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Cultura e Cidadania

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O homem que enviou para a Bahia mais de 500 mil escravos

Se você é negro, ou mulato, são grandes as chances do cidadão do retrato ter tido um papel determinante na sua vida, os secretos desígnios do sangue e da raça, ele responsável pelo envio de mais de 500 mil escravos do Golfo de Benin, para a Bahia no século XIX. O nome dele é Francisco Felix de Souza, conhecido como Xaxá, não se sabe até hoje se originário de Salvador, do Rio de Janeiro, ou de Lisboa; em todo caso um personagem e tanto que chegou a ser considerado no seu tempo o homem mais rico do mundo.

O Xaxá viveu uma vida de fausto e esplendor, ainda que recluso pelas circunstâncias de sua profissão de comerciante de escravos. Não arriscava sair da feitoria para exibir sua riqueza nos salões da nobreza e dos potentados europeus. Temia a vigilância cerrada dos ingleses que desde 1807 policiavam, com relativo sucesso, o tráfico de seres humanos, apreendendo navios negreiros e estabelecendo multas, castigos diversos e prisão inclusive aos responsáveis e implicados.

O Xaxá era ele próprio um escravo no seu harém de fausto e esplendor, o ouro que possuia não podia sair do país e não tinha outra serventia a não ser a ostentação. Viveu como um Rei, exibindo grossas correntes de ouro no pescoço e numerosos anéis de brilhantes nos dedos e já idoso segurava na mão uma bengala com castão de ouro. Na mesa de jantar servia os convidados em rica porcelana chinesa, talheres dourados, pratos de prata e copos talhados, ornamentados com pedras preciosas.

Viveu como um monarca e morreu na hora certa, em 08 de maio de 1849, dois anos antes do último navio negreiro que aportou em Salvador: o Relámpago. Este episódio marcou em definitivo o fim do comércio de seres humanos e se vivo fosse o Xaxá teria assistido a sua ruína, já que então possuía na sua feitoria doze mil escravos para vender, ou seja, doze mil bocas para alimentar e doze mil corpos para cuidar e vestir. E a nova situação implicaria não ter mais receita para cobrir os custos.

A sua morte repercutiu entre o governo e a elite da Bahia, em especial entre capitalistas, companhias de seguros, traficantes de escravos, capitães de navios e senhores de engenho; mas não menos do que no reino de Daomé (Benin) onde o Rei Ghézo enviou para seu funeral 80 Amazonas e quis sacrificar sete nativos na sua homenagem, rito este recusado pelo primogênito do Xaxá. Ao morrer deixou 51 mulheres viúvas (negras e mulatas) e mais de 80 filhos varões, um número inestimável de filhas mulheres e algumas centenas de netos.

O maior feitor de escravos que já existiu sobre a face da terra teve a Bahia como destino preferencial de seu comércio, em função dos convênios do privilégio da exportação de tabaco de refugo do Recôncavo para a África. Do Porto de Salvador partiam barcos contendo rolos de fumo que retornavam trazendo mão de obra escrava. E foi assim que centenas de milhares de africanos provenientes do Golfo de Benin aqui aportaram para viver e morrer, escravizados; para trabalhar e ter muitos filhos e descendentes que formaram a miscigenada família baiana.

 


Nelson Cadena
 é jornalista e escritor. Pesquisador das áreas de comunicação e história da Bahia há mais de 30 anos. Escreve para o Jornal Propmark, Revista Propaganda, Jornal Correio, Revista Imprensa e no site do Sinapro-Bahia. Idealizador e editor do maior site de pesquisa sobre comunicação do Brasil (www.almanaquedacomunicacao.com.br). Autor dos livros: Brasil. 100 Anos de Propaganda; e 450 Anos de Propaganda na Bahia.

Fé e Alegria – Legado Mestiço Brasileiro

FÉ E ALEGRIA Legado mestiço brasileiro – por Lucia Correia Lima Senac Pelourinho Salvador

Lucia Correia Lima é fotojornalista documentando a cultura afro-brasileira desde o início de sua carreira, quando foi pioneira como mulher, trabalhando na imprensa de Salvador e do sul do país. Na Bahia acompanhou profissionalmente os blocos afros, a capoeira e o candomblé, além das manifestações do Recôncavo Baiano. A importância da cultura negra na vida de Lucia vem desde a infância quando foi iniciada no candomblé. Adulta vivenciou intensamente desde os primeiros carnavais do bloco afros, como Ilê Aiyê, Badauê, Apaches do Tororó e Olodum

Nessa exposição, temos parte da mostra levada para Paris, intitulada Herança Africana, quando foi convidada pela Associação França-Bahia para evento de Renascimento do Pan-africanismo, de valorização do patrimônio africano no mundo. São fotografias da Saída de Iaô, do Ilê Axé Sarapocan de São Francisco do Conde, de Pai Tero. Temo aí um registro do transe de Oxalá, Iansã e Iemanjá e de uma das mais singulares manifestações da região, os Capas Bodes.

A segunda parte da mostra conta com fotografias editadas para a exposição em Salvador, do Carnaval Cultural. As imagens foram produzidas durante a cobertura fotográfica do povo nas ruas e do carnaval no Centro Histórico da cidade de Salvador/Bahia.

Lúcia Correia Lima nasceu em Salvador, mas passou a infância na pequena Alagoinhas, onde aos nove anos se apaixonou pela fotografia. Na praça do coreto, entre um sorvete e outro, se deixava se magnetizar pelo oficio mágico de “seu Joaquim”, o fotógrafo lambe-lambe. Aos 17 anos, em São Paulo, descobriu o jornalismo, na revista REALIDADE da Editora Abril, quando ganhou em equipe o Prêmio Esso de Jornalismo, principal. Sempre escrevendo e fotografando suas matérias, integrou equipes por diversas vezes premiadas pela seriedade e qualidade de seu trabalho. Após a revista Realidade vivenciou a revolucionária experiência de jornalismo independente, em O Bondinho, da Editora Arte e Comunicação, onde fez parte da equipe que ganhou prêmio Esso “de Contribuição à Imprensa”. E na mesma editora montou e manteve o laboratório fotográfico da Revista FOTOGRAFIA. Que teve inicio na famosa casa Fototica.

 

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De volta a Bahia trabalhou nos principais jornais de Salvador e nas sucursais dos jornais do sul do país. Como repórter-fotográfico do jornal Tribuna da Bahia dirigido por João Ubaldo Ribeiro e Cid Teixeira, foi a primeira mulher profissional da equipe. Teve centenas de fotos publicadas primeira página. A Tribuna da Bahia foi um jornal que inovou graficamente exatamente pelo respeito ao fotojornalismo. Neste período participou da equipe que criou e editou o jornal independente, Boca do Inferno, também ganhador do prêmio Esso na categoria Regional.

No caderno cultural do Correio da Bahia, deixou sua marca, pois escrevia e fotografava – uma novidade na imprensa nacional – registrando através da câmara e textos os principais acontecimentos, com o realismo dos grandes jornalistas e a sensibilidade dos verdadeiros artistas. Na sucursal do Jornal O Globo fez centenas coberturas nacional, com fotos nas primeiras páginas, como da visita do pop star Michael Jackson e na cobertura da falência do Banco Econômico, além de coberturas presidenciais como José Sarney e Fernando Henrique Cardoso.

Retorna à São Paulo, na Editora Joruês trabalhou como repórter e fotógrafa da revista Brasil Extra. Em seguida na mesma editora na Gazeta de Pinheiros e Leia Livro. Produziu nesta época espetáculos do Arrigo Barnabé e Itamar Assunção, no histórico teatro Lira Paulistana; em São Bernardo dos Campos, produziu a Banda de Pífanos de Caruaru.

Como assessora de imprensa trabalho na prefeitura de São Francisco do Conde e como freelance, publicou matérias na imprensa de Salvador especialmente no jornal A Tarde, Correio da Bahia, Tribuna da Bahia, além de diversos sites e blogs.

Participou dos livros com fotos: Zélia Gattai – Crônicas de uma Namorada – Record; Mestre Bola Sete – A Capoeira Angola na Bahia – Pallas; Jean Yves Domalain – Mucugê: o Diamante da Chapada – Governo da Bahia, – Bahia. Produção Geral; Franck Ribard – Le Carnaval Noir de Bahia – L`Harmattan – Paris. Um olhar reescrevendo o Brasil – A look at re-writing Brazil – da Alfabetização Solidária.

Participou também dos calendários com mais onze mulheres fotografas, produzido por Mônica Simões. Ganhou o prêmio para o calendário de fotos do Sindicato dos Jornalistas com mais seis profissionais de Salvador. Publicou trabalhos nas revistas Carta Capital; Afinal, IstoÉ; no Jornal do Brasil; O Estado de São Paulo e muitos outros da Bahia e nacionais. Foi correspondente da revista especializada “CAPOEIRA” da editora Candeia de São Paulo, escrevendo e fotografando. Publicou ensaio sobre bloco afro Ilê Aiyê para revista Leitura da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, entidade que trabalhou por quase duas décadas documentando todas as atividades.

 

Fonte: http://cadernodecinema.com.br/

ESPM: Economia Criativa e Escolas de Samba

Seminário SRZD-Carnaval: primeiro debate do dia fala sobre valor do sambista

O primeiro dia da 4ª edição do Seminário SRZD-Carnaval, realizado no auditório da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), nesta quarta-feira, começou com o assunto Economia Criativa e Escolas de Samba. O professor de Marketing da instituição Marcelo Guedes apresento um vídeo com o chefe do setor de Economia Criativa da ESPM, João Luis de Figueiredo, falando sobre a importância do Carnaval, não apenas pelo desfile. “Carnaval não é apenas um produto cultural, mas também econômico, gerando renda. Um desfile campeão gira em torno de R$ 10 milhões. Não deixando a desejar em nada a um filme brasileiro. É preciso pensar não só o desfile, mas atividades das escolas de samba ao longo do ano, blocos de Carnaval e rodas de samba que transformam o produto econômico ‘Carnaval’ cada vez melhor”.

 

Para Figueiredo, “o Carnaval tem que ser percebido como identidade territorial do Rio de Janeiro. Temos que pensar não só como fortalecer o Carnaval, mas como pode ser traço de identificação do Rio de Janeiro no mundo”. Segundo ele, há dois desafios: desenvolver as agremiações que estão nos grupos que não desfilam no Sambódromo e pensar na gestão do negócio nas escolas de samba, que recebem receita apenas na época de Carnaval”.

Marcelo Guedes falou sobre economia criativa, dando exemplo do Carnaval no Rio de Janeiro. “Hoje aluno de graduação é apaixonado, entende a importância e respeita o Carnaval. Para Guedes, “a preocupação é a profissionalização, transformando o espetáculo mais bonito do mundo”.

Na mesa do primeiro debate, os blogueiros do SRZD-Carnaval Hélio Rainho e Rachel Valença receberam Capoeira Machado e Cyro do Agogô para falar sobre o tema “G.R.E.S. Saudade! – Nostalgia, saudosismo e modernidade: que caminhos percorreram a linha do tempo do samba? E o samba, afinal… ‘sambou’?!”. O nome do debate teve como inspiração um enredo da Unidos da Ponte de 1987 e outro da São Clemente.

Para Hélio, quanto mais a escola tenta se renovar, mais precisa se reinventar com sua identidade histórica. Há sempre nostalgia pelo que passou e buscando novos caminhos. Segundo Capoeira, a maior herança para o Rio de Janeiro são as escolas de samba.

Rachel falou sobre as agremiações que não eram bem vistas no passado e questionou Cyro sobre o que mudou. Para ele, “hoje em dia as escolas têm mais recursos, mais planos de trabalho, o que não existiam anos atrás. Hoje, tudo mudou. No entanto, a dificuldade, correr atrás de recurso para resolver, era mais gostoso”. Sobre a identidade cultural brasileira, para Capoeira Machado, é preciso vir ao Rio para fazer sucesso.

‘Vamos ser mais sambistas!’

Os passistas foram assunto para Cyro. Ele acredita que eles estão abandonados. “Sempre tomei cuidado de apresentar a passista ao público que está assistindo. O passista, hoje em dia, está se encostando no outro”. Hélio Rainho, um defensor do segmento, contou que “a estrutura da ala de passistas em escola de samba tem exigência de uma série de apresentações durante o ano e as escolas não fornecem estrutura para isso. Quem não consegue a roupa, apesar de serem bons, não conseguem desfilar pelas exigências”. Os passistas originais, segundo o blogueiro do SRZD-Carnaval, são substituídos por “dançarinos de academia”.

Para Cyro, “hoje há preocupação da falta de samba dentro do grupo de passistas. Necessário ter diretores que sejam duros com componentes e dirigentes. Sambista que é sambista tem que chegar na escola pequena e fazer exibição na mesma forma que chegou numa Portela, Império, Vila. Gente, vamos ser mais sambistas. As pessoas estão se refugiando”.

Rachel falou também sobre as pessoas quererem assistir ao Grupo Especial e esquecerem os desfiles da Intendente Magalhães. Já Capoeira disse que é preciso ir atrás de qualidade. Os puxadores, para Capoeira, tinham suas particularidades. “Atualmente, há puxadores ‘tops’. Quando compositor fazia o samba, fazia talhado para o puxador. Com um concurso de puxador, o novo pode dar uma roupagem para o samba”. 

Ao abrir para perguntas da plateia, o Rei Momo de Niterói, Jair Ribeiro, falou da diferença da criatividade dos pés para os passos marcados de academia e perguntou sobre a contribuição negativa para o segmento de passistas. Cyro respondeu sobre os passistas da comunidade que usam roupas mais pesadas, enquanto os outros não se caracterizam como deveriam. Ele deu exemplo das baianas, que são difíceis de encontrar quem queira desfilar com roupa pesada. Capoeira contou ainda um caso sobre um passista masculino querendo aparecer mais que uma passista. Rachel complementou:”Papel do passista é papel masculino. Mesmo que seja homossexual, ele representa papel que é masculino. A mesma coisa para o mestre-sala”.

O leitor do SRZD Alan Soares perguntou para Rachel Valença sobre o “embranquecimento” da cultura negra nas escolas de samba. A blogueira do SRZD-Carnaval concordou com o participante e complementou dizendo que as escolas de samba, aos poucos, vão sendo todas coreografadas, perdendo a espontaneidade. Ela deu exemplo da bateria que, mesmo tocando bem, se não for coregorafada, não faz sucesso. “A dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira era espontâneo antigamente, o que não existe mais. Ataco coreografia em ala de passistas. É o fim dos tempos. Para quem é capaz de sambar, o samba é resposta individual do corpo ao ritmo”. Hélio Rainho colocou outro ponto. “É muito fácil crucificar os diretores que colocam coreografia. Mas as escolas foram sacrificadas por julgamento que as obrigou a isso”. 

Cátia Suzuki, da Caprichosos de Pilares, estava na plateia e foi outra que participou do debate com sua visão. “A opção sexual de cada um é de cada um. Procuramos trazer passista masculino, independente da opção sexual dele. Se hoje em dia a ala de passistas é coreografada, não temos tanta culpa. É culpa do sistema. Na minha concepção, o passista não é mais amor ao samba. Virou status. Não importa ter bom samba ou péssimo samba. Importa ter corpão sarado. Muitas escolas cobram isso. Temos que procurar samba de raiz de verdade. Não podemos esquecer que somos sambistas”. 

Após o fim do primeiro debate do dia, passistas da Mocidade se apresentaram para o público com o samba-enredo de 2014, sendo muito aplaudidos ao final. 

 

Redação SRZD – http://www.sidneyrezende.com/

Toca Ogan mostra que o berimbau vai além da capoeira

Instrumento é protagonista do primeiro álbum solo do percursionista da Nação Zumbi

O percussionista Toca Ogan, velho conhecido do Recife por integrar a emblemática Nação Zumbi e acompanhar o músico Otto, apresenta nesta quinta-feira (25), a partir das 20h, no Teatro Boa Vista, o fruto de uma pesquisa que já dura 17 anos sobre o berimbau. Diferentemente de como é normalmente associado, Toca Ogan mostra em Desatando o laço, seu primeiro álbum solo, que o instrumento não é exclusividade das rodas de capoeira.

Na apresentação, o músico promete trazer o instrumento para a frente do palco e mostrar o quão versátil poder ser a sonoridade extraída dele, com arranjos bem produzidos que vão muito além do que comumente se imagina. “Quando as pessoas pensam no berimbau, pensam logo na capoeira. A minha intenção é justamente mostrar que ele pode ser explorado de outras formas. Você poder criar arranjos e tocar o ritmo que quiser. Assim como outros instrumentos, ele também tem notas e afinação, só depende do instrumentista saber explorar isso”, explica o músico. No álbum, Toca Ogan mostra esta versatilidade natural ao explorar ritmos como o frevo, maracatu, ciranda, samba, coco de roda, baião e até o funk.

“Na época do Da lama ao caos (Chico Science & Nação Zumbi, 1994), quando comecei a tocar o instrumento, eu também só sabia o ritmo da capoeira. E, desde então, eu venho tocando o berimbau para nações afro-brasileiras, como a umbanda, nagô, xambá e, mais recentemente, angola. Eu passei por esses caminhos até chegar onde cheguei, levando a nossa cultura comigo, porque ela precisa ser mostrada para todo o mundo. As pessoas precisam cantar, dançar, explicar e mostrar que nossa nação é forte”, complementa. 

Na verdade, segundo Toca Ogan, o berimbau é ainda mais complexo do que um observador alheio pode imaginar: “São cinco instrumentos em um só: o seixo (pedra utilizada para alcançar as notas musicais), a cabaça, a biriba (vergão de madeira), a baqueta e o caxixi. E é preciso ter uma relação muito próxima com essas cinco partes para poder desenvolvê-las musicalmente”. 

Para ele, mais do que resultado de uma pesquisa puramente musical, o disco está diretamente associado à sua vivência espiritual, o respeito pelas raízes e ancestralidade, assim como a procura por uma evolução. Desatar o laço é, como define, “uma busca individual pelo desenvolvimento interior”.

Assim como o álbum, que é repleto de parcerias, o show conta com a participação dos amigos Zé Cafofinho e Clayton Barros, entre outros.

Fonte: http://jconline.ne10.uol.com.br/

‘Herança Africana’ é apresentada no palco do Teatro Amazonas

Espetáculo do Balé Folclórico do Amazonas retrata a influência negra. 
Duas apresentações serão realizadas nesta quarta-feira e domingo.

Capoeira, lundu, gambá, dança do rapachão e o samba são manifestações com influências negras. Essa ‘Herança Africana’ é o tema de um espetáculo do Balé Folclórico do Amazonas, que será apresentado nesta quarta-feira (2) e domingo (6), no Teatro Amazonas, Centro de Manaus. As apresentações serão às 21h e 19h, respectivamente. Os ingressos custam R$ 10 e R$ 20 e podem ser adquiridos na bilheteria do teatro (pelos telefones: (92) 3622-1880/3622-2420) ou pelo site www.bestseat.com.br.

O espetáculo é dirigido por Conceição Souza e é resultado da pesquisa dos colaboradores Eliberto Barroncas e Railda Vitor. ‘Herança Africana’ vai destacar algumas manifestações regionais deixadas como legado cultural do negro.

A concepção do espetáculo aproveitou o trabalho realizado no projeto Escada Sem Degraus, iniciativa que envolve pesquisas de música regional e artes visuais. “Visitamos grupos de dança lundu em Itacoatiara, composto em sua maioria por mulheres, cujo estilo de dança é diferente daquele apresentado em Belém. De acordo com a localidade, a mesma dança possui características diferentes”, explica Railda.

O Balé Folclórico do Amazonas foi criado em 2001. A companhia, composta por 33 bailarinos e que se encontra com elenco renovado desde novembro de 2013, já participou de eventos como o Festival Amazonas de Ópera e Concerto de Natal.

 

Fonte: http://g1.globo.com/

Palmares, um Projeto de Nação

O INÍCIO DE PALMARES…. , A ESCRAVIZAÇÃO DO ÍNDIO

“No dia em que nossa gente acabar de uma vez, eu vou  tirar esta
escora daqui, e o céu vai desabar, e todas as gentes vão desaparecer.
Vai acabar tudo”. Sinaá, Lenda do fim do Mundo, povo Juruna.”

  • 1533 – Bula Veritas Ipsa Papa Paulo III declarando “os índios homens racionais”…
  • Entradas, expedições organizadas pelos Gov. Gerais, ou diretamente pela Corôa.
  • Bandeiras, empresa (expedição) organizada por particulares, ambas para caçar índio.
  • Incursões de franceses, iniciativa particular de “piratas” e não de governo.

Toda e qualquer referência à escravização do índio, que nos interessa, seria uma repetição da escravização negra. A História do Brasil é contada em dois extremos de uma mesma arma – ora como uma peça de defesa, o secular cuidado com a cabeça de louça do cristianismo; ora uma peça dedescaracterização do negro – a condenação da vítima – “comprava-se negros escravizados por outros negros;  eram comprados por escambo índios escravizados por outros índios ” : Doe mais ao negro do Mundo, assim com ao índio do Brasil, estas mentiras secularmente repetidas que a própria escravidão a que foram submetidos, doem-lhes a insaciedade do dominador…

As narrativas feitas entre o Séc. XVI e o XVIII serve como relato, não como interpretação, de um lado por que os escrivães não conheciam absolutamente nada do índio; segundo porque eram interessados – uns como mercadores ou agentes de mercadores; outros, por serem agentes da Coroa Portuguesa que chega ao Séc. XIX  “tendo no Brasil apenas a vaca leiteira”.

Acrescente-se ao fato das expedições portuguesas serem compostas por homens sem letras. Se dentre os franceses e até dentre as poucas entradas alemãs de que se tem notícia sempre havia intelectuais, homens de letras, e muitos de ciência, (meramente interessados em ciência), dentre os portugueses não há um único registro com este cuidado, por todo o Séc. XVI e até o Séc. XVII. Mesmo entre os jesuítas pode-se encontrar quando muito um ou outro letrado, que eram dominados ou pelo interesse comercial da sua Ordem, ou pela posição de minoria dentre os seus pares, ou notadamente pela ordem severa da Igreja Católica. O que se conhece de imparcial e de cunho cultural é de origem francesa, depois holandesa.

 

RELATO SOBRE ÍNDIO, CRONISTA FRANCÊS JEAN LERY.

“Uma vez um velho índio perguntou-me: – Que significa isto de virdes vós outros, peros (portugueses) e mirs (franceses), buscar tão longe  lenha para vos aquecer? Não a tendes por lá em vossas terras? – Respondi que tínhamos lenha e muita, mas não daquele pau, e que não o queimávamos, como ele supunha, mas dele extraíamos tinta para tingir.

Retrucou o velho: – E por ventura precisais de tanto pau brasil? – Sim, respondi, pois em nosso pais existem negociantes que têm mais panos, facas, tesouras, espelhos e mais coisas de que vós aqui podeis supor, e um só deles compra todo o pau brasil com que muitos navios voltam carregados.

 

  • Ah! tu me dizeis maravilhas, disse o velho; e acrescentou, depois de bem alcançar o que eu dissera: – Mas esse homem tão rico não morre?
  • Sim, morre como os outros. –  E quando morre, para quem fica o que é dele? Perguntou.
  • Para seus filhos, se os tem, e na falta, para os irmãos ou parentes próximos, respondi.

 

Na verdade, continuou o velho, que não era nada tolo, agora vejo que vós, peros e mairs, sois uns grandes loucos, pois que atravesseis o mar com grandes incômodos, como dizeis, e trabalhais tanto a fim de amontoardes riquezas para os filhos ou parentes! A terra que vos alimentou não é suficiente para alimentá-los a eles? Nós aqui também temos filhos, a quem amamos, mas como estamos  certos de que após a nossa morte a terra que nos nutriu os nutrirá também, cá descansamos sem o mínimo cuidado”. Jean Lery.

“… andavam muitos deles dançando e folgando uns ante outros, sem se

tomarem pelas mãos, e faziam-no bem”.

(carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o índio)

 

ÍNDIO ESCRAVIZA ÍNDIO  X  NEGRO ESCRAVIZA NEGRO, (meu Deus?)

Aí repousa o telhado de vidro do Cristianismo,  bastando que se diga:

  1. Todo e qualquer bacharel em História, em qualquer parte do Mundo sabe que é mentira esta afirmação, assim como todo e qualquer bacharel em direito que tenha se dedicado ao Direito Antigo; (só tem sentido alguém escravizar alguém se o excedente de produção do escravo for superior ao que ele consome, como não havia noções de acumulação, entre negros e índios, não podia haver interesse em escravizar uma ou um grupo de pessoas)

  2. No Brasil, ainda sobre o indígena: nem uma obra ou abordagem dos Irmãos Vilas-Bôas consta alguma citação de nações, ou tribo indígena escravizada por outra tribo, no que pese referências inúmeras a constatações e ou suspeitas de desaparição em guerras. (Todo animal lutou num dado instante por ração, e por toda a vida pelo instinto da procriação, apetite sexual).   Esta mesma observação vale para Darcy Ribeiro, ou Cândido Rondon. Os Vilas Boas viveram, moraram entre índios por mais de 45 anos, – vejamos um dos seus relatos:  “As grandes áreas devastadas, ou transformadas na sua vegetação original  existentes nas vizinhanças das aldeias em geral, provam a longa permanência dos índios nesses lugares…quantos anos não levaram para transformar grandes extensões em  mangabais,  piquizais…. e cerrados”?  Relato que desmente também as afirmações acerca do “nomadismo do índio brasileiro:  um povo agricultor não pode ser nômade.

“Quando Cabral pisou a terra brasileira em 1500, avalia Luis Amaral, já o indígena graças a ele próprio ou a seus antepassados, praticava a agricultura, em grau  mais ou menos igual ao então conhecido na Europa..” Assim é que eles já conheciam, naquela época  remota, anterior mesmo a 1500, o fumo, o algodão, o milho, a mandioca, a batata doce, a batatinha, o feijão, a abóbora, e o arroz”, completa Aluysio Sampaio.

Assim o índio, muitas das usas tribos foram se tornando errantes e não nômades como a Ordem Estado/Igreja usa como justificativa a 500 anos. Da Ordem dos Jesuítas e seus vigários o que se pode dizer é que foram sempre mais comerciantes (exploradores) que tudo o mais. De sob as imunidades desfrutadas em muitos períodos, cita Aluysio Mendonça Sampaio – “Do terror do gentio pelo português era tão grande que se chegou a criar a lenda do Padre de Ouro, lenda ainda contada por Frei Vicente do Salvador como verídica”.

Esse terror do gentio pelo branco já é uma prova da decadência do poderio dos nativos. Daqui por diante veremos os portugueses avançando, escravizando-lhes e empurrando-os para o sertão. “E a terra, em todos os lugares do Brasil, irá aos poucos mudando de dono”. Nos moldes da mistura geral, o Gov. Luiz de Brito, na sua primeira atitude organiza expedição de caça ao índio como nunca….diz frei Vicente “Na Paraíba,não deixaram branco nem negro, grande nem pequeno, macho nem fêmea, que não matassem e esquartejassem”. (sobre a tática de jogar o negro contra o índio e vice-versa. Embate contra uma tribo talvez ainda desconhecida, entrada de Governadores  Gerais). Tudo o que se passou nos Séc. XVI e XVII chega, com a mesma intensidade a meados do Séc. XIX, constata Alexander Marchant, por desconhecer o Brasil de 1940 quando escreveu. Aliás aquele Historiador americano em todo seu escrito “Do Escambo a Escravidão”, (l943), se não chega a desmentir, em nenhum momento avaliza afirmações sobre escravização de índio por índio.

A descoberta do Brasil, para o indígena como para o negro foi mais danosa que toda e quaisquer das invasões  de bárbaros em quaisquer lugar da terra onde ocorreu  – 500 anos depois e ainda não houve intercâmbio, não há nada que se possa conceituar além do domínio, do saque. Assim é que o indígena brasileiro regrediu, decresceu em número e em qualidade de vida e afunilou-se inversamente do ponto de vista da evolução técnico-cultural.

PS. Quando tratarmos do início de Palmares, A escravização do negro, vamos demonstrar a mentira da escravização do negro pelo negro, e ou a escravização do índio pelo índio .

 

Jean de Léry

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.”Historia navigationis in Brasiliam…”. Genebra, 1586.

(Côte-d’Or, c. 1536 – Suíça, c. 1613) foi um pastor, missionário e escritor francês e membro da igreja reformada de Genebra durante a fase inicial da Reforma Calvinista.

 

André Pêssego – projetozumbi@uol.com.brBerimbau Brasil  – São Paulo, SP – Mestre João Coquinho – 10 anos

Pierre Verger

 

Sua obra fotográfica, baseada nas mais de 64.000 fotografias cadastradas em seu acervo, foi construída a partir das viagens que ele fez aos cincos continentes entre o ano de1932 e o final dos anos 1970. Nos primeiros anos, suas fotos foram publicadas apenas em livros de viagens, jornais e revistas franceses e, a partir do final dos anos 30, suas fotos foram utilizadas também em publicações de países de língua inglesa, espanhola e alemã. Nessas primeiras publicações, ele contribuiu apenas como fotógrafo, não interferindo na concepção e produção dos textos.

 

Biografia:

Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996) foi um fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês que viveu grande parte da sua vida na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, no Brasil. Ele realizou um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e nas culturas populares dos cinco continentes. Além disto, produziu uma obra escrita de referência sobre as culturas afro-baiana e diaspóricas, voltando seu olhar de pesquisador para os aspectos religiosos do candomblé e tornando-os seu principal foco de interesse

Verger nasceu em Paris, no dia quatro de novembro de 1902. Desfrutando de boa situação financeira, ele levou uma vida convencional para as pessoas de sua classe social até a idade de 30 anos, ainda que discordasse dos valores que vigoravam nesse ambiente. O ano de 1932 foi decisivo em sua vida: aprendeu um ofício – a fotografia – e descobriu uma paixão – as viagens. Após aprender as técnicas básicas com o amigo Pierre Boucher, conseguiu a sua primeira câmera fotográfica, uma Rolleiflex. Com o falecimento de sua mãe, sua última parente viva, Verger decidiu se tornar naturalmente um viajante solitário e levar uma vida livre e não conformista. Apesar de esse desejo ter surgido tempos antes, Verger tomou essa decisão apenas após a morte da mãe no intuito de não magoá-la.

De dezembro de 1932 até agosto de 1946, foram quase 14 anos consecutivos de viagens ao redor do mundo, sobrevivendo exclusivamente da fotografia. Verger negociava suas fotos com jornais, agências e centros de pesquisa. Fotografou para empresas e até trocou seus serviços por transporte. Paris, então, tornou-se uma base, um lugar onde revia amigos – os surrealistas ligados a Prévert e os antropólogos do Museu do Trocadero – e fazia contatos para novas viagens. Trabalhou para as melhores publicações da época, mas como nunca almejou a fama, estava sempre de partida: “A sensação de que existia um vasto mundo não me saía da cabeça e o desejo de ir vê-lo me levava em direção a outros horizontes”, afirmou ele.

As coisas começaram a mudar no dia em que Verger desembarcou na Bahia. Em 1946, enquanto a Europa vivia o pós-guerra, em Salvador era tudo tranquilidade. Ele foi logo seduzido pela hospitalidade e riqueza cultural que encontrou na cidade e acabou ficando. Como fazia em todos os lugares onde esteve, preferia a companhia do povo e dos lugares mais simples. Os negros, em imensa maioria na cidade, monopolizavam a sua atenção. Além de personagens das suas fotos, tornaram-se seus amigos, cujas vidas Verger foi buscando conhecer com detalhes. Quando descobriu o candomblé, acreditou ter encontrado a fonte da vitalidade do povo baiano e se tornou um estudioso do culto aos orixás. Esse interesse pela religiosidade de origem africana lhe rendeu uma bolsa para estudar rituais na África, para onde partiu em 1948.

Foi na África que Verger viveu o seu renascimento, recebendo o nome de Fatumbi, “nascido de novo graças ao Ifá”, em 1953. A intimidade com a religião, que tinha começado na Bahia, facilitou o seu contato com sacerdotes e autoridades e ele acabou sendo iniciado como babalaô – um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso às tradições orais dos iorubás. Além da iniciação religiosa, Verger começou nessa mesma época um novo ofício, o de pesquisador. O Instituto Francês da África Negra (IFAN) não se contentou com os dois mil negativos apresentados como resultado da sua pesquisa fotográfica e solicitou que ele escrevesse sobre o que tinha visto. A contragosto, Verger obedeceu. Depois, acabou se encantando com o universo da pesquisa e não parou nunca mais.

Apesar de ter se fixado na Bahia, Verger nunca perdeu seu espírito nômade. A história, os costumes e, principalmente, a religião praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África Ocidental e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de suas pesquisas e sua obra. Ele passou a viver como um mensageiro entre esses dois lugares: transportando informações, mensagens, objetos e presentes. Como colaborador e pesquisador visitante de várias universidades, conseguiu ir transformando suas pesquisas em artigos, comunicações e livros. Em 1960, comprou a casa da Vila América. No final dos anos 70, ele parou de fotografar e fez suas últimas viagens de pesquisa à África.

Em seus últimos anos de vida, a grande preocupação de Verger passou a ser disponibilizar as suas pesquisas a um número maior de pessoas e garantir a sobrevivência do seu acervo. Na década de 1980, a Editora Corrupio cuidou das primeiras publicações no Brasil. Em 1988, Verger criou a Fundação Pierre Verger (FPV), da qual era doador, mantenedor e presidente, assumindo assim a transformação da sua própria casa na sede da Fundação e num centro de pesquisa. Em fevereiro de 1996, Verger faleceu, deixando à Fundação Pierre Verger a tarefa de prosseguir com o seu trabalho.

WIKI:

Pierre Edouard Leopold Verger (Paris, 4 de novembro de 1902 — Salvador, 11 de fevereiro de 1996) foi um fotógrafo e etnólogo autodidata franco-brasileiro. Assumiu o nome religioso Fatumbi.

Era também babalawo (sacerdote Yoruba) que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana – o comércio de escravo, as religiões afro-derivadas do novo mundo, e os fluxos culturais e econômicos resultando de e para a África.

Após a idade de 30 anos, depois de perder a família, Pierre Verger exerceu a carreira de fotógrafo jornalístico. A fotografia em preto e branco era sua especialidade. Usava uma máquina Rolleiflex que hoje se encontra na Fundação Pierre Verger.

Durante os quinze anos seguintes, ele viajou os quatro continentes e documentou muitas civilizações que logo seriam apagadas através do progresso. Seus destinos incluíram:

 

  • Taiti (1933)
  • Estados Unidos, Japão e China (1934 e 1937)
  • Itália, Espanha, Sudão, Mali, Níger, Alto Volta (atual Burkina Faso), Togo e Daomé (atual Benim) 1935)
  • Índia (1936)
  • México (1937, 1939, e 1957)
  • Filipinas e Indochina (atuais Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã, 1938)
  • Guatemala e Equador (1939)
  • Senegal (como correspondente, 1940)
  • Argentina (1941)
  • Peru e Bolívia (1942 e 1946)
  • Brasil (1946).

 

Suas fotografias foram publicadas em revistas como Paris-Soir, Daily Mirror (com o pseudônimo de Mr. Lensman), Life, e Match.

Na cidade de Salvador, apaixonou-se pelo lugar e pelas pessoas, e decidiu por bem ficar. Tendo se interessado pela história e cultura local, ele virou de fotógrafo errante a investigador da diáspora africana nas Américas. Em 1949, em Ouidah, teve acesso a um importante testemunho sobre o tráfico clandestino de escravos para a Bahia: as cartas comerciais de José Francisco do Santos, escritas no século XIX.

As viagens subseqüentes dele são enfocadas nessa meta: a costa ocidental da África e Paramaribo (1948), Haiti (1949), e Cuba (1957). Depois de estudar a cultura Yoruba e suas influências no Brasil, Verger se tornou um iniciado da religião Candomblé, e exerceu seus rituais.

Definição de Verger sobre o Candomblé: “O Candomblé é para mim muito interessante por ser uma religião de exaltação à personalidade das pessoas. Onde se pode ser verdadeiramente como se é, e não o que a sociedade pretende que o cidadão seja. Para pessoas que têm algo a expressar através do inconsciente, o transe é a possibilidade do inconsciente se mostrar”.

Durante uma visita ao Benin, ele estudou Ifá (búzios – concha adivinhação), foi admitido ao grau sacerdotal de babalawo, e foi renomeado Fátúmbí (“ele que é renascido pelo Ifá”).

As contribuições de Verger para etnologia constituem em dúzias de documentos de conferências, artigos de diário e livros, e foi reconhecido pela Universidade de Sorbonne que conferiu a ele um grau doutoral (Docteur 3eme Cycle) em 1966 — um real feito para alguém que saiu da escola secundária aos 17.

Verger continuou estudando e documentando sobre o assunto escolhido até a sua morte em Salvador, com a idade de 94 anos. Durante aquele tempo ele se tornou professor na Universidade Federal da Bahia em 1973, onde ele era responsável pelo estabelecimento do Museu Afro-Brasileiro, em Salvador; e serviu como professor visitante na Universidade de Ifé na Nigéria.

Verger se apaixonou pela Bahia lendo “Jubiabá” e se tornou amigo das maiores personalidades baianas do século XX, como o próprio Jorge Amado, Mãe Menininha do Gantois, Gilberto Gil, Walter Smetak, Mário Cravo, Cid Teixeira, Josaphat Marinho, dentre outros notáveis. Seu trabalho como fotográfo influênciou notadamente nomes consagrados da fotografia contemporânea como Mário Cravo Neto, Sebastião Salgado, Vitória Regia Sampaio, Adenor Gondim e Joahbson Borges, sendo que este foi seu último assistente, apontado pelo próprio Verger como sucessor natural.

Na entidade sem fins lucrativos Fundação Pierre Verger em Salvador, que ele estabeleceu e continuou seu trabalho, guarda mais de 63 mil fotografias e negativos tirados até 1973, como também os documentos dele e correspondência.

No Brasil, foi homenageado como tema de carnaval (Rio de Janeiro, 1998) do GRES União da Ilha do Governador, cuja letra fala da Trajetória de Pierre Verger a Fatumbi.

Jérôme Souty publicou um ensaio muito documentado sobre a obra e a vida de Verger : Pierre Fatumbi Verger. Do olhar livre ao conhecimento iniciático, São Paulo, Terceiro Nome (446 p., 23 fotos, em português) ; Pierre Fatumbi Verger. Du regard détaché à la connaissance initiatique, Paris: Maisonneuve & Larose, 2007 (520p., 144 fotos, em francês).

 

FCP celebra o 20 de novembro na Serra da Barriga-AL

A programação, que inclui cortejos, oficinas, shows e apresentações culturais, será encerrada com um show do cantor e compositor Martinho da Vila

A Fundação Cultural Palmares – MinC (FCP) preparou uma programação especial para as 10 mil pessoas que devem visitar o município de União dos Palmares, em Alagoas, até 20 de novembro – Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. De 17 a 20 de novembro, os visitantes poderão participar de cortejos, oficinas, shows e apresentações culturais que vão celebrar a data mais importante do calendário afro-brasileiro.

De acordo com Hilton Cobra, presidente da FCP – MinC, o intuito da programação, além de celebrar a data, e provocar discussões sobre cultura e estética negra. “Nós acreditamos que a arte e a cultura também são totalmente capazes de eliminar as barreiras da desigualdades e promovem a inclusão. A nossa população precisa disso”, afirma.

Sem barreiras geográficas – Jovens negras e negros de União dos Palmares e Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, vão transpor barreiras geográficas para trocar experiências sobre como eles se organizam na área cultural e em busca de políticas públicas nas duas cidades. É o Escambo Cultural: de Ceilândia à União dos Palmares, que acontece no dia 17, às 14h.

De acordo com Lindivaldo Júnior, diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-brasileira da FCP – MinC, a ação também está vinculada ao plano Juventude VIVA, programa do Governo Federal que visa à prevenção à violência contra a juventude negra. “O nosso encontro é uma forma de responder as últimas notícias que apontam que 35,2% das vítimas de homicídios ocorridos no Brasil em 2011 eram homens negros entre 15 e 29 anos”, aponta.

“Nós não vamos discutir questões de segurança pública, mas vamos buscar soluções dentro da cultura. Como os jovens de União dos Palmares estão se organizando para vencer as estatísticas? Quais ações os jovens de Ceilândia estão desenvolvendo? É isso que queremos descobrir”, completa Lindivaldo.

Corpo, cor e movimento – Entre os dias 18 e 19, a cultura negra, nas mais diversas formas e expressões, vai invadir União dos Palmares. Serão ministradas as oficinas “Juventude Negra: Corpo, Cor e Movimento”, que exibirão movimentos de Hip Hop e Breack, técnicas de discotecagem, conceitos de estética negra e movimentos de dança afro. Além dos encontros, o evento “Resistência Negra em Cortejo” levará aos moradores desfiles de afoxés de Alagoas e Pernambuco que sairão em cortejo até a Praça da Matriz.

O grande dia – A grande celebração será realizada no Parque Memorial Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga. O Parque, que é uma referência ao Quilombo dos Palmares – o maior, mais duradouro e mais organizado refúgio de escravos das Américas – será palco de atrações que têm como objetivo conscientizar, promover e valorizar as diversas artes e culturas afro-brasileiras.

O banho de cheiro realizado por religiosos de matriz africana inicia as atividades do dia, que contará ainda com cortejo sagrado e a cerimônia de depósito de flores na Lagoa Encantada dos Negros. O rito vivencia as religiosidades afro-brasileiras, ainda vítimas da intolerância religiosa, alimentada pelo ranço do racismo estrutural no país. “As celebrações reverenciam a memória do líder negro Zumbi dos Palmares, morto pelo escravismo e pelo racismo que continua na vida da população brasileira”, pontua Cobra.

Apresentações de tradições culturais,rodas de capoeira e oficinas fazem parte da agenda do dia, que será encerrada às 20 horas com o show de um dos principais nomes do samba,o cantor e compositor Martinho da Vila, que canta sucessos como “Canta, Canta Minha Gente”, “Mulheres” e “Madalena do Jucú”.

Confira a programação completa:

FCP celebra o 20 de novembro na Serra da Barriga-AL

Guimarães: III Congresso de Inclusão Pelo Desporto

O 3º CONGRESSO INCLUSÃO PELO DESPORTO, inserido no programa geral de Guimarães – Cidade Europeia do Desporto 2013 é a oportunidade para debater e aprofundar metodologias de integração das populações mais desfavorecidas no e pelo Desporto em Portugal e na Europa.

Num período em que a função social e educativa do Desporto tornou-se uma área política de relevância estratégica da União Europeia, espera-se que este Congresso, contribua para o debate em curso sobre a inclusão social dos imigrantes e das minorias étnicas e das populações em risco dentro e através do desporto. Além disso, os resultados e as recomendações práticas desta conferência devem ajudar a colocar a inclusão social na agenda das políticas desportivas nacionais e europeias e promover a partilha dos nossos valores com outras regiões do mundo, nomeadamente, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa.
É aqui que queremos estar para potenciar as melhores energias da sociedade civil.

No ano de 2013, promovemos o CID na programação de Guimarães – Cidade Europeia do Desporto. Porque partilhamos uma visão em que salientamos que no Desporto como na Sociedade, a evidente desigualdade de oportunidades possa ser ultrapassada através da capacitação e representatividade das populações mais desfavorecidas em todos os ramos da atividade social e profissional. Por uma questão de oportunidade, mas fundamentalmente por uma questão de consciência e de dever, é em Guimarães que queremos estar colocando o debate das políticas sociais em eventos de relevo e de destaque na sociedade portuguesa e europeia.

O CID oferece cursos de capacitação profissional a mais de 100 educadores e agentes sociais. Apresenta-se como uma série de eventos temáticos (congresso, exposições, publicações, prémios e palestras) com o objetivo claro de inspirar e na partilha ativa de experiências e conhecimentos do interesse de universitários, recém-licenciados, empreendedores, mediadores sociais, técnicos de deporto, técnicos sociais, representantes de ONG`S e IPSS e dinamizadores do mundo empresarial e académico nas mais diversas áreas de atividade. 

OBJETIVOS

Proporcionar um espaço informal e de confiança para a potencialização do networking e possíveis parcerias entre todos os participantes e estimular a aprendizagem, troca de experiências e ferramentas entre os participantes através de workshops específicos. 
Motivar a função social e educativa do Desporto através da capacitação de educadores, instituições e poder local a melhorarem a sua abordagem pedagógica e aumentar a eficácia e atratividade da formação do Jovem. 
Promover o Desporto como meio de diálogo intercultural e intercâmbio de boas práticas, que contribuam para a prevenção e a luta contra a violência e o racismo na sociedade, de sedentarismo e de isolamento social das minorias sociais e/ou vítimas de exclusão social. 
Promover a reflexão sobre ética e valores no desporto. 

DESTINATÁRIOS

O 3º CONGRESSO INCLUSÃO PELO DESPORTO procura corresponder às preocupações e expectativas profissionais dos agentes e entidades desportivas e sociais, nomeadamente: 
• Dirigentes e técnicos de desporto e de ação social da administração pública (comunidades urbanas, áreas metropolitanas e outros organismos da administração pública regional); 
• Dirigentes e técnicos de desporto e ação social de instituições de solidariedade social nacionais e europeias; 
• Técnicos e agentes de desporto, de clubes  e associações desportivas; 
• Dirigentes e técnicos de outras organizações desportivas, nomeadamente o Comité Olímpico de Portugal, Comité Paralímpico de Portugal, Confederação do Desporto de Portugal e Fundação do Desporto de Portugal; 
• Professores e estudantes das áreas Desporto e Educação Física e das áreas de Solidariedade Social e da Saúde; 
• Elementos diretivos e técnicos do Desporto Escolar; 
• Empreendedores sociais e animadores de projetos e programas orientados para a educação inclusiva; 
• Outros agentes desportivos e sociais.

 

http://www.iuna.org.pt/congressoinclusaodesporto/

Emancipação, inclusão e exclusão. Desafios do Passado e do Presente

Exposição traz fotos de negros escravos no Brasil

Até o ano de 1888, negros trazidos da África e seus descendentes viviam no Brasil como escravos. Eles trabalhavam sem receber salário e eram submetidos a compra ou troca, como se fossem objetos.

A exposição “Emancipação, Inclusão e Exclusão. Desafios do Passado e do Presente”, no Museu de Arte Contemporânea da USP, traz 72 imagens feitas entre 1860 e 80, de escravos e ex-escravos. A mostra, em parceria com o Instituto Moreira Salles, fica em cartaz até o dia 29 de novembro de 2013.

Na época em que as fotos foram tiradas, já circulavam entre os intelectuais críticas ao trabalho forçado.

Pelas lentes de brasileiros e estrangeiros, os negros –livres, escravizados ou libertos– foram retratados de diferentes formas: como modelos exóticos para análise científica, como parte do cenário ou como figuras principais.

Acervo Instituto Moreira Salles

PARA CONFERIR

Emancipação, inclusão e exclusão. Desafios do Passado e do Presente
QUANDO até 29/10; terça a domingo, das 10h às 18h
ONDE MAC Cidade Universitária (r. da praça do Relógio, 160; tel. 0/xx/11/3091-3039)
QUANTO grátis

 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br

Matéria sugerida por: Nélia Azevedo