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Lutador com projeto social é o Madureira, personagem de “Malhação”, da vida real

Lutador com projeto social é o Madureira, personagem de “Malhação”, da vida real

Quando tinha 15 anos, Marcos Pakito já estava com a enxada na mão batalhando por um futuro melhor. Capinava os terrenos da vizinhança no Sargento Roncalli, em Belford Roxo. Fazia o serviço rapidinho e corria para a sede da associação de moradores. Lá, o garoto ficava sentadinho assistindo ao Mestre Ninguém dar aulas de capoeira. Um dia, o professor o convidou para participar da aula e ele explicou que não tinha dinheiro. A resposta do capoeirista mudaria toda a sua vida:

— Ele disse que eu podia fazer porque ninguém pagava nada, não. Ali eu pensei que eu queria ter um projeto social também para retribuir — conta o agora Mestre Pakito, de 45 anos, depois de um carreira como lutador profissional de muay thai e finalmente conseguir abrir a sua escolinha gratuita de luta, no bairro Andrade de Araújo.

Da capoeira, ele passou para o muay thai, aos 18 anos, e foi nessa modalidade que fez a vida. Foi bicampeão Brasileiro, teve 15 lutas profissionais com apenas três derrotas e depois passou a dar aula. Primeiro, ficou empregado nas academias. Mas aquilo o incomodava. Ele queria dar aulas de graça para quem precisava. Conseguiu há três anos, quando criou o Escola de Campeões.

— Eu tinha que ajudar a minha mãe, e aí não podia me dedicar somente ao projeto social. As coisas foram melhorando, consegui parceiros e agora posso me dedicar a esses alunos — conta Pakito, que também dá aulas gratuitas no Faixa Preta de Jesus, de Nova Iguaçu, um dos maiores projetos sociais da Baixada: — Agora meus garotos estão continuando a minha caminhada.

Lutador com projeto social é o Madureira, personagem de "Malhação", da vida real Capoeira Portal Capoeira

A história do lutador de Belford Roxo poderia ter inspirado a criação de Madureira, o personagem de Henri Casteli, na atual temporada de “Malhação”, da TV Globo. Na novela, o ator interpreta a vida do rapaz que venceu na vida após aprender muay thai com um mestre e, para retribuir, resgata jovens de áreas carentes com o esporte.

— Fui criado na periferia de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, onde nasci e fui criado em volta de duas favelas. Já teve um momento em que policiais acharam que eu não morava lá. Falaram para mim: “Não era para você estar aqui. Não tem de se misturar”, tudo porque eu era louro de olho claro. Eu respondi que eles eram meus amigos da escola — conta Henri Casteli , que se mudou para Duque de Caxias no começo da carreira para a fazer os primeiros trabalhos como ator no Rio.

O Madureira da vida real conhece bem as dificuldades pelas quais passam os personagens adolescentes que chegam ao projeto social da “Malhação”. Pakito conta que tem orgulho quando vê um dos seus garotos mudando de vida através da luta.

—Eu seria o cara mais feliz do mundo se conseguisse colocar um aluno meu para lutar no Glory, o maior evento da modalidade. Mas eu não penso nisso. Se eu pegar uma criança dessa e ela virar um cidadão, já é a melhor coisa para mim — diz Pakito: — O que eu quero é recuperar a criança que vem da comunidade, do vício, de querer matar, roubar. Eu quero trabalhar a cabeça dela e mostrar que a vida não é isso. Tenho alunos assim, que agora são trabalhadores, estão no quartel. Essa é a ideia. É a melhor ideia do mundo para mim. Pensar que eu tirei do tráfico e hoje eles são pai de família respeitados.

Além de vencer na vida, os alunos da Escola de Campeões estão vencendo nos ringues. Walace Marcos, de 22 anos, o Mascote, já ganhou, entre outros, o Carioca, o Brasileiro e o Pan-Americano. Já Joyce Lima, também de 22, levou um estadual, uma Liga Carioca e uma série de campeonatos menores.

— Mas o esporte não é só para quem quer lutar, seguir carreira. O muay thai é ótimo para a saúde e o condicionamento físico. Mantém eles ativo, tira das ruas, afasta das drogas — conta Pakito: — Para quem quer perder peso e não quiser fazer academia também é ótimo porque os músculos ficam ativos. E não só para os jovens, mas todas as idades podem ser beneficiadas. A pessoa sedentária que começa a treinar vai querendo fazer cada vez mais.

Fonte: https://extra.globo.com/noticias

Capoeira: O Último Movimento Novo

Capoeira: O Último Movimento Novo

O “Movimento Novo” da Capoeira foi um encontro cultural anual organizado com o objetivo de promover a união e a troca de conhecimentos em um ambiente de comunhão e aceitação das diferenças.

Nascido em 2008 e finalizado em 2018, O Movimento Novo se caracterizou pela qualidade dos jogos e da música; pela filmagem e edição profissional dos vídeos na Internet; pelo incentivo a uma cultura de aceitação das diferenças; pelo cuidado ao bem-estar físico e emocional dos participantes e pelo protagonismo dos jovens.

Os eventos do Movimento Novo marcaram a capoeiragem da segunda década do século 21, influenciando toda uma geração, tanto na forma de jogar, quanto na forma de pensar.

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Histórico do Movimento Novo

Em 2008, três jovens capoeiristas (Itapuã, Ferradura e Lobisomem) se reuniram informalmente para conversar sobre questões como:

“Por que não existem mais diversas rodas de rua como na década de 70?”; “Por que capoeiristas de escolas diferentes não se encontram sem que a roda acabe em violência generalizada?”, “O que podemos fazer para mudar este cenário?”.

A partir destes questionamentos, decidiram fazer uma roda com um máximo de 30 capoeiristas convidados, de estilos diversos, que trouxessem diferentes experiências para compartilhar.

A primeira edição do Movimento Novo, em 2008, trouxe estas reflexões. Durante a roda, vários jogos interessantes foram filmados e divulgados na internet. Os 3 mais vistos foram estes:

É interessante notar que o vídeo mais visto em 2008 teve, à época, milhares de visualizações na recém divulgada rede do Youtube, algo que ainda era totalmente inovador. Vale lembrar que estamos falando dos primórdios da rede de compartilhamento de vídeos, popularizada apenas dois antes do primeiro Movimento Novo. Não havia celulares com câmeras e poucos capoeiristas postavam vídeos.

No ano seguinte, o Movimento Novo estourou na web. O vídeo mais visto foi este.

Analisando a quantidade atual de visualizações, vemos um crescimento total de 2000%, ou seja, de 25.000 views em 2008 para 500.000 views em 2009.

Na sequência, vieram outros jogos das edições seguintes, sempre com a marca de centenas de milhares de visualizações, como:

Com a vinda de vários participantes de forma contínua, decidiu-se fazer um CD, gravado de forma colaborativa e registrado em vídeo, com extratos como este:

Críticas ao Movimento Novo

Como era de se esperar, o Movimento Novo não veio sem enfrentar críticas, que variavam de frases como “primeiro tem que aprender o movimento velho para depois fazer o novo” até “o ritmo favorece os angoleiros”, passando por acusações de “desvirtuação da tradição” ou de “superexibição” dos participantes.

Era normal que o evento chocasse os mais conservadores. Afinal, o Movimento Novo não era um “grupo” ou um “estilo” de Capoeira; não “filiava” capoeiristas; não tinha fins lucrativos; não usava uniforme nem emblemas; não tinha uma hierarquia com liderença centralizada nem planos de expansão. Fora isso, utilizava a nascente mídia da Internet para divulgar os jogos em um momento em que isto não existia.

Todas estas “novidades” chocavam aqueles que não entendiam que o Movimento Novo simplesmente recriava o ambiente das antigas rodas de rua, onde ninguém mandava em ninguém e todos se confraternizavam para vadiar.

No fim, o que era para ser apenas um encontro de jovens cariocas se tornou um conceito inovador que marcou toda uma geração.

Mas como isso foi acontecer?

Em 2008 a grande questão dos organizadores era conseguir reunir jovens que nunca haviam convivido e que eram separados por ideologias de grupo.

Politicamente, os idealizadores do MN cresceram no mundo pós-guerra fria, onde já não fazia sentido o pensamento muito polarizado, como entre capitalismo e comunismo. Viram o nascimento da aldeia global integrada pelos celulares e pela internet e viveram no Brasil pós-ditadura, com liberdade de imprensa e de expressão.

Em termos econômicos é a primeira geração que conseguiu ganhar a vida somente dando aulas de Capoeira; a que viveu o período de maior violência, de 1990 a 1995, a ascensão da Capoeira como moda, de 1995 a 2000, e o declínio dos anos de ouro desta mesma moda, de 2000 a 2005.

A geração seguinte já foi diferente.

A galera que nasceu entre 1990 e 2000 nunca viu a Capoeira estourar como moda. Não assistiu semanalmente o mestre-e-modelo Beto Simas “Boneco” nos programas da Globo. Tampouco viu as estrelas populares da época, como Tiazinha ou Feiticeira, estampadas nas diversas revistas especializadas disponíveis em bancas de jornal Brasil afora.

Novela “Quatro Por Quatro” (1994), com Mestre Beto Simas Boneco na abertura

Novela “Malhação”, com Mestre Beto Simas Boneco (1996)

 

“Tiazinha” praticando Capoeira (1998)

“Feiticeira” na capa da Revista Capoeira (1998)

Esta geração também não viu quando o filme “Esporte Sangrento” e o videogame Tekken impulsionaram a Capoeira no exterior, abrindo um novo mercado de trabalho para os capoeiristas.

 

“Eddie Gordo”, do game “Tekken” (1997)

“Esporte Sangrento” ou “Only the strong” (1993)

Em termos políticos e econômicos, esta galera viveu o boom do Brasil democratizado no pós-plano real e a ampliação do acesso a Internet, consequentemente assistindo a milhares de vídeos no youtube, dos mais diversos capoeiristas.

É a geração que bebeu na fonte do Movimento Novo, assistindo a dezenas de vídeos do Ferradura, do Itapuã, da Tatiana, da Gege, do Guaxini etc., além de ter tido acesso a todo o repertório de vídeos da Capoeira antiga.

Este pessoal filma e posta os seus próprios vídeos nas redes sociais, fazendo tutoriais de movimentos e se integrando digitalmente com capoeiristas de todo o mundo. É uma geração que joga Capoeira misturando vários estilos e que nem sabe o que quer dizer a palavra “saroba” (Nota: Se você não sabe o que quer dizer a palavra “saroba”, procure algum velhinho de 40 anos e pergunte).

Quais os desafios do Movimento Novo atualmente?

A “era dos brutamontes” da Capoeira passou. Hoje em dia é raro ver um capoeirista “cravar” o outro de cabeça no chão ou mestres enviarem seus alunos para “fechar” a roda dos outros.

Podemos dizer que hoje em dia a Capoeira já está integrada. A maior parte dos capoeiristas procura reunir-se com pessoas de outros grupos e compartilhar experiências. Hoje, já há dezenas de rodas espalhadas pelo Brasil onde se comungam valores como integração, respeito e harmonia.

Entretanto, apesar de todo este avanço, ainda há questões grandes para os jovens de hoje, as maiores delas ligadas às lutas sociais que enfrentamos no Brasil, como machismo, homofobia, racismo e outras formas de relação opressiva.

Ainda hoje, podemos fazer perguntas como:

De que adianta juntar 150 capoeiristas de todos os sexos em um evento e ter somente homens em posições de poder?

De que adianta falar de Capoeira como integração e seguirmos discriminando gays, lésbicas e transexuais? (Se você tem dúvida em relação a isso, pense em quantas referências homossexuais você conhece na Capoeira e quantas você vê no Teatro, no Cinema, no Circo, na Dança e nas demais artes plásticas ou corporais).

De que adianta falar de cultura negra e apoiar políticos declaradamente racistas?

De que adianta formar jovens lideranças, se mantivermos os velhos padrões? De que adianta vivermos somente para reproduzir o que já estava errado?

A cultura, no Brasil de hoje, terá cada vez mais um papel político de resistência, onde os jovens terão que abrir novos caminhos e desafiar velhos dogmas. Como vão fazer para não reproduzir a opressão pedagógica, a militarização do ensino e a falta de abertura para o diálogo? Como vão vai lidar com o racismo, com o sexismo, com a LGTBfobia e a discriminação entre os próprios capoeiristas?

Como vão fazer para fazer diferente?

Estas e outras respostas são desafios aos jovens. Serão eles os responsáveis pelo futuro da Capoeira. E foi por isso que a edição de 2018 marcou o fim do ciclo Movimento Novo. A maior parte dos participantes fundadores do MN hoje tem entre 35 e 50 anos. Já não são exatamente tão “jovens”. Os futuros líderes tem como fazer mais e melhor. Suas cabeças são mais abertas e sua Capoeira mais disponível. O terreno está fértil para que novos movimentos sejam feitos.

Como foi o último Movimento Novo?

Diferentemente dos outros eventos, a última edição teve inscrição aberta pela Internet e uma seleção que levava em conta o gênero, a raça e a idade.

Um ciclo de palestras abria cada dia do evento e as rodas priorizavam a autogestão e a participação democrática, tendo parcelas muitas vezes negligenciadas -jovens e mulheres- como protagonistas em todo o processo.

Os debates sobre as questões sociais foram tão importantes quanto as rodas em si, promovendo uma cultura de convesa e compartilhamento de experiências que promete influenciar o comportamento de todos que participaram.

Mensagem final dos organizadores do Movimento Novo

Quem quiser fazer diferente deve saber que receberá críticas, pois o poder instituído sempre reagirá frente à mudança. Esperamos que estas críticas não os levem ao imobilismo.

Queremos estar juntos! Nos convidem para seus novos movimentos e contem conosco!

Axé,
Ferradura, Itapuã e a galera do Movimento Novo.

PS – Segue abaixo a última palestra, onde Ferradura fala um pouco do que pode ser o futuro do Movimento Novo:

 

Sobre um bárbaro feminicídio em Cachoeirinha e sobre tantos outros

Sobre um bárbaro feminicídio em Cachoeirinha e sobre tantos outros

(por Aline Kerber*)

O triste feminicídio que ocorreu há uma semana em Cachoeirinha chocou muitos de nós. O Mestre de Capoeira Sombra, então com 42 anos, matou a sua esposa e mãe de sua filha de 2 anos, Luciane Guarezi, a facadas, supostamente por ciúmes, depois de fazê-la refém de cárcere privado por dois dias, conforme confirmaram pessoas próximas da vítima. Não houve mediações e registros policiais, pelo que se tem notícias. Os amigos e familiares não sabiam da gravidade e tampouco poderiam imaginar uma tragédia como esta, muito menos o Estado, fundamentalmente porque o Mestre Sombra foi sempre um homem íntegro, discreto, amigável, dócil, humanista e líder.

Vindo de uma família de poucos recursos financeiros na Granja Esperança em Cachoeirinha, desde novinho ele venceu e subverteu a sua condição com a ginga da capoeira e com a habilidade de reunir e liderar crianças e adolescentes da periferia através de projetos sociais. Esse trabalho transformou e salvou muitas vidas, sobretudo negras, e eu acompanhei bem de perto o início da trajetória dele. Fomos amigos por alguns anos na minha adolescência, pois ele frequentava a mesma academia que eu, no centro da cidade de Cachoeirinha, onde amigos agora choram pela incompreensão, pelo desalento e pela falta de palavras para nominar tamanha tragédia.

Ninguém entende esse crime horrendo. Quem busca respostas faz questionamentos totalmente errados, como este: “o que a esposa dele fez para isso acontecer?”. Outros dizem em posts nas redes sociais: “entre quatro paredes ninguém sabe o que aconteceu, ela pode ter provocado algo que lhe deixou transtornado e fora de si…”. Sabem o que motiva essas expressões? O mesmo que fez com Sombra matasse? Machismo. E desamor.

No machismo não se concebe a autonomia do outro, busca-se controlar as roupas e comportamentos da mulher, mensagens de celular, pensamentos, relações e convívios. Começa de forma sutil e termina, não raro, em morte.

Exatamente o que o Sombra não demonstrava aos seus amigos, familiares, alunos e mestres com os quais se relacionava. O Sombra e boa parte dos feminicidas têm esse perfil. Note-se que “Dica”, como era conhecido nos tempos de academia que frequentávamos nos anos noventa, era um grande educador social, guardava um sorriso e um abraço para cada pessoa, até externar a sua fúria, a sua raiva, o seu ódio e a sua crueldade nesse episódio que o levou à prisão em flagrante por conta do feminicídio praticado no fatídico sábado de 22 de dezembro deste ano que nunca termina.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Dica conseguiu algo muito difícil para um jovem negro de uma periferia brasileira como ele: sobreviver, sobreviver sem ser preso, sem se envolver com o crime e não ter sido vítima de um assassinato, quando jovem. É importante considerar que ele foi um case de jovem negro e pobre que conseguiu traçar a sua vida longe do crime, das drogas e das armas, sendo uma inspiração para muitos jovens da Região Metropolitana de Porto Alegre por conta da capoeira. A contrário senso, ele foi protagonista por 20 anos de uma história exemplar de superação e de inclusão social através da arte e do esporte.

Não morreu somente a Luciane, morreu simbolicamente também o Sombra. Agora, um feminicida que demonstrou o tamanho do seu machismo, da banalização da vida, inclusive em relação à da sua filha Mariana. No entanto, creio, não estamos condenados eternamente aos nossos fracassos. Não desejo isso a ninguém e nem a ele. Espero profundamente que o Dica e todos os que estão à sua volta entendam o que aconteceu para o cometimento desse crime letal de gênero que vitimizou a Luciane e, pelo menos, outras 600 mulheres no RS nos últimos 7 anos, para que seja possível prevenir e enfrentar de forma mais séria e eficaz as violências contra as mulheres. Esse tipo de violência que atinge mulheres e outras vítimas diretas e indiretas, incluindo o homem feminicida e os homens que o cercam, sobretudo os mais jovens, filhos, sobrinhos e afilhados – para que não se reproduza esse mesmo padrão como mecanismo de elaboração dessa lástima feminicida.

Só superaremos essa problemática também coletiva se reduzirmos as desigualdades entre homens e mulheres, se respeitarmos as diferenças, os fracassos e até mesmo traições conjugais, reais ou imaginárias, por meio do diálogo aberto e amoroso, sobretudo com as pessoas com quem convivemos.

Os homens precisam abandonar essa “sombra” do machismo e sair da caverna, como nos ensinou Platão. De mestres de capoeira a ex-prefeitos, ninguém está livre da cultura patriarcal que habita em nós. Conhecer-se. Perdoar-se. Perdoar os outros. Persistir e reinventar-se!

Dica, como te conheci, reescreva tua história com músicas de capoeira, pois um Mestre pode lutar contra essa sina de tantos sofrimentos que maculam vidas promissoras, mesmo que a roda de capoeira seja na prisão. Viver na “sociedade do desempenho e do cansaço” e não na do “sangue” como insígnia de poder vai te custar bastante caro. E, ainda assim, não trará a vida da Luciane. Haverá luzes para além da escuridão que as tuas sombras desconhecem…

O que mais dizer aos seus alunos e seguidores? Nada pode justificar essa violência brutal. Isso é certo! Somos todos violentos. Precisamos reconhecer nossos medos, frustrações e tristezas para seguirmos, de forma saudável, com amor e liberdade, a gingar pelas rodas da vida. Precisamos de todos e todas nessa luta política de salvar vidas contra o machismo que assassinou e interrompeu de vez a vida de mais uma mulher na Região Metropolitana de Porto Alegre, assim como o da Lucia Valença, morta pelo ex-prefeito, Toco, de Estância Velha, que logo após se suicidou no litoral norte como para afogar a sua culpa por tamanha violência de gênero.

 

(*) Socióloga, Especialista em Segurança Cidadã, Diretora Executiva do Instituto Fidedigna.

 

Fonte: https://www.sul21.com.br/  – Aline Kerber

Grafites em muros de Salvador homenageiam mestre Moa do Katendê

Grafites em muros de Salvador homenageiam mestre Moa do Katendê; morte do capoeirista completa 1 mês

Por Valma Silva, G1 BA

Ilustrações com a imagem de Moa estão presentes em diferentes pontos da capital baiana.

Um mês após a morte capoeirista Moa do Katendê, soteropolitanos têm homenageado o baiano de várias formas. Uma delas é através do grafite. Em diferentes pontos de Salvador, é possível ver o rosto do ‘Moço lindo do Badauê’estampando muros, trazendo colorido para as ruas e também relembrando o assassinato que tirou o mestre da roda de uma forma brutal.

Romualdo Rosário da Costa, o Moa do Katendê, tinha 63 anos quando foi assassinado no dia 8 de outubro, após se envolver em uma discussão sobre política, horas após a votação do primeiro turno das eleições.

Moa teria completado 64 anos no dia 29 de outubro, se estivesse vivo. “É triste saber que um assassino acabou com a vida do meu tio, acabou com uma família, por um motivo tão banal. Mas a gente encontra força espiritual e nas pessoas que estão lembrando dele o tempo todo”, diz Renilda Costa, sobrinha da vítima [veja abaixo entrevista dela ao G1].

Sobrinha de Moa do Katendê fala sobre morte do tio, um mês após o crime

Sobrinha de Moa do Katendê fala sobre morte do tio, um mês após o crime

Uma das homenagens está no Colégio Estadual Victor Civita, que tem 300 estudantes. A escola fica no Dique Pequeno, onde vive parte da família de Moa e também perto do local onde aconteceu o crime.

A diretora Rodrenice Santana Borges conta que um grupo chamado Canteiros Coletivos se ofereceu para limpar o terreno perto da escola, que estava se transformando em um lixão. “Eles estavam fazendo um workshop de jardinagem bem na época do crime, então os estudantes tiveram a ideia de batizar o jardim com nome de Moa”, detalha.

A partir daí, a diretora decidiu renovar a pintura o muro da frente da escola com uma imagem do homenageado. O trabalho foi feito pelo arte educador Rodrigo Menezes e pelo grafiteiro Nailton dos Santos. A ilustração levou cinco horas para ser finalizada pela dupla, que se sente orgulhosa do resultado final, assim como os alunos.

“Os alunos ficaram encantados, porque estão homenageando uma pessoa próxima da realidade deles, que muitos conheciam. Isso renova a autoestima de toda a comunidade escolar”, diz Rodrenice.

Grafites em muros de Salvador homenageiam mestre Moa do Katendê Capoeira Portal Capoeira

 

Grafite Mestre Moa — Foto: Valma Silva / G1 BA

A diretora revela que Moa tinha visitado a unidade poucos dias antes de ser morto, para agendar uma roda de capoeira e uma aula de cultura afrobrasileira no local, porém, o evento não chegou a ser realizado. Uma faixa também foi colocada por amigos de Moa que viviam no bairro, em um campo de futebol que fica em frente à escola.

Familiares de Moa visitaram o colégio no dia em que o muro e o jardim ficaram prontos, há uma semana. “Esse é um gesto de solidariedade muito bonito. Estamos recebendo manifestações de várias partes do Brasil e do mundo, mas ter esse acolhimento da comunidade traz um conforto maior para a nossa perda”, comenta Jaci Mahin Reis da Costa, uma das filhas do mestre Moa.

Pequeno jardim foi criado por estudantes em uma área estava virando lixão; espaço foi batizado com o nome de Moa do Katendê — Foto: Valma Silva / G1 BA

Pequeno jardim foi criado por estudantes em uma área estava virando lixão; espaço foi batizado com o nome de Moa do Katendê — Foto: Valma Silva / G1 BA

Outro grafite em homenagem ao capoeirista foi concluído no último fim de semana, na Escadaria do Paço, que fica no Centro Histórico de Salvador. A arte de Bruno Wiw virou ponto turístico, com grande movimento de pessoas tirando fotos.

“Eu pinto esse mural há cinco anos, sempre abordando um tema crítico e social, que chame a atenção das pessoas. Esse ano, retrataria uma família de retirantes sertanejos, mas quando ocorreu a morte do Mestre Moa, decidi adaptar um pouco o tema”, relata.

Grafite homenageia o Mestre Moa do Katendê — Foto: Valma Silva / G1 BA

Grafite homenageia o Mestre Moa do Katendê — Foto: Valma Silva / G1 BA

Bruno manteve a ideia original da pintura, entretanto, incluiu a figura do capoeirista como o chefe da família.

“Representa a família dele, a nossa, os alunos dele na capoeira, o povo brasileiro. Todos somos vítimas dessa violência e da intolerância”, comenta.

Também foram deixadas as plantas coloridas, que já estavam pintadas antes do crime acontecer. “As cores trazem vida, alegria, enfim, tudo que Moa trazia para a sociedade com o trabalho dele”.

O grafiteiro Bruno Wiw pintou mural na Escadaria do Paço, no Centro Histórico — Foto: Bruno Wiw / Arquivo Pessoal

O grafiteiro Bruno Wiw pintou mural na Escadaria do Paço, no Centro Histórico — Foto: Bruno Wiw / Arquivo Pessoal

Caso

Moa do Katendê foi morto a facadas em um bar, após se envolver em uma discussão sobre política, horas depois da votação do primeiro turno das eleições. O suspeito do crime é Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36 anos, que está preso no Complexo Penitenciário da Mata Escura.

No dia 22 de outubro, a Justiça da Bahia aceitou a denúncia do Ministério Público do estado e o tornou réu. Paulo Sérgio é acusado de homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima.

Além disso, por ferir Germínio do Amor Divino Pereira, de 51 anos, primo que tentou defender o capoeirista das agressões, o barbeiro é acusado de tentativa de homicídio duplamente qualificado. O caso está no 1º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri e ele pode ir a júri popular.

Moa do Katendê foi morto a facadas após discussão por política — Foto: Reprodução/Facebook

Moa do Katendê foi morto a facadas após discussão por política — Foto: Reprodução/Facebook

Moa foi fundador do grupo de afoxé Amigos do Katendê e um dos maiores representantes do gênero da Capoeira de Angola. Era militante das causas do povo negro e defensor da cultura afrobrasileira, através da música e da educação. Também era dançarino, músico e artesão.

A morte dele comoveu todo o Brasil. Artistas como Caetano VelosoGilberto GilChico César e Daniela Mercury lamentaram o fato nas redes sociais. Em Salvador, a missa de sétimo dia foi marcada pela participação de capoeiristas, na tradicional Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Nos dias 10 e 16 de outubro, grupos culturais grupos culturais se reuniram no Pelourinho para homenageá-lo e foram acompanhados por uma multidão de baianos e turistas. No dia 18 de outubro, foi a vez do astro do rock Roger Waters reverenciá-lo durante show para mais de 28 mil pessoas na Arena Fonte Nova.

Mestre Moa é o homenageado deste ano na Semana da Igualdade Racial, realizada entre os dias 6 e 9 de novembro em Salvador. O evento reúne representantes do movimento negro e gestores públicos para discutir políticas afirmativas. A ação faz parte das comemorações pelo Novembro Negro, mês de conscientização e valorização da cultura afrobrasileira.

Moradores do Dique Pequeno fizeram homenagem ao Mestre Moa do Katendê — Foto: Valma Silva / G1 BA

Moradores do Dique Pequeno fizeram homenagem ao Mestre Moa do Katendê — Foto: Valma Silva / G1 BA

 

Fonte: https://g1.globo.com

Por Valma Silva, G1 BA

Anatomia de um prêmio em 12 facadas

por Mauricio Acuna

Misteriosamente, o Badauê surgiu
Moa do Katendê

 

1. Hoje ganhei um prêmio: Menção Honrosa de melhor tese em Ciências Humanas da USP. Reconhecimento de excelência em pesquisa em uma das melhores universidades do mundo;

Anatomia de um prêmio em 12 facadas Capoeira Notícias - Atualidades Portal Capoeira 1

2. Trabalho escrito por mãos que aprenderam a escrever na escola pública em São Bernardo do Campo, e que apertaram muitas outras mãos sonhadoras em cursinhos populares pré-vestibular. Trabalho estimulado por mãe, irmã, companheira, sobrinha, amigas: muitas mulheres. Trabalho nutrido por mestres de capoeira e suas criações infinitas com os corpos e os instrumentos: muitas artes afro-brasileiras. Trabalho que ganhou a cara de uma das melhores e mais conservadoras universidades públicas do Brasil, mas com as marcas da diferença e dos diferentes que, cada vez mais, participam das aulas com a cabeça erguida pelo direito conquistado;

3. A tese que ganhou esta menção honrosa conta a história de um dos grandes mestres de capoeira nascido no Brasil e mundialmente reconhecido: Vicente Ferreira Pastinha, Mestre Pastinha. Também conta a história de seus saberes subalternizados e racializados. Conhecimento marginal das letras e das gingas. Briga antiga da cidade letrada e das quebradas gingadas;

4. Foi sem o reconhecimento acadêmico, e com muito pouco apoio do Estado em suas várias instâncias, que centenas de mestres contribuíram ao longo de muitas décadas, para a transformação da capoeira em Patrimônio Mundial da Humanidade em 2014, reconhecida pela Unesco;

5. Moa do Katendê, um desses mestres, foi brutalmente assassinado domingo, 7 de outubro de 2018, como efeito trágico da nossa democracia envenenada;

6. “Oi sim, sim, sim, Oi não, não, não

7. Assim ensinam os capoeiras em uma de suas mais famosas canções. Mas não se enganem, o verso é uma pequena, mas poderosa fórmula na “pedagoginga” – como ensina Allan da Rosa. Cantar esses versos inspira a diplomacia da ginga, a capacidade de se mover entre os contrários, de não se reduzir aos opostos;

8. Como uma forma de democracia, a capoeira hoje é a arte do discordar sem exterminar. Mas não se parece com a nossa democracia de milícias afiadas;

9. Em 2004, Gilberto Gil, o sábio Ministro da Cultura, propôs na ONU, a capoeira como uma “tecnologia social” para a paz. Eis que, mais de uma década depois, ela é ensinada em campos de refugiados noCaribe, África e Oriente, participando, significativamente, junto ao problemas globais das migrações e das catástrofes causadas pelas mudanças climáticas;

10. Como filho de exilados políticos da ditadura assassina no Chile, eu me pergunto se nós, brasileiros, aprenderemos algum dia novamente com os mestres, como se constrói democracia e participação?

11. Que toquem os berimbaus e atabaques, entre terra e céu para Mestre Moa do Katendê. Quem sabe ele joga com Mestre Pastinha, e é assistido por Marielle: “oi, sim, sim, sim…oi, não, não, não”.

12. Democracia sim, cultura sim, liberdade sim….milicianos não, tortura não, extermínio não.

 

12 de outubro de 2018. Dia de Oxum e de Nossa Senhora Aparecida.

Mestre Moa do Katendê

Veja Também: Tese de Doutorado

DOI: 10.11606/T.8.2018.tde-18042018-100742

Mestre Moa do Katendê: O triste e covarde fim de um capoeira.

Mestre Moa do Katendê: O triste e covarde fim de um capoeira.

Mestre Moa do Katendê, um dos maiores mestres da nossa cultura popular, foi covardemente assassinado por sua postura antifascista.

Esfaqueado pelas costas, numa discussão política, Romualdo Rosário da Costa, 63 anos, mais conhecido como Mestre Moa, que sempre esteve a frente do seu tempo, nos deixa em um momento social e político extremamente delicado. O crime ocorreu por volta da meia-noite, na comunidade do Dique Pequeno, no Engenho Velho de Brotas.

Um pouco de cada capoeirista morre esfaqueado hoje! Mas não morrem as ideias de Mestre Moa, representante da cultura negra e da postura política necessária.

História

Mestre Moa do Katendê nasceu em Salvador, em 29 de outubro de 1954, no Bairro Dick do Tororó, Vasco da Gama, próximo ao Estádio Fonte Nova. Teve o privilégio de vir ao mundo, justamente, na terra que também é berço de grandes mestres da capoeira, tais como; Mestre Pastinha, Mestre Bimba, Mestre Gato, Mestre Canjiquinha, Mestre Valdemar e tantos outros. Mestre Moa foi aluno diplomado pelo mestre Bobó. Iniciou-se na arte da capoeira aos 8 oito anos de idade na Academia Capoeira Angola 5 estrelas.

Entretanto, às vezes, é necessário a um mestre, sair de sua terra, deixar as sementes de suas origens, para plantá-las em outras terras. Misteriosos: assim são os caminhos da vida. No momento não compreendemos porque uma coisa tem que ser de um jeito e não de outro, mas depois, com o decorrer do tempo, tudo se torna claro como as cristalinas águas que se abrem em véus ao cair das cachoeiras, no meio das matas.

Isso também aconteceu com o capoeirista baiano, como conta o site Angola Angoleiro Sim Sinhô:

“Aos 16 anos Môa do Katendê se afastou da capoeira angola e desenvolveu diversos trabalhos em grupos folclóricos, como o “Viva Bahia” e o “Katendê”. O desejo de disseminar seu trabalho com a cultura afro brasileira o levou a viajar para o Sul do país. Em 1984 foi para o Rio de Janeiro onde começou a ensinar a capoeira angola para não parar de treinar. De lá viajou para Porto Alegre e ajudou a implantar a dança afro no Rio Grande do Sul, até então desconhecida”.

Cumprida essa missão, Moa retornou à Bahia para dar continuidade aos trabalhos em sua terra natal.

Mestre Moa do Katendê: O triste e covarde fim de um capoeira. Capoeira Portal Capoeira 1

Desde que foi chamado pelas forças astrais superiores para defender para defender os valores e a cultura de seu povo, Mestre Moa tem se esforçado por ser um facho que brilha sobre o mundo das culturas, cujo berço tem origem na Mãe África. Imbuído dessa missão, Mestre Moa seguia pelo Brasil e pelo mundo desenvolvendo palestras, workshops e cursos no Brasil e no exterior, nos quais mostrava as riquezas da cultura afro-brasileira.

Mestre Moa do Katendê: “A capoeira me ensinou tudo isso e um pouco mais”

Capoeira é tudo que move para mim. É uma cultura rica, uma cultura dos ancestrais que eu procuro, sempre que posso, cultuar, zelar, transmitir conhecimentos. Na verdade, o conhecimento foi dado pelo meu mestre, daí eu sigo pelo mundo, sempre que posso, divulgando.

 

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CAPOEIRA E POLÍTICA: De Que Lado Você Está?

 

 

Alagoas: Inscrições para edital do Ginga Capoeira são prorrogadas

Alagoas: Inscrições para edital do Ginga Capoeira são prorrogadas

As inscrições da chamada pública destinada à seleção das instituições culturais que irão atuar na coordenação de oficinas, instrução e monitoramento do Projeto Ginga Capoeira, promovido pela Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac), foram prorrogadas. O novo prazo, conforme publicação no Diário Oficial do Município (DOM), é dia 19 de outubro.

Ao todo, serão selecionados um profissional para coordenação de oficinas, oito coordenadores de núcleo  e oito monitores, que irão atuar no projeto durante um período de oito meses.

Serão investidos R$ 110 mil no projeto, que tem como objetivo promover rodas de capoeira e a formação de núcleos para atuar, principalmente, nas escolas da Rede Municipal de Ensino. As inscrições podem ser feitas das 8h às 14h, na sede da Fundação, na Avenida da Paz, no bairro Jaraguá.

 

Confira o edital e seus anexos:

Edital

Anexos

Fonte: Ascom Fmac

Quem Tem Medo Da Capoeira Gospel?

Quem Tem Medo Da Capoeira Gospel?

Na última semana bombaram na net as diversas opiniões a respeito da Capoeira Gospel. Uns, defendendo a ideia de liberdade religiosa; outros, atacando veementemente o que seria uma apropriação cultural.

Há tempos a polêmica acerca deste fenômeno vem indo e vindo, com mais ou menos força. Neste outro artigo já havíamos falado brevemente sobre isso: http://www.capoeirariodejaneiro.com.br/pb/geral/capoeira-polemicas/

 

Agora, o estopim das reações apaixonadas foi este vídeo, onde supostos praticantes do “estilo gospel”, vestidos com camisas de Capoeira e tocando os instrumentos típicos fazem um sessão de culto, onde alguns deles parecem estar incorporados por uma força espiritual.

 

 

Mas o que é a Capoeira Gospel?

 

 

Historicamente, os mestres tradicionais de Capoeira eram praticantes das religiões de matriz africana. De Bimba a Pastinha, de Caiçara a Cobrinha Verde, todos os mestres estavam inseridos em um contexto onde a “mandinga” não era somente um termo relacionado ao jogo, mas principalmente um modo de se colocar no mundo, intimamente ligado ao candomblé.

Com o fortalecimento do avanço das religiões pentecostais nas comunidades populares pelo Brasil afora, a partir da década de 1980, muitos mestres de Capoeira abraçaram o evangelho, abandonado as antigas religiões de matriz africana a que pertenciam.

Alguns, como Mestre João Pequeno, seguiram conduzindo a Capoeira sem a misturar com a sua nova crença; outros abandonaram a prática, considerando-a incompatível com a postura que se espera de um cristão; um outro grupo a adaptou e reinventou a forma de se enxergar a Capoeira, conciliando a atividade religiosa com a cultural. Este último grupo é o que vem sendo genericamente chamado de “Capoeira Gospel”.

 

Quais as características da Capoeira Gospel?

 

 

Apesar de não serem um grupo coeso e de não levantarem uma bandeira única, há características próprias comuns a todos os “capoeiristas gospel”.  A rejeição aos rituais oriundos das religiões afro é a principal delas. O louvor a Jesus Cristo é outra. Em geral, a acompanham também um discurso moralista contrário à homossexualidade, às drogas e às discussões sobre gênero.

Muitos se recusam a cantar cantigas que tenham menções a “marinheiro”; “vaqueiro”, “boiadeiro” ou “pomba” por apresentarem personagens típicos da umbanda ou do candomblé de caboclo.

Alguns adaptam as músicas, colocando personagens cristãos em seu lugar; outros compõem músicas autorais em louvor à sua crença.

 

Onde encontrar um capoeira do gospel?

 

Os praticantes estão espalhados por todo o Brasil, em grupos ou “ministérios”, como muitos se denominam. Atuam fortemente nas periferias e em projetos sociais, com ênfase na evangelização.

Se reúnem em eventos próprios, com características peculiares, onde músicas em louvor a Jesus são constantemente cantadas.

Uma busca rápida no Youtube permite encontrar músicas com letras “capo-gospel” cantadas por diversos mestres, de diferentes estilos e grupos, como esta extensa playlist, com 20 sucessos da Capoeira Evangélica:

Dentre estes mestres, há desde aqueles que veem a Capoeira unicamente como ferramenta de evangelização, utilizando o berimbau para alcançar novas “ovelhas para o rebanho”, quanto outros que conciliam a prática da Capoeira evangélica com a liderança em seus grupos laicos.

Evangélicos criticam a Capoeira Gospel

 

Talvez os maiores críticos da vertente evangélica da Capoeira esteja entre os próprios pentecostais.

Grande parte dos convertidos à estas religiões são oriundos do candomblé ou da umbanda. Muitas vezes, ao trocarem de religião, são encorajados a queimar o passado para “renascer em Cristo”. Vários se tornam ferrenhos adversários dos antigos companheiros, não raro afirmando que todos estão “possuídos pelo demônio” e que necessitam “aceitar a Verdade Divina”.

Por este motivo, rejeitam veementemente a conciliação entre a Capoeira e o Evangelho. Para eles, a Capoeira é por origem uma prática satânica a serviço de espíritos do inferno. Os instrumentos, as cantigas e o gestual reforçariam esta tese.

Capoeiristas criticam a Capoeira Gospel

 

Do outro lado, há também uma rejeição por parte dos capoeiristas das vertentes “tradicionais” da Capoeira, que julgam que o uso do nome “capoeira” pelos evangélicos seria uma forma de apropriação cultural, com a perda do que acreditam ser o sentido original que historicamente organizou a forma de agir dos antigos mestres e a lógica do ritual e da liturgia das rodas.

Uma outra questão diz respeito ao que seria uma deturpação da própria natureza da Capoeira. Se a arte é fundamentalmente ligada pelas suas raízes ao candomblé, como fazer uma separação destas raízes sem derrubar a árvore toda?

O próprio nome “Angola”, como usado na “Capoeira Angola” se referiria mais à “nação Angola” do candomblé do que ao país africano.

Em suma, a retirada dos símbolos tradicionais das religiões de matriz africana e a adaptação à fé evangélica seria somente a ampliação do racismo religioso que afeta todas as manifestações de origem negra no Brasil.

No momento em que este artigo está sendo escrito, há um abaixo-assinado (clique aqui para ver) com mais de 1000 assinaturas digitais circulando na rede, onde os críticos apresentam argumentos contra a Capoeira Gospel e pedem atenção ao IPHAN para que exclua esta denominação de possíveis linhas de apoio.

Os “capoeira-gospel” rebatem as críticas

Os capoeiristas evangélicos refutam tanto as críticas dos seus pares de culto quanto as dos capoeiristas “tradicionais”. Afirmam que a Capoeira é uma atividade física não-religiosa e que o capoeirista tem o livre-arbítrio para decidir seu caminho.

Aos evangélicos contrários a adoção da Capoeira como ferramenta de evangelização, respondem dizendo que o pastor de berimbau teria o poder de chegar onde os pastores de terno não chegam, alcançando os corações de um público que não se converteria de outra forma.

Aos capoeiristas tradicionais, repetem que não demonizam os atabaques, nem discriminam os “irmãos” que professam outra fé. Reclamam justamente do inverso, pois se sentem vítimas de intolerância religiosa por não associarem a Capoeira às religiões afro.

Dizem que a Capoeira absorve diversas influências, e que a fé católica já teria penetrado na cultura da Capoeira a ponto de ser normatizado o capoeirista fazer o “sinal da santa cruz” ao pé do berimbau ou de chamar os toques de “São Bento Grande” e de cantar “Santa Maria é Mãe de Deus”.

Na visão deles, se alguns capoeiristas defumam suas academias e outros creem em santos católicos, não haveria nenhuma deturpação em inserir elementos evangélicos em suas rodas. Ressaltam que a Capoeira hoje se encontra nos países onde se professam as religiões muçulmana, judaica ou hinduísta, sem que ninguém reclame disso.

Em suma, reclamam que sofrem exatamente os ataques que se atribuem a eles.

Mas por que a Capoeira Gospel provoca medo?

 

Apesar das críticas, a quem afirme que esta é a vertente que mais cresce no Brasil, com centenas de adeptos utilizando a Capoeira Gospel como porta de entrada para alcançar novos fiéis.

Observando o processo histórico, podemos refletir sobre alguns aspectos.

Há décadas a Capoeira tem se modificado e se adaptado à diversas realidades. Originalmente uma forma de expressão afro-brasileira, foi apropriada pelo Estado Novo, compondo a ideologia do “Esporte Genuinamente Brasileiro”, ao ponto de atualmente uma academia considerada “típica” ter sempre símbolos de brasilidade, com as cores da bandeira nacional espalhadas nas indumentárias dos alunos ou pelas paredes do salão.

Muitos perguntam também se atualmente a Capoeira praticada na Europa, na Ásia ou nos Estados Unidos pode ainda ser considerada uma arte afro-brasileira.

Na esteira das adaptações, outros questionam: “Se existe “Hidro-Capoeira”, “Capo-Terapia”, “Capoeira Adaptada”, “Capo-Jitsu” e tantas outras vertentes, qual a grande questão com a “Capoeira Gospel”?

A resposta é simples

 

 

A diferença básica é que nenhuma destas vertentes ou adaptações está ligada a um projeto nacional de tomada do poder como o “gospel”. A “Capoeira-Fight” não tem o poder de ameaçar o ofício tradicional dos mestres. A “Hidro-Capoeira” não tem emissoras de TV e rádio que difundem sua ideologia. O “Capo-Jitsu” não elege governadores nem tem uma bancada no Congresso Nacional.

Por sua vez, as palavras “gospel” e “evangélica” são usadas como um grande guarda-chuva que inclui desde os “capoeiristas-gospel” até a bancada congressista da Frente Parlamentar Evangélica (FPE), que conta hoje com quase 200 signatários no Congresso Nacional e que historicamente mantém posições retrógradas perante questões de raça ou gênero, tendendo a discriminar as manifestações de matriz religiosa africana.

 

A Capoeira Gospel veio para ficar

 

A grande questão é que, apesar dos protestos dos puristas, a ligação entre o Evangelho e a Capoeira é uma realidade.

Isso acontece pelo simples fato de tanto a Capoeira, quanto a religião evangélica, compartilharem os mesmos espaços populares.

A Capoeira é uma atividade popular, presente nas mais diversas comunidades, como nos morros, favelas e nos projetos sociais.

A religião evangélica ocupa estes mesmos espaços. Em comunidades onde antes todas as pessoas iam aos domingos à paróquia local, agora estas mesmas pessoas se dividem em dezenas de micro templos espalhados em garagens improvisadas.

Os poucos terreiros de umbanda e candomblé foram e vem sendo gradativamente removidos e perdendo seguidores.

Os evangélicos convertem nas ruas, nos ônibus, nas prisões e até nas cracolândias. Ocupando o vazio deixado pelo Estado, pastores fazem redes de proteção social, promovem campanhas beneficentes, organizam atividades de lazer e mediam conflitos entre os fiéis.

Os capoeiras-evangelizadores estão presentes no seio do povo. Atuam nas periferias, nas cadeias, nas comunidades populares. Passam em seu discurso mensagens contra as drogas, a favor da saúde e do esporte. Trazem para a Capoeira pessoas que antes a demonizavam.

Segundo o IBGE, em 2000, cerca de 25 milhões de brasileiro se declaravam evangélicos; em 2010, mais de 40 milhões; em 2018, já são mais e continuam em crescimento.

Ou seja, cerca de 1 em cada 4 brasileiros é evangélico e a onda não para de crescer. Obviamente, a Capoeira não irá ficar de fora dela.

O Gospel incorpora tudo que seus fiéis apreciam e faz adaptações à sua realidade. Se existe “Heavy Metal Gospel”, “Pagode Gospel”, e até “Axé Gospel”– por mais contraditório que seja encontrar os termos “axé” e “gospel” lado a lado – é de se esperar que a Capoeira seja também cada vez mais influenciada e adaptada.

O perigo real

Existe uma outra dimensão na discussão da Capoeira Gospel, que se baseia no racismo religioso contra as religiões afro.

No início do século XX as autoridades enviavam a polícia para reprimir as casas de candomblé no Rio de Janeiro. Hoje em dia, facções criminosas ligadas a igrejas pentecostais fazem o mesmo, como se pode assistir no vídeo acima.

Em diversas comunidades populares do Grande Rio as casas de axé estão sendo queimadas e as mães de santo proibidas de seguir suas práticas religiosas, isso quando não são expulsas das favelas ou assassinadas. Bares não podem mais expor imagens de São Jorge, os filhos de santo são proibidos de andar de branco ou de portar guias nos pescoços e até mesmo festas juninas ou doces de Cosme e Damião são proibidos.

 

E a Capoeira com isso?

 

Como a Capoeira é tradicionalmente alvo de ataques preconceituosos, muitos cristãos a julgam “coisa do demônio”. Os capoeiristas que se declaram abertamente praticantes do candomblé ou da umbanda encontram barreiras ao tentar estabelecer pontes e diálogos com esta nova realidade.

Pode ser que, em breve, escutemos relatos de capoeiristas que se viram proibidos de praticar sua arte nas comunidades onde residem.

Qualquer um que trabalhe em comunidades populares já passou pelo problema de ter crianças cujas mães retiram seus filhos das aulas de Capoeira ou proíbem seu ingresso, baseadas nos preconceitos religiosos.

A questão é real e já atinge a Capoeira de frente.

 

Qual a solução?

Para uma situação complexa são necessárias estratégias igualmente complexas.

Os “capoeira-gospel” se ressentem dos ataques vindos tanto dos “puristas” da Capoeira, quanto dos “puristas” cristãos.

Os capoeiristas defensores das tradições afro-brasileiras, adeptos ou simpatizantes do candomblé e da umbanda, se veem ameaçados pela onda gospel.

No centro do imbróglio se encontram também as redes sociais, que mais dificultam e criam muros discursivos do que promovem diálogos e pontes entre as diferenças.

A quem uma “guerra santa” será benéfica? Qual o risco que ofereceria aos capoeiristas? Será que os pastores e os “capoeira-gospel” poderiam ser aliados para facilitar a entrada ou permanência da capoeira tradicional nas comunidades populares? Será que não é chegada a hora de pensar em estratégias de diálogo entre os diversos segmentos da Capoeira, incluindo os “capoeira-gospel”? Será que existe algum outro caminho que não seja o encontro presencial com pessoas que pensam diferentemente, mas utilizam igualmente a bandeira da Capoeira?

Será que podemos falar de cultura popular sem levar em conta o povo real?

São perguntas como essas que teremos que nos fazer nos próximos anos, pois o Brasil caminha a passos largos a uma revolução evangélica silenciosa, com base popular, e a Capoeira não ficará de fora.

Axé para quem é de axé! Amém para quem é de Amém!

 

Ferradura

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PS 2 – Após escrever este texto, fiz dois vídeos ao vivo sobre o assunto. Assista agora:

Vídeo 1:

Vídeo 2:

Amore e Capoeira é o single de Takagi e Ketra com Giusy Ferreri e Sean Kingston

Amore e Capoeira é o single de Takagi e Ketra com Giusy Ferreri e Sean Kingston

Amor e Capoeira… poderia ser o título de uma notícia interessante… uma exaltação à nossa arte-luta… poderia até ser algo romântico…Mas não é!!!

Um single “muito brasileiro”, assim o site, LATINPOP, enaltece esta música que entre outras coisas fala do Mar, da Lua, de Cachaça, da Favela e da nossa Capoeira…

Fica a reflexão sobre a  questão da exposição da nossa cultura popular nas prateleiras do “shopping center da globalização”. Esta é uma via válida de divulgar nossa arte? Esta é uma música que traduz aquilo que gostaríamos de ouvir sobre capoeira? Esta é a imagem que identifica “Amor e Capoeira”???

Nota do Editor


Segue a matéria original retirada dos sites LATINPOP E ACESSOCULTURAL:

 

Amore e Capoeira é o single muito brasileiro de Takagi e Ketra com Giusy Ferreri e Sean Kingston

O Brasil está na moda. Depois do pancadão da Jennifer Lopez com El Anillo, agora chegou a vez da Itália. E a “culpa” é dos hitmakers Takagi e Ketra. A dupla de produtores convocou Giusy Ferreri e Sean Kingston e juntos eles lançaram o single Amore e Capoeira, que já promete ser um dos hits do verão europeu.

E assim como a JLo, os italianos apostam pelas do funk para criar um arranjo viciante e impossível de esquecer assim que você ouve pela primeira vez. Lembra-se do Baile de FavelaAmore e Capoeira é um Baile de Favela 2.0, remodelado. Duvida? Então aperte o play!

Ouça Amore e Capoeira, de Takagi e Ketra com Giusy Ferreri e Sean Kingston

O novo single da cantora Giusy Ferreri em parceria com Sean Kingston e Takagi & Ketra está no ar. Logo no início, em poucos minutos de lançamento, a canção já estava como uma das 20 mais vendidas em toda Itália, atingindo também, charts de outros países.

Potência vocal, ironia e letras marcantes se juntam a um ‘trio maravilha’ para marcar o coração dos amantes de músicas fortes e dançantes. A canção mistura tudo aquilo que tem no Brasil e que já estamos acostumados: Amor, capoeira, cachaça e muito agito.
Transitando entre o funk, pop, samba e o tradicional de Giusy Ferreri, Amor e Capoeira vem para embalar o verão europeu e também o inverno brasileiro, imortalizando cada vez mais a forma como a cantora italiana leva seu trabalho e também como mostra ser única ao estar encima do palco e com um microfone na mão.
Amore e Capoeira é o single de Takagi e Ketra com Giusy Ferreri e Sean Kingston Notícias - Atualidades Portal Capoeira 1

Amore e Capoeira está disponível em todas as plataformas digitais.

 

Letra de Amore e Capoeira – Takagi e Ketra com Giusy Ferreri e Sean Kingston

Avevo solo voglia di staccare, andare altrove
Non importa dove, quando, non importa come
Avevo solamente voglia di tirarmi su
Per non pensarti e poi lasciarmi ricadere giù
E allora andiamo al mare, in mezzo a un temporale
Quando la pioggia cade, cadi tu

Cercavo un mare calmo e ho trovato te
Col vento così forte, non dirmi buonanotte
Soltanto per stasera
Amore e capoeira
Cachaça e luna piena
Con me in una favela
Con me in una favela

Baby gaal you don’t have to lie
I could it in your eyes

baby you’re not enough for to
You’ve been on and on for too long
Think it’s time to move on, yeah
So come roll with a weed-a weed-a
Drop top in the summer –
roof-a-dem try high but i can come closer
with Sean King gal you now it’s ova
now flex
time to have sex
garl you know you cannot resist

Cercavo un mare calmo e ho trovato te
Col vento così forte, non dirmi buonanotte
Soltanto per stasera
Amore e capoeira
Cachaça e luna piena
Con me in una favela
Con me in una favela

Nessuno dorme
C’è il sole anche di notte
L’ho detto mille volte
Che tutto può succedere
Arrivi tu, che in cambio mi chiedi
Una notte speciale

Cercavo un mare calmo e ho trovato te
Col vento così forte, non dirmi buonanotte
Soltanto per stasera
Amore e capoeira
Cachaça e luna piena
Con me in una favela, eh eh, eh eh, eh eh
Con me in una favela, eh eh, eh eh, eh eh

Amore e Capoeira

 

Fontes:

LatinPop Brasil | O seu portal da música latina e música italiana

http://www.acessocultural.com

Projeto conta a história da capoeira no bairro Dois de Julho em Salvador

Projeto conta a história da capoeira no bairro Dois de Julho em Salvador

O projeto Vadiando começou as suas atividades no bairro do Dois de Julho, Centro de Salvador, no dia 05 de dezembro. O Centro de Estudos Afro Orientais (CEAO), pertencente à Universidade Federal da Bahia, recebeu o evento gratuito, que trouxe como mote, o imaginário simbólico da capoeira no bairro, os mestres que ali viveram e vivem, as rodas de capoeira e as curiosidades em torno dessa cultura popular. E, seguindo a definição do termo “vadiar”, dentro da capoeira, que significa jogar por lazer, descontrair, interagir com os camaradas, o projeto contará a história do bairro do Dois de Julho, através do contexto simbólico da capoeira, lembrando os mestres que ali viveram, as rodas e curiosidades sobre esta temática.

No evento inaugural, em dezembro, aconteceram palestras sobre “A capoeira como instrumento de desenvolvimento local”, ministrada pelo coordenador, Luís Alencar; “Políticas Públicas para a Capoeira”, ministrada por Magnair Barbosa, gerente de Patrimônio Cultural da Fundação Gregório de Mattos (FGM); “Capoeira e Tecnologia”, com o contramestre Veru Filho, criador do aplicativo “Iê Capoeira”; além de intervenções com músicas afro-brasileiras e a leitura de poesias.

Com patrocínio da FGM, apoio do Centro de Estudos Afro Orientais – CEAO/UFBA, e do comércio local, após três meses de projeto, com oficinas regulares às segundas, quartas e sextas, as aulas serão finalizadas no próximo dia 23 de março. O projeto ofereceu oficina de “Capoeira – Educação”, ministrada pelo contramestre Veru Filho, e “Educação Artística”, ministrada pela capoeirista e arte educadora Nildes Sena, que teve a finalidade de contar a história do bairro do Dois de Julho, tendo como mote o imaginário simbólico da capoeira no lugar.

Projeto conta a história da capoeira no bairro Dois de Julho em Salvador Capoeira Portal Capoeira

Com todo o material produzido durante as aulas, o público atendido no projeto – um grupo crianças e jovens da comunidade – irá apresentar o resultado final de toda a aprendizagem. Entre os dias 26 e 28 de março, sempre a partir das 18 horas, na Casa do Benin, acontecerá uma grande mostra artística envolvendo todos esses alunos e a comunidade, fazendo parte, inclusive, da programação cultural do aniversário de Salvador.

Na abertura da mostra artística, haverá evento solene para gestores públicos, mestres de capoeira e pesquisadores da cultura popular, quando será lançada a Cartilha Digital, que contará a história da capoeira no bairro do Dois de Julho. Essa cartilha é resultado de uma pesquisa realizada pelo Contramestre Sem Terra, cientista social e etnógrafo. Além disso, a programação dos demais dias envolverá a exibição de uma projeção audiovisual, mostrando entrevistas com mestres de capoeira que atuam no Dois de Julho e equipe do projeto; e um espetáculo cênico, onde alunos do projeto atuarão.

Sobre a Associação:

A Associação Cultural Arte Baiana Capoeira foi criada no ano de 1989, pelo Mestre Malícia, na cidade de Belmonte, no interior da Bahia, onde até hoje está localizada a sede do grupo. Muitos alunos passaram pela associação, mas no ano de 1992, Veru Filho iniciou seus estudos com o Mestre Malícia, e chegou para levar adiante o nome da instituição. Por conta dos estudos, Veru Filho, veio morar em Salvador, e começou a treinar com o Mestre Alabama. Alguns anos se passaram, e em 2014, Veru inicia em Salvador, um trabalho com a Associação Cultural Arte Baiana Capoeira, na comunidade da Vila Brandão e no Dois de Julho. Com a finalidade de fomentar o empreendedorismo social na capoeira, Veru Filho, que além de contramestre é educador físico, vem buscando aumentar o reconhecimento da capoeira na sociedade, potencializar a geração de recursos para os grupos de capoeira e, por fim, a inclusão produtiva de indivíduos e grupos sociais que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

SERVIÇO:

O QUÊ: Vadiando no Dois de Julho – Lançamento da Cartilha Digital e Mostras

QUANDO: 26 a 28 de março de 2018, a partir das 18 horas

ONDE: Casa do Benin – Baixa dos Sapateiros, 7 – Pelourinho
VALOR: Gratuito

 

Por: Pietro Raña: pietro.rana@pipacomunicacao.com.br