doenças próprias do envelhecimento.

Cumpre entretanto realçar que sua prática depende de avaliação prévia das condições orgâncas e funcionais do cadidato e acompanhamento médico adequado para impedir possíveis complicações por sobrecarga de esforço.

Preconceito

E-mail de Dani recebido em 28/10/2002
Formatação/editoriação AADF

Repassando…
Adorei essa crítica irônica ao eufemismo barato de chamar os pretos de "de cor". O que há de errado em ser preto, que faz com que queiramos evitar chamar alguém assim ? Evitar chamar alguém de preto delata que consideramos "ser preto" um defeito, uma característica ofensiva e por isso, deve-se evitar dizer para não "ofender"… Quanto preconceito! Só um detalhe que há muito tempo está preso na minha garganta que, para o bem de todos e felicidade geral da nação, eu vos informo:

Não existe RAÇA entre os seres humanos! Raça é uma especificação biológica para (e somente para) os animais irracionais. Ou seja, os humanos (nós homens) não se distinguem por raça. Não houve na espécie humana distinção histórica, geográfica, genética, temporal ou evolutiva que permitisse sua diferenciação em espécies. O que difere geneticamente um nórdico dinamarquês de um preto do Congo é tão insignificante que pode ser muito menor que a diferença entre  indivíduos de mesma cor.

A única distinção que se vê, em alguns casos, é a cultural. Normalmente, quando há um agrupamento espacial de indivíduos de mesma cor (ou outra característica qualquer) existe aí uma cultura específica que aglutina traços vários além da cor, como folclore, musicalidade, alimentação, língua,religião etc…

A esse "conjunto de características culturais e fenotípicas"(fenótipo=aparência física), damos o nome de ETNIA.

Portanto, se você quiser se referir a um preto ou a um branco ou a um amarelo, indígena, etc… se refira não à  raça, mas, se for o caso, à etnia.

Ex: "…no Brasil existe um conflito étnico…", etc…

É muito comum você ver o próprio movimento negro se referir a uma "valorização da RAÇA negra".

É uma pena que eles próprios estão se chamando de um suposto subgrupo biológico que não existe. Acabam sendo preconceituosos sem saber ou querer.

Da mesma forma o são quando dizem: "preto é cor, negro é raça"
… coitados, erram duas vezes! Essa frase é totalmente idiota.
Preto é cor, sim. Mas qual é a cor deles? Preta! Ora bolas!
Se um branco pode ser chamado de branco sem constrangimento,
por que o preto não pode?
E "negro" não é raça,

na melhor das hipóteses, é apenas uma das características, que somada a outras, forma uma etnia.

E no Brasil fica difícil de enxergar essa diferenciação, já que:

não há no nosso país uma distinção cultural significativa
que diferencie os brancos e pretos em etnias diferentes).

De forma geral, partilhamos todos uma mesma cultura, pelo que somos todos iguais.

Gente, isso é só uma dica, ok?

Ouçam se quiserem.

Abçs, Dani

Poema Africano
Meus caros irmãos
Quando nasci eu era negro
Agora cresci e sou negro
Quando tomo sol fico negro
Quando estou com frio fico negro
Quando tenho medo fico negro
Quando estou doente fico negro
Quando morrer ficarei negro
E você homem branco,
Quando nasce é rosa
Quando cresce fica branco
Quando toma sol fica vermelho
Quando sente frio fica roxo
Quando sente medo fica verde
Quando está doente fica amarelo
Quando morre fica cinza
E ainda tem a "cara de pau"
de me chamar de "homem de cor"?
TOMA VERGONHA!

O GAROTO DE JULIANE

A mensagem de Juliane é linda!

"Olá ! gostei muito da sua página, e gostaria de parabenizá-lo.
Gostaria também que você dissesse que em Juiz de Fora (MG) o grupo de capoeira Oficina da Capoeiragem está fazendo um ótimo trabalho com a capoeira, com direção do mestre Ray e do professor Kamuanga.
Gostaria também de dizer e mandar uma idéia para todos os outros capoeiristas:

" Ontem, dia 26/02/00, eu presenciei um exemplo de força de vontade para todos, principalmente os capoeiristas. Um garoto de cadeiras de rodas, com problemas mentais, entrando e jogando em um batizado.
Não levantava, não chutava, não dava au nem mortal, mas se protegia com a mão no rosto e quase não mexia os pés …
Bem, ele fez muita gente chorar quando disse:

"na capoeira ninguém pode ter preconceito
naquela roda não havia ninguém igual a ele,
mas também não tinha ninguém diferente."

E depois disso tudo que vi e vivi, mais vontade me deu de jogar e de um dia jogar uma "iuna" (roda para graduados). Sei que falta muito para mim, pois tenho 14 anos e estou na corda branca, mas um dia, eu sei, tenho fé em DEUS e em BIMBA, que irei conseguir.
Por favor fale ao menos do garoto, pois isso é verdade e uma lição de vida.

Juliane S. Machado ( da família de Bimba)
Juiz de Fora/ Minas Gerais
Oficina da Capoeira
juebinho@powerline.com.br

Obrigada !!!!!"

demonstra nitidamente a euforia, o estado de felicidade plena que a prática da capoeira provoca em todos nós; a mudança do nível de consciência, o estado modificado de consciência que o ritmo-melodia ijexá provoca e que pode e deve ser usado como terapia.

Menina Juliana,
Deus lhe conserve
O dom de amar ao próximo
A humildade de ver em tudo o dedo do Senhor!
Você já nasceu capoeirista pela lei de Deus!
Um dia será formada pela lei dos Homens
Jogará sua "Iuna" na Roda da Vida
Com o aprumo da Mestra que mora em Você!

Axé Babá!

COMO POSSO ENCONTRAR A VERDADEIRA CAPOEIRA?

Mensagem Original
De: Juliana Chahoud
Para: adecan@e-net.com,br
Enviada em: Sábado, 14 de Agosto de 1999, 23:03
Assunto: capoeira
Oi!! Sou estudante e capoeirista, sou apaixonada por esta arte e queria parabenizá-lo por sua página. Gosto muito da tradição da capoeira, o que está sendo muito raro encontrar ultimamente, por isso gostaria de pedir uma sugestão de como posso encontrar a verdadeira capoeira !!
Gostaria de saber sobre o que o Mestre Bimba dizia, e também se ainda é possível encontrar o disco dele.
Desde já agradeço e mais uma vez parabéns por resgatar a verdadeira capoeira ( quase chorei quando vi os manuscritos de Pastinha !).
Um abraço e Salve !
Juliana.

Juliana:
Grato pela msg.

A verdadeira capoeira de cada um de nós e
aquela que mora no corpo de cada qual.
Existem padrões éticos, técnicos
e musicais, porém a capoeira é
a manifestação comportamental
de cada ser
expressão maior da individualidade humana.

Só é capoeirista quem se liberou de todas as amarras culturais e bloqueios psicodinâmicos, inclusive dos mestres e deixa apenas a "capoeira" fluir livre e suavemente pelo próprio corpo, aparecendo nos seus movimentos e estado de espírito.

Os fundamentos estratégicos da capoeira são simples
música, esquiva, parceria e amor.

Sem dúvida alguma, o primado pertence ao amor…
Pela vida, pela capoeira, pela arte, pelo prazer de apenas "jogar" com a pureza e a inocência da eterna criança que existe escondida no coração de cada um de nós.

A postura comportamental de esquiva ao impacto de movimentos, simulados ou não, de ataque ou que envolvam perigo de qualquer natureza trás no bojo a segurança da sua prática, ao lado de reflexos inconscientes de preservação da integridade física e da vida, gerando um sistema de defesa pessoal "sui generais", "instintivo" nas palavras de Mestre Bimba.

A parceria é fundamental.

Sem o parceiro não se pode jogar, nem aprender, a capoeira.

Somente a presença do parceiro permite o desenvolvimento da autoconfianca na capacidade de improvisar os movimentos de esquiva ante a movimentos partidos doutro alguém cuja vontade e intenção não controlamos.
Para conhecermos os pensamentos e movimentos subsequentes de alguém precisamos deste alguém como parceiro-adversário.

A música é a própria essência, a raiz mística da capoeira. Responsável e guia do estado modificado de consciência do capoeirista, comanda a natureza e a dinâmica dos seus movimentos. Controla a agressividade, desfaz os bloqueios psico-dinâmicos e gera o prazer lúdico da sua prática.

A associação destas forças primárias comanda o ritual,
garante o cavalheirismo e esportividade do jogo da capoeira!
O mestre é apenas o maestro,
comanda o balé da vida que chamamos de capoeira!

Existe no mercado um CD "Curso de Capoeira Regional", reprodução digital do disco original de polivil de Bimba, com alguns defeitos técnicos.
Para seu treinamento pessoal recomendo o CD de Moraes "Capoeira Angola de Salvador", que uso para prática individual capoeira como ginástica aeróbica e manutenção da aptidão física.
As palavras de Bimba você encontrará em A HERANÇA DE MESTRE BIMBA
Os nossos comentários de trechos selecionados de Mestre Pastinha encontram-se em A herança de Pastinha.
"Falando em capoeira" encerra minhas observações pessoais, depoimentos, pesquisas, experiências e lições (que recebi de mestres, de capoeiristas e da vida) como médico e como criatura.
Axé!
Decanio.

O QUE É CONCEIÇÃO?

Pergunta de Jean Paulo:

< o que é conceicao? ouvi dizer que era uma prisao, queri mais informacoes, tudo que tiver muito obrigado jean paulo >

Resposta:
O "Engenho da Conceição" citado na quadra cantada no disco de Bimba era uma prisão denominada de Engenho da Conceição, onde eram recolhidos os desordeiros e condenados outros.
Tradicionalmente um lugar temido pelo povo e portanto, também pelos capoeiristas, que muitas vezes eram injustamente carreados para o seu interior, sem esquecer as tantas outras em a Justiça os encaminhou justa e merecidamente por bebedeiras e brigas.
Quando Bimba reporta

"o Mesti Qui m’insinô…
<tá nu> Ingenho da Cunceiçãum!
Só devu saúdi i obrigaçãum"

está apenas exaltando a valentia do seu mestre… sempre brigando, e de vez em quando freqüentemente?) recolhido no Engenho da Conceição… naturalmente. para esfriar a cabeça. Enquanto na última estrofe a gigantesca dívida dum aluno ao mestre: tudo que possui … "saúde" pela prática do esporte… "obrigação" divida que não se paga senão pela eterna gratidão – pelos ensinamentos orais (sabedoria), pelos movimentos da capoeira, defesa nas horas difíceis, esquiva e proteção ante os perigos, armadilhas e agressões nos caminhos e descaminhos desta vida aventurosa.
Desconheço a origem do nome, que provavelmente indica o local onde foi construído prédio.
Durante minha juventude algumas vezes fui jogar futebol com os presidiários e assim passei a conhecê-la "por dentro". Um prédio muito grande, lembrando um convento com suas celas de monges, cercado por muros muito altos, com uma grande área livre onde se localizava o campo de futebol.
Atualmente é o Manicômio Judiciário.

AGARRAMENTOS NA REGIONAL

Vanessa, Itabuna
 
seu e-mail
< Parabéns por este texto sobre os agarramentos!!! Vou levar para a academia e colocar no mural.
Acredito que as pessoas que se dizem capoeiristas e usam os agarramentos, na verdade não conhecem a Capoeira e suas técnicas e por esta falta utilizam outros recursos.
Muitos "mestres" dizem estar fazendo uma inovação na Capoeira colocando golpes (imobilizações) do jiu-jitsu e ainda têm a cara de pau de mencionar o nome do Mestre Bimba, dizendo que ele também introduziu golpes de outras lutas.
Na minha opinião, Mestre Bimba não deixou se perder as principais características do capoeira que é a agilidade, a destreza, a malícia… e nenhum destes que se dizem importante chegam aos pés da figura que foi o Mestre Bimba, pelo seu carisma, personalidade e inteligência que deu impulso à Capoeira.
Acredito que devemos manter a tradição e a criatividade pode ser usada dentro da roda, através da própria liberdade de expressão que a Capoeira permite, mas não para descaracterizar esta ARTE.
Axé, camará!
Vanessa Capoeira RAÇA (Itabuna/Ba) >
fez-me voltar 60 anos e lembrar palavras de Bimba a propósito de agarramento:

O verdadeiro capoeirista não se deixa agarrar…
sai de baixo… esquiva… foge… escapa…
Por que
quando solto… o capoeirista salta, desce, sai de au…
quando agarrado fica imóvel… indefeso… inerme…
solto o capoeirista salta… desce e arrasta… sai de au…
preso, imóvel, agarrado poderá ser esfaqueado…
estrangulado… chutado… apedrejado… baleado… estuprado… violentado…
Em resumo
BOBO É QUEM SE DEIXA AGARRAR…
E…
MAIS TOLO AINDA É QUEM AGARRA !

O CORDÃO DE SÃO FRANCISCO E A CAPOEIRA ANGOLA ?

São Francisco ?
Cordão dos Angoleiros?

A pergunta de Carlos Henrique Pereira, Rondonópolis/MT:
 
"Caros amigos, antes de mais nada venho parabenizá-los pela home-page sobre capoeira que é uma arte que merece ser exposta ao mundo já que é a cara do brasil. venho através desta procurar ajuda de vossa parte para solucionar uma dúvida oriunda de um encontro de grupos de capoeira que se deu na cidade de rondonópolis-mt, a pouco. comentou-se que houve certa vez, pelos primeiros praticantes de capoeira angola, uma graduação por eles criada, e que se era utilizada cordas franciscanas para representá-la. aguardo ansioso resposta de vossa parte para podermos elucidar de vez esse assunto. agradecendo desde já a atenção recebida, subscrevo-me.
Carlos Henrique Pereira carloshp@zaz.com"
A resposta:
O estilo de capoeira conhecido como "angola" nasceu em 23 de fevereiro de 1941 com a fundação pelo Mestre Pastinha do "Centro Esportivo de Capoeira Angola" como podemos verificar no manuscrito abaixo reproduzido de autoria do próprio Mestre Pastinha.
 

A. A. Decanio Filho (Organizador) – Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha, Edição CEPAC, Salvador/BA (pg 3b)

Seus fundadores foram:
 


A. A. Decanio Filho (Organizador) – Manuscritos e Desenhos de Mestre Pastinha, Edição CEPAC, Salvador/BA (pg 4a)
 


A. A. Decanio Filho – A herança de Pastinha, Edição CEPAC, Salvador/BA

Os primeiros capoeiristas se diziam jogadore de capoeira, sem mais pretenções de categorias.
Os que aprendiam, como Totonho de Maré, apreciando as ‘brincadeiras", "vadiação" ou "jogo" praticado pelos mais destros reunidos em em torno dum mais velho ou mais respeitado pela técnica, musicalidade, sabedoria ou idade, se diziam discípulos do "dono" da roda ou "mestre" (aquele que dirige, governa ou coordena o grupo de trabalho ou de diversão, em nosso linguajar popular).
Aqueles que aprendiam particularmente com alguém, mesmo que este não dirigisse um grupo ou roda, se diziam discípulo do mesmo e o chamavam de "mestre".
Só existem, portanto, três categorias de praticantes: aprendizes ou alunos, jogadores ou capoeiristas e mestres.
Como o grupamento social era pequeno, todos se conheciam e eram chamados pelo nome ou apelido, sendo desnecesários uso de insígnias ou simbolos.
A capoeira era jogada como diversão em reuniões festivas, de modo semelhante aos sambas e batuques, com as vestimentas de trabalho ou de gala, com a preocupação de não sujar ou estraga-las.
Jamais, a partir do meu despertar para a capoeira, aos 7 anos de idade ou em 1930, ouvi falar em, nem vi, uso de cordões entre os capoeiristas antigos, mesmo depois da criação do estilo angola pelo Mestre Pastinha.
Pelo contrário, os seguidores de Mestre Pastinha, conhecidos como "angoleiros", abjuram o uso de cordões e insígnias semelhantes.
O uso de fitas para expressar graduação foi proposto pelo Mestre Senna, aluno dissidente do Mestre Bimba, criador da capoeira "estilizada" (cujo verdadeiro significado até hoje desconheço) e de raizes no estilo "regional" de Mestre Bimba, hoje adotado pela maioria dos praticantes de "regional" moderna. Alegava Senna, que os escravos amarravam as calças com cordeis, sustituídos, na capoeira estilizada, pelas fitas de cores da bandeira brasileira, em paralelo ao sistema das artes marciais, às quais pretendeu incorretamente filiar a nossa capoeira da Bahia. Mestre Itapoan (Dr. Raimundo Cesar Alves de Almeida) adotou o cordão em substituição à fita de Senna.
Mestre Bimba, por sugestão nossa, adotou o uso de lenços coloridos para diferenciar as várias categorias de atletas e instrutores instituidas pelo anteprojeto de nossa autoria encaminhando à Confederação Brasileira de Pugilismo para regulamentação da capoeira como desporto na década de sessenta.

Angelo Augusto Decanio Filho, Salvador/BA, 24/12/98