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Professor de crianças autistas é condenado por abuso sexual infantil

Ele filmava e fotografava estupros de alunos e divulgava imagens na dark web, parte da internet profunda que promete anonimato

Jovem e educado. Morador de um bairro nobre de São Paulo. Indicado por uma psicóloga e referendado pela passagem por uma escola especializada no ensino de crianças com autismo. O professor de música e capoeira Pedro Henrique Barbosa, 33, parecia ser alguém acima de qualquer suspeita.

Era nesta condição que ele ministrava aulas particulares para crianças atípicas em São Paulo, cujas famílias, de classe média alta, abriram suas casas e confiaram em seu trabalho.

Nesta semana, Barbosa foi condenado a 90 anos, 6 meses e 20 dias de prisão pelo estupro de dois alunos. Ele gravava, em foto e vídeo, os abusos e divulgava essas imagens na chamada dark web, espécie de abismo da internet profunda, ou deep web, que promete anonimato e, portanto, concentra atividades criminosas.

O professor de capoeira e música Pedro Henrique Barbosa, condenado por estupro de crianças autistas

Foi a partir do cruzamento e comparação das imagens dos abusos divulgadas por Barbosa na dark web com fotos postadas por ele em seu perfil no Facebook que a Polícia Federal chegou à autoria dos crimes e a suas vítimas. Entre elas, João (nome fictício), 11.

 

Barbosa já estava preso desde outubro do ano passado, quando foi alvo da Operação Mestre Impuro .

 

Advogada experiente, sua mãe, Patrícia (nome fictício), 50, se sentou diante do delegado do caso como se fosse sua primeira vez numa delegacia. Dele, ouviu que seu filho autista havia sido abusado pelo professor.

“Eu surtei. Chorava. Não conseguia levantar da cadeira. Não tinha força física”, lembra ela, que diz ter voltado a si apenas oito horas depois.

Desesperada, ela levou o filho ao pronto-socorro no hospital Albert Einstein para obter um kit profilático para vítimas de violência sexual. Trata-se de um coquetel de medicamentos para prevenir doenças sexualmente transmissíveis.

“Cheguei lá e descobri que eles não tinham protocolo médico para o atendimento de criança abusada. Isso em um dos hospitais mais renomados do país”, diz.

Procurado, o hospital Albert Einstein diz que tem protocolo de atendimento para vítimas de violência sexual.

Patrícia agonizou por 21 dias até ver os resultados de exames de sífilis, Aids e hepatite.

Ao buscar atendimento psicológico para abuso sexual de crianças atípicas, outra decepção.

“Simplesmente não existe! A gente não está nada preparado para a realidade. E a realidade é essa tragédia que eu estou vivendo.”

Ela conta que, desde que seu filho foi diagnosticado como autista aos dois anos, sua casa passou a ser frequentada por um “exército de terapeutas”, que contratava depois de aferir competências e antecedentes criminais.

Barbosa foi indicação de uma psicóloga que fazia a coordenação das terapias de João. “Fiquei culpada porque aceitei a indicação e não fui atrás das informações que geralmente buscava”, admite. “E tento me consolar pensando que, se o tivesse investigado, não encontraria nada porque ele era réu primário.”

Professor de crianças autistas é condenado por abuso sexual infantil Notícias - Atualidades Portal Capoeira

A mãe conta que sempre teve um pé atrás com quem lidava diretamente com João porque a comunicação dele é ruim. “Eu temia os maus-tratos porque a gente ouve relatos sobre crianças autistas que sofrem violência, mesmo em escolas caríssimas”, diz. “Em casa, a porta estava sempre aberta, com alguém de olho.”

Em 2017, dois anos depois das primeiras aulas de Barbosa, o professor sugeriu um encontro semanal na praça da vizinhança, para que João interagisse com outras crianças. A mãe consentiu.

“Vimos que estava tudo bem e baixamos a guarda. Foi nosso maior erro”, lamenta.

O professor era vizinho do local e levava João para sua casa às escondidas. Era lá que os abusos ocorriam.

“Não tenho como não sentir culpa. Até isso acontecer, minha maior preocupação era como meu filho ficaria depois que eu morresse. Depois disso, passei a pensar: ‘de que adianta eu estar viva se uma coisa dessas aconteceu debaixo do meu nariz?’.”

Em retrospecto, Patrícia percebe que João deu os sinais que pôde para indicar que havia algo errado.
“Ele começou a ficar nervoso e irritadiço. Gritava muito e se agredia”, conta ela, que o levou ao médico e recebeu a indicação de aumento na dosagem de antidepressivo.

“Eu silenciei a reação dele, e isso me corrói. Mas sou apenas a mãe de um menino atípico. Como é que nenhum dos terapeutas ou médicos levantou outras hipóteses para aquela alteração?”, revolta-se.

Segundo especialistas, entre os sinais apresentados por crianças abusadas, a mudança repentina de comportamento é o principal.

“Claro que você pensa que esse tipo de coisa não acontece com a sua família. E eu descobri que acontece com todo mundo, que é sempre alguém próximo, em geral familiar. E que o que as pessoas fazem é jogar pra debaixo do tapete.”

Patrícia diz que a condenação não lhe trouxe satisfação. “Só fez voltar a raiva. Ainda que seja bom saber que ele está atrás das grades, me dá medo imaginar que, em 30 anos, ele estará de volta às ruas e poderá fazer novas vítimas.”

Fernanda Mena – Folha de São Paulo – https://www1.folha.uol.com.br

CAPOEIRAS: Plantando Abacaxi para colher banana

CAPOEIRAS: Plantando Abacaxi para colher banana

É preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, até que num dado momento, a tua fala seja a tua prática. Paulo Freire A reflexão vale para todas as pessoas que desejam, no âmbito da capoeira, reconhecimento público de sua comunidade, pois o século XXI tem nos apresentado a armadilha do(a) capoeira “fake”, ou seja, aquilo que só parece ser, mas de fato não é absolutamente nada.

Neste sentido, propomos um diálogo sobre este tema nestas breves palavras. A capoeira, por ser uma arte iniciática, prima pelo conhecimento adquirido da experiência vivida, ou seja, o saber emerge de uma labuta cotidiana com o “fazer”, e deste “fazer”, criamos as condições para brotar, via reflexão, um dado conhecimento sobre aspectos da natureza humana, correlatos metaforicamente com as demandas sociais de cada tempo histórico.

O reconhecimento público na capoeira vem do transito de seus adeptos no toque dos instrumentos, no canto, no jogo, no trabalho pedagógico com a arte, no conhecimento filosófico da ritualística, dentre outros, portanto, não é possível avançar na arte sem a garantia destes aprendizados basilares. Atualmente, com relativa frequência, temos sido bombardeados por uma série de discussões de interesse social vinculadas a capoeira, e isso é muito interessante, contudo, o discurso engajado por si só não é suficiente para garantia de reconhecimento público dos(as) capoeiras, ou seja, não se deve confundir os conhecimentos específicos da capoeira com o exercício crítico da cidadania. Se você defende uma prática religiosa qualquer, isso é válido e oportuno para a capoeira, mas apenas esta defesa, alijada dos conhecimentos basilares da arte e do “fazer” cotidiano, não são suficientes para sua projeção e consequente reconhecimento no mundo da capoeira.

Se você defende a difusão do conhecimento pela escrita, isso é valido e oportuno para a capoeira, mas apenas esta defesa, alijada dos conhecimentos basilares da arte e do “fazer” cotidiano, não são suficientes para sua projeção e consequente reconhecimento no mundo da capoeira. Se você defende o conhecimento intelectual, isso é válido e oportuno para a capoeira, mas apenas esta defesa, alijada dos conhecimentos basilares da arte e do “fazer” cotidiano, não são suficientes para sua projeção e consequente reconhecimento no mundo da capoeira.

Se você defende o empoderamento feminino, isso é válido e oportuno para a capoeira, pois vivemos em uma sociedade desigual e a discussão de gênero carece de aprofundamento, mas apenas esta defesa, alijada dos conhecimentos basilares da arte e do “fazer” cotidiano, não são suficientes para sua projeção e consequente reconhecimento no mundo da capoeira. Se você defende um projeto político ideológico, isso é válido e oportuno para a capoeira, pois a politização de nossa comunidade é um importante exercício de cidadania, mas apenas esta defesa, alijada dos conhecimentos basilares da arte e do “fazer” cotidiano, não são suficientes para sua projeção e consequente reconhecimento no mundo da capoeira.

Se você defende o acesso à educação formal e possui títulos acadêmicos, isso é válido e oportuno para a capoeira, pois nos possibilita “abrir” novas portas e um diálogo com outros espaços sociais, mas apenas esta defesa, alijada dos conhecimentos basilares da arte e do “fazer” cotidiano, não são suficientes para sua projeção e consequente reconhecimento no mundo da capoeira.

Em suma, não plante abacaxi e espere colher banana, pois o reconhecimento da capoeira só chegará para aqueles que realmente possuem “serviços prestados a arte”, no toque dos instrumentos, no canto, no jogo, no trabalho pedagógico com novos aprendizes, no conhecimento filosófico da ritualística, dentre outros.

Desta forma, salvo melhor juízo, a maneira mais qualificada para exercício da cidadania a partir da capoeira, é entrelaçando as “bandeiras de lutas sociais” e o ativismo social a um berimbau bem tocado, a uma cantiga bem cantada, a um jogo cadenciado e referenciado nos antigos, a um conhecimento da ritualística, e acima de tudo, ao exercício constante do “fazer pedagógico” com seus discípulos em seu espaço de capoeira. Dedico esta reflexão em homenagem e gratidão ao Mestre Ferreira, meu amigo, meu mestre e minha inspiração.

 

Por: Mestre Jean Pangolin

Denúncia: Assédio e Pedofilia na Capoeira

Caca Zungu, Presidente/Fundador da ESCOLA CULTURAL ZUNGU CAPOEIRA, profissional integro e dedicado, amigo de escola de longa data e companheiro de capoeiragem, corajosamente, trás a tona um sério problema que cada vez mais começa a aparecer na nossa comunidade.

Em carta aberta de Repúdio/Denúncia, Cacá fala sobre a experiência em primeira pessoa e como abordou o problema…

VALE A PENA LER !!!

 

Denúncia: Assédio e Pedofilia na Capoeira

Primeiramente eu gostaria de alertar e enfatizar que o problema não é exclusivo da Capoeira, pelo contrário, existe um movimento de grandes mestres da arte para fiscalizar e denunciar os crimes de assédio e pedofilia! Em diversos segmentos da sociedade esses crimes acontecem ou podem acontecer, infelizmente.

Eu não posso me calar, como ser humano, educador e responsável por um trabalho de capoeira, com crianças inclusive!

Há pouco mais de dois meses, chegou uma importante denúncia de abuso sexual infantil ao meu conhecimento, e para meu espanto, de um educador que tinha minha supervisão até então. Foi chocante, decepcionante e revoltante… Tentei ouvi-lo de alguma forma, mas ele, “evangélico” fiel e devoto, apenas se escondia atrás do nome sagrado de DEUS, mas se quer esboçou defesa!

O que fiz?

Pedi para dois instrutores da nossa escola ouvir a vítima e sua família, além de outras crianças e familiares para tentar confirmar o ocorrido, coisa que foi confirmada pela vítima, recém completado 14 anos.

Encaminhei um pedido para o abusador solicitando que ele se afastasse do trabalho e da Capoeira, porque ele não nos representava mais, procurasse ajuda psiquiátrica e psicológica para se tratar, mesmo não tendo conhecimento se existe tratamento para tal ato, mas por ter um carinho, e apreço pelo rapaz, dei essa “oportunidade” para ele.

Ele prometeu cumprir o meu pedido!
Alertei que se não o fizesse levaria o caso ao conhecimento público de nossa comunidade e toda capoeiragem, além de uma denúncia formal para autoridades locais.

Hoje recebi uma foto dele comandando uma roda de crianças com o seu uniforme. O trabalho segue, e o meu pedido não foi respeitado.

Portanto, e por esse motivo devo relatar e alertar que o perigo está solto em Santa Cruz de la Sierra na Bolívia, com o “instrutor” Jorge “Krosty” e seu grupo Mbarete capoeira.

Denúncia: Assédio e Pedofilia na Capoeira Notícias - Atualidades Portal Capoeira 1

Algumas crianças e adolescentes, que o seguem ainda hoje, não conseguem perceber o perigo, mas seus pais precisam ser alertados!

Outras crianças e adolescentes que tiveram coragem de se desligar deste “trabalho”, mesmo sobre forte pressão psicológica do abusador, estão amparadas por outros capoeiristas que realmente se preocupam com a integridade dos mesmos.

Não podemos permitir que esse tipo de crime continue acontecendo e nosso dever é alertar e denunciar sempre.

 


Opinião do Editor:

Temos de estar atentos pois as queixas e processos não param de aparecer… e  o perigo está em cada “esquina”.

Somente na ultima semana, tomei conhecimento de diversos casos através da “Rede Social e Watsapp”, pessoas com  NOME DE PESO na nossa capoeiragem… Pessoas que conheci pessoalmente e jamais colocaria sua integridade em causa… Mas como diria meu amigo Wellington Fernandes (Mestre Wellington – Capoeira Berim Brasil): “AONDE TEM FUMAÇA, HÁ FOGO!!!”

Outros casos já foram reportados neste Portal:

 

Braga: Professor de artes marciais preso por pedofilia

Professor de capoeira é preso fazendo sexo com aluna de 10 anos

 

Deixo aqui mais um link, para vossa apreciação, de um dos casos nucleares, que tomei conhecimento:

 

Processo n. 0002611-07.2009.8.01.0001/50000 – Recurso Especial – 29/02/2016 do TJAC

 

Obrigado a todos que colaboraram para publicar esta matéria

Lutador com projeto social é o Madureira, personagem de “Malhação”, da vida real

Lutador com projeto social é o Madureira, personagem de “Malhação”, da vida real

Quando tinha 15 anos, Marcos Pakito já estava com a enxada na mão batalhando por um futuro melhor. Capinava os terrenos da vizinhança no Sargento Roncalli, em Belford Roxo. Fazia o serviço rapidinho e corria para a sede da associação de moradores. Lá, o garoto ficava sentadinho assistindo ao Mestre Ninguém dar aulas de capoeira. Um dia, o professor o convidou para participar da aula e ele explicou que não tinha dinheiro. A resposta do capoeirista mudaria toda a sua vida:

— Ele disse que eu podia fazer porque ninguém pagava nada, não. Ali eu pensei que eu queria ter um projeto social também para retribuir — conta o agora Mestre Pakito, de 45 anos, depois de um carreira como lutador profissional de muay thai e finalmente conseguir abrir a sua escolinha gratuita de luta, no bairro Andrade de Araújo.

Da capoeira, ele passou para o muay thai, aos 18 anos, e foi nessa modalidade que fez a vida. Foi bicampeão Brasileiro, teve 15 lutas profissionais com apenas três derrotas e depois passou a dar aula. Primeiro, ficou empregado nas academias. Mas aquilo o incomodava. Ele queria dar aulas de graça para quem precisava. Conseguiu há três anos, quando criou o Escola de Campeões.

— Eu tinha que ajudar a minha mãe, e aí não podia me dedicar somente ao projeto social. As coisas foram melhorando, consegui parceiros e agora posso me dedicar a esses alunos — conta Pakito, que também dá aulas gratuitas no Faixa Preta de Jesus, de Nova Iguaçu, um dos maiores projetos sociais da Baixada: — Agora meus garotos estão continuando a minha caminhada.

Lutador com projeto social é o Madureira, personagem de "Malhação", da vida real Capoeira Portal Capoeira

A história do lutador de Belford Roxo poderia ter inspirado a criação de Madureira, o personagem de Henri Casteli, na atual temporada de “Malhação”, da TV Globo. Na novela, o ator interpreta a vida do rapaz que venceu na vida após aprender muay thai com um mestre e, para retribuir, resgata jovens de áreas carentes com o esporte.

— Fui criado na periferia de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, onde nasci e fui criado em volta de duas favelas. Já teve um momento em que policiais acharam que eu não morava lá. Falaram para mim: “Não era para você estar aqui. Não tem de se misturar”, tudo porque eu era louro de olho claro. Eu respondi que eles eram meus amigos da escola — conta Henri Casteli , que se mudou para Duque de Caxias no começo da carreira para a fazer os primeiros trabalhos como ator no Rio.

O Madureira da vida real conhece bem as dificuldades pelas quais passam os personagens adolescentes que chegam ao projeto social da “Malhação”. Pakito conta que tem orgulho quando vê um dos seus garotos mudando de vida através da luta.

—Eu seria o cara mais feliz do mundo se conseguisse colocar um aluno meu para lutar no Glory, o maior evento da modalidade. Mas eu não penso nisso. Se eu pegar uma criança dessa e ela virar um cidadão, já é a melhor coisa para mim — diz Pakito: — O que eu quero é recuperar a criança que vem da comunidade, do vício, de querer matar, roubar. Eu quero trabalhar a cabeça dela e mostrar que a vida não é isso. Tenho alunos assim, que agora são trabalhadores, estão no quartel. Essa é a ideia. É a melhor ideia do mundo para mim. Pensar que eu tirei do tráfico e hoje eles são pai de família respeitados.

Além de vencer na vida, os alunos da Escola de Campeões estão vencendo nos ringues. Walace Marcos, de 22 anos, o Mascote, já ganhou, entre outros, o Carioca, o Brasileiro e o Pan-Americano. Já Joyce Lima, também de 22, levou um estadual, uma Liga Carioca e uma série de campeonatos menores.

— Mas o esporte não é só para quem quer lutar, seguir carreira. O muay thai é ótimo para a saúde e o condicionamento físico. Mantém eles ativo, tira das ruas, afasta das drogas — conta Pakito: — Para quem quer perder peso e não quiser fazer academia também é ótimo porque os músculos ficam ativos. E não só para os jovens, mas todas as idades podem ser beneficiadas. A pessoa sedentária que começa a treinar vai querendo fazer cada vez mais.

Fonte: https://extra.globo.com/noticias

Musicalidade: Capoeira de Outra Maneira

Musicalidade: Capoeira de Outra Maneira

O projeto Capoeira de Outra Maneira é nossa contribuição para a música de capoeira extrapolar o âmbito da roda… do jogo… do jogador. É mais um caminho para elevar a arte brasileira à enésima potência e fazê-la atingir outra dimensão, alcançar outros públicos. Este é um pocket show que visa à participação do público cantando as músicas e à exaltação da musicalidade da capoeira ao acrescentar outros instrumentos além dos tradicionais de uma roda.

Esse projeto deu origem ao CD Capoeira de Outra Maneira – vol. I, cujo lançamento alcançou recorde de público em um teatro de fácil acesso na cidade de São Paulo e repercussão em vários países. Durante a apresentação, cantaram-se músicas populares da capoeira com nova roupagem, mais harmônica, acompanhadas por violão, baixo, agogô, pandeiros e congas. No meio digital, esse projeto obteve milhares de visualizações nas plataformas de música digital:

 

Musicalidade: Capoeira de Outra Maneira Capoeira Portal Capoeira 1

 

SINOPSE

  • Gênero: Músicas de capoeira
  • Duração: 1h
  • Linguagem: Preserva o tom coloquial da arte e os termos comuns das rodas tradicionais de capoeira.
  • Figurinos: Roupas claras e/ou batas em tom informal e descontraído.
  • Coreografias: Em determinada música, ocorre um jogo de capoeira.
  • Música: Ao vivo, com arranjos únicos, mais modernos, criados exclusivamente.

    Voltado para qualquer tipo de público, de qualquer classe social e idade, este show é um musical que encerra reflexão e alegria. A terceira idade vai deliciar-se por ver/ouvir músicas em duas vozes; já a maturidade e a juventude vão conhecer e compreender o que significa o ritual da capoeira com transe, reflexão e motivação.

 

JUSTIFICATIVA

A capoeira constitui patrimônio de grande importância para a história brasileira, mas, em geral, curiosamente, tem maior reconhecimento do público internacional, porque o brasileiro tem contato principalmente com artes que se divulgam nos grandes meios de comunicação, mais imediatas e de fácil assimilação, e esses meios não exploram o potencial incrível que a arte-capoeira tem para oferecer.

A música em essência na capoeira possui um ritmo forte que provoca uma reação sensitivo-motora, o que para alguns pode até transformar-se em ferramenta de cura. É aí que vem um arrepio que percorre nosso corpo de ponta a ponta e sobrevém uma reflexão significativa. As palmas ajudam a fomentar essa energia.

Montar uma bateria de capoeira é importante não por ser bonito, contar com três berimbaus, dois pandeiros, um agogô e um reco-reco, mas sim porque a combinação desses instrumentos forma uma harmonia indescritível. Não há como falar de capoeira sem falar de música. E, para falar de música, nada melhor do que apresentar ao público as músicas de capoeira de forma mais melodiosa. A música faz-nos lembrar de uma pessoa querida, de um lugar, traz-nos recordações, etc. Este show promove exatamente isso.

A principal meta deste projeto é levar ao público todo o potencial e beleza da musicalidade de capoeira com toda a nossa brasilidade. Nosso desejo é que se valorize uma arte que é nossa, nativa deste país.

OBJETIVOS


– Colaborar com a preservação da memória musical da arte brasileira (capoeira);
– Divulgar e valorizar músicas de domínio público cantadas em rodas de capoeira;
– Levar ao conhecimento do público a arte capoeira com música ao vivo,ritual, jogo e
caracterização;
– Estimular alunos do Ensino Fundamental, Médio e Superior, professores, pesquisadores, músicos, artistas e historiadores a desenvolver estudos sobre assuntos da História do Brasil, como a escravidão, a música brasileira e, mais especificamente, a capoeira;
– Divulgar a música de capoeira com outra roupagem ao público que ainda não teve contato com essa arte e oferecer opção de entretenimento aos adultos e à terceira idade.

 

MÚSICAS EXECUTADAS

FaixaAutorTempo
1Na AreiaDomínio Público4:36
2Luanda Ê PandeiroDomínio Público2:57
3Chama Eu, AngolaDomínio Público5:06
4Bom VaqueiroDomínio Público3:29
5Segura o Tombo da CanoaDomínio Público4:02
6Preto Velho   Mestre Barrão3:45
7Canarinho da Alemanha que Matou meu CurióDomínio Público4:22
8Capoeira Praça da República   Mestre Maurão5:46
9Sai, Sai, CatarinaDomínio Público4:18


Musicalidade: Capoeira de Outra Maneira Capoeira Portal Capoeira 2

FICHA TÉCNICA

  • Produção e Direção: Danilo Andrade
  • Vocal: Danilo Andrade e Felix Quilombola
  • Conga: Carlos Quilombola
  • Pandeiro: Carlos Quilombola/Danilo Andrade
  • Berimbau: Danilo Andrade
  • Agogô: Carlos Quilombola/Felix Quilombola
  • Violão: Felix Quilombola e Cláudio Gingadinha
  • Baixo: Lucas Silva (Ursão Bonfim)
  • Design Gráfico: Felipe Andrade
  • Fotografia: Fernando Alexandrino
  • Apoio: Grupo Quilombolas de Luz Capoeira

Agradecimento Especial: Ao nosso grande Mestre Paulão

Para saber mais sobre o projeto: www.capoeiradeoutramaneira.com.br

Bahia: CD reúne cantigas históricas da capoeira baiana

Bahia: CD reúne cantigas históricas da capoeira baiana

A gravação do projeto aconteceu no Largo Pedro Arcanjo, no domingo (21)

A capoeira construiu sua história na Bahia e no Brasil através dos ritmos e vozes de diversas figuras marcantes. Algumas canções passaram de geração em geração mesmo sem saber quem é o real autor daquela letra. Outras ficaram marcadas pela sua musicalidade e ritmo, como a Capoeira Regional, que foi criada e disseminada pelo Mestre Bimba (1899-1974) na década de 1920.

Agora, mais do que nunca, essas canções podem ser ouvidas, entendidas e ecoadas. O Largo Pedro Arcanjo, no Centro Histórico, foi palco neste domingo (21) da gravação do primeiro CD com cantigas de capoeira da Bahia. Idealizado pelos mestres Dainho Xequerê e Tonho Matéria, responsável pela Associação Cultural de Capoeira Mangangá, a gravação do álbum, intitulado ‘Quando o Assunto é Capoeira’, reuniu 14 mestres e mestras para eternizarem as músicas.

“Esse é um momento único para capoeira da Bahia. Estamos reafirmando a importância das cantigas e valorizando os mestres. Isso faz com que as novas gerações tenham acesso à real letra, de um modo muito fácil”, afirmou Xequerê.

Entre as vozes que marcam o CD estão os mestres Boca Rica, um dos mais antigos que compõe o grupo, Pelé da Bomba, Bozó Preto, Já Morreu, Buguelo, Gajé, Malícia, Boca (do Maré), Dandara, Nani de João Pequeno e Brisa.

Conversa
Antes da gravação no palco, o evento promoveu uma roda de conversa que reuniu todos os mestres para debater sobre a capoeira e suas funções na sociedade, seguido de uma apresentação da Orquestra de Berimbaus Afinados (OBADX).

Bahia: CD reúne cantigas históricas da capoeira baiana Eventos - Agenda Musicalidade Portal Capoeira 1

O evento também promoveu uma roda de conversa entre os mestres (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO )

O tema ‘Eu Também Canto a Bahia’, escolhido para guiar o lançamento do álbum, reforçou o ideal de que a capoeira, apesar de estruturar como um único movimento cultural, é formada por muitas outras vertentes e ritmos, cada um com sua particularidade.

“A capoeira é rica em um conjunto só. Mas, cada um faz o que é melhor para si, desenvolvendo seu estilo. Quem pratica sabe da importância de ter essa liberdade de ritmos”, disse Edenilton, 35 anos, conhecido como mestre Scooby. Neste domingo (21) como espectador, o professor pratica a arte há mais de 20 anos e dá aula no bairro de Luís Anselmo.

Para Carolina, ou melhor, a mestra Brisa, 41, o que une todas as vertentes da capoeira é a musicalidade, é o que conecta os dois corpos, dá o tom do gingado: “É o elemento fundante, que permeia o diálogo daqueles que estão ali. Mas, para você criar essa sinergia, você precisa de uma boa musicalidade”, defendeu.

O CD se tornou a materialização desse movimento. Para Tonho Matéria, além de disseminar e expandir o alcance da capoeira pelo país, a gravação coloca em pauta justamente o que o projeto insiste em discutir: a atuação da capoeira na sociedade.

 

A gente discute como levar essa música para dentro das salas de aula, falar sobre cultura, educação e até turismo. As pessoas não entendem que, muitas vezes, é essa prática que leva o jovem ao colégio, que transforma em um grande cidadão”, afirmou o mestre.

 

Capoeira de Angola x Capoeira Regional
O grande símbolo dessas vertentes apresentadas pela capoeira está na bifurcação, que separa a capoeira de Angola e a capoeira Regional. Criada pelo mestre Bimba (1899-1974) entre as décadas de 1920 e 1930, o estilo Regional da arte altera a formação da roda e como os capoeiristas se comportam dentro dela.

Com uma cadência mais acelerada, o estilo foi pensado para apresentações, e dispensava alguns instrumentos para guiar o ritmo. Entre eles, dois berimbaus, um pandeiro e o tambor, conhecido como atabaque.

Isso ia de encontro ao estilo chamado de Angola, que apresentava uma formação completa com três berimbaus, dois pandeiros e o batuque. Com isso, a musicalidade naturalmente se tornou mais complexa. Segundo Tonho, a variação Regional é “uma capoeira mais rápida e evolutiva”, que se destaca pela instrumentalização.

 

Fonte: https://www.correio24horas.com.br

 

Vinícius Harfush*

vinicius.harfush@redebahia.com.br | @_harfush

Mestre e Roda de Capoeira – Patrimônios Culturais

Rio Zoo e Iphan promovem o evento “Mestre e Roda de Capoeira – Patrimônios Culturais”

A Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira ganharam um evento em sua homenagem. A ação, fruto de parceria entre o Zoológico do Rio – Rio Zoo e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, tem como objetivo, além de dar continuidade às políticas de salvaguarda em prol do Ofício dos Mestres e da Roda de Capoeira, valorizar esses exemplares do nosso Patrimônio Cultural, homenagear os Mestres por conta de sua contribuição para a história e o desenvolvimento da Capoeira e dar posse dos membros do Conselho de Mestres de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro.

O Conselho é constituído por 30 Mestres titulares, sendo 15 da região metropolitana e 15 do interior assim distribuídos: 3 da região médio-paraíba, 3 da região dos lagos, 3 da região serrana, 3 da costa verde e 3 da região norte-noroeste, além de 30 Mestres suplentes.

Surgida no século XVII estre os africanos escravizados como instrumento de socialização e defesa, a capoeira é hoje um dos maiores símbolos da identidade brasileira, está presente em todo o país e é praticada nos quatro continentes. A Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira foram reconhecidos pelo Iphan como patrimônio cultural imaterial do Brasil em 2008, e estão inscritos no Livro de Registro das Formas de Expressão e no Livro de Registro dos Saberes, respectivamente.

O evento, que contará com rodas de Capoeira e a presença de Baianas de Acarajé, cujo ofício também é registrado como patrimônio imaterial do Brasil desde 2005, terá entrada franca e será realizado das 10h às 15h, na entrada do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro. 

 

Serviço:

Mestre e Roda de Capoeira: Patrimônios Culturais

Data: 30 de março de 2019

Horário: Das 10h às 15h

Local: RioZoo (Parque da Quinta da Boa Vista, S/N)

O Profissional e o “papo furado”

O Profissional e o “papo furado”

Nos últimos tempos, escutando vários discursos sobre ‘ser profissional’ na capoeira, me pergunto:  – o que isso quer dizer de uma pessoa para outra e o que realmente está por trás dessa afirmação? Essa reflexão me lembra uma conversa lamentável que ouvi há uns anos atrás entre ‘profissionais’ da capoeira: “hoje em dia a gente nem está mais preocupado em o aluno ficar bom, a gente só está preocupada em ter aluno”. No momento que isso foi dito, parecia ser a constatação de um fato e que todos os presentes professores pareciam estar de acordo, sem a mínima preocupação nas consequências do conteúdo, daquela frase.

Sim, a capoeira é uma reflexão da sociedade em que vivemos, uma sociedade que gira em torno de um esquema de acumulação, o dito capitalismo. E para quem vive da capoeira, em outras palavras, quem depende da capoeira para pagar as contas e sustentar uma família, um aluno também representa capital, sobrevivência. Mas será que a gente não pode fazer melhor do que isso? Será que os capoeiristas se deixam vencer tão facilmente por um sistema que tem base em – e é causa – da mesma miséria onde a nossa arte se criou; a escravidão? E isto mesmo, ‘ser profissional’?

O Profissional e o papo furado Capoeira Portal Capoeira 1

Para quem não tinha noção, a escravidão não só foi a situação onde a capoeira nasceu; ela também foi a base de um sistema econômico baseada na exploração do produtor da riqueza – o escravo, que, quando o sistema escravocrata foi deixado por ser ineficiente e caro demais, se tornou trabalhador ‘livre’. O racismo e a opressão das expressões culturais da população negra – contra que a capoeira sempre se resistiu – foram parte e em função do sistema económico da exploração – e a base do capitalismo.[1]A economia se desenvolveu, mas na base não se mudou – será que o papel da resistência da capoeira deveria se mudar?

 

O ‘profissionalismo’ entrou numa nova fase com o desenvolvimento das certificações e diplomas para capoeiristas que querem dar aula – e se tornar ‘profissional’ – dentro do sistema nacional de educação ou até fora dele. Com a preocupação do nível e qualidade dos professores, e o ensinamento de capoeira, os certificados arriscam virar mais um esquema de acumulação, ou capitalização – dentro da “profissionalização da capoeira”; Certificações que precisam ser renovadas de tantos em tantos anos, através dos investimentos financeiros que são justificados como investimento em conhecimento. Como um preço para o novo documento também, é claro. Assim também desprezando o tipo de conhecimento que a capoeira representa, e em que ela tem a sua base, que é o conhecimento prático através da experiência prática – a educação não-formal, da tradição oral.

Não quer dizer que o conhecimento teórico não tem lugar na capoeira, ou que não deveria existir um certo‘controle de qualidade’, especificamente fora do Brasil onde não há uma tradição enraizada, para trabalhos com crianças e nos sistemas nacionais de educação. E que um bom professor – não importa de qual modalidade – deveria estar em dia com os desenvolvimentos na sua área, e nas áreas abordadas.

Mas será que uma estrutura de certificação e educação contínua, um sistema baseado nas profissões médicas – onde o não ser em dia do médico em termos de novos conhecimentos, pode ser causa da morte do paciente – é o mais adequado? Quando a variedade de estilos, formas de pensar e ensinar a capoeira é um lado forte dela em termos de criatividade, desenvolvimento e abertura social? E essa variedade ao mesmo tempo representa uma proteção contra a dominação, qualquer que seja ela? Vamos abrir mão para um sistema de uniformização ou normatização? Sem perguntar para nós mesmos para que, e para quem, a capoeira serve? Ainda mais quando não temos um sistema de valorização do conhecimento que já existe em cada um de nós e na própria capoeira? Somente para poder ser identificado como ‘profissional’ e tentar arrumar mais trabalho?

 

O que é ser ‘profissional’? Começamos com a palavra ‘profissionalismo’, que tem dois  significados: o significado mais antigo, que a primeiro vez foi usado em 1856[2]e se desenvolveu desde então, é: “comportamento, objetivos ou qualidades que marcam ou caracterizam uma profissão ou um profissional”.[3]Um significado que tem a ver com postura, atitude, visão e preocupação com o aluno, o conteúdo ensinado e o resultado.

O segundo significado é usado hoje, por exemplo, em quase todos modalidades desportivas, que fazem uma distinção entre profissionais e amadores: “o profissional é aquele que ganha, ou tenta ganhar, a vida com o seu desporto, e faz disso a sua ‘profissão’.

 

Note bem a diferença entre o primeiro e o segundo significado: O primeiro tem conteúdo, e compromisso com a atividade. O segundo está relacionado coma acumulação de dinheiro. Quer dizer que os dois são incompatíveis? Claro que não, e há vários exemplos de bons profissionais de capoeira que também se dão bem em termos financeiros. Mas talvez é hora de se perguntar qual tipo de ‘profissional’ nós queremos ser: aquele que é mais preocupado em ganhar dinheiro, ou aquele que primeiramente tem compromisso com a sua arte; uma arte que inclui um compromisso com uma tradição de oralidade, com uma ética dentro essa oralidade e com uma transmissão do conhecimento que a arte represente. É bom ter esses princípios claros, porque o poder corrompe, e dinheiro – como a fama – são formas de poder.

E assim uma pergunta simples precisa ser perguntada cada vez de novo – no momento de aceitar e preparar um show, de fazer e vender um instrumento ou roupa, de fazer um CD ou DVD, de fazer pesquisa e escrever um livro, e de escolher em quais eventos de capoeira nós vamos participar – aquele que paga mais, ou aquele que tem e/ou segue uma tradição e filosofia, ou aquele que é do nosso amigo? Exemplos das respostas – e resultados delas – podemos achar na história da capoeira.

 

E ainda nem falei do ‘profissionalismo’ do professor da capoeira: porque um professor – de qualquer modalidade que seja – só existe pelo fato que é aquele/a que ensina. Cuja primeira preocupação então – só pela definição da palavra – sempre deveria ser a educação, e o crescimento do conhecimento e a pessoa; no caso o aluno, mas também em si mesmo. Voltando ao primeiro significado da palavra ‘profissional’ então. Que também tem nada a ver com o ego ou o abuso de poder – um tema onde eu volto nas próximas colunas.

 

Por isso iniciativas que tem como objetivo e preocupação, a educação e a pedagogia, e são baseados no princípio de democratizar o conhecimento e a informação (ao tornar lhes acessível para todos) – como por exemplo o IBCE de mestre Ferradura, ou a Capoeira à la Une de mestre Beija-Flor e alunos – são louváveis.

Porque um compromisso com uma arte, e uma preocupação com a educação, não necessariamente deveria levar ao empobrecimento; mesmo num sistema onde a educação é cada vez mais falada, e menos valorizada. Mas esse compromisso é sim fundamental. Porque um bom professor é reconhecido e valorizado com o tempo.

 


 

[1]Veja por exemplo: Beckert, S. & Rockman, S. (org.) (2016) Slavery’s Capitalism: a new history of American Economic Development, Pennsylvania, Penn Press. Cardoso, F.H. (1977) Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional, São Paulo, Paz e Terra. Williams, E. (2012)Capitalismo e Escravidão, trad. D. Bottmann, São Paulo, Companhia das Letras [1944]. Marquese, R. & Salles, R. (org.) (2016) Escravidão e Capitalismo histórico no século XIX: Cuba, Brasil, Estados Unidos, Rio de Janeiro, José Olympio. Corrêa do Lago, L.A. (2014) Da Escravidão ao Trabalho Livre: Brasil 1550-1900, São Paulo, Companhia das Letras.

[2]Em 1856 a primeira escrita expressão de ‘profissional’ é usada pela Glasgow Institute de Contabilidade, para indicar os membros como parte do instituto e então como contabilistas registradas. Que deveria representar uma certa garantia de qualidade. Walker, S. P. & Lee, T.A. (Eds.) Studies in Early Professionalism: Scottish Chartered Accountants, 1853-1918. London, Routledge.

[3]Merriam-Webster Dictionary Online. www.merriam-webster.com

A Pedagogia do Jogo na Capoeira

A Pedagogia do Jogo na Capoeira

Dentre as diversas potencialidades da capoeira no âmbito educativo, destacaremos algumas de suas possibilidades tomando como foco principal o jogo, evidenciando traços de interlocução com africanidades e a formação humano no espaço escolar.

Aprender fazendo

A capoeira nos ensina que todo aprendizado deve emergir de uma experiência vivenciada, ou seja, a perspectiva eurocêntrica do aprendizado por abstração intelectual, que nos foi apresentada na escola, não atende as necessidades funcionais da arte, pois não consegue dar conta das subjetividades pulsantes de se aprender a tocar tocando, cantar cantando, jogar jogando, e de todo o fluxo interativo de um aprendizado vivo e significativo.
Valorização do mais antigo

Socialmente fomos adestrados a encarar a pessoa mais velha como um fardo social, algo inútil, pois sua capacidade produtiva e de gerar renda estariam em franco declínio, ledo engano, pois a capoeira nos ensina que sem o mais antigo não existirá continuidade de construção do conhecimento, pois perderíamos o acesso a todo acumulo de experiências destes indivíduos. Desta forma, na roda, o mais experiente é sempre o mediador dos processos, cabendo a ele a responsabilidade da garantia da construção do novo, estando este adaptado as necessidade conjunturais de cada tempo, sem contudo, perder de vista a conexão ancestral com os fundamentos estruturantes da arte.

Perder e ganhar

Na capoeira aprendemos que o ganhador não será necessariamente aquele que anula o outro, pois o jogo nos ensina que a verdadeira vitória só surge pelo signo da dupla, ou seja, o vencedor sempre será aquele capaz de deixar o parceiro sem respostas para suas perguntas e ainda ansioso e capaz de continuar tentado responder, pois é preciso vencer em franco fluxo da dinâmica do jogo, ganhando não aquele que finaliza o outro, mas sim aquele que mantem o outro em atividade e com a crença de que poderá vencer.
Com certeza, para muitos, é difícil entender a explicação acima, pois fomos educados a pensar em uma única perspectiva de competição, aquela que para garantir a vitória precisa anular e/ou subjugar o oponente da peleja, pois esta é a lógica do sistema capitalista, privilegiando um em detrimento de todos os outros, matando a noção de comunidade e construção coletiva para o bem comum.

Respeito as diferenças

Vivemos em um mundo que tenta a todo o momento nos enquadrar, criando padrões que facilitem o controle e nos tornem presas fáceis do consumismo, e a escola não tem, historicamente, fugido a esta lógica, pois diversos são os elementos que homogeneízam os indivíduos e tentam anular as diferenças em seu cotidiano.
Na roda de capoeira ser diferente é condição primordial, pois só poderemos constituir uma boa dinâmica, na medida em que pessoas diferentes possam executar funções diferentes, alguns tocando, outros cantando e uma dupla jugando, ou seja, a diversidade é o catalizador de aprendizado pela complementariedade que o outro, diferente de mim, poderá aportar para resolução de problemas que auxiliarão a todos daquele contexto. Desta forma, a roda de capoeira funciona como uma metáfora da roda da vida, explicitando que os diferentes são complementares para o bom andamento da dinâmica social.

O corpo como registro do saber

O nosso corpo foi historicamente negligenciado como repositório de um saber ancestral, pois o mesmo sempre foi tido como uma espécie de simples suporte para sustentar o intelecto, ou seja, um corpo para suor e músculos, como sustentáculo de uma cabeça, única responsável para construção do conhecimento. Neste sentido, crescemos com a ideia equivocada de subutilização da corporeidade como estratégia de construção do saber, negligenciando as potencialidades do movimento na pedagogia para emancipação humana.

Em capoeira aprendemos que o corpo pensa e fala por seus movimentos, interpretando realidades, expressando sentimentos e trazendo encaminhamentos para os diversos conflitos de uma dada comunidade, pois este corpo passa a ser entendido como um repositório de experiências educativas, como uma espécie de biblioteca ambulante, ratificada pela difusão de conhecimento a partir da simples observação de um grande mestre jogando.
Diversos são os exemplos de interlocução do jogo da capoeira com os processos educativos formais, portanto, acima destacamos apenas alguns, contudo, estes só terão a eficácia desejada no chão da escola, na medida em que esta se transforme numa espécie de extensão da própria comunidade, contextualizado conteúdos e atuando de forma fluida e dinâmica em favor dos anseios de cada tempo histórico.

Sonhamos com a capoeirização da escola, pois estamos cansados da inoperância transformadora da escolarização da capoeira.

 

Mais sobre: Mestre Jean Pangolin

 

 

Póvoa do Varzim: Sinhá Mandou Chamar

Póvoa do Varzim: Sinhá Mandou Chamar

Escola de capoeira VIVÊNCIA, realizará nos dias 8/9/10 de Março de 2019 o 5° encontro feminino “Sinhá Mandou Chamar” na cidade da Póvoa de Varzim, Portugal.

“O evento não tem a presunção de criar um evento só para mulheres, como se elas precisassem deste tipo de movimento para ter espaço dentro da nossa arte, o intuito do evento é valorizar as mulheres que trabalham a capoeira de forma profissional dando a comunidade em geral esta visão de que as mulheres também são grandes profissionais da nossa arte, sejam elas instrutoras, professoras, contramestres ou mestres.”  Diz Vilma (Instrutora Sindel)

A edição deste ano conta com a presença de integrantes de varias escolas de Portugal e Espanha, tais como: Muzenza, Agbara, Aruê, Jogo de Negro, Ginga Camará, Reliquia do Espinho Remoso, Alto Astral, Nagô, Sul da Bahia, Iandê, Batuqueiros, Porto da Barra, Maculelê entre outros.

Póvoa do Varzim: Sinhá Mandou Chamar Capoeira Mulheres Eventos - Agenda Portal Capoeira

Todas as aulas são ministradas por mulheres mas aberta a toda gente.

O evento é de organização da Instrutora Sindel (Vilma) da ECV – Póvoa de Varzim.