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Capoeira Mulheres

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Aos 48 anos, Rosa Costa se torna a primeira mestra de capoeira de Santa Catarina

Mesmo com 35 anos no esporte, ela enfrentou dificuldade para conseguir a graduação

A primeira mestra de capoeira de Santa Catarina é natural de Florianópolis e moradora de São José. Rosa Cristina da Costa tem 48 anos, 35 deles se doando ao esporte e 18 ensinando crianças, jovens e idosos. O evento de graduação ocorre neste sábado (24), no Encontro Nacional de Capoeira, em São José, onde Rosa trocará a corda roxa e vermelha – de contramestra da escola Capoeira, Educação, Cultura e Arte – pela branca.

Há oito anos a roda de capoeira e o ofício do mestre de capoeira são reconhecidos como patrimônio cultural brasileiro pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Além disso, um projeto de lei do vereador Andrino de Brito está tramitando na Câmara de Vereadores de São José para criar o Dia Municipal da Capoeira, do Mestre e da Mestra de Capoeira na mesma data em que Rosa vai se formar.

O primeiro contato de Rosa da Costa com a capoeira foi aos 13 anos, incentivada por um cunhado, quando assistiu a uma roda na Berimbau de Ouro, academia pioneira no ramo em Florianópolis, pertencente ao mestre Pop. Ela sempre gostou de esporte, e quando decidiu fazer capoeira a família entendeu como sendo “só mais um”. Mas a diversão tomou outros rumos, e hoje, além de esporte, é a profissão e a vida da capoeirista.

O jogo/luta/brincadeira é originário do século 17 e um dos maiores símbolos da identidade brasileira, presente em todo território nacional, além de ser praticado em mais de 160 países, segundo o Iphan. Em Florianópolis, a capoeira chegou na década de 1970, e nessa época, a mesma em que Rosa começou, apenas três mulheres praticavam – e a inspiraram. Depois disso, suas referências passaram a ser masculinas, porque as mulheres não resistiam nos grupos, já que o esporte é predominantemente masculino.

Depois de treinar até o final dos anos 80, Rosa se arriscou no bicicross, se formou em pedagogia e educação física, fez pós-graduação e começou a dar aulas. Ela não aguentou ficar longe da capoeira, e ainda viu que o esporte poderia ser ensinado dentro das escolas. Nesse período, a capoeirista passou pelos grupos Nação, Au e pelo projeto Capoeira na Escola.

Atualmente, a até então contramestra dá aulas de capoeira na Apae de São José, no CAT (Centro de Atenção à Terceira Idade) e em seis escolas do município, e cada grupo ela afirma proporcionar um aprendizado diferente. “Meu público é diversificado, nos idosos é maravilhoso ver uma senhora de 70 anos brincando em uma roda. É claro que ela não vai ser uma exímia capoeirista, no formato que a sociedade impõe, mas ela está ali, inserida, se sentindo importante, as pessoas olhando para ela com carinho, respeitando, o que para mim não tem preço que pague”, justifica ela. Na Apae, a proposta é diferente. “Eles dão uma lição na gente o tempo inteiro, trazem alegria, é uma energia sincera, tem muito amor naquelas pessoas. Quando eu comecei tive receio sobre como atuar, mas foi algo fenomenal que eu não quero parar”, diz.

Mas é na escola que Rosa vê um retorno direto do que faz, muito além da profissão como educadora, mas como ser humano. “Minha alegria é ver aquela criança que passou pelas minhas mãos dizer que o que eu falei na aula ela levou para a vida. Que está estudando, trabalhando, nunca se envolveu com drogas, sabe discutir política, é honesta e respeita os outros. É incrível saber que você colaborou de alguma forma usando a capoeira como ferramenta para auxiliar alguém”, sintetiza.

Dúvidas e muito preconceito

Rosa Cristina da Costa afirma que o caminho até o título de mestra não foi fácil. Prova disso é que um homem capoeirista chega ao título máximo com 15 anos de experiência, enquanto ela, após 35 anos no esporte, ainda vê pessoas que conhecem seu trabalho duvidando do merecimento que reclama e persegue. “Ainda existe uma exigência muito grande do homem em enxergar a mulher no mesmo nível que ele, sentar na mesma mesa, conversar com igualdade, cantar, tocar, é muito preconceito. Por isso, poucas mulheres resistem às barreiras, como confrontar com o homem na roda para eles falarem que é boa e treinada. Poucas aguentam esse confronto diário”, aponta.

O título finalmente chegou este mês, pois, segundo ela, com o tempo o trabalho vai sendo reconhecido, divulgado, e aí chega um momento em que a sociedade capoeirística começa a chamar de mestre. “Acontece também de um mestre que te conhece e acompanha o teu trabalho falar que está na hora. Quem me chamou e disse isso foi o mestre Gringo, de Lages, que tem mais de 40 anos de experiência”, explica.

Rosa é determinada, afirma que confronta os homens, discute na roda e isso os incomoda, mas diz que é preciso se mostrar firme para provar que também tem qualidade, que estuda, que viaja o país pela capoeira e que procura passar as informações para os alunos da maneira mais adequada.

Perguntada sobre o que vai mudar com o título em mãos, Rosa diz que a responsabilidade será sempre a mesma, a diferença é que agora ela vai poder sentar à mesa de um evento com vários homens mestres e colocar sua opinião. “Sempre falo que agora é que eu vou aprender. Agora, não chegou o fim de nada. Agora é a parte mais difícil, o começo de tudo”, conclui.

 

Fonte: http://ndonline.com.br

KARIN BARROS, FLORIANÓPOLIS 

A capoeira interligando a vida das mulheres em todo o mundo

 
A presença da mulher na capoeira é um fenômeno histórico recente e imprime mudanças primordiais à sua prática. Muitas são as contribuições que estas trazem para este universo que reúne luta, dança, jogo, teatralidade e ludicidade, com repercussão nas suas vivenciais corporais e comunitárias, edificando saúde e qualidade de vida.
 

 

Palestrante

Rosângela de Costa Araújo (Mestra Janja)

Doutora em Educação pela USP, uma das fundadoras do Instituto Nzinga de Capoeira Angola. Professora e coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher da UFBA. Autora de livros e artigos sobre o tema.

 

Data

14/03/2016 a 14/03/2016

Dias e Horários

Segunda, das 19h às 21h30.

Local

 

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar
Bela Vista – São Paulo.

 

Valores

 

R$ 9,00 – credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 15,00 – pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 30,00 – inteira

 

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Teresina – PI: Iê Viva Mulher Capoeirista festeja participação feminina

Iê Viva Mulher Capoeirista

O evento vai acontecer na próxima quarta-feira (02), às 19 horas, no Clube de Jovens do Mafrense, conhecido como o Caldeirão da Capoeira do Piauí. Na oportunidade serão realizadas atividades como aula de Maculelê, treinamento de movimentação de capoeira e roda em comemoração ao mês das mulheres.

Mestre Touro, fala da importância do evento e espera a participação de várias mulheres: trabalhadoras, dona de casa, mães e todas amantes da arte capoeira que estarão juntas mais uma vez para fazer uma das coisas que mais gostam, que é jogar capoeira.

Touro lembra que a mulher na capoeira do Piauí vai aparecer nos anos 70, bem timidamente, pois nessa época existia muito preconceito, “comecei a prática da capoeira na década de 80, e mesmo nessa época ainda tinha pouca mulher praticando a capoeira, mas na década de 90 estourou a participação dela, principalmente nas escolas particulares que a maioria dos praticantes era do sexo feminino, nessa época também ganhou força no campo educacional a capoeira dentro do nosso estado, mas na virada do século a mulher já tinha presença marcante não só como praticante de capoeira, mas também na posição de comando, ministrando aula, organizando eventos, promovendo debates relacionado a participação da mulher, cobrando espaço de direito nas atividades realizadas na capoeira e combatendo o preconceito contra a mulher, engana-se quem pensa que a mulher na capoeira e só pra embelezar roda, a capoeira de nosso estado ganhou com a participação direta da mulher: ministrando aula, cantando e colocando energia na roda, que tem homens que não tem a mesma pegada, mulheres com contexto técnico e teórico, para discutir assuntos pertinente à nossa arte; não é à toa que grandes eventos feminino são realizados aqui e comandado por elas”.Enfatiza.

Mestre Touro orgulhoso e firme em sua vida de capoeira, conta que essa idéia do momento feminino no Caldeirão da Capoeira, surgiu da seguinte forma “essa atividade que estou fazendo surgiu ano passado com o propósito de movimentar a minha academia, onde solicitei para que todos fossem treinar com a calça da capoeira, mais a camisa teria que ser cor de rosa, todos foram e foi muito bom. Esse ano resolvi convidar mais as mulheres, elas gostaram muito da ideia, e dia 02 de março estaremos fazendo uma grande comemoração para todas elas, onde teremos a participação dos homens capoeiristas, alguns mestres, contramestres, professores, e alunos de um modo geral”.

Touro ressalta ainda: “quero dizer que participarão das aulas, atividades e rodas, homens e mulheres, mas o privilégio todo será para as mulheres.

“Tenho a satisfação de receber a todos em minha academia e de já deixo aqui meu agradecimento há todos”. Afirma.

 

Fonte: http://www.meionorte.com/

Brasília sedia encontro de mulheres capoeiristas

 
Debater a regulamentação da capoeira, a representação feminina e os impedimentos à cidadania plena da mulher dentro e fora dessa arte. Esses são os principais objetivos de roda de conversa que será realizada neste domingo (26), em Brasília, a partir das 10h, durante o quinto Encontro de Mulheres Capoeiristas.
 
Com apoio do Ministério da Cultura (MinC), o evento é promovido pelo Grupo Nzinga de Capoeira Angola e pelo Festival da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, o Latinidades.
 
Participarão do debate mestras e contramestras de capoeira, além de professoras que se destacam dentro desse universo historicamente masculino e machista. Também estarão presentes representantes da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, da Fundação Cultural Palmares e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entre outros.
 
Um dos temas abordados na roda de conversa será a lei 9696/1998. A legislação criou o Conselho Federal de Educação Física (Confef), regulamentou a profissão de educador físico e determinou que todas as atividades físicas e esportivas devam ser orientadas por profissionais de educação física.  
 
Segundo o presidente do Confef, Jorge Steinhilber, a exigência não é mantida para a capoeira em seu viés “artístico e cultural, como em casos de apresentações em teatros ou em realizações coreográficas”, mas é válida para a capoeira realizada para fins esportivos e de condicionamento físico.  
 
“A educação física não quer dominar a capoeira”, brinca o presidente. “E a exigência não se deve por conta de reserva de mercado, mas por conta de defesa do praticante. A lei 9696 foi aprovada para proteger a sociedade, para que todas as pessoas sejam atendidas por pessoas que tenham qualificação técnica, científica, pedagógica, didática e ética profissional”, explica.  
 
A capoeirista Rosângela Costa Araújo, mais conhecida como mestra Janja, no entanto, explica que a comunidade capoeirista rejeita essa posição. “A primeira vista, um projeto que trata da regulamentação da capoeira pode parecer uma coisa boa, mas precisamos ficar atentos, ler as entrelinhas, entender a quem realmente ela favorece”, diz. “Não queremos institucionalizar o atleta profissional da capoeira como um jogador de futebol. A capoeira vai mais além. A comunidade tem uma proposta que reconhece o aspecto educacional e formativo, que cria parcerias com as escolas e permite a autonomia dos grupos”, explica. 
 
O diretor da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SCDC/ MinC), Alexandre Santini, também participará do debate. Ele defende a formação tradicional do capoeirista. “Há várias opiniões até conflitantes a esse respeito. O que defendemos é o reconhecimento do capoeirista tradicional, que haja uma formação tradicional, com estudo do saber transmitido pela oralidade, pela prática da capoeira. Quem reconhece o mestre é o outro mestre”, afirma. 
 

Patrimônio da Humanidade

 
Uma das manifestações culturais mais conhecidas no Brasil e reconhecidas no mundo, a Roda de Capoeira recebeu, em 2014, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. 
 
Originada no século XVII, em pleno período escravagista, a capoeira desenvolveu-se como forma de sociabilidade e solidariedade entre os africanos escravizados e como estratégia para lidarem com o controle e a violência. Hoje, é um dos maiores símbolos da identidade brasileira e está presente em todo território nacional, além de ter praticantes em mais de 160 países, em todos os continentes. 
 
A Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira tiveram o reconhecimento do Iphan como Patrimônio Cultural Brasileiro em 2008 e estão inscritos, respectivamente, no Livro de Registro das Formas de Expressão e no Livro de Registro dos Saberes.
 
Cecilia Coelho
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura
http://www.cultura.gov.br/
 
 
Matéria sugerida por Nélia Azevedo
www.neliazevedo.com

Beleza e Feminilidade na “Roda de Saberes” em Uberaba

Capoeiristas competiram em concurso de miss e roda de saberes em Uberaba

Terceira edição de festival marca Dia Internacional da Mulher e ofereceu também mesa redonda e curso. Evento foi gratuito e celebra avanço no nível técnico das atletas

Em Uberaba, a roda de capoeira e a passarela serão exclusivamente delas no fim de semana. A terceira edição do Festival Feminino de Capoeira marcou a comemoração do Dia Internacional da Mulher. Com entrada gratuita para mulheres, o evento foi dividido em três partes e organizado pelo Centro Cultural de Capoeira Águia Branca. O tema “O Jogo das Amazonas” se refere à lenda de tribos femininas brasileiras com poder de combate, que inspiraram o batismo do estado e do Rio Amazonas.

A mesa redonda “Mulheres, Diversidade, Luta e Resistência”, ocorreu no sábado, no anfiteatro da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), antecedeu o festival. A abertura oficial ocorreu com o concurso de Miss Capoeira, no qual as capoeiristas competiram nas categorias infantil, juvenil e adulta. A disputa ocorreu no Teatro Experimental de Uberaba (TEU).

Na primeira fase, as atletas realizaram apresentações solo da modalidade para julgamento técnico, de flexibilidade e equilíbrio dos movimentos. Na avaliação em duplas, vale a capacidade de executar sequências e interagir com a oponente. Na terceira e última etapa, a simpatia e atitude são critérios considerados durante um desfile com traje de gala.

Para a organizadora e mestre em educação física Núbia Nogueira, conhecida como Mestre Puma, a igualdade entre os gêneros se faz presente na capoeira e merece ser comemorada.

– Atualmente há um equilíbrio em relação aos homens e crianças, tanto em quantidade quanto em nível técnico. As mulheres jogam de igual para igual, se profissionalizam na capoeira, executam projetos e eventos – afirmou.

O resultado do concurso saiu no domingo, na chácara Flor de Lótus. O último dia de festival trouxe também o curso “Vivência e Experiência Capoeirística”, ministrado pela mestra Vânia Borges, de Guarujá (SP), e festa para as participantes.

Mestre Puma no celular: (34) 8826-7585.

 

 

Título adaptado pelo Editor – Beleza e Feminilidade na “Roda de Saberes” em Uberaba

Título da Matéria Original: Capoeiristas competem em concurso de miss e roda de ginga em Uberaba

 

Fonte: http://globoesporte.globo.com/

 

 

Aconteceu: 2º Encontro de Mulheres Capoeiristas de Roraima

Grupo cultural realiza 2º Encontro de Mulheres Capoeiristas de Roraima

O evento em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março,

O Centro Cultural Arte e Capoeira da Amazônia realiza neste sábado, o 2º Encontro de Mulheres Capoeiristas de Roraima. O evento ocorre na Praça das Águas, a partir das 19h30, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março. Participam das atividades grupos convidados como: Raízes Brasileira, Angola Palmares, Senzala, Capoeira Gospel e Abadá Capoeira.

O Encontro é aberto a comunidade em geral, mas tem como principal objetivo reunir apenas as mulheres que praticam a capoeira no estado. Está prevista a participação de 20 mulheres, incluindo crianças. Na organização do evento está o Contra Mestre Fofo e Mestre Bahia. Conforme Fofo, a ideia é fazer algo diferente para o público feminino.

– O objetivo é reunir o público feminino que treina capoeira, mostrando a importância de praticar e os benefícios que a arte traz. Ano passado não atingimos nossa meta na quantidade de mulheres, mas foi muito bom os capoeiristas que prestigiaram. Esse ano continuamos com o mesmo foco de fazer uma integração e troca de experiências, principalmente pela comemoração de uma data importante para elas – afirmou o Contra-Mestre.

As interessadas em participar devem comparecer no dia do encontro a partir das 19h30 na Praça das Águas, para iniciar o aquecimento, que será feito por mulheres mais graduadas. O evento é aberto ao público, mas quem poderá participar da roda serão apenas mulheres capoeiristas.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/

A mulher na capoeira

Lendo o livro “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia” do meu amigo e colaborador do Portal Capoeira, Pedro Abib, decidi que iria escrever algo específico sobre Maria Doze Homen, o que realmente não sabia era que esta leitura iria me levar para uma pesquisa mais aprofundada que acabou por me levar por um mar de informações sobre esta Mulher que ninguém bulia… no decorrer da pesquisa me deparei com este delicioso texto da Professora Criança… Tive o cuidado de anexar o documento original que contém belissímas ilustrações. Fica ainda a promessa de muito em breve brindar os nossos leitores com mais material sobre Maria Doze Homem.

Luciano Milani

 

A mulher na capoeira

Algumas das grandes referências femininas de força, garra, coragem e segurança retratadas na história remetem-nos à década de 1940, quando se destacaram as famosas “Maria 12 Homens”, “Calça Rala”, “Satanás”, “Nega Didi” e “Maria Pára o Bonde”, mulheres que se fizeram passar por homens para poderem conviver no meio da malandragem das rodas da capoeira.

Personagens lendárias como Rosa Palmeirão, a capoeirista que serviu de inspiração para Jorge Amado no romance Mar Morto, é também um desses exemplos. Respeitada e temida como a mulher mais “arretada” que sacudiu o cenário dominado pelas figuras masculinas, era Maria 12 Homens, uma capoeirista, assídua freqüentadora das rodas do Cais Dourado e da rampa do Mercado Modelo. O sobrenome de Maria, não está registrado na memória de Salvador, mas o apelido, segundo a lenda, foi pelo fato de ter conseguido levar 12 marmanjos a nocaute. Acima de tudo, essas mulheres fizeram o nome na história e buscaram seu espaço com muita astúcia e malícia. Em busca de liberdade, conseguiram sair vitoriosas, deixando seu registro para a posteridade.

Há vários mitos em torno de mulheres que fizeram de sua honra uma batalha de vida, tornando-se modelos de coragem e de determinação. Conta-se, por exemplo, que Aqualtune, filha do rei do Congo, comandou um grande exército de dez mil homens quando os Jagas invadiram seu território. Após tentar defender o reinado, acabou sendo derrotada e levada para um navio negreiro como escrava reprodutora. Foi obrigada a ter relações sexuais com um escravo, desembarcando em Recife grávida. No fim de sua gravidez, organizou uma fuga com outros escravos para Palmares.

Atualmente, as mulheres, símbolo de vitória e orgulho, vêm alcançando, cada vez mais, posições de destaque na política e no mercado, com melhores funções e diversos cargos importantes. Também no esporte, a mulher tem conquistado muitas medalhas, troféus e títulos. Na capoeira, como não poderia deixar de ser, a participação feminina tem sido cada vez mais freqüente, ajudando a fortalecer a modalidade. Ela toca, canta, joga, ministra aulas e participa de debates com muitos dos renomados mestres da arte. Maria 12 Homens, Calça Rala, Satanás, Nega Didi, Maria Pára o Bonde e Rosa Palmeirão, onde quer que estejam, têm muitos motivos para se ufanarem.

 

 

* Lilia Benvenuti de Menezes. Professora de Educação Física, professora do Grupo Muzenza e bicampeã mundial pela Super Liga Brasileira de Capoeira. Autora do livro “Benefícios Psico-fisiológicos da Capoeira”.

 

Teresina – PI: Berimbau de Renda

BERIMBAU DE RENDA é um espaço pensado para fortalecer o movimento de mulheres capoeiristas.

O evento se lança como o 1º festival brasileiro de músicas de Capoeira direcionado à voz feminina, a ideia é proporcionar uma maior visibilidade e engajamento das mulheres que cantam e emocionam nas rodas de Capoeira.

BERIMBAU DE RENDA propõe ampliar as possibilidades de cada vez mais nós mulheres ocuparmos um espaço que também é nosso que por vezes abrimos mão por insegurança, vergonha ou por não existir um incentivo geral para que o espaço da mulher na capoeira seja cada vez mais visto e explorado.

BERIMBAU DE RENDA tem um foco no festival de canto, que nessa primeira edição não será competitiva, porém as músicas participantes deverão ser inéditas, mas não obrigatoriamente autoral , o evento é também uma plataforma de encontros entre mulheres capoeiristas, onde toda a essência da capoeira será abordada por meio de conversas, aulas, rodas e muita música, é claro.

BERIMBAU DE RENDA é inovador e conta com todas as capoeiristas para que seja um evento lindo, cheio de perfume, cheio de cor e de muito amor pela Capoeira.

Missão:

BERIMBAU DE RENDA tem como objetivo valorizar a voz feminina nas rodas de Capoeira.

 

Festival de Canto e Encontro de Mulheres Capoeiristas
22, 23 e 24>>agosto>>2014
teresina>>piauí>>brasil
berimbauderenda@gmail.com

Belo Horizonte: II Encontro Feminino de Capoeira

Evento aconteceu em dois pontos da capital mineira

Neste fim de semana, Belo Horizonte recebeu o II Encontro Feminino de Capoeira. O evento é foi realizado em dois pontos da capital mineira e oferece programação voltada para a prática do esporte, mas com treinamentos, palestras e apresentações de capoeira durante todo o dia.

As atividades de sábado aconteceram no Point Barreiro e no domingo na Praça do Papa, onde aconteceu um aulão de capoeira com o tema “Não Jogue Lixo na Praça, Jogue Capoeira”.

Durante o período de aprendizado, capoeiristas de todas as idades, divididos em equipes, foram identificadas pelas cores da reciclagem e farão arrastão de limpeza na praça. Cada equipe tem seu lixo pesado e as informações são lançadas em um relatório com o objetivo de identificar os tipos de materiais de lixo mais encontrados e sugerir locais apropriados para sua destinação.

 

Programação

Sábado – Point Barreiro

09h às 12h30 –  Abertura: Papoeira – Dinâmicas e palestras;
12h30 às 14h – Horário de almoço;
14h às 17h – Treino de Capoeira com Professoras convidadas: Juma e Trilho;
19h – Noite “Capoeira Meninas de Minas”

Domingo – Praça do Papa

9h – Aulão na Praça do Papa

Acre: Boxe, capoeira e kung fu: musa concilia lutas com estudo e profissão

Boxe, capoeira e kung fu: musa concilia lutas com estudo e profissão

Acreana que se destaca pela beleza é apaixonada pelo ringues e pela passarela. Conheça a musa do MMA acreano: Thayrine Mello, 19 anos

A atleta ressalta que no início teve dificuldades em ajustar os horários e o cansaço físico, mas os benefícios trazidos pelo esporte a fizeram superar os obstáculos. Para a acadêmica de direito, os três tipos de luta se complementam.

A beleza é o principal atributo, mas ela chama atenção mesmo é pela versatilidade no esporte. A acreana Thayrine Mello, de 19 anos, adiou suas competições no MMA, mas continua apaixonada por lutas. Agora, além do boxe, ela pratica capoeira e kung fu, em Rio Branco. O que começou por diversão virou vício. Sete meses após a estreia nos ringes, a bela jovem concilia os treinos das três modalidades, os estudos e a profissão de modelo.

VEJA ENSAIO FOTÓGRAFICO COM A MUSA DO MMA ACREANO!

– No começo foi difícil, mas com o tempo meu corpo se adaptou. Sou apaixonada pelo boxe, é meu preferido, ele me deu postura e defesa e isso ajudou nas outras modalidades. O kung fu me deu mais concentração. Surpreendeu-me. É uma arte aparentemente fácil, mas todos os movimentos são calculados e exigem muita força e resistência – explica.

Thayrine reconhece o valor da arte no esporte e define a importância da capoeira no seu dia a dia: uma mistura de todos os movimentos que pratica no boxe e no kung fu, com uma pitada a mais de ritmo e agilidade.

– A capoeira faz parte da cultura brasileira. Além de mesclar todas as artes é uma luta mais completa, mais artística, porque envolve um ritmo, uma dança, além de toda energia que existe nas rodas – frisa.

Pausa nos ringues

Thayrine estreou no MMA em abril deste ano contra a boliviana Miliane. Mas com apenas três meses de treino, a atleta perdeu o duelo. Apesar da derrota, ela destaca que a luta representa uma vitória pessoal.

– Lutei comigo mesma e contra o cansaço. Foi difícil, mas desci com a sensação de trabalho cumprido, com pouco tempo treinando, perdi por pontuação no ultimo Fight para alguém bem mais experiente.  Quando minha adversária me deu o primeiro knock down, logo no final do segundo Fight, meu corpo pedia para parar, mas não ia desistir, eu queria lutar até o fim – lembra.

A modelo afirma que a falta de tempo para treinar  para as competições adiou seu sonho de lutar profissionalmente. No entanto, a atleta  faz planos para voltar às disputas estaduais e destaca o aprendizado que obteve quando enfrentou a rival.

-No momento, não tenho condições de treinar para competir. Ano que vem talvez eu arrisque. Tirei uma grande lição da luta, adquiri mais disciplina e aprendi que derrotas também são necessárias. Foi um grande desafio absolver, mas teve grande importância no meu crescimento na arte – conclui.

 

Fonte: http://globoesporte.globo.com