Blog

Cidadania

Vendo Artigos de: Cidadania (categoria)

Brasília – DF: Grupo leva capoeira a escolas públicas e fala sobre cultura negra

Brasília – DF: Grupo leva capoeira a escolas públicas e fala sobre cultura negra

A história da África e a luta dos negros do Brasil ensinadas de uma maneira diferente. Para sensibilizar crianças e adolescentes sobre a cultura negra brasileira, o grupo Grito de Liberdade leva a escolas públicas do Distrito Federal o espetáculo “Quilombo da liberdade, raízes”. A caravana está na nona edição.

O presidente do grupo, Luiz Cláudio França, 38 anos, conhecido como Minhoca, atualmente é o principal responsável pelo projeto. O mestre capoeirista destaca a satisfação após as apresentações: “Chegamos a alcançar pessoas que estavam no mundo do crime e, por conta do projeto, já superaram o problema”, ressalta.

A intenção é ampliar os horizontes dos alunos. “Quanto mais contato tiverem com a cultura, eles se tornarão pessoas mais conscientes e com uma visão de mundo mais ampla”, acrescenta Luiz.

Atividade procura abordar o papel do negro na formação da identidade brasileira e apresentar a cultura de origem africana

As apresentações são realizadas por meio de cantos e danças de capoeira, com um toque especial de circo e poesia. Por meio da arte, o grupo aborda os mais variados temas cotidianos, entre eles racismo, agressões em ambiente escolar e machismo.

“Diante do aumento da violência nas periferias do Distrito Federal, é fundamental que a comunidade escolar contribua com seu olhar sobre as causas e consequências do envolvimento de jovens e crianças com o álcool e outras drogas”, diz diretor da peça, Ankomárcio Saúde, que compara: “Até onde os ônibus lotados de hoje não são os navios negreiros de ontem, e as favelas, quilombos urbanos?”.

O espetáculo leva aos jovens mitos e ritos dos afrodescendentes numa mescla de capoeira regional e angola e das danças de puxada rede, dança do bastão e maculelê, em que os negros são protagonistas. “Uma fusão em que a beleza dos movimentos junto a plástica do figurino prende a atenção de todos os alunos para aprenderem sobre a história negra do país como processo formador de nossa identidade”, explica Ankomarcio.

Brasília - DF: Grupo leva capoeira a escolas públicas e fala sobre cultura negra Capoeira Portal Capoeira 1

Experiência positiva

Para os educadores, a iniciativa é mais do que importante para o crescimento dos estudantes. Rivailda Muniz, professora do 5º ano da Escola Classe Kanegae (Riacho Fundo I), ficou feliz com a oportunidade e também entrou na roda para gingar.
“É um projeto muito bom, inclusive pelo fato de eles virem até a escola. A inciativa é maravilhosa porque nossos alunos têm poucas chances de vivenciar isso”, considera a docente.

E, para os pequenos, a experiência foi única e de pura alegria. “É muito legal a gente ver e experimentar coisas novas. Foi a primeira vez que eu ‘dancei’ capoeira”, disse um dos alunos do 5º ano. Colega do garoto, Ana, 8 anos, também entrou na brincadeira. “Os meninos conseguem dar ‘mortais’ muito mais rápido do que nós meninas. Eu já tentei e nunca consegui, mas gostei muito de o tio ter ensinado a gente a gingar”, afirmou.

Quase 40 anos de história

Há 38 anos o grupo Mestre Cobra trabalha a capoeira como forma de perpetuar a história das culturas de matriz africana. Os capoeiristas se reúnem na Candangolândia desde os anos 1980, época em que a capoeira era alvo de preconceito na região e praticada às escondidas, no mato. Em 1994, Mestre Cobra começou a desenvolver seu trabalho no Riacho Fundo, onde deu início ao grupo Grito de Liberdade.

Luiz Cláudio França está na equipe há 30 anos e representa o Mestre Cobra por todo o DF. Além de Brasília, as apresentações já chegaram até a Bahia, Rio Grande do Norte e Pernambuco, onde foi assistida por mais de 10 mil pessoas. Neste ano, 20 mil alunos serão atingidos.

Uma das principais características da capoeira é a possibilidade de qualquer pessoa poder participar. A arte não faz distinção de situação financeira ou crença: qualquer um pode interagir com o grupo. “Às vezes alguém tem dificuldade em fazer as manobras no momento do gingado, mas ao mesmo tempo se identifica com a música ou instrumentos que utilizamos. Tudo é válido”, destaca o mestre Minhoca.

 

Tainá Morais – redacao@grupojbr.com

http://www.jornaldebrasilia.com.br

“Maior é Deus, Grande é João”

“Maior é Deus, Grande é João”

O “Maior é Deus, Grande é João” é um movimento mundial
de valorização e reconhecimento ao Mestre João Grande.

 

"Maior é Deus, Grande é João" Capoeira Cidadania Eventos - Agenda Portal Capoeira

MAIOR É DEUS, GRANDE É JOÃO!

Só um mestre que há mais de 60 anos empenha-se na preservação e divulgação da cultura da capoeira pelo mundo, pode inspirar um movimento mundial de reconhecimento à contribuição que ele dedica até hoje a essa arte.

João Oliveira dos Santos, Mestre João Grande, hoje aos 85 anos, é o capoeirista que há mais tempo está em atividade no mundo, ícone vivo da capoeiragem tradicional. Considerado o mestre dos mestres pela comunidade capoeirística, é detentor de conhecimentos seculares, que vem repassando com humildade e entusiasmo ao longo de todos esses anos.

 

Sua atuação é um marco no ressurgimento e expansão da capoeiragem angola, que se livrou de ser extinta graças aos esforços de alguns mestres, entre eles e com destaque João Grande, um obstinado em manter sua estrutura inicial e ensinamentos elementares. Ele saiu do Brasil para abrir novas fronteiras para esta arte tão brasileira, o que beneficiou direta e indiretamente centenas de capoeiristas brasileiros que hoje trabalham no exterior.

A paixão com que João Grande abraçou a capoeira vem motivando praticantes e amigos dessa comunidade no mundo inteiro a abraçá-lo também. Assim nasce o movimento “Maior é Deus, Grande é João”, que envolve, no dia 29 de setembro, a realização de eventos de capoeira em mais de 15 cidades do mundo para arrecadação de fundos que irá premiá-lo por tudo que representa para a capoeira no mundo.b

A rotina de viagens do Mestre João Grande é exaustiva e compromete a sua saúde, por isso os capoeiristas se uniram para assegurar que o Mestre continue, no ritmo adequado à sua idade, a espalhar seus ensinamentos sem comprometer a sua qualidade de vida. O objetivo do fundo é possibilitar que o mestre, no país em que hoje reside, EUA, possa repassar suas lições de vida com tranquilidade e segurança.
O movimento “Maior é Deus, Grande é João” também irá disponibilizar plataforma de crowdfunding durante três meses para que qualquer pessoa que se sensibilize com a causa, possa fazer sua contribuição online. Idealizado coletivamente, o fundo de arrecadação nasce em respeito à vida do Mestre João Grande.

Os eventos de capoeira que integram a campanha contam com a participação de grandes mestres de diferentes linhagens da capoeira. A contagem da arrecadação acontecerá a 29 setembro às 17h de cada país, quando haverá a divulgação do valor. O lançamento oficial da campanha acontecerá em NY, mas o abraço ao Mestre João Grande é tão imenso quanto a sua importância para a capoeira, por isso eventos também acontecerão em Paris e Bordeaux (França), Porto e Lisboa (Portugal), Zurique (Suiça), Viena (Áustria), Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia (Brasil), Athenas (Grécia), Roma (Itália), Belgrado (Sérvia), Barcelona (Espanha), Estugarda (Alemanha), dentre outros.

 

Eu valorizo. Eu acredito. Eu apoio. Dê o seu abraço no Mestre João Grande!

 


 

GOD IS GREAT, JOÃO IS GRAND!


Only a master who has been involved in the preservation and dissemination of capoeira culture throughout the world for more than 60 years can inspire a worldwide movement in recognition of the contribution he has made to this art to this day.

João Oliveira dos Santos, Mestre João Grande (Master “Big John”), aged 85, the eldest living active capoeira practitioner in the world, is an icon of the traditional form of capoeira. Considered to be the master of masters by the capoeira community, he is a holder of secular knowledge which he has shared with humility and enthusiasm throughout all these years.

His practice is a milestone in the resurgence and expansion of the Angola style of capoeira, which persists thanks to the efforts of several masters, but especially thanks to João Grande, who was determined to maintain its pure form and elementary teachings. He left Brazil to open new frontiers to this quintessential Brazilian art, and hundreds of Brazilian capoeira practitioners, who work abroad today, have benefited from this move either directly or indirectly.

The passion with which João Grande embraced capoeira has motivated practitioners and friends of this community around the world to embrace him as well.  This is how the “God is Great, João is Grand” movement emerged.

September 29, 2018, marks the kick-off for capoeira fundraising events in more than 15 cities around the world, which will honor him for everything he represents to capoeira in the world.

Mestre João Grande’s travel routine is exhausting and compromises his health. For that reason, capoeira practitioners will unite to ensure that Mestre can continue to spread his teachings at a pace appropriate to his age, without compromising his quality of life.  The purpose of the fund is to enable the master to teach his life lessons in peace and safety in the United States, the country in which he now resides.

The “God is Great, João is Grand” campaign will provide a crowdfunding platform in the three months following September 2018, so that anyone who is moved by this cause can make their contribution online. Organized collectively, the fundraising idea originated out of respect for the life of Mestre João Grande.

The capoeira events unfolding throughout the campaign rely on the participation of other great masters of differing styles of capoeira. A tally and unveiling of monies raised will be held at on September 29 at 5pm in each country.

The official launch of the campaign will take place in New York, but as our embrace of Mestre João Grande has been as massive as his importance to capoeira, events will also take place in Paris and Bordeaux (France), Porto and Lisbon (Portugal), Zurich (Switzerland), Vienna (Austria), Rio de Janeiro, São Paulo, and Bahia (Brazil), Athens (Greece), Rome (Italy), Belgrade (Serbia), Barcelona (Spain), and Stuttgart (Germany), among other locations.

I value him. I believe in him. I support him. Honor Mestre João Grande!

 

Veja Também:

https://www.facebook.com/maioredeusgrandeejoao/

https://www.gofundme.com/maior-e-deus-grande-e-joao

m.me/maioredeusgrandeejoao

Unesc oferece aulas gratuitas de capoeira para a comunidade

Unesc oferece aulas gratuitas de capoeira para a comunidade

Aulas ocorrem nas segundas e quartas-feiras na Universidade.

Disciplina, coordenação motora, condicionamento físico, socialização. São diversos os benefícios que a capoeira traz aos seus participantes. Entretanto, a sua essência vai muito além do esporte e da movimentação do corpo, ela está presente na arte como manifestação cultural, parte da história brasileira e mundial. E para disseminar esse conhecimento e resgatar raízes, a Unesc oferece o projeto Capoeira, gratuito para a comunidade, com aulas direcionadas a todas as idades.

O coordenador do projeto, Alex Sander da Silva, ressaltou a importância de disseminar elementos como esse, que fazem parte da cultura nacional. “A iniciativa é vinculada ao NEAB (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, Indígenas e Minorias) da Unesc, e parte da premissa de resgatar as tradições da cultura afro-brasileira. O interessante é que qualquer pessoa pode participar, não há pré-requisito para aprender capoeira. Crianças, jovens e adultos, todos estão convidados”, comentou.

Dentre os participantes, pai e filho seguem juntos nas aulas. O pai, Leandro Daros, praticava a capoeira na adolescência, e segundo ele, essa foi a oportunidade de levar o filho a apreciar a arte. “Com a capoeira eu aprendi a ser uma pessoa melhor, com os professores como mentores me trazendo conselhos. Cresci muito na capoeira, e trazer meu filho para participar é ainda mais especial”, comentou.

O professor, Filipe Alexandre Create, comentou sobre os benefícios do esporte, que contribuem para a saúde, mas também para a educação do participante. “A capoeira ensina regras, fornece disciplina, além da musicalidade, do canto, e de tantos outros elementos.”, ressaltou.

PARTICIPE

Os interessados em participar do projeto podem se inscrever no momento da aula, que ocorre todas as segundas e quartas-feiras, das 17h30 às 19 horas, na Sala de Dança da Unesc. Informações pelo telefone 3431-2724.

 

Fonte: https://www.portalveneza.com.br/

Brincadeiras de rua, capoeira e vivências estão na programação da Semana Mundial do Brincar

Brincadeiras de rua, capoeira e vivências estão na programação da Semana Mundial do Brincar

Grátis no Sesc Santo André!

No mês de maio acontece a Semana Mundial do Brincar e esse ano o Sesc tem como tema o Brincar de corpo e alma. Direcionadas a crianças entre 0 e 12 anos e seus familiares, educadores e demais adultos de referência, as atividades incluem experiências práticas e teóricas que visam a fortalecer a brincadeira como elemento fundamental do universo da infância. No Sesc Santo André, a programação vai até 27 de maio, com diferentes atividades gratuitas e livres para todas as idades!

Confira a programação:

  • Vivência – Brincar Capoeira – De 5 a 26/5 – sábados – a partir das 15h30 – Na Sala de Práticas Corporais, o contramestre Pingo convida a todos para a vivência dessa manifestação cultural multidisciplinar que é a Capoeira, uma atividade que permeia entre jogo, dança, luta. No final, se mostra uma grande brincadeira com inúmeras possibilidades de aprendizado.
  • Vivência – Brincontro: Brincadeiras ao Ar Livre – Dia 20 e 27/5 – domingos – a partir das 14h – Os instrutores do Sesc Santo André realizam brincadeiras ao ar livre, com atividades que estimulam a criatividade e interação social. Brincar descalça, pular corda, escalar, batucar são ações que permitem à criança sentir o corpo como instrumento de explorar o mundo, no gramado da unidade.
  • Vivência – Degustando a Brincadeira – De 22 a 25/5 – Terça a sexta-feira – a partir das 12h30 – O palco da Comedoria, um local reservado para shows, abre espaço para crianças e adultos degustarem as mais diferentes brincadeiras. Com vivências simples e divertidas, a hora de comer também se torna tempo de brincar.
  • Palestra – Brincar de Corpo Inteiro – Dia 22/5 – terça-feira – às 19h – o encontro convida o público para experimentar vivências brincantes e refletir sobre referências práticas e teóricas que envolvem o brincar na primeira infância. Nesta idade, o corpo se torna uma construção encantada de significados, um patrimônio de cada criança que deve ser respeitado em sua individualidade e ludicidade. O conhecimento do corpo durante a brincadeira auxilia o ritmo vital da infância e desenvolvimento de outras relações sociais individuais e coletivas. A palestra conta com participação de Andresa Ugaya, Patrícia Dias Prado e Juliana Olivia dos Anjos. A atividade é sugerida para pais, mães e interessados no tema. É necessária a retirada de ingressos gratuitos a partir das 18h na Loja Sesc ou Bilheteria.
  • Vivência – Brincar Junto: Brincadeiras e Jogos nas Ruas – Dia 19/5 e 26/5 – sábados – a partir das 14h30 – Entre os momentos marcantes da infância, as brincadeiras de rua ganham grande espaço na nossa memória. Nos dia de vivências, os instrutores da unidade resgatam brincadeiras de rua pouco habituais nos dias de hoje, como pião, corda, peteca, entre outras. Além das brincadeiras tradicionais, os instrutores apresentam brincadeiras de origens afro-latinas, como o Pega-Bastão, da Etiópia, o Labirinto, de Moçambiquem, entre outras atividades. As brincadeiras acontecerão nas ruas do entorno do Sesc Santo André. No dia 19/5 , na rua Capixingui, s/n, no Conjunto Prestes Maia e, no dia 26/5, na rua Garanhuns, Centro Comunitário da Tamarutaca.

Promovida no Brasil desde 2009 pela Aliança pela Infância (surgiu na Inglaterra e nos Estados Unidos no final da década de 90 e chegou ao Brasil em 2001), a Semana Mundial do Brincar busca a construção e proteção do brincar como fundamento da expressão genuína da criança, e conta com a parceria do Sesc São Paulo desde 2013.

 

Passeio: Semana Mundial do Brincar – Sesc Santo André
Recomendado: Todas as idades
Quando: de 05/05/18 a 27/05/18
Horários: variados – dependendo da atração
Preços: Gratuito
Onde: Sesc Santo André – Rua Tamarutaca, 302, Vila Guiomar – Santo André
Informações: (11) 4469-1200
email@santoandre.sescsp.org.br

 

Fonte: http://saopauloparacriancas.com.br/

7 Frases Que Você NUNCA Deve Dizer A Um Aluno

1. “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”

A pior das frases que um professor pode dizer a um aluno tem base em uma ideia obvia, mas muitas vezes deliberadamente ignorada: o exemplo vale mais do que as palavras.

Sabemos que quando apenas falamos algo a um aluno, desacompanhado do exemplo prático, a absorção das palavras é mínima. Imagine agora se esta mínima absorção for contrariada pelo exemplo.

Já foi extensivamente pesquisado que o cérebro grava melhor informações associadas, e que por isso, quanto mais variados forem os estímulos, maior será a aprendizagem.

Quando nos comportamos de maneira coerente com nosso discurso, o aluno recebe não apenas um estímulo auditivo, pois nosso comportamento vem acompanhado de cheiro, movimento, visualização e, mais importante, repetição. O bom exemplo reiteradamente exibido pelo professor implanta um ideal a ser seguido pelo aluno.

Resumindo: se você quer que seu aluno siga certas ideias, aplique-as em sua vida pessoal.

 

 2. “O aluno tem que se adaptar à Capoeira, não o contrário”

 

A Capoeira é como água. Se adapta a tudo. Se está num copo, toma a forma do copo. Se está na garrafa, se adapta a ela. Condensa-se, vira gelo, evapora. Toma a forma de rio, de oceano ou de chuva e mesmo assim sempre encontra um jeito de continuar sendo água.

Se não fosse assim, não teríamos tantos estilos, tantas escolas e tantas manifestações diferentes, como Capo-Jitsu, Capoeira Gospel, Capo-Terapia ou campeonatos diversos convivendo com rodas tradicionais, jogos improvisados ou apresentações de artistas de rua. Tampouco teríamos Capoeira sendo ensinada para idosos, pessoas com necessidades especiais ou crianças.

Dizer que o “aluno tem que se adaptar à Capoeira” é geralmente uma maneira do professor se eximir de encarar sua própria dificuldade em relação às peculiaridades de determinados aprendizes que desafiam sua capacidade de adaptação.

Talvez fosse bom aprendermos com a Capoeira a sermos mais “água”, tornando-nos “professores líquidos” capazes de responder às necessidades específicas de cada aluno ao invés de sermos “professores rochas”, encastelados em nossas posições.

 3. “A Capoeira é para todos, mas nem todos são para Capoeira”

 

 

Esta frase, exaustivamente repetida, é comum a diversas atividades, como esportes ou religiões.

 

 

Podemos entender que o ensinamento filosófico pretensamente apresentado se refere à necessidade do esforço individual, por parte do aluno, para se tornar, de fato, um membro reconhecido na comunidade.

Mas o que a frase não explica é: quem seria a pessoa que poderia determinar quem “é” e quem não “é” para a Capoeira? Quais são os critérios para definir um capoeirista “de verdade”?

Quando proferida por um professor, a frase traz em si uma declaração de veracidade sobre si próprio e uma dúvida sobre os demais. Botar em xeque a autenticidade dos alunos reforça a legitimidade do professor como alguém que “é para a Capoeira”, enquanto os alunos seguem imersos na dúvida sobre suas próprias condições.

Qual o objetivo disso, se não exercer um narcisismo exacerbado? Qual a função de colocar os outros em dúvida sobre suas legitimidades?

Talvez poderíamos trocar a frase para “A Capoeira é para Todos e Todos São Para a Capoeira. Inclusive Você!”

 

4. “Faço assim porque aprendi assim”

 

Essa frase segue a linha do “Bato nos meus filhos porque também apanhei, e nem por isso virei bandido”.

Da mesma forma que a pessoa que apanhou não virou bandido APESAR das pancadas, e não DEVIDO a elas, a pessoa que é ensinada de forma errada ainda assim pode aprender corretamente, simplesmente porque buscou o correto por conta própria.

O problema é que o aluno oprimido tende a reproduzir os erros pedagógicos quando se torna professor, repetindo novamente o ciclo de opressão-reprodução.

Isso não quer dizer que devemos jogar fora todos os ensinamentos de uma pessoa somente porque ela erra em alguns pontos, mas si que devemos filtrar as informações e escolheremos o que queremos reproduzir.

O conhecimento sobre a pedagogia evoluiu muito nas últimas décadas e a neurociência continuamente vem provando que bons estímulos cognitivos estão aliados a experiências prazerosas e não a relacionamentos opressivos.

O professor de Capoeira do século XXI não pode continuar sendo um reprodutor de modelos pedagógicos herdados do militarismo do século XIX. Temos que basear nossa didática em métodos que funcionam e em estratégias eficientes e transformadoras no campo emocional, social e político no qual o aluno está inserido.

A tradição existe para ser repetida em seus acertos, não em seus erros. Muitos comportamentos opressivos ainda seguem em voga no nosso meio, em nome de uma suposta tradição. Repetindo comportamentos do passado, que já estão “ultra-passados”, arcaicos e anacrônicos, não iremos promover nenhum tipo de revolução.

Por exemplo: antigamente as pessoas ajoelhavam no milho quando desobedeciam os professores, e nem por isso aprendiam melhor. Erros existem para aprendermos com eles, não para repeti-los.

Continuar os erros do passado em nome de uma suposta tradição é, no mínimo, preguiça pedagógica.

 

5. “No meu tempo era diferente”

 

Esta frase, em teoria, não apresenta problemas, pois obviamente todo tempo é diferente do outro. Como na alegoria do rio que nunca passa duas vezes no mesmo lugar, tudo está sempre em constante mudança.

No entanto, implicitamente essa frase traz sub-leituras, como: “No meu tempo era tudo mais verdadeiro”; “No meu tempo é que era bom”; “No meu tempo é que havia respeito” etc.

E o curioso disso é que a mitificação do “antigo” acontece em todos os “tempos” e lugares. Como na cantiga “Alegria do vaqueiro é ver a queda do boi, alegria do velho é dizer quem ele foi” o “velho”, independentemente de sua idade – sim, há velhos que são cronologicamente jovens-, está sempre falando sobre o passado para desmerecer o presente.

A pergunta que fica é: se a pessoa está viva, como pode falar sobre o “seu tempo” se ela está vivendo o momento de agora? Talvez a resposta seja que sua cabeça vive no passado, por dificuldade de se adequar ao presente.

Ao repetirmos infinitamente esta frase, passamos a ideia de que já somos passado e que os “áureos tempos” que vivemos nos fizeram ser melhores do que nossos alunos são. Nada poderia ser mais falso, pois no caso específico da Capoeira, nunca houve tempo melhor.

Se há 100 anos o capoeirista podia ser preso por “capoeirar”, hoje em dia é recebido com louvor em todos os cantos, seja em universidades e palácios governamentais, seja em comunidades populares ou em centros culturais.

Ainda há muito a melhorar e muitas barreiras a quebrar, mas mitificar uma “idade do ouro” que nunca aconteceu não ajuda a lutar por um presente melhor.

 

 6. “O aluno tem que respeitar o mestre”

 

Há um ditado que diz que é possível forçar um cavalo a um rio, mas não pode-se força-lo a beber de sua água. Exigir respeito é como exigir que o cavalo beba água.

Respeito é um conceito que implica em construção coletiva, não em obediência cega. É uma via de mão dupla, ensinada pelo exemplo. Se o mestre respeita os alunos; os mais velhos respeitam os mais novos e os alunos respeitam-se entre si, obviamente o mestre será respeitado pelos alunos também.

Eu não tenho como cobrar respeito do meu aluno, pois somente ele pode construir essa atitude para comigo. Mas eu tenho como respeitá-lo, mostrando com atitudes que levo em consideração sua presença, seus sentimentos e suas necessidades.

O ambiente a ser construído numa escola de Capoeira deve ser de respeito mútuo e de respeito a regras que beneficiem o coletivo. Desta forma o conceito será vivido por todos, não precisando ser mencionado.

Um líder que “exige respeito” dos alunos não respeita nem mesmo o próprio papel, portanto não tem como exigir respeito de ninguém.

 7. “Se machucou porque não treinou”

 

Essa é a clássica desculpa do professor para eximir-se de sua responsabilidade quanto a integridade física dos alunos.

A cena acontece assim: um jogo de Capoeira transcorre normalmente até que um dos jogadores resolve soltar um golpe a um milhão por hora. O golpe pega e machuca o outro jogador. O machucado vai ao hospital (geralmente sozinho) e volta remendado depois de alguns dias. O que machucou é isentado de responsabilidade, pois era a obrigação do machucado sair do golpe. Se não saiu, é porque precisava ter treinado mais, diz o professor, do alto de sua sapiência.

O aluno aceita a explicação e continua na Capoeira e um dia se torna professor, repetindo o mesmo ciclo por causa do tal “ensino como aprendi”. E nessa brincadeira as lesões vão pipocando por todo lado e muitos bons capoeiristas abandonam a arte por não quererem se machucar.

A ideia de que a Capoeira é uma “arte marcial” como a luta greco-romana ou um “Esporte de Combate” como o boxe leva a um discurso “guerreiro” que serve somente para desresponsabilizar o líder da aula sobre as lesões dos alunos.

 

O professor deve ter em mente que qualquer machucado ocorrido em sua aula é sua co-responsabilidade.

Independentemente de ter sido uma fatalidade ou um golpe intencional o aluno estava sob a sua supervisão e por isso não pode ser responsabilizado sozinho por algo que aconteceu coletivamente.É importante que haja um código de conduta no qual estejam previstos os comportamentos desejados pelos praticantes e o zelo com o corpo dos demais.

Em breve escreveremos novo artigo falando sobre golpes proibidos em nossas rodas!

Vamos fechar este artigo com uma fala que poderia ser facilmente escutada em muitas escolas de Capoeira:

E aí, o o que você achou? Deixe seu comentário e compartilhe este texto com os colegas!

Axé!

Ferradura

Panorama das ações do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina

Panorama das ações do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina

Em 2008, após uma grande pesquisa desenvolvida no Brasil, o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan) formatou um inventário com o intuito de registrar a Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres nos Livros de Registros das Formas de Expressão e dos Saberes, respectivamente. 

Seis anos depois, em 2014, na 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda, a Unesco aprova a Roda de Capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Com esse registro e reconhecimento, o Brasil tornou-se responsável pela salvaguarda da Capoeira. Entende-se por salvaguarda as medidas que visam a garantir a visibilidade do patrimônio cultural imaterial, tais como a identificação, a documentação, a investigação, a proteção, a promoção, a valorização, a transmissão e a revitalização deste patrimônio em seus diversos aspectos, assim como sua preservação e manutenção, fomentando ações para que haja a perpetuação do patrimônio e de seus mantenedores, os Mestres de Capoeira.

Dessa forma, em cada estado da federação, o Iphan estabelece a iniciativa de organizar coletivos que pudessem desenvolver um plano de salvaguarda dentro da realidade local. A denominação desses coletivos varia regionalmente, podendo ser: conselho de Mestres, conselho gestor, colegiado de Mestres, ou outras nomenclaturas. Não existe regra para a escolha da denominação e também não existe nenhuma remuneração pela participação dos Mestres.

Panorama das ações do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina Capoeira Portal CapoeiraEm Santa Catarina, no ano de 2015, o Iphan fez um chamamento aos capoeiristas para uma plenária que teve como resultado o Colegiado de Mestres. O nome ‘Colegiado’ foi escolhido pelo entendimento de que os membros eleitos opinam e definem suas ações com igualdade de voz e voto. O movimento não tem a pretensão de se organizar como entidade jurídica; mas, sim, como um coletivo de Mestres catarinenses.

Como primeiras ações, o Colegiado empenhou esforço na construção dos documentos que norteariam suas ações, sendo: Estatuto e Código de Ética. Após a elaboração e aprovação desses documentos, decidiu-se realizar uma ação coletiva para a comunidade da Capoeira catarinense: a Formação Continuada de Educadores de Capoeira. A proposição do Colegiado de Mestres, projetada em 2016 e colocada em prática em 2017, foi endossada pelas parcerias com o Iphan e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os conteúdos foram divididos em oito encontros presenciais quinzenais, totalizando oitenta (80) horas de formação continuada, com os seguintes temas:

  • – Origem da Capoeira;
  • – Relações de Poder, Raça e Gênero na Capoeira;
  • – Diferença, Geração e Capoeira;
  • – Metodologia e Prática de Ensino de Capoeira: Pessoas com Deficiência,

Idosos, Reabilitação, Crianças e Adultos;

  • – Prevenção a Acidentes e Primeiros Socorros;
  • – Oratória e Saúde Vocal;
  • – Marketing na Capoeira;
  • – Captação de Recursos;
  • – Formalização de Organizações de Capoeira; e
  • – Microempreendedorismo (MEI).

Foram abertas e preenchidas sessenta vagas (60) contando com a participação de vinte e dois (22) municípios de todo o estado e oriundos de trinta e seis (36) entidades de Capoeira (grupos, associações, escolas etc.).

Já em 2018, aconteceu a assembleia de posse da segunda gestão do Colegiado de Mestres. Ali, estabeleceu-se como objetivo para os encontros bimestrais e itinerantes (realizados cada vez em uma cidade diferente do estado) estreitar a participação da comunidade, realizando reuniões abertas ao coletivo, com debates e práticas sobre temas diversos. O pano de fundo de todas as ações do Colegiado de Mestres de Santa Catarina é a construção e aplicação do Plano de Ações de Salvaguarda da Capoeira.

Nesta caminhada recente, dificuldades já foram – e continuarão sendo – vislumbradas pelos Mestres, mas a Capoeira é sinônimo de resistência; portanto, faz-se necessário enfrentar as agruras como um bom desafio e como uma missão a se cumprir. Acima de tudo, os Mestres do Colegiado têm a consciência de que não agem com vistas ao resultado particular; mas, sim, para os jovens capoeiristas que continuarão o legado e perpetuarão a arte Capoeira no futuro.

 Capoeira Portal Capoeira

Membros do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina:

Titulares: Kadu, Tuti, Sinhozinho, Careca, Zico, Silvio e Curió.
Suplentes: Habibs, Curisco, Tigre, Dourado e Bião.

 

 

Por:

Marcos Duarte de Oliveira (Mestre Kadu)

Fernando Bueno (Mestre Tuti)

PRAÇA MESTRE BIMBA • 100 ANOS DA REGIONAL • RESPEITO!!!

PRAÇA MESTRE BIMBA • 100 ANOS DA REGIONAL • RESPEITO!!!

 

O projeto de revitalização da Praça Mestre Bimba situada no bairro da Amaralina em Salvador, Bahia, Brasil foi concluída com êxito no mês de Julho de 2017.

Após  uma grande batalha por parte da Turma de Bimba, da Família do Mestre Bimba e da comunidade da Capoeira do Brasil, foi conseguido junto aos órgãos públicos a obra que deu a comunidade um espaço apropriado a prática da Capoeiragem, prestando assim uma bela homenagem a um patrono da nossa arte.

Porém, menos de um ano depois passamos pelo mesmo problema, o descaso por parte dos órgãos que seriam os responsáveis pela manutenção do local, nos apresentam um cenário indigno para o tamanho da grandeza da obra do Mestre Bimba .

Uma vez mais a comunidade da Capoeiragem deve dar as mãos e pedir o devido respeito para com o Sr. Dr. Manoel dos Reis Machado criador da Capoeira Regional Baiana que esse ano completa 100 anos.

HÁ CERCA DE UM ANO ATRÁS…

Se o Rio Vermelho já era conhecido por ser o point de Iemanjá e da boemia, agora ele se estende para a valorização da capoeira e da memória militar. Com homenagens à Mestre Bimba e ex-combatentes do Exército Brasileiro, foi entregue pela prefeitura, nesta quinta-feira (27), a terceira e última etapa de requalificação da orla do lugar – que vai desde o Supermercado Bompreço até o Quartel de Amaralina, um perímetro de mais de 600 metros. Com investimento de cerca de R$3,7 milhões, a obra foi realizada em quatro meses numa parceria entre a Secretaria Municipal de Infrestrutura e Obras Públicas (Seinfra) e Fundação Mário Leal Ferreira. A requalificação começou em 2015 e custou, ao todo, R$65,3 milhões.

A obra contemplou a revitalização da Praça Mestre Bimba, ícone da capoeira mundial, incluindo no local um espaço para roda de capoeira com arquibancada para até 25 pessoas e piso intertravado de 250m² ao redor. Foi recuperado também o monumento desenhado pela artista Mercedes Kruchewsky em homenagem ao mestre: um medalhão de bronze acoplado à uma estrutura de 3,69m de altura em formato de berimbau. O capoeirista Manoel dos Reis Machado ficou conhecido por ajudar a descriminalizar a prática da capoeira por meio da obra “A capoeira regional”.

PRAÇA MESTRE BIMBA • 100 ANOS DA REGIONAL • RESPEITO!!! Capoeira Cidadania Portal Capoeira

Na reinauguração, diversos grupos de capoeira se reuniram para saudar a memória e os ensinamentos de Bimba. O grupo de Mestre Itapuã, 70, que começou a ser aluno dele aos 16 anos, era um deles. “Eu fui educado dentro da academia de Bimba. Meu pai tinha morrido nessa época, então a figura forte que eu tinha era ele. Bimba era um exemplo. Ele sempre exigia as coisas certas e que a gente fosse alguém”, lembra.

Contente, Dona Bena, 86, uma das viúvas do capoeirista, falou de como aprendeu a jogar capoeira escondido com o companheiro por causa da repressão. “Naquele tempo, mulher não podia jogar porque não consentiam. Uma vez ele fez uma turma, mas desmanchou porque os maiorais não deixavam. Só era para homem”, relembra ela, que defende hoje a democratização e valorização dessa expressão cultural.

(FONTE: http://www.correio24horas.com.br/)

 

Video da Praça do Mestre Bimba – “REinauguração” – Julho 2017 

ACORDA BAHIA… FESTA… PROMOÇÃO… VIDEO PROMOCIONAL… TUDO MUITO BONITO… PORÉM, MANTER O ESPAÇO, PREZERVAR O PATRÍMONIO, ZELAR PELA NOSSA CAPOEIRAGEM… ISSO JÁ É OUTRA COISA!!!

Respeito!!! É a única coisa que pedimos. Viva Seu Bimba!!!

Revista Acadêmica GUETO

Revista Acadêmica GUETO, registrada no Centro Brasileiro de ISSN sob o nr. 2319-0752 e com periodicidade de publicação semestral, está sob a responsabilidade editorial do Grupo de Pesquisa GUETO, do Centro de Formação de Professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Vale ressaltar, que esta iniciativa foi consubstanciada como produto da parceria entre a Universidade Federal do Reconcavo da Bahia – UFRB e a Uminho, a partir do Programa de doutoramento em Ciências da Educação, na área de especialidades em Desenvolvimento Curricular, no Centro de Investigação em Estudos da Criança, em pesquisa desenvolvida pelo Prof. Jean Adriano Barros da Silva, sob a orientação da Profª Drª Isabel Maria da Torre Carvalho Viana.

O seu principal objetivo é publicar artigos, ensaios, debates, entrevistas e resenhas  inéditos em  qualquer língua sobre temas que contribuam para o desenvolvimento do debate educacional, bem como para a divulgação do conhecimento produzido na área, considerando as perspectivas da Inclusão e Cultura Corporal.

É dirigida  a pesquisadores, profissionais e alunos da Educação. A sua organização nas seções propostas permite a publicação de materiais sob diferentes formatos e naturezas. Os textos em outros idiomas, exceto o Espanhol, poderão ser traduzidos e apresentados na mesma edição.

Revista Acadêmica GUETO Capoeira Portal Capoeira

 

 

Editor Chefe – Prof. Dr. Jean Adriano Barros da Silva – http://lattes.cnpq.br/4808864760751921

Professor assistente e pesquisador do Centro de Formação de Professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, UFRB. Possui graduação em licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal da Bahia (2001), especialista em educação física escolar (2003), mestre de capoeira e mestrado em educação pela Universidade Federal da Bahia (2008). Doutor em Ciências da Educação pela Uminho – PT (2017). Coordenador do Grupo de Pesquisa Gueto/UFRB e coordenador do Projeto de Extensão Balaio de Gato – UFRB. Atualmente é presidente – cargo não remunerado da Associação Cultural Grupo Unido para Educação e Trabalhos de Orientação. Tem experiência na área de educação, com ênfase em educação inclusiva, atuando principalmente nos seguintes temas: capoeira, cultura corporal humana, estagio supervisionado em educação física e deficiência visual.

Profª Dra. Anália de Jesus Moreira – http://lattes.cnpq.br/1045272167785063

Professora assistente do centro de formação de professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, UFRB. Doutora em educação (FACED/UFBA), mestrado em educação (FACED/UFBA). Doutoranda em educação no mesmo ppg na linha de pesquisa educação, cultura corporal e lazer. Licenciatura plena em educação física na universidade católica do salvador (UCSAL). Especialização em metodologia da educação física e esporte escolar (UNEB).

Prof. Dr. Emanoel Luís Roque Soares – http://lattes.cnpq.br/3011122221613108

Professor de Filosofia da Educação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Formação de Professores, Amargosa -BA, doutor em Educação (2008) Universidade Federal do Ceará/FACED. Mestre em Educação (2004) Universidade Federal da Bahia/FACED, Especialista em Estética, Semiótica, Cultura e Educação (2001): Universidade Federal da Bahia/FACED. Bacharel em Filosofia (1999): Universidade Católica do Salvador.

 

Ms. Carolina Gusmão Magalhães – http://lattes.cnpq.br/3303183194939389

Mestrado em Ciencias Sociais Aplicadas | ADM l UFBA, Bacharel em Nutrição pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB (2004), Especialista em Metodologia do Ensino Superior (UNEB/2005) e em metodologia de ensino da Educação Física Escolar (FAVIC/2005). Graduanda em Licenciatura em Educação Física (UFRB), bem como integrante do Grupo de Pesquisa G.U.E.T.O. (UFRB). Possui grande experiência em Nutrição Clínica e em Saúde Coletiva – desde 2004, e em docência – desde 1996, conferencista internacional (COL, ARG, ECU, ESP, FRA, POR, MOZ e JAP) e como nutricionista e gestora social voluntaria da Associação Cultural Grupo Unido para Educação e Trabalhos de Orientação. Tem experiência na área de Nutrição Clínica, Saúde Coletiva, Educação Nutricional, Gestão Social e Cultural, com ênfase no ensino de práticas da cultura popular afro-brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, nutrição clínica, capoeira, gestão social e capacitação.

 

Conselho Científico e Comissões Pareceristas

O Conselho Científico da Revista Acadêmica GUETO é composto por professores doutores ou doutorandos de IES que pesquisem as temáticas preferenciais desta revista: cultura, corpo, educação, artes, linguagens, saúde, inclusão social, capoeira, diversidade, memória, identidade, territorialidades, sociedades e Lutas.

 

Comissão de editoração gráfica e eletrônica

A esta comissão cabe a editoração gráfica e eletrônica da revista, garantindo sua qualidade visual, respeitando o projeto original e as determinações do Conselho Editorial. Funcionará sob a presidência de um docente capacitado para tanto.

Ver mais:

 https://www2.ufrb.edu.br/revistaacademicagueto/conselho-cientifico 

https://www.facebook.com/jean.pangolin

Uma História para partilhar… E se fosse você?

Uma História para partilhar… E se fosse você?

Essa é a história de Louise. Mas também é a sua, a minha, a de todos nós.

Quem nunca se machucou numa roda de Capoeira?

Qual capoeirista nunca foi a um hospital após um acidente no treino ou na roda?

Quem nunca chorou por estar impossibilitado de jogar devido a uma lesão?

↘️Quantas vezes já escutamos que uma pessoa machucada por um chute ou uma queda era culpada porque “deveria ter esquivado” ou então porque não havia “treinado o suficiente”?

↘️Quantas vezes já vimos pessoas saírem lesionadas das rodas e terem que se virar, indo sozinhas a um pronto-socorro, impossibilitadas de trabalhar no dia seguinte e precisando gastar dinheiro com remédios?

 É hora de pensar no que queremos para a Capoeira.

Assista o vídeo, emocione-se, reflita.

Comente e compartilhe.

 

Texto originalmente partilhado no Facebook do nosso amigo e colaborador Mestre Ferradura – Omri Ferradura Breda


Nota do Editor:

Pois é meu amigo Omri Ferradura Breda… Acho que o vídeo é fundamental para que possamos perceber que esta conexão tem uma nuclear necessidade de se fazer valer… Todos nós já passamos por isso… De forma mais leve ou até mais difícil… Este tipo de postura é reflexo da nossa vida…

Ajudar, preocupar, querer bem… É algo que infelizmente não é comum dentro do nosso contexto…

E só quem já passou por isso, só quem sentiu na pele, nos dentes, no nariz, nas costelas… Só quem passou horas no hospital é que entende… O tapinha nas costas… O tá tudo bem… O levanta não foi nada… Tá atrapalhando a roda…

Deveríamos refletir sobre isso com urgência e carinho… Capoeira ajuda Capoeira…

Luciano Milani

“Capoeira Gospel” cresce e gera tensão entre evangélicos e movimento negro

“Capoeira Gospel” cresce e gera tensão entre evangélicos e movimento negro

 

Estavam presentes o berimbau, o atabaque, a ginga e os saltos mortais. Quase tudo fazia lembrar um jogo de capoeira típico, mas, em vez dos cânticos que enaltecem os orixás ou trazem referências à cultura negra, os versos faziam louvor a Jesus Cristo e a roda era alternada com momentos de pregação e oração.

“Não deixa seu barco virar, não deixa a maré te levar, acredite no Senhor, só ele é quem pode salvar”, cantavam as cerca de 200 pessoas, reunidas na quadra de uma escola para o “1º Encontro Cristão de Capoeira do Gama” (cidade satélite de Brasília), numa tarde de sábado.

Era mais um evento de capoeira evangélica, também chamada de capoeira gospel, vertente que ganha cada vez mais adeptos no Brasil, principalmente por meio da palavra e do gingado de antigos mestres que se converteram à religião.

Se antes a prática enfrentava resistência dentro de igrejas, agora, nessa nova roupagem, é cada vez mais considerada uma eficiente ferramenta de evangelização.

“Hoje é difícil você ir numa roda que não tenha um (capoeirista evangélico), e vários capoeiristas viraram pastores. É um instrumento lindo de evangelização porque é alegre, descontraído, traz saúde, benefícios sociais”, afirma Elto de Brito, seguidor da Igreja Cristã Evangélica do Brasil e um dos palestrantes do evento.

Praticante de capoeira há 40 anos e convertido há 25, Mestre Suíno é líder do movimento “Capoeiristas de Cristo”, que estima reunir cerca de 5 mil pessoas no país. Ele realiza encontros nacionais em Goiânia há 13 anos – a edição de 2018 será pela primeira vez em Brasília.

 

Veja o Video da BBC

O mestre calcula ainda que já existem cerca de 30 “ministérios” de capoeira, ou seja, grupos diretamente ligados a igrejas.

“Há um cuidado para não chocar com as visões da igreja. Cuidado com a roupa, com o linguajar, com as músicas, mas que “não necessariamente tem que ser só música que fala de evangelho, de Deus”, explica.

Críticas

O crescimento da prática, porém, tem gerado incômodo entre capoeiristas tradicionalistas e o movimento negro, que veem na novidade uma forma de apropriação cultural e apagamento da raiz afrobrasiliera da capoeira, prática que surgiu como forma de resistência entre escravos, a partir do século 18.

Eles também reclamam que em algumas dessas rodas haveria discursos de “demonização” contra a capoeira tradicional e as religiões do candomblé e da umbanda.

O Colegiado Setorial de Cultura Afrobrasileira, que faz parte do Conselho Nacional de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, chegou a divulgar em maio a “Carta de repúdio à ‘capoeira gospel’ e à expropriação das expressões culturais afrobrasileiras”.

 

O documento, uma reação ao 3º Encontro Nacional de Capoeira Gospel convocado para junho deste ano, em João Pessoa (PB), reconhece que seguidores de qualquer credo podem praticar capoeira, mas cobra “respeito” a sua tradição.

“Temos lutado contra o racismo em suas diversas e perversas manifestações. A demonização perpetrada por pastores, mestres ou professores de ‘capoeira gospel’, ensinando o ódio e a intolerância contra as raízes da capoeira e contra seus praticantes não evangélicos, é um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana”, diz a carta.

 

 

 

Patrimônio

A capoeira, que no passado chegou a ser proibida, recebeu em 2014 o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco, órgão da ONU para educação. O Iphan, órgão responsável por sua “salvaguarda” no Brasil, reconhece em documento sua “ligação com práticas ancestrais africanas”.

A antropóloga Maria Paula Adinolfi, técnica do Iphan, diz que “não é possível impedir a capoeira gospel”, mas explica que o órgão está focado em “fortalecer ações que vinculam a capoeira à matriz africana” como “uma política de reparação do processo de apagamento da memória afrobrasileira e de genocídio do povo negro”.

 

Organizador do evento na Paraíba, Ricardo Cerqueira, o contramestre Baiano, recebeu, além da carta de repúdio, algumas ligações com críticas e até mesmo ameaças de processo. Seguidor da Igreja Batista, ele diz reverenciar os grandes mestres da capoeira, como os baianos Bimba, Pastinha e Waldemar, já falecidos, mas argumenta que a “capoeira não pertence à cultura africana”.

“O país é laico. Acho que cada um tem liberdade para fazer a sua capoeira da forma que quiser”, defendeu.

“Colocamos o nome gospel sem intenção de descaracterizar a capoeira, até porque nós usamos todos os instrumentos e cantamos também música secular”, disse ainda.

 

Diferenças

Além das músicas e orações, mais alguns detalhes diferenciam a capoeira evangélica da “capoeira do mundo”, explicou à reportagem Gilson Araújo de Souza, pastor evangélico e mestre capoeirista em Manaus.

Em geral, rodas evangélicas não chamam a troca de corda de “batismo” porque o termo deve ser usado apenas no seu sentido religioso, de se converter e receber o Espírito Santo. Além disso, alguns capoeiristas também evitam o uso de apelidos, que, segundo Souza, tem origem na época que a capoeira era perseguida.

“No mundo cristão, Deus nos chama pelo nome. Antes, eu era conhecido como mestre Gil Malhado, hoje sou chamado de mestre pastor Gilson. Não preciso me camuflar”, explica ele, que faz parte da Igreja de Cristo Ministério Apostólico.

 

“Anos atrás, eu enfrentei muita dificuldade para levar a capoeira para a igreja. O pastor batia a porta na minha cara, dizia que era coisa da macumba, que não podia. Hoje eu sou pastor e as portas se abriram”, conta também.

Segundo o mestre Suíno, a adoção do termo “gospel” fez parte desse processo de quebrar resistências. Era uma forma, observa, de convencer os pastores que a capoeira podia ser praticada dentro dos valores cristãos.

Hoje ele próprio repudia esse “rótulo” por causa da polêmica que tem gerado. Suíno afirma que, apesar de haver algumas práticas próprias da capoeira cristã, sua “essência” de capoeira é a mesma.

“Não existe capoeira gospel! Não queremos bagunçar a capoeira. Nós respeitamos os mestres, respeitamos os fundamentos da capoeira, respeitamos as tradições, e vamos defender porque quem não defende a capoeira não tem direito de ser capoeirista”, discursou, empolgado, durante o evento no Gama, cujo lema era “minha cultura não atrapalha a minha fé”.

 

Constante mutação

 

Diante da polêmica, o historiador da capoeira Matthias Röhrig Assunção ressalta que a prática já passou por muitas transformações desde seu surgimento.

Hoje, há três vertentes principais: a angola (mais lenta e gingada, tida como a mais próxima da “original”), a regional (mais acelerada, que incorpora movimentos de lutas marciais) e a contemporânea – uma mistura das duas primeiras que surgiu no Sudeste a partir dos anos 70 e foi o estilo que conquistou o mundo.

“Acho que capoeira tradicional não existe mais, todos (os estilos) são modernizados”, resume Assunção, que é professor do departamento de história da Universidade de Essex, na Inglaterra.

Embora não simpatize com a ideia de uma capoeira evangélica, o professor afirma que não se trata do primeiro processo de “apropriação” da prática.

“A capoeira gospel me parece ser mais uma estratégia desses grupos religiosos de ocuparem espaços e de ganhar adeptos, mas não vejo como parar isso, não tem como proibir”, observou.

“Historicamente, houve muitas apropriações da capoeira. Há uma apropriação nacionalista forte, rodas no exterior com as bandeiras do Brasil, o verde e o amarelo, por exemplo, em que a origem da capoeira, a história de resistência e a ligação com os africanos escravizados muitas vezes não têm destaque algum”, pondera.

 

Fonte: BBC – http://www.bbc.com/