ESPM: Economia Criativa e Escolas de Samba
02 Out 2014

ESPM: Economia Criativa e Escolas de Samba

Seminário SRZD-Carnaval: primeiro debate do dia fala sobre valor do sambista O primeiro dia da 4ª edição do Seminário SRZD-Carnaval, realizado no

02 Out 2014

Seminário SRZD-Carnaval: primeiro debate do dia fala sobre valor do sambista

O primeiro dia da 4ª edição do Seminário SRZD-Carnaval, realizado no auditório da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), nesta quarta-feira, começou com o assunto Economia Criativa e Escolas de Samba. O professor de Marketing da instituição Marcelo Guedes apresento um vídeo com o chefe do setor de Economia Criativa da ESPM, João Luis de Figueiredo, falando sobre a importância do Carnaval, não apenas pelo desfile. “Carnaval não é apenas um produto cultural, mas também econômico, gerando renda. Um desfile campeão gira em torno de R$ 10 milhões. Não deixando a desejar em nada a um filme brasileiro. É preciso pensar não só o desfile, mas atividades das escolas de samba ao longo do ano, blocos de Carnaval e rodas de samba que transformam o produto econômico ‘Carnaval’ cada vez melhor”.

 

Para Figueiredo, “o Carnaval tem que ser percebido como identidade territorial do Rio de Janeiro. Temos que pensar não só como fortalecer o Carnaval, mas como pode ser traço de identificação do Rio de Janeiro no mundo”. Segundo ele, há dois desafios: desenvolver as agremiações que estão nos grupos que não desfilam no Sambódromo e pensar na gestão do negócio nas escolas de samba, que recebem receita apenas na época de Carnaval”.

Marcelo Guedes falou sobre economia criativa, dando exemplo do Carnaval no Rio de Janeiro. “Hoje aluno de graduação é apaixonado, entende a importância e respeita o Carnaval. Para Guedes, “a preocupação é a profissionalização, transformando o espetáculo mais bonito do mundo”.

Na mesa do primeiro debate, os blogueiros do SRZD-Carnaval Hélio Rainho e Rachel Valença receberam Capoeira Machado e Cyro do Agogô para falar sobre o tema “G.R.E.S. Saudade! – Nostalgia, saudosismo e modernidade: que caminhos percorreram a linha do tempo do samba? E o samba, afinal… ‘sambou’?!”. O nome do debate teve como inspiração um enredo da Unidos da Ponte de 1987 e outro da São Clemente.

Para Hélio, quanto mais a escola tenta se renovar, mais precisa se reinventar com sua identidade histórica. Há sempre nostalgia pelo que passou e buscando novos caminhos. Segundo Capoeira, a maior herança para o Rio de Janeiro são as escolas de samba.

Rachel falou sobre as agremiações que não eram bem vistas no passado e questionou Cyro sobre o que mudou. Para ele, “hoje em dia as escolas têm mais recursos, mais planos de trabalho, o que não existiam anos atrás. Hoje, tudo mudou. No entanto, a dificuldade, correr atrás de recurso para resolver, era mais gostoso”. Sobre a identidade cultural brasileira, para Capoeira Machado, é preciso vir ao Rio para fazer sucesso.

‘Vamos ser mais sambistas!’

Os passistas foram assunto para Cyro. Ele acredita que eles estão abandonados. “Sempre tomei cuidado de apresentar a passista ao público que está assistindo. O passista, hoje em dia, está se encostando no outro”. Hélio Rainho, um defensor do segmento, contou que “a estrutura da ala de passistas em escola de samba tem exigência de uma série de apresentações durante o ano e as escolas não fornecem estrutura para isso. Quem não consegue a roupa, apesar de serem bons, não conseguem desfilar pelas exigências”. Os passistas originais, segundo o blogueiro do SRZD-Carnaval, são substituídos por “dançarinos de academia”.

Para Cyro, “hoje há preocupação da falta de samba dentro do grupo de passistas. Necessário ter diretores que sejam duros com componentes e dirigentes. Sambista que é sambista tem que chegar na escola pequena e fazer exibição na mesma forma que chegou numa Portela, Império, Vila. Gente, vamos ser mais sambistas. As pessoas estão se refugiando”.

Rachel falou também sobre as pessoas quererem assistir ao Grupo Especial e esquecerem os desfiles da Intendente Magalhães. Já Capoeira disse que é preciso ir atrás de qualidade. Os puxadores, para Capoeira, tinham suas particularidades. “Atualmente, há puxadores ‘tops’. Quando compositor fazia o samba, fazia talhado para o puxador. Com um concurso de puxador, o novo pode dar uma roupagem para o samba”. 

Ao abrir para perguntas da plateia, o Rei Momo de Niterói, Jair Ribeiro, falou da diferença da criatividade dos pés para os passos marcados de academia e perguntou sobre a contribuição negativa para o segmento de passistas. Cyro respondeu sobre os passistas da comunidade que usam roupas mais pesadas, enquanto os outros não se caracterizam como deveriam. Ele deu exemplo das baianas, que são difíceis de encontrar quem queira desfilar com roupa pesada. Capoeira contou ainda um caso sobre um passista masculino querendo aparecer mais que uma passista. Rachel complementou:”Papel do passista é papel masculino. Mesmo que seja homossexual, ele representa papel que é masculino. A mesma coisa para o mestre-sala”.

O leitor do SRZD Alan Soares perguntou para Rachel Valença sobre o “embranquecimento” da cultura negra nas escolas de samba. A blogueira do SRZD-Carnaval concordou com o participante e complementou dizendo que as escolas de samba, aos poucos, vão sendo todas coreografadas, perdendo a espontaneidade. Ela deu exemplo da bateria que, mesmo tocando bem, se não for coregorafada, não faz sucesso. “A dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira era espontâneo antigamente, o que não existe mais. Ataco coreografia em ala de passistas. É o fim dos tempos. Para quem é capaz de sambar, o samba é resposta individual do corpo ao ritmo”. Hélio Rainho colocou outro ponto. “É muito fácil crucificar os diretores que colocam coreografia. Mas as escolas foram sacrificadas por julgamento que as obrigou a isso”. 

Cátia Suzuki, da Caprichosos de Pilares, estava na plateia e foi outra que participou do debate com sua visão. “A opção sexual de cada um é de cada um. Procuramos trazer passista masculino, independente da opção sexual dele. Se hoje em dia a ala de passistas é coreografada, não temos tanta culpa. É culpa do sistema. Na minha concepção, o passista não é mais amor ao samba. Virou status. Não importa ter bom samba ou péssimo samba. Importa ter corpão sarado. Muitas escolas cobram isso. Temos que procurar samba de raiz de verdade. Não podemos esquecer que somos sambistas”. 

Após o fim do primeiro debate do dia, passistas da Mocidade se apresentaram para o público com o samba-enredo de 2014, sendo muito aplaudidos ao final. 

 

Redação SRZD – http://www.sidneyrezende.com/

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